<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?>
<rss version="2.0">
<channel>

    <title><![CDATA[Blog Manual do Executivo Ing&ecirc;nuo  - Portal EXAME]]></title>
    <description>Blogs - Portal EXAME</description>
    <link>http://www.portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/listar1.shtml</link>
    <image>
      <title>Portal EXAME - Blogs</title>
      <url>http://www.portalexame.abril.com.br/blogs/tit_blog.jpg</url>
      <link>http://www.portalexame.abril.com.br/blogs/</link>
    </image>
    <generator>portalexame.abril.com.br</generator>
	<copyright><![CDATA[Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.]]></copyright>


<item>
<title><![CDATA[Quando não se enxerga um palmo à frente do nariz]]></title>

<pubDate>Sex, 27 Nov 2009 23:06:26 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091127_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009">Isso já aconteceu algumas vezes comigo. Mas só hoje me dei conta. É assim. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009">Há pessoas que, em conversa com a gente, colocam o dedo num ponto central, nevrálgico, que sequer era pauta da conversa, sobre o qual não queríamos falar, que talvez estivéssemos mesmo escondendo. A gente tergiversando, tentando driblar o assunto, passar ao largo dele, e o interlocutor dá um bote certeiro, um carrinho preciso nas entrelinhas do nosso discurso, e nos rouba a bola. Nos sentimos desnudados. Olhamos para o sujeito um pouco espantados com a sua sensibilidade. Mas também com aquele sentimento irado de quem teve a sua intimidade devassada.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009">Noutro tipo de situação, há pessoas que ao comentar um ponto numa conversa conosco geram uma síntese instantânea, poderosa, que nos permite ver a coisa de um ângulo totalmente novo, com uma clareza inédita. Ou seja: elas percebem, de bate pronto, às vezes meio querer, coisas sobre nós que nós mesmos estávamos ignorando. A ficha cai na hora, faz-se a luz, tudo fica mais claro, as nuvens se dissipam. Ficamos boquiabertos. Como o interlocutor pôde perceber e concluir tão melhor do que nós mesmos aquilo que nos caberia descobrir e saber? Dá vontade de dar-lhe um beijo agradecido.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009">E há, por fim, um terceiro tipo de situação nessa linha. Há pessoas que nos dizem algo enquanto conversamos que só vai fazer sentido mais tarde. Na hora, essas coisas, ainda difusas, nos incomodam. Ou como prenúncio da verdade não raro incômoda que vão revelar mais tarde. Ou simplesmente porque as recebemos num primeiro momento como ruído, precisamente porque não as compreendemos. São insights que só se revelarão grandes lições mais tarde, quando e se amadurecermos dentro da gente o gosto estranho daquilo que ouvimos sem entender direito. Depois que nos damos conta, ficamos olhando retroativamente para aquele interlocutor e pensando se não soamos duplamente tolos aos seus olhos: primeiro, por não termos consciência prévia daquilo que ele nos revelou e, depois, por sequer termos tido o entendimento da revelação no momento mesmo em que ela acontecia à nossa frente.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="437033018-27112009">Já lhe sucedeu coisa parecida? Uma das situações? Todas?</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre cartões de visita]]></title>

<pubDate>Sex, 27 Nov 2009 00:33:21 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091127_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009">Tem uma empresa bacana, moderna, que eu admiro, cheia de gente jovem fazendo um trabalho bem inovador, que decidiu não usar mais cartões de visita. Ninguém lá tem um mísero business card P&amp;B para passar adiante. Não perguntei a eles, mas imagino que tenha um tanto de bossa, de gesto para marcar posição, para sublinhar uma ruptura de paradigma, uma quebra em relação ao passado e ao establishment. Se for isso mesmo, trata-se de uma ação esperta, que não carrega em si nada de errado. Mas imagino que também contenha algum engajamento na linha &quot;não gastaremos papel nem condenaremos árvores para pintar o nosso nome em papel, num momento em que você acha tudo na tela do seu computador&quot;.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009">Como sou, quase sempre, em vários campos da vida, um late adopter, me encontrei esses dias comprando um arquivo plástico, grandão, em forma de livro, para organizar meus cartões de visita. Há um ano e pouco, quando abri a empresa, mandei imprimir 1 000 tarjetas. Devo ter ainda umas 400. Como o que vai costuma ter volta, tenho comigo um bom número de cartões que me deram. Encontro utilidade de sobra neles. Ainda que telefones, endereços, nomes de gente e nomes de empresa caduquem com espantosa velocidade.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009">Eis, precisamente, o que gostaria de confessar hoje: t</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009">oda vez que abro meu arquivo para acrescentar um cartão de visitas novo, retiro dois ou três que prescreveram. Assim é a vida. Dinâmica, incerta, em eterno movimento. Às vezes para cima, às vezes para baixo. Há momentos em que achamos que perdemos tudo e na verdade estamos ganhando na loteria. Ainda que não nos demos conta disso. Há outros momentos em que nos consideramos deuses e na manhã seguinte nos percebemos bestas imensas e, ao mesmo tempo, ínfimas. Assim é a vida. É perceber que expiramos, que tudo expira. Inclusive a imagem que temos de nós mesmos e as certezas que vamos fincando existência fora como balisas para nos orientarem nessa longa e linda jornada pelo escuro. Assim é a vida. É saber que no final, desgraçadamente, morreremos. E que antes mesmo desse fim derradeiro morreremos várias outras vezes: na carreira, nos casamentos, em nossas relações. Para, por que não?, renascermos mais bem dispostos no outro dia e seguirmos tocando. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009">Claro que no meu livrão há também aqueles cartões imutáveis. De executivos imutáveis. Com nomes imutáveis. Em posições imutáveis. Em empresas imutáveis. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="265390611-09112009">É difícil definir qual das duas situações me causa mais compaixão: se a dos que se foram ou se a dos que jamais irão.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você já se sabotou hoje?]]></title>

<pubDate>Qui, 26 Nov 2009 00:52:32 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091126_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial" size="2"><span class="328262910-24112009">Tem uma música do Prince que diz assim: &quot;Baby, you are just like my mother/She is never satisfied&quot;. Quem teve uma mãe assim, impossível de agradar, pode tanto ter aprendido desde cedo a viver com a tecla FDS apertada no fundo, mandando tudo às favas, quanto, ao contrário, ter adquirido o terrível vício de viver buscando a aprovação alheia. Primeiro, uma migalha de afeto daquela mãe pétrea. Depois, ao longo da vida, uma réstia de estima dos amigos, das namoradas, dos colegas, dos chefes, dos subordinados. De todo mundo. No fundo, novas faces para aquele mesmo rosto materno inalcançável, imperturbável, insaciável.</span></font></span></div><div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial"><span class="328262910-24112009"></span></font></span><font size="2"> </font></div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="437075920-09112009"><span class="328262910-24112009">Essa busca cega por agradar aos outros é um dos caminhos mais curtos para soterrar a si mesmo. Viver atrás da aprovação alheia é uma trava fundamental à liberdade do sujeito, ao seu desenvolvimento, à sua integridade emocional e intelectual. Trata-se de uma ferramenta de autodestruição. Uma coisa é ter uma noção de como os outros nos enxergam. De como estamos agindo em relação a quem está ao redor, das expectativas que estamos cumprindo ou rasgando. Outra coisa é se</span></span><span class="437075920-09112009"> enxergar exclusivamente <span class="328262910-24112009">por meio do olhar dos outros. E dar poder absoluto ao </span>julgamento alheio<span class="328262910-24112009">. Isso é impor a si mesmo uma fragilidade muitas vezes </span>letal.<span class="328262910-24112009"> Isso é pegar uma baixa autoestima de algum modo instaurada na alma do sujeito e alimentá-la a pão de ló e filé mignon.</span></span></font></font></div><div><font face="Arial"><span class="437075920-09112009"><span class="328262910-24112009"></span></span></font><font size="2"> </font></div><div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="328262910-24112009">Trata-se de arrancar-se do seu próprio centro, de colocar a bússola da sua vida no colo dos outros. Trata-se de perder a capacidade de se autoavaliar, de perder a justa medida de quem se é</span>.<span class="328262910-24112009"> E a</span><span class="328262910-24112009">o </span><span class="328262910-24112009">deixar de se conhecer, </span><span class="328262910-24112009">você passa a dormir com um estranho. Pior que um estranho. Você passa a conviver com um detrator. Uma versão de você que não acredita em si mesmo, que só dá ouvidos aos outros, que não se respeita, que cospe no próprio rosto. E ao duvidar de si</span><span class="328262910-24112009">, o passo seguinte é duvidar de</span> quem <span class="328262910-24112009">você </span>foi<span class="328262910-24112009">. Seu </span><span class="328262910-24112009">próprio </span>passado é questionado<span class="328262910-24112009">. Sua história vira objeto de desabonadora revisão. A realidade e a fantasia são misturadas numa sopa cujo tempero é sempre masoquista. E o passo que vem a seguir é apedrejar</span> quem <span class="328262910-24112009">você </span>ainda pode ser<span class="328262910-24112009">, suas possibilidades vindouras. Aí é quando o sujeito passa a roubar de si o próprio</span> o futuro.</font></font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quanto você vale?]]></title>

<pubDate>Ter, 24 Nov 2009 08:47:38 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091124_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial" size="2">De um executivão que está deixando o mundo corporativo para empreender: numa grande empresa, </font></span><span class="437075920-09112009"><font face="Arial" size="2">você vale o quanto os outros acham que você vale. Como empresário, quem determina o seu valor é você mesmo. Segundo ele, ter chefe, trabalhar para uma corporação, equivale sempre, em menor ou maior medida, a colocar o seu motor fora do seu próprio carro. Ou melhor: equivale sempre a necessitar do combustível fornecido por outro para acionar o seu motor. Não importa o quão potente você imagine que seja o seu sistema de propulsão. Se o seu chefe discordar, não lhe encherá o tanque. Ou injetará diesel numa engrenagem a hidrogênio. E não há nada que você possa fazer a respeito.</font></span></div><div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial" size="2">Eu fico aqui pensando que ele tem boa dose de razão. O empreendedor tem que agradar seu cliente. E ponto. O resto vem a reboque. Já o executivo, além de agradar o cliente da empresa, tem que agradar seus clientes internos. Seus chefes, os chefes dos seus chefes, seus pares, seus fornecedores intramuros. E muitas vezes, mas muitas vezes mesmo, encantar esse público dentro da empresa é bem mais complicado do que encantar quem está fora. E mais: muitas vezes, para fazer a coisa certa pelo cliente, é preciso ir contra a maré do público interno, que tem uma agenda própria, um ritmo próprio, uma cultura própria. Então não é fácil. O empreendedor faz rapidamente os ajustes em sua própria estrutura que lhe permitam atender melhor o seu cliente. O executivo, não. Há um milhão de políticas e de politicagens que precisam ser levadas em consideração antes de trocar a cor da caneta que o pessoal utiliza.</font></span></div><div><span class="437075920-09112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="437075920-09112009"><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="437075920-09112009">Há megaempresas que estão batalhando para descentralizar as decisões de modo a voltarem a pensar e a agir como uma start-up. É um caminho interessante. Não sei se factível. </span>A contradição<span class="437075920-09112009"> congênita nessa história</span> é que na medida em que o empreendimento vai dando certo e crescendo, ele vai inevitavelmente se transformando num ambiente corporativo. Ou seja: ao vingar, e ao acumular êxitos, o negócio tende a ir deixando pelo caminho exatamente aquelas características originais que fizeram dele um sucesso. É como se a partir de determinado momento, num processo de condicionamento físico vigoroso, continuar indo à academia começasse a fazer você engordar. Acontece com todo mundo. Tem solução para isso?</font></font></div></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Vou ali e já volto]]></title>

<pubDate>Dom, 15 Nov 2009 22:09:18 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091115_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Meu amigo e minha amiga ingênuos. Peço desculpas pela semana passada, em que, pela primeira vez, não pude cumprir minha meta de 5 textos semanais, um por dia útil, aqui no blog. (OK, já gazeteei um texto semanal algumas vezes antes. Mas semana passada fiquei de fato um bocado ausente. Mais do que eu gostaria. E por isso peço desculpas.)</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Aproveito também para me desculpar por esta semana, em que estarei afastado do trabalho. Volto com força total, e com energias renovadas, na terça, 24. </span><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Marque na agenda, no celular, no Outlook, no Google, cole um Post It no computador. Mas volte. Espero você aqui dia 24, OK?</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Enquanto isso, deixo aqui um texto de 2002, uma adrianossilvada clássica (como meu amigo Helio Gurovitz um dia batizou meus ensaios), artigo publicado na edição de Melhores e Maiores de Exame de 2002.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Ele é o que se chama no mundo do blogs de TLTR: too long to read. Meu objetivo confesso é manter você ocupado com essa leitura até a minha volta...</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"><strong>Faça a coisa  certa</strong></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"><strong></strong></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"><em>O que está faltando ao Brasil é fazer uma clara opção pela eficiência. Mas será que é isso mesmo que nós queremos?</em></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Não se iluda. Na corrida entre as economias em desenvolvimento para se tornar nações ricas, o Brasil tem feito o papel da tartaruga, não o do coelho. Há anos os países do Sudeste Asiático já nos passaram <personname productid="em v&#65505;rios quesitos. Agora" w:st="on" />em vários quesitos. Agora</personname /> é a vez do México e do Chile comerem pelas beiradas nossa posição de destaque na América Latina. Daqui a pouco, se continuarmos inertes, serão os países do Leste Europeu a nos deixar para trás. Temos um corpanzil, é verdade. E o temos há 502 anos. Mas somos lerdos, moleirões. O que nos torna canhestros nessa corrida não é a nossa direita feudal nem a nossa esquerda autista. Nem a rapinagem de nossa elite, nem a pusilanimidade de nossa classe média. Não são os juros altos, nem a novela das 8, nem o calor dos trópicos, nem a baixa instrução do brasileiro médio. Não é a colonização portuguesa nem a nossa formação católica. O que define a lentidão com que caminhamos em direção ao progresso é outra coisa: ineficiência.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Estou falando de produtividade, medida pelo que se produz, ou se fatura, em relação aos recursos humanos e financeiros investidos. Por essa medida, o Brasil obteve nos últimos anos ganhos expressivos. Mas não estou falando só dela. Estou falando também de nossa capacidade efetiva e do real interesse, como nação, de aprender, crescer, perseguir a excelência em tudo que fazemos.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Imagine que o Brasil engate um ciclo de expansão da economia de 5% ou 6% ao ano por, digamos, cinco ou seis anos. Pode parecer ridículo, mas, num surto de prosperidade desse porte, que é tudo de que estamos precisando, teríamos grande chance de, em vez de crescer, quebrar. É provável que nossa estrutura de produção de bens e serviços, que sofre hoje com a contrição do consumo em todos os níveis, sofreria ainda mais com a demanda turbinada por um ciclo de crescimento.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Três exemplos disso. Estive de férias em um resort neste verão. A cortina do boxe era menor que o espaço do chuveiro. A cada banho, o banheiro alagava. Um amigo, em São Paulo, vai a um restaurante num grande shopping center e faz os pedidos. O prato principal chega antes da entrada. Ele chama a atenção do garçom. Este, sorrindo largo, bate em seu ombro e responde: &quot;Vá comendo para não esfriar, doutor, que a entradinha já vem&quot;. Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Há uma fila de táxis controlada por fiscais. Só que ninguém a respeita. É possível, com a conivência dos taxistas e dos próprios fiscais, tomar um veículo no fim da fila. Quebra-se a regra estabelecida e em seu lugar se instaura a lei do salve-se-quem-puder. Quem aposta na ordem e espera a vez fica com cara de otário. Perceba que nenhum desses três casos ocorreu na economia informal nem em rincões do país que não possam ser tomados como parâmetro. Ao contrário: são fatos sucedidos em alguns dos melhores ambientes que o Brasil tem a oferecer.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Pense em todas as ineficiências que povoam nosso cotidiano. Como é possível gastar milhões para erguer um estádio de futebol e não construir um estacionamento anexo? Como se pode pintar 80 000 números de assento num estádio, vender ingressos numerados e isso não servir para nada, porque o que vale é a primitiva lei do &quot;quem chegar antes leva&quot;? Some a isso a morosidade da Justiça em resolver conflitos, o despreparo da mão-de-obra nacional, a fiscalização do governo, que ainda permite que a sonegação seja uma vantagem competitiva entre as empresas no país. Todos esses processos funcionam mal mesmo com uma demanda relativamente acanhada. Afinal, o número e a maturidade dos consumidores brasileiros ainda é uma fração do que pode ser. O que aconteceria se tivéssemos no país 160 milhões de consumidores? E se as empresas por aqui tivessem de lidar com volumes, padrões de qualidade e clientes exigentes como seus pares nos Estados Unidos ou no Japão? </span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Mas, afinal, o que é ser eficiente? Eis o que penso: fazer mais, melhor, mais rápido e mais barato. Tomar determinado volume de recursos e perseguir incessantemente a forma ideal de produzir os melhores resultados com eles. Esse jeito de fazer as coisas - que envolve detalhismo, correção, rigor, análise, inflexibilidade, afinco, autocrítica - não faz parte do repertório da maioria dos brasileiros. Mais: essas características, que estão na base da eficiência, opõem-se frontalmente ao nosso modo carnavalesco de ver o mundo, ao nosso jeito solto de levar a vida e tomar decisões, à maneira descompromissada de nos relacionar uns com os outros.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Não perseguimos a excelência. Consideramos o aperfeiçoamento um esforço inútil. Por que correr atrás do ótimo se o bom já está bom? A superação, a luta por incrementar os resultados obtidos, é tida como uma preocupação de quem não tem nada melhor a fazer. Rigor é sinônimo de chatice. Análise, uma etapa que sempre pode ser pulada. Afinal, raciocinar muito sobre as coisas tira sua graça. Clareza nos faz enxergar aspectos que nem sempre queremos ver. Dizer o que deve ser dito franca e diretamente é um gesto considerado rude. Inflexibilidade em relação ao que é certo e ao que é errado é uma atitude anti-social, de quem não sabe relacionar-se. Honrar princípios significa não ter jogo de cintura.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Estamos viciados em não resolver os problemas de verdade, em não encarar as situações, em remendar por um tempo em vez de arrumar de uma vez por todas. A precariedade está instalada entre nós. Acreditamos que fazer pela metade dá menos trabalho que fazer por inteiro. E aí, claro, trabalhamos várias vezes mais, não reproduzimos os jeitos certos de fazer nem eliminamos os errados. Apostamos no passável em detrimento da solução definitiva. Somos os falsos malandros. Se fôssemos espertos de fato, buscaríamos soluções perenes, criaríamos sistemas que trabalhassem por nós. </span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">A ineficiência, alimentada por nossa visão de curto prazo, impede que a curva de aprendizagem entre nós se desenvolva, como acontece em sociedades mais eficientes. É que ninguém constrói regras para durar num ambiente como o nosso, tomado pelo imediatismo - que é uma outra face da caótica lei do cada um por si, do salve-se-quem-puder. Como temos sempre de voltar à estaca zero, acumulamos conhecimento de maneira lenta. Aprendendo e absorvendo mal o conhecimento, a missão de nos tornarmos mais eficientes se torna dificílima.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Você perguntará: será que temos uma miopia congênita que nos impede de enxergar a coisa certa a fazer? Digo que não. Nós divisamos o caminho da eficiência tanto quanto americanos e europeus. Só que a correção não faz tanto sucesso entre nós. Por aqui preferimos o que estiver mais à mão, convivemos bem com aquilo que dá para o gasto. Mas, se enxergamos o caminho a seguir, por que não o seguimos? Por que temos essa aversão ao que é eficiente? Por que, afinal, cultivamos essa abissal dificuldade em instaurar e incrementar sistemas lógicos e duradouros, que nos facilitem a vida em sociedade?</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Vislumbro três respostas. A primeira: os sistemas não funcionam no Brasil porque não nos interessa que isso aconteça. Se funcionassem, definharia a maior indústria brasileira, que perpassa todos os níveis da sociedade, inclusive, acredite, o seu e o meu dia-a-dia: a da corrupção, do esquema, do caixa dois. Instauramos por aqui, há muitas gerações, o império da gambiarra. De um lado, o jeitinho - burla que elevamos, com orgulho, à condição de virtude nacional - permite a milhares de nós sobreviver à margem dos sistemas alquebrados sobre os quais se equilibra a sociedade brasileira. (Cheios de autocondescendência, chamamos o improviso que nos rege a vida de poesia, de ginga, de malemolência.) De outro lado, o jeitinho, exatamente por permitir a existência da exceção, acaba retardando o aperfeiçoamento dos sistemas. Desenvolvemo-nos tanto na exceção que esquecemos de aprimorar a regra. E a regra, atrofiada, reforça a necessidade da exceção, em círculo vicioso.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">O contraponto dessa simpatia pelo roto é a nossa aversão às regras. Há quem diga que isso vem da época da escravidão, quando não se podia discordar da praxe instalada - apenas sabotá-la. Daí nossa reticência em submeter nossa individualidade ao interesse coletivo, e nossa tendência de protestar contra os sistemas instalados sempre à socapa, em vez de abertamente. Somos indolentes viscerais. Se há ordem, somos contra. Se há uma organização maior, insurgimo-nos silenciosamente. Imaginamos que normas são armadilhas, que a existência de processos instalados indica um maquiavelismo destinado a nos prejudicar.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">A segunda resposta que vislumbro: somos paupérrimos na construção de sistemas porque sempre conseguimos sobreviver sem eles. Na Suécia é mandatório haver processos eficientes. Lá, se o sujeito não estocar na primavera, não come no inverno. Simplesmente morre. A eficiência é uma imposição. Aqui, dá para destituir um sujeito de tudo, que ele ainda poderá dormir sobre a areia tépida da praia, debaixo de um coqueiro, que, como diz a canção, dá coco. Essa possibilidade de sobreviver à margem do sistema acarretou também uma mania nacional de procrastinar. Só se tomam providências quando a situação fica insustentável. Assim, empresas só se reestruturam quando estão para falir. Chamamos o encanador só quando aquela solução caseira está a ponto de explodir o cano e levar a parede junto. O governo só investe em energia quando o país se defronta com o apagão.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">A convivência com o meia-boca gera ainda um rebaixamento das exigências e dos padrões em todas as áreas da vida nacional. A intolerância com o trabalho malfeito aumenta a qualidade dos resultados e dos processos gerados na sociedade. Aceitar o tosco, ao contrário, vai nos acostumando ao imperfeito. Vamos tomando o medíocre por bom. E aprendendo a chamar o mais ou menos de ótimo. Aí o sujeito sai do Brasil e se deslumbra com coisas que são corriqueiras para outros povos - os horários serem cumpridos, as leis serem respeitadas, os infratores serem efetivamente punidos. Não se trata de mágica. Nem de superioridade genética. Trata-se apenas de padrões e níveis de exigência elevados ao longo de muitos anos de severo combate às ineficiências.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Há pouco tempo estive a trabalho em Nova York e me hospedei num dos grandes hotéis da cidade. De um lado havia as instalações perfeitas, os sistemas absolutamente funcionais. De outro, o mau humor cortante dos funcionários. Uma característica das nações ricas: a eficiência antipática. No Brasil ocorre geralmente o contrário: nada funciona, mas somos queridíssimos. Trata-se da boa vontade ineficiente, característica de países pobres. O garçom serve o prato principal antes da entrada. Mas sorri para você, tem calor humano. Tentamos pagar com simpatia pelo direito de sermos tíbios.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial">Por fim, o terceiro pilar que, a meu ver, garante a perpetuação da ineficiência no Brasil: sistemas eficientes incluem. E a nossa cultura - e a quase totalidade dos nossos privilégios e do nosso status - advém da exclusão. De novo: simplesmente não nos interessa que os processos no Brasil funcionem melhor. Se o sistema de transporte público fosse eficiente, o significado de ter um carro mudaria no país. E talvez você, que batalhou tanto para ter esse carrão na garagem, não queira que essa conotação seja alterada. Se os serviços de saúde funcionasse, o fato de ser amigo ou parente de determinado fulano em determinado hospital, que hoje lhe dá poder, seria irrelevante.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-FAMILY: Arial">Há muita gente que passou a vida trocando favores, construindo atalhos, traficando influência. Se todos os cidadãos tivessem assegurados os mesmos direitos, por meio de sistemas sólidos e funcionais, toda essa rede de relações obscuras, essa indústria do jeitinho, perderia o sentido. Mesmo aquele porteiro que o coloca para dentro da boate lotada porque você é bacana e costuma enfiar dinheiro em seu bolso desapareceria. Ele não teria espaço para existir num ambiente eficiente, que operasse, por exemplo, com reserva e lista de espera. Só falta saber se você, que forma e dirige o país, toparia essas mudanças de paradigma. Ou se prefere deixar isso para outro dia.</span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O mundo visto pela garagem]]></title>

<pubDate>Qui, 12 Nov 2009 17:00:52 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091112_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="062552812-12112009"><font face="Arial" size="2">Um antigo chefe uma vez me disse que media a saúde das empresas e a felicidade dos seus executivos pela garagem. Quanto mais carrões houvesse, melhor estaria a saúde financeira da companhia e mais engajados e entusiasmados estariam os gerentes e diretores, mercê de bônus polpudos e de uma política agressiva de distribuição de lucros. Então ele prestava muita atenção às garagens. (Talvez gostasse um pouquinho de carros também.) Garagens com carros medíocres indicariam uma empresa medíocre - ou na rentabilidade ou na divisão do bolo com seus stakeholders.</font></span></div><div><span class="062552812-12112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="062552812-12112009"><font face="Arial" size="2">Hoje estacionei no subsolo do Centro Empresaria Nações Unidas, na Marginal Pinheiros, em São Paulo. O famoso CENU, que em suas duas torres abriga a sede  brasileira de empresas como HP, Nokia, Samsung e Toyota. O vaivém de executivos é intenso. E eu prestei atenção à garagem. Prestei atenção aos carros. Bem pouco medíocres. E fiquei imaginando que se tudo der certo, se os próximos 18 meses na economia brasileira realizarem o que está se projetando para o período, com a Bovespa atingindo 80 000 pontos (no ápice do aquecimento, em 2008, a Bovespa chegou a transbordantes 73 000 pontos, e no auge da crise financeira mundial, retrocedeu para mirrados 35 000 pontos), o número de BMWs, Audis, Mercedes e Volvos vai se multiplicar. O mercado vai aquecer, a economia vai crescer, as empresas vão prosperar e, com elas, seus principais executivos.</font></span></div><div><span class="062552812-12112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="062552812-12112009"><font face="Arial" size="2">Ao pensar nisso, percebi também o quanto evoluímos nos últimos anos em termos ideológicos no Brasil. Há duas décadas, um fenômeno de expansão econômica como esse ia gerar provavelmente mais desconfiança e grita entre nós do que comemoração. Ainda na segunda metade da década de 90, publiquei vários artigos na Exame tratando um pouco dessa nossa concepção equivocada do significado de ganhar dinheiro, dessa nossa resistência histórica ao sucesso. Mais carros importados nas garagens das empresas, das casas e dos condomínios seriam vistos como um desdobramento porco do capitalismo, como consumismo decadente, como materialismo espúrio, como concentração de renda nojosa, como mais um signo da exploração suja do homem pelo homem, como um fenômeno, enfim, do qual devêssemos nos envergonhar.</font></span></div><div><span class="062552812-12112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="062552812-12112009"><font face="Arial" size="2">Hoje, ao que parece, todo mundo já aprendeu a comemorar o enriquecimento da classe média, a ascenção da classe C, o azeitamento da máquina capitalista brasileira, o mercado aberto e competitivo e eficiente que vai se consolidando no país. Vamos aprendendo que trabalhar melhor e assim ganhar mais dinheiro é bom. Que não é preciso ter culpa em viver melhor, em ter bolsos mais polpudos. Vamos aprendendo que pobreza só se combate com mais riquezas sendo geradas e obtidas licitamente por cidadãos melhor preparados, mais produtivos e menos encucados.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre jovens talentos]]></title>

<pubDate>Seg, 09 Nov 2009 17:42:08 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091109_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="500483018-09112009"><font face="Arial" size="2">Uma amiga me conta que encontrou no Programa Jovem Cidadão, recentemente, o melhor assistente com que já se defrontou na carreira. Um menino esforçado, que sempre estudou à base de bolsas de estudos, nascido com desvantagens econômicas mas com alma de vencedor. E eu percebi na hora em que ela me contava a história que é isso, e só isso, o que conta de verdade: o que você tem dentro de si. Não são as condições externas que determinam o sucesso, embora elas possam tornar o caminho bem mais tranquilo. São as condições internas. Ela admirava a ambição do menino, que aos 17 anos já sabia o que queria da vida, aonde queria chegar. E admirava nele também o modo determinado e correto como perseguia seus sonhos, seus objetivos, e construía seu caminho. Ela o contratou assim que o estágio terminou. Ou seja: o mercado sempre dá um jeito de absorver quem é bom. Talento é raro e, de modo geral, as empresas que prezam a própria sobrevivência não os deixam passar. (Ainda que imensas e grossas exceções a essa regra cansem de ocorrer aí fora todo dia.)</font></span></div><div><span class="500483018-09112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="500483018-09112009"><font face="Arial" size="2">Eu fico aqui pensando nos jovens talentos. Às vezes eles são presenças óbvias. Só não vê quem não quer. (Ou não gosta de lidar com talentos e prefere cercar-se de mediocridade.) Às vezes, no entanto, é difícil identificá-los, tecer um juízo claro em relação a eles. Há Ronaldinhos e Kakás. Mas para cada um deles há dezenas de jovens que surgem cheios de potencial e perspectivas e que fenecem pelo caminho. Por vários motivos: arrogância e soberba precoces, falta de foco e de atenção, falta de vontade e de persistência, falta de disciplina e de denodo. É gente que não cumpre seu destino. Que fica na promessa. Então jovens talentos que chamam a atenção cedo podem estourar de fato. Mas também podem murchar. Assim como gente menos radiante pode ir se polindo ao longo da carreira e se transformar num avião a jato.</font></span></div><div><span class="500483018-09112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="500483018-09112009"><font face="Arial" size="2">Eis o que penso: o jovem talento não tem obrigação de enxergar nem uma jogada sequer à frente, dada a sua inexperiência. E aí precisa de acompanhamento para não incorrer em erros causados pelo excesso de vontade, pela imaturidade, pela inocência de quem ainda tem muito para aprender. Mas o jovem talento não pode deixar de brilhar na jogada atual, em que está inserido. Não pode falhar por desleixo, por desatenção, por irresponsabilidade. Ele tem o direito de não enxergar, ainda na gênese da jogada, o gol a favor ou contra se desenhando. Tem o direito de não conhecer os atalhos do campo. Porque seu repertório de jogos assistidos e jogados é inevitavelmente pequeno. Mas ele não tem o direito de errar passe fácil por disciplicência nem de perder a bola que lhe foi passada com açúcar por falta de entusiasmo, de cuidado, de comprometimento. Aí é incompetência. Aí é duro de admitir.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[[ Post de sexta ] Uma explicação, por favor]]></title>

<pubDate>Sex, 06 Nov 2009 19:22:21 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091106_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Eu sei, eu sei, isso é totalmente [ Off Topic ], aqui não é lugar para ficar falando de futebol. Mas essa reta final do Brasileirão está sendo emocionante e reveladora. E, sim, às 19h desta sexta calorenta em São Paulo, talvez possamos abrir uma pequena exceção.</p><p>Ontem, na minha pelada, em que jogam comigo grandes craques, como Arnaldo Ribeiro e Rogério Andrade, da Placar, Maurício Ribeiro, da Runner's e Maurício Teixeira, do Ig, que são, além de tudo, luminares do jornalismo futebolístico brasileiro, verdadeiras sumidades dos gramados naturais e sintéticos, eu ofereci 50 reais a quem me explicasse o que aconteceu com o Inter nesse Brasileiro. Porque eu, honestamente, não consigo entender.</p><p>Eis o que eu bradava aos céus, diante dos companheiros de batalha campal e de churrascos redentórios: Como pode o time com a melhor campanha do primeiro turno fazer a pior do segundo? Como pode um time estar a dois ou três pontos do líder, depois de já ter estado a nove, e diante da terceira ou quarta chance de ganhar esse campeonato, perder em casa para um adversário que é sério candidato ao rebaixamento? Como pode um time tomar gol de bola parada depois dos 40 minutos? Como pode um time ceder o empate, jogando em casa, depois de abrir 2 a 0 sobre o adversário? Será que entre os jogadores ninguém fica com o radinho ligado, ninguém passa os olhos nos jornais, e grita para o grupo: &quot;Ei, cambada, agora é a nossa hora, está para nós, vambora ganhar essa bagaça, cacete?&quot; O que aconteceu esse ano não pode ser explicado pelos altos e baixos do campeonato mais disputado do mundo, nem pelas fases que todo time passa, nem pelas injustiças que toram o ludopédio um esporte tão fascinante. Será que as estrelas estão com os salários atrasados? Será que estão boicotando o técnico? Será que o grupo está rachado, cheio de maus elementos? Será que as vedetes estão fazendo corpo mole a mando de empresários cujas contas passam longe do que passa no coração da torcida? Mas que ganhos podem ter com isso? O que perder um campeonato vexatoriamente pode lhes acrescentar? Será que não percebem que quem está na berlinda, com a cara a bater, diante da torcida, nas ruas, nos shoppings, na imprensa, diante dos demais clubes no Brasil e fora dele, são eles mesmos?</p><p>Aí um amigo meu, palmeirense, que sabe que eu sou colorado, me perguntou, depois da minha longa exasperação: &quot;Você está falando do Palmeiras?&quot; E rimos juntos.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[[ Spam da semana ] Por que eu recebo isto?]]></title>

<pubDate>Sex, 06 Nov 2009 18:53:59 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091106_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Meu amigo ingênuo, minha amiga ingênua. Estão a fim de duplicar vossos desempenhos sexuais? Sei lá, sexta feira, findi chegando, quem sabe não é mesmo uma boa ideia?</p><p>O Vigor Force, devidamente registrado no Ministério da Saúde, notem que interessante, mistura Guaraná e Açaí para oferecer a você o que a vida tem de melhor: sexo de qualidade, galopante, animado.</p><p>Estou chegando aos 40 e costumo me deparar com sexo e sono em posições opostas. Hmmm. Uma transa ou uma soneca? Vamos encarar uma trepidante sessão de sexo ou vamos dormir abraçadinhos? Esta, quero crer, é uma das grandes dicotomias do homem e da mulher modernos que chegam às dez da noite sem ainda terem conseguido fechar o notebook e sabem que precisam acordar às 6h no outro dia para levar as crianças à escola.</p><p>Vigor Force promete resolver isso de uma vez por todas. E a resposta certa é... sexo, claro! Chega de impotência, de falta de apetite, de cansaço físico e fadiga mental. Até insegurança ele resolve!</p><p>Hay que tener.</p><p>Até segunda!</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre a impermanência de todas as coisas]]></title>

