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Afinal, vale a pena investir em fundos?
Por Cláudio Gradilone | 20/08/2009 - 14:13

Nada como uma boa polêmica para melhorar o dia do blogueiro. Foi o caso do post referente aos fundos multimercados. Afinal, vale a pena investir em fundos, ou não?

A rigor, fundos não são o melhor negócio. Eles rendem menos pelo simples motivo de cobrarem taxas de administração e, eventualmente, de performance. Como esse dinheiro sai do bolso do investidor, os fundos são, automaticamente, menos rentáveis do que investir dinheiro diretamente.

Vale a pena? Uma velha piada das faculdades de economia americanas diz que um economista não é competente se corta a própria grama. Jardineiros tendem a ganhar menos que economistas (exceto o que podou as azaléias daqui de casa, claro). Por isso, é mais negócio trabalhar uma hora como economista e pagar uma fração do valor ganho pela hora de trabalho do jardineiro. Se o economista está cortando a própria grama, ou ele ganha muito pouco (o que é mau) ou ele não sabe fazer essa conta (o que é pior ainda).

No caso dos fundos é a mesma coisa. Investir em um fundo é como optar por contratar um jardineiro em vez de cortar a própria grama. Vale a pena se você não tiver tempo ou não se sentir confortável em administrar o próprio dinheiro em aplicações mais sofisticadas.

No caso das aplicações mais simples, como os fundos DI e de renda fixa, eles perdem cada vez mais competitividade em relação a aplicações alternativas como cadernetas de poupança ou Certificados de Depósito Bancário. Não por acaso, a migração de recursos dos fundos para a poupança tem sido intensa.

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Adriano Silva e os fundos multimercados
Por Cláudio Gradilone | 18/08/2009 - 13:24

Há alguns dias, o blogueiro saiu para tomar um café com o colega Adriano Silva, que mantém o manual do executivo ingênuo, aqui do lado. Conversa vai, conversa vem, estávamos pedindo a conta quando o assunto chegou nos fundos multimercados. Não deu tempo para responder a pergunta do Adriano como se deve, por isso vai aqui uma explicação de três reais.

Pergunta 1: o que são fundos multimercados?

A resposta óbvia é que são fundos que investem em ativos diferentes, como ações, renda fixa, câmbio e derivativos. Há centenas deles no mercado.

No entanto, podemos pensar nesses fundos com outro sentido: os que ganham dinheiro tanto em mercados de alta quanto em mercados de baixa. Esses são muito escassos. Vamos ver o porquê.

Pergunta 2: quais são os tipos de fundos multimercados?

Na prática, há três grandes grupos:

a) os que investem em vários tipos de ativos, mesmo: mandam um pouco de dinheiro para as ações, outro para renda fixa, mais um tanto para derivativos, mais um pouco para câmbio ou commodities agrícolas, e por aí vai. Não são a maioria, e são conhecidos como os fundos de apostas multidirecionais.

b) os que se restringem a ativos parecidos: são os mais comuns. Dizem que são multimercados para permitirem maior poder de decisão ao gestor, mas, na prática, funcionam como fundos de renda fixa turbinados. Assim, o gestor pode apostar em contratos futuros de juros de vários vencimentos, misturar com contratos futuros de câmbio e títulos corrigidos pela inflação, por exemplo. São os chamados fundos de apostas unidirecionais.

c) os fundos alavancados, mais conhecidos como tarja preta. Investem nos mesmo ativos dois tipos anteriores de fundos, mas correm muito mais riscos. Apostam várias vezes o patrimônio do fundo em operações arriscadas. Os ganhos podem ser grandes, as perdas também.

Pergunta 3: os multimercados são um bom negócio?

Na teoria, sem dúvida. Afinal, se o gestor for bom, ele pode ganhar dinheiro livremente em vários mercados, sem as restrições da renda fixa e sem os limites que impedem a alavacagem em várias carteiras. Na prática, porém, como o Brasil só tem quase fundos unidirecionais, isso gera alguns problemas para o investidor.

Pergunta 4: quais os problemas dos multimercados na prática?

Os multimercados têm um problema que não é culpa de nenhum gestor, mas de como o mercado se estruturou no Brasil. Por razões históricas, o mercado financeiro brasileiro tem poucos ativos defensivos.

