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A campanha da Boeing
Por Malu Gaspar | 06/11/2009 - 15:46
Com a expectativa, para breve, do anúncio da companhia vencedora da concorrência para fornecer os novos caças da Força Aérea Brasileira, é frenética a movimentação dos lobbies concorrentes para conseguir qualquer vantagem nos últimos dias. Como as últimas versões das propostas foram entregues em setembro e está vedado o acesso das empresas à qualquer oficial da FAB, a disputa passou a ser pela opinião pública. As empresas sabem que uma escolha como essa não é apenas pelo melhor avião, com o melhor preço, talvez não seja mais nem mesmo definida pela possibilidade de transferência de tecnologia, o item que mais tem despertado polêmica quanto às propostas da americana Boeing, da francesa Dassault e da suíça SAAB. Qualquer que seja a decisão, levará em conta um forte componente geopolítico. Afinal, não estamos falando apenas de um dos melhores contratos em disputa hoje no mundo, de até 8 bilhões de dólares a serem pagos por 36 aeronaves. Estão em jogo a segurança nacional, os interesses do Brasil e da América do Sul e até mesmo a imagem internacional do presidente Lula. Esse aspecto do jogo tornou-se especialmente importante quando Lula, depois de receber a visita do colega francês Nicolas Sarkozy, declarou que o Brasil escolheria os franceses. Até então, a Boeing mantinha uma postura discreta, pelo menos em público. No último mês, a companhia parece ter acordado para o fato de que estava comendo poeira em sua estratégia de relações públicas, e acionou sua metralhadora giratória contra a concorrência. Uma ofensiva de entrevistas (como a que Michael Coggins, da Boeing, deu hoje para a Folha) em que os americanos dizem, sem meias palavras, que os concorrentes mentem, foi desencadeada, assim como um lobby massivo em Brasília junto a deputados, senadores e oficiais. Nas últimas semanas, foram distribuídos em Brasília 171 pacotes com informações sobre o Super Hornet, da Boeing, a generais da Força Aérea, deputados e senadores. Mais de 20 jornalistas foram convidados para conversas (eu entre elas) com os executivos da Boeing. Outros tantos políticos receberam visitas da companhia, e todas as possíveis fornecedoras brasileiras de componentes foram acionadas para falar em favor da proposta americana. Acompanhando o discurso a respeito das qualidades do avião da Boeing, sempre há uma lista das tais mentiras que os franceses estão contando para levar o contrato com o Brasil. Entre elas estaria o fato de a transferência tecnológica prometida pelos franceses não ser tão ampla como parece, e o fato de que o avião da Dassault ter muito mais componentes feitos fora da França (e em locais como os EUA e a Suíça, por exemplo) do que os franceses gostam de admitir. A nova postura chama a atenção porque, oficialmente, a política da Boeing é nunca falar mal do concorrente abertamente, e sempre destacar suas próprias qualidades. "Tivemos que abandonar essa postura para poder reagir aos franceses. Afinal, é como se estivéssemos em meio à campanha política. É preciso responder aos ataques", diz Michael Coggins. Se acabar não dando certo, a nova estratégia, no mínimo, terá levantado o moral da tropa na reta final da disputa. Os executivos da Boeing agora já vêem alguma chance de vencer a proposta francesa. Daqui para frente, pelo menos um diretor da Boeing estará permanentemente no Brasil para não deixar a campanha da empresa perder fôlego.
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Dilma se prepara para gravar o programa de fim de ano do PT
Por Angela Pacheco Pimenta | 05/11/2009 - 17:50

Já na semana que vem, assim que retornar de Londres, a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, retoma o treinamento com o marketeiro João Santana, preparando-se para as gravações do próximo programa de TV do partido, no começo do mês que vem.

As inserções mais curtas devem ir ao ar entre os dias 3 e 8 de dezembro. Já o programa do PT, em que a ministra deve ser a estrela principal, junto do presidente Lula, deve ser exibido no dia 10 ou 12.

Alguns dias depois do programa, deve sair uma nova fornada de pesquisas eleitorais.

Mas segundo um cardeal petista ouvido pelo blog, não existe no comando da campanha - e nem no PMDB, principal partido da aliança governista - grande expectativa de que a ministra já ultrapasse a marca dos 20% nas intenções de voto.

"Se ela alcançar de 18% a 20% já estará de ótimo tamanho", diz ele. "Nesse momento, apenas 50% do eleitorado, formado sobretudo pela classe média, tem interesse nas eleições, que só vão mesmo entrar no radar do povão a partir de agosto do ano que vem, quando começar o horário eleitoral".

O presidente Lula tem demonstrado a mesma tranquilidade para o comando da campanha.