<pubDate>Qui, 05 Nov 2009 12:08:09 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091105_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2">Eu estava aqui pensando no Nei Lisboa. Você provavelmente não o conhece. O que é uma lástima para ele e para você também. Nei é um dos compositores, poetas, cantores mais legais de Porto Alegre. Como tantos escritores, músicos e artistas gaúchos, acabou não estourando no resto do Brasil. O Rio Grande do Sul tem um mercado próprio relativamente forte e o artista consegue sobreviver intramuros, sem a necessidade de desbancar-se para São Paulo e Rio para acontecer. O sujeito vira referência local, por mais universal que seja sua obra, e vai ficando. </font></span></div><div><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2">Estava ouvindo dois clássicos do Nei, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SP1RXAgZzhQ">Telhados de Paris</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=BaoxTAgOcz0">Baladas</a>, num playlist que criei no You Tube com o apelido de <a href="http://www.youtube.com/my_playlists?pi=0&ps=20&sf=&sa=0&sq=&dm=0&p=C9142177E7174405">MPG</a> (Música Popular Gaúcha, que é como a gente chamava lá no Sul a música regional urbana e não a música regional campeira, nativista. Mas, ei, tenho <a href="http://www.youtube.com/my_playlists?pi=0&ps=20&sf=&sa=0&sq=&dm=0&p=4BFF754EE206E65E">um playlist dessa lavra também</a>!). E pensava em como estaria o Nei às barbas de 2010. Deve estar na casa dos 30 anos de carreira, dos 50 anos de vida. Será que consegue ainda viver da sua arte? A vida não é fácil para músicos com a morte do CD. Será que ainda consegue vender shows? Será que consegue ainda tocar na rádio? Será que ainda vive no Bonfim, num prédio tipicamente Redenção, inscrustado na Oswaldo Aranha, onde o entrevistei há quase 20 anos, quando eu ainda cursava Comunicação, ali perto?</font></span></div><div><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2">Resolvi checar. Descobri que o Nei tem um <a href="http://www.neilisboa.com.br/">site</a> bem legal. Disponibiliza um aplicativo que dá acesso a todos os discos dele. E com uma ferramenta de Enquete divertidíssima. Descobri, na Agenda, que deve faz uns 4 shows por mês. Procurei o Nei no Twitter e não achei. Procurei o Nei no Facebook e achei. Meio escondidinho atrás de um avatar mesclando foto sua com a Mona Lisa, numa <a href="http://www.facebook.com/neilisboa?ref=search&sid=100000103498085.995423957..1">comunidade</a> protegida, com 27 amigos. Fiquei feliz. Por vê-lo vivo. Adaptado ao novo ambiente. Que é o que, já ensinava Darwin, devem fazer todos aqueles que desejarem sobreviver. Com o mesmo wit, a mesma (auto)ironia de sempre. Fiquei feliz por entender que Nei ainda consegue sobreviver, sim, dignamente, da sua arte e do seu talento. E ainda sem a necessidade de ter que aparecer em programa dominical acéfalo de auditório para fazê-lo.</font></span></div><div><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2">Meu olhar ao Nei era, no fundo, um olhar a mim mesmo. Que me reserva o futuro? Até quando conseguirei sobreviver com minha arte, com meu talento? Minhas competências tem prazo de validade? Pense em Suzy Rêgo, Carla Marins, Bia Seidl, para citar três atrizes que já habitaram o panteão da glória e que hoje simplesmente sumiram. Isso pode acontecer com qualquer um. Com profissionais, com empresas e negócios, com atletas e artistas, com parcerias estratégicas e parceiros comerciais. Tudo passa. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=GytPv_v29lc">All things must pass</a>. </font></span><span class="750280813-05112009"><font face="Arial" size="2">Então desejo que você, caro leitor, fique vivo. E que fique bem. Como o Nei.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Um presente que eu nunca esqueci]]></title>

<pubDate>Seg, 02 Nov 2009 23:57:46 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091102_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009">Hoje me lembrei do meu avô. Um italianão com jeito de bugre que nunca viu o mar e que nunca trabalhou para ninguém. Era eletricista com diploma do Instituto Universal Brasileiro - que ele emoldurou com gosto e pendurou na parede da sala até o fim da vida. Era o eletricista mais tradicional da pequena cidade de onde nunca arrastou pé. Me lembrei do meu avô ao chegar em casa agora à noite, depois de uma viagem de volta gostosa, macia, fechando um feriado maravilhoso. Sol, piscina, sono, comida, bebida, sorrisos, meus filhos por perto, felizes, minha mulher próxima, em finíssima sintonia, do jeito que eu... preciso. E paz de espírito para curtir tudo isso direito. Sem pressa, sem culpa, sem angústias, sem melancolia. Só boas sensações. Nenhuma emoção negativa zumbizando à volta.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009">Acho que meu avô sempre teve orgulho de mim. Nunca me disse isso com palavras, porque não era o seu estilo. Ou talvez tenha me dito isso umas poucas vezes. E eu, em respeito a ele, ou simplesmente sem saber como reagir diante daquele elogio direto, como que fingi não ouvir, deixei passar. Acho que meu avô me via voando numa altitude que jamais poderia supor para um neto a partir das suas próprias referências, de um homem com quatro anos de estudo formal, que havia sido peão, agricultor, dono de armazém de campanha num rincão remoto. Seja como for, ele era um torcedor incondicional. E acho que me era grato também. Talvez por eu não lhe trazer problemas. Por permitir a ele não ter de se preocupar comigo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009">Meu avô tinha 40 anos em 1965. Então ele viveu a segunda metade da sua vida vendo seu mundo, que era regido por sólidas regras com séculos de hegemonia, se desintegrando à sua frente. Ele e seus contemporâneos tomaram ruptura em cima de ruptura das gerações subsequentes, em várias áreas fundamentais da vida. Do sexo à tecnologia, dos modelos familiares aos códigos de vestuário. Não deve ter sido fácil descer essa ladeira sem fim, vendo o que era certo virar incorreção e o que era absurdo se transformar em coisa corriqueira. Ainda assim, acho que meu avô navegou por essas águas turvas com boa dose de dignidade. E um dia ele me deu um presente de aniversário que eu nunca esqueci. Era o comecinho da década de 90, eu estava na faculdade de Comunicação e começava um pequeno negócio com um casal de colegas. Atuávamos como um estúdio de criação, fazendo um pouco de tudo, e trabalhávamos muito com video. Então, olhando aquilo à distância, mesmo sem compreender direito o nosso negócio, e ainda assim com grande fé no futuro daquele projeto, ele me presenteou com um video cassete. Eu não tinha um video cassete. Um video cassete, há coisa de 20 anos, acredite, custava bastante dinheiro. Meu avô me levou até a loja e me fez sair de lá com o melhor aparelho. Logo ele que, para si mesmo, sempre optava pelo item mais barato, deixava ali boa parte dos seus rendimentos. Raspava parte importante, imagino eu, das suas reservas.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009">Acho que nunca lhe agradeci suficientemente pela confiança, pelo investimento, pelo enorme gesto de carinho. O faço agora, nesses últimos minutos deste dia 2 de novembro. Obrigado, vô.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296034800-03112009">[ A foto é do Forte Dom Pedro II, em Caçapava do Sul, território do meu avô, arquétipo da minha infância ]</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[[ Errata ] Alicerce é com cê]]></title>

<pubDate>Dom, 01 Nov 2009 20:24:17 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091101_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Amigos, açei..., digo, assei..., quer dizer, aceitem as minhas desculpas.</p><p>O erro é craç..., ou melhor, crasso.</p><p>Procurei abrigo para meu equívoco na etimologia, na grafia de palavras correlatas como &quot;alicerçar&quot; e não pude encontrar um único &quot;s&quot; por lá capaz de minimizar a minha mancada.</p><p>Então só me resta pedir desculpas mesmo. Baita desatenção, polvilhada com ignorância.</p><p>E eu que já estava meio deprimido com a derrota em casa do Inter e com o adeus colorado ao Brasileirão deste ano, fico com mais um motivo para me entregar a uma barra de Crunch como compensação emocional às amarguras deste final de domingo.</p><p>Em horas assim é que ter descoberto uma banda como The Lodger faz sentido. Música alegre, feliz, despretensiosa, ensolarada, para cima. Vou lá me carregar na tomada deles e já volto.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Cuide bem do seu amor]]></title>

<pubDate>Sex, 30 Out 2009 09:10:21 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091030_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009">Sexta, véspera de feriado. Chuvisco e friozinho em Sampa. É verdade que sempre chove em Finados? Verificar isso seria um belo estudo na linha da Esquisitologia. Se essa asserção contiver 100 gramas de verdade, para mim já é coisa de louco, tema fascinante, indício de que o Sobrenatural de Almeida vive mesmo entre nós. Eu lembro dos meus mortos muitas vezes ao ano. (Quase nunca no feriado de Finados.) Mas acho culturalmente interessante que a gente reserve um dia específico para consagrar essa memória. Ponto para nós.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009">Antes de você partir para o descanso, para a viagem, para o lazer, para a gandaia que seja, gostaria de aproveitar o momento, em que sua mente, ou ao menos seu coração, já não está mais aí no mundo do trabalho, para lhe dizer o seguinte: cuide bem do seu amor. (Thanks, Herbert.) Eu sou um cara quadrado, coxinha, em diversos aspectos da minha vida. Um deles, como trato a mim mesmo na posição de pai de família. Levo isso a sério. Talvez até demais. É muito importante para mim ser um bom pai, um bom marido e um bom provedor. Parafraseando o ditado de &quot;quem tem, tem medo&quot;, eu diria que quem não teve do jeito que gostaria sabe a falta que faz.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009">No entanto, percebi com clareza esses dias o enorme risco que há em investir tudo no trabalho e nos filhos. Ou seja: fazer a coisa certa aí, em demasia, significa fazer a coisa de modo errado. É bacana ser um homem responsável, gerar as melhores condições possíveis para a sua família. No entanto, se pautar somente por isso é um equívoco. Focar toda a sua atenção e a sua energia na rota trabalho/casa, casa/trabalho, é uma armadilha. E por quê? Porque aí a sua mulher vira esposa. A sua namorada vira mãe do seus filhos. Você deixa de ser amante para virar marido. Quando você se dá conta, está chamando a sua mulher de &quot;mamãe&quot; e ela está se referindo a você como &quot;papai&quot;, de modo sonolento, sedado, cansado. Sua cama de casal vira um lugar para aninhar os filhos e não mais para dar vazão a sua libido. (Não é todo mundo que consegue rodar esses dois filmes antagônicos na mesma locação.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009">A arapuca que se coloca aí, travestida de correção, de comportamento respeitável e consequente, é trocar a relação original com a sua mulher, de macho/fêmea, composta de tesão, atração, admiração, desejo, por uma relação funcional de <em>parenting</em>, em que o <em>dating</em> morre, em que não há mais a idéia da dupla, mas sim uma regra inquebrantável que sempre prevê 3, 4, 5, qualquer que seja o número total das pessoas que você tem em casa. Por uma relação que a emoção dá lugar a um arranjo racional e insosso das coisas. Em que o sexo e a sensualidade vão sendo religiosamente solapados no dia a dia. Jogue isso no tempo e depois de 15, 20 anos, você não terá mais nada. Nenhum vestígio do sentimento original, da alegria dos primeiros tempos, daquela felicidade inefável de estar junto, de simplesmente ficar perto dela. Ou dele. Um dia seus filhos saem de casa. Afinal, eles, mais do que ninguém, estão só passando pela sua casa, estão sempre no movimento de partir do seu recôndito familiar em direção ao mundo lá fora e à vida que vão construir sozinhos. E você se encontrará com uma estranha dentro de casa. E vocês se verão com um abismo entre si. Feito de silêncios, de falta de cumplicidade, de inapetência, de papéis que caducaram, de ausência de um sentimento que, de tão maltratado, resolveu se mudar dali há muito tempo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009">Portanto, eis o que tenho a dizer: nutra o relacionamento com a sua mulher. Ou com o seu marido. É preciso conquistá-la todo dia. Crie momentos exclusivos, reserve tempo e atenção, saia da rotina, seduza, invista na magia e na paixão. Porque tudo isso, que é alicerce, que é motor, pode acabar num tapa. (Às vezes, literalmente.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250155021-27102009">Ótimo feriado. Até terça. E, não esqueça, cuide bem do seu amor.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma história triste]]></title>

<pubDate>Qua, 28 Out 2009 14:50:10 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091028_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009">Soube disto esses dias. O sujeito tinha uma carreira longa. E razoavelmente bem sucedida. Por méritos técnicos ou por méritos de relacionamento, ou por uma conjunção das duas coisas, era VP em uma empresa de porte médio. Ocupava o tipo de posição que garante ao sujeito uma sala com um sofazinho para conversas mais informais, secretária própria, essas coisas. Então ele recebeu um convite para trabalhar numa outra empresa do mesmo grupo. Uma empresa maior, o prinicipal negócio do grupo. Convenhamos que, nesse caso, nem dá para considerar um convite. Isto é quase uma delegação, um pedido superior, uma solicitação corporativa. Sua missão seria evangelizar aquela outra empresa com o seu expertise, com as ferramentas que tinha desenvolvido com boa dose de êxito na empresa menor. E lá foi ele. Óbvio.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009">Diante de si uma nova cultura. Novos colegas, novos subordinados. E um ambiente que se apresentava diante dele com a sutil arrogância daqueles que estão acostumados a faturar mais e a ser mais relevantes aos negócios do grupo. Um ambiente que também se postava diante dele com a sutil inferioridade de quem está na incômoda posição de ter que aprender duas ou três coisas sobre um novo jeito de fazer as coisas, sobre um conhecimento estratégico para o grupo que aquela empresa, jóia da coroa, não detinha. O sujeito estava se ambientando às novas regras de vestir, aos novos códigos do lugar, ao novo crachá, estava testando sua inteligência emocional, sua capacidade política, e se dando relativamente bem nessa tarefa, quando a empresa veio a perder um grande contrato. Daqueles que tocam fundo no fluxo de caixa. Resultado? Corte de custos e enxugamento de quadro.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009">O sujeito era relativamente caro, era novo na empresa, ainda não tinha criado raízes, ainda não tinha gerado resultados, sua competência era ainda incipiente dentro da empresa em termos de curto prazo, e acabou sobrando com o elo fraco da corrente. Encimou a lista das dispensas. Três meses depois de ter deixado sua posição vencedora na outra empresa, saía em definitivo do grupo, marcado como baixa de guerra. Dos confortos do céu às agruras do inferno em menos de 100 dias. Me pergunto se não havia possibilidade de ele voltar à empresa anterior. Talvez a vaga já tivesse ocupada e a própria estrutura já tivesse sido mexida com a sua saída. De toda maneira, peixes grandões não conseguem trocar de aquário com facilidade. Me pergunto se houve injustiça ou má fé nesse evento. Será que o grupo já o considerava dispensável há mais tempo? É defensável eticamente, moralmente, tirar um sujeito de uma posição, de modo quase compulsório, para demiti-lo algumas semanas depois, por mais que um evento importante como uma queda abrupta do faturamento tenha ocorrido? Fico pensando no que ele poderia ter feito diferente, para ter melhor sorte. Recusar uma promoção interna que tenha cara de ouro de tolo? Como se faz isso?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546344821-27102009">Cartas para a redação!</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A salvação pela música]]></title>

<pubDate>Ter, 27 Out 2009 01:03:05 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091027_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p><font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2">Um grande amigo meu voltou a entrar em contato depois de muito tempo. Viveu uma crise longa e importante na sua vida. Separou, andou no acostamento profissional, acelerou na contramão. A virada para os 40 foi dura para ele. (E para quem não é?) Então eu fiquei muito feliz de tê-lo de volta ao convívio. De vê-lo saindo mais maduro, mais sólido, mais livre e feliz do outro lado do rio que atravessou engolindo um bocado de água. Outros rios virão. Nossa vida é atravessar rios. Mas nesse momento ele está na margem, recobrando o fôlego, olhando para o céu ensolarado, sentindo a terra firme contra as costas e dando muita risada de tudo. Isso é bom. (Fiquei feliz também por perceber que meu amor por ele é incondicional.)</font></p><p><font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2">Uma vez esse amigo me gravou um CD com músicas espetaculares. Que eu nunca esqueci. Isso tem uns 10 anos. Música como mensagem, como símbolo, como declaração, como intenção. Então pedi a ele, nessa retomada, que me fizesse uma playlist de músicas alegres e bonitas, que tenham feito bem a ele nesse período de autoexílio, que ele gostasse de ouvir.</font></p><p><font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2">Ele me respondeu o seguinte: &quot;Vou fazer essa lista, sim. Mas vou fazer um playlist diferente: as músicas que me deram ânimo e vida nos últimos 18, 24 meses. Uma lista cronológica, às vezes joyful, às vezes moody, às vezes plain silly. My Biography&quot;. Isto posto, me enviou a seguinte lista de pérolas confessionais, de gemas psicológicas, de canções comportamentais e definitivas. Que eu divido com você, incluindo seus comentários seminais, porque podem tranquilamente salvar uma vida ou uma carreira, dependendo do momento. É isso. A cura pela canção.</font></p><p><font face="Arial" size="2"></font> </p><p /><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=AgTpELkfRaA"><font size="4">Box of Rain (Grateful Dead, 1970)<br /></font></a><br />Ouvi essa música do pela primeira vez só em 2007 (!), e fiquei bobo. A versão ao vivo vale pela alegria contagiante da galera. Pena que a gravadora tirou do YouTube a versão em estúdio, do álbum <i>American Beauty</i>. Shame on them!<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=9sNBCZe836I"><font size="4">Set you free this time (The Byrds, 1965)<br /></font></a>Adoro essa do The Byrds. Menos batida que <i>Turn! Turn! Turn!</i> Essa versão ao vivo do Gene Clark, com o solo bacana de guitarra, tem um efeito libertador. Que o bom Gene descanse em paz.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=6-avJdGnHe0"><font size="4">This is what she's like (Dexy's Midnight Runners, 1985)<br /></font></a>Em 85, detestei essa música, que era meio que coisa de boy. Mas o velho Dexy's é um bom vinho que melhora com o tempo. E hoje essa música desce encorpada, suave e doce.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=egk49TInR-0"><font size="4">Kicking Sand (The Lodger, 2007)<br /></font></a>Ouvi esta do The Lodger numa madrugada, em fone de ouvido, enquanto fazia uma longa pesquisa editorial para um trabalho. Fiquei umas duas horas dando play e replay. E quando vi já tinha amanhecido.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=N6VikL-GTtw"><font size="4">Keep it Coming (The Manhattan Love Suicides, 2007)<br /></font></a>Melancolia, fúria homicida... Essa menina do TMLS deve esconder gilete na língua. <i>My buddy</i> nas horas mais negras. Hoje eu não ouço mais, mas fica de lembrança.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=HFdUOQYxjdI"><font size="4">Lazy Line Painter Jane (Belle &amp; Sebastian, 1997)<br /></font></a>Dueto maravilhoso do Murdoch (do B&amp;S) com a cantora Monica Queen.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=acBo_4izpIc"><font size="4">It's for you (Out Hud, 2005)<br /></font></a>Se aos dez anos meu sonho era ser ponta-esquerda do Grêmio, hoje o sonho secreto é ser DJ por uma noite, e colocar a moçada pra dançar com o Out Hud.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=dL79-7oo9Xc"><font size="4">All My friends (LCD Soundsystem, 2007)<br /></font></a>James Murphy é um cara interessante. E sabe que ele quase foi o primeiro roteirista do Seinfeld? (Ele recusou a oferta, para arrependimento posterior). Sorte nossa que ele escolheu a música.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ExFqDbuTUfo"><font size="4">Rob a bank (The Butterflies of Love, 2006)<br /></font></a>Dá vontade de estar aí no video, numa noite fria, nesse boteco, ouvindo o The Butterfiles of Love e tomando uma cerveja preta. Embalados pelo som suavemente melancólico da banda.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=vUQvXDONtnY"><font size="4">Summer Smash (Denim, 1997)</font></a><br />Fico meio encabulado de gostar do Denim e de Summer Smash, mas dane-se. É o fino do pop dos anos 90. Pena que não tocou na época. Explico: Summer Smash estava escalada para entrar nas rádios britânicas em agosto de 97, mas daí uma princesa bateu o carro, morreu, a gravadora engavetou a música - imprópria para o luto mundial -, e a gente teve de ficar aguentando o Elton John.<br /><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Vc5HnZP5v6s"><font size="4">I won't lie to you (Let's Wrestle 2007)</font></a><br /><a href="http://www.youtube.com/watch?v=5RN4-WlzHME"><font size="4">We are the men you'll grow to love soon (Let's Wreslte, 2009)<br /></font></a>A glória máxima. Dobradinha de Let's Wrestle. Sheer fun. Pop inteligente, engraçado, sem ranço algum.</p><p>Por fim, não posso esquecer uma música essencial para esse playlist: Lazy Line Painter Jane do Belle &amp; Sebastian. Muitas dessas músicas são meio obscuras, mas estes vinte e poucos meses em minha vida também foram assim. Descobertas &amp; Escuridão. The thrill of new sounds as beamings of lights. Pois é. Com o Belle &amp; Sebastain eu fecho essse capítulo da minha autobiografia pop interior. Next one, please.</p><p> </p><p /><p><font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2">Espero que essas músicas do meu amigo lhe façam tão bem quanto a mim. E lhe convido a enviar para mim a sua lista de músicas fundamentais. Daquelas que fazem a vida valer a pena e cuja simples audição tem o poder de reverter o humor de um dia inteiro, mesmo aqueles mais ásperos, em que o escritório aparenta ficar mais sombrio.</font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Saber encenar é preciso]]></title>

<pubDate>Seg, 26 Out 2009 11:28:49 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091026_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="234192820-25102009"><font face="Arial" size="2">É fato. Eu admito. É preciso desenvolver um pouco de talento na arte da atuação para se dar bem profissionalmente, para tudo fluir melhor, especialmente no que toca a relação com as outras pessoas no mundo do trabalho. Sempre fui um cara muito focado em dizer a verdade, em demonstrar o fato como ele se apresentava para mim. Sempre alimentei a idéia de que qualquer maquiagem seria fingimento, de que qualquer retoque na expressão de um sentimento ou numa forma de dizer seria desonestidade com o interlocutor. Então apostei o tempo todo na transparência. E, adepto da sinceridade radical, sempre desprezei o acting - quanto mais houvesse, mais a pessoa seria falsa e não mereceria conversa e ponto. Isto me trouxe coisas muito boas. E isto me trouxe coisas ruins também. Isto me fez ser quem eu sou.</font></span></div><div><span class="234192820-25102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="234192820-25102009"><font face="Arial" size="2">No entanto, um dos talentos necessários à sobrevivência no mercado, tanto como executivo quanto como empresário, escreva aí, é saber fazer um pouco de mise en scene, e de modo competente, quando a oportunidade se impuser. Trata-se de enfatizar um momento de alegria com um sorriso especialmente sublinhado, diante de alguém que mereça essa mesura. (E esse não será um sorriso necessariamente falso porque a intenção existe e é genuína - ele</font> <font face="Arial" size="2">apenas será um sorriso maquiado para realçar o que quer comunicar.) Trata-se de cravar uma aura mais emocional às próprias palavras no momento de firmar uma posição, um ponto de honra, um item do qual não se quer abrir mão numa negociação. Fora o tanto que isso lhe ajuda a vender uma idéia, a subir no palco e encantar numa apresentação, a demonstrar simpatia com alguém que lhe interessa ter como aliado ou a disfarçar o desagrado que um par ou um superior lhe causa.</font></span></div><div><span class="234192820-25102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="234192820-25102009"><font face="Arial" size="2">Quem vive para o acting costuma focar tanto na embalagem que não raro se esquece de colocar alguma coisa dentro dela. Ou então o sujeito simplesmente vicia na arte de enganar o interlocutor, e vira um estelionatário profissional, escolhendo para cor do papel de embrulho uma tonalidade sempre antagônica àquela do conteúdo. Mas ter essa ferramenta no seu arsenal faz, sim, acredite, o maior sentido.</font> <font face="Arial" size="2">Para um jogador na hora de levantar a torcida com um gesto ou de comemorar um gol. Para repórteres e apresentadores de TV, que precisam ser atores exímios para dizerem a verdade. Para um amante no jogo da sedução, para discordar de alguém, para concordar com um terceiro que discorda do seu interlocutor, para um entrevistado que precisa convencer mais com as feições e com o tom de voz do que propriamente com as palavras.</font></span></div><div><span class="234192820-25102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="234192820-25102009"><font face="Arial" size="2">Saber atuar é nutrir o próprio carisma, a própria capacidade de convencimento. Quem se recusa a atuar trancafia sua imagem numa TV preto e branco. Mas... como desenvolver essa competência no acting sem se perder da honestidade? Não sei. Também estou aprendendo. Mas acho que se trata de maquiar para ressaltar as verdades e não as mentiras, para tornar tudo ainda mais verídico. Acho, portanto, que é um pouco aquele caminho garimpado e indicado por Fernando Pessoa: ser um fingidor que finge tão completamente que chega a fingir que está sentindo aquilo que deveras sente.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[[ Post de sexta ] Quero dominar o mundo!]]></title>

<pubDate>Sex, 23 Out 2009 16:01:32 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091023_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>A imagem ao lado, enviada pelo meu amigo GB, um filósofo acima de tudo, um arguto observador das pessoas e da existência, um antropólogo à mineira, um semioticista das relações humanas e inumanas, revela de modo indelével o que eu realmente quero nesta vida: dominar tudo, conquistar o planeta, virar um mogul, construir um império.</p><p>(Como sou um pouco conservador, estou começando a expansão galática pelo ramo dos imóveis.)</p><p>GB, você me desnudou.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Por que você recebe tanto spam? [ Post de sexta ]]]></title>

<pubDate>Sex, 23 Out 2009 15:50:19 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091023_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Segundo meu amigo Fernando, que está coberto de razão, por causa de empresas como esta, que vende listas de e-mails. Fernando é mais um companheiro de ingenuidade, que me dá a alegria de visitar o blog e de contribuir com ele. Foi ele que me enviou esse spam que recebeu em sua caixa: o spam de uma empresa que vende uma ferramenta de spam. (Bem, ninguém pode acusá-los de incoerência.)</p><p>Como é um ingênuo, Fernando não percebe que empresas assim alegam que só vendem listas com e-mails de gente que fez a opção de permitir que alguém lhe envie informações comerciais e propostas de vendas totalmente à revelia dos seus interesses. Essas listas, portanto, só seriam compostas por pessoas que adoram ver sua caixa postal entupida todo dia por mensagens não solicitadas. (Se você conhecer uma pessoa que assina esse tipo de Opt-In às cegas, no escuro, ao léu, me avise que eu quero pedir um autógrafo. Deve ser um descendente da Velhinha de Taubaté, lembra dela?)</p><p>Hay que tener.</p><p>Bom findi!</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A vida na base do coice]]></title>

<pubDate>Qui, 22 Out 2009 11:59:06 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091022_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="375292912-22102009"><font face="Arial" size="2">E tem aquele cara que, quanto mais dívidas tem, mais age como se fosse o credor. Conheço um caso desses, típico, quase patológico. Trata-se de um prestador de serviços. Ele funciona assim: quanto mais falha em prestar bem o serviço para o qual foi contratado, pior trata o seu cliente. Quanto mais está atrás no cronograma, quanto pior a qualidade da sua entrega, mais truculência usa no trato com quem o contratou. Dito assim, parece uma contradição insustentável, soa como se essa situação estapafúrdia não pudesse ser verossímil. No entanto, relações estapafúrdias acontecem. E várias vezes se cristalizam.</font></span></div><div><span class="375292912-22102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="375292912-22102009"><font face="Arial" size="2">A intuição diz que a posição de dívida fragilizaria o devedor diante do credor.</font> <font face="Arial" size="2">Eu penso e sinto desta forma. Se meu cliente está menos do que encantado, fico mal. Satisfação é pouco para o meu parâmetro. É preciso gerar encantamento. Foi isso que aprendi nas longas leituras do meu MBA, nas já longínquas e saudosas tardes mormaçosas em Kyoto, há quase 15 anos. Aborvi, nunca esqueci, creio nisso, tento praticar. Em maior ou menor medida, esse é um sentimento óbvio: é preciso entregar bem o que você vendeu. Sob pena de não vender mais, de perder o cliente, de avinagrar o próprio negócio com uma má reputação no mercado, com uma fila de beiços chateados marchando da sua empresa porta afora.</font></span></div><div><span class="375292912-22102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="375292912-22102009"><font face="Arial" size="2">Mas esse sentimento está longe de ser universal. E isso é uma aprendizagem para mim. Há quem não se deixe encurralar pelas circunstâncias adversas ou por reclamações de clientes em tom cada vez mais alto e saia daquela posição incômoda distribuindo sopapos, batendo em quem estiver por perto. Trata-se da arte de se defender jogando a responsabilidade por tudo, inclusive pelo próprios erros, nos outros. O sujeito nunca tem culpa. O culpado é sempre o entorno. É bem possível que na maioria das vezes esse fornecedor perca o cliente mesmo, mais cedo ou mais tarde. Porque a maioria das pessoas é saudável em se preservar e racional em fazer as contas e acaba optando por não ficar ouvindo desaforo nem recebendo maus serviços de quem contratou para trazer soluções, de forma simpática, e não problemas, de modo áspero. Mas, pasme, há também um monte de gente que opta por procrastinar a decisão de encerrar a relação, por evitar o confronto e o desgaste de um fim de relacionamento, e acaba se perpetuando numa relação meio sado-maso em que sofre a tirania, às vezes mais velada, às vezes mais explícita, de seus contratados.  </font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Trabalhar melhor para trabalhar menos]]></title>

<pubDate>Ter, 20 Out 2009 11:18:59 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091020_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="921203511-20102009"><font face="Arial" size="2">Uma das boas aprendizagens que só vem com a idade, embora possa também não vir nem com os cabelos brancos para algumas pessoas (especialmente as parecidas comigo), é a arte de dosar o esforço. A arte de se economizar. A arte de perceber que o tempo é o bem mais precioso para um ser humano finito como você e eu, que é um recurso não-renovável, para lá de exíguo, e que, exatamente por isso, precisa ser usado com muita inteligência e zelo. A gente perde muito tempo na vida. Joga tempo fora. O que significa jogar vida fora, jogar uma parte de nós fora. A gente atira na sarjeta e joga ralo abaixo toneladas de sangue, de hormônios bons, de energia vital na forma de esforços inúteis, de jornadas excruciantes e inúteis, de grandes expedições a lugar nenhum, de suor sem ROI.</font></span></div><div><span class="921203511-20102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="921203511-20102009"><font face="Arial" size="2">Só mais tarde na vida, quando começamos a nos dar um pouquinho mais ao respeito, quando nossos movimentos físicos começam a ficar mais lentos e a nossa atenção fica mais cara, é que caminhamos em direção ao equilíbrio. Não é um processo automático, que aconteça à sua revelia. Você precisa desejar esse equilíbrio. Há quem viva a vida toda se trocando por nada, fazendo más escolhas de investimento pessoal. De todo modo, a idade nos traz a chance de corrigir essa má gestão de nós mesmos. É a hora de fazer a bola correr mais para você correr menos. É a hora de finalmente aprender usar os atalhos do campo. Para usar dois clichês futebolísticos que, como todos os outros, dizem muito. </font></span></div><div><span class="921203511-20102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="921203511-20102009"><font face="Arial" size="2">Ainda assim, vez que outra, o sujeito sentirá uma sensação de culpa por estar acelerando menos. Se perguntará se não deveria estar andando mais rápido enquanto pode, acumulando mais enquanto é possível, gerando mais riqueza, fazendo mais poupança, para não correr o risco de olhar para trás com olhos de cigarra arrependida num futuro menos ensolarado que como que assombra todos nós que já descobrimos que o sucesso não dura para sempre e que vai ser bem duro, por exemplo, se aposentar. Esse sujeito, espremido entre a sensação de tranquilidade conquistada e merecida no presente, e o sentimento de irresponsabilidade por estar reduzindo a marcha, desconfiará do próprio bem estar, do relativo conforto que sua vida ganhou precisamente com uma relação mais estável e justa entre trabalho e vida pessoal, entre carreira e família, entre vida profissional e seus outros interesses que precisam ser satisfeitos dentro da mesma existência que, até onde se sabe, é a única que temos.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A obediência cega deixa você no escuro]]></title>

<pubDate>Seg, 19 Out 2009 09:19:21 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091019_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="765543901-15102009"><font face="Arial" size="2">Quantas vezes você já foi repreendido por fazer exatamente aquilo que seu chefe pediu? Um amigo me contou há um tempo que trabalhava com um chefe que funcionava muito assim: pedia com veemência, ouvia pouco, ou não sabia ouvir, era sempre categórico na solicitação e na tese que sustentava a solicitação. Na semana seguinte, reclamava com a mesma firmeza e o mesmo sangue no olho porque a turma tinha feito exatamente o que ele havia pedido. Como se aquela solicitação que havia feito não fosse razoável nem tivesse partido dele. Como se a tese por trás dela, que ele havia defendido com tanta paixão e intransigência, fosse estapafúrdia e indefensável. </font></span></div><div><span class="765543901-15102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="765543901-15102009"><font face="Arial" size="2">Isso já aconteceu comigo algumas vezes. Sou capaz de apostar que já aconteceu com você também. Então é preciso aprender que a convicção do chefe, mesmo entre os mais convictos, pode mudar. Às vezes para uma posição antagônica à anterior. E que discutir a mudança brusca de rumo estará tão fora de questão quanto esteve lá atrás a discussão acerca da proposição original. É preciso sacar que a memória do chefe pode ser bem curta e seletiva. De minha parte, aprendi a não embarcar 100% nas viagens do líder. É preciso embarcar, claro, comprar o projeto, se engajar verdadeiramente. Mas sempre com uma noção do todo, sempre vendo a coisa um pouco de cima, sem se deixar cegar. Sempre compreendendo que você não é o chefe. Que a sua lealdade a ele, a sua fidelidade, não deve representar um achatamento de si mesmo.</font></span></div><div><span class="765543901-15102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="765543901-15102009"><font face="Arial" size="2">É uma trava interessante para que você não corra o risco de ser aquele sujeito mais realista que o rei. Aquele partidário que entra numa louca cavalgada atrás do chefe tão obstinadamente que não percebe quando o chefe sai de lado, deixando-o sozinho no tropel em direção ao nonsense e ao fracasso. Nem todo chefe devolve na mesma moeda a lealdade que recebe de seus mais fiéis correligionários.</font></span></div><div><span class="765543901-15102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="765543901-15102009"><font face="Arial" size="2">Agora que não tenho mais chefe, imaginei que isso tinha ficado para trás. Bobabem. Descobri, no mundo do empreendimento, uma versão interessantíssima desse tipo de enrosco. Dá para adaptar a pergunta com que abri esse post da seguinte forma: quantas vezes você já perdeu um cliente por fazer exatamente aquilo que ele encomendou? E aí, como lidar com isso? Cartas para a redação!</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Post de sexta [ Spam da semana ]]]></title>

<pubDate>Sex, 16 Out 2009 18:44:55 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091016_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p><font face="times new roman,times,serif">Coitada da Helena, querida e ingênua leitora aqui do blog. Olha só o que enviaram para ela e que ela caridosamente me enviou para conhecimento de todos. (Vai que tem um interessado, né?)</font></p><p><font face="times new roman,times,serif"><font color="#000000">Apresentaram à Helena a solução perfeita, natural, sem medicamentos nem cirurgias, para aumentar seu pênis em até 8 cm, para controlar o seu chatérrimo problema de ejaculação precoce, para obter ereções mais firmes e longas, além de corrigir aquela sua estranhíssima curvatura peniana.</font></font></p><p><font face="times new roman,times,serif">O pequeno detalhe (que não se resolve nem se o aumentarmos em 8 cm) é que a Helena não possui um pênis. Então não dá para esticá-lo. Pelo mesmo motivo, não dá para corrigir a eventual tortuosidade do dito cujo. Helena também, miseravelmente, não tem como ejacular melhor nem como controlar a rigidez de suas ereções. Porque ela simplesmente não ejacula nem tem ereções. Sendo uma mulher, tem coisa melhor a fazer. Tem coisas mais importantes para se preocupar. Pobre Helena.</font></p><p><font face="times new roman,times,serif">Amigos, eis uma pérola do spam. E, mais do que isso, uma aberração do database marketing.</font></p><p><font face="times new roman,times,serif">Hay que tener.</font></p><p><font face="times new roman,times,serif">Até segunda.</font></p><p><font face="times new roman,times,serif">(ps. Se alguém aí souber de uma boa solução para <em>reduzir</em> o pênis em 8 cm, favor me enviar. Não aguento mais isso.)</font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Que tal demitir seu chefe?]]></title>

