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Protecionismo chavista prejudica exportação de celulares
Por Angela Pacheco Pimenta | 16/11/2009 - 17:20


Antes mesmo de entrar para o Mercosul, a Venezuela já provoca dores de cabeça nos exportadores brasileiros. Só este ano, as vendas de celulares brasileiros para o país de Hugo Chávez caíram mais de 60%.

Os dados, obtidos com exclusividade pelo blog, são da Abinee, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

Segundo a Abinee, em 2008, a Venezuela importou 397 milhões de dólares em celulares brasileiros, dos quais 297 milhões de dólares foram comprados entre janeiro a setembro do ano passado.

Mas entre janeiro e setembro de 2009, as vendas de aparelhos brasileiros à Venezuela caíram para 116 milhões de dólares.

A queda nas exportações brasileiras para os hermanos do norte acontece desde maio, quando numa sociedade com a empresa chinesa ZTE, o governo Chávez lançou o "Vergatario", o primeiro celular bolivariano, que custa 15 dólares no varejo local.

"Esse telefone será campeão de vendas não só na Venezuela, mas em todo o mundo. Quem não tiver um Vergatario será um zero à esquerda", declarou Chávez na época, depois de ligar para a própria mãe.

Mas o sucesso do Vergatario, que significa "grandioso" na Venezuela, não tem a ver apenas com seus recursos técnicos, como câmera fotográfica embutida, conexão para Internet e MP3.

Grande parte do desempenho da engenhoca sino-bolivariana está nas mal-disfarçadas restrições protecionistas às importações brasileiras.

As duas únicas operadoras privadas de celulares do país, a Digitel e a Telefonica, tem encontrado enormes obstáculos para fechar contratos de câmbio que lhes permitam importar celulares brasileiros.

A exemplo do Brasil do tempo da hiperinflação, a Venezuela opera num regime de câmbio fixo.

E para realizar operações de comércio exterior, é preciso fechar contratos junto ao governo Chávez, que atrasa indefinidamente a venda de moeda externa pela cotação do dólar oficial no país, mesmo artifício usado pelo governo de Cristina Kirchner para dificultar vendas brasileiras à Argentina.

"As operadoras privadas de telefonia venezuelana são obrigadas a pagar um ágio de até 200% sobre a cotação do dólar oficial para importar aparelhos brasileiros", diz Humberto Barbato, presidente da Abinee.

Há pouco mais de um mês a Abinee encaminhou uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o MDIC, pedindo a intervenção do governo brasileiro.

"Assim como o Brasil, a Venezuela tem o direito de fazer política industrial", diz Barbato. "Mas a atitude do governo Chávez em atrasar sem justificativa os contratos de câmbio é um flagrante desrespeito às regras da Organização Mundial do Comércio".

De fato, a conduta do governo Chávez é um mau sinal para as futuras relações comerciais entre Brasília e Caracas.

A entrada da Venezuela no Mercosul depende apenas da aprovação em plenário do Senado brasileiro, numa votação de maioria simples, o que pode acontecer ainda esta semana.

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Onde procurar as causas do apagão 2
Por Malu Gaspar | 13/11/2009 - 07:38
  Acho que já ficou claro no post anterior que problemas nas linhas de transmissão de Itaipu eram mais do que previsíveis. Mas não dá para atribuir tudo à fragilidade das linhas. Até onde sei, duas outras providências poderiam ter ajudado a evitar o apagão. Digo até onde sei porque tenho certeza de que muitas outras informações novas sobre esse sistema de transmissão de Itaipu ainda vão aparecer. Mas vamos lá:


Desde o início ano passado, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já previa a necessidade de construir uma outra linha de transmissão, ligando Foz de Iguaçu a Cascavel (no meio do caminho entre Foz e Ivaiporã), A previsão foi feita no planejamento estratégico da estatal para o período de 2008 a 2012 e repetida no plano de 2009 a 2012. Segundo a EPE, a nova linha de transmissão serviria para o "aumento de confiabilidade do sistema integrado nacional no caso de perdas múltiplas de circuitos do tronco de 750 kV (que é o de Itaipu)". A nova linha era necessária para o final de 2008. Como o prazo de construção estimado era de 24 meses - ou seja, na melhor das hipóteses, só ficaria pronta em 2010 - pode-se concluir que, no momento em que foi prevista, a obra já estava atrasada. Mesmo assim, só no início de setembro passado a Superintendência de Regulação dos Sistemas de Transmissão da Aneel, a agência reguladora do setor elétrico, realizou a licitação da linha Foz-Cascavel.


