
O foco dos problemas no mercado americano, hoje, são os bancos, Não há convicção do mercado de qual é a fatura que os bancos terão de pagar para limpar seus balanços dos empréstimos imobiliários podres. Como não há precisão nos números, qualquer projeção vale - e as apostas vão um trilhão a dois trilhões de dólares, uma diferença razoável para qualquer governo.
Bancos ruins querem dizer economia em crise, sem crédito e sem fôlego, ainda mais no caso americano, que vive e respira empréstimos.
Daí a alegria dos investidores do banco Lehman Brothers, que poderá ser adquirido pelo Korean Development Bank. A perspectiva de receber dinheiro novo que não será do contribuinte americano elevou as ações em quase 9%.
Com tudo isso, as ações tiveram um bom desempenho por aqui também. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com uma leve queda de 0,15%, mas acumulou uma alta de quase 3% na semana.
Um prognóstico para a semana que vem? Mais turbulência pela frente. A conferir.
Publicado em 22/08/2008 - 18:17
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Com um imenso suspiro de alívio, os investidores anotaram a segunda alta consecutiva no Índice Bovespa. Em dois dias, o principal indicador do mercado acionário brasileiro subiu quase 4%, reduzindo os prejuízos da galera. E agora, o que vai acontecer?
É hora de abrir uma garrafa para comemorar a alta, mas que seja um refrigerante para não provocar ressaca. No geral, a perspectiva para as ações não é boa.
As empresas brasileiras estão capitalizadas e são lucrativas, o Brasil vai bem, somos grau de investimento, até Warren Buffett investe em reais, etc, etc, etc. Tudo isso é verdade, mas o fato é que, desde o início do ano, a sangria de recursos do mercado acionário brasileiro foi de 350 milhões de reais por dia. Todos os dias, de segunda a sexta, esse foi o montante que os investidores internacionais levaram de volta para casa.
Claro, há boas notícias de resultados sólidos de empresas e de demonstrações de interesse estrangeiro pelos investimentos diretos. Mesmo assim, ainda há uma equação difícil de ser resolvida nas finanças internacionais, com reflexos inevitáveis sobre os mercados por aqui.
Por isso, é sempre bom comemorar a alta. Mas, nada de entusiasmo excessivo, porque ela pode ser de curta duração.
Publicado em 20/08/2008 - 18:32
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As ações da mineradora MMX, de Eike Batista, estão registrando uma das maiores altas desta quarta-feira, dia 20 de agosto, no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo. MMX ON está fechando em alta de 31%, a 14 reais.
O entusiasmo com a ação, que vinha sendo penalizada devido à incerteza com decisões das autoridades ambientais sobre seus direitos de lavra, teve dois motivos.
O primeiro foi a compra das jazidas de ferro da mineradora London Mining Brasil, que pertencia à empresa inglesa London Mining, pela ArcelorMittal por 764 milhões de dolares.
As jazidas de ferro da London Mining ficam em Minas Gerais, e podem receber investimentos de até 700 milhões de dólares da ArcelorMittal nos próximos anos. Isso levou os investidores a pensar que alguma outra mineradora internacional poderia fazer uma oferta pelas jazidas da MMX. Como suas ações já haviam caído quase 40% só no mês de agosto, o papel parece estar barato para os acionistas.
O segundo motivo foi um relatório do analista do Credit Suisse, Roger Downey, dizendo que há boas perspectivas de que a MMX receba ofertas de compra. "É provável que a MMX seja procurada pelas principais empresas desse mercado, se é que isso já não ocorreu", disse Downey em sua nota aos investidores. Procurada, a assessoria de comunicação do banco não divulgou a nota de Downey.
A MMX, assim como a petrolífera OGX, nasceram do brilho e do arrojo do empresário Eike Batista. São empresas com boas perspectivas e atraentes aos olhos dos investidores internacionais. Mais do que isso, são negócios bilionários que, há poucos anos, não eram nada além de um brilho nos olhos de Batista. No entanto, as ações dessas companhias têm apresentado algumas das maiores oscilações do mercado nas últimas semanas. Cuidado, portanto.