Quando confrontado com os baixos resultados de Dilma nas últimas pesquisas, divulgadas no final de setembro, em que ela atingia cerca de 14%, contra uma média de 34% do tucano José Serra, Lula tem dito que não faz sentido "se preocupar antes da hora".

Para eles, Dilma terá tempo para suavizar sua imagem e também para tornar-se mais conhecida entre as classes C, D e E.

Passado o Natal e o Ano Novo, a grande novidade da imagem da ministra deverá vir na época do Carnaval, quando ela poderá exibir seu cabelo natural, que terá então atingido um tamanho semelhante ao do corte chanel de sua peruca.

Na mesma época, Dilma deverá passar por uma nova bateria de exames para verificar a eficácia do tratamento a que se submeteu para tratar-se de um linfoma.

No final de setembro, os médicos da ministra, do hospital Sírio Libanês, declararam que ela se encontra livre do tumor.

Ao ser diagnosticada, no início do ano, os médicos indicaram que a chance de cura definitiva da ministra é superior a 90%.

Mas por questão de precaução, os pacientes que se tratam da doença costumam se submeter a exames periódicos durante os primeiros cinco anos após o diagnóstico.

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O ministro fala
Por Malu Gaspar | 05/11/2009 - 12:18

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, me procurou para manifestar sua indignação com o post sobre o dossiê da Caixa. Bernardo disse que é uma leviandade afirmar que ele, por ser do PT do Paraná, tenha a ver com qualquer irregularidade que possa estar sendo cometida com as verbas de publicidade no banco. "Não acredito que haja nem mesmo um dossiê. Mas te garanto que não tenho nada a ver com isso", disse Paulo Bernardo.

Posso garantir que o dossiê existe sim. Mas Bernardo tem razão quando afirma que qualquer um pode produzir um documento apócrifo fazendo acusações a quem quer que seja. Isso, obviamente, não quer dizer que tais acusações são, necessariamente verdadeiras. De todo modo, continua me chamando a atenção o fato de estar circulando na CEF um documento questionando a conduta da área de publicidade. Afinal, dossiês não pipocam todos os dias em todos os lugares, sem razão aparente. Quando um documento desses começa a circular, é sinal de que algo não muito bonito está se passando nos bastidores do poder.

Ganha um doce quem conseguir me dizer exatamente o que é.

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Dossiê na caixa
Por Malu Gaspar | 30/10/2009 - 18:42

A diretoria da Caixa Econômica Federal vive dias de tensão. Circula entre diretores do banco um dossiê atribuindo a um grupo conhecido internamente como "República do Paraná" o controle (e o mau uso) das verbas de publicidade da instituição. A tal república seria formada pelos petistas André Vargas, que é deputado federal, e Nedson Micheleti, ex-prefeito de Londrina e funcionário de carreira da Caixa. Ambos são ligados ao ministro Paulo Bernando, que também é petista e paranaense. Vargas, inclusive, foi coordenador da campanha de Gleisi Hoffmann, mulher de Bernardo, ao governo do Paraná.

O documento afirma que os políticos comandam o superintendente de comunicação e marketing, Clauir Santos, responsável pela aprovação das campanhas publicitárias do banco. Afirma também que o grupo tem uma ligação especial com outro personagem, o publicitário Ricardo Hoffmann - que, apesar da coincidência de sobrenomes, não é parente da mulher do ministro. Hoffmann é chefe do escritório brasiliense da BorghiErh/Lowe, uma das três agências que ganharam, no ano passado, a conta de publicidade da Caixa, um contrato de 260 milhões de reais. É a BorghiErh/Lowe que faz, por exemplo, as campanhas das loterias, que só neste ano já consumiram 40 milhões de reais.

A assessoria de imprensa da Caixa diz não ter conhecimento do dossiê e afirma que a contratação da BorguiErh/Lowe foi feita por licitação pública. Mas fiquei curiosa para saber mais sobre os personagens envolvidos. O que descobri: o ex-prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, foi condenado no ano passado, em primeira instância, à suspensão de direitos políticos e pagamento de multa por fazer publicidade indevida de sua gestão. Ele recorreu da decisão. Clauir Santos realmente foi indicado pelo PT do Paraná para a superintendência de marketing.

O publicitário Ricardo Hoffmann é gaúcho, mas atuou por muitos anos no Paraná, onde trabalhou na campanha de Roberto Requião a governador, em 1982. E a BorguiErh/Lowe, para onde Hoffmann se transferiu em 2007, teve uma ascensão impressionante nos últimos três anos. Em 2006, quando fundiu-se com a inglesa Lowe, era uma agência regional, pequena. Foi crescendo e, nos últimos 12 meses, passou de 15ª para a quarta maior agência do Brasil, segundo o ranking do Ibope Monitor. A agência conquistou a conta da Caixa há um ano, em setembro de 2008 (assim como a do UOL, da Knorr e da BIC, por exemplo).  Em agosto, a concorrência chegou a ser suspensa pela 3ª Vara Federal de Brasília, depois que uma agência derrotada, a Giovanni+DraftFCB, alegou ter havido favorecimento à BorghiErhLowe. Como as duas são ligadas à mesma multinacional, a Interpublic, a reclamação foi retirada 24 horas depois da decisão judicial. Procurado, Hoffmann não quis falar sobre o assunto.