Uma fonte que participou desse processo garante que não era do interesse de Furnas permitir a entrada da linha Foz - Cascavel Oeste. Furnas é a dona da rede de transmissão de Itaipu e recebe uma taxa diferenciada, com prêmio, para transmitir essa energia. A nova linha colocará o status das linhas de Furnas como "rede básica", com uma remuneração sem prêmio, o que não é de interesse da empresa. Não sei se a responsabilidade pelo atraso da linha Foz - Cascavel Oeste é ou não de Furnas. Mas é fato que, se já tivesse em operação, no momento em que as outras três linhas de transmissão ficaram fora de operação, essa linha continuaria a transmitir boa parte da energia que deixou de circular no sistema quando as linhas de Furnas deram pau. Isso poderia minimizar ou mesmo eliminar o apagão.


Outra questão igualmente importante é a forma como o ONS lidou com a rede na hora em que as linhas de transmissão pararam de funcionar. Quem entende do assunto afirma que houve uma barbeiragem na hora de manejar a distribuição da carga sobre o sistema. Isso porque Itaipu tem cerca de 12 mil MW de potência, dividida em dois blocos de 6 mil MW. Apenas as linhas que partem de um desses blocos de geração foram as que saíram de operação. O sistema brasileiro perdeu portanto metade de itaipu (que provavelmente não era de exatos 6 mil MW, mas boa parte disso). Tudo que um sistema elétrico precisa para funcionar bem é que a geração seja igual ao consumo ("carga"). Para haver um equilíbrio na rede, seria necessário que o operador retirasse rapidamente do sistema carga igual à que havia sido perdida – ou seja, os tais 6 mil MW. O ONS faz isso ordenando que as empresas distribuidoras desliguem alguns de seus consumidores, evento chamado no setor de "corte de carga". Se tivessem sido desligados apenas os 6 mil MW que foram perdidos, em muito menos tempo o ONS reorganizaria a geração do sistema e voltaria atender essa carga. Seria um mini-apagão, mas corrigido muito mais rapidamente, e de forma ordenada para prejudicar o mínimo de consumidores possível. Mas o ONS tentou reorganizar o sistema sem desligar consumidores. O resultado foi o que se viu. O sistema desmontou e um total de 29 mil MW foram desligados na hora do apagão. Foram necessárias horas para a rede se recompor. Até a outra metade de Itaipu, que o Brasil compartilha com o Paraguai, foi desligada no efeito dominó. Ou seja, saíram de circulação, abruptamente e sem necessidade, no mínimo 23 mil MW, que estavam sendo gerados normalmente por outras usinas.


Como o ONS sabe da necessidade do balanço carga-geração tanto quanto qualquer outro técnico do setor elétrico, o que provavelmente ocorreu foi uma falha nos esquemas de emergência, que não atuaram ou atuaram indevidamente; ou mesmo receio das implicações políticas que um corte de carga autorizado poderia ter. Parece que, como não tinha um plano pré-definido para enfrentar esse evento que já se tinha condições de saber que poderia ocorrer, o ONS só pensou em evitar o mini-apagão. Mas acabou provocando um apagão monstro.
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Onde procurar as causas do apagão - 1
Por Malu Gaspar | 12/11/2009 - 18:39

Quem quiser entender como e por quê o apagão da noite de segunda-feira aconteceu deve esquecer a história do "evento climático inédito na história deste país". E também pode deixar de lado a história do transformador danificado por um raio.

As melhores pistas disponíveis até agora estão em documentos públicos do Operador Nacional do Sistema, o ONS, do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério do Planejamento. Embora o vocabulário técnico seja quase indecifrável por leigos munidos apenas de boa vontade, a história que esses documentos contam é simples.