Ou seja, nos momentos bons, tudo melhora: a bolsa sobe, os juros e o dólar caem. Nos momentos ruins, tudo piora: a bolsa cai, os juros e o dólar sobem. Não há ativos que ficam estáveis ou caem quando tudo vai bem, mas que sobem quando tudo vai mal. O ouro cumpria mal e mal essa função, mas deixou de fazer isso há mais de 20 anos.

Por isso, o gestor de fundos multimercados não tem muitas alternativas para montar uma estratégia defensiva. Quando ele acha que a bolsa está cara, por exemplo, ele só pode se arriscar e montar uma posição vendida na bolsa. Mas isso é apostar em um movimento de mercado, algo muito arriscado.

Vou dar um exemplo. No ano passado, um conhecido do blogueiro ganhou uma fábula de dinheiro apostando no petróleo no mercado lá fora. A estratégia dele foi, em retrospecto, de uma simplicidade comovente: ele ficou vendido em (muitos) contratos futuros de petróleo quando o barril estava a 140 dólares e zerou a posição quando o barril chegou a 40 dólares. Ao me contar a história, entre duas baforadas de charuto, ele me disse:

- Eu não conseguiria fazer isso no Brasil, aqui não tem nenhum contrato com essas características. As commodities negociadas em bolsa não têm liquidez.

Por isso, há poucos multimercados que, de fato, possam ganhar dinheiro em momentos bons e ruins do mercado. Não há instrumentos suficientes.

Pergunta 5: então, é para comprar ou para vender?

Os multimercados não são uma panaceia que resolve todos os problemas do investidor. Eles ajudam bastante na hora da diversificação, especialmente se o investidor não tem tempo, conhecimento ou paciência para ficar acomapanhando as vicissitudes do mercado. Mas precisam ser observados com muito cuidado, pois podem não só render pouco como também expor os investidores a riscos além da conta.

Valeu, Adriano? Abração!

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Realização ou retração?
Por Cláudio Gradilone | 17/08/2009 - 23:56

Depois de vários pregões em alta, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em uma queda significativa. O índice Bovespa recuou 2,5% e fechou a 55 200 pontos, o menor nível desde o fim de julho.

Cinco especialistas consultados indicaram cinco razões sólidas para a queda. Moral da história, as cotações caíram simplesmente porque os investidores resolveram colocar no bolso os lucros das últimas semanas. A pergunta que se coloca agora, é: vai continuar caindo ou é hora de entrar?

Os profissionais do mercado acreditam que, no fim do ano, o Índice Bovespa poderá chegar a 62 000 pontos. Na ponta do lápis, isso equivale a uma alta de 12,7%, bem mais do que os 8,75% previstos para a renda fica no acumulado do ano. Ou seja, há espaço para entrar, agora, desde que o investidor tenha  estômago para fortes emoções ao longo dos cinco próximos meses.

A necessidade de nervos de aço decorre da queda de braço entre otimistas e pessimistas com relação às expectativas para a recuperação econômica. As economias de China, Japão, Índia e Estados Unidos são, por diversos motivos, incógnitas para o mercado.

Em alguns casos, como China e Índia, a ausência de dados confiáveis e a dependência das estatísticas governamentais torna difícil cravar qualquer previsão. No Japão, o “agora vai” se delineia com certeza para o próximo trimestre desde 1988. Nos últimos vinte anos, porém, não houve nenhum movimento relevante de prosperidade.

Já nos Estados Unidos, a incógnita é a qualidade do crédito. Ao longo do fim de semana, notícias sobre novos problemas no sistema financeiro lançaram uma sombra de preocupação sobre os investidores, algo que não ajuda os mercados ao redor do mundo. Vale a pena entrar na bolsa? Sem dúvida, mas só para investidores com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração.

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Crise custa 12 bilhões de reais às empresas
Por Cláudio Gradilone | 14/08/2009 - 20:04

A crise internacional custou caro às empresas brasileiras no primeiro semestre de 2009. Mais especificamente, custou 12 bilhões de reais em lucros.

Um levantamento feito pelo blogueiro no sistema de dados Economática mostra que as 235 companhias abertas que já divulgaram seus resultados na primeira metade deste ano lucraram, juntas 45 bilhões de reais. No primeiro semestre de 2008, essas mesmas 235 empresas haviam lucrado, em valores atualizados pela inflação, 57 bilhões de reais.

Um bom exemplo é o lucro líquido da Petrobras, divulgado na sexta-feira, dia 14 de agosto. Os resultados da maior empresa brasileira, que tem a ação mais importante da Bolsa de Valores de São Paulo, sofreram com a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. No primeiro semestre de 2009, a Petrobras lucrou 13,5 bilhões de reais, uma queda de três bilhões em relação ao mesmo número de 2008.

