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Corretora vai lançar fundo de ações "Rio 2016"
Por Giuliana Napolitano | 24/11/2009 - 20:03

A corretora e gestora de recursos Petra vai lançar nos próximos meses um fundo de ações voltado para as Olimpíadas de 2016. O fundo - que provavelmente será batizado de "Rio 2016" - vai investir em papéis de empresas que, na avaliação da equipe de analistas da Petra, devem se beneficiar dos investimentos que serão feitos para o Rio de Janeiro sediar os Jogos.

A carteira de ações ainda não está definida, mas deve incluir papéis como os de empresas de aviação, aluguel de carros, logística (ALL e Log-In são as mais cotadas) e siderúrgicas, segundo Ricardo Binelli, diretor da Petra. "Construtoras que tenham terrenos no Rio, como Cyrela, Brascan e Gafisa, também podem ganhar", diz ele.

"É verdade que, no limite, praticamente todas as empresas se beneficiam indiretamente dos Jogos - por exemplo, o consumo de alimentos cresce, porque há mais turistas etc. Mas há setores em que as vantagens são mais evidentes", afirma.

Para Binelli, não é cedo demais para começar a investir nas ações dessas companhias. "Os negócios têm início muito antes do evento em si, com as visitas de empresários e patrocinadores ao país, por exemplo", diz. Mas ele mesmo pondera que o grosso da valorização deverá vir em alguns anos. "Estudamos colocar um prazo de carência no fundo, para enfatizar esse caráter mais de longo prazo."

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IPO da Direcional Engenharia: um teste para o mercado?
Por Guilherme Fogaça | 23/11/2009 - 17:18

A abertura de capital da Direcional Engenharia na última quinta-feira chamou a atenção do mercado pelo pequeno porte -- a empresa captou 241 milhões de reais, a menor oferta desde o IPO da grife de roupas Le Lis Blanc, que levantou 150 milhões de reais em abril de 2008. Nos dois primeiros dias de negociação, os papéis da Direcional valorizaram 4,5%, contra uma queda de quase 1% do Ibovespa. O comportamento das ações superou o desempenho dos recentes IPOs do mercado -- os papéis da empresa de tecnologia Tivit, por exemplo, caíram 9% desde o lançamento ocorrido no fim de setembro e as ações do Santander permanecem praticamente no mesmo patamar do lançamento realizado no começo de outubro.

A boa estreia da Direcional Engenharia na bolsa levantou a hipótese de que os investidores estariam novamente receptivos a ofertas menores -- alguns analistas, no entanto, acham que o caso da compahia é um ponto fora da curva. "O mercado ainda não tem apetite para empresas desse porte", diz Walter Maciel, sócio da gestora de recursos Quest Investimentos, de São Paulo. Segundo os analistas, o IPO da Direcional não pode ser considerado um teste para o mercado porque parte da demanda estava "garantida" -- os controladores da empresa e a gestora de recursos Tarpon participaram da oferta, adquirindo mais de 20% das ações emitidas.

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O barulho dos estrangeiros contra o novo IOF
Por Guilherme Fogaça | 19/11/2009 - 15:58

Quem olha para o desempenho da bolsa brasileira hoje não chega a se assustar com a reação do mercado ao novo IOF imposto pelo governo -- perto das 15h30, o Ibovespa caía cerca de 1%, acompanhando os mercados mundiais. Basta ouvir a manifestação dos investidores externos, porém, para perceber que a notícia foi mais do que suficiente para azedar o humor dos estrangeiros. "O dinheiro está sendo aplicado em ativos brasileiros porque as pessoas estão confiantes com relação ao momento do país. Não entendo por que estão querendo derrubar essa confiança", disse Geoffrey Pazzanese, gestor do fundo americano Federated, em entrevista à Bloomberg.

A medida em si não parece ser o principal motivo da revolta dos estrangeiros -- a maioria dos analistas diz que não vai ser por uma taxa de 1,5% ou 2% que esses investidores deixarão de aplicar em empresas brasileiras. Além disso, o "truque" de comprar ADRs na bolsa de Nova York e pedir seu cancelamento para receber os papéis das empresas no Brasil e burlar a taxação local de 2% continua valendo, já que a cobrança do IOF ocorrerá apenas para as emissões de novas ADRs. O que incomoda os estrangeiros, na verdade, é a insegurança que esse tipo de iniciativa traz. "É um sinal negativo para os investidores. Antes de anunciar a taxação, o governo deveria levar em consideração a percepção que os investidores terão das ADRs a partir de agora e os efeitos disso no longo prazo", diz Michael Crawford, investidor americano que aplica nas ações da Petrobras e da Vale (leia mais sobre ele)

O lado "bom" disso tudo, na opinião dos analistas, é que a medida deve beneficiar as ações da BM&FBovespa. É provável que o movimento de migração de negócios para Nova York pare com o novo imposto -- essa, na verdade, foi a justificativa do governo ao anunciar a medida: equalizar as condições de estrangeiros e brasileiros. Segundo um relatório da corretora Link, desde que o IOF para investimentos estrangeiros na Bovespa foi anunciado, em meados de outubro, o volume de negócios com ADRs brasileiras em Nova York aumentou 20%, enquanto as transações na Bovespa cresceram apenas 12%.