Não é de hoje que falta manutenção adequada às torres das linhas de transmissão que ligam Foz do Iguaçu, no Paraná, à subestação de Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes. Na verdade, a impressão que se tem, ao ler os documentos oficiais, é que as torres do sistema de transmissão de Itaipu nunca pararam em pé direito. Há anos, uma verdadeira novela se desenrola em torno do seu reforço.

Em 2004, o TCU analisou contratos emergenciais feitos por Furnas entre 1997 e 2000 para o reforço de 149 torres do sistema. No documento, do TCU afirma, com base em informações fornecidas por Furnas, que: em 1982, ventos fortes destruíram 39 torres do sistema; entre novembro de 1997 e abril de 1998 caíram 17 torres desse mesmo sistema, o que levou ao desligamento de alguns circuitos por até seis dias e meio. Segundo o relatório, outras dez torres já haviam caído em anos anteriores. Havia uma suspeita de que Furnas contratara de forma irregular as tais obras de reparação das torres. O ministro do tribunal Ubiratan Aguiar, que assina o relatório, diz que as obras eram necessárias, e explica seu ponto de vista. "Ademais, cabe consignar a urgência das obras de reforço das torres do Sistema de Transmissão de Itaipu (..), com vistas a se evitar novos acidentes, cuja extensão e conseqüências, embora imprevisíveis, certamente seriam desastrosas para o país".

No mesmo ano de 2004, o relatório de planejamento do sistema elétrico para aquele ano fala novamente na necessidade de reforço das torres que ligam Itaipu a São Paulo – de onde a energia é distribuída aos outros estados. "Estão previstas obras de reforço estrutural nas torres das linhas de transmissão em 765 kV Foz do Iguaçu-Ivaiporã e Ivaiporã-Itaberá, pertencentes a FURNAS, com duração de 5 meses corridos", diz, na página 33, o ONS. As obras foram programadas para oorrer entre maio e setembro de 2005.  Mas, em junho de 2005, auditoria  (ver página 9) da Controladoria Geral da União, a CGU, mostra que, neste ano, não houve nem orçamento e nem gasto nenhum com o reforço das torres. Justificativa de Furnas: "Este empreendimento depende de autorização do ONS para o desligamento das LT, para que os reforços nas torres sejam efetuados, o que não ocorreu em 2005".

Três anos depois, em 2007, o ONS continuava prevendo  (páginas 201 e 202) o reforço de torres no sistema de transmissão de Itaipu. Ou seja, mesmo que algo tenha sido feito entre 2006 e 2007, ainda havia torres precisando de manutenção. O relatório de 2007 faz ainda uma avaliação sobre um novo esquema de emergência para evitar problemas, caso duas das três torres fossem afetadas por ventos fortes e tornados, comuns naquela região. Segundo o texto, o trecho que liga Foz do Iguaçu ao município de Ivaiporã poderia suportar uma queda dupla, mas o trecho seguinte, que liga Ivaiporã a Itaberá (SP) e Tijuco Preto (SP) não agüentariam. "Os equipamentos terminais do circuito remanescente, disjuntores, bobinas de bloqueio, TCs e chaves seccionadoras ainda ficam submetidos a um carregamento superior ao máximo admissível."

A novela não termina aí. Outro documento, a dotação orçamentária de Furnas para 2009, mostra que, neste ano, havia 1,3 milhão de reais disponíveis para as obras de reforço das famigeradas torres. Mas, até julho, nenhum real foi gasto.

