Para descansar um pouco das peraltices da Petrobras, vamos tratar da volta das aberturas de capital. Depois de atravessarem um período muito ruim, as empresas de construção civil voltaram ao mercado.
Como era de se esperar quando ocorreu a primeira onda de aberturas de capital desse setor em 2007, muitas das empresas que lançaram ações não sobreviveram. Isso já estava no preço: várias empresas de construção civil abriram capital para elevar o preço de seus ativos em uma eventual venda do controle acionário. O que ninguém esperava era a fúria da crise financeira internacional em 2008, que atingiu em cheio o setor de construção civil nos Estados Unidos e no Brasil.
Depois de passarem mais de um ano perto dos preços de liquidação (ou seja, o valor que sobra depois da falência), várias empresas apresentaram uma forte elevação nos preços de suas ações. Os motivos são vários. No caso das administradoras de shopping centers, a constatação que o dinheiro continuou a pingar regularmente no caixa apesar da crise. No caso das construtoras e incorporadoras, a conjunção entre a abertura dos cofres públicos para os financiamentos imobiliários e a recuperação do mercado.
Agora, passado o que parece ter sido o pior momento da crise, as empresas voltam ao mercado. PDG Realty e Rossi preparam novas captações, e Abyara, Agra e Klabin Segall fundem suas operações e preparam o lançamento de uma nova ação, a Agre.
É bom negócio? A princípio, o setor de construção civil é arriscado. Imóveis têm pouca liquidez, são profundamente dependentes de variáveis incontroláveis como a renda e o gosto do consumidor, e, pior do que tudo, o histórico de resultado das construtoras não é bom.
As companhias foram (mal) aconselhadas pelos bancos de investimento que montaram suas aberturas de capital para investir o recurso em terrenos, o que lançou um peso exagerado em seus balanços sem a contrapartida de receitas. Em vez de usarem o dinheiro na atividade-fim, que é construir, as empresas tornaram-se especuladores imobiliários. É uma estratégia imbatível quando tudo vai bem, mas mortal quando as coisas dão errado. E muitas estiveram a pique de falir, ao passo que outras tiveram de ser vendidas na bacia das almas, caso da Tenda.
A reestruturação das atividades, com injeção de dinheiro novo, corte de custos e a expectativa de melhoria das condições econômicas permite aos acionistas ser um pouco mais otimistas quanto aos prognósticos para essas empresas. Ou seja, não é absurdo esperar que elas possam apresentar alguns bons resultados ao longo dos próximos meses.
Isso é uma recomendação de compra? Só para quem gosta MUITO de risco. As ações do setor de construção civil são bastante arriscadas, e podem apresentar pesados solavancos enquanto o mercado não chega a um consenso sobre suas perspectivas. A melhor definição sobre volatilidade é: um momento em que não há certeza sobre o valor exato de uma ação, commodity, moeda ou título. E volatilidade é o que se deve esperar das ações de empresas de construção.
R$ 120,75. Esse foi o valor que saiu do bolso de cada brasileiro - homem ou mulher, rico ou pobre, maduro ou jovem - desde o dia 21 de agosto, quando o governo começou a soltar os primeiros balões de ensaio a respeito tanto das regras de exploração do petróleo no pré-sal quanto da participação da Petrobras nesse empreendimento.
Segundo dados da empresa especializada em informações financeiras Economática, o valor de mercado da empresa que pertence ao Tesouro (e é, portanto, propriedade de todos os brasileiros) encolheu 14 bilhões de reais. Valor de mercado é um número teórico, obtido por meio de uma conta simples. Multiplique o número de ações ordinárias e preferenciais por suas cotações e você saberá quanto uma empresa vale.
O valor da Petrobras encolheu porque os investidores minoritários temem a proposta de elevação da fatia do governo no capital da estatal. Mais do que isso, o governo pretende comprar essas ações pagando com títulos públicos, em vez de dinheiro vivo.
O governo é um mau administrador. A Petrobras é uma empresa de classe mundial. Mesmo assim, ela vem sendo prejudicada por decisões que nada têm a ver com a prospecção e refino de petróleo, devido à ingerência política do acionista controlador.
Os problemas pequenos são o apoio a fundações no Sarneystão, digo, no Maranhão. Os maiores são alguns números inexplicáveis.
Por exemplo, na terça-feira, dia primeiro de setembro, a Petrobras divulgou uma revisão dos custos projetados para a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A unidade capaz de refinar 200 mil barris de petróleo por dia custaria, a princípio, 4 bilhões de dólares.
Ao elevar essa capacidade em 15%, para 230 mil barris por dia, os custos subiram 195%, para 12 bilhões de dólares. Tudo bem que o mercado de petróleo é imprevisível, mas uma diferença de OITO BILHÕES de dólares é meio difícil de explicar lá em casa.
A justificativa da Petrobras é que os novos custos incluem tecnologias novas para absorção de gases e conteção do efeito estufa, além do fato de o mercado de petróleo estar muito aquecido, o que eleva os preços dos insumos.
O blogueiro não é ecologista nem engenheiro, mas as notícas lá de fora dizem que tem uma tal de uma crise, e crise não combina com aquecimento de mercado nem com elevação de preços de insumos. Ao contrário, as empresas de bens de capital costumam conceder bons descontos nessas épocas, para manter suas unidades caríssimas funcionando.
Com um histórico desses, é possível defender um aumento da participação do governo no capital da Petrobras?
Em tempo: o blogueiro reitera que não tem ações da companhia em seu patrimônio pessoal.
