Já na semana que vem, assim que retornar de Londres, a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, retoma o treinamento com o marketeiro João Santana, preparando-se para as gravações do próximo programa de TV do partido, no começo do mês que vem.
As inserções mais curtas devem ir ao ar entre os dias 3 e 8 de dezembro. Já o programa do PT, em que a ministra deve ser a estrela principal, junto do presidente Lula, deve ser exibido no dia 10 ou 12.
Alguns dias depois do programa, deve sair uma nova fornada de pesquisas eleitorais.
Mas segundo um cardeal petista ouvido pelo blog, não existe no comando da campanha - e nem no PMDB, principal partido da aliança governista - grande expectativa de que a ministra já ultrapasse a marca dos 20% nas intenções de voto.
"Se ela alcançar de 18% a 20% já estará de ótimo tamanho", diz ele. "Nesse momento, apenas 50% do eleitorado, formado sobretudo pela classe média, tem interesse nas eleições, que só vão mesmo entrar no radar do povão a partir de agosto do ano que vem, quando começar o horário eleitoral".
O presidente Lula tem demonstrado a mesma tranquilidade para o comando da campanha.
Quando confrontado com os baixos resultados de Dilma nas últimas pesquisas, divulgadas no final de setembro, em que ela atingia cerca de 14%, contra uma média de 34% do tucano José Serra, Lula tem dito que não faz sentido "se preocupar antes da hora".
Para eles, Dilma terá tempo para suavizar sua imagem e também para tornar-se mais conhecida entre as classes C, D e E.
Passado o Natal e o Ano Novo, a grande novidade da imagem da ministra deverá vir na época do Carnaval, quando ela poderá exibir seu cabelo natural, que terá então atingido um tamanho semelhante ao do corte chanel de sua peruca.
Na mesma época, Dilma deverá passar por uma nova bateria de exames para verificar a eficácia do tratamento a que se submeteu para tratar-se de um linfoma.
No final de setembro, os médicos da ministra, do hospital Sírio Libanês, declararam que ela se encontra livre do tumor.
Ao ser diagnosticada, no início do ano, os médicos indicaram que a chance de cura definitiva da ministra é superior a 90%.
Mas por questão de precaução, os pacientes que se tratam da doença costumam se submeter a exames periódicos durante os primeiros cinco anos após o diagnóstico.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, me procurou para manifestar sua indignação com o post sobre o dossiê da Caixa. Bernardo disse que é uma leviandade afirmar que ele, por ser do PT do Paraná, tenha a ver com qualquer irregularidade que possa estar sendo cometida com as verbas de publicidade no banco. "Não acredito que haja nem mesmo um dossiê. Mas te garanto que não tenho nada a ver com isso", disse Paulo Bernardo.
Posso garantir que o dossiê existe sim. Mas Bernardo tem razão quando afirma que qualquer um pode produzir um documento apócrifo fazendo acusações a quem quer que seja. Isso, obviamente, não quer dizer que tais acusações são, necessariamente verdadeiras. De todo modo, continua me chamando a atenção o fato de estar circulando na CEF um documento questionando a conduta da área de publicidade. Afinal, dossiês não pipocam todos os dias em todos os lugares, sem razão aparente. Quando um documento desses começa a circular, é sinal de que algo não muito bonito está se passando nos bastidores do poder.
Ganha um doce quem conseguir me dizer exatamente o que é.
A diretoria da Caixa Econômica Federal vive dias de tensão. Circula entre diretores do banco um dossiê atribuindo a um grupo conhecido internamente como "República do Paraná" o controle (e o mau uso) das verbas de publicidade da instituição. A tal república seria formada pelos petistas André Vargas, que é deputado federal, e Nedson Micheleti, ex-prefeito de Londrina e funcionário de carreira da Caixa. Ambos são ligados ao ministro Paulo Bernando, que também é petista e paranaense. Vargas, inclusive, foi coordenador da campanha de Gleisi Hoffmann, mulher de Bernardo, ao governo do Paraná.
O documento afirma que os políticos comandam o superintendente de comunicação e marketing, Clauir Santos, responsável pela aprovação das campanhas publicitárias do banco. Afirma também que o grupo tem uma ligação especial com outro personagem, o publicitário Ricardo Hoffmann - que, apesar da coincidência de sobrenomes, não é parente da mulher do ministro. Hoffmann é chefe do escritório brasiliense da BorghiErh/Lowe, uma das três agências que ganharam, no ano passado, a conta de publicidade da Caixa, um contrato de 260 milhões de reais. É a BorghiErh/Lowe que faz, por exemplo, as campanhas das loterias, que só neste ano já consumiram 40 milhões de reais.
A assessoria de imprensa da Caixa diz não ter conhecimento do dossiê e afirma que a contratação da BorguiErh/Lowe foi feita por licitação pública. Mas fiquei curiosa para saber mais sobre os personagens envolvidos. O que descobri: o ex-prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, foi condenado no ano passado, em primeira instância, à suspensão de direitos políticos e pagamento de multa por fazer publicidade indevida de sua gestão. Ele recorreu da decisão. Clauir Santos realmente foi indicado pelo PT do Paraná para a superintendência de marketing.
O publicitário Ricardo Hoffmann é gaúcho, mas atuou por muitos anos no Paraná, onde trabalhou na campanha de Roberto Requião a governador, em 1982. E a BorguiErh/Lowe, para onde Hoffmann se transferiu em 2007, teve uma ascensão impressionante nos últimos três anos. Em 2006, quando fundiu-se com a inglesa Lowe, era uma agência regional, pequena. Foi crescendo e, nos últimos 12 meses, passou de 15ª para a quarta maior agência do Brasil, segundo o ranking do Ibope Monitor. A agência conquistou a conta da Caixa há um ano, em setembro de 2008 (assim como a do UOL, da Knorr e da BIC, por exemplo). Em agosto, a concorrência chegou a ser suspensa pela 3ª Vara Federal de Brasília, depois que uma agência derrotada, a Giovanni+DraftFCB, alegou ter havido favorecimento à BorghiErhLowe. Como as duas são ligadas à mesma multinacional, a Interpublic, a reclamação foi retirada 24 horas depois da decisão judicial. Procurado, Hoffmann não quis falar sobre o assunto.
Errata - Gleisi Hoffmann foi candidata à prefeitura de Curitiba e não ao governo do Estado, como afirmei acima. Agradeço aos leitores que me alertaram sobre o erro.

