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Keep It Simple, Stupid (ou: tudo bem com a poupança)
Por Cláudio Gradilone | 04/09/2009 - 12:22

Os estadunidenses são um povo reconhecido por sua praticidade. Apesar do desconcertante hábito de fazer diplomacia com o Exército e da mania de tratar todos os estrangeiros como terroristas em potencial, é possível aprender muito com eles. Uma das máximas é o KISS, o acróstico de Keep it Simple, Stupid - algo como Não Complica, sua Anta.

Esse comentário vem a respeito dos dados da poupança em agosto. As cadernetas tiveram uma captação positiva de quase 3,1 bilhões de reais no mês passado. No acumulado do ano, a poupança recebeu 12,2 bilhões líquidos. No total, as cadernetas acumulam 295 bilhões de reais.

Esse sucesso é inédito. A poupança foi, durante muito tempo, o primo pobre das aplicações financeiras. Hoje, devido à estrutura de sua remuneração, as cadernetas se tornaram mais competitivas em relação à maioria dos fundos de investimento de varejo.

A causa é bem conhecida. Quem investe em fundos paga impostos e taxa de administração, algo que os aplicadores em poupança não têm de pagar. Quando os juros referenciais eram elevados, de mais de 15% ao ano, a poupança perdia feio dos fundos.

Hoje, com uma taxa Selic de 8,75% ao ano, a rentabilidade garantida de 6,17% ao ano mais Taxa Referencial (TR) das cadernetas proporciona um desempenho comparável ao dos fundos de renda fixa mais populares.

Cabe aqui a pergunta: há algum problema em investir bastente dinheiro ou por muito tempo na poupança? Ou, melhor dizendo, ficar apenas com essa aplicação simples é mau negócio?

Respondendo rapidamente: não, enquanto os juros permanecerem baixos. Antigamente, as cadernetas eram o jardim de infância dos investidores. Por serem o investimento mais simples, mais seguro e por serem isentas de imposto e extremamente populares, as cadernetas serviam para quem nunca tinha investido antes começar a se mover na selva das aplicações financeiras.

Depois de algum tempo na poupança, era hora de o investidor começar a procurar alternativas mais rentáveis (e, portanto, mais complexas e um pouco mais arriscadas).

Hoje, a queda dos juros fez com que a poupança ganhasse competitividade em relação aos fundos. Um fundo que cobre uma taxa de administração inferior a 0,5% ao ano será mais rentável do que a poupança. O problema é que, para investir nesse fundo, o investidor precisa de 100 000 reais, pelo menos.

Para aplicar em um fundo comparável com a poupança, que cobre, digamos, 1% ao ano de taxa de administração, o investidor terá de ter 50 000 reais e precisa procurar bastante, pois os bancos estão cobrando mais do que isso.

Assim, não há mal nenhum em deixar seu dinheiro mais tempo na prosaica caderneta de poupança, enquanto você junta capital suficiente para procurar alternativas mais rentáveis, mas que exigam aplicações maiores. Complicação não é sinônimo de boa solução. 

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Cláudio Gradilone
Jornalista, economista, ele escreve regularmente sobre investimentos e finanças pessoais.
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