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O melhor resultado da década da Petrobras
Por Giuliana Napolitano | 18/11/2009 - 18:03

A Petrobras teve o segundo maior lucro líquido entre as empresas das Américas no terceiro trimestre de 2009 e também nos últimos 12 meses, segundo uma pesquisa da consultoria Economática. Na comparação internacional, este é o melhor resultado da companhia na década - um desempenho que veio melhorando ano após ano. Em 2008, a Petrobras teve o 5º maior lucro da região; em 2007, o 9º maior; lá atrás, em 2000, estava na 18ª posição.

Há algumas explicações para a evolução da Petrobras. Uma delas é o crescimento da companhia nos últimos anos, em razão ao aumento da produção e da descoberta de novas reservas - o que elevou seu lucro em termos absolutos. "Em 2009, com a queda dos preços do petróleo, o lucro da empresa chegou a diminuir, mas num ritmo bem menor que o das concorrentes no exterior. E isso contribuiu para melhorar sua posição no ranking", diz Flávio Conde, analista da Gradual Investimentos.

A desvalorização do dólar também ajudou, porque reduziu o impacto da dívida da Petrobras em moeda estrangeira. Fora isso, houve o impacto da crise mundial, que afetou muito mais o resultado de empresas americanas do que das brasileiras. Companhias como GE e Microsoft, que lucravam mais que a Petrobras, caíram algumas posições no ranking neste ano.

Mas, é claro, nem tudo são rosas. O Guilherme Fogaça e eu lemos relatórios de bancos e corretoras e conversamos com analistas que lembraram que o resultado operacional da Petrobras no terceiro trimestre deste ano, divulgado recentemente, foi apenas razoável. Um relatório da corretora Ativa destaca que a produção de petróleo ficou estável entre setembro e outubro, o que deve fazer com que a meta de produção de 2009 não seja cumprida. 

"Não há problemas sérios na operação da Petrobras, mas é fato que os resultados pioraram um pouco", diz Luiz Rogé, diretor da consultoria InvestCerto. "Além de a produção ter ficado estável, houve aumento das despesas em razão dos pesados investimentos que foram feitos em exploração." Rogé e a maioria dos analistas espera que haja alguma recuperação nos próximos meses, principalmente em razão da tendência de alta do preço do petróleo. A conferir.

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Bolsa bate o recorde do ano e já sobe 129% desde outubro de 2008
Por Giuliana Napolitano | 17/11/2009 - 19:30

O Índice Bovespa subiu 1% hoje e fechou com a maior pontuação do ano, de 67 406 pontos. O recorde anterior havia sido batido em 19 de outubro, de 67 239. Nesta terça-feira, o mercado abriu em baixa, mas passou a subir seguindo a valorização da Bolsa de Nova York e o aumento dos preços das commodities lá fora.

Quando a bolsa registra marcos como o de hoje, é inevitável fazer algumas contas rápidas. Por exemplo: no ano, o ganho do Ibovespa chega a 80%. Em relação a março, quando houve um movimento de vendas, a valorização é de 86%. E, na comparação com outubro de 2008 -  quando o mercado chegou ao fundo do poço, no auge da crise global -, a alta é de incríveis 129%. Só para ficar mais evidente: em pouco mais de um ano, quem colocou 10 000 reais numa aplicação atrelada ao Ibovespa acumulou quase 23 000 reais. Nada mau.

Olhando pela retrovisor, muita gente diz que era óbvio que as ações estavam barata em outubro de 2008 - e que esse era um ótimo momento de compra. Mas eu me lembro de ter entrevistado diversos consultores, analistas e gestores de recursos na época - e a maioria recomendava cautela. Com os governos tendo de despejar bilhões de dólares para salvar empresas e, principalmente, bancos à beira da falência, ninguém arriscava dizer, com convicção, que havia ações baratas na bolsa. Eu não investi em ações em outubro, só voltei a ficar um pouco mais confiante em dezembro. E vocês, o que fizeram? Alguém dobrou o patrimônio?

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Eduardo Salgado
Editor de finanças de EXAME, escreve sobre o mercado financeiro.



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