Ou seja, minha gente: as autoridades envolvidas com a operação e o planejamento do setor elétrico sabiam (ou pelo menos deviam saber) há muitos anos, que essas torres, tão importantes para o abastecimento de energia do Brasil, estavam em situação frágil. Chegou-se até a estudar esquemas de emergência para minimizar o efeito dos ventos, tufões ou mini-tornados. O Ministério das Minas e Energia afirma que, ao contrário do que aconteceu de outras vezes, desta vez não houve queda de torres, mas sim um raio muito forte, tão forte que desligou as três linhas ao mesmo tempo. Pode-se até argumentar que nada poderia ser capaz de deter esse raio tão poderoso. Mas a história que esses documentos contam mostra que havia, sim,  providências possíveis para evitar que o impacto de uma forte tempestade prejudicasse o abastecimento de energia. Dizer agora que foi culpa do clima ou do transformador estragado não adianta muita coisa. E também não exime de responsabilidade quem deveria ter tomado providências.

p.s. 1. passei a tarde tentando contato com algum assessor de imprensa do ONS, sem sucesso

p.s.2. todos os documentos descritos neste post foram enviados a Furnas, acompanhados de pedidos de explicação. Até agora, não obtive resposta

p.s.3. se você achou que os fatos acima ainda não são suficientes para explicar o que aconteceu na última terça-feira à noite, saiba que ainda tem mais. No próximo post



(atualização na terça-feira, dia 17 de novembro:

 

Na sexta-feira à noite, Furnas respondeu às perguntas enviadas pelo blog. Pedi alguns esclarecimentos, e as últimas respostas vieram hoje. A empresa diz que, nos últimos anos, fez o reforço de mais de 3 400 torres nas linhas de transmissão entre Foz do Iguaçu e Ivaiporã, onde havia mais quedas de torres. Segundo a empresa, os planos de contingência foram implantados. Furnas afirma ainda que, em setembro e outubro, gastou  70% do 1,3 milhão de reais previsto para o reforço das torres – 910 mil reais em dois meses. A empresa afirma ainda ter 40 pessoas dedicadas à manutenção de 9,5 mil torres, pessoalmente e por avião ou helicóptero. Graás a esse esquema, neste ano não teria havido nenhum incidente grave de queda de torres.)


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Grevistas da Vale Inco vêm pedir ajuda
Por Malu Gaspar | 10/11/2009 - 12:02

Os sindicalistas da Vale Inco desembarcam no Brasil amanhã para fazer lobby em favor da greve que mantém no Canadá, e que completa quatro meses no final de semana sem perspectiva de solução. A agenda dos sindicalistas Darren Cove e Rick Bertrand, representantes da United Steel Workers (USW), o poderoso sindicato norte-americano da indústria do aço, inclui a participação em assembléias de sindicatos locais e visitas a deputados e senadores, em Brasília. Os canadenses estão tentando ser recebidos também pelo ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, mas até agora não foi confirmada nenhuma audiência. Na quinta-feira, eles participarão de uma assembléia do sindicato de trabalhadores da Vale no Rio de Janeiro, em Mangaratiba.

 

Ao contrário do que ocorre no Canadá, onde as negociações estão suspensas e os protestos são freqüentes, o clima entre a Vale e seus empregados no Brasil é bem mais pacífico. A negociação salarial deste ano deve ser concluída rapidamente. A companhia ofereceu aos empregados, entre outros benefícios, aumento real de 7% e bônus de 1 200 reais. Os sindicalistas haviam pedido 15% de aumento real, mas as assembléias já realizadas, em Carajás (Pará) e Congonhas (Minas Gerais) aprovaram a proposta. Ainda falta fazer assembléias em Sergipe, no Maranhão, no Espírito Santo, no Rio e em outros locais de Minas Gerais.

 

O principal motivo da greve no Canadá é a proposta da Vale de alterar o sistema de participação nos lucros, baseado no desempenho do níquel no mercado internacional. A Vale comprou a Inco, uma das maiores produtoras de níquel do mundo, em 2006, por 13 bilhões de dólares. A proposta da empresa prevê cortes no sistema de reajuste salarial e estabelecer um teto para o bônus do níquel, o que os trabalhadores não aceitam. Desde que a greve começou, os sindicalistas tentam chamar atenção para o movimento. Mantém um site, o FairDealNow, e alimentam discussões em comunidades virtuais formadas em redes sociais como o Facebook. Como no Canadá quem está em greve não recebe salário, boa parte das trocas de mensagens nessas comunidades é sobre empregos temporários.

