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Até a próxima! E obrigado pela audiência
Por Cláudio Gradilone | 07/10/2009 - 13:09

Prezada leitora, prezado leitor.

Fernando Pessoa escreveu, certa vez, que todas as cartas de amor são ridículas. O blogueiro, modestamente, acrescentaria que todos os posts de despedida tendem a ser piegas. Por isso, direi brevemente que, após três anos acompanhando as estripulias do mercado, o blog se despede das páginas de EXAME.

Agradeço à jornalista Cláudia Vassallo pelo apoio nesse período, aos editores do portal - João, Francine, Márcio e Peri, em especial - e, principalmente, a você, leitora e leitor, pelas críticas, sugestões e comentários.

Um abraço. Se você sentir saudade, por favor, não dê na vista: tem mais aqui.

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Nova meta para o Ibovespa
Por Cláudio Gradilone | 22/09/2009 - 18:27

O índice Bovespa chegou a 62 000 pontos ao longo do pregão desta terça-feira, dia 22 de setembro. Junto com a primavera, o principal indicador do mercado acionário brasileiro atingiu o nível que a grande maioria dos analistas considerava uma meta justa para 2009. Considerando-se que ainda temos toda uma estação pela frente, sem contar os dez dias do verão, o que esperar para o que resta do ano?

Para os especialistas, é hora de refazer as contas. O Índice Bovespa poderá, para os mais pessimistas, subir para 65 000 pontos antes do fim do ano. Alguns, mais otimistas, acreditam que o índice poderá chegar ainda a 70 000 pontos.

Há dois bons motivos para isso. O primeiro é que a economia por aqui vai bem. A cada semana, os prognósticos para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 melhoram. A mais recente, divulgada no dia 21 de setembro, mostra que o mercado espera uma estabilidade para o ano. Ou seja, já se descarta a hipótese de uma retração do PIB. Para 2010, as estimativas são de um crescimento de 4%.

O segundo, e mais importante, é que há dinheiro em profusão no mercado internacional. Os governos dos países desenvolvidos continuam mantendo seus programas de ajuda aos bancos, o que garante um estoque relevante de capital à disposição dos investidores. Esse dinheiro vem ao Brasil em busca dos bons prognósticos para a economia.

Um único número mostra a pujança do mercado: a abertura de capital do Santander ABN deverá captar 13 bilhões de reais, o que a transformará no maior IPO da história recente do mercado de capitais. Em conjunto, as diversas empresas de Eike Batista captaram mais dinheiro, mas o cenário pré-crise era bem diferente. Só o fato de um banco vir com tanta sede ao pote mostra que há bastante água.

Com tudo isso, é possível prever que a bolsa tem espaço para continuar subindo, mas essa trajetória estará longe de ser retilínea. Ou seja, quem entrar agora corre muitos riscos de ver seu dinheiro encolher antes de crescer. Cuidado, portanto.

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Água e liquidez
Por Cláudio Gradilone | 10/09/2009 - 23:54

Duas notícias aparentemente díspares mostram um cenário ruim para as ações brasileiras no médio prazo.

1) São Paulo sofre com chuvas recordes. No dia 8 de setembeo, a capital paulista recebeu, em um só dia, 80% da chuva esperada para setembro. Sete pessoas morreram, casas desabaram, aviões tiveram de ser desviados e o trânsito, já complicado, ficou impraticável.

Ponto a comentar: o problema climático mostra que, além de a infraestrutura não suportar testes de stress, o tal do aquecimento globla veio para ficar.Vejam-se os furacões em Santa Catarina, por exemplo.

2) Bancos têm 440 bilhões de reais para emprestar. A política do Banco Central de comprar dólares para impedir uma queda ainda maior das cotações da moeda americana, aliada à decisão do Tesouro de reduzir o estoque de títulos da dívida pública encharcou o mercado financeiro de dinheiro.

Ponto a comentar: o fato de os bancos terem muito dinheiro em caixa não é uma notícia boa. Bancos ganham dinheiro concedendo empréstimos, mas eles só emprestam dinheiro para quem tem possibilidade de pagar a fatura.. Se os bancos não conseguem achar clientes para emprestar dinheiro, então quer dizer que não há tantas empresas capazes de receber recursos para crescer.

Conclusão: Aparentemente, as enchentes e o crédito bancário não têm nenhuma correlação. No entanto, os dois fatos são indicadores poderosos de que há limites para o crescimentoi da economia, apesar do otimismo das declarações oficiais. Não por acaso, o Ìndice Bovespa está relutando, nos últimos dias, a romper a barreira dos 58 mil pontos. Quando supera essa cifra, o índice cai rapidamente.

