A Perdigão esclareceu, por meio de sua assessoria de imprensa, que a redução de 20% na produção no primeiro trimestre de 2009, a partir de janeiro do ano que vem, ocorrerá somente para as exportações, assim como ocorrerá com a parada temporária de algumas unidades industriais com atividades mais destinadas ao mercado externo, diferentemente do informado em nota divulgada anteriormente. Segue abaixo a nota corrigida: A Perdigão reduzirá a produção de aves e suínos destinados às exportações em 20% no primeiro trimestre de 2009, a partir de janeiro, para ajustar o nível de seus estoques, seguindo orientação da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef). A informação foi divulgada hoje pelo diretor da área internacional da companhia, Antonio Augusto de Toni. Segundo ele, essa redução ocorrerá por meio da quebra de ovos e da redução do peso médio dos animais. A empresa planeja ainda parada temporária, de cerca de 20 dias, em algumas fábricas com atividades mais voltadas ao mercado externo. O executivo da empresa não soube informar qual será o número de unidades a serem paralisadas no primeiro semestre de 2009, mas ressaltou que a companhia deverá conceder férias coletivas a funcionários que estão com o benefício já vencido. O presidente da Perdigão, José Antonio Fay, ressaltou, no entanto, que apesar da queda na produção a oferta de aves e suínos será mantida, uma vez que a empresa trabalha com estoques elevados. Em razão dos problemas no porto de Itajaí, em Santa Catarina, cerca de 40% do volume que deveria ser exportado pela Perdigão em novembro ficou no País. "Pretendemos recuperar 20% disso em dezembro e 20% vai ficar para 2009", completou De Toni. Ele acrescentou ainda que compradores da carne brasileira, como a Europa e o Japão, também estão com estoque elevado em razão da crise financeira internacional. Com essa estratégia, a Perdigão pretende evitar uma queda muito acentuada nos preços. Exportações O presidente da Perdigão afirmou que as exportações de frango da companhia devem apresentar um crescimento de 5% em 2009. Para o executivo, a crise financeira abre oportunidades de mercado para o Brasil no próximo ano. Ele lembra que o País apresenta um produto mais competitivo no mercado internacional e que o seu maior concorrente no segmento de aves, os EUA, perde competitividade com a valorização do dólar. "O preço em dólar para o Brasil em 2009 será melhor do que em 2008", ressaltou. O executivo também previu que a produção total da Perdigão deve crescer de 5% a 7% no próximo ano e que a demanda no mercado interno deve apresentar comportamento semelhante ao do Produto Interno Bruto (PIB). Fay acredita em um aumento de 3% do PIB em 2009 e que alguns produtos de menor preço podem apresentar um crescimento no volume de vendas ainda superior a este porcentual. Já para o mercado de suínos, Fay preferiu não fazer previsões, afirmando que "o cenário é mais nebuloso". Os importadores da Rússia, país que tem maior participação no volume das exportações brasileiras, estão enfrentando problemas financeiros e conseqüentemente reduzindo o volume de compras do Brasil. Investimentos Fay disse também que a empresa deve manter em 2009 o nível de investimento realizado este ano, em torno de R$ 600 milhões. Segundo ele, a companhia priorizará projetos já iniciados, como a fábrica de Bom Conselho, em Pernambuco, e os aportes na Eleva - empresa que está sendo incorporada ao grupo. Quanto aos planos de aquisição de uma nova unidade no exterior no próximo ano, o executivo disse apenas que a empresa continuará analisando as oportunidades que possam complementar as atividades da Plusfood, empresa com sede na Holanda adquirida pela Perdigão em 2007.