<pubDate>Qua, 14 Out 2009 23:17:04 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091014_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="750433801-15102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750433801-15102009">Me permita ir direto ao ponto: seu chefe é a única coisa que realmente importa. Você não trabalha numa empresa, você trabalha para alguém. Seu chefe tem o poder de transformar a sua vida num paraíso ou num inferno. A empresa é uma abstração. Seu chefe é uma realidade concreta. Um bom chefe oferece a você as melhores condições de trabalho numa empresa energúmena. Um mau chefe faz o seu dia a dia ser um passeio ao purgatório mesmo nas companhias mais afamadas por sua cultura e seu ambiente de trabalho.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750433801-15102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750433801-15102009">Portanto, meu amigo, minha amiga, escolha muito bem o seu chefe. Essa é a grande decisão a ser tomada. Somente depois pense no projeto que lhe está sendo oferecido, na empresa em questão, no tanto de grana que vão lhe pagar, nas tais perspectivas de crescimento. Não se engane: nada importa tanto quanto escolher bem o chefe. Ele será seu melhor amigo ou seu pior inimigo. Com ele a favor, você gozará de todas as benesses do ambiente de trabalho. Com ele contra, você não sairá do lugar, será isolado, se sentirá inútil, aos poucos vai ficar invisível, irrelevante, infeliz, até se tornar um ex-integrante do time, por vontade própria ou não.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750433801-15102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750433801-15102009">Eis o que quero dizer: </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="750433801-15102009">não perca um mês da sua carreira com um chefe ruim. Ninguém está livre de topar com um ao longo da carreira. Ao menor sinal de um mau chefe, caia fora. Há muitas versões para explicar o que é um bom chefe. Todo mundo sabe de cor o que é um chefe ruim. Tenha certeza disso: a vida é muita curta, e a carreira mais ainda, para perder tempo e energia com um superior de qualidade inferior.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Olhe bem para os lados]]></title>

<pubDate>Ter, 13 Out 2009 09:13:48 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091013_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="453135103-08102009">Há uma força importantíssima no mundo das corporações que você simplesmente não pode ignorar: o poder dos pares. Você está correto se seu foco de preocupação for o layer de cima, se sua estratégia for costurar alianças com seus chefes e com os chefes de seus chefes. Você também está correto se seu foco de preocupação for o time que se reporta a você, se sua estratégia for ganhar a confiança e o respeito dos seus colaboradores e dos colaboradores de seus colaboradores. De um lado, você estará garantindo a simpatia dos diretores, da alta gerência, dos acionistas talvez. Enfim: de gente com poder para promovê-lo ou para demiti-lo. De outro lado, você estará garantindo, pela conquista da simpatia da base, que a voz rouca dos corredores sussurre coisas boas a seu respeito. Esse tipo de informação é tida como espontânea e sempre chaga ao seu destino.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="453135103-08102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="453135103-08102009">Mas você está completamente equivocado se ignorar quem atua ao seu lado. Seus pares são um público crucial para o bom desenvolvimento da sua carreira. A voz deles não é rouca nem ecoa pelos corredores: ela é afiada, ferina, não importa se direta ou dissimulada, e habita salas de reuniões decisivas e gabinetes bem dotados de poder. Seus pares fazem o grande jogo político da corporação: levam informação de cima para baixo e de baixo para cima, editando, evidentemente, essa informação de acordo com seus interesses. Seus pares conchavam para os lados. E se sentem ameaçados por quem não conchava com eles. É simples: ou você é visto com aliado ou será visto como inimigo. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="453135103-08102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="453135103-08102009">Há quem ignore os pares. Ou porque sente-se muito bem conectado acima. Ou muito bem apoiado abaixo. Ou porque não tem a habilidade política para estabelecer um pacto de voa vizinhança com um adversário (e pares são sempre adversários). Ou porque não tem o charme suficiente para transformar um detrator num fã, um crítico num admirador. Esses executivos vão sentir na pele as consequências dessa postura, em algum momento de suas carreiras. Talvez o caminho seja mostrar aos pares o quanto você pode ajudá-los, o quanto realizar seus objetivos pode ser útil a que eles realizem os deles. Eis a vida como ela é.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="453135103-08102009"> </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="453135103-08102009">Enfim, o recado aqui é: conquiste seus pares. Ou contente-se em enfrentar, mais cedo ou mais tarde, a Sibéria corporativa. Ou coisa pior.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[[ Off-topic ] O campeonato que ninguém quer ganhar]]></title>

<pubDate>Seg, 12 Out 2009 23:13:50 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091012_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Ok, ok, isto não tem nada a ver com a nossa conversa habitual. Mas é simplesmente uma grande descoberta que acabo de fazer e que preciso partilhar. Prometo um post oficial ainda hoje. Mas realmente precisava postar isso.</p><p>Preenchi um <a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/Simulador/0,,TAI0-9827,00.html">simulador</a> de resultados do Brasileirão, este campeonato que até aqui ainda não apresentou o seu campeão, que nenhum time parece querer ganhar de verdade, e descobri, para meu alívio e para minha alegria, que meu time, o Inter, vai finalmente sair campeão. Tira o título do Palmeiras (que poderia tê-lo ganho ontem) por um triz. São Paulo entra em terceiro e Cruzeiro pega Libertadores. Botafogo, Santo André, Sport e Fluminense caem.</p><p>Anotem aí e me cobrem. Vejamos se eu sou o Rei do Bolão ou se não entendo nada de futebol e deveria, ao contrário de Mario Henrique Simonsen e Beluzzo, me ater ao temas ligados ao mundo dos negócios. </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Gente com sono]]></title>

<pubDate>Sex, 09 Out 2009 10:01:53 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091009_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009">Tenho encontrado alguns sonâmbulos em minhas andanças pelo mercado. E olha que atuo no mercado da mídia, da comunicação, das agências de publicidade, das redações. Lugares onde, em tese, o ritmo é frenético, os projetos são sempre para ontem, todo mundo é uma antena criativa, ninguém tem hora para sair. Mais: é um mercado que vive profunda crise de paradigmas e de identidade. As placas tectônicas estão se mexendo e mudando todo o arranjo de forças estabelecido entre anunciantes, agências e veículos, entre os meios eletrônico, impresso e digital, entre o editorial, o comercial e o financeiro. (Acho até que vale uma discussão específica sobre isso. Estou nesta trincheira há um ano. Pauta para uma semana inteira de posts. Diga aí se interessa, por favor, ou se é um tema muito nichado.) De todo modo, o que estava estabelecido está rachando e o novo ainda está longe de se estabelecer completamente. Então, trata-se de um mercado em que todos deveriam estar de olhos bem abertos, com a atenção e a sensibilidade ligadas no máximo, como estratégia de sobrevivência.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009">Esse mercado vive outra crise, em paralelo: a revolução tecnológica, que parece não parar mais de dar loopings sobre si mesma, afeta frontalmente o modo como as pessoas se conectam e se comunicam. Então a era da informação vai se estabelecendo e releiautando completamente a indústria do conteúdo, do conhecimento, da própria informação, onde atuo. As ferramentas que os profissionais dessa indústria precisam utilizam mudam com a mesma velocidade. Um mês de desatualização em 2009 equivale a um ano de desatualização na década de 90. E a 5 anos de desatualização na década de 80. As pessoas deveriam, mais uma vez, e redobradamente, no mercado onde atuo, estar atentas às oportunidades e aos despenhadeiros, com a mente absolutamente alerta. A última coisa que deveriam fazer é dormir. Qualquer poltrona confortável que induza ao sono não é uma boa opção profissional nesse momento. É portanto notável e surpreendente que tanta gente esteja ressonando em suas carreiras, em suas cadeiras, à frente dos negócios que gerem, em meio a tanta trepidação.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009">Esses dias cheguei para uma reunião e percebi que subia comigo no elevador a pessoa que eu estava vindo visitar. Era o primeiro compromisso da manhã e ela comentava com um colega que achava que tinha uma reunião marcada para aquele horário mas não tinha certeza, nem sabia com quem ou do que se tratava. E suspirava todo o seu enfado com aquela reunião e com aquele dia à sua frente, talvez com a própria vida que levava, talvez com ela mesma. Fiquei um pouco para trás para poupá-la, e a mim também, do constrangimento de me revelar ali, para ela, como o sujeito de quem ela desdenhava e esquecera e com quem ela se reuniria logo a seguir. Fiz a reunião mais entusiasmada e sucinta possível, caprichei na simpatia e no ânimo, apostando que assim talvez pudesse ligar a moça na tomada. Ela não mexeu as pálpebras sempre a meio pau nem emitiu mais do que uns muxoxos bovinos. Não riu das piadas nem atalhou rispidamente a reunião para que finalizássemos logo. Simplesmente agia de modo anestesiado, amortecido, catatônico.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009">Para mim, confesso, esse é o pior tipo de interlocutor. A rejeição é uma forma de energia que você pode tentar inverter. Mas a ausência de energia, de reação, de temperatura, é a certeza de que a terra está seca e que não há semente capaz de vingar ali.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953521703-09102009">Até terça!</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Post de sexta [ Spam da semana ]]]></title>

<pubDate>Sex, 09 Out 2009 08:59:57 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091009_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Amigo ingênuo, amiga ingênua. Como publico meu e-mail por aí afora, não páro de receber spans. De todo lugar do mundo, em várias línguas, com ofertas as mais diversas, as mais inacreditáveis, as mais impressionantes. Resolvi começar a dividir essa alegria com você às sextas. </p><p>Se você tiver bons spans para dividir, sinta-se à vontade de me enviar para publicação. A melhor contribuição da semana ganha uma dose de Tamiflu.</p><p>Hoje posto o e-mail não-solicitado que recebi da Amanda. Me oferecendo uma bermuda anti-celulite. Celulite, eu? Uma bermuda para ser usada com raios infravermelhos... longos. Uau. Ótima para prevenir varicoses e osteosporose. Nossa. Amanda me garante ainda que se eu comprar essa bermuda dos Jetsons ela ainda me envia um creme anti-estria. Estrias, eu?</p><p>Hay que tener.</p><p>Bom findi!</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O executivo deputado e o executivo realizador]]></title>

<pubDate>Qui, 08 Out 2009 00:55:52 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091008_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="140442123-01102009">Essa mesma amiga, com passagem por grandes corporações de vários matizes, dividiu comigo mais uma de suas reflexões, em um de nossos encontros, no final do ano passado, num discreto restaurante de shopping: ou você sobrevive pelas relações, pela política, ou você sobrevive pelo trabalho, pelo talento. Não há outra moeda de troca nas corporações. Ou você é bem conectado, está blindado porque alguém lá em cima gosta de você, ou você gera resultado e está blindado porque a linha de baixo depende de você. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140442123-01102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140442123-01102009">Eu concordo completamente com essa visão. Ainda que o mundo e o ser humano não se prestem a análises binários e nem possam ser expressos em contrastes simples entre A e B, porque a gente é feito mesmo é de zonas cinzentas, acho que essas são as duas grandes forças que convivem dentro das corporações, os dois grandes estilos que brigam todo dia pelo poder nas empresas. Pense se não é assim que as coisas funcionam no lugar onde você trabalha. Ou você tem as costas quentes, está conchavado, bem amarradinho para cima e para os lados, ou você é competente, brilhante, virador - e aí não precisa puxar o saco, nem ir a eventos indesejáveis só para fazer média, nem cometer atrocidades com os outros em nome da própria sobrevivência. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140442123-01102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140442123-01102009">É preciso entender bem qual é o meio corrente da empresa onde você trabalha. E mesmo em lugares onde os dois dinheiros circulam, é preciso compreender qual deles vale mais. Apenas considere que mesmo em ambientes extremamente políticos a incompetência técnica uma hora pode fazer descer uma espada no pescoço do executivo-deputado. E que mesmo em ambientes focados em resultados a falta de inteligência emocional e de tato nas relações pode resultar num punhal enfiado nas costas do sujeito, por mais talentoso que ele seja.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Coragem na hora do 'vamos ver']]></title>

<pubDate>Seg, 05 Out 2009 23:52:55 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091005_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[
<div><font face="Arial" size="2"><span class="343571923-01102009">Uma amiga me disse certa vez: você só testa seus valores em situações limite, em que não há terceira via, em que não há contemporização possível. É na situação de trade off irrecorrível, é na obrigação de uma escolha binária, entre A e B, que você descobre aquilo que realmente importa para você. Somente nesses momentos é que você enxerga com clareza o que é essencial e o que é dispensável em sua vida, na sua escala de valores. Ou ainda: que você descobre quais das suas prioridades são de fato prioritárias.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343571923-01102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343571923-01102009">No caso dela, viu-se um belo dia na situação de ter que escolher entre uma carreira global e um projeto de maternidade. Ela era e é um avião. (Em mais de um sentido, eu até arriscaria dizer.) Uma executivona que foi encarreirando sucessos, pulando de empresa em empresa angariando cada vez mais reputação e visibilidade, até que se viu numa multinacional prestes a assumir uma posição global, como head de uma área estratégica, em que teria que viver basicamente na poltrona da classe executiva de um (outro) avião. Ela tinha 30 e muitos anos, o relojinho biológico da maternidade estava batendo forte, e ela teve que parar e repensar sua espetacular cavalgada corporativa.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343571923-01102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343571923-01102009">Escolheu, não sem dor, que seria mãe. Hoje tem dois filhos e desde então tem trabalhado com 70%, 80% da capacidade instalada, em cargos de direção menores do que a sua experiência e a sua estatura, em empresas locais. Agora há pouco, decidiu abrir a própria consultoria. Perdemos um pouco o contato mas imagino que esteja bem. Trata-se daqueles talentos que nunca ficam à margem - nem quando querem. Em nossa conversa, ela não escondeu a dureza daquela decisão. Ali era ela contra ela, numa disputa livre até o nocaute. E ali ela tinha uma adversária à altura. Era um desejo seu contra outro desejo seu. Ela também não escondeu o olhar comprido que ainda jogava para o encarreiramento que havia recusado, para o mundo ao qual havia dados as costas. Era feliz. Não apenas por sua escolha mas pelo fato de ter tido a coragem de abrir mão de tanta coisa em nome daquela escolha. O que não impedia que ficasse imaginando, na mesa do restaurante, no intervalo breve e silencioso entre a refeição e o cafezinho, em como estaria sua vida se tivesse feito a opção contrária.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343571923-01102009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343571923-01102009">Eu sempre penso nas situações limite que encontrei pela vida e nas decisões que tomei e que testaram meus valores. Várias delas me dão orgulho. Algumas, não.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma pequena agenda para o Rio 2016]]></title>

<pubDate>Sex, 02 Out 2009 23:06:32 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20091002_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Parabéns, Rio!</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">É bacana saber que o mundo nos escolheu para receber a festa olímpica. Acho que é esse sentimento de termos sido os eleitos, os preferidos entre outros pretendentes, de termos recebido um sim enquanto outros receberam um não, o que talvez explique tanto arroubo e choro coletivo e comoção em gabinetes e em praia pública em relação a essa vitória. Trata-se de um baita agrado à nossa alma vira-lata, aos nossos eternos e históricos complexos de inferioridade, à nossa carência por admiração e por reconhecimento dos outros países. (Em especial, dos mais ricos.) Não tenho dúvida de por que políticos e empreiteiros estão comemorando tanto. Com relação ao cidadão comum, só consigo explicar dessa forma.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Ainda não ganhamos nada com a vinda da Olimpíada para o Rio. Aliás, é provável que tenhamos mais a perder do que a ganhar com uma Olimpíada por aqui. Nesse ponto, amigos, sinto dizer, tenho grande empatia por Chicago, cuja população praticamente recusou os Jogos. Deixaram claro que preferiam o dinheiro sendo investido de outro modo. Por aqui, num piscar de olhos, ou até mais rápido do que isso, supostas benesses podem se transformar em grossos prejuízos. Daqueles difíceis de enxergar e que achacam, como é de praxe, o erário público. Ou seja: o seu bolso e o meu. O Pan de 2007, no mesmo Rio de Janeiro, teve muita, mas muita coisa mesmo mal explicada. Nossos superfaturamentos de sempre, nossas propinas e comissões e jabaculês contumazes, nossos elefantes brancos e nossos poços sem fundo encontram um ambiente perfeito para proliferar em uma festa que é vendida como desejo nacional, como projeto coletivo do país, como um benefício incontestável que todos precisam aplaudir em uníssono.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Grande parte da imprensa fica cega pelo orgulho e pelo ufanismo. Inclusive porque os grandes veículos, de modo geral, viram sócios importantes do faturamento gerado por esse tipo de evento. Então as coberturas jornalísticas com coragem para colocar um guizo de racionalidade e fiscalização no pescoço do oba oba geral são tão raras quanto medalhas de ouro brasileiras. De todo modo, os Jogos virão. Dois anos depois da farra da Copa do Mundo no Brasil. (Quantos indivíduos entrarão 2017 com burras cheias até a terceira geração da família?) Penso aqui em alguns detalhes sine qua non que precisarão ser resolvidos para que o Rio 2016 não se transforme num vexame mundial, numa vergonha histórica:</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>1. Reintegração das favelas à municipalidade</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">São centenas de comunidades e milhões de pessoas que vivem à margem da sociedade no Rio. São várias cidades sem lei dentro da cidade. É preciso reencampar esses lugares e essas pessoas. Por meio de segurança, educação, saúde, transporte dignos. Enfim, há que levar o Estado e serviços públicos de qualidade até as favelas. (Ainda que fora delas eles também não existam como precisamos e gostaríamos.) É preciso transformar as favelas em bairros.</font> <font face="Arial" size="2">Rocinha e Vidigal e traficantes e comandos disso e daquilo e tiroteios sob à luz do dia não combinam de jeito nenhum com famílias de suecos passeando com bermudas e máquinas filmadoras pela cidade sede das Olimpíadas.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>2. Melhoria da qualidade dos serviços</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Os bons restaurantes no Rio são pouquíssimos. E já vivem lotados. Como dar conta de uma demanda multiplicada várias vezes e que chegará por aqui com padrão e demandas de Primeiro Mundo? Pense apenas nos garçons grosseiros e monoglotas, para começar... E os hotéis do Rio, acredite, são de modo geral velhos e caros. Será preciso melhorar muito.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>3. Aeroportos</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Conseguiremos eliminar aquelas tristes filas de estrangeiros nos sonolentos guichês da Polícia Federal? Fora o risco de um apagão aéreo conjuntural, com vôos atrasados, aviões sobrevoando horas a cidade sem autorização para pousar, aviões lotados parados na pista esperando a vez de decolar etc.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>4. Combate à cultura do achaque ao turista</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Táxis passeando com turistas desinformados, dirigidos por tipos ameaçadoras, que mal falam o português oficial. Vendedores de rua que praticamente agridem o passante. Lojas que praticam preços diferenciados, que sonegam a nota, que mexem no troco dos incautos. O hábito de muitos cariocas de dividir o mundo entre malandros e otários pode causar danos infinitos à imagem do país. E não há como nem para quem reclamar. Boa parte dos locais é conivente com o achaque.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>5. Segurança pública</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Policiamento ostensivo e ao mesmo tempo acolhedor, que fique do lado do cidadão, que se paute por fazer a lei ser cumprida por todos, sem exceção, que não aceite suborno, que opere com educação, civilidade e imparcialidade. Há quantos milhares de anos luz as nossas polícias, ou as polícias do Rio, estão dessa realidade? Nós vivemos uma guerra civil. Com balas perdidas e vítimas colaterais, com milícias, com grupos armados, com esquadrões da morte, com munição pesada, com milhares de mortes civis todo ano. Uma parte dos Jogos de 2016 vai acontecer numa área conflagrada, tanto quanto Afeganistão ou Nigéria.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>6. Sistema público de transporte</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Metrô de verdade, com uma malha relevante, que ofereça uma experiência de transporte rápida, limpa, barata e segura. Interligado com um sistema de ônibus novos, refrigerados e igualmente limpos e seguros. (E ainda estacionamentos fartos que comportem quem decidir alugar o próprio carro. Imagine um suíço ou uma canadense sendo disputados literalmente a tapa pelos flanelinhas que se apropriam das ruas e que vivem de praticar a extorsão livremente?)</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>7. Limpeza das praias</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Hoje é vergonhoso. Dá nojo sentar na areia, entrar na água. A praia no Rio acaba sendo um engodo: é uma figura de cartão postal que não se pode desfrutar na vida real.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>8. Controle e transparência das concorrências e do custo das obras para o evento</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Claro, claro. E essa comissão, que vai quebrar a caixa preta, que vai publicar tudo na internet e que vai impedir que a fatura termine quatro ou cinco vezes maior do que o orçado inicialmente, será presidida pelo Saci Pererê com ajuda da Iara Mãe D'água e do Boitatá.</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>9. Uma organização eficiente</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Depois dos Jogos da China, o patamar do que se espera em termos estéticos, de eficácia e de experiência para visitantes e telespectadores, aumentou. Os Jogos são cada vez mais um show com obrigação de ser, no mínimo, espetacular. São cada vez mais uma ação de branding, de marketing que o país faz de si mesmo. Conseguiremos organizar nossos talentos, nossas iniciativas e nossos esforços para mostrar ao mundo que temos competência suficiente para arrebentar num evento dessa magnitude?</font></span></div><div><span class="906462600-03102009"></span><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong></strong></font></span> </div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2"><strong>10. Uma equipe olímpica competitiva</strong></font></span></div><div><span class="906462600-03102009"><font face="Arial" size="2">Dá tempo de fomentarmos mais e melhores atletas, que nos garantam, ao menos, ficar entre os 10 países com mais medalhas? Ou vamos tomar outro couro, só que dessa vez diante de nossa própria torcida?  E se é possível criar essa realidade em 7 anos, e se os Jogos são mesmo uma vitrine importante para o país, por que diabos já não fizemos isso há muito tempo?</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A grande migração dos empreendedores]]></title>

<pubDate>Qua, 30 Set 2009 15:56:36 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090930_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2">Há uns meses perguntei a uma amiga empreendedora, que já lançou vários produtos, que já faliu algumas vezes, que já fundou mais de uma empresa, se não sentia saudade do mundo corporativo, por onde havia passado bem no iniciozinho de sua carreira. Perguntei se não sentia vontade de ter uma vida mais estruturada, mais tranquila em certo aspecto, depois de tantos anos na trincheira do empreendedorismo, com tantos altos e baixos, tantos picos e vales. Ela sorriu e me disse: &quot;conhecendo esse meu jeito, quanto tempo você acha que eu ia durar dentro de uma empresa?&quot; Eu achei aquela uma declaração para lá de interessante. Será que existem mesmo dois DNAs de gente nesse mundo, quem nasceu para ser executivo, para gerir o que já foi criado, e quem nasceu para ser empreendedor, para viver de correr riscos e criar novos negócios onde antes não havia nada?</font></span></div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2">Por esses dias, estive com um baita executivo. Que está saindo de uma baita companhia, onde foi diretor de marketing por quase uma década. Um cara com perfil empreendedor, que vive pela inovação, para criar, buscando jeitos novos e melhores de fazer as coisas. Ele me disse coisas interessantíssimas.</font></span></div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2">- O que mais lhe incomoda são as amarras corporativas. São os comitês, as reuniões, as necessidades de amarração, consenso e validação numa grande empresa. As coisas são decididas pela média e não pela ponta. A solução é sempre a mais política, a mais &quot;segura&quot;, a que melhor se encaixa diante dos interesses (não raro conflitantes) de todos os departamentos envolvidos. A solução nem sempre é, portanto, a melhor. Às vezes sequer é a menos pior.</font></span></div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2">- O teto é baixo. &quot;Na vida corporativa, você tem um espaço para atuar que é definido pelo tanto de talento e competência que a companhia acha que você tem&quot;. Ou seja: enquanto aqui fora, no mundo cão, o céu é o limite se você for bom e souber fazer, lá dentro, no relativo conforto das cadeiras altas, você tem uma jurisdição que é definida à sua revelia e que é sempre limitante para quem tem ambições maiores.</font></span></div><div><span class="359490518-30092009"></span> </div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2">- Aversão ao risco. As grandes empresas são mantenedoras. Tem um modelo de negócios que é ou foi vitorioso, operam num paradigma que é ou foi seguro, e fazem o que podem para não mudar, para permanecer exatamente onde sempre estiveram. Só que num mundo veloz, em que ficar parado significa caminhar para trás, angustia aos criadores essa ausência de permissão para tentar e testar novos modelos. Muitas vezes defender o sucesso de ontem e até mesmo de hoje, por mais lógico que isso seja, pode implicar a destruição do sucesso futuro.</font></span></div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2">Por tudo isso, ele me disse que estava muito cansado, desestimulado. Que estava ruim acordar todo dia e vir trabalhar. Que as segundas-feiras eram um suplício. Que eram poucos os desafios do seu dia a dia que ainda lhe davam prazer. Ao fim do papo, ele me disse que via no caminho do empreendimento uma cenoura definitiva: a real geração de valor. &quot;Você pode deixar um negócio para os seus filhos, ainda que nem tenha sido assim tão bem sucedido assim à frente dele. Você não pode deixar um carreira executiva como herança, por mais bem sucedido que você tenha sido com ela&quot;.</font></span></div><div><span class="359490518-30092009"><font face="Arial" size="2"><br />Torço muito por ele.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Sua corporação é control freak?]]></title>

<pubDate>Ter, 29 Set 2009 09:48:25 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090929_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="515350519-31072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="515350519-31072009"><span class="062415014-28092009"><font face="Arial"><font size="2">No fundo, discutir dress code num mundo tão plural e multifacetado quanto este em que imaginamos viver soa um <span class="546215011-29092009">bocado</span> como contrasenso. O <span class="546215011-29092009">próprio </span>fato de haver <span class="546215011-29092009">um </span>dress code nas empresas demonstra <span class="546215011-29092009">o quanto o mundo corporativo ainda se espelha na gestão do Exército, com suas patentes, hierarquias e uniformes. Ao unificar o modo de vestir de seus funcionários, ao estabelecer um padrão, a empresa busca controle. Trata-se de uma relação de poder. É como se a corporação entrasse na loja para escolher a roupa de seus colaboradores e abrisse com eles o guardarroupa pela manhã para escolher o traje com que vão se apresentar ao regimento. A sanha de ver todo mundo igualzinho, com a mesma insígnia no braço, marchando no mesmo passo, com o cabelo cortado do mesmo jeito me lembra uns certos filmes do período 1939/1945.</span></font></font></span></span></div><div><span class="515350519-31072009"><font size="2"><span class="062415014-28092009"><span class="546215011-29092009"></span></span></font></span> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="515350519-31072009"><span class="062415014-28092009"><span class="546215011-29092009">Ao uniformizar as roupas, ao controlar o look de seus funcionários, a empresa fica a apenas um passo de uniformizar também o pensamento da tropa, de controlar as idéias, as falas e os gestos de seus colaboradores. E esse é um passo que as empresas control freak geralmente dão. Causa terror aos gestores de ambientes assim qualquer diferença, qualquer novidade. São lugares com uma repulsa visceral à inovação, a respensar o estabelecido, a questionar os paradigmas. Como resultado, em empresas assim todo mundo se veste igual, age igual, pensa igual</span></span></span><span class="515350519-31072009">.<span class="546215011-29092009"> Qualquer desvio de rumo (ainda que isso possa representar a salvação da lavoura), qualquer desterritorialização (que poderia levar os negócios a um patamar superior de resultados) são vistos como insultos, como traição, como erro e insubordinação.</span></span></font></font></div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="515350519-31072009"><span class="546215011-29092009"></span></span></font></font> </div><div><font size="+0"><span class="515350519-31072009"><font face="Arial"><font size="2">Talvez a maioria das empresas ainda<span class="546215011-29092009"> opere desta maneira</span>. <span class="546215011-29092009">Incluindo aquelas que são muito modernas em sua comunicação, no seu marketing (graças, em grande parte, à atuação daqueles meninos com cabelo verde e unhas pintadas de preto da agência de publicidade...) mas grandemente conservadoras no jeito de gerenciar seus talentos internamente.</span> O que me parece altamente contraditório.<span class="546215011-29092009"> </span>De um lado, <span class="546215011-29092009">faz parte do discurso de quase toda empresa a </span>cobra<span class="546215011-29092009">nça por</span> criatividade <span class="546215011-29092009">em </span>resolver problemas, <span class="546215011-29092009">a </span>demanda<span class="546215011-29092009"> por </span>pensa<span class="546215011-29092009">r </span>fora da caixa<span class="546215011-29092009">, a corrida para não ser envelhecido pelos breakthroughs da concorrência</span><span class="546215011-29092009">.</span> <span class="546215011-29092009">O</span>u seja,<span class="546215011-29092009"> ao menos no discurso, as companhias</span> querem gente brilhante, sonham com um plantel com jeito de Vale do Silício. De outro lado, <span class="546215011-29092009">essas mesmas organizações </span>coibem a<span class="546215011-29092009">s</span> diferença<span class="546215011-29092009">s</span> individua<span class="546215011-29092009">is</span> na<span class="546215011-29092009"> sua expressão </span>mais básic<span class="546215011-29092009">a</span>: a roupa que o sujeito escolhe vestir.<span class="546215011-29092009"> E esse, ao contrário do que possa parecer, não é um detalhe bobo.</span><span class="062415014-28092009"> Roupa é uma linguagem. É uma expressão muito própria do humor, do espírito, do background, das particularidades do sujeito. <span class="546215011-29092009">Roupa é, ou deveria ser, um direito individual inalienável. Aquela plaquinha no elevador, alertando contra a discriminação, deveria incluir o &quot;vestuário&quot; como um item a mais a ser defendido do preconceito.</span></span></font></font></span></font></div><div><font size="+0"><span class="515350519-31072009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="062415014-28092009"><span class="546215011-29092009"></span></span></font></font></span></font> </div><div><font size="+0"><span class="515350519-31072009"><font size="+0"><span class="062415014-28092009"><span class="546215011-29092009"></span><font face="Arial"><font size="2">Ao tornar todos iguais, <span class="546215011-29092009">a empresa </span>está ceifando individualidades.<span class="546215011-29092009"> Com essa regra de liquefazer no atacado aquilo que torna cada um cada um, trocando a riqueza das diferenças por uma geléia geral insossa, no entanto, c</span>omo pensar fora da caixa? <span class="546215011-29092009">A padronização, que funcionava tão bem num mundo que valorizava a repetição de tarefas, o cartão-ponto, e em que as contribuições individuais atrapalhavam os processos estabelecidos, já não serve mais. Pior: joga contra para caramba nessa nova realidade em que é preciso descontrolar, descentralizar, em que os processos dependem dos indivíduos para serem aperfeiçoados e irem adiante. Só que p</span>ara ter um time com cara de Vale Silício é preciso permitir a bermuda, a sandália, a bicicleta, a camiseta, a barba enorme, <span class="546215011-29092009">o horário flexível, o trabalho por projetos, </span>o cabelo desgrenhado,<span class="546215011-29092009"> a tatuagem</span> e outras mumunhas mais.<span class="546215011-29092009"> Você está preparado?</span></font></font></span></font></span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quantos sapatos vermelhos há em sua empresa?]]></title>

<pubDate>Seg, 28 Set 2009 13:12:59 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090928_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009">Depois de um fim de- semana delicioso, com dias gloriosos em São Paulo, com direito a torrão ganho na mesa do clube tomando uma cerveja honesta, essa segunda feira demorou a engatar para mim. Nostalgia da doce liberdade infantil de não ter o que fazer que regeu minha vida no sábado e no domingo. Paz de espírito. Que gosto bom, que insumo fundamental. O findi só não foi melhor porque sou colorado e não palmeirense. Mas, olha, não é sobre isso que eu vou escrever hoje. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009">Movimentos interessantes da blogosfera, onde eu aos poucos vou me ambientando como pessoa física e como pessoa jurídica. Com a polêmica da Vovó Havaianas, que sustentei aqui, meu <a href="http://twitter.com/adrianosilva29">Twitter</a> dobrou de tamanho em pouco mais de dois dias. É notável como o Manual ajuda o Twitter e vice-versa. Estou com cerca de 350 seguidores, pouco mais de um mês depois de ter ativado o perfil. É uma baita honra. Nada perto do 1 milhão de seguidores do <a href="http://twitter.com/huckluciano">Luciano Huck</a>. Ou de <a href="http://twitter.com/rafinhabastos">Rafinha Bastos</a> e <a href="http://twitter.com/DaniloGentili">Danilo Gentilli</a>, os humoristas da nova safra, que juntos têm mais audiência do que a segunda maior revista semanal do país. Mas fico feliz com a chegada dessas quase quatro centenas de malucos no <a href="http://twitter.com/adrianosilva29">@adrianosilva29</a>. Agora é tratar de tratá-los bem. É igualmente notável como uma polêmica ensurdecedora pode acontecer apenas no meio digital, como o fogo das idéias pode se espalhar por blogs e redes sociais, sem necessidade de combustível, suporte ou endosso do mundo offline para ocorrer. Mas, olha, também não era sobre isso que eu queria escrever.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009">Hoje gostaria de trocar uma idéia sobre dressing code. Minha tese é a seguinte: quanto mais em dia você está com as suas obrigações, quanto melhores forem os resultados que você está gerando, menos atenção você precisar dar ao dressing code. Ao menos em empresas onde há alguma flexibilidade em relação a como vestir. Eu trabalhei em lugares assim: relativamente informais, regidos por uma idéia de criatividade e inovação. Que permitiam, enfim, ao sujeito, ainda que de vez em quando, se desviar um pouco da linha mestra no que se refere ao vestir. (A linha mestra é sempre dada pelo presidente, pela alta direção.) O contrário também é verdadeiro: quando mais o sujeito estiver devendo, quando mais atrás ele estiver com suas responsabilidades, menos liberdade ele terá para ser ele mesmo na empresa. A começar pela sua vestimenta.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009">O vendedor que estiver 150% acima da meta pode usar sapato vermelho. Ele está sobrando naquilo que realmente interessa. Blindou-se contra discussões menores. Ninguém vai criticá-lo por deixar crescer um cavanhaque estiloso. Ou por usar um anel bacanudo no... dedão. Suas peculiaridades passarão a ser vistas como extravagâncias, como expressões bem-vindas de individualidade e bom gosto, e não como insubordinação, imaturidade, provocação ou ruptura unilateral com a cultura da empresa. Já o gerente que estiver com apenas 50% da meta cumprida terá que usar mocassim preto, calça azul marinho, camisa branca, paletó cinza, cabelo militar, qualquer coisa que lhe torne o menos visível possível na empresa. A roupa comportadinha, na média da média, terá função de camuflar aquele sujeito entre todos os outros - porque não interessará a ele, naquele momento, demarcar as suas diferenças em relação ao grupo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515350519-31072009">Ou seja: quanto mais sapatos vermelhos houver em sua empresa, melhor. Preocupe-se não com a presença deles, mas com a sua ausência. Seu objeto de preocupação deverá ser o excesso de fatiotas, que estarão escondendo alguma coisa. Que estarão representando gente que não quer se expor, nem se mostrar, nem ser notada, nem chamar a responsabilidade para si. As fatiotas, outrora sinônimo de decência e retidão, serão cada vez mais ícones de gente ordeira, moderada, pacata, tarefeira. Gente que não faz mais a diferença, gente que só quer ser mais um. Nesse ambiente, faltarão pessoas dispostas a perguntar se as coisas poderiam ser feitas mais criativamente, de maneira mais rápida, mais barata, melhor. Procure por esse tipo de gente em cima dos sapatos vermelhos. Por isso é preciso incentivar, festejar, fomentar os sapatos vermelhos. Porque é deles que virão, provavelmente, as melhores idéias. Porque eles é que estarão dispostos a correr o risco de inventar o novo. Sem o qual todos estaremos mortos.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O Tio Sukita versus a Vovó Havaianas]]></title>