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Keep It Simple, Stupid (ou: tudo bem com a poupança)
Por Cláudio Gradilone | 04/09/2009 - 12:22

Os estadunidenses são um povo reconhecido por sua praticidade. Apesar do desconcertante hábito de fazer diplomacia com o Exército e da mania de tratar todos os estrangeiros como terroristas em potencial, é possível aprender muito com eles. Uma das máximas é o KISS, o acróstico de Keep it Simple, Stupid - algo como Não Complica, sua Anta.

Esse comentário vem a respeito dos dados da poupança em agosto. As cadernetas tiveram uma captação positiva de quase 3,1 bilhões de reais no mês passado. No acumulado do ano, a poupança recebeu 12,2 bilhões líquidos. No total, as cadernetas acumulam 295 bilhões de reais.

Esse sucesso é inédito. A poupança foi, durante muito tempo, o primo pobre das aplicações financeiras. Hoje, devido à estrutura de sua remuneração, as cadernetas se tornaram mais competitivas em relação à maioria dos fundos de investimento de varejo.

A causa é bem conhecida. Quem investe em fundos paga impostos e taxa de administração, algo que os aplicadores em poupança não têm de pagar. Quando os juros referenciais eram elevados, de mais de 15% ao ano, a poupança perdia feio dos fundos.

Hoje, com uma taxa Selic de 8,75% ao ano, a rentabilidade garantida de 6,17% ao ano mais Taxa Referencial (TR) das cadernetas proporciona um desempenho comparável ao dos fundos de renda fixa mais populares.

Cabe aqui a pergunta: há algum problema em investir bastente dinheiro ou por muito tempo na poupança? Ou, melhor dizendo, ficar apenas com essa aplicação simples é mau negócio?

Respondendo rapidamente: não, enquanto os juros permanecerem baixos. Antigamente, as cadernetas eram o jardim de infância dos investidores. Por serem o investimento mais simples, mais seguro e por serem isentas de imposto e extremamente populares, as cadernetas serviam para quem nunca tinha investido antes começar a se mover na selva das aplicações financeiras.

Depois de algum tempo na poupança, era hora de o investidor começar a procurar alternativas mais rentáveis (e, portanto, mais complexas e um pouco mais arriscadas).

Hoje, a queda dos juros fez com que a poupança ganhasse competitividade em relação aos fundos. Um fundo que cobre uma taxa de administração inferior a 0,5% ao ano será mais rentável do que a poupança. O problema é que, para investir nesse fundo, o investidor precisa de 100 000 reais, pelo menos.

Para aplicar em um fundo comparável com a poupança, que cobre, digamos, 1% ao ano de taxa de administração, o investidor terá de ter 50 000 reais e precisa procurar bastante, pois os bancos estão cobrando mais do que isso.

Assim, não há mal nenhum em deixar seu dinheiro mais tempo na prosaica caderneta de poupança, enquanto você junta capital suficiente para procurar alternativas mais rentáveis, mas que exigam aplicações maiores. Complicação não é sinônimo de boa solução. 

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As ações da Cetip são um bom negócio?
Por Cláudio Gradilone | 03/09/2009 - 15:52

A Cetip confirmou, formalmente, que vai preparar o lançamento de suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo. Essa empresa é uma daquelas entidades do mercado financeiro que só os especialistas conhecem, mas que têm uma participação muito grande no dia-a-dia do mercado.

A Cetip nasceu como uma empresa de custódia e liquidação de ativos. Em português, ela registrava quais títulos de renda fixa privados (os títulos públicos eram custodiados em outra câmara, a Selic, que batizou a taxa de juros referencial brasileira) e compensava as compras e vendas.

Suas ações são um bom negócio? Claro que vai depender do preço, que ainda não saiu, mas a Cetip seria uma daquelas empresas que Warren Buffet muito provavelmente compraria - de novo, dependendo do preço.

Qual a grande vantagem da Cetip? Principalmente, ela é a líder em um mercado importante e praticamente não tem concorrência. Quem precisar investir e negociar títulos de renda fixa, como debêntures e notas promissórias de empresas, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e outros papéis desse tipo tem de recorrer à Cetip. Seu principal concorrente, a Bovespa Fix, não é representativa no mercado de renda fixa.

Isso é uma recomendação de compra? Não, de modo algum. A Cetip é uma empresa de boa qualidade, cujo lançamento de ações deve ser observado com cuidado. No entanto, qualquer decisão de investimento vai depender do preço. Não é porque a empresa é boa que ela vale qualquer preço.

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Cláudio Gradilone
Jornalista, economista, ele escreve regularmente sobre investimentos e finanças pessoais.
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