
Conversei essa semana com o empresário Luiz Biagi, um dos controladores da SantelisaVale, uma das maiores produtoras de açúcar e álcool do país -- e o quadro que ele pintou da situação das empresas brasileiras do setor não foi muito animador. O álcool tem hoje uma das cotações mais baixas dos últimos anos. Lá fora, o patrulhamento dos ambientalistas (e o protecionismo de alguns governos) está tentando transformar os plantadores de cana nos grandes responsáveis pela fome do mundo e pela inflação dos alimentos. Por conta dessa situação, os balanços das empresas do setor neste primeiro semestre, de acordo com o empresário, não serão muito bons. Segundo Biagi, a situação tem inclusive afastado alguns investidores. "Os fundos de private equity, por exemplo, que no ano passado assediavam muitas empresas do setor, agora deram uma sumida. Já perceberam que não é fácil ganhar dinheiro com esse negócio", diz ele.
Publicado em 10/07/2008 - 18:36
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Todos os anos, a operadora Oi gasta 40 milhões de reais para repor cabos telefônicos que são roubados da operadora. Você leu certo: roubados. E o que os ladrões fazem com esse material? Desmancham e vendem o cobre num mercado paralelo. Se fossem enfileirados, esses cabos surrupiados da operadora percorreriam a distância entre o Rio de Janeiro e Fortaleza.
Quem me contou isso foi o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, ontem, durante a entrega do prêmio Melhores & Maiores.
Publicado em 08/07/2008 - 12:12
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Minha colega Larissa Santana acabou de me contar uma história ótima. A pane nos serviços de internet da Telefônica paralisou ontem 40 lojas da rede de varejo Magazine Luiza. Em uma reunião interna, Luiza Helena Trajano, superintendente da empresa, contou a funcionários que telefonou pessoalmente para o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, ao saber do problema. Reclamou muito, é claro. Tanto que sentiu remorso. Aos funcionários, Luiza Helena disse ter descoberto só depois da ligação que a pane havia afetado muito mais do que os terminais do Magazine. E acrescentou que planejava ligar de novo para se desculpar, diante da quantidade de protestos que Valente deve ter recebido...
Publicado em 04/07/2008 - 19:38
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Há uma década, a GP Investimentos assumiu a gestão da ALL Logística, a antiga malha sul da Rede Ferroviária Federal. Desde então, a empresa passou por um profundo choque de gestão -- coordenado primeiro pelo executivo Alexandre Behring e, desde 2005, pelo atual presidente, Bernardo Hees. Procure por qualquer índice de eficiência e ele terá aumentado -- e muito -- desde a privatização. Hoje, a ALL é uma das maiores operadoras da América Latina, com faturamento de quase 2,4 bilhões de reais em 2007. Um dos melhores argumentos para convencer os funcionários da antiga estatal a buscar melhorias operacionais foi a meritocracia (uma herança da GP, que hoje não controla mais a empresa). Em bom, português, quem faz mais ganha mais. Graças a isso, hoje dos 6900 funcionários da ALL cerca de 150 já se tornaram sócios da companhia. Hees, com quem conversei hoje, me disse que desse grupo não fazem parte apenas executivos. "Alguns maquinistas já receberam o equivalente a quase 200 000 reais em ações da empresa", afirmou ele.
Publicado em 25/06/2008 - 17:08
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Minha manicure me contou que a irmã dela acaba de comprar um carro -- o primeiro de sua vida. Com todo o crédito disponível no mercado, ela decidiu que seria possível bancar um 0 quilômetro. Escolheu um modelo popular e deu uma entrada pequena. Parcelou o restante em 60 meses. Nos próximos 5 anos, ela vai desembolsar todos os meses quase 600 reais referentes à prestação do carro. Por conta dos problemas de segurança da cidade, ela resolveu fazer um seguro -- algo em torno de 150 reais por mês (claro, ela também parcelou o seguro). Ou seja, sem contar o combustível e eventuais consertos mecânicos, ela vai gastar 750 reais do mês com o carro. O salário dela é de 1200 reais. Feitas as contas, nos próximos 5 anos ela terá o equivalente a 450 reais para todas as outras despesas de sua vida -- todo o resto será gasto com o automóvel.
Essa conta fecha? Honestamente eu acho que não. Enquanto as montadoras comemoram recordes históricos de produção, os financiamentos de automóveis estão sendo aprovados sem grandes restrições -- como mostra o caso dessa consumidora. A pergunta é: será que esse crédito farto não guarda semelhanças com a bolha dos imóveis nos Estados Unidos?
Publicado em 20/06/2008 - 18:04
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Cristiane Correa, editora executiva de EXAME, escreve sobre o que acontece no mundo das empresas. ccorrea@abril.com.br ![]() |
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