<pubDate>Sex, 25 Set 2009 10:01:15 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090925_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">Minha tese é de que a polêmica gerada pelo comercial de Havaianas, no fundo, era essa: o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=twBauZ4GOWE">Tio Sukita</a>, o coroa que arrasta a asa para cima das menininhas, pode. A Vovó Havaianas, que afinal reconhece no galã que entra no restaurante um bom candidato a uns beijos e a uns amassos (para sua neta, não para ela!), independente de o mocinho ser para casar ou não, não pode. Velhinhas assim devem ser banidas. A começar, de nossas sacrossantas telas de TV, onde só devia passar a entusiasmante Missa do Galo e exorcismos evangélicos bem coreografados.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">As famílias com mais problemas de falar abertamente sobre sexo sentiram o comercial como um tapa na cara. Imagine o núcleo familiar, na sala de TV, com um milhão de tabus gerando silêncios pétreos entre as pessoas, com um pai e uma mãe repressores, autorreprimidos e frustrados, filhos mudos e neuróticos, e uma avó que finge cada dia mais ser e ter sido tão assexuada quanto a Virgem Maria (nessas famílias, não sei por que, o avô sempre morre antes. Talvez de tédio ou de raiva). De repente, aparece na tela uma vovozinha mostrando cumplicidade, proximidade, simpatia e empatia com a neta. Isso é uma ofensa mortal. Tem que estar errado. Temos que apedrejar. Porque se estiver certo, vamos nos enxergar feios demais no espelho. E ninguém suporta se reconhecer assim. Então o caminho é destruir as diferenças que evidenciam, por constraste, nossa própria tosquice.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">Postei isso ontem e a discussão pegou fogo. Que bom. No calor da contenda, surgiu uma outra tese: o problema não seria a libido das mulheres maduras, mas a idéia do sexo livre, o incentivo ao sexo fora do casamento, a apologia do sexo sem compromisso. As moças, que, claro, nunca pensaram nisso, que nunca praticaram nada disso, seriam hipnotizadas pela herética mensagem implícita no comercial da Almap e sairiam por aí como zumbis sexuais atacando galãs inocentes, aplicando-lhes belíssimos pegas e vem-cá-meu-bem, ao invés de se guardarem para garantir um altar no final da história. (Talvez a angústia de alguns pais seja o fato de que sem casamento as filhas não sairão das suas casas e das suas guardas. Na cabeça deles, liberado o test-drive, os rapazes não precisariam mais comprar o carro depois de dirigi-lo.) Enfim: o filme de Havaianas seria uma tremenda má influência e estaria espalhando a corrupção, a dissolução moral pela juventude brasileira.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">É assim que a cruzada conservadora se justificou aqui no blog: mudando o foco da caça às bruxas - das feiticeiras mais velhas para as mais jovens. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">A perseguição, no entanto, continua a mesma: às mulheres e ao direito delas ao sexo, a disporem do seu próprio corpo para o prazer. Não por acaso, a<font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">o menos aqui nesse foro (até aqui o placar é 32 a 2 para quem está incomodado, como eu, com a chinelagem que aprontaram para cima do comercial), foram os homens que levantaram as bandeiras mais reacionárias. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">Isso reforça meu ponto: toda essa reação desproporcional ao filme de Havaianas é, no fundo, uma questão de gênero. Uma intolerância masculina. Há homens (criados por mulheres, lembremos sempre disso) que não suportam ver mulheres sexualmente ativas, interessadas, com a libido acesa. Sejam elas mulheres mais velhas (porque tem muita idade), sejam mulheres mais novas (porque tem pouca idade), seja qualquer mulher - porque mulher que se preza tem que desgostar de sexo e tomá-lo apenas como uma obrigação de esposa, como uma necessidade dos seus maridos que elas têm de satisfazer. Qualquer outra postura é coisa de rameira. (Essa palavra, inclusive, que eu só conhecia dos irônicos folhetins de Dias Gomes, apareceu aqui dita à vera.)</span></font></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"></span></font></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">Essa discussão toda às barbas de 2010 tem um quê de absurdo. Sexo livre, francamente, é uma questão da geração da minha mãe. Um tópico antiquíssimo e, hoje, antiquado. Tanto quanto discutir o biquíni, a pílula anticoncepcional ou a censura a <a href="http://www.imdb.com/title/tt0070849/">O Último Tango em Paris</a>. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">A decisão sobre como, onde, quando e com quem usar a própria genitália já migrou há décadas para o foro privado: cada um sobre o quem tem entre as pernas, dentro do peito, na cabeça. </span></font></div></span></font></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">É simplesmente ridículo que se pense que o comercial de chinelos vai provocar uma horda de menininhas invadindo restaurantes atrás de Cauãs Reymond para jornadas de sexo rápido e casual. Não porque isso não possa a vir acontecer. Mas porque isso já acontece! E há muitos anos. (Há uns 150 000 anos, talvez, desde a nossa querida <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luzia_(f%C3%B3ssil)">Luzia</a>, desde que descemos das árvores e descobrimos que a relva das savanas oferecia um suporte macio para a diversão sexual.) Talvez as meninas recusem o restaurante com a avó como ambiente de procura amorosa e prefiram bares, baladas, discos, danceterias, banheiros, terraços, elevadores, garagens, festas particulares, excursões do colégio, viagens com as amigas, a casa dos pais quando eles estão fora etc. Mas elas certamente estão ativas como sempre estiveram. E tendo a chance, de uns anos para cá, de assumir que gostam do esporte tanto quanto nós, homens. Esse é o fato e esse é o ponto: as mulheres são caçadoras hábeis e precisas no jogo sexual. Não raro, muito melhores conquistadoras do nós, machos. Enquanto elas fingem ser caça como estratégia de sedução e abate, os machos ficam se imaginando os únicos carnívoros do pedaço sem perceber (e sem se divertir com o fato) que são presas, que são devorados, que são docemente abusados pelas meninas. Isso assusta demais os homens. Isso tira-lhes aquilo que eles imaginam que seja uma exclusividade de gênero. Como que lhes tira a própria noção de masculinidade. Só que, gente do céu, esse ocaso do &quot;Me Tarzan, You Jane&quot; também é terrivelmente antigo. Fernando Gabeira escreveu <a href="http://www.permutalivre.com.br/146600/o-crepusculo-do-macho-fernando-gabeira-rio-grande-do-sul.html">O Crepúsculo do Macho</a> há quase 30 anos!</span></font></span></font><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">Alguém me diz que quando eu tiver uma filha vou entender. Eu tenho uma filha. E, honestamente, desejo a ela uma vida plena. Desejo que ela realize todos os seus desejos, os seus planos, as suas vontades - inclusive sexuais. Porque essa vida passa muito rápido e é preciso vivê-la. Vou ajudar em tudo que puder para que minha filha não engravide a contragosto, para que não contraia doenças, para que o sexo seja para ela sempre um exercício de alegria, de prazer, de autoestima, e jamais uma ferramenta de autodepreciação ou de desprazer de qualquer ordem. Não lhe desejo uma vida sexual frenética nem lhe desejo uma vida sexual parada: lhe desejo a vida sexual que ela quiser ter, do jeito que ela quiser ter, na medida exata daquilo que lhe fizer feliz. Porque qualquer outro desejo seria uma intromissão minha, dos meus parâmetros, do meu juízo, na vida dela. E eu estou me esforçando para criar uma pessoa autônoma, independente e realizada consigo mesma. Desejo, no máximo, que minha filha tenha mais leveza para curtir mais situações e mais pessoas vida afora do que eu consegui curtir, sob a sombra da Aids, nos caretés</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="984245503-25092009">imos anos 80. Ah, sim. Tenho um filho com a mesma idade dela. E lhe desejo rigorosamente as mesmas coisas. Sem tirar nem por.</span></font></div></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Tomamos uma baita chinelada]]></title>

<pubDate>Qua, 23 Set 2009 13:58:59 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090923_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p><font face="Arial"><font size="2"><span class="075314715-23092009">A história é a seguinte. Nesta </span>segunda<span class="075314715-23092009">, dia </span>21, <span class="075314715-23092009">foi ao ar um </span><a href="http://www.youtube.com/watch?v=WrRDsaVitIE&feature=channel">novo comercial</a> d<span class="075314715-23092009">os chinelos</span> Havaianas, protagonizado pela avó do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KxgTJMZo8Kg&feature=channel_page">filme anterior</a>, <span class="075314715-23092009">em </span>que<span class="075314715-23092009"> uma simpática senhorinha </span><span class="075314715-23092009">demonstrava ainda ter alguma libido numa conversa com a</span> neta.<span class="075314715-23092009"> Você lembra: </span></font></font><font face="Arial" size="2">a avó reclama que a neta está de Havaianas no restaurante<span class="075314715-23092009">. Chega o galã </span>Cauã Reymond<span class="075314715-23092009">. A avó</span> comenta <span class="075314715-23092009">com </span>a moça<span class="075314715-23092009">:</span> &quot;<span class="075314715-23092009">Você t</span>inha que arrumar um rapaz assim&quot;. A neta<span class="075314715-23092009"> responde: </span>&quot;<span class="075314715-23092009">Ah. d</span>eve ser muito chato casar com <span class="075314715-23092009">alguém </span>famoso&quot;<span class="075314715-23092009">. A </span>avó re<span class="075314715-23092009">truca</span>: &quot;Mas quem falou em casamento<span class="075314715-23092009">? E</span>stou falando em sexo<span class="075314715-23092009">!</span>&quot;<span class="075314715-23092009"> No novo comercial, a avó diz, com um notebook na mão: &quot;Algumas pessoas reclamaram da propaganda das novas Havaianas Fit. Em respeito a elas, Havaianas decidiu tirar o comercial da TV. Por outro lado, algumas pessoas adoraram a propaganda. Em respeito a elas, Havaianas decidiu manter o comercial na internet. Democrático, né? Se você quiser assistir o comercial, entre no site. Viu como eu sou moderninha?&quot;</span></font></p><p><font size="+0"><font face="Arial" size="2"><span class="075314715-23092009">O anunciante e a agência tiraram o comercial original do ar devido a reclamações de telespectadores que se sentiram ofendidos pela conversa entre a avó e a neta. Fizeram o que acharam que tinham que fazer: afinal, a intenção de uma marca é vender, não é sustentar uma posição, indo contra alguns de seus possíveis consumidores, por mais estultos que estes sejam. A função de uma campanha é gerar goodwill em relação ao produto, jamais rejeição e polêmica, ainda que elas aconteçam no âmbito de minorias estridentes e pouco iluminadas. Então o comercial saiu do ar. Para prejuízo da maioria silenciosa, que não viu nada de mais no filme. E que também não batalhou para que ele ficasse no ar. Por que diabos não vemos milhares de mensagens em favor do direito daquela marca nos divertir com seu filme entupindo as caixas de entrada das emissoras de TV, do anunciante, da agência e do CONAR? Por que nós, os ilustrados, não deixamos claro que meia-dúzia de falsas carolas e falsos carolos não tem o direito de decidir por nós o que vamos e o que não vamos ver? É que nossa suposta superioridade várias vezes se traduz em inação. É que consideramos que aquele filme</span></font></font><font size="+0"><font face="Arial" size="2"><span class="075314715-23092009"> alegre, bem humorado, pop, para cima é apenas um filme. Não percebemos que o que está em jogo aqui não é um simples comercial de TV, mas sim não permitirmos que o nosso sagrado direito de assisti-lo seja cerceado por quem quer que seja.</span></font></font></p><p><font size="+0"><font face="Arial" size="2"><span class="075314715-23092009">Mas, mesmo se olharmos para o filme, do que trata essa briga que mais uma vez deixamos ser vencida pelas forças do atraso? Qual é a ofensa inominável? Qual é agressão indesculpável? Como em tantos outros comerciais de Havaianas criados pela Almap, a maioria de nós apenas esboçou um sorriso ao final, reconhecendo naquele reclame de 30 segundos uma boa sacada, uma piadinha bem contada, uma tirada engraçada, uma pequena alegria que nos é oferecida entre dois blocos de programas ruminantes de TV. Por isso eu fiquei duplamente </span></font></font><font size="+0"><font face="Arial" size="2"><font face="Arial" size="2"><span class="075314715-23092009">abismado com a notícia. Então ainda estamos nesse nível de conservadorismo? Então ainda somos donas-de-casa dos anos 50, que parecem tão inverossímeis na literatura de Nelson Rodrigues? Então ainda temos tantos recalques e neuroses a resolver no espírito nacional, no inconsciente coletivo brasileiro?</span></font></font></font></p><p><font size="+0"><font face="Arial" size="2"><font face="Arial" size="2"><span class="075314715-23092009">Vou lhes dizer o que realmente agrediu aos opacos, aos pedestres e aos sem-graça que ganharam mais essa no grito. Ofendeu ver uma mulher com mais de 50 anos se interessando por sexo. Ainda que na mais inocente e elegante conversa com a sua neta. Nesse país, uma mãe não pode ter vida ou interesse sexual. Muito menos uma avó. Mulheres de família tem que cortar o cabelo curtinho e aposentar as gônadas ao chegarem à menopausa. E estarão proibidas de fantasiar, de olhar, de desejar. E estarão proibidas de de dizer, de convidar, de permitir. E estarão proibidas até mesmo de lembrar, de relatar, de admitir coisas que fizeram ou que sempre tiveram vontade de fazer. Qualquer outra postura das mulheres maduras, que não tenda à aridez e à total inapetência, será perseguida a pauladas em via pública como uma ratazana prenhe. E empunhando os maiores porretes, na linha de frente desse linchamento coletivo, estarão mulheres nessa exata faixa de idade - as senhoras -, pode crer.</span></font></font></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você está motivado? [ Sobre cobrar e ser cobrado ]]]></title>

<pubDate>Qua, 23 Set 2009 00:56:18 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090923_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="687550603-20092009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009">Se em grande parte a responsabilidade por estar motivado é do próprio sujeito, como advogo, também é verdade que sempre caberá ao gestor papel importante na taxa de motivação do seu time. E aí tem uma reflexão aqui que pode ajudar a pensar uma coisa ou duas a respeito desse assunto.</span></font></font></span></div><div><span class="687550603-20092009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009"></span></font></font></span> </div><div><span class="687550603-20092009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009">Motivação tem a ver com estímulo. Com ações que entusiasmam, com um ambiente que ao mesmo tempo acolhe e provoca, com metas da empresa que se irmanam com as metas pessoais do sujeito, com premiação agressiva ao êxito obtido. Motivação tem a ver com a gestão disso tudo, com o relacionamento que o chefe propõe a seu colaborador, com o jeito certo de cobrar resultados. A cobrança exercida corretamente engancha, energiza, empurra adiante. A cobrança mal exercida murcha, esvazia, joga para baixo. </span>Se você cobra muito, desestimula o sujeito. Se <span class="796312921-21092009">você </span>não cobra, desestimula também.<span class="796312921-21092009"> As pessoas não gostam de se sentir espremidas, sufocadas. Mas também não gostam de se sentir soltas demais. (Alguém aqui disse que a gestão de gente é bolinho?)</span></font></font></font></span></div><div><span class="687550603-20092009"><font size="+0"><font size="2"></font></font></span> </div><div><span class="687550603-20092009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009">Tem o chefe que não reconhece </span>o sucesso<span class="796312921-21092009">. Que não dá parabéns, nem tapinha nas costas, muito menos aumento ou promoção. Isso </span>anestesia o sujeito.<span class="796312921-21092009"> Isso torna o funcionário cético, num primeiro momento. Para logo depois torná-lo cínico. Há ambientes em que a pressão beira o insuportável. Em que a cultura é deliberadamente bater e chicotear, chicotear e bater. Assoprões são raríssimos. Esses lugares que proibem o elogio, em nome de manter a tensão produtiva, precisamente como uma ferramenta de motivação, acabam, ao contrário, sendo altamente desmotivadores. Primeiro: matam o longo prazo, porque ninguém de mente sã aguenta muito tempo. Depois: anestesiam quem fica.</span></font></font></font></span></div><div><span class="687550603-20092009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009"></span></font></font></font></span> </div><div><span class="687550603-20092009"><font size="+0"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009">Se vendedores cobrados de menos amolecem e deixam cair a petecar, por encontrarem muito prematuramente uma zona de conforto e paralisia, é fato que v</span>endedores cobrados <span class="796312921-21092009">em excesso, por exemplo, </span>desenvolvem um filtro em relação às cobranças.<span class="796312921-21092009"> Esse filtro fica mais espesso na medida exata dos safanões e vergões que o sujeito vai colecionando em seu dia-a-dia. </span>Uma hora<span class="796312921-21092009">, como estratégia de sobrevivência, as pessoas simplesmente</span> deixa de ouvir. <span class="796312921-21092009">E </span><span class="796312921-21092009">se unem subterraneamente contra o agressor, num pacto silencioso de ajuda mútua no corredor da tortura. Assim, s</span>e protegem<span class="796312921-21092009"> e </span><span class="796312921-21092009">apostam na maior distância possível entre si e a empresa. N</span>ão levam mais a sério<span class="796312921-21092009"> os discursos inflamados, os objetivos coletivos</span>,<span class="796312921-21092009"> os gritos de guerra. Simplesmente d</span>eixam de acreditar. O que é péssimo.<span class="796312921-21092009"> Ou pior, se existisse algo pior do que péssimo.</span></font></font></font></font></span></div><div><span class="687550603-20092009"><font size="+0"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009"></span></font></font></font></font></span> </div><div><span class="687550603-20092009"><font size="+0"><font size="+0"><font size="+0"><span class="796312921-21092009"></span><font face="Arial"><font size="2"><span class="796312921-21092009">Vivi isso esses dias. E na condição de parafuso que espana, não de chave de fenda.</span> </font></font></font></font></font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você está motivado? [ Tá esperando o quê? ]]]></title>

<pubDate>Seg, 21 Set 2009 18:44:55 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090921_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="687550603-20092009"><font face="Arial" size="2">A motivação é um negócio difuso. Trata-se de um daqueles assuntos fluidos, difíceis de objetivar. Na maioria das vezes, soa para mim, nas conversas entre gestores de times, como se motivar fosse uma missão exclusiva do chefe, uma obrigação de mão única da organização. Como se estar motivado não fosse também um objetivo a ser perseguido pelo funcionário. Quase como se estar feliz e entusiasmado não fosse algo do interesse dele, mas apenas uma conversa inventada e imposta goela abaixo pelo RH da empresa. Dito assim, a motivação funcionaria quase como mais uma ferramenta de exploração do homem pela instituição a qual ele se filia. Como se estar alegre e cheio de energias boas fosse mais uma das coisas chatas que o sujeito tem que fazer a contragosto para não perder o emprego. E de fato é assim que o quadro é pintado, muitas vezes. O colaborador então passa a tratar a empresa, no quesito motivação, um pouco como aquela moça à antiga que fica numa posição passiva em relação à corte do seu pretendente. E que joga integralmente a responsabilidade pelo relacionamento acontecer (ou não) na capacidade que o moço possa ter (ou não) de seduzi-la. Ela mesmo não move uma palha. Precisamente como se nada daquilo lhe fosse um desejo genuíno, um interesse autêntico. E assim construímos esse jeito de ver e pensar as coisas em que, s</font></span><span class="687550603-20092009"><font face="Arial" size="2">e um time de futebol está desmotivado, a culpa é do técnico. Ou do vice-presidente de futebol do clube. Se um time está desmotivado no escritório, a culpa é do gerente. Ou do diretor. Uma posição para lá de confortável para os jogadores - atuem eles nos estádios ou nas corporações.</font></span></div><div><span class="687550603-20092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="687550603-20092009"><font face="Arial" size="2">Sempre que estive do outro lado, não como gestor mas como gerido, tratei a motivação como um processo que dependia também um bocado de mim. Sempre que fiquei terrivel e invencivelmente desmotivado, tratei de sair, de mudar, de me reinventar e de reajustar a realidade à minha volta. Sempre tive, portanto, uma postura ativa em relação a mim mesmo, à minha carreira, à minha própria motivação. De fato, sempre recusei um pouco a posição de jogar para meus superiores, ou para a organização, a responsabilidade pela minha motivação ou por qualquer outra coisa ligada a mim. Por achar que essa transferência de poder seria injusta não com eles mas comigo, com a minha independência, com a estatura com a qual me enxergo. Sempre achei que agir assim me diminuiria, me pintaria de modo diminuído, como alguém frágil. Sobretudo, sempre me pareceu que se colocar numa posição assim passiva é um negócio obsceno, inaceitável.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A morte do escritório [ Office everywhere ]]]></title>

<pubDate>Dom, 20 Set 2009 22:36:26 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090920_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="484073519-25082009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="781574321-16092009">Para além da grande discussão sobre home office, que travamos aqui na semana passada, gostaria de encerrar meu depoimento falando de uma</span> experiência <span class="781574321-16092009">que me parece ainda maior, mais revolucionária e mais significativa: a </span>do office anywhere<span class="781574321-16092009">. Esta, talvez, seja a grande mexida para melhor que eu tenho vivido nos últimos meses em relação ao trabalho. Entrei com os dois pés na era do escritório móvel. Esses dias é que eu percebi com mais clareza essa nova e benfazeja realidade que se instalou em minha vida: o escritório, para mim, agora, é onde eu estou.</span></font></font></span></div><div><span class="484073519-25082009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="781574321-16092009"></span></font></font></span> </div><div><span class="484073519-25082009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="781574321-16092009">O primeiro artigo sobre home office, por exemplo, eu escrevi na quadra onde jogo minha pelada. Cheguei mais cedo, achei uma mesa sossegada ao lado da churrasqueira, me conectei e escrevi. O segundo eu escrevi no dia seguinte, no lobby do prédio de uma empresa que eu havia acabado de visitar. Me aboletei num sofá e batuquei ali o segundo item dessa série em três capítulos. Esse é o ponto: eu trabalho em todo lugar com minha conexão 3G. Esta é provavelmente a grande questão para pensar o futuro do escritório como um lugar fixo, seja ele em endereço comercial ou residencial: você pode trabalhar de onde quer que esteja. Basta estar conectado e achar um canto razoavelmente calmo e confortável.</span></font></font></span></div><div><span class="484073519-25082009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="781574321-16092009"></span></font></font></span> </div><div><span class="484073519-25082009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="781574321-16092009">Aliás, encerro aqui esta reflexão chamando a atenção para esses aparelhos de conexão 3G que você espeta na saída USB do seu notebook. Todo mundo trata esse aparelhinho como um item de tecnologia ordinário, como uma novidade trivial, como um avanço apenas previsível do mundo mobile. Eu tenho uma percepção diferente. A capacidade de conectar a internet em qualquer lugar, e com o seu computador oficial, com tudo dentro e tela grande, é uma enorme ruptura. Trata-se, a meu ver, de um salto quase tão grande quanto a própria internet. Ou quanto a própria banda larga. É daquelas tecnologias que realmente alteram para melhor o jeito como a gente vive. Você leva seu escritório, completo, para dentro do táxi, para o saguão do aeroporto, para as horas antes perdidas à toa no engarrafamento, para a mesa do restaurante, para a sala de espera do dentista. É isso. Office everywhere.</span></font></font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A morte do escritório [ E home office funciona? ]]]></title>

<pubDate>Qui, 17 Set 2009 15:26:35 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090917_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009"></span></font> </div><div><font size="+0"><span class="796384521-16092009"><font face="Arial" size="2">Trabalhar em casa é mesmo uma arte. Só que (ao menos para mim e ao menos até aqui) bem menos difícil de operar do que sempre imaginei. Há que seguir umas regrinhas. Como, aliás, tudo na vida. Tem o que dá certo e o que dá menos certo. (É interessante como este tema, que comecei a roçar ontem, gerou comentários bacanas. Gente que já experimentou, que tem opinião formadíssima a respeito, que é a favor e que é contra, de modo bem fundamentado. Um debate maduro para uma questão que a meu ver é premente. Apareceu a questão do controle do processo e dos funcionários, do autocontrole necessário, da expectativa de clientes e fornecedores. Muito interessante.)</font></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009">Para mim, até agora, tem funcionado assim: </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009">1. Home office pressupõe um espaço de trabalho dentro de casa. Um espaço físico isolado. Que ajude a demarcar um espaço mental bem definido. A porta tem que estar fechada. A cabeça tem que estar focada. A rotina da casa da casa não pode interferir. As questões domésticas têm que ser resolvidas fora do horário de trabalho. Você não está disponível. Você está trabalhando.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009">2. É preciso tirar </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009">o pijama. A roupa é um signo importante. E vestir-se para trabalhar é um ritual de passagem igualmente necessário. Você está indo trabalhar. Você não está doente, nem vai para a piscina, nem está no quintal ou de férias. Você está indo para o escritório. Só que ele fica na sua casa: você vai andar alguns passos ao invés de vários quilômetros.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009">3. É preciso ter hora para começar e </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009">hora para acabar. É preciso acordar na hora devida. E desligar o computador e desconectar-se do escritório, do trabalho, na hora certa.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="796384521-16092009">O que eu mais tenho curtido até agora, além de não perder tanto tempo de vida trancafiado dentro do carro, são os breaks com meus filhos. Faço um ou dois ao longo da tarde. São cinco minutos de alegria, de farra, de presença.Acho que é isso o que querem dizer com o conceito de &quot;quality time&quot;. É a hora do beijo, do abraço, da luta no chão, das cócegas, dos cheiros, de uma ou outra brincadeira rápida. (Meu filho está curtindo agora um filme novo que apresentei a ele esses dias e que ele chama de &quot;Guerra de espadas nas estrelas&quot;...) Depois troco de universo de novo, de dimensão, e o dia de trabalho segue. Eles têm 4 anos e, acredite, entendem e respeitam. E acredito que sintam quase tanto prazer nessa nova rotina do papai quanto eu. Temos almoçado juntos ao menos três vezes por semana. Temos tomado banho juntos no mínimo esse tanto de vezes. Daqui do meu lado, decidi que não serei um daqueles caras que afirmam, chateados: &quot;não vi meus filhos crescerem&quot;. Estou vendo tudo bem de perto. De olhos bem abertos. E o home office tem me ajudado muito com isso.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A morte do escritório [ E a equipe? ]]]></title>

<pubDate>Qua, 16 Set 2009 19:03:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090916_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="484073519-25082009">Há uns dois meses, deixei de freqüentar o escritório. Estava amadurecendo essa decisão e, de repente, a tomei. Passei a trabalhar em casa. Meu editor-chefe, no Gizmodo, também estava louco para trabalhar de casa. E aproveitou a minha deixa para fazê-lo. Segundo o próprio, tem uma máquina e uma conexão melhores em casa do que tinha no escritório. E o trabalho dele, o serviço que me presta, depende grandemente de velocidade de máquina, de processamento e de conexão. Mas o ponto não é esse. Embora seja notável que as pessoas físicas hoje, não raro, estejam melhor equipadas do que as jurídicas. O ponto é que ele está mais feliz por fazer seu trabalho sem perder duas ou três horas por dia no trânsito de São Paulo. E parece render melhor mesmo trabalhando de lá, onde pode ouvir música alta enquanto apura, escreve e edita. Ele aproveitou a minha deixa e o estagiário aproveitou a deixa dele: também está trabalhando de casa. Nossos tradutores e nossos colaboradores já trabalhavam de modo remoto desde sempre.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484073519-25082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484073519-25082009">Minha experiência gerindo uma equipe virtual? Absolutamente tranquila. Nos falamos por telefone sempre que preciso. Ou por sms. Ou por e-mail. E, se precisássemos, ainda teríamos à disposição o MSN, o Skype, o GTalk. (Eles, claro, já operando corriqueiramente com essas novas ferramentas. Eu é que ainda resisto um pouco. Sou da geração e-mail. Que, reconheço, já é um formato bem antiquado.) Nos reunimos presencialmente semanalmente, para uma reunião de avaliação da semana que passou, de planejamento da semana que está por vir, de olho no olho, de solução de problemas, de ajuste de expectativas, de reafirmação de metas e compromissos. Essa reunião é bem necessária para que as coisas não fiquem muito soltas. O trabalho remoto requer, é o que estou aprendendo, um momento periódico de proximidade física. O que é interessante é que o fato de não nos vermos todo dia, confinados em baias vizinhas, respirando o mesmo ar, tem feito com que esses encontros sejam bem, bem agradáveis. Não digo que eles sintam saudades de mim. Mas acho que nunca estivemos tão à vontade, chefe e subordinados.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484073519-25082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484073519-25082009">Ou seja: o escritório simplesmente deixou de fazer sentido para a gente. Perdeu a função. Virou um negócio anacrônico. Custoso em termos de grana e de tempo e de desgaste de relacionamentos. Fazemos todos o que temos que fazer melhor sem ele. E com muito mais alegria. Tendo que conviver, cada um de nós, somente com as suas próprias neuroses, não com as dos outros. Estou gostando muito.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ode aos assistentes que trabalham até tarde]]></title>

<pubDate>Qua, 16 Set 2009 01:34:58 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090916_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="375361301-22082009">Dou o braço a torcer. Quando eu era executivo, e tinha uma equipe de marketing trabalhando para mim, eu não sabia o que era montar propostas. Eu achava que sabia. Era assim: eu ia em reunião com cliente e tinha uma assistente tomando nota, fazendo a pauta. Eu no máximo anotava os tópicos. Depois voltava para o escritório, reunia o time, fazíamos o brainstorming para encontrar a melhor solução ao briefing passado pelo cliente. Eu no máximo rabiscava alguma coisa. Um esquema visual, uma lista de bullets. Então passava o papel de pão amassado, o guardanapo com as garatujas para uma brava gerente de produto ou assistente de marketing. E a próxima coisa que eu enxergava era uma bela apresentação no PowerPoint. Com fundos, animações, imagens, efeitos. Aquilo, para mim, era default. E por isso eu dava de barato. Já tinha esquecido dos tempos em que eu mesmo era um assistente de marketing. Na minha época, quando comecei, no início dos anos 90, não havia PowerPoint. Os computadores tinham tela de fósforo verde, não havia mouse e o máximo em sofisticação era o Lotus 123. Mas isso não me serve de desculpa. Eu trabalhava muito. Não devia ter esquecido disso. Nem minimizado o tanto de sangue que se dá na trincheira operacional.</span></font></div><span class="375361301-22082009"><div><br /><font face="Arial" size="2">O ponto é que agora, como empreendedor, como empresário de uma start-up, voltei a ter um contato corporal com a operação. Nenhum dos confortos da vida executiva acompanha quem decide avançar pelo caminho do negócio próprio. Ao menos no começo. Ao menos no soft opening pouco capitalizado que foi o caminho que se apresentou para mim. Aí você faz tudo. Não dá mais para ficar só bolando. Você prospecta, você vai à reunião, você bola o projeto, você precifica, você monta a apresentação, você vende, você faz o follow-up, você assina o contrato. E aí é que o trabalho começa de verdade: você é que tem que entregar o que você vendeu.<span class="375361301-22082009"> E depois, ainda, fazer o pós-venda. Montar a proposta de renovação. E começar tudo de novo.</span> Você, você, você. Tudo você.</font></div><div><font face="Arial" size="2"></font></div><div><font face="Arial" size="2"></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="375361301-22082009">Ah, se eu pudesse pedir desculpas àquelas meninas e àqueles meninos que me atendiam, pelos tantos momentos de insensibilidade e de cobrança possivelmente exagerada, acelerada, impaciente, eu o faria agora. Diria assim: me desculpem. Agora eu sei por que as apresentações não ficavam prontas de um dia para o outro. Agora eu compreendo os serões.</span></font></div></span>  ]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A arte da sobrevivência corporativa]]></title>

<pubDate>Seg, 14 Set 2009 19:27:45 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090914_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2">Conheci um cara que era mestre nisso: sobreviver na empresa. Se você imagina que a sua receita incluía construir uma obra inegável, inatacável e indelével dentro da companhia, errou. Se você imagina que a sua maneira de se perpetuar era carpir o próprio talento, gerar resultado, melhorar os negócios pelos quais passou, também errou. Assim como está errado também quem imagina que a fórmula de sucesso desse expoente na arte da sobrevivência corporativa passava por descobrir gente, formar gente, inspirar gente. Ou por se tornar necessário e insubstituível à custa de competência pura e simples. Nada disso. Muito ao contrário. Saiba, acredite, esse sujeito é uma lição ambulante de como as coisas funcionam na maioria das empresas.</font></span></div><div><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2"></font></span></div><div><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2">A primeira regra: não ter espinha dorsal. Ser como água: adequar-se ao invólucro. Ainda que adaptar-se de tal modo ao contingente signifique não ter conteúdo. Ser flexível como geleca. Ser invisível, amorfo. Não ter grandes convicções. Ou estar pronto para revê-las rapidamente, de modo a concordar sempre com quem interessa no momento. Esse tipo de cara não expressa jamais as próprias idéias. E só confronta quem lhe parece um adversário seguro, quem está alguns degraus hierárquicos abaixo e, portanto, indefeso. Aí ele se esbalda. E vomita sobre o subordinado tudo que engoliu dos superiores e pares. Empresas adoram esse tipo de gente. Os Yesmen. As Yeswomen. Empresas buscam mantenedores. E têm asco de quem cria, questiona e pergunta por quê. Gente assim é incômoda. Gente bacana cumpre ordens, não tem second thoughts, não enche o saco. Esperar que seu chefe o convença é demandar demais dele. É exigir que ele seja um líder e não um chefe. Isso não é coisa bem vista. Então chefes e corporações gostam mesmo é de funcionário tarefeiro. O gerente que nunca vai virar um diretor é, para a maioria dos diretores, o gerente ideal. </font></span></div><div><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2">Este meu pobre amigo rico, esse miserável e bem-sucedido executivo, compreendeu tudo isso melhor do que ninguém. E executa no seu dia-a-dia a sua arte de ser invertebrado com especial competência. Ele faz sempre a conta de chegada, não a conta certa. </font></span><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2">Ele pensa sempre no que é conveniente, não no que é correto. Ele diz sempre o que seu superior quer ouvir, não o que está pensando de verdade. </font></span><span class="015405300-14092009"><font face="Arial" size="2">Ele decide sempre pensando no que o chefe vai achar, não pelo que é melhor.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A arte de dar a cara a tapa]]></title>

