Há poucas semanas, a subsidiária brasileira da Audi lançou a Audisfera, uma área em seu site que reúne tudo o que é falado sobre a marca na internet, de notícias a comentários em redes de relacionamento como Facebook e Orkut -- um projeto inédito entre todos os países onde a montadora atua. Segundo o presidente da empresa, Paulo Kakinoff, até agora a Audisfera recebeu mais de 50 000 visitantes. Pois bem, o retorno dessa iniciativa chamou tanto a atenção da matriz, na Alemanha, que a Audi já decidiu: vai lançar um site parecido por lá.
P.S. Estarei em férias a partir do dia 16, segunda-feira. Volto dia 30 de novembro. Até lá!
Acabo de conversar com Marcelo Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht. Hoje a companhia atua em diversos países fora do Brasil, como Estados Unidos, Angola e Líbia (no caso da construtora, uma das empresas do grupo, quase 80% do faturamento vem do exterior). Marcelo contou que a Odebrecht vem contratando nos últimos tempos 1000 funcionários por mês, em média. Em condições nromais de temperatura e pressão, contratar tanta gente já seria uma tarefa complicada. Mas Marcelo vem se deparando com um agravante: a escassez de mão-de-obra especializada. Segundo ele, de operários a engenheiros falta tudo. Por isso, a empresa muitas vezes tem que contratar gente que nunca pisou num canteiro de obras -- e tomar para si a responsabilidade de treinar esse pessoal. Isso custa caro. Só no ano passado foram 20 milhões de dólares. Para ele, se o Brasil quiser realmente crescer, vai precisar resolver duas questões: infra-estrutura e educação.
Esse, aliás, é quase um "mantra" que tenho ouvido de empresários com cada vez mais freqüência. O tal "apagão" de talentos parece que volta a assombrar muitas empresas -- um problema que havia diminuído com a crise, mas que ressurge agora com o reaquecimento da economia.
Será que teremos mesmo gargalos no crescimento -- agora e no futuro -- por causa disso?
Bons livros de negócios escritos no Brasil são raros. Não sei exatamente porque, mas são. Por isso é sempre muito legal quando me deparo com uma obra que vale a pena. É o caso de Fazer Acontecer.com.br, que o publicitário Julio Ribeiro, fundador da Talent, uma das agências mais bacanas do país, está lançando hoje. Na obra (uma reedição atualizado de um livro publicado por Ribeiro na década de 90), o publicitário conta vários episódios interessantes que marcaram sua carreira.
Gostei de diversos trechos do livro, mas um capítulo em especial me chamou a atenção: "O sonho é a parte mais importante da realidade". Nele, Ribeiro fala um pouco sobre sua decisão de abandonar uma agência grande para começar, sozinho (ou melhor, com um office boy e um motorista), a Talent. "Clientes? Nenhum. Capital? Algum dinheiro no banco, duas resmas de papel, um conjunto vazio, uma mesa e o meu talento. Mas era como nascer de novo", diz ele.
Algumas outras frases do livro refletem bem o estilo de Ribeiro:
"Não existe produto invendável"
"As megafusões são fatos importantes para o mundo empresarial. Os consumidores, no entanto, se interessam mais pelo que estas novas empresas vão propor de bom para eles"
"Você honestamente crê que alguém possa ser comovido ao saber que a sua empresa está fazendo 25 anos?"
"Quando cada um corre para um lado, dificilmente a empresa chega a algum lugar"
"Para algumas empresas soa complicado demais modificar sua forma de operação para obter ganhos em desempenho"
Vale a leitura!
À parte as discussões ideológicas, o episódio envolvendo a Uniban e a estudante Geisy Arruda, hostilizada por ir às aulas com um mini-vestido Pink, tem todos os elementos para se tornar um case de desastre no que se refere à administração de uma crise.
Basicamente tudo o que poderia ser feito errado, a administração da Uniban fez. Primeiro, deixou a manifestação dos alunos contra Geisy tomar uma proporção próxima do linchamento -- até a polícia teve de intervir. Depois, expulsou a aluna. Ah? A menina é atacada e ela é quem é penalizada? Finalmente, resolveu voltar atrás. Ou seja, um samba do criolo doido sem precedentes.
A sucessão de equívocos acabou por fazer com que a opinião pública ficasse ao lado de Geisy e demonizasse a Uniban. Na internet, os comentários sobre o assunto não param e há até vídeos no YouTube sacaneando a universidade. Um dos melhores é o que está abaixo, que me foi enviado pela colega Fabiane Stefano. Trata-se de uma paródia que mostra Hitler altamente irritado ao saber que os estudantes da Uniban agora são chamados de nazista. "Nós não perseguimos mulheres!", diz ele.
O pior de tudo nessa história é que os maiores prejudicados serão os estudantes sérios da Uniban. Hoje de manhã ouvi uma universitária dando entrevista na televisão. Ela dizia que todo esse imbróglio prejudicou a imagem da faculdade e que os alunos que se formarem esse ano terão dificuldades de conseguir emprego. Eu honestamente acho que ela está certa. E você? Enquanto pensa na resposta, assista o filme abaixo:
A revista americana Fortune acaba de eleger o fundador da Apple como CEO da década. Basta saber um pouco da história dele para entender o porquê da escolha. Jobs foi chutado da própria empresa que havia criado na década de 80. Na década seguinte voltou ao comando da companhia e a tirou de uma crise. Nesta década criou produtos que se tornaram ícones de consumo em todo o mundo -- é preciso morar em Marte para ignorar a febre do iPod e do iPhone. Entre a criação de um blockbuster e outro, ele ainda enfrentou doenças gravíssimas duas vezes.
Visionário, egocêntrico, genial, irascível, criativo. Os adjetivos para qualificar esse empresário de 54 anos são muitos -- nem todos simpáticos. Não importa. Ele criou uma empresa invejada e copiada no mundo todo.
Ao ler a notícia da Fortune pensei numa coisa: se fizéssemos uma eleição para descobrir qual o empresário ou executivo brasileiro da década, quem ganharia? Para quem você daria seu voto?