Das 235 empresas, 127 ou 54% apresentaram uma redução dos lucros em relação ao mesmo período do ano passado. O pior resultado em termos absolutos foi o da Gerdau, que passou de um lucro de 2,8 bilhões de reais em 2008 para um prejuízo de 178 milhões de reais em 2009.

Na ponta dos lucros, a líder em termos absolutos foi a Ambev. A cervejaria lucrou 2,9 bilhões de reais no primeiro semestre, um crescimento de 146% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em termos relativos, quem mais elevou os lucros foi a TAM, cujo resultado cresceu 1.450%. O lucro da empresa aérea subiu de 55 milhões de reais no primeiro semestre de 2008 para 853 milhões de reais nos primeiros seis meses deste ano.

Mesmo ganhando menos, as empresas não apresentaram uma perda em sua eficiência. As margens líquidas (que são calculadas pela divisão do lucro líquido pela receita líquida) ficaram estáveis, em 11% ao ano. Ou seja, na ponta do lápis, investir em ações ainda é um bom negócio. A rentabilidade patrimonial ainda está superando, com folga, a rentabilidade das aplicações de renda fixa.

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Como saber se a Bolsa vai subir (um post, digamos, filosófico)
Por Cláudio Gradilone | 13/08/2009 - 10:12

Uma troca de e-mails com o leitor Max (que já criticou ferozmente o blogueiro em outras ocasiões) rendeu assunto para um bom post. Max pergunta: é possível esperar uma valorização colossal na bolsa nos próximos anos?

Bom, Max, respire fundo e se ajeite na cadeira porque a resposta é comprida. Antes de mais nada, vamos definir o que, de fato, quer dizer colossal. Como a bolsa têm mais risco do que a renda fixa, as ações tem quase uma obrigação de renderem mais do que os juros de mercado.

Vamos chutar, sem nenhuma base científica, que a valorização esperada (ou não-colossal) das ações seja 200% dos juros de mercado. Por que 200? Porque eu gosto do número, uai.

Assim, uma valorização colossal das ações seria uma valorização consistentemente acima dos 200%. Dá para conseguir isso? Depende. Há condições necessárias e condições suficientes.

Explicando: uma condição necessária é aquela que é imprescindível para a ocorrência de determinado fato. Ppor exemplo, para eu viajar de avião preciso que exista um avião (não estranhe, filósofo pensa desse jeito).

Só a existência de um avião não garante a viagem. É preciso haver um piloto, é preciso que os controladores de vôo estejam trabalhando, entre muitas outras necessidades. Ou seja, a existência de um avião é uma condição necessária, mas não suficiente.

O que poderia sustentar uma alta colossal das ações seria um forte influxo de dinheiro para a bolsa. Há algumas justificativas muito plausíveis para esperar que isso, sim, vai acontecer. Por exemplo:

- os juros brasileiros estão baixando consistentemente, o que vai forçar mais e mais investidores a transferir dinheiro para as ações, saindo da renda fixa.
- a crise internacional começa a dar sinais de alivio nos Estados Unidos, o que facilita a recuperação dos fluxos internacionais de capital para os países emergentes.
- as empresas brasileiras mostraram uma razoável resistência à crise. Apesar de perderem mercado lá fora, o fato de o Brasil ser uma economia fechada garante nossa economia contra os piores solavancos.

Essas são as condições necessárias para a alta da bolsa. E dá para dizer que há 99% de possibilidade de que elas estejam, sim, presentes. Mas ainda é preciso que haja condições suficientes:

- a perspectiva de que a economia continue crescendo razoavelmente acima do seu crescimento orgânico;
- a perspectiva de que o dinheiro que começar a circular na economia não seja totalmente (ou quase) drenado para pagar os gastos do governo;

Essas perspectivas são possíveis, mas sua existência é menos provável do que as anteriores. Por isso, as EXPECTATIVAS (e escrevo em maiúsculas para frisar bem isso) de que elas vão ocorrer é que vão sustentar a alta colossal. Se os investidores não acreditarem que haverá condições suficientes, a bolsa deverá oferecer um prêmio não-colossal em comparação com a renda fixa.

Valeu?

 

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Cláudio Gradilone
Jornalista, economista, ele escreve regularmente sobre investimentos e finanças pessoais.
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