Apesar de a Vale se manter fora da mesa de negociação, a companhia também perde com a greve. Em seus resultados financeiros do terceiro trimestre, divulgados na semana passada, a empresa informou já ter gasto 209 milhões de dólares com manutenção de equipamentos e instalações afetadas pelo movimento. Admitiu ter tido que comprar matéria-prima para honrar contratos e disse que reduziu suas vendas de níquel em 45% entre julho e setembro. Ontem, em Londres, um pequeno grupo de sindicalistas protestou contra a Vale na entrada de uma conferência de metais promovida pelo Deutsche Bank em que havia executivos da Vale.

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A campanha da Boeing
Por Malu Gaspar | 06/11/2009 - 15:46
Com a expectativa, para breve, do anúncio da companhia vencedora da concorrência para fornecer os novos caças da Força Aérea Brasileira, é frenética a movimentação dos lobbies concorrentes para conseguir qualquer vantagem nos últimos dias. Como as últimas versões das propostas foram entregues em setembro e está vedado o acesso das empresas à qualquer oficial da FAB, a disputa passou a ser pela opinião pública. As empresas sabem que uma escolha como essa não é apenas pelo melhor avião, com o melhor preço, talvez não seja mais nem mesmo definida pela possibilidade de transferência de tecnologia, o item que mais tem despertado polêmica quanto às propostas da americana Boeing, da francesa Dassault e da suíça SAAB. Qualquer que seja a decisão, levará em conta um forte componente geopolítico. Afinal, não estamos falando apenas de um dos melhores contratos em disputa hoje no mundo, de até 8 bilhões de dólares a serem pagos por 36 aeronaves. Estão em jogo a segurança nacional, os interesses do Brasil e da América do Sul e até mesmo a imagem internacional do presidente Lula. Esse aspecto do jogo tornou-se especialmente importante quando Lula, depois de receber a visita do colega francês Nicolas Sarkozy, declarou que o Brasil escolheria os franceses. Até então, a Boeing mantinha uma postura discreta, pelo menos em público. No último mês, a companhia parece ter acordado para o fato de que estava comendo poeira em sua estratégia de relações públicas, e acionou sua metralhadora giratória contra a concorrência. Uma ofensiva de entrevistas (como a que Michael Coggins, da Boeing, deu hoje para a Folha) em que os americanos dizem, sem meias palavras, que os concorrentes mentem, foi desencadeada, assim como um lobby massivo em Brasília junto a deputados, senadores e oficiais. Nas últimas semanas, foram distribuídos em Brasília 171 pacotes com informações sobre o Super Hornet, da Boeing, a generais da Força Aérea, deputados e senadores. Mais de 20 jornalistas foram convidados para conversas (eu entre elas) com os executivos da Boeing. Outros tantos políticos receberam visitas da companhia, e todas as possíveis fornecedoras brasileiras de componentes foram acionadas para falar em favor da proposta americana. Acompanhando o discurso a respeito das qualidades do avião da Boeing, sempre há uma lista das tais mentiras que os franceses estão contando para levar o contrato com o Brasil. Entre elas estaria o fato de a transferência tecnológica prometida pelos franceses não ser tão ampla como parece, e o fato de que o avião da Dassault ter muito mais componentes feitos fora da França (e em locais como os EUA e a Suíça, por exemplo) do que os franceses gostam de admitir. A nova postura chama a atenção porque, oficialmente, a política da Boeing é nunca falar mal do concorrente abertamente, e sempre destacar suas próprias qualidades. "Tivemos que abandonar essa postura para poder reagir aos franceses. Afinal, é como se estivéssemos em meio à campanha política. É preciso responder aos ataques", diz Michael Coggins. Se acabar não dando certo, a nova estratégia, no mínimo, terá levantado o moral da tropa na reta final da disputa. Os executivos da Boeing agora já vêem alguma chance de vencer a proposta francesa. Daqui para frente, pelo menos um diretor da Boeing estará permanentemente no Brasil para não deixar a campanha da empresa perder fôlego.



Correção - a Saab é Sueca. E a aeronáutica não tem generais, tem brigadeiros.
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