Em tempo: nem nos piores pesadelos e cometendo a mais terrivel das injustiças dá para comparar Eike Batista, que é um empresário correto, com os marginais da Agrenco; mas sempre é bom lembrar que o Credit Suisse também recomendou a compra dos BDRs da Agrenco poucos dias antes de seus fundadores serem convidados a ver o sol nascer quadrado por fraude fiscal.
Publicado em 20/08/2008 - 18:20
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O desempenho do mercado nesta terça-feira, dia 19 de agosto, representou um suspiro de alívio para um mercado que vinha amargando queda atrás de queda. Foi um movimento localizado: em Nova York, o temor de alta dos juros com novos índices de inflação ruins fez o Dow Jones fechar com uma queda superior a 1%.
No pior momento do dia, a Bovespa recuou para 52 350 pontos, o mesmo nível do início do ano. A queda parece não ter fim. Até quanto o Índice Bovespa pode cair?
Para os especialistas, ainda não é hora de acordar desse pesadelo. Quem conhece bem o mercado sabe que o principal suporte está ao redor de 48 000 pontos.
Suporte é um termo emprestado da análise gráfica. Quer dizer um ponto no gráfico abaixo do qual as cotações não caem. Não é mágica: para calcular um suporte - ou seu inverso, uma resistência, que é um limite de alta - os profissionais do mercado analisam as posições nos mercados a vista e de derivativos.
Boa parte dos investimentos do mercado acionário tem pouco a ver com o desempenho das empresas. Comprar ou vender, por exemplo, contratos futuros de índice Bovespa é uma operação de renda fixa, que faz ou não sentido dependendo do custo do dinheiro em um determinado momento.
Fazendo essas contas, os operadores calculam que o índice Bovespa vai estar muito barato a 48 000 pontos, com uma variação de 300 pontos para mais ou para menos.
Esse número é um forte candidato a fundo do poço. Porém, não podemos nos esquecer que há apenas dois anos, a bolsa era considerada cara e estava a 40 000 pontos, já corrigidos pela inflação.
Moral da história: respire fundo, que vem mais turbulência por aí.
Publicado em 19/08/2008 - 18:19
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Para variar um pouco, a Bolsa de Valores de São Paulo está iniciando a semana em queda. O Índice Bovespa está encerrando a quarta-feira a 53 700 pontos, queda de cerca de 1% em relação ao fechamento da sexta-feira. É ruim, mas chegou a ser bem pior. Em seu momento de maior baixa, o Índice Bovespa recuou mais de 2% e ameaçou romper o nível "psicológico" de 53 000 pontos.
Como explicar essa baixa? Da mesma forma que as quedas anteriores e as próximas que ainda vão ocorrer ao longo das próximas semanas. Pela forte pressão vendedora dos investidores internacionais, que determinam a tônica do mercado financeiro.
Nos Estados Unidos, o temor é, para variar, com os problemas do setor imobiliário. As ações da Freddie Mac e da Fannie Mae, as duas principais empresas que garantem os empréstimos imobiliários, caíram quase 20% devido a temores com a ajuda do governo.
A princípio, todo banqueiro sonha ter um caminhão de dinheiro público para consertar suas peraltices, por isso pacotes de ajuda governamental tendem a ser bem-recebidos. O que assustou o mercado foram expectativas que o pacote de ajuda do governo, estimado em várias centenas de bilhões de dólares, possa ocorrer às expensas dos acionistas. Daí as quedas, com o óbvio reflexo sobre os mercados.
Publicado em 18/08/2008 - 17:00
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Jornalista, economista, ele escreve regularmente sobre investimentos e finanças pessoais claudio.gradilone@gmail.com ![]() |
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