<pubDate>Sex, 11 Set 2009 08:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090911_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Esta semana a gente discutiu um pouco o caminho editorial do blog. Eu abri meu plano de vôo. Para que ninguém se sinta desiludido por estarmos indo para o oeste quando na verdade imaginou que iríamos para o lado oposto. O destino desse blog é o coração da mata. É desbravar territórios virgens, selvagens, melífluos, obscuros. Eu não sei onde tudo isso vai dar. Mas o convido a vir junto mesmo assim. Ajudar a procurar. É nessa busca que a gente tem mais chance se encontrar.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Para quem fica constrangido de ver um homem do meu tamanho se mostrando tão obscenamente, republico aqui um artigo que escrevi há pouco mais de um ano. Como afirmação da ingenuidade que dá nome e que está na essência desse blog. E também da utilidade que isso possa ter em sua vida. Ótimo findi. Sigamos juntos.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Souza, centroavante do Flamengo, disputou 40 partidas com a camisa rubro-negra até o final do ano passado [ 2007 ], marcando 15 gols. Uma média de 0,37 gols por partida. A torcida adora vaiar Souza, pegar no pé de Souza, espezinhar Souza. Obina, o outro centroavante do Flamengo, jogou 106 partidas pelo clube até o último dezembro e marcou 32 gols. Média: 0,30. A torcida adora Obina, incensa Obina, clama por Obina. Quanto mais gols Souza marca, mais forte ecoa pelas arquibancadas o nome de Obina. Tem sido assim. Aconteceu recentemente contra o São Paulo no Maracanã.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p> </p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Esse descompasso entre o desempenho objetivo de Souza e a imagem que ele projeta, entre os resultados que ele produz e o que recebe em troca não é de agora. Souza já foi artilheiro do Brasileirão, vice-artilheiro do Brasileirão, já decidiu no bico da sua chuteira campeonatos estaduais para Goiás e Inter. Já foi decisivo em várias partidas pelo próprio Flamengo. No entanto, nunca deixou de ser atazanado pelas torcidas com que conviveu. Nunca ganhou a confiança dos clubes, nunca foi alçado ao panteão dos goleadores aos quais somos eternamente gratos. Souza tem deixado gols e conquistas por onde passa. Contraditoriamente, não tem deixado saudades. Não tem conseguido formar laços emocionais consistentes, por mais que, racionalmente, tenha feito a sua lição de casa.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p> </p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Alguém dirá que Souza irrita porque erra mais do que acerta. Um argumento fácil e frágil. Talvez Souza erre mais simplesmente porque tenta mais, porque não se esconde em campo com medo de não acertar uma jogada ou uma finalização. A verdadeira questão, para Souza, é outra: ele tem o dom de chamar para si a ofensa, a injúria, o achincalhe. Trata-se de um viés subjetivo que a análise fria dos fatos não ajuda a deslindar. Souza é daquelas pessoas com tendência a serem pegas para cristo. E nisso temos, ele e eu, algo <personname w:st="on" productid="em comum. Somos">em comum. Somos</personname> de uma estirpe cujo tom de voz, o jeito de olhar, de caminhar, os gestos, o penteado, os trejeitos, as expressões faciais, a postura corporal, o modo de se posicionar diante de certas questões e de certas audiências, enfim, alguma coisa, qualquer coisa, funciona aos olhos dos outros como um convite à agressão, à farra do linchamento moral, como uma licença para enfiar a faca até o cabo sem sofrer represália ou retaliação. Esses sinais são decodificados e fazem a alegria especialmente de uma certa estirpe de gente - os perversos, os canalhas, os pusilânimes, os mal-intencionados em geral.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p> </p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">O ponto, para Souza e também para mim, é que tem gente com carisma, com facilidade para se fazer querida, para ser aceita, para seduzir, para encantar e conquistar sem esforço. Gente com habilidade para sentar sempre nos melhores lugares, freqüentar só as melhores turmas -- e assim se blindar contra a crueldade alheia. E há gente que nasceu para ser <i style="mso-bidi-font-style: normal">gauche</i> na vida. Que pode fazer tudo certinho mas não tem o charme, esse importante élan social. Viola, com seu jeito de Cuba Gooding Jr. de Itaquera, sacava uma pistola imaginária do bolso ao comemorar um gol - ou um arco e flecha, a <personname w:st="on" productid="la John Rambo">la John Rambo</personname> - e a galera ia ao delírio, e a crítica ficava mesmerizada com aquela erupção de charme do gueto. Souza, ano passado, comemorou um gol com uma espingarda virtual e foi execrado nacionalmente. Faltou pouco para ser responsabilizado por toda a violência do Rio de Janeiro. A você, portanto, bravo companheiro de sina, minha solidariedade. E votos de que o paradoxo que o assola se aguce ainda mais: quanto mais injustos e covardes forem com você, que mais gols você marque e mais faixas você pendure no peito. Só não espere aplauso e tapinha nas costas. Eles não virão para você.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Metapost sobre um blog (eternamente) Beta]]></title>

<pubDate>Qui, 10 Set 2009 08:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090910_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009">Hoje gostaria de fazer uma confissão: meu </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009">plano ingênuo e secreto aqui no blog Manual do Executivo Ingênuo, que inaugurei no dia 9 de dezembro de 2008, graças ao convite generosíssimo da Claudinha Vassallo, era e é escrever grande literatura confessional. Ontem o blog completou 10 meses de vida. E, se tudo deu certo até este ponto, esta pequena confissão estará longe de ser a primeira que você lê aqui. Ontem confessei os desencontros que há entre o modo como me vejo e o modo como vejo os outros me vendo. Anteontem confessei a minha preguiça e a minha relação com ela. Há poucos dias, confessei os sentimentos que o suicídio gera em mim. E por aí vai. Um dia após o outro.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009">Este plano de vôo tem dois lados. No que me concerne, o blog me permite dizer para todo mundo, de </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009">público, no púlpito, de peito aberto, coisas que eu nunca disse privadamente para ninguém. Aqui eu m</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009">e exponho artisticamente, esteticamente. Dou a cara a bater. Rasgo o peito com as mãos e me mostro. Meu benchmark? Nelson Rodrigues. Ninguém escreveu literatura confessional como ele. (Confessar esa pretensão aqui é, de novo, me expor de modo bem ingênuo.) Talvez eu consiga produzir alguma obra com isso. E se ela tiver uma fração do poder, do brilho, do valor da obra que o Anjo Pornográfico imortalizou há 50 anos, me darei por muito feliz e satisfeito. Então, sim, o Manual do Executivo Ingênuo é um blog com função psicanalítica para o seu autor.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="140243203-16072009">No que concerne a você, que me lê, creio que o sentido do blog resida na utilidade de se enxergar um pouco nas minhas confissões. De ver expostas sensações e idéias, grilos e fantasmas que você, como eu, como todo mundo, costuma guardar escondidos dentro de si. E assim, talvez, compreendê-los um pouco melhor, ao vê-los um pouco à distância (em mim), ao enxergá-los sobre a mesa, debaixo da luz do sol, e não submersos nas trevas eternas daquelas gavetas que não abrimos jamais. Assim, creio, quem acompanha o blog percebe aqui e ali que não está sozinho no mundo com seus problemas e suas loucuras, que não é o único. Assim, é o que procuro lhe entregar todo dia, preferencialmente pela manhã, lavamos a alma juntos - ainda que quem esteja sendo despido, ensaboado, enxaguado e quarado, voluntariamente, claro, seja eu.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quem você pensa que é?]]></title>

<pubDate>Qua, 09 Set 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090909_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="406233420-25082009"><font face="Arial" size="2">Esses dias uma pessoa me disse: &quot;Não acho que você seja tão sem graça quanto imagina ser&quot;. E eu pensei: &quot;Ah, então sou um pouco sedutor. Que bom.&quot; Tem pessoas que são realmente sedutoras, que se dedicam a conquistar os outros, a dobrar resistências alheias. Elas quase comemoram quando topam à sua frente com alguém que não lhes compra logo de cara. Aí é que se motivam a transformar aquele &quot;não&quot; carrancudo em um &quot;sim&quot; docemente sussurrado. Eu não tenho talento nem paciência para isso. Sou mais da linha &quot;quer, quer; não quer, tem quem quer&quot;. Acredito mais no jogo de primeira, na tabelinha rápida. No que se refere a relacionamentos, sempre entendo a finta como um engodo e as ações de conquista como atos ludibriantes. Maluf, ele próprio, ao que dizem, um sedutor, disse uma vez que FHC era um grande sedutor. &quot;Se fosse uma mulher, iria para cama com o senhor&quot;. Então o sedutor é aquele cara que você gosta de ficar ouvindo, que faz você se sentir à vontade, baixar a guarda, esboçar um sorriso bovino nos lábios, tirar a roupa sem perceber. Em respeito ao interlocutor, sempre me dediquei a abrir a verdade, e tão-somente a verdade, a ele, e deixá-lo decidir sozinho como se posicionaria a meu respeito. Então foi com alegria que recebi a notícia de que, afinal, não sou tamém um anti-sedutor. Que não passo às pessoas a idéia de que dou de ombros para elas ou de que estou me lixando para o que pensam.</font></span></div><div><span class="406233420-25082009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="406233420-25082009"></span><span class="406233420-25082009"><font face="Arial" size="2">A mesma pessoa me disse também: &quot;E não acho que você seja tão antipático quanto pensa que é&quot;. Se tudo isso é verdade, posso morrer hoje, feliz. Então não gero tanto desconforto aos outros com minha presença, com minhas posturas, com minhas palavras? Que bom. Há quem seja popular, quem saiba fazer rir, quem divirta e ilumine o ambiente a sua volta. Há pessoas agradáveis, simpáticas, sorridentes, ensolaradas. Eu não sou assim. Ao menos, nunca me vi assim. Ao contrário: sempre acho que meu tom de voz, meu vocabulário, minha linguagem corporal, sei lá, costumam tornar tudo à volta um pouco mais sério, mais solene, às vezes chato, às vezes desconfortável ao interlocutor. Há momentos em que minha voz não tem a menor autoridade e sequer sou mencionado em ata. Quando a minha voz alcança autoridade, é como se arranhasse as paredes do recinto e trouxesse toda a prosa ao nível concreto do chão e funcionasse, enifm, como um estraga-prazeres, como um crítico contumaz, um censor, como um antídoto para os sorrisos presentes. Fiquei feliz, portanto, ao saber que nem sempre é assim. No fundo eu sei que nem sempre é assim. Mas no fundo é assim ainda que vejo na maioria das vezes.</font></span></div><div><span class="406233420-25082009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="406233420-25082009"><font face="Arial" size="2">Ah, sim. A pessoa que me deu esses feedbacks iluminadores não é a minha mãe, ok?</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Dia mensal da preguiça]]></title>

<pubDate>Ter, 08 Set 2009 11:35:22 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090908_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="734020714-08092009"><font face="Arial" size="2">Dia feíssimo em São Paulo. Chuva, frio, tudo escuro. Acordo às 7h, atrasado para levar as crianças à escola. Consigo chegar na hora. Na volta, aproveito para me refugiar um bocadinho mais no calor da cama. Me aninho em minha mulher, que assiste à Gilmore Girls na TV, com som baixinho e a luz azul da tela se derramando pelo quarto escuro, quase num mantra televisivo que fica entre acordar devagarinho e dormir mais um pouquinho, que fica entre deixar o feriado para trás para começar a semana de vez e segurá-lo pelo rabo, não querendo encarar o dia útil. Me abrigo ali, naquele torpor gostoso, &quot;não sei se preguiçoso ou se covarde, debaixo do meu cobertor de lã&quot;, como canta o Chico, sem ligar para o mundo que acelera lá fora. Ainda não são 9 horas, argumento comigo. Não preciso ser o primeiro cara de São Paulo a ligar o notebook para me sentir bem. Com isso afasto a culpa e ganho mais uns minutos de lerdeza.</font></span></div><div><span class="734020714-08092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="734020714-08092009"><font face="Arial" size="2">Em seguida o dia começa. O quarto fica claro, o café já está tomado, é hora de responder e-mails (opa, vou fechar um negócio hoje!), de atualizar o perfil no Twitter e no Facebook, de construir meu post do dia aqui no Manual do Executivo Ingênuo. Lembrei de quando trabalhava em fábrica - meu primeiro emprego corporativo - e batia o cartão às 8h. Se atrasava 10 minutos, me descontavam. Sempre que eu saía depois das 18h, no entanto, ninguém anotava, ninguém controlava, era por minha conta. Como era difícil acordar às 6h30. Acordar antes do sol, quando ainda está escuro, é uma experiência indigna. E pensei que todos deveríamos instituir intimamente o dia mensal da preguiça. Um dia para você fazer as coisas no seu tempo e não no tempo dos outros. Um dia para você dormir mais, acelerar menos, procrastinar um pouco, enfim, adular-se. Não dá para fazer sempre. Mas um dia por mês dá. E faz bem. </font></span></div><div><span class="734020714-08092009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="734020714-08092009"><font face="Arial" size="2">No mínimo, para reatar junto a si mesmo a certeza de que você é importante para você, de que você conta, de que você, afinal, não se trata no piloto automático, como se fosse um punhado de favas contadas.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA["Falta gente qualificada"]]></title>

<pubDate>Sex, 04 Set 2009 09:37:02 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090904_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">Outra do meu novo amigo, executivo de olhar vanguardeiro: ele vê com grande otimismo o futuro próximo da economia brasileira. Na soma dos fundamentos macroeconômicos - como juros menores, inflação sob controle (menor do que a americana), retomada da produção e do emprego -, com os índices de competição, produtividade e digitalização relativamente altos no ambiente microeconômicos do país - como consumo das famílias e confiança de consumidores e empresas -, segundo ele, estaríamos muito bem posicionados para crescer com força a partir de agora. Ou seja: a nossa fotografia hoje seria bonita, e ela nos permitiria, não apenas ter sobrevivido bem ao furacão financeiro, mas também estarmos bem colocados nesse momento de retomada. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">O problema, frisou ele, com os olhos brilhando, é a escassez de gente boa no mercado. Esse, na sua visão, é o grande </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">gargalo econômico que vai nos afligir nos próximos tempos: o de talentos. Esse seria um dos grandes paradoxos brasileiros: um índice relativamente alto de desemprego convivendo ao lado de centenas, milhares de vagas que não conseguem ser preenchidas.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">Ele também atua como professor de marketing em alguns cursos de primeira linha e me disse:</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">- Um MBA que saia agora de uma instituição de ponta será disputado a tapa pelas empresas. Não terá dificuldade para se colocar.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">- A empresa em que ele atua, financeiramente sólida, líder de mercado, vanguardeira numa série de aspectos, tem vagas em aberto que simplesmente não consegue preencher.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">- 60% dos problemas que ele vive no mundo real, como diretor de marketing, não têm resposta pronta, requerem experimentação: brand content, realidade aumentada, redes sociais, blogosfera, seeding, SEO, buzz marketing etc.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">- 100% desses problemas não são tratados na Academia. Há um mundo novo e premente que está sendo ignorado nos cursos, nas escolas, nas universidades.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="218404203-29082009">Ou seja: tem muita oportunidade aí. Ao menos a julgar pela tese dele. Bom findi!</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O país dos cleptomaníacos]]></title>

<pubDate>Ter, 01 Set 2009 16:53:59 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090901_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="968074303-29082009">Esta semana, em reunião num prospect, topei com um diretor de marketing diferenciado. Daqueles caras hiperativos, ligados no lance, conectados. E um daqueles caras que não apenas nadam no mar de informações mas sabem refletir sobre elas, ligar A com B, formar uma opinião a respeito. Falávamos um pouco de economia e negócios, ao fim do encontro (quando ele me disse que lia e guardava meus artigos na Exame do fim dos anos 90 e eu quase caí para trás de contente), e ele afirmou: o Brasil finalmente descolou a economia da política. Ele enxergava isso na presente crise envolvendo o presidente do Senado, José Sarney. Ele disse que, até recentemente, uma crise política nessas proporções teria impactado negativamente a economia. Multinacionais olhariam esquisito (pela milésima vez) para o país, investimentos seriam represados, trocas de emprego seriam revistas, enfim, as barbaridades em Brasília acarretariam algum tipo de arrefecimento à economia. Nesse novo momento, segundo ele, a atividade produtiva brasileira estaria passando ilesa pelo lamaçal protagonizado e imposto pela classe política nacional.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968074303-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968074303-29082009">Fiquei pensando nisso. Pode ser mesmo verdade. Que bom que seja. Pode até ser que essa realidade já exista há algum tempo. A cada decepção com as utopias políticas, é como se trouxéssemos os sonhos e as expectativas mais para o campo da economia. O que significa também deixar de acreditar nos outros, nos &quot;representantes do povo&quot;, nos salvadores da pátria, e trazer mais a responsabilidade para nós mesmos, para o trabalho, para o empreendimento, para a inovação, para o esforço pessoal em criar valor. Claro que é preciso monitorar cada vez mais de perto esses achaques à coisa pública (trata-se do meu bolso e do seu), mas é bem bom que não sejamos mais reféns desses senhores polutos, que não nos deixemos mais paralisar tanto pelos seus desmandos e imposturas e caras-de-pau. Há que puni-los, rigorosa e democraticamente. Mas é fundamental não deixar que eles nos punam com suas safadezas. (E duplamente, como sempre fizeram: pelo dano em si e pelo impacto paralisante que esse dano nos causava.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968074303-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968074303-29082009">Lembrei do verso do Caetano, do comecinho dos anos 90: &quot;Te encontro em Sampa/De onde não vê/Quem sobe ou desce a rampa&quot;. Já era, creio eu, uma citação à relativa indiferença do paulistano, focado em tocar para frente a sua vida e os seus negócios, diante da podridão do cenário de Brasília, na época epitomizada por Collor. E aí me dei conta do tempo em que estamos tendo que assistir, constrangidos, irritados, revoltados, exaustos, a esse lodaçal em que se transformou (se é que não foi assim sempre) a política partidária brasileira. Vivemos uma crise política constante, desde que me lembro. Só muda o apelido dado ao escândalo, os nomes dos envolvidos. E muitas vezes nem isso muda: os escândalos são os mesmos, os personagens também. O sujeito já não se dá nem mais ao trabalho de mudar o nome da quadrilha. (E políticos organizam suas famílias cada vez mais como quadrilhas. Os filhos são comparsas, a mulher é capanga, todo mundo à volta é irmão metralha.) De algum modo, eles conseguem ser reeleitos. De algum modo, eles conseguem continuar desviando, mamando, se locupletando, influenciando, trocando, participando, assimilando, indicando, conchavando, recebendo, retirando, achacando. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968074303-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968074303-29082009">Que bom que ao menos, a julgar pelo raciocínio do meu novo parceiro e amigo, a ação desse bando é menos cancerígena em relação ao sistema do que já foi antes. Que isso não represente, no entanto, mais tolerância nossa em relação à doença. Que o fato de não serem mais críticos não permita a esses tumores se perpetuarem como presenças crônicas em nossas vidas. Eu não faço parte desse país de cleptomaníacos. E não é esse o país que eu quero passar adiante.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[E ela decidiu acabar]]></title>

<pubDate>Dom, 30 Ago 2009 23:21:42 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090830_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343294203-29082009">Fiquei sabendo de modo atrasado, quase uma semana depois. Aquela menina interneteira, blogueira, profissional de mídia, respeitada no mercado digital, rodada em algumas das melhores agências online do país, com diplomas da USP e de Harvard, expert em redes sociais, resolveu não brincar mais. De nada. Nunca mais. Ela era mãe de um filho pequeno. Morava com a criança, sozinha. Era daqueles talentos que estão acima da média, que o mercado abraça, que inevitavelmente se dão bem. Tinha um entusiasmo bacana, um brilho legal no olhar. Há pouco mais de uma semana, numa quinta à noite, enquanto eu jogava a minha pelada semanal, ao final de um dia corriqueiro, como qualquer outro, ela twittou pela última vez, uma brevíssima mensagem de despedida. E enfiou uma faca no coração. Foi encontrada na cozinha da sua casa na manhã seguinte.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343294203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343294203-29082009">Fiquei chocado ao receber a notícia. Como sempre fico ao saber da morte de uma pessoa próxima. Chocado e intrigado, como sempre fico ao saber de um suicídio. E como eles são comuns, como eles são frequentes. Suicídios são um pouco como perdas precoces de gravidez - pululam à nossa volta mas a gente não vê. Porque não quer ver. E também porque todo mundo ao redor silencia como pode a respeito. Eu conhecia a menina profissionalmente. E simpatizava bastante com ela. Nunca, em momento algum, poderia supor ali um sofrimento com a proporção de levá-la a acabar com tudo. Que tipo de angústia, de tristeza, de depressão a fustigava? Que tipo de desgosto, de mágoa, de ódio - talvez em relação a si mesma? Que tipo de cansaço, de desesperança, de impotência em relação à vida, ao futuro, a tudo em volta e à frente?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343294203-29082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343294203-29082009">Uma decisão dessas, uniltateral, absolutamente corajosa e absolutamente covarde ao mesmo tempo, de tomar nas mãos as rédeas da sua existência e de desistência completa logo em seguida, mexe comigo. Lamento a escolha da menina. Penso no seu filho, que ficou com o peso eterno da ausência voluntária e definitiva da mãe. E me assusto com a possibilidade de que outro processo desses já esteja em curso (e certamente está) nesse exato momento em algum lugar próximo a mim, sem que eu possa fazer qualquer coisa a respeito, nem mesmo tomar conhecimento e tentar interceder.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Para ler quando seu amigo lhe trair]]></title>

<pubDate>Qui, 27 Ago 2009 16:01:29 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090827_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando um companheiro com quem você já teve tanto em comum lhe virar a cara, lhe cuspir no prato, lhe esfaquear pelas costas, lentamente, enquanto lhe abraça firme e sussurra uma mentira ignóbil com voz pegajosa no ouvido,</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando um irmão querido recolher a mão, e se encolher, e fingir que não lhe conhece, e lhe negar diante dos centuriões, e recusar todas as coisas em comum que o unem a ele, e renegar a simpatia que sempre houve entre vocês,</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando ele disser que não há compromisso algum entre vocês, que vocês nunca estiveram no mesmo barco nem jamais vestiram a mesma camisa, porque agora não interessa mais a ele ser visto pelos outros ao seu lado, nem mesmo em retrospectiva, nem mesmo naquela foto antiga na parede,</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando um primo lhe perseguir na surdina, e lhe oferecer como troféu aos leões, e não resistir à própria inveja oculta que sempre sentiu de você, ou à raiva mesmo - porque a admiração vive a um passo do ódio e do rancor, porque ao amar alguém você se expõe e fragiliza (e é difícil estar nesta posição quando você gosta de se ver como um todo-poderoso e quando você é ultra-competitivo), porque ao reconhecer no outro algo que você não tem, você também está admitindo uma falta, uma falha, uma posição de algum modo inferior (e é duro lidar com isso no longo prazo),</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando a confiança que você depositou lhe for paga de volta com o escrotismo mais vulgar e vil, com um comportamento tortuoso e hostil como você jamais poderia preve</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">r,</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando esse escrotismo for embalado numa justificativa toda racional, construída para lhe tirar o direito de gritar de volta, para permitir ao agressor continuar dormindo à noite depois da agressão, para que ele possa viver no conforto do auto-engano de não admitir nem para si mesmo seu ato como agressão,</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando toda a mesquinhez do mundo jorrar de onde você menos espera, como um cano de esgoto podre que brota sob o gramado cheio de flores onde você estendeu sua toalha para o piquenique,</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Quando e se tudo isso lhe acontecer,</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Preste bem atenção ao amargo que você está sentindo</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"> lá dentro. Ao vazio ácido em seu peito, aos sacolejos em seu estômago. (O evento de perder um amigo, ou de ver mais um desafeto se revelando, tem gosto de fel. E nenhum azedume é maior do que ter o tapete puxado por alguém que você recebia para jantar em casa.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Então lembre de jamais, nunca oferecer a outro o sofrimento que seu ex-amigo lhe impingiu.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937413203-26082009">Guarde bem o dissabor que você está experimentando desse lado da ponte para nunca, jamais figurar no outro lado.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Para onde ir?]]></title>

<pubDate>Qui, 27 Ago 2009 08:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090827_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><em>Oi, Adriano. Tudo bem?</em></p><p class="MsoNormal"><em>Trabalho em uma empresa de eventos de negócio para altos executivos. Minha função é gerar oportunidades para outras empresas e para os executivos aumentarem sua rede de relacionamentos. Trabalho sempre com metas e prazos.<p /></em></p><p class="MsoNormal"><em>Após alguns anos nesse mercado de eventos, sinto que tenho meu trabalho reconhecido por algumas das grandes empresas para as quais prestei serviço. Porém, ainda não tive coragem de usar meu networking para procurar uma vaga na área de marketing/comercial/desenvolvimento de negócios.<p /></em></p><p class="MsoNormal"><em>Me formei no início da década e de lá pra cá venho me aperfeiçoando: MBA na FGV, curso de marketing no exterior, espanhol e inglês fluentes. O problema é que a empresa onde trabalho não reconhece esse esforço. Além disso sei que as áreas de marketing e comercial são as mais sensíveis a qualquer tipo de crise, seus executivos estão sempre no front de guerra. Já senti isso na pele, pois algumas vezes ao longo desses 10 anos de mercado já estive desempregado.<p /></em></p><p class="MsoNormal"><em>Portanto, venho estudando desde o começo do ano para concurso público, buscando estabilidade e altos ganhos em curto prazo (estou considerando os principais concursos). E já vi que se estudar conseguirei passar no médio prazo. <p /></em></p><p class="MsoNormal"><em>Vamos às dúvidas: você acha que devo negociar com minha empresa para pedir um tempo e me dedicar aos estudos (já que meu contrato é flexível, não é CLT)? Ou você acha que devo aproveitar o relacionamento que construí ao longo desses anos com o mercado e tentar entrar em uma empresa que de fato valorize meu trabalho e minha formação? Devo me preocupar com estabilidade agora que recém virei a casa dos 30 anos ou devo arriscar mais e trabalhar efetivamente meu networking?</em> </p><p class="MsoNormal">Recebi esse questionamento por e-mail e resolvi dividir a resposta aqui com todo mundo porque achei que a discussão poderia ser útil para mais gente. E também porque outros membros dessa comunidade de ingênuos, além de mim, poderiam meter a colher na sopa e apurar a sua consistência.</p><p class="MsoNormal">Acho que essa situação pode ser resumida da seguinte forma: (1) ele está se sentindo desvalorizado ou não-reconhecido dentro da empresa. Sente que bateu no teto e não vê perspectivas de crescimento. (2) Ele sente que outras empresas o vêem com mais simpatia e entusiasmo do que seu atual empregador. (3) Ele considera trocar a carreira privada pela pública em nome de segurança e estabilidade. Até porque já ficou desempregado algumas vezes nos últimos anos.</p><p class="MsoNormal">Quem sou eu para indicar caminhos? Estou pelejando com o meu próprio, um dia depois do outro. Mas me parece o seguinte: (1) você não constrói competências para os outros, para a empresa em que atua, mas para si mesmo. Seu MBA, sua experiência internacional, os idiomas. Isto é seu. Ninguém tira. E você leva para onde quiser. Agora, se sua namorada não valoriza seus olhos verdes, ache outra que lhe dê o devido valor. A menos que a sua atual namorada tenha outros dotes que lhe façam feliz, ainda que você nem os perceba conscientemente na maioria das vezes. (2) Se há interesse genuíno de outros empregadores no seu talento, e se esse interesse for recíproco, o que você está esperando para engatar uma conversa mais séria? Apenas leve em consideração que a grama sempre parece mais verde no quintal do vizinho. E que tem muito ambiente que costuma ser mais simpático com gente de fora do que com gente de dentro. Na medida em que você vira parte do staff, a lua de mel e o tratamento especial acabam. (3) Ao falar em carreira pública, você cita &quot;altos ganhos&quot; no &quot;curto prazo&quot;. Me parece que o projeto barnabé é exatamente o contrário disso: ganhos menores mas uma certa garantia de poder contar com eles pelo longo prazo. </p><p class="MsoNormal">A resposta para todos os itens, mas para esse último especificamente, está dentro de você. O que vai lhe fazer feliz? O que vai lhe fazer acordar contente todo dia? O que vai lhe fazer amar as segundas-feiras? A resposta está no seu coração. Mais até do que na sua cabeça. E ela pode espelhar emprego na empresa A ou B. Assim como pode espelhar o empreendedorismo ou o funcionalismo público. Nas palavras do grande Darth Vader: <em>Search your feelings, Luke.</em></p><p class="MsoNormal"> </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Carta à minha amiga contente]]></title>

<pubDate>Ter, 25 Ago 2009 17:50:55 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090825_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="593243519-25082009">Foi bacana reencontrar você e sua risada gostosa. Foi sobretudo muito legal vê-la feliz da vida com o empreendimento. Já que o emprego como o conhecíamos parece estar mesmo acabando, não nos resta muito senão reaprender a trabalhar, a pensar a carreira, a ganhar dinheiro, a levar a vida, de modo que nos realize e que nos permita ser relevantes. Bom olhar para o lado e vê-la na linha de frente desse movimento. Você que conheci tão corporativa, tão encarreirada, tão hábil na gestão das politicagens e cotovelagens comuns aos corredores das grandes empresas. Bom vê-la vendendo seu talento diretamente ao mercado. E resolvendo aquelas antigas frustraçõezinhas, tão comuns a todos nós, por meio de trabalho, de meter a cara, de limar as frescuras e ver qual é. Bem-vinda a esse mundo em que não há chefes nem patrões, apenas clientes. (Isso é bom e isso é ruim, viu?)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593243519-25082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593243519-25082009">Eu lhe desejo sorte. Você tem o perfil. Tem 20 anos de carreira, de experiência, de contatos, de janela. Tem grande habilidade social, a tal inteligência emocional. Tem garra, tem vontade e, pelo que pude ver, e sentir, você está levando essa nova fase com uma alegria, com uma fé, com um entusiasmo que eu mesmo não tive condições de ter. Você vai sofrer menos que eu. E isso é saber viver. E é também saber empreender. Perguntei se com 8 meses de negócio já estava conseguindo equilibrar seu orçamento pessoal, pagar as contas, ganhar o que ganhava quando empregada. Você riu gostosamente. Sem peso, sem medo, sem angústia. A insustentável (para mim, tantas vezes) leveza do ser. Que bom. Parabéns.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593243519-25082009"></span></font> </div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Carta à minha amiga triste]]></title>

<pubDate>Dom, 23 Ago 2009 23:42:59 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090823_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009">Querida amiga minha. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009">Não se arrependa de nada. Nem dos amores que não deram certo. Nem dos planos que não se efetivaram. Nem de ter sonhado alto. Nem do vale de sombras e silêncios com que a realidade está lhe desafiando nesse momento.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009">Você teve, nos últimos anos, relacionamento longos, apaixonados, complicados, malucos, tórridos, inconstantes, múltiplos. Quem disse que não deram certo? O que é um relacionamento que dá certo? Tem relações que acabam e que obviamente deram muito certo. E tem relações que se arrastam <em>ad eternum</em> e que obviamente não dão certo. Arrastam pesadamente ao longo de anos infinitos o ônus da sua infelicidade intransponível. Mas o fato é que você considera que não foi feliz com nenhum daqueles caras, não? E o fato é que você está sozinha e com a sensação de que fracassou amorosamente, não? Ainda assim eu lhe digo: não se arrependa. Você entrou naqueles relacionamentos porque eles lhe atraíram e lhe interessaram. E você saiu na hora exata em que aquelas equações afetivas deixaram de fazer sentido para você. Poderia não ter entrado naqueles barcos? Poderia ter saído antes? Não se arrependa. Você não sabia e agora sabe. Você aprendeu.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009">Você deixou um bom emprego e a vida que estava estabilizada (num ponto que não lhe preenchia, não lhe realizava) para empreender uma viagem longa, para obter uma experiência internacional, para realizar uma tentativa madura e bem refletida de desterro. Faltou apoio, faltou emprego. Sobrou xenofobia, burocracia burra, sexismo, talvez, e crise econômica. Não se arrependa. Você viveu um ano do qual nunca se esquecerá. Você aprendeu uma língua, viveu outra cultura, saiu de dentro de si, recusou sua zona de conforto, foi dar uma rolê e ver qual era. Não se arrependa. Você teve a coragem que a maioria das pessoas não tem. Você tem a minha admiração por ter tentado. E a de muita gente. Mais do que você imagina. Mais do que as palavras que efetivamente chegarão até seus ouvidos. Ainda que parte dessa admiração exista na forma de inveja.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="656041820-20082009">Você está vivendo um limbo mormaçoso, um momento de passagem. Você está sentindo esses dias que correm como um calvário, como um purgatório. A volta precoce ao país, a dificuldade de se recolocar profissionalmente - e aquela sensação cruel e companheira de não ter um amor para compartilhar com você esses dias de angústias, inseguranças, baixa auto-estima, de fadiga depressiva em relação ao futuro. Não se arrependa. Você já deu certo na vida. E vai dar mais ainda. E nada do que você fez vai tirar isso de você. Ao contrário. Você conquistou muito. E continuará conquistando. Então não se arrependa. E não se perca do seu sorriso, da sua alegria de viver, da sua leveza e do seu alto-astral para lidar com o mundo e com as coisas. Essas são as suas marcas registradas. Tenha orgulho delas. Respeite-as. Defenda-as. Inclusive de você mesmo.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Não tem nada melhor para fazer na cama?]]></title>

<pubDate>Qui, 20 Ago 2009 16:24:03 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090820_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="171360621-18082009">Esses dias estávamos conversando no almoço de domingo, entre goles gelados em uma honesta Serramalte (coisa rara), quando minha mulher e eu comentamos à mesa que tínhamos comprado um roteador, para espalhar pela casa, via wi-fi, a partir do escritório, o sinal da banda larga. Contamos que teríamos de comprar uma antena adicional porque o sinal chegava muito fraco ao nosso quarto. Aí meu concunhado disse, pândego e provocador, que a decisão de compra dessa antena resolvia um problema técnico mas revelava outro, mais profundo: a gente estava levando trabalho não apenas para dentro de casa, mas para dentro do quarto.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171360621-18082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171360621-18082009">Ri daquilo, claro. Mas fiquei pensando. Depois minha mulher e eu conversamos. Entre risos e olhares cúmplices de espanto. E nos enxergamos muitas vezes, realmente, dando uma olhadinha nos e-mails, ou finalizando uma apresentação, ou montando uma proposta, ou escrevendo um texto, ou checando as notícias, tarde da noite, lado a lado, com notebooks no colo, sobre lençóis e travesseiros. Decidimos que isso não faz sentido. O dia tem que caber no dia. E o dia não pode entrar em casa. Muito menos no quarto. Muito menos ainda na cama de casal. Decidimos que o que não pudesse ser resolvido hoje teria que ser resolvido amanhã. E que um minuto em família ou a dois não pode jamais ser trocado por nada, ainda mais por trabalho e afazeres profissionais.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171360621-18082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171360621-18082009">Decisão tomada. Em casa ninguém mais leva o notebook para cama. Cama é para o lazer e o descanso. E de quebra ainda economizamos o dinheiro da antena.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Não importa o que fizeram com você...]]></title>

<pubDate>Ter, 18 Ago 2009 19:22:10 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090818_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="484281620-18082009"><font face="Arial" size="2">...mas o que você faz com aquilo que fizeram de você. A frase, mal traduzida aqui, é do Sartre. Uma idéia belíssima, gigantesca.</font></span></div><div><span class="484281620-18082009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="484281620-18082009"><font face="Arial" size="2">No iniciozinho dos anos 90, um sujeito que eu conhecia encontrou-se com a escuridão. Ele tinha 20 e tantos anos. Tinha uma mulher bonita, carinhosa, sorridente. E tinha um filho de 2 ou 3 anos. Ele também sorria muito. Um sorriso humilde, tímido, às vezes acanhado demais. Até que um dia enfiou uma bala na cabeça. Não aguentou mais, desistiu, perdeu sabe lá para que angústia incontornável, para que dor invencível, para que tristeza insuportável. Matou-se diante da mulher e do filho. Apareceu com uma arma na mão e despediu-se da pior maneira possível. Não apenas abdicou do amor daquelas pessoas (e de outras), e do amor que sentia por elas (e por outras), mas arrancou a si próprio da existência de modo espetaculoso, deixando para trás, como heranaça, um trauma desses que têm o poder de acabar também com a vida de quem fica.</font></span></div><div><span class="484281620-18082009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="484281620-18082009"><font face="Arial" size="2">Nunca mais ouvi falar daquela mulher e daquele bebê. A lembrança que tenho deles são imagens de 20 anos atrás. Até que recebi um e-mail, esses dias. De um desconhecido. Abri, como sempre abro, e meu dia ficou mais ensolarado. (Era de noite, para falar a verdade.) Era um jovem me dizendo que tinha acabado de entrar no curso de Comunicação, me pedindo dicas sobre o curso, a carreira, dizendo que estava em dúvida em relação a outra faculdade, enfim, dividindo comigo dúvidas comuns a quem está ingressando na vida adulta. Fui reconhecendo aos poucos o nome do sujeito, o sobrenome, e o texto se encarregou de me pôr a par de tudo. Era o bebê. Era o menino. Que chegava são e salvo, por seus próprios méritos, e possivelmente pelos méritos da sua mãe, da família que lhe restou, aos 20 anos. As entrelinhas do seu texto me davam a sensação de que ali estava um homem sereno, promissor, de bem consigo mesmo e com a vida. Fiquei feliz.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O poder do pensamento negativo]]></title>