Errata - Gleisi Hoffmann foi candidata à prefeitura de Curitiba e não ao governo do Estado, como afirmei acima. Agradeço aos leitores que me alertaram sobre o erro.

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É dura a vida de um executivo global
Por Malu Gaspar | 28/10/2009 - 23:27

Com a queda-de-braço entre o presidente Lula e a direção da Vale em momento de trégua, Roger Agnelli partiu para um giro internacional que inclui passagens por operações da companhia na África e na Ásia. Mas isso não quer dizer que Agnelli ficará livre de problemas. É justamente no exterior que estão os próximos nós a serem desatados pelo presidente da Vale.

A greve dos trabalhadores da mineradora no Canadá está prestes a completar quatro meses sem perspectiva de solução. Para tentar forçar a companhia a voltar à mesa de negociação, os sindicalistas ligados aos grevistas pretendem seguir Agnelli com manifestações por onde ele for. No último dia 21, a companhia cancelou a participação na cerimônia de abertura do pregão da bolsa de Nova York, o dia da Vale na NYSE, para onde seguiriam três ônibus cheios de sindicalistas canadenses. Diante da ausência de Agnelli, a central sindical United Steel Workers, que representa os grevistas e havia marcado protestos no Rio, em Nova York e no Canadá, cancelou a mobilização. Os sindicalistas agora se preparam para atazanar a vida do executivo em Londres, no próximo dia 5, onde ele será um dos palestrantes num  seminário do Financial Times.

Não há notícia de que Agnelli  vá à Nova Caldônica, ilha da Oceania onde a empresa planeja colocar em operação em 2010 a mina de níquel de Goro, com um ano de atraso. Se fosse, poderia participar de uma reunião que ocorre nesta quinta-feira entre seus executivos e representantes da província sul da Nova Caledônia. O assunto é a liberação de centenas de vistos para estrangeiros que a companhia precisa contratar para trabalhar na operação da mina. Com as outras minas de níquel, no Canadá, em greve, quanto mais cedo Goro começar a funcionar, melhor.  A Vale nega que esses vistos estejam em discussão, e a razão para isso é simples. A presença de 2 mil filipinos na ilha durante a construção da mina foi um fator de estresse entre os aborígenes e a Vale. Os aborígenes afirmavam que os filipinos levavam violência, doença e prostituição -  além, é claro, de tirar os empregos deles. Após negociações com representantes locais, a empresa prometeu trabalhar com uma maioria absoluta de funcionários locais. Não interessa para a Vale arrumar ainda mais problemas na Nova Caledônia.

Afinal, lá, a companhia ainda administra o  desgaste provocado por acidentes ambientais, como o vazamento de diesel de um equipamento, no último final de semana, e de 100 000 litros de ácido sulfúrico que matou milhares de peixes, em abril. Nos últimos doze meses, quase toda a diretoria da Vale Inco que responde pelas operações no Canadá e na Nova Caledônia, foi trocada. Além de executivos do primeiro escalão, como o presidente, Murilo Ferreira, saíram os vices-presidentes da área jurídica, o do marketing e o operacional, e os diretores operacionais de todas as minas.

Noutro segmento de atuação da Vale no exterior, o carvão, a empresa também enfrenta dificuldades. Depois de promover o executivo Renato Paladino da área de marketing para a diretoria global de carvão, há cerca de dois anos, a companhia o trocou pelo diretor de projetos e logística, Décio Amaral. A substituição, que, segundo a Vale, "ocorre dentro de um processo normal de reestruturação", tem a ver com os maus resultados obtidos na Austrália. Primeiro foram os atrasos nos embarques de carvão para a China, antes da crise global, quando o mercado estava aquecido. Depois, chuvas que alagaram as minas por semanas. Quando a situação começou a se normalizar, os preços caíram. E  Vale ainda tem dificuldades no relacionamento com  os sócios de três das quatro minas australianas.

Como se vê, não é fácil a vida de um executivo global. Quem sabe na volta ao Brasil, dentro de alguns dias, Roger Agnelli possa se sentir mais tranquilo.
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Malu Gaspar
Chefe da sucursal da EXAME no Rio de Janeiro mostra por que política e negócios estão muito mais ligados do que a gente imagina

Angela Pimenta
Chefe da sucursal da EXAME em Brasília, revela os bastidores das decisões tomadas pelos Três Poderes e seu impacto na economia
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