<pubDate>Seg, 17 Ago 2009 09:21:22 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090817_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="446024611-05032009">Há alguns meses li na O, a revista da Oprah, talvez a melhor publicação feminina do mundo, uma matéria que abria assim: </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="446024611-05032009"><a href="http://www.oprah.com/article/omagazine/200903_omag_pessimism">The power of negative thinking</a>. O título não era exatamente esse. Mas a idéia era essa: refletir, um pouco na contramão do senso comum e do que geralmente se diz, a respeito da utilidade do pessimismo. Basicamente, a tese enfocada na matéria era de que várias pessoas bem-sucedidas utilizam o pensamento negativo como uma ferramenta. Ao não acreditar de modo inabalável no sucesso, o sujeito acreditaria que a situação não é tão rósea e se esforçaria mais. Ao não crer incondicionalmente na vitória, o sujeito ajustaria sempre as expectativas e também a ansiedade, se frustrando menos e amargando menos angústias. Então o pessimismo seria um combustível tanto para o êxito quando, de certo  modo, para a paz interior.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="446024611-05032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="446024611-05032009">Eu li com muita atenção porque muitas vezes - e se você me lê há mais tempo, já sabe disso - me cobro para acreditar mais no sucesso, para ver mais o copo meio cheio e não tanto o copo meio vazio, para ter mais fé na vida, no mundo e em mim mesmo. Muitas vezes me pego pensando: caramba, está tudo dando certo, estou cumprindo várias das minhas metas em tempo recorde, estou construindo mais um baita case de sucesso em minha carreira... por que não estou exultando? Por que esse peso todo no olhar, sobre os ombros, dentro do estômago? Aquela reportagem me ajudou um pouco a compreender, ainda que parcialmente, o meu funcionamento, e a entender que a falta de otimismo que tem me torturado de um ano para cá pode, sim, ao seu modo, ter dado a sua contribuição para que eu tenha conseguido sobreviver, e relativamente bem, até aqui, com uma empresa que surgiu praticamente junto com a quebra do Lehman Brothers.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quando alguém está caído, o que você faz?]]></title>

<pubDate>Sex, 14 Ago 2009 13:54:50 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090814_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<font face="arial,helvetica,sans-serif"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Quando alguém está caído, qual a sua primeira reação?</span></font></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p><span class="875425713-14082009">Tem dois tipos de gente no mundo. E a primeira reação diante de alguém caído é um divisor de águas e um ótimo definidor desses dois tipos de gente. </span></p></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p><span class="875425713-14082009">Há quem tenha, como primeira reação, ajudar. Mesmo que se trate de um adversário. Mesmo que seja alguém que você detesta. Esse tipo de gente tem pudor de bater em quem não pode se defender. Mesmo que seja um inimigo. Mais: esse tipo de gente acha que o desafeto precisa estar em plenas condições para sofrer uma carga, qualquer que seja ela. (E nesse sentido ficar indiferente, não aproveitar o momento para atacar, já é quase uma ajuda.) Para esse tipo de gente, todo mundo tem direito à saúde e ao bem-estar, inclusive aquelas pessoas que nos causam repulsa ou raiva. Somente a partir desse patamar de dignidade é que se poderia brigar à vontade. Acho que isso é ética. Só atacar quem está em condições de desviar ou repelir o nosso ataque. Admiro nessas pessoas o horror que têm a se verem numa posição de covardia. Ou numa posição moralmente indefensável. Elas são leais - inclusive com quem não gostam. Isso é lealdade. Respeitar os amigos é fácil. Onde o vento faz a curva é respeitar também os desafetos.</span></p></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="875425713-14082009">Há, por outro lado, quem tenha como primeira reação, diante de alguém caído, aproveitar a situação para bater. Em casos patológicos, isso acontece até mesmo quando se trata de um amigo. Esse tipo de gente não resiste a tirar uma lasca alheia. E quando o interlocutor está caído, melhor impossível. Você pode inclusive participar da malhação sem ser identificado. É só socar uma vez, descer a porrada quando o sujeito estiver beijando à lona, sem campo de visão algum, e sumir, e se esconder, e voltar para as trevas. Esse tipo de gente se pauta pela máxima atribuída a Ray Croc, fundador do McDonald´s: &quot;O que se deve fazer quando um concorrente está se afogando? Pegar uma mangueira e jogar água em sua boca&quot;. Esse tipo de gente não resiste a um convite para a curra. </span></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="875425713-14082009">Um pouco como a surra de sabonetes envoltos em toalhas aplicada pelo batalhão ao rookie desajeitado em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0093058/">Full Metal Jacket</a>.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="875425713-14082009">Eu lhe pergunto: quando alguém está caído, qual é a sua primeira reação?</span></span></p></span></font>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Dia maluco]]></title>

<pubDate>Qui, 13 Ago 2009 16:02:13 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090813_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Apesar de tudo, decidi hoje ativar o meu perfil no Twitter. Você está convidado a seguir: <a href="http://www.twitter.com/adrianosilva29">www.twitter.com/adrianosilva29</a>.</p><p>Como se não bastasse, decidi também criar um perfil no Facebook.</p><p>Ainda não sei várias coisas: como achar tempo para tocar tudo isso, para que esses perfis não virem zonas fantasmas, projeto vagas-lumes, presenças mortas-vivas. O que fazer exatamente em cada um desses lugares, qual seria, digamos, o projeto editorial para cada um deles.</p><p>Mas estou feliz por ter fincado minha bandeira de vez no planeta digital das mídias sociais. Não sei se vai dar certo. Mas vou tentar.</p><p>E aceito sugestões suas de como atuar.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[High tech ou high touch?]]></title>

<pubDate>Qui, 13 Ago 2009 14:04:29 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090813_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="312115812-13082009">Há um tempo conheci um consultor desses que sentam na prateleira de cima do supermercado das grandes competências e que não descem de lá por qualquer punhado de reais. Ele me falou que não era da geração high tech, mas da geração high touch. Por high tech ele obviamente estava se referindo aos geeks, aos tech lovers, a toda essa turma que tem menos de 25 anos (em espírito, pelo menos) e que já nasceu com a internet, com a telefonia celular, com os games topo de linha. É a geração que nunca &quot;discou&quot; um telefone e que por isso mesmo usa o polegar para teclar e não o indicador. (Isto é um divisor de águas. Preste atenção. Que dedo você melhor lhe apraz?)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312115812-13082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312115812-13082009">A geração high tech é essa que não usa mais o telefone fixo (nunca estão na mesa), que prefere falar via MSN com o cara que está na baia ao lado a ter que encará-lo nos olhos, que dorme com o smartphone no travesseiro, como se fosse um bichinho de pelúcia, que tem perfil ativo no Facebook (Orkut já virou coisa de tiozão), que twitta todo dia sobre tudo o que está pensando e fazendo, que segue um monte de gente no Twitter, que lê um milhão de blogs via RSS, sem acessar os sites diretamente (visitar os sites é coisa anacrônica, o negócio é ler feeds no Google Reader), que usa o Firefox para mostrar a que turma pertence, que admira a Apple, o Linux, o Google e qualquer coisa que tenha cheiro de estar à frente, de ser de vanguarda, de ser disruptiva (se não existem em português estou abrasileirando agora) em relação ao establishment.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312115812-13082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312115812-13082009">Já a geração high touch, a que o meu amigo consultor afirmou pertencer (ele está na casa dos 60 anos), é aquela que mal consegue entender o que escrevi no parágrafo anterior. É gente que gosta de gente e não de máquinas. É gente que entende uma conversa como um olho-no-olho sempre presencial, orgânico, com direito a perdigoto, a gestual, a tons de voz, jeitos de dizer e muita linguagem corporal. É gente que prefere, sempre, uma conversa têt-à-têt a um &quot;call&quot; (ninguém mais diz &quot;telefonema&quot;, agora é tudo &quot;call&quot;). É gente que ainda acha que e-mail é a coisa mais tecnológica do mundo (a geração high tech já considera e-mail uma tecnologia velha e antiquada), que ainda tem medo do Skype (apesar do fascínio por ele, de poder conversar ao vivo com som e imagem com o outro lado do planeta como em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0062622/">2001, Uma Odisséia no Espaço</a>) e que pensa que navegar na internet é acessar a home do portal que lhe provê acesso. A geração high touch não visualiza nada quando alguém menciona palavras como &quot;mídias sociais&quot; e &quot;blogosfera&quot;.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312115812-13082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312115812-13082009">Ao conversar com meu amigo high touch, percebi que tinha a mesma distância em relação a ele que guardo da geração high tech. Minha geração está no meio do caminho. Nem somos high tech natos, viscerais, nem somos high touch clássicos, gente que aposta sempre na pele e no aspecto cardoso das relações. Eu e minha turma, que habitamos essa faixa entre os 30 e os 45 anos, temos que nos esforçar para ter o melhor de cada ponta dessa régua. Paradoxalmente, parecemos contar ao natural com os aspectos menos brilhantes dos dois estilos. </span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Como vai a sua musculatura interior?]]></title>

<pubDate>Ter, 11 Ago 2009 23:43:02 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090811_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p><span class="218514401-12082009">Almoçava com um velho mentor e ele me perguntava como iam as coisas. Isso já faz algum tempo e, naquele momento, fazia já algum tempo que não nos víamos. Então lhe contei um pouco da história toda. E de como eu a via, de como eu a sentia por aqueles dias. Do encontro com meus fantasmas mais íntimos, das inseguranças que eu nem sabia que tinha, das ansiedades que me assolavam em relação ao futuro. Da autoestima que baixava de modo assustador por dias a fio, de como tantas e tantas vezes eu fui pouco amigo de mim mesmo, dos desconfortos que passei para reconstruir a vida e a carreira.</span></p></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p><span class="218514401-12082009"></span></p></span> </p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p><span class="218514401-12082009">Falei da minha maior descoberta na vida de empreendedor: nada está garantido. Do sumiço, para mim, da ilusão de segurança que a vida corporativa dá. E do impacto, na minha vida, de enxergar a vida como ela é: solta, amorfa, fugaz, etérea, imprevisível, cheia de riscos. Falei de como eu me escorei emocionalmente em minha mulher ao longo desse processo duro de troca de lentes, de ajustes, de readaptação e de redescobertas. Ele me olhou sem dó, como sempre, sem me oferecer qualquer comiseração, e me falou que era ótimo que eu pudesse contar com a minha mulher nesses momentos de fragilidade. Mas que eu não poderia contar com ela sempre. Entendi ali que ele dizia que não era justo com ela. E que não era sustentável nem seguro para mim. Então ele me falou na necessidade de desenvolvermos uma musculatura interior - citando, se não me engano, <a href="http://felicidadeinternabruta.blogspot.com/2008/11/dra-susan-andrews-nova-cincia-de.html">Susan Andrews</a>. Ou <a href="http://www.comitepaz.org.br/download/Discurso%20Lia%20Diskin.pdf">Lia Diskin</a>. (Me perdoem a imprecisão e a falta de memória.)</span></p></span></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Musculatura interior<span class="218514401-12082009">, entendi assim,</span><span class="218514401-12082009"> é ser forte por dentro. É desenvolver resistência às intempéries da vida, é estar bem preparado emocionalmente, para lidar com os vendavais com que a vida nos brinda aqui e ali, em maior ou menor medida. Musculatura interior é não balançar ao vento, não ficar à deriva. É estar bem fincado dentro de si mesmo, centrado. É estar </span></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">preparado para perdas, para os vales e os picos da vida profissional  e pessoal também<span class="218514401-12082009">. Seus pais não estarão aqui para sempre. Sua mulher talvez não esteja aqui para sempre. Mesmo seus filhos, seu bem mais precioso, talvez não estejam aqui para sempre. Seus amigos, seus companheiros, seus confidentes, seus fãs, seus mentores. Ninguém pode garantir que estará do seu lado para sempre. A única companhia que você terá para sempre é a sua própria. Portanto, é preciso aprender a ficar de pé interiormente. É preciso estar forte para se ajudar nos momentos mais difíceis. É preciso exercitar o espírito. E construir musculatura interior.</span></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma segunda-feira feliz]]></title>

<pubDate>Seg, 10 Ago 2009 22:36:22 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090810_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="765024700-11082009">Ontem foi um dia legal. Tive uma segunda-feira bacana. O que não é pouco. Segunda é um dia-parâmetro, um dia que pode dizer muito da sua vida, do estado geral de coisas que vão com você. E do seu humor para enfrentar tudo isso. Segunda é um dia de recomeço, de reengate da vida profissional. Dia de retomar follow-ups, de zerar pendências (oh, quimera!), de fazer avançar os processos, de apaziguar a demanda dos clientes, de cobrar os fornecedores, de organizar o time, de tocar a vida. Quando a semana começa pesada, obnubilada, mormaçosa, alguma coisa não está no seu lugar. Às vezes várias coisas. Essas coisas tortas podem estar fora de você. (Quando você está bem, nem as nota. Ou dá a elas o tamanho que elas merecem e só.) Essas coisas tortas também podem ser as emoções que moram dentro de você. (Aí o dia lá fora pode ser o mais ensolarado do mundo que você só vai enxergar nuvens negras.)</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="765024700-11082009"></span></span> </p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="765024700-11082009">Acordei e ainda estava escuro. Normalmente não gosto desta sensação - acordar antes do sol. Mas ontem saí feliz de casa. Vi o dia nascer a caminho do aeroporto e o sentimento era bom, cálido. Dirigia pelas ruas vazias, tomando um iogurte, ouvindo música no rádio, curtindo a sensação de não estar premido pela culpa, de não estar ansioso, de não estar sentindo medo, de não estar em dívida com ninguém, nem com os outros nem, principalmente, comigo mesmo. Curti a sensação, enfim, de estar tranquilo. Não têm sido comuns para mim segundas-feiras assim. Peguei o avião, fiz a apresentação no meu cliente, para o presidente e o comitê de diretores, almocei na fábrica. Peguei o avião de volta, dirigi de volta para casa vendo o dia ir embora. E ainda consegui cumprir meu último compromisso do dia: tomar banho com meus filhos. Um dia feliz. (E à noite meu time ainda ganhou. Então esse é um dia perto da perfeição.) Tenho tido mais e mais dias assim ultimamente. E é só e tudo isso o que lhe desejo: dias felizes.</span></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu já fiz duas mulheres chorarem]]></title>

<pubDate>Seg, 10 Ago 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090810_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="703140219-31072009"><font face="Arial" size="2">Pois é. Eu já fiz duas mulheres chorarem no escritório, em reuniões comigo. Quer dizer: que eu saiba. As mulheres também choram no banheiro pacas. É o que ouço dizer. Então posso ter causado pranto em mais mulheres. Quer dizer também: não sei se alguém faz de verdade outro agluém chorar ou se esse outro alguém simplesmente chora. Não sei mesmo se é assim que as coisas acontecem, com um malfeitor e uma vítima. Mas tenho um pendor ao cavalheirismo e, portanto, uma tendência a chamar para mim a responsabilidade por eventos desse tipo. Esses dois especificamente, como quer que tenham acontecido, foram constrangedores, embaraçosos, fontes de nenhum orgulho.</font></span></div><div><span class="703140219-31072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="703140219-31072009"><font face="Arial" size="2">As duas ocasiões tinham alguma coisa em comum, além do gênero do meu interlocutor: tratava-se de uma situação de cobrança direta. Eu como chefe, elas como subordinadas. Quero crer que as minhas cobranças foram respeitosas e equilibradas. Mas foram cobranças abertas, do tipo olho no olho, vem cá meu bem, vai ou fica. Será que me excedi? Será que fui injusto? Nem sempre o que dói é o volume da voz ou o gestual alterado. Às vezes é simplesmente o rompimento de uma expectativa, é tomar uma invertida inesperada, é enxergar desarmonia e deselegância numa relação até ali marcada pela suavidade e pelo requinte, é discordar onde só havia alinhamento, é uma mudança de tom e de jeito de olhar, é o rompimento de um laço não-dito, de uma conexão tácita, de uma admiração ou de uma demanda por aprovação, por segurança, por aceite e acolhimento.</font></span></div><div><span class="703140219-31072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="703140219-31072009"><font face="Arial" size="2">Ou será que as mulheres usam o choro como arma, como defesa inexpugnável, como ataque irresistível? Ambas choraram à minha frente, diante de quem quisesse ver. Melhor movimento impossível naquele xadrez que de algum modo jogávamos. Eu recolhi minhas peças: pára tudo, não foi essa a minha intenção, não é assim que devemos prosseguir. Ou será que as mulheres vivem num mundo de veludos, plumas e salamaleques e na hora que você tem uma conversa horizontal com elas o teto cai? Ou será que esse é simplesmente o jeito delas de expressar emoção, do ódio ao amor, da revolta mais ardida à gratidão mais cândida, coisa que homem nenhum faz, nem mesmo trancado no mais escuro e solitário dos banheiros?</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O cigarro acabou. (Que pena.)]]></title>

<pubDate>Sex, 07 Ago 2009 00:45:26 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090807_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p><font face="Arial" size="2"><span class="578382403-07082009"><em>Nesta madrugada entrou em vigor no Estado de São Paulo uma lei que proíbe fumar em espaços coletivos, sejam eles privados ou públicos. Há 500 fiscais na cidade de São Paulo à caça de fumantes que burlarem esta cruzada antitabagista. Estão revogadas as bitucas, estão proscritos os crivos, estão danadas todas as almas que buscavam aqueles &quot;cinco minutos guardados dentro de cada cigarro&quot;, como na música dos Titãs. Bata no peito e diga bem alto: &quot;É proibido fumar&quot;, como na música do Rei. Resolvi recuperar e publicar aqui, em mais um gesto de grande ingenuidade, um artigo que escrevi há um tempo sobre a morte do cigarro e do hábito de fumar.</em></span></font></p><p><font face="Arial" size="2"><span class="578382403-07082009"></span></font></p><p><font face="Arial" size="2"><span class="578382403-07082009"></span></font><font face="Arial" size="2">Fumar é um hábito que morreu socialmente, tanto quanto usar chapéu ou cuspir em escarradeiras. O mundo está dividido em ex-fumantes e gente que nunca vai colocar um cigarro na boca. O grupo dos ex-fumantes é composto também de ex-boêmios, ex-românticos, ex-poetas, ex-artistas. Gente que já fumou muito e parou. E que, coincidência ou não, também parece já ter vivido seus melhores dias. Apesar de terem hoje dentes mais brancos e uma pele melhor, os neocaretas exalam um pouco o ar daquelas pessoas que já foram mais relevantes e mais felizes. </font></p><p><font face="Arial" size="2">Como o mundo desembocou nessa rua sem saída para o cigarro? Ao longo de um século, fumar foi um hábito para lá de aceito: era um rito de passagem desejado, um gesto de glamour cultuado, quase um sinal de normalidade - esquisito era o sujeito que não carregava um maço no bolso. O cigarro era um companheiro que inspirava, consolava, ajuda a celebrar momentos bons, redimir passagens ruins e trafegar por horas solitárias. O cigarro estava na televisão, no cinema, nas revistas, nas crônicas de Rubem Braga e de Nélson Rodrigues. Estava em todo lugar: na sala de casa, no consultório médico, nos elevadores, na boca dos pedreiros e dos banqueiros. </font></p><p><font face="Arial" size="2">Para quem nasceu ontem, no entanto, fumar é apenas um ato vergonhoso, quase uma fraqueza moral. O fumante é visto como um viciado, um doente, alguém que incomoda. O golpe derradeiro é a recente proibição do cigarro nos cafés franceses - ícone máximo daquela imagem idílica do cigarro como universo temático, como dimensão estética. Até isso <span class="578382403-07082009">virou </span>fumaça.<span class="578382403-07082009"> </span>Alguém dirá que o grande responsável por essa derrocada é o câncer. Acredito que o carcinoma - para não falar no mau hálito - tenha sua parcela de culpa. Mas acho que há um fator ainda mais forte para o banimento do tabaco. Trata-se do espírito hedonista do cigarro, que perdeu o lugar neste mundo prático, financista e sem graça em que vivemos. O algoz do fumacê não é a medicina: é o puritanismo. </font></p><p><font face="Arial" size="2">O cigarro é uma auto-indulgência num mundo que cobra estoicismo a todo momento. O cigarro é uma pausa, um tempo que dedicamos a nós mesmos, num mundo acelerado, em que o tempo não nos pertence mais. O cigarro é uma pequena transgressão num mundo cujas engrenagens não permitem desobediência. O cigarro é uma irracionalidade num mundo regido pela correção política. O cigarro é um prazer solitário, sujo, fora da lei, num mundo grandemente asséptico e moralista. O cigarro tem um quê de lassidão e poesia - e não há mais lugar para isso. Eis o que eu lamento: o cigarro está desaparecendo muito mais pelo que ele traz de bom ao espírito do que pelo que faz de mal ao corpo. Por tudo isso, desconfio que o mundo fica um lugar pior sem o cigarro.</font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre caminhar sozinho e caminhar com outros]]></title>

<pubDate>Qua, 05 Ago 2009 14:14:58 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090805_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009">Esse é o caminho natural: ter uma boa idéia, encontrar sócios para a empreitada (ou não), ocupar um espaço no mercado, construir uma oferta que seja melhor, mais rápida e/ou mais barata do que as demais opções disponíveis no ambiente competitivo, e se estabelecer, construir a sua posição no radar de clientes, parceiros, fornecedores. Depois tratar de entregar bem o que você vendeu, e ir melhorando seu produto, seus serviços, seu atendimento, seu relacionamento com os players relevantes do seu segmento. Depois transformar a sua empresa, de uma estréia bem-sucedida, numa realidade. E ir estruturando o negócio, depurando a eficiência &quot;a regime&quot;, como os gestores financeiros gostam de dizer. Esse processo inicial, que pode durar um ano ou dez anos, tira o sangue, o suor e o sono do empreendedor. (Além de algumas lágrimas, é verdade, mas isso a gente não confessa em público.) Você rala tão inacreditavelmente duro, sem nenhuma garantia de de aquilo vá dar em qualquer coisa concreta, que chega a sentir saudade de ter chefe, crachá, holerite e peru da firma no fim do ano.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009"></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009">O próximo passo, uma vez que você já existe e se mantém, e viu que é possível e que, afinal, conseguiu ficar com a cabeça para fora d'água, é fazer o negócio crescer. Este é um ponto muito importante na carreira do empreendedor. Um ponto de divisão de águas. Minha atuação, por exemplo, tem sido toda voltada e pautada pelo crescimento do negócio. No entanto, não são poucas as vezes em que me dou conta de que não tenho certeza de que desejo fazer o meu negócio crescer. Que é esse o meu caminho. Que esse é o foco que eu gostaria mesmo de abraçar. Muitas vezes eu gostaria de depender mais de mim e menos dos outros - o que indica um caminho de autônomo, de consultor, e não de empresário. Muito vezes acho que gostaria de caminhar mais leve - e uma empresa pesa, tem estrutura, tem custos fixos.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009">De certo mesmo, só tenho a </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009">certeza de que o meu desejo mais nítido é transformar meu negócio num amigo, numa presença em minha vida que me traga felicidade, realização e paz. Sobretudo, paz. Se você quer saber, a</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="750082903-05082009">cho que esta utopia é ainda mais difícil de realizar.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Hora de falar e hora de calar]]></title>

<pubDate>Ter, 04 Ago 2009 15:41:03 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090804_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"></font> </div><div><span class="328273714-04082009"><font face="Arial" size="2">Estava de volta ao Rio de Janeiro para uma reunião de trabalho. Tem uma música do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3lera_(banda)">Cólera</a>, uma banda que eu cheguei a curtir aos 15 anos, nos meio dos anos 80, numa época em que a rebeldia punk ainda fazia sentido para um adolescente expressar suas angústias, que era dedicada a São Paulo e se chamava <a href="http://www.youtube.com/watch?v=tBId9yzla28">CDMP</a> -  Cidade dos Meus Pesadelos. Não posso dizer que eu nutra hoje o mesmo sentimento pelo Rio. Longe disso. Ainda busco o Rio de Tom e Vinícius todas as vezes em que volto lá. (Você já foi até a &quot;<a href="http://vagalume.uol.com.br/tom-jobim/videos/cancao-do-amor-demais.html">Rua Nascimento e Silva, 107</a>&quot;? Eu já.) Continuo apaixonado pela paisagem, pelo clima, pelas comidas de boteco. Digamos então apenas que no Rio estou mais próximo de alguns fantasmas que só recentemente pude exorcizar de verdade. O fato é que eu estava lá, num radioso dia de sol do outono carioca, como tantos que eu curti com meus filhos na pracinha, na areia fria da praia, tentando engatar um jogging sobre as calçadas de pedras portuguesas.</font></span></div><div><span class="328273714-04082009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="328273714-04082009"><font face="Arial" size="2">Ali, eu estava indo almoçar com um bom amigo, com um amigo querido. No restaurante, reencontrei sua bela família. Todo mundo à mesa sorrindo, me recebendo com carinho e alegria, as crianças mastigando lindamente com a boca cheia, como num almoção de domingo acontecendo em plena quarta-feira. E eu, naquela batida de viagem de negócios, de apresentações comerciais, de reuniões corporativas, carregando um notebook de vendas a tiracolo, fazendo contas e chuleando aprovações de projetos. Eles, em contrapartida, como uma leveza e um desprendimento tão maior, tão mais tépido e natural. Senti ali que a troca de energias não estava justa para eles. Eles me ofereciam um maravilhoso néctar de vida feliz. Eu estava operando outra frequência, mono, mais cheia de ruídos e asperezas sonoras.</font></span></div><div><span class="328273714-04082009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="328273714-04082009"><font face="Arial" size="2">Aí meu amigo que me perguntou como tinha sido meu último ano. Fazia esse tanto de tempo que a gente não se via pessoalmente. Ele se referia ao primeiro ano do resto da minha vida, em que deixei de ser executivo para virar empresário. Um túnel que eu ainda estou tentando decupar e compreender. À guisa de lhe contar a verdade sobre esse processo de troca de pele, de troca de hardware e software, de troca de paradigmas, acabei pesando a mão. Ao menos essa é a sensação desagradável com que eu saí - apressado, afogueado - daquele encontro tão afável. Narrei minhas aventuras e desventuras, relatei minhas ansiedades e meus aprendizados de modo pouco ensolarado. E assim me senti trazendo nuvens pretas para a mesa em que eu era recebido em banquete por uma família amorosa, cheia de luminosidade e céu azul.</font></span></div><div><span class="328273714-04082009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="328273714-04082009"><font face="Arial" size="2">Me senti um pouco como aquele cara que responde a sério e em detalhes quando alguém lhe pergunta &quot;Como vai a vida?&quot; É definitivamente preciso saber o que dizer, como dizer e quando dizer.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Desculpem, tenho que ir trabalhar...]]></title>

<pubDate>Seg, 03 Ago 2009 13:12:45 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090803_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[
<div><span class="828290819-31072009"><font face="Arial" size="2">Há algumas semanas tive que pegar um avião a trabalho no domingo à noite. Fiquei chateado. Ter que deixar sua família, sua mulher, seus filhos, num momento que é deles, que é seu, que é seu com eles (pelo menos no desenho que eu tracei para a minha vida neste momento) é sempre um negócio difícil de fazer. Especialmente numa hora tão litúrgica quanto o fim de domingo, quando você um pouco se despede de quem você mais ama para cair na semana de labuta, lidando com o mundo e seus leões para exatamente poder se dedicar com mais ênfase e desprendimento e tranquilidade à sua gente. Parece uma contradição mas não é. É apenas um paradoxo. Dessas bolas no contrapé, ou bolas de ferro no pé, se você preferir uma imagem menos futebolística, com as quais a gente tem que lidar.</font></span></div><div><span class="828290819-31072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="828290819-31072009"><font face="Arial" size="2">O fato é que me sentia naquele momento como se estivesse profanando um santuário, como se estivesse empenhando os instantes mais preciosos da minha vida, instantes que não voltariam mais, que eu não poderia viver de novo, em nome de uma coisa perfeitamente esquecível quanto mais um compromisso de trabalho. Estava me sentindo de fato desgostoso, com o peito apertado. Racionalmente eu me dizia que não havia o que fazer: eu tinha uma apresentação no outro dia muito cedo em outra cidade. Tinha que ser daquele jeito. Me dizia também que eu estava longe de ser o único no mundo a viver esse tipo de coisa. Assim como estava bem longe de viver a pior experiência desse tipo. Mas nada ajudava a me sentir melhor. E sentimento, estou aprendendo isso, a gente não domina. A gente não controla nem à guisa de muito raciocínio. A gente simplesmente sente. </font></span></div><div><span class="828290819-31072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="828290819-31072009"><font face="Arial" size="2">Ao me despedir das crianças, acabei me desculpando por ter de sair. Minha mulher fez uma cara de desaprovação. E depois me falou tudo, mas tudo mesmo que eu precisava ouvir, numa frase lapidar que eu não esqueci: </font></span><span class="828290819-31072009"><font face="Arial" size="2">&quot;Não se desculpe com os seus filhos por trabalhar&quot;. Pronto. Ponto. A Lu tem esse poder de mudar todo um cenário pesado com uma única tirada de grande sabedoria. Espero que você consiga lidar com mais leveza do que eu com certas coisas. E, quando não der conta, espero que tenha por perto uma mulher como a minha. </font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma história fantástica]]></title>

<pubDate>Qui, 30 Jul 2009 07:46:46 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090730_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="531212901-04072009">O pai dele era um médico famoso, importante. Do tipo que é referência em uma capital periférica do Brasil. Médico dermatologista. O velho cuidava da cútis de toda a elite daquele Estado. Ele se formou médico dermatologista. Era impossível não herdar aquela clínica, aquela clientela, aquela marca de sucesso que se confundia com o sobrenome da família. Ele sempre teve muito em comum com seu pai. Os dois se adoravam. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="531212901-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="531212901-04072009">Só que a maior das conexões entre os dois, curiosamente, não era a Medicina. Seu pai adorava traquitanas eletrônicas, brinquedinhos, badulaques. E ele tinha a mesma paixão do velho. Os dois brincavam juntos de montar, desmontar e remontar aparelhos. Eles se divertiam lado a lado, ao longo de várias horas, no sótão e no porão da casa, soldando circuitos integrados, turbinando carrinhos a controle-remoto e aeromodelos, contruindo protótipos de plástico - lembra dos kits da <a href="http://www.miniaturasbrasil.com.br/OutrasModalidades-Plastimodelismo.htm">Revell</a>? -, tiveram os primeiros computadores pessoais que chegaram ao Brasil - lembra do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/TK_85">TK 85</a>, do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/MSX">MSX</a>?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="531212901-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="531212901-04072009">Por algum motivo, o velho não tinha investido profissionalmente na sua paixão. E acabou dando muito certo em outra área. Por algum motivo, ele seguiu os mesmos caminhos - e descaminhos, portanto - do pai. Relegava à condição de hobby àquilo que mais gostava de fazer. E se dedicava, profissionalmente, a fazer outra coisa. Com mais de 30 anos, no entanto, ele decidiu jogar tudo para cima. Trocou de cidade e de profissão. E de respeitado dermatologista herdeiro de uma pujante clínica nessa área tornou-se um geek. Um tech lover profissional. Tornou-se não. Assumiu-se. Porque isso ele sempre foi. Hoje é diretor de inovação de uma grande empresa de tecnologia e vive feliz da vida com seus dois ou três smartphones no bolso. Ainda guarda um certo ar de doutor de família. Mas tem uma felicidade no olhar que é impagável, que nem os louros da medicina bem-sucedida poderiam jamais lhe trazer. Ah, sim. Enquanto todos o chamavam de louco, seu pai apoiou fortemente a sua decisão. E de um jeito bem inusitado, se realizou através do filho. Só que não pelo filho seguir a sua profissão mas exatamente ao contrário: pelo filho tê-la recusado.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="531212901-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="531212901-04072009">Eu admiro muito tudo isso. Porque é difícil de fazer pacas.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Mantenha seus inimigos por perto]]></title>

<pubDate>Qua, 29 Jul 2009 09:53:25 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090729_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="484395902-06072009">Ouvi essa esses dias e adorei. &quot;Keep your enemies close&quot;. A frase teria sido dita por Winston Churchill. E representaria um dos floretes com os quais Churchill esgrimou a sua arte política: fique perto dos seus adversários para poder monitorá-los, controlá-los. Isso me bateu sobremodo porque minha reação natural é sempre afastar gente que eu não gosto, é sempre ficar longe de quem me oferece perigo. Eu imaginava que isso era lógico: tem uma pá de gente nesse mundo com quem eu simplesmente não quero contato. São pessoas que não valem a pena, que tisnam as boas energias do mundo com matizes que eu reprovo. Sempre me pareceu que estar próximo de pessoas assim era um exercício de masoquismo. Quando não um ato suicida.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484395902-06072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484395902-06072009">Winston Churchill, se é que ele é mesmo o autor desta máxima, não pensava assim. Para ele, ficar longe dos inimigos equivale a dar as costas a eles. E eu um pouco me enxergo sob esta perspectiva, ignorando olimpicamente adversários, ou simplesmente gente que me trata com hostilidade e antipatia, pessoas que seguramente não terão a mesma grandeza de me oferecer essa indiferença magnânima de volta e, ao contrário, muito provavelmente aproveitarão o meu virar de costas para operar ali, à sombra, em silêncio, apartada do meu campo de visão, todo tipo de sortilégios. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484395902-06072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484395902-06072009">É seguindo esta lógica de Churchill que você vê, e eventualmente não entende, gente que se detesta trabalhando junto. Ou um cara empregando o filho ou alavancando a carreira da mulher do seu pior inimigo. Ou pessoas que não se bicam sorrindo falso uma para outra e fingindo, até para si mesmas, que conseguem ficar mais de 15 minutos no mesmo recinto. Ou aquele chefe que tiraniza um colaborador talentoso mas que não o deixa sair de jeito nenhum para outro departamento.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484395902-06072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484395902-06072009">Reconheço o requinte da estratégia de manter seus inimigos por perto. Infelizmente, para mim, ela não tem uso. Não tenho estômago para isso.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Manifesto contra o strip-tease]]></title>

<pubDate>Ter, 28 Jul 2009 00:01:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090728_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div> </div><div><span class="250343518-27072009"><font face="Arial" size="2">Eu odeio ter que tirar o relógio e o cinto no aeroporto. Acho isso invasivo, abusivo. Acho que não mereço. E que ninguém merece. Para quem não sabe do que estou falando, funciona assim: você tem que passar por um detector de metais para entrar na área de embarque. Tudo bem: ninguém quer que o cara na poltrona ao lado, um ilustre desconhecido, e portanto, nos dias que correm, um agressor em potencial, esteja portanto um canivete, uma faca de cozinha, um saca-rolhas, uma granada, um alicate de unhas. Enfim, a idéia é não permitir que nada que possa ferir outrem num momento de desvairio do sujeito entre no avião.</font></span></div><div><span class="250343518-27072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="250343518-27072009"><font face="Arial" size="2">Já era assim antes do atentado às Torres Gêmeas, em 2001. Mas o tacão ficou muito mais pesado depois daquele pesadelo. E desde então, aparentemente, a coisa não arrefeceu. Mesmo num país periférico e até aqui isento de atentados terroristas como o Brasil. Mesmo em viagens tão mansas quanto um vôo para Porto Alegre ou para Belo Horizonte. Ou seja: parece que o período de exceção se instalou e se esqueceu de ir embora. Eu não sou um especialista em segurança e seria pueril de minha parte advogar aqui pela revogação integral dessas medidas que, suponho, tenham lá o seu sentido e existam para me proteger. Mas uma coisa quero defender aqui: o meu direito de não ser molestado num aeroporto. E definivamente ter que retirar em público peças do meu vestuário é algo um troço intragável.</font></span></div><div><span class="250343518-27072009"></span> </div><div><span class="250343518-27072009"><font face="Arial" size="2">Tirar o casaco, passar as sacolas pelo raio X, sem problemas. O problema é ter que tirar o cinto -- que é quase um peça íntima. Ou o relógio. Ou a aliança. Que são itens valiosos, ainda que apenas sentimentalmente, dos quais você não deveria ser obrigado a se separar. Nos Estados Unidos, no ápice da paranóia, tive que tirar os sapatos. Um absurdo. No Rio, atualmente, os fiscais fazem o que considero a coisa certa: passam a raquete em quem apita no detector de metais carregando consigo apenas a roupa do corpo. Em São Paulo, por preguiça, imagino eu, os fiscais não se dão o trabalho de fazerem o seu trabalho. E exigem que você se dispa, ao invés de usarem uma ferramenta mais adequada ao seu trabalho de detecção.</font></span></div><div><span class="250343518-27072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="250343518-27072009"><font face="Arial" size="2">Cante comigo o refrão: abaixo o strip-tease forçado nos aeroportos. Isto é humilhante. Isto é um desrespeito.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A voz de Galvão Bueno]]></title>

<pubDate>Seg, 27 Jul 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090727_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="640202923-09072009">Cruzei três vezes com Galvão Bueno. Uma delas, num restaurante corporativo, quando alguém nos apresentou rapidamente. Um detalhe me chamou a atenção: a voz do cara sai pelo peito, não sai nem da boca nem da garganta. Outra vez, numa festa de aniversário - na qual, hoje, em retrospectiva, eu me vejo cada vez mais como <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/convidado-bem-trapalhao/convidado-bem-trapalhao.asp">Um Convidado Bem Trapalhão</a>, com Peter Sellers. O cara foi muito polido, me cumprimentou educadamente. E uma outra vez, de passada, num aeroporto. Falava empavonado, no centro de uma roda. Dava a impressão de que gosta de ser o centro das atenções, de que curte ouvir a própria voz. E tem alguma razão nisso. Porque sua </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="640202923-09072009">voz é mesmo algo diferente.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="640202923-09072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="640202923-09072009">Esses dias meu time decidia um campeonato e, coisa rara, todos os canais transmitiam o jogo ao mesmo tempo. Globo, Bandeirantes, SportTV e ESPN. Um poder de escolha interessantíssimo. Eu fiquei zapeando. E percebi como a voz do Galvão empresta autoridade a tudo que ele fala. É isto que o faz o mais influente locutor de esportes do Brasil, há muitos anos. Não é tanto o que ele diz. Mas como ele diz. Outros até podem dizer coisas mais interessantes e tecer teses mais atiladas. Galvão pode até cometer gafes, incorrer em grossas contradições, chafurdar até os joelhos em largas platitudes. Mas ninguém embala tão bem o que diz. Ninguém diz tão bem. E aí não é apenas a sua voz, o seu timbre pulmonar, o seu tom vocal rotundo e rascante. Mas também os jeitos de dizer que ele desenvolveu ao longo dos anos. Ele captura com maestria algumas expressões populares e as transforma em motes poderosos. Ele é o último criador de bordões nacionais da televisão brasileira. E tem uma métrica, um suingue, um jeito de dar ênfase, uma certa afinação, um ritmo que realmente funcionam.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="640202923-09072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="640202923-09072009">Acho que boa parte da antipatia generalizada que há em relação a Galvão, além da rejeição natural à unanimidade que ele representa, a uma liderança que é absoluta demais há tempo demais; além da atitude exageradamente à vontade com que ele desembarca tantas vezes na sala de nossas casas; além da presença excessiva e demasiado referencial, e das suas idiossincrasias que muitas vezes, vá lá, torram mesmo a paciência; enfim, tirando tudo isso, aquela antipatia, creio, tem raiz num detalhe importante e nem sempre notado: Galvão nos lembra, ainda que inconscientemente, e ainda que ele mesmo esteja longe de ser um desses casos, dos caras que ganham na lábia, mesmo sem consistência; dos caras que vão mais longe não porque são os melhores, mas porque falam melhor; dos caras que vencem porque tem um discurso mais potente e mais carismático, porque sabem embelezar melhor frases, ainda que elas nem sempre carreguem a melhor substância.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Enquanto eu estou fora... (o fim)]]></title>

<pubDate>Sex, 24 Jul 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090724_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2">Como namorado, somos uma coisa. No período da conquista, nos comportamos como touros reprodutores. Parecemos ter uma ereção sempre guardada dentro da calça, pronta para você. Trocamos a cueca todos os dias, estamos sempre bem barbeados, com o hálito em dia e com o pescoço e outras partes estratégicas do corpo borrifadas com água de colônia. E damos uma, duas, três. Às vezes até mais. Quase morrendo, com a cara toda vermelha, descabelados, pingando suor, fora de ritmo, com os dentes trincados. Mas fazemos questão de ir adiante. E de entregar tudo que vocês demandam da gente. Fazemos isso para impressioná-las. Queremos que vocês acreditem que gostamos de sexo tanto quanto vocês. O que é uma mentira.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p><font face="Arial" size="2"> </font></p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2">Depois, como maridos, nos tornamos outra coisa completamente distinta. Depois que conseguimos agarrá-las no matrimônio, aqueles touros reprodutores viram bois mansos. Começamos a inventar desculpas para não transar. Passamos a preferir uma bela feijoada regada à caipirinha, ainda que isso signifique prostração para o resto do fim-de-semana, em lugar das boas e velhas maratonas sexuais que sustentávamos na época da sedução. Deixamos de fazer sexo oral, de fazer cafuné, de trazer flores, de brincar na cama com aquela lata de leite condensado levemente aquecido. Deixamos de fazer a barba todo dia, de escovar os dentes depois das refeições, de jogar fora aquelas cuecas furadas  que naturalmente são as de que mais gostamos. No máximo, ainda procuramos vocês para dormir abraçadinhos, em noites frias ou naquelas em que estamos com a autoestima baixa. <span style="mso-spacerun: yes"> </span>Mas aí é vocês que não querem, em represália à nossa falta de interesse. Entendam de uma ver por todas: não se trata de greve de sexo. É uma questão de gênero, nossos hormônios simplesmente funcionam assim, é algo maior do que nós.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p><font face="Arial" size="2"> </font></p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2">E quando pintam os filhos, aí é que a maioria dos homens se torna sexualmente alheia. Nos dedicamos aos rebentos. Nos tornamos pais e deixamos de ser maridos. Ou nos tornamos maridos, provedores, esteios do lar, e deixamos de ser namorados. Nossas melhores energias migram de vocês, como fêmeas, para a família. E, quer saber um segredinho?, não nos sentimos nem um pouco culpados por isso. Sabemos que a paternidade é o propósito que a natureza reservou para a gente, que é a nossa grande vocação. Então passamos a viver cada vez mais felizes sem sexo. E olhando com um tanto de dó e receio para vocês, mulheres, que só pensam nisso.</font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Enquanto eu estou fora... (o meio)]]></title>

<pubDate>Qua, 22 Jul 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090722_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2">De onde vocês tiraram a idéia de que os homens só pensam em sexo? Para a gente, sexo requer envolvimento. Sexo é a conseqüência de um sentimento maior e mais profundo. Sexo, para a gente, só existe como expressão física do amor. Sexo, para os homens, não é nada mais do que isso. E não sobrevive apartado da paixão, da admiração, da cumplicidade. Esta é uma das grandes verdades não ditas sobre os homens: nós nos importamos muito mais com o carinho e a afeição do que com a coisa meramente física. Nem sempre estamos a fim de ação, de sair melados, suados, babados. Quantas vezes a gente não quer só ficar deitado abraçadinho com vocês, assistindo a um bom filme do Charles Bronson?</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p><font face="Arial" size="2"> </font></p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2">Outro ponto que poucas mulheres percebem a respeito do universo masculino: a gente precisa se sentir bem com nosso próprio corpo para transar. Muitas vezes a gente não entra na freqüência sexual não porque vocês não nos excitem, mas porque não estamos satisfeitos conosco. Não adianta vocês chegarem com um traseiro perfeito, sedoso, bronzeado quando o nosso está caído, branco e cheio de espinhas. Não adianta vocês nos envolverem num cabelo sedoso e perfumado quando estamos ficando carecas. Não adianta vocês virem para cima de nós com essas barrigas durinhas, certinhas e cheirosas quando não conseguimos nos livrar da pança pelancuda, flácida, com direito àquela flunfa eterna no umbigo? Quem consegue uma ereção nessas condições? Conheço amigos que já broxaram no motel ao se deparar sem querer com o reflexo da própria decadência no espelho. É por isso que preferimos chocolate (e cerveja) ao sexo. É por isso que preferimos ir ao estádio do que ir ao motel. É menos arriscado.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"></font> </p><font face="Arial" size="2"><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Todo homem diz que é um fauno, que é um tigre sexual de apetite insaciável. Mas, no fundo, o que buscamos é a segurança de ter uma mulher com quem contar. Uma fêmea para tomar conta da gente. A gente fala que precisa de sexo todo dia, ou mesmo várias vezes ao dia, mas no fundo o que procuramos é colo, é um ninho onde possamos nos sentir amados, importantes e protegidos. Passamos a vocês a idéia de que nossa mulher ideal é uma ninfa, uma atleta sexual, mas no fim o que queremos é alguém que nos ponha para ninar à noite, que nos acorde com ternura pela manhã, que nos sugira o que comer no café da manhã e que nos oriente na hora de escolher a roupa a vestir para que não continuemos a cometer pecados fashionistas demasiado imperdoáveis</p></font>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Enquanto eu estou fora... (o começo)]]></title>

<pubDate>Seg, 20 Jul 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090720_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="343545603-16072009"><font face="Arial" size="2">Esta semana estarei fora, de férias, desconectado de tudo. Me ocorreu publicar aqui, durante estes dias, um artigo que escrevi há pouco sob encomenda de uma revista feminina e que foi recusado pela editora. O mote era discorrer diante das leitoras sobre a seguinte questão: homem realmente pensa em sexo 24 horas por dia? Espero que você se divirta!</font></span></div><div><span class="343545603-16072009"><font size="2"></font></span> </div><div></div><div><span class="343545603-16072009"><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-outline-level: 1"><font face="Arial" size="2"></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-outline-level: 1"><font face="Arial" size="2">Quantas vezes por dia os homens pensam em sexo?</font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2">Eis a verdade nua e crua: muito poucas. Copular simplesmente não é um objetivo de vida para boa parte dos homens que você conhece. Não é verdade que os homens pensem em sexo a toda hora. Isto é um mito. Os homens na verdade não pensam em sexo quase nunca, se você quer saber. Sexo, para a maioria dos homens, está longe de ser uma prioridade, ao contrário do que você possa imaginar. </font><font face="Arial" size="2"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2">Conheço caras que têm uma lista de obsessões na cabeça: ver o time campeão brasileiro, ter um carro com faróis de xenon, comprar uma coleção de minifigs do Star Wars. Sexo? Está lá no fim da fila. Se sobrar um tempo, a gente faz. Ainda que meio a contragosto. Só para não decepcionar a parceira. Afinal, ela tem sido uma boa esposa, uma boa mãe, uma boa namorada. É isso: a gente muitas vezes vai para a cama porque ela merece, não porque a gente quer realmente. Só para que ela não entre numas de rejeição e de autoestima baixa por conta da nossa inapetência. É que as mulheres muitas vezes acham que o problema é delas quando na verdade não há problema algum além do fato de que a gente precisa menos de sexo do que vocês. A gente muitas tantas vezes vai para a cama para não ter que discutir a relação, para não criar atrito, para cumprir nossas obrigações de maridos e namorados, para encher a bola das nossas fêmeas  a gente sabe o quanto o sexo funciona como combustível para vocês. Considerando tudo isso, pode acreditar, a gente transa mais da metade das vezes por conveniência, não por desejo genuíno. E, se posso ser sincero, vários daqueles orgasmos espetaculosos são fingidos.</font></p></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu, meu filho, minha filha e um terreno baldio]]></title>

<pubDate>Sex, 17 Jul 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090717_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="984381202-10072009">Meus filhos estão à beira de completar 4 anos e já colocaram os dois pés, tamanhos 27 e 28, naquela fase em que já deixaram de ser bebês e estão começando a agir como crianças. Estão autônomos, pensam livremente, fazem lindas associações por conta própria, chegam a conclusões bastante pessoais, confrontam opiniões e pontos de vista. Começam a dar mais trabalho intelectual, claro. (Do trabalho físico não vou nem falar... zzzzz...) Demandam mais paciência e compaixão. Querem explicação para tudo. Para questionar os meus porquês logo na sequência. E, por tudo isso, nos cansam mais, em todos os sentidos. Exasperam seu pobres (e afortunadíssimos) pais. Mas, sobretudo, eles brilham intensamente, a todo momento, à minha frente. É um fenômeno que fica cada vez mais frequente e mágico. Eu me surpreendo com eles, rio com as suas tiradas, me encanto com cada palavra nova, com cada raciocínio fresco. Me emociono (de encher os olhos d'água mesmo) com coisas que são deles, que eles absorvem do mundo, que eles tiram sabe lá de onde. Já passou, ou está passando, a fase em que tudo vinha de mim ou da minha mulher, em que tudo era gerado dentro da família. Meus filhos estão se tornando maravilhosamente incontroláveis. Não são mais extensões da minha vontade. São pessoas que não me pertencem, individualidades alheias a mim. Como é bom ser pai!</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984381202-10072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984381202-10072009">Não sei como vai ser a infância deles. Imagino que a tecnologia, a virtualidade, o mundo digital e a assepsia serão alguns dos pilares sobre os quais suas brincadeiras e suas descobertas vão se desenrolar.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984381202-10072009">Por tudo isso fiquei muito feliz de ter encontrado esses dias, num condomínio fora de São Paulo para onde fugimos sempre que possível, um terreno baldio. Ali os apresentei a um monte de areia. Ao lado de outro monte de terra vermelha. (Onde me criei a terra era preta. Não importa. O que importa é ter uma relação intestina com ela, lambuzar-se nas vísceras do planeta.) Lembro que eu gostava de cavucar um buraco no monte, até enfiar quase todo o braço lá dentro, e depois imaginar que aquilo era uma caverna ou um túnel. Eles se divertiram escalando o monte e escorregando lá de cima de todas as formas conhecidas para sujar bem uma roupa. Havia também um poço de água, pitoresco a mais não poder, onde nos dedicamos a atirar pedras. Todo terreno baldio que se preza tem, em algum lugar, um montinho de brita. Fora os pedregulhos naturais, torrões vadios de cimento e cacos de tijolos e azulejos esquecidos pelo tempo. (Quando eu era guri se achava muita coisa valiosa no chão: tampinhas de refrigerantes que você nunca tinha tomado, figurinhas de clichete ainda colecionáveis, barbantes, bolas de gude e sempre alguma peça ou pedaço de engrenagem que a gente não sabia de onde viera mas que era absolutamente fascinante e a gente sabia para onde iria: o fundo do nosso bolso e do nosso coração.) Fora a atmosfera de abandono, de arrabalde, de aventura em um território a ser desbravado. (Terrenos baldios são portais para um universo paralelo. São o reino das crianças sonhadoras.) Fora a árvore de sinamomos que, junto com os arbustos de mamonas, são como que os anfitriões dos terrenos baldios. E ambos só servem para uma coisa: guerrinha. (Claro que não me precipitei a esse ponto com meus pimpolhos. Ainda não. Mas ano que vem sem falta. Não conte para a minha mulher, mas vou apresentar-lhes a minha pontaria.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984381202-10072009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="984381202-10072009">Ótimo findi procê!</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Elogiar é preciso]]></title>

<pubDate>Qui, 16 Jul 2009 08:47:49 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090716_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="848021601-15072009">Na linha-fina do blog, está escrito que o escopo do conteúdo aqui pode ser bem amplo: insights, descobertas e perplexidades relativas à vida executiva - mas também à vida em geral. Ou seja: eu fico com a missão de contar boas histórias, as sacadas que me ocorrem, as confissões que podem lhe inspirar ou lhe tocar de algum modo. Às vezes, confesso, abuso da licença poética. Esta semana, por exemplo, acabei postando coisas menos corporativas. Deixei um pouco os meus sentimentos do dia tomarem conta. Então a vida em geral foi mais protagonista do blog do que as reflexões especificamente profissionais. Se você acha que o blog descarrilou por conta disso, por favor me diga. Se, ao contrário, você acha que o blog melhorou por causa disso, diga também.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="848021601-15072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="848021601-15072009">Enquanto espero pelo seu feedback, me ocorre contar uma história que vivi esses dias. Não é exatamente uma reflexão profissional. Mas aconteceu, ao menos isso!, em ambiente corporativo. N</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="848021601-15072009">o meio de um dia comum de trabalho, durante uma apresentação para um cliente, no auditório da empresa, de repente eu me percebi no coffee-break. Já tinha subido ao palco e apresentado a minha parte. Fui bem. Felizmente não tenho problemas com apresentações. Nunca tive. Ao contrário. Tenho recebido muitos convites para palestras e tenho gostado muito, cada vez mais, dessa condição de conferencista. Aparentemente, quem assiste tem gostado também.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="848021601-15072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="848021601-15072009">Mas o ponto é que olhei para baixo, possivelmente com um pão de queijo enfiado na boca, e reparei num pé belíssimo. Proporcional, pele bonita, dedos retos, unhas quadradas. Um pé feminino, helênico. E, diria mesmo, escultural, exemplar. Não havia sentido sexual naquela percepção. Ou o sentido sexual que havia (sempre há) era grandemente sobreposto pela sensação antes que tudo estética que aquele pé me causava. Aí eu quebrei a superfície da água parada daquela manhã de trabalho e fiz o elogio à executiva: &quot;seu pé é muito bonito&quot;. E acho que saiu tão sincero e reto que ela entendeu exatamente do jeito que eu queria: como um elogio, como a </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="848021601-15072009">expressão cristalina de uma coisa boa que eu tinha a dizer para ela a respeito dela mesma. Coisas assim a gente quase nunca diz. E é uma grande bobagem não dizê-las. Acho que o dia dela ficou melhor ao saber que tinha um pé lindo - pelo seu aspecto de surpresa ela não sabia disso, nunca ninguém tinha lhe dito. O meu dia seguramente ficou melhor. Primeiro, por me deparar com aquele primor de pé. Depois, por ter tido a iniciativa de elogiá-lo. </span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Como é virar um spam]]></title>

<pubDate>Ter, 14 Jul 2009 22:11:08 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090714_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="359073400-10072009">Ana Maria Braga, segundo o que eu sei, e o que eu sei é tão-somente o que me dizem, já leu dois textos meus em seu programa. O primeiro deles, um texto chamado <a href="http://hojeeusou.blogspot.com/2009/04/ode-mulher-de-30-anos-adriano-silva.html">Ode à mulher de 30 anos</a>, que eu publiquei na revista Nova há muitos anos. O segundo, um texto que eu publiquei esses dias aqui mesmo no blog: <a href="http://www.senado.gov.br/sf/senado/portaldoservidor/jornal/Jornal103/mania_carpediem.aspx">Aproveite bem o seu dia</a>. Da primeira vez, ao que me contam, Ana Maria deu o crédito no ar. Da segunda vez, ao que me contam, não. Da primeira vez, fiquei faceiro, entrei em contato com a produção e pedi uma cópia do trecho. Queria ver meu texto sendo lido por ela. Tolo narciso. Fui informado por alguém que eu poderia ir até a emissora assistir o VT, mas que cópias de programas não podiam sair de lá por política da TV Globo. Da segunda vez, não fiquei tão faceiro. Sobretudo, tomei a decisão de me apresentar. &quot;Oi, Ana, sou o Adriano Silva, é a segunda vez que você me dá a honra de interpretar um texto meu no seu programa e eu gostaria que você soubesse que eu sou o autor. Muito prazer.&quot; Quem sabe não poderia fornecer crônicas aqui e acolá para ela, de modo oficial e direto? Tolo narciso. Não consegui acessar nem a secretária da Ana Maria e sequer o Louro José. Me disseram apenas que ela não lê e-mails, talvez me desecorajando a enviar um. E ficou por isso mesmo. Também não insisti muito. Sou tímido. E um pouco orgulhoso.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="359073400-10072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="359073400-10072009">O ponto aqui é que Ana Maria só leu meus textos, e eles só chegaram às mãos dela, porque eles viraram spam. Caíram nas graças - ou no purgatório - da internet. Da primeira vez que virei spam, foi um barato acompanhar a progressão geométrica com que um texto viaja pela internet. Recebi muitas vezes a Ode à mulher de 30 anos por e-mail, na maioria delas de gente que eu não conhecia, e que nem sabia que eu era o autor. Em quase todos os casos, minha assinatura viajava com a obra. Em alguns casos, me deparei com versões editadas à minha revelia. Fui parar em blogs, sites. E, mais bizarro, fui embelezado em apresentações do Power Point com musiquinha e tudo. Depois de um ano bombando, o spam começou a ceder. Até que cessou. Aí alguém trocou &quot;30 anos&quot; por &quot;40 anos&quot; e começou tudo de novo, o mesmo fenômeno junto a um outro público.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="359073400-10072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="359073400-10072009">Agora, nesta segunda vez, soube que Aproveite bem os eu dia foi lido, não só pela Ana, mas também num programa chamado &quot;Pretinho Básico&quot;, da Rádio Atlântida, uma FM líder no Rio Grande do Sul. Minha terra natal. Será que ao menos eles me deram o crédito? E que reverberou adoidado por aí. Um amigo a quem eu não via há muito esses dias cruzou comigo no shopping e me mostrou o texto no seu smartphone. Dei uma busca no Google e encontrei o texto num monte de lugares. Na maioria das vezes, felizmente, carregando minha assinatura junto. Em outros casos simplesmente sendo postados, lidos e irradiados como se fossem obra do hospedeiro. Coisa feia, né?</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A doce melancolia do Rei]]></title>

<pubDate>Ter, 14 Jul 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090714_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009"><span class="078094004-12072009"><div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009"><span class="078094004-12072009">No sábado, um dia depois do Globo Repórter em que Sérgio Chapelin entrevistou Roberto Carlos vestindo azul e branco, as cores do Rei, e, ao final, fez uma inesperada declaração de amor a Roberto, a Globo passou o show da turnê RC 50 no Maracanã. Sérgio Chapelin é uma das melhores locuções da história da televisão brasileira e uma das figuras mais elegantes (inclusive no trajar) em um meio em que tantas deselegâncias há (inclusive no trajar). Claro que eu abandonei o jogo de buraco (na minha terra se chama canastra) que rolava na mesa da cozinha, naquele meio de feriado chuvoso, e fui assistir ao show. O cardápio de um especial de Roberto Carlos é bem previsível. Assim como todos os sentimentos que a música do Rei gera em mim. Fiquei ali sozinho na sala fria, olhando para a tela da TV e também para o que acontecia dentro de mim.</span></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009"><span class="078094004-12072009"></span></span></font> </div><div><font size="+0"><span class="953314503-11072009"><span class="078094004-12072009"></span></span></font><span class="953314503-11072009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="078094004-12072009">Roberto me faz lembrar do </span>meu pai.<span class="078094004-12072009"> Meu pai faz parte da juventude que cresceu ouvindo Roberto, que foi jovem na virada dos 60 para os 70 e acompanhou o Rei no salto do Iê-iê-iê para o romantismo, amadurecendo com ele, se tornando homem, adulto, pai junto com ele, aprendendo de certo modo a amar e a idealizar o amor com ele. Há uma tese interessante que diz que Shakespeare inventou o humano com a sua literatura. Acho que Roberto mimetizou e condensou liricamente, como poucos, a alma brasileira. Ninguém é Rei à toa. Lembro de uma discussão acalorada em casa sobre a letra de &quot;Cavalgada&quot;. Meu pai considerava poesia. Minha mãe, cafonice. Lembro do disco de 1978 do Rei, que tínhamos em casa e que me emocionava muito. Eu, com 7 anos, aprendia a ser triste com Roberto Carlos. Lembro, sobretudo, de meu pai, um grande assoviador, solfejando ao longo da vida um rife que sempre me tocou e que somente agora há pouco vim a saber que vem a ser &quot;Meu pequeno Cachoeiro&quot; - uma daquelas canções que não estão entre as 50 maiores pérolas do Rei mas que não deixam por isso de ser deliciosas. Vejo meu pai de calças boca de sino e camisa safári se despedindo de mim, quando eu tinha talvez uns 4 anos, para mais um longo período de ausência, na época em que vivi mais de ano longe dos meus pais. E a trilha que caso sempre com essa cena cálida e nevrálgica em minha vida, muito mais do que eu provavelmente gostaria de admitir, é &quot;Como vai você&quot;. E dê-lhe olhos cheios d'água.</span></font></font></span></div><div><span class="953314503-11072009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="078094004-12072009"></span></font></font></span> </div><div><font face="Arial"><span class="953314503-11072009"><font size="+0"><font size="2"><span class="078094004-12072009">R</span></font></font></span><span class="953314503-11072009"><font size="2"><span class="078094004-12072009">oberto me faz lembrar da </span>minha mãe, que sempre <span class="078094004-12072009">o </span>desprezou.<span class="078094004-12072009"> Minha mãe sempre foi contra a</span><span class="078094004-12072009"> Jovem Guarda e a alienação que Roberto epitomizava ao empunhar a sua guitarra, equilibrando-se sobre um par de botinhas de salto. Na briga entre o rock e a Bossa Nova, minha mãe ficava com Geraldo Vandré. Ela sempre foi pelo Chico Buarque da canção de protesto, sempre desprezou o Chico dos sambas desengajados dos anos 60, sempre recusou o desbunde colorido de Caetano e do tropicalismo. Assim, cresci vendo Roberto e Chico como dois reis de dois Brasis distintos e antagônicos. Roberto era o rei da Globo, da situação, da ditadura, dos valores estabelecidos, da baixa instrução. Chico quase não aparecia na Globo e era o rei da oposição, da resistência democrática, dos ventos de mudança, da <em>intelligentzia </em>nacional. Se havia alguma verdade nisso, até porque aquele era o Brasil que nós vivívamos de fato, polarizado e cheio de maniqueísmos, também é verdade que esse jeito de ver as coisas reduzia grandemente a ambos os artistas, e lhes retirava um bocado da grandeza, das sutilezas e do enorme brilho. Os dois se encontraram num especial de fim-de-ano do Rei, no início dos anos 90. Se não me engano, Chico vestiu azul e branco, homenagenado seu anfitrião. E Roberto cantou &quot;Carolina&quot;, homenageando seu convidado.</span></font></span></font></div><div><font face="Arial"><span class="953314503-11072009"><font size="2"><span class="078094004-12072009"><br />Roberto Carlos está bonito, elegante, como jamais esteve. Parece estar envelhecendo bem, vivendo uma fase muito boa. Fico feliz com isso, fico feliz por ele.</span></font></span></font></div></span></span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O Rei e eu]]></title>

<pubDate>Seg, 13 Jul 2009 00:10:18 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090713_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009">Estava em retiro no feriado (sim, foi feriado em São Paulo semana passada, peço desculpas pela pouca atualização do blog), meio isolado com a família fora da capital, à mercê da TV aberta, como sempre estive antes de virar um habitante da classe média alta, há pouco mais de 10 anos, quando topei com o Globo Repórter sobre Roberto Carlos. Não tem nada mais proletário do que ter apenas 4 ou 5 canais de televisão para assistir. Não tem nada m</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009">ais classe C, classe D, do que ser impactado pela Globo diretamente na antena do aparelho de TV (quem sabe encimada por um Bombril), e ser arrebatado pela imensa sedução do Rei. Ou, mais do que pela sedução, pela enorme presença dele em nossas vidas. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009">Eu nem me lembrava mais como era isso. E me recobri de grande nostalgia. Nostalgia da pobreza. Nostalgia da minha infância, dos meus anos de formação, quando havia reis e eles estavam no auge. Roberto Carlos era rei, Didi Mocó era rei, Cid Moreira era rei, Zico era um príncipe com charme de rei, Tarcísio Meira e Francisco Cuoco dividiam uma coroa real, Chico Anysio e Jô Soares dividiam outra. Nostalgia de um mundo mais simples, menor, mais reto, mais sob controle, com menos opções. Um mundo edulcorado pelas cores da televisão e organizado pelo padrão Globo que conquistava o país e lhe dava uma cara, um estilo, uma identidade. A Globo nos apresentava nossos reis. E nós éramos imensamente gratos a ela por isso.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009">Roberto me dá sempre saudade de 1979. (Se eu fosse o James Blunt, faria uma música pungente com esta data. Bom, nostálgico como eu sou, confesso que faria música pungente com várias datas.) Acho que aquele ano marca o primeiro especial de fim de ano do Rei de que lembro. Roberto como Charles Chaplin, cantando <a href="http://www.youtube.com/watch?v=uZMjTU9jBDE">A Guerra dos Meninos</a>. (OK, talvez isso tenha acontecido em 1982, mas quem se importa?) Música que meus amiguinhos de pátio no BNH cantarolavam entre uma brincadeira e outra. Roberto com lenço no pescoço, cravo na lapela e cabelão encaracolado. E eu, ali, um menino de 8 anos, assistindo fascinado a tudo aquilo. Ouvindo a algumas das obras primas do Rei, que reputo hoje como as mais belas canções italianas já compostas dentro ou fora da Itália. Para mim, 1979 é uma representação dos anos 70, da minha infância profunda. Da casa da minha avó, com seu inacreditável móvel da Philips, com pé palito, que tomava a parede inteira e continha um televisão, um toca-discos e um rádio. Uma peça classudíssima, que não cabe mais nas casas de hoje e muito menos no mundo de hoje. Para mim,1979 é a lembrança doce das férias de verão e de inverno na casa da minha velha, meu refúgio eterno, na sua cidadezinha idílica, de calores mediterrâneos e céus bíblicos. Trata-se de uma época perdida em minha memória, que me dói prazerosamente. Roberto é uma trilha que me conduz a esse passado amoroso, que talvez nem sequer tenha existido de verdade ou em toda essa intensidade difusa que pulsa em meu coração. Roberto no pôster do quarto de pensão onde morava uma tia querida. Roberto e sua voz suave e seu cantar doce embalando os sonhos de amor, as paixões, os sentimentos de uma geração que não era a minha. E toda a emoção que respingava disso tudo em mim, criança tenra, esponja para esse emaranhado de sensações fundas e, talvez, confusas.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953314503-11072009">Poucas coisas me deixam tão mexido, tão triste, tão sensível, tão emocionado quanto uma canção sentida do Rei. Ou quanto 1979.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quer trocar seu patrão por um cliente?]]></title>

<pubDate>Sex, 10 Jul 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090710_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="671565902-06072009"><font face="Arial" size="2">Esses dias fui almoçar com um amigo e, como quase sempre acontece nessas ocasiões, saí de lá com um belo insight. Eu já citei esse almoço aqui. Já revelei no blog outra aprendizagem que meu amigo me proporcionou naquele repasto. Mas vamos ao ponto: ele está atuando como consultor. E eu lhe perguntei como estava lidando com essa vida solta, sem amarras. O consultor, convenhamos, é o solteirão da vida corporativa. Tem várias namoradas mas não casa com nenhuma. Pode passar períodos longos na geladeira, sem ninguém para lhe fazer um cafuné. Mas também pode ter várias namoradas gostosas ao mesmo tempo e correr de uma para outra como um fauno ensandecido. </font></span></div><div><span class="671565902-06072009"><font size="2"></font></span> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="671565902-06072009">Meu amigo me revelou o que havia </span><span class="671565902-06072009">ouvido de outro amigo dele, que é consultor há mais tempo: para ser consultor você basicamente precisa saber lidar bem com dívidas. Funcionaria assim: o c</span><span class="671565902-06072009">onsultor está sempre devendo. Ele está sempre atrás da meta. Ou </span><span class="671565902-06072009">porque não conseguiu vender seus serviços. E tem menos clientes do que deveria. E tem lá seus custos fixos para honrar, seu padrão de vida para manter. Ou então p</span><span class="671565902-06072009">orque vendeu os projetos e agora tem que entregar. E clientes cobram muito mais do que patrões. Eis aqui uma dica para quem imagina que saindo da vida executiva e abrindo seu próprio negócio não terá mais que aguentar certas chateações: terá que enfrentar outras. Quem não quer ter chefe, tem que se contentar em atender clientes. Não é bolinho. A vantagem é que cliente você pode demitir, chefe não.</span></font></font></div><div><span class="671565902-06072009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="671565902-06072009"><font face="Arial" size="2">Eu me vi bastante naquela tese do amigo do meu amigo. Uma empresa nova, um start-up (a minha completou um ano de vida agora em junho. Hip, hip, hurra!), tem duas chances muito claras de morrer: crise de insucesso, sem clientes, sem conseguir vender os produtos ou serviços, sem emplacar projetos e, portanto, não gerando faturamento condizente. Ou crise de sucesso, quando você angaria clientes, consegue vender seus produtos ou serviços e engatar um monte de projetos. Só que aí entram outros detalhes cruciais em jogo: sua capacidade real de entregar o que vendeu, as expectativas de quem comprou (que são sempre maiores do que as intenções de quem vendeu), a taxa de renovação dos clientes da primeira para a segunda compra (muita gente se dispõe a experimentar o restaurante, mas quantas voltam?), a velocidade do crescimento da demanda versus as restrições de capital e de expertise para estruturar o negócio. O mundo das start-ups é o mundo das intuições, das decisões que têm que ser tomadas sem muito tempo para pensar, sem muitos pares e tutores para consultar, sem muita experiência sobre a qual se apoiar e sem muito dinheiro para comprar fora o mundo de coisas que você não tem dentro. Tenho tentado me adaptar a esta permanente sensação de insuficiência. Não é fácil.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu me rendo. Viva a música digital!]]></title>

<pubDate>Qua, 08 Jul 2009 18:46:18 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090708_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009">Eu estava na Ponte Aérea, vindo para casa, cansado, depois de um bate-e-volta no Rio para visitar um cliente. Tenho um i-Pod mini que quase sempre esqueço de carregar comigo. No carro, ainda ouço CDs e rádio. À frente do computador, onde estou na maior parte do tempo, ando com a mania de ouvir música no You Tube. Já criei várias playlists lá e vou me deliciando enquanto trabalho e enquanto o streaming não trunca, seja pela minha conexão seja por videos retirados de lá à força de direitos autorais. Mas, em viagem, fora do carro e com o computador desligado, viva o i-Pod. Recarreguei as baterias do bichinho e o enfiei no bolso do paletó.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009">E ali, na poltrona, naquela modorra típica da Ponte Aérea no final do dia, com todo mundo querendo chegar logo em casa, tomar um banho quente e fazer e ganhar carinho, eu liguei meu i-Pod. &quot;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=nbe47WQ6Rs0">Lovecats</a>&quot;, do <a href="http://www.thecure.com/">The Cure</a>. Uma música do meu tempo. E, senhores e senhoras presentes, eu vos digo: eu nunca tinha ouvido &quot;Lovecats&quot; antes. Apesar das centenas de audições que havia experimentado em festinhas, clipes na TV, LPs rodando na vitrola, CDs. Eu estava ouvindo &quot;Lovecats&quot;, um hit da minha geração, que eu imaginava conhecer de trás para frente, pela primeira vez.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009">Minha primeira constatação foram os sons que eu jamais escutara: as cordas distorcidas, os violões em notas tortas, como a imitar um som de arranhão bem felino. A voz de fundo imitando miados de gatos. Eu jamais as percebera conscientemente. E ali percebia, de modo consciente, o quanto aqueles timbres e efeitos sonoros eram importantes para o sentimento que aquela música se propunha a criar. Segunda constatação: o </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009">The Cure é uma banda muito, mas muito boa. Uma banda de que eu gosto cada vez mais. Por quê? Porque nada é óbvio no som deles. Tudo é estranho, é original, é experimentação. É como se eles sempre tomassem o caminho jamais trilhado, como se recusassem sempre a aposta certa e chamassem sempre para si o risco de pisar em terrreno desconhecido. Por isso uma música do The Cure nunca é igual a outra. Isso tudo já seria bacana demais. Só que eles fazem isso sem abraçar o hermetismo, sem virar, digamos, Frank Zappa. (Com todo o respeito.) As músicas do The Cure, apesar de serem &quot;weird&quot;, podem sempre tocar no rádio, tem sempre potencial de hit, são compostas sempre com melodias atraentes e refrões poderosos. Radiohead é um pouco assim. Cake também. Karnak também.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156382701-04072009">O ponto, para mim, que é sensacional, é o fato de eu só conseguir enxergar a riqueza do som dos caras, gravado há 25 anos, agora. Se usaram 40 ou 50 canais de gravação, como imagino, posso afirmar que os 20 ou 30 canais contendo sons e arranjos mais sutis só vim a conhecer agora, com a ajuda do meu i-Pod. (Ah, sim. Tem sons dos anos 80 também que nem ouvindo em mono conseguem esconder a sua tosquice. É fato. E a gente adorava.)</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Perdoar é difícil]]></title>

<pubDate>Seg, 06 Jul 2009 00:03:18 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090706_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="250152401-04072009">É errado não aceitar desculpas. Isto se chama rancor. Mas há algumas ofensas que não cicatrizam fácil. Dá vontade de riscar o sujeito do mapa para sempre. Eu tenho essa tendência: passar um xis na testa de quem cruza uma determinada linha. Ou de quem cruza a linha de uma determinada forma. Sou radical com alguns tipos de desrespeito, de imposturas. Considero que há situações que não são mancadas cirscunstanciais mas falhas estruturais de caráter da pessoa, daquelas que só poderão ser pavimentadas à custa de muita vontade e de muito esforço. Aí decido que não quero estar lá para ver se a pessoa se emendou ou não, que não tenho tempo para isso, que tenho mais o que fazer, boa sorte, seja feliz, tchau. Aí busco distância. Lembro agora daquela cena do excelente Coração Satânico, em que Robert de Niro, encarnando magnificamente o diabo, sob o nome de Louis Cypher, diz para um Mickey Rourke, ainda com cara de galã, alguma coisa como: &quot;Sou antiquado em relação a isso&quot;. <em>Oldfashioned</em> é a palavra usada no áudio original. Eu sou assim em relação ao modo como as pessoas devem se tratar. Não sou bom em flexibilizar isso. Em nome do que quer que seja. Não gosto de ofender nem de ser ofendido - e não acho que seja pouca coisa quando uma coisa ou outra acontece. Não desprezo nem gosto de ser desprezado. E, ao cabo, ou admiro a pessoa ou a limo do meu horizonte.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250152401-04072009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250152401-04072009">Também não fico rogando praga, desejando mal. Apenas busco distância de quem comete determinado tipo de deslize. Seja comigo, seja com os outros. Lembro agora, também, de minha mãe me dizendo, ainda na infância, que a indiferença é uma arma poderosa. Acho que absorvi a lição. Tem certas pessoas que eu isolo, que simplesmente deixam de piscar no meu radar. Minha relação com os desafetos é essa: apagá-los do meu mapa, muito mais do que persegui-los ou confrontá-los. Quero que vivam as suas vidas. E bem. Bem longe de mim. Claro que isso muitas vezes me impede de perdoar com mais facilidade. E perdão é uma coisa que faz bem - tanto a quem perdoa quanto a quem é perdoado. Claro que muitas dessas pessoas poderiam revelar aspectos mais nobres de suas personalidades em outros momentos, se eu desse a chance de que momentos futuros ocorressem entre mim e elas. Claro que eu me preocupo com o fato de meu desagrado muitas vezes gerar dificuldades para que eu venha a aceitar desculpas. E não aceitar desculpas é uma atitude indesculpável. Claro que eu sei que também cometo meus deslizes, que estou longe de ser perfeito no que ofereço no relacionamento com outras pessoas. Talvez a única coisa que eu possa dizer em minha defesa, em relação a isso tudo, é que, be<span class="250152401-04072009"><font face="Arial" size="2"><span class="250152401-04072009">m, se eu fosse muito diferente, talvez estivesse lambendo a sola dos mocassins de um chefe em troca de um bom emprego. Ou, quem sabe, usando uma gravata cafona atrás de uma escrivaninha obscura em Brasília. Portanto, me orgulho um pouco em ser do jeito que eu sou.</span></font></span></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="250152401-04072009"></span></font> </div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ainda o meu velho]]></title>

<pubDate>Sex, 03 Jul 2009 00:48:35 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090703_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009">Há pelo menos uma outra sacada do meu avô sobre a vida, sobre as coisas, que me impressiona muito. Um belo dia eu tinha 23 anos e decidi disputar uma vaga para um MBA no Japão. E ganhei. Viajaria no começo do ano seguinte, apenas um ano e meio depois da morte da minha avó, para um exílio de três anos no outro lado do mundo, deixando para trás meu avô sozinho e a relação mais próxima que estávamos começando a construir ali, sem a ponte que a minha querida velha fazia entre nós.</span></font></font></span></div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009"></span></font></font></span> </div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009">Lembro que não soube direito como explicar para ele o que era o Japão, o que era o outro lado do mundo. Será que meu avô tangibilizava esse negócio de planeta, de globo, de esfera que leva o nome da sua carne na longa viagem que realiza no nada, girando em torno de si? Como explicar um oceano para quem nunca tinha visto o mar? Como falar de 23 horas de viagem para alguém que nunca tinha entrado num avião? Dei a notícia ao velho debaixo da minha laranjeira, no quintal úmido e místico da sua casa. Ele ficou em silêncio. Eu esperava uma reação de receio. Ou de abandono. Ou de simples ignorância.</span></font></font></span></div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009"></span></font></font></span> </div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009">E meu avô me deu uma aula de desapego, de foco, de inteligência e descortínio. Me disse, com uma certeza que meu pai e minha mãe e meus melhores amigos só vieram a construir bem depois, que eu devia ir. Que estava fazendo a coisa certa, investindo em mim, buscando uma experiência engrandecedora, de amadurecimento, e, sobretudo, estudando. Não me disse com essas palavras. Mas me disse tudo isso. A pessoa que menos tinha condições de entender o que tudo aquilo significava foi a primeira a compreender tudo e dar o seu aval.</span></font></font></span></div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009"></span></font></font></span> </div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009">Meu avô se foi em 2007. Devastado por uma série de AVCs. Tem muita coisa que eu ainda queria de fato aprender com ele. Nunca falamos sobre como lidar bem com essa vida autônoma, com os altos e baixos em termos de clientes, de faturamento. Será que ele viveu um período de estiagem, de magreza? Como lidou com isso? Mas, sobretudo, faltou </span>aprender com ele as coisas da <span class="031120012-02072009">terra. </span>Ele sabia as épocas de plantar e de colher, conhecia o<span class="031120012-02072009">s</span> efeitos da lua no<span class="031120012-02072009"> cre</span>s<span class="031120012-02072009">cimento das plantas</span>, <span class="031120012-02072009">manjava muito de sementes </span><span class="031120012-02072009">e</span> raízes, <span class="031120012-02072009">e de todo</span>s pequenos e grandes segredos que cabem num<span class="031120012-02072009">a</span> horta.<span class="031120012-02072009"> O velho sabia podar, sabia cultivar, enxertar. Essa é u</span>ma cultura espetacular<span class="031120012-02072009">, atávica, telúrica, que está desaparecendo, e</span> que ele levou com ele<span class="031120012-02072009"> para sempre</span>, por <span class="031120012-02072009">pura </span>bobeira minha.<span class="031120012-02072009">&nbsp;</span></font></font></span></div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009"></span></font></font></span> </div><div><span class="034403316-09042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="031120012-02072009">Ótimo findi procê!</span></font></font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[As lições do meu velho]]></title>

<pubDate>Qui, 02 Jul 2009 09:13:36 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090702_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009">Meu avô era um empreendedor nato. Ou muito me engano ou nunca trabalhou para ninguém ao longo de toda a sua vida. Sempre foi dono do próprio nariz. Talvez porque tenha visto o seu pai, bolicheiro, criar a família sem ter patrão. Cada um de nós tem seus velhos. E é preciso amá-los, compreendê-los, aprender com eles. Todo mundo tem que ter um velho para chamar de seu. Meu avô foi o meu velho. Tivemos uma proximidade bem grande e amorosa nos últimos 15 anos da sua vida, depois da morte da minha avó, que nos uniu no luto e num monte de cumplicidades bacanas que vieram depois. Mas tem coisas sobre meu avô que só percebo agora. Até porque ele não era um cara de ficar articulando lições. Ele simplesmente vivia a vida dele do jeito que sabia.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009">Primeiro, logo depois de voltar do exército, o velho foi ser tropeiro. Depois, foi trilhar arroz. Então casou, teve seus filhos e, um dia, teve uma luz: percebou que as crianças precisavam estudar. Era preciso sair do campo. Isto aconteceu na metade da década de 50, num rincão longínquo do Rio Grande do Sul. Ele não tinha meios para perceber que havia um movimento enorme de urbanização e êxodo rural tomando forma no país. Ainda assim, numa decisão que considero de uma inteligência e de uma intuição sem par, decidiu deixar para trás a agricultura e a pecuária, que era tudo o que sabia fazer, e se mudar para a cidade. Decidiu abrir mão de um pedaço de terra, o maior de todos os valores naquele lugar e naquela época, para reinventar a sua vida num mundo completamente novo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009">Então meu avô fez um curso de eletricista via correio (expôs durante toda a vida um simpático diploma do Instituto Universal Brasileiro na sala de sua casa) e se transformou no eletricista da cidade. Eletricidade era a grande novidade, a grande aspiração das pessoas. E, mais uma vez, com apenas três ou quatro anos de ensino formal no currículo, o velho mostrou um descortínio absurdo para gerir a sua carreira e detectar oportunidades. Lembro dele e aprendo um monte de coisas que ele talvez jamais tenha imaginado me ensinar. Logo eu, o neto estudado, lido, viajado. Pois é, velho. Você me ensina até hoje. A ter coragem de tomar decisões difíceis, que tiram a gente de uma zona de conforto sem garantir que chegaremos à próxima. A olhar estrategicamente para a carreira, para os movimentos que vão compondo a vida da gente. A viver a vida sem tanta culpa, sem tanto peso. A acreditar mais no meu taco. E a escrever uma história da qual eu me orgulhe - e que talvez um dia possa ser lembrada por um neto.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="034403316-09042009">Ainda tenho uma carreta cheia de lições para aprender sobre tudo isso. Pena que você não está mais por aqui, velho. </span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você é bom em distribuir sopapos?]]></title>

<pubDate>Qua, 01 Jul 2009 00:16:08 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090701_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="046251203-29062009">Houve uma época em que eu era mais agressivo. Cuidava menos dos outros e cuidava mais de mim. Era mais leal aos meus próprios sentimentos. Isto me tornava um cara mais áspero, mais cortante. Me adaptava menos aos ambientes: as pessoas que me recebessem em suas vidas do jeito que eu era. Não sei exatamente quando a chave virou para mim. Lembro de uma namorada, no comecinho da vida adulta, a quem eu admirava muito intelectualmente, fazendo um paralelo entre mim e um amigo nosso: &quot;você tem muito menos dúvidas a seu respeito. Ele se questiona mais&quot;. E isso era um elogio ao cara, não a mim. Lembro de minha avó me dizendo, alguns anos antes, que muitas vezes não sabia o lado de chegar em mim, de me abordar para dizer alguma coisa. Cito esses dois marcos porque me ocorrem agora, ao pensar sobre o assunto. Então, psicanaliticamente, devem ter algum valor.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="046251203-29062009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="046251203-29062009">O certo é que houve um momento em que eu decidi que talvez estivesse mesmo muito expansivo, muito pontudo. Admiti a minha presença como algo excessivo e resolvi </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="046251203-29062009">me apequenar para caber no mundo. Talvez isso tenha me tornado mais palatável, mais agradável aos outros. Mas é bem possível também que meu carisma e meu brilho pessoal tenham decaído na mesma medida. Talvez o meu processo de contrição pessoal em nome de ser melhor aceito ou mais amado pelas pessoas tenha estacionado lá atrás, naqueles anos em que você sai da faculdade se considerando um gênio e entra no mercado de trabalho se descobrindo apenas mais um a ajoelhar no milho corporativo. Ou talvez esse processo tenha avançado lenta e perigosamente através dos anos, me tornando cada vez mais dócil aos desejos dos outros e cada vez mais insensível às minhas próprias demandas. O fato é que muitas vezes me pego perguntando: o que <em>eu</em> quero? Não minha família, meus sócios, meus clientes. Não meus filhos, minha mulher, meus patrões, meus funcionários. Mas eu. O que <em>eu</em> quero? Nesses momentos percebo o número de vezes em que me encontro apartado de mim mesmo, vivendo uma vida definida pelas circunstâncias, por fatores externos, pelas expectativas dos outros, e não por mim.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="046251203-29062009"></span></font> </div><div><span class="046251203-29062009"><div><span class="125294111-15062009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="046251203-29062009">Mas também há um tanto de sabedoria nesse processo que me tornou um cara mais manso. Ser alguém que ocupa espaços ao redor, invadindo o território alheio, é ser alguém incômodo. Falar muito e ouvir pouco tende a ser sempre pior do que falar pouco e ouvir muito. Então acho que há boa dose de maturidade nesse funcionamento de estar sempre disposto a rever meus pontos-de-vista, de sempre considerar que o outro pode estar certo. Acho que isso é aprendizagem de vida. Ainda que às vezes exagere, e o faça muito mais do que a média das pessoas. Ainda que isso me enfraqueça em vários momentos. </span></font></font></span></div><div><span class="125294111-15062009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="046251203-29062009"></span></font></font></span> </div><div><span class="125294111-15062009"><span class="046251203-29062009"><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="125294111-15062009"><span class="046251203-29062009">É claro que ser alguém extrovertido, ser uma pessoa que não se restringe previamente, muitas vezes significa ser alguém mais em paz consigo mesmo, ser alguém mais bem resolvido. Por outro lado, q</span></span>uem vai sempre na jugular no interlocutor, quem considera que o ataque é a melhor defesa, e não arreda o pé um centímetro das suas posições, também pode viver uma vida agastada, amargurada, exatamente p<span class="046251203-29062009">or conta das vitórias que impõe a</span><span class="046251203-29062009">o mundo em volta, à custa de sopapos e nocautes</span>.</font></font></div></span></span></div></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Coragem e covardia]]></title>

<pubDate>Seg, 29 Jun 2009 21:49:25 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090629_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009">Recebi um amigo para jantar esses dias. Cozinhei pessoalmente para ele e sua mulher. (O único prato que sei fazer. Mas que sai bom para caramba.) Ele é muito talentoso, um cara que eu admiro. (Especialmente depois do par de vinhos Malbec que trouxe consigo...) Vinho vai, vinho vem, ele me contava da cultura da empresa em que trabalhava, que muitas vezes expunha os funcionários e os departamentos ao confronto, para ver quem se saía melhor na rinha. Me contava das vezes que teve que levantar a voz, bater na mesa e roncar grosso - para sobreviver, para se fazer ouvir, para ser respeitado e para defender o seu time. (Sim, ele era chefe, falava em nome de muitos.) E eu pensava: como uma empresa pode incentivar, ainda que por inação, quando não por ações bem definidas, os indivíduos a se baterem dessa forma? Pensava: logo esse cara, tão culto, tão articulado, tão interessante, não merecia ter que se sujeitar a esse tipo de situação. Em paralelo, constatava também: eu não tenho jeito para isso.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009">Ao mesmo tempo que me ressentia em seu nome, pelas situações que ele tinha tido que enfrentar, nunca esquecendo que talvez ele mesmo não sofresse tanto com aquilo, eu o admirava um bocado pela coragem de bater de frente e de defender seu ponto, de não levar desaforo para casa, de se dar o direito de ter o pavio curto (ou de um tamanho que lhe garantia dignidade), de não se deixar abusar, de devolver as agressões no mesmo tom. (Ou, quem sabe, num tom acima.) Eu constatava ali: simplesmente não sou assim. Sem orgulho e sem vergonha nessa constatação. Apenas me admitindo como eu era. Ou sou. E talvez percebendo que eu poderia, sim, em alguns momentos, me dar um pouco mais ao respeito.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009">É que sou basicamente um cara da conciliação. Acho irracional gritar numa reunião, por exemplo. Acho uma situação cenicamente ridícula. Então não a pratico. A recuso. Mesmo nos momentos em que a contemporização significa perda e uma posição desconfortável, pior do que aquela que me faria justiça naquele determinado momento. Nunca esmurrei a mesa nem coloquei o dedo em riste no nariz de outrem. E acho que nunca vou fazê-lo. Sei ser incisivo e até mesmo duro. Mas não sei passar de uma determinada linha que gosto de chamar de racionalidade. Não me vejo e não me admito perdendo a compostura, a altivez, a elegância e a inteligência. Então prefiro desistir a brigar. Prefiro perder a disputar qualquer coisa a socos com alguém. Talvez isso seja uma postura blasé, magnânima (ou doadora, salvadora, se você já fez análise) de quem pensa assim: eu sou maior do que isso, isso não vai me fazer falta, não vale a pena o desgaste, deixa para lá. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009">Ou talvez seja tudo só covardia. O medo do confronto que me faz ser sempre aquele piloto que mede consequências e que pisa no freio quando acelera na curva com outro carro.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125294111-15062009">Bem, nem sempre fui assim. Amanhã eu conto.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Descubra-se! (A period of deep soul searching...)]]></title>

<pubDate>Sex, 26 Jun 2009 16:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090626_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="937060217-25062009"><font face="Arial" size="2">Segundo meu amigo headhunter, a crise de autoconhecimento que acontece mais ou menos na metade da vida e da carreira do sujeito não impõe os mesmos desafios a todo mundo. Tem gente que ignora esse chamado à reflexão. Que toma um antidepressivo e segue adiante. Funcionaria mais ou menos assim: do começo da carreira até mais ou menos esse ponto, o sujeito corre atrás das oportunidades, experimenta de tudo, vive um bocado à mercê do mercado, das necessidades da empresa, das propostas que recebe, dos feedbacks emitidos a seu respeito, das expectativas dos outros. Então acumulamos dos 20 aos 35 anos, dentro do peito, uma série de versões de nós mesmos. Meu amigo me disse que isso pode começar ainda mais cedo, ainda no seio familiar. Um dia você é um idiota porque fica de recuperação, noutro dia você é o gênio que gabarita a prova de vestibular. Num dia você é um grande craque em potencial (é o que seu pai lhe diz sorrindo, quando lhe ensina a jogar bola), noutro dia você é um baita pereba que nem é chamado para a pelada com a turma (crianças podem ser bem cruéis). Você viveria nessa gangorra emocional, sem saber direito quem de fato é, o que gostaria mesmo de fazer de si mesmo e da sua vida, até esbarrar nesse período que muitos chamam de crise da meia-idade.</font></span></div><div><span class="937060217-25062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="937060217-25062009"><font face="Arial" size="2">Aí, sim, penosamente, o sujeito começa a falar consigo mesmo. Ou começa a escutar aquilo que estava se dizendo há muito tempo, sem obter resposta. A falta de equilíbrio em sua vida, o modo desbalanceado como o sujeito avança em direção ao futuro, meio em ziguezague, meio como um ioiô que vive de subir e descer, já não soa tão bem. Já não traz realização. As lacunas e os desacertos começam a pesar e quando o sujeito percebe, ele já não consegue ir adiante sem parar e dar um pouco de atenção a si mesmo. Há gente que simplesmente ignora esse chamado interno. E segue vivendo como se a insatisfação fosse uma característica normal da vida. E há gente que se ouve e que, então, decide avançar por aquilo que meu amigo chamou de &quot;a period of deep soul searching&quot;. Uma época de recolhimento, de autoanálise, de contabilidade interna, de entrevistar-se exaustivamente, de reconhecer-se e de estranhar-se, de criticar-se, de analisar-se, de avaliar decisões e escolhas, de rever crenças e paradigmas, de repensar sua autoimagem, seus objetivos, seus afetos e, sobretudo, que diabos você está fazendo com a sua vida.</font></span></div><div><span class="937060217-25062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="937060217-25062009"><font face="Arial" size="2">Meu amigo sorriu e me disse que é preciso atravessar esse túnel para renascer do outro lado com a certeza de quem se é, do que é realmente importante para você, do que lhe faz feliz. Aí, segundo ele, a vida fica muito boa. Fica óbvia: &quot;faço o que gosto e ainda me pagam por isso&quot;. Paraíso. Ao final, ele me mostrou uma história que eu já conhecia como spam e que ele afirma ter criado há muitos anos para exemplificar aquilo que me dizia ali: <a href="http://www.slideshare.net/lecocq/transformacao-da-aguia">a parábola de transformação da águia</a>. Desejo a você um findi bem aquilino!</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Descubra-se!]]></title>

<pubDate>Qui, 25 Jun 2009 17:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090625_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="515194001-22062009">Semana passada estive com um amigo de muitos anos. Um dos grandes headhunters brasileiros. Havia alguns anos, não nos falávamos. Mas eu lembrava com entusiasmo da simpatia que ele sempre me devotou. Desde o primeiro contato, quando eu, como diretor de marketing do Grupo Exame, ainda no século passado, fui lhe apresentar uma idéia que estava desenvolvendo: o Painel Executivo, área para anúncios de seleção de executivos na Exame. (Esse é um dos produtos que eu me orgulho de ter criado na carreira. Daqueles filhos que a gente fica olhando de longe, torcendo.) Ele me recebeu num almoço em que me senti para lá de bem acolhido. Depois me chamou para uma apresentação em inglês daquele mesmo produto para a sua equipe - ele era presidente de uma grande empresa internacional de executive search aqui no Brasil. Claro que já estava ali pisando no meu acelerador para ver que ronco tinha o motor. Eu estava num test-drive sem me dar conta disso. (Quer dizer, no fundo sabia. A gente sempre sabe.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515194001-22062009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515194001-22062009">Enquanto me encaminhava para o nosso reencontro, ficava lembrando das duas festas de aniversário que dei, com direito a show da minha banda (Os Alandelons, a maior banda desconhecida do planeta!), às quais ele compareceu gentilmente, sempre com um sorriso bacana no rosto. Lembrei do lançamento de meus dois livros de negócio e carreira - <em><a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=113025&ID=C934A74F7D906190F08090116">E agora, o que é que eu faço?</a></em> e <em><a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=141153&ID=C934A74F7D906190F08090116">Tudo o que aprendi sobre o mundo dos negócios</a></em> -, em que ele também apareceu com seu prestígio e sua simpatia. Fui percebendo tudo isso, os elementos todos que eu nunca tinha amarrado num mesmo cenário, e sacando que o interesse que ele sempre me despertou era, afinal, recíproco.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515194001-22062009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="515194001-22062009">Fui visitá-lo em seu novo escritório. Meu amigo agora é dono da própria empresa e está mais focado em coaching e em treinamento de pessoas do que em hunting. Um negócio promissor, reposicionado, bem conceituado. Ele parecia feliz e confiante. Fiquei muito contente por ele. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="515194001-22062009">Aí falamos um pouco de mim. E, depois de me ouvir uns quinze minutos, contando das minhas peripécias como executivo e empreendedor, das minhas conquistas e das minhas angústias, meu amigo, hoje na casa dos 60 anos, me disse que eu estava vivendo uma crise de meia-idade. Um processo que acontece mais ou menos entre os 35 e os 45 anos e que é como um renascimento para o indivíduo. Para ele, trata-se de uma crise de autoconhecimento. E período duro e desafiador de reconhecimento (ou descoberta) de quem você realmente é, daquilo que você realmente quer. &quot;Descubra-se!&quot;, ele me escreveu, ao autografar um livro de sua autoria. Saí dali estranhamente reconfortado.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Entre sorrisos e sorrisos]]></title>

<pubDate>Qua, 24 Jun 2009 18:59:10 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090624_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009">Tem gente que sorri muito, a toda hora, por qualquer coisa. Sorriso fácil. Sorriso a rodo. Esse tipo de gente ganha pontos no atacado. Quem não gosta de ser recebido com um grande sorriso? São pessoas tidas como </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009">simpáticas, bem-humoradas, agradáveis ao olhar e ao contato. Não importa que o sorriso seja genérico, oferecido a granel, sem marca. Não importa que o sorriso saia enlatado e sem alma como meia-dúzia de salsichas. A maioria de nós está absolutamente interessada em angariar sorrisos, ainda que falsos.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009"></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009">Tem gente que sorri com os olhos. Que sorri mesmo na hora de dar uma notícia desagradável ou de discordar ou de criticar. Trata-se de uma habilidade, de uma virtude. Gente que simplesmente não oferece ao outros cara feia nem cenho franzido. Também tem gente que não tem a mesma habilidade e que sorri exagerado, que acha graça até do que não é engraçado. São pessoas que deixam o interlocutor com aquela sensação de irrealidade, de desconfiança de quem recebe uma esmola grande demais. Mesmo assim o sorriso é uma estratégia vencedora de conquista social. É uma ferramenta poderosa para abrir portas, desmontar oposições, arregimentar simpatias - ainda que tão frágeis quantos os sorrisos que as geraram.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009">Na outra ponta, tem gente que só sorri na hora certa, quando acha que há algo de fato simpático ou engraçado que mereça um arreganhar de dentes. Esse tipo de gente ganha pontos no varejo. E estes pontos, a meu ver, são mais valiosos. Trata-se do sujeito que não sorri no automático. Então quando um sorriso aparece na cara de uma pessoa assim, enxerga-se ali um esgar genuíno, que expressa uma alegria ou uma satisfação autêntica. Diante de gente assim, você tem a certeza de que o sorriso é sincero e merecido. De que o sorriso é artesanal, customizado, que foi gerado por e para você, que vem com o seu nome bordado em cima. Ele definitivamente não saiu de uma linha de montagem nem é fruto de ensaios frios à frente do espelho.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009">Eu, confesso, desconfio de quem entra muito contente, por exemplo, numa reunião comigo. Quando sou recebido efusivamente, desconfio que não é real. Confio muito mais em quem chega desconfiado, dizendo que só pode ficar 30 minutos, e sai sorrindo e entusiasmado depois de uma hora e meia de conversa. Aí, sim, houve uma vitória, uma conexão. Aí sim segue-se um follow-up realmente interessado e interessante. Já aprendi que o sujeito que chega muito feliz e que permanece muito feliz ao longo do papo e que sai dali muito feliz simplesmente não estava sendo honesto - nem comigo mesmo nem com ele. Já aprendi que aquela felicidade default não existe de verdade e, portanto, vale quase nada. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="781310219-17042009">E, claro, tem um terceiro tipo de gente, como eu, que sorri pouco. E devia sorrir mais. Mas essa é uma outra história. </span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quão digno é você?]]></title>

<pubDate>Ter, 23 Jun 2009 16:18:56 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090623_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="765252520-28042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="640140013-04062009"><span class="640140013-04062009">Há algumas semanas assisti a um filme de terror bem ruizinho, <em><a href="http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=21368">Evocando Espíritos</a> </em>(&quot;Haunting in Connecticut&quot;), acompanhado de um combo gigante de pipoca com refrigerante light (vai entender o paradoxo), que </span><span class="640140013-04062009">tem uma fala assim: </span>&quot;sua família precisa da sua força, não da sua autocomiseração&quot;<span class="640140013-04062009"> - trata-se da mulher (<a href="http://epipoca.uol.com.br/gente_detalhes.php?idg=76499">Virgina Madsen</a>, que chegou a ser indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por &quot;<a href="http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=10193">Sideways</a>&quot;, no Oscar e no Globo de Ouro de 2005) falando para o marido bêbado, que perdeu o emprego e que não está mais conseguindo pagar as contas, em especial às do filho doente, que ele não pode jogar a toalha, que é exatamente naquele momento que ela e a família mais estão precisando dele e da sua força. É um filme de 2009 que retrata a família americana média em apuros econômicos (e sobrenaturais!), o que é uma raridade, e talvez a característica mais interessante do filme, estimulada por esses tempos bicudos.</span></span></font></font></span></div><div><span class="765252520-28042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="640140013-04062009"></span></font></font></span> </div><div><span class="765252520-28042009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="640140013-04062009">Aquela frase, perdida ali no meio daquele filminho plenamente esquecível, ficou na minha cabeça. É preciso ter dignidade sempre. </span>Dignidade quando se está por cima<span class="640140013-04062009">, quando a fase é boa, quando a vida lhe sorri. Aí a dignidade significa </span>não pisar em ninguém.<span class="640140013-04062009"> Significa não humilhar quem pode menos, não machucar com seu sucesso aqueles que tiveram menos êxito, não se imaginar melhor do que os outros só porque a gangorra naquele momento lhe é favorável. Dignidade significa duvidar um pouco dos elogios e dos tapinhas nas costas que recebemos quando tudo dá certo. Não se tornar esnobe, não se deixar seduzir pela soberba, não permitir que a arrogância se instale.</span></font></font></span></div><div><span class="765252520-28042009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="765252520-28042009"><span class="640140013-04062009">É é preciso ter dignidade </span></span><span class="765252520-28042009"><span class="640140013-04062009">também</span> quando se está por baixo.<span class="640140013-04062009"> A fase pode ser ruim, a vida pode nos fechar a cara e o céu pode escurecer completamente - nada disso nos dá o direito de agirmos incorretamente, de sermos grosseiros, desrespeitosos, ácidos ou azedos. Ninguém tem que aguentar nosso mau-humor e nosso baixo-astral quando nada dá certo. Ninguém merece uma postura menos honrada ou justa da nossa parte só porque estamos angustiados ou desesperançados. Aí a dignidade significa não agarrar ninguém pelas vestes só porque estamos caindo. Significa não segurar ninguém pelos pés só porque estamos mais abaixo na escada naquele momento. Acuados, deserdados, em maus lençóis, muitas vezes passamos a nos sentir no direito de sair batendo em pessoas que julgamos gozar de uma posição melhor naquele momento. Muitas vezes nos voltamos para o nosso próprio umbigo e nos dedicamos a lamber obscenamente as próprias feridas, ignorando quem mais precisa de nós e da nossa integridade naquele momento. (A começar por nós mesmos.) Dignidade significa nos mantermos coerentes e éticos debaixo do vendaval, no meio da lama, duvidando também daquelas vozes (na maioria das vezes, vozes que só existem dentro da nossa cabeça) que querem nos fazer acreditar que nada, coisa alguma, nunca, jamais voltará a acontecer para a gente.</span></span></font></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Um talho no meio da testa]]></title>

<pubDate>Dom, 21 Jun 2009 22:39:48 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090621_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="609230400-22062009"><font face="Arial" size="2">Aconteceu há algumas semanas. Olhei no espelho e descobri, bem no meio da testa, entre as sobrancelhas, uma baita ruga de expressão. Um vinco fundo, meio na diagonal. Às vezes ele parece ser mais vertical; às vezes, aparece mais na horizontal. Um vinco feio, fundo, como nunca antes havia tido - ou percebido. Ele me faz parecer incomodado quando não estou, me faz franzir o cenho quando quero apenas manter uma expressão neutra. Basta eu fixar o olhar em alguma coisa que a ruga já se monta, contra a minha vontade. Basta eu me concentrar em algum assunto que ela emerge, me dando um ar de pessoa brava, cavernosa, infeliz.</font></span></div><div><span class="609230400-22062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="609230400-22062009"><font face="Arial" size="2">Confesso que fiquei muito chateado com essa ruga. Estou convivendo bem com os demais sinais de envelhecimento: a pele menos elástica ao redor dos olhos, criando o que algumas pessoas talvez chamem de pés de galinha. Fios grisalhos brotando aqui e ali. Mãos mais másculas e angulosas, de pai de família, de provedor. Considero tudo isso bacana. São novidades que me emprestam mais nobreza, mais hombridade, mais respeitabilidade. Essa ruga é diferente. Ela não é um sinal de idade. Ela é um sinal de que não ando muito tranquilo, de que ando menos feliz do que deveria, de que estou somatizando no meio da cara um monte de aborrecimentos que eu imaginava estar sublimando numa boa. Meu corpo decidiu me mostrar que não é bem assim. E mandou um recado inequívoco, esculpido na parte mais proeminente do meu rosto.</font></span></div><div><span class="609230400-22062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="609230400-22062009"><font face="Arial" size="2">Agora é tomar um atitude a respeito. Quando a vida começa a mudar a aparência do seu rosto, é hora de mudar de vida. Nada afogueado, irrefletido, precipitado. Mas também nada de ignorar os sinais que a gente mesmo se dá. Quero rugas de expressão nos cantos da boca, pilhas delas, de tanto dar risada. Não quero investir numa máscara talhada no cinzel da insatisfação, que está muito longe de representar aquele rosto que desejo enxergar no espelho toda manhã, que desejo oferecer aos meus filhos, à minha mulher, aos meus amigos.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Em busca da espiritualidade (get back to where you once belonged)]]></title>

<pubDate>Sex, 19 Jun 2009 15:30:09 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090619_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="703084711-15062009">Minhas tentativas de inserção no mundo da religião, das pessoas espiritualizadas, acabou naufragando. Foi bom ter tentado. Foi bom ter tido a experiência. Nunca tinha assistido um médium incorporar. Nunca tinha conversado com uma entidade. Nunca tinha estado tão próximo de situações que eu julgava só existirem em programas de TV, como um quadro que o Mário Lago apresentava no Fantástico nos anos 80 e que me impressionava muito. (Eu ficava com medo de ir sozinho à cozinha beber água. Ficava com medo de desligar a luz do quarto e ter que caminhar no escuro até a cama na hora de dormir.) Me defrontei com situações que me deixaram certo de que o que havia ali era crendice. E com outras que abalaram essa certeza, que me tornaram testemunha de passagens que eu realmente não sei explicar. Aquilo tudo, fraude ou não, autossugestão ou não, contato genuíno com o Além ou não, acontecia na minha frente. Pela primeira vez eu estava na condição de julgar. Ou de sentir.</span></font></font></span></div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="703084711-15062009"></span></font></font></span> </div><div><font face="Arial"><span class="234131400-13062009"><font size="+0"><font size="2"><span class="703084711-15062009">O fato é que não consegui entrar no diapasão daquelas sessões de oração, no timbre daqueles mantras, na devoção daquelas rezas. Aprendi a admirar aquelas pessoas. E as suas intenções. E a sua busca por respostas. Mas uma hora tive que me admitir deslocado ali. Obtive uma ajuda do mestre da casa, que um dia passou a me chamar de São Tomé. (Pois é, espíritos também podem ser bons piadistas.) Então eu era assim mesmo, não só na minha autoavaliação mas também na percepção de uma entidade que em tese tudo vê: eu não tenho Fé. Nasci desequipado dessa ferramenta e tenho grande dificuldade em construí-la. Então eu sou mesmo do tipo de gente que só acredita </span></font></font></span><span class="234131400-13062009"><font size="+0"><font size="2">vendo.<span class="703084711-15062009"> Até um ser sobrenatural gazeteou do meu ceticismo em relação ao mundo imaterial.</span></font></font></span></font></div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial"><font size="2"></font></font></span> </div><div><span class="234131400-13062009"><span class="703084711-15062009"><font face="Arial" size="2">Ao encerrar hoje esta série, em que tomei a semana para confessar aqui minhas tentativas de construir um outro tipo de percepção das coisas, talvez mais aguçado, me questiono sobre o </font></span></span><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2"><span class="703084711-15062009">impacto da falta de Fé em outras áreas da vida. Às vezes, e isso tem acontecido com alguma frequência, me ressinto de não crer mais. E aqui, repito, não estou me referindo à crença religiosa. Mas à capacidade mesmo de crer, de acreditar sem necessidade de provas ou de indícios ou de evidências. Talvez se eu tivesse mais Fé eu também acreditasse mais em negócios que me ocorrem, em mim mesmo, no que está por vir, em boas possibilidades, no lado ensolarado da vida. Ótimo findi procê.</span></font></span></div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2"><span class="703084711-15062009"></span></font></span> </div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2"><span class="703084711-15062009"><em>ps. O baixo número de comentários nesta série significa que ela não despertou tanto seu interesse? Quando for assim, não espere a série terminar. Mande uma mensagem pedindo pelo botão fast-forward.</em></span></font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Em busca da espiritualidade (a primeira experiência)]]></title>

<pubDate>Qui, 18 Jun 2009 12:18:27 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090618_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2"><span class="437284611-15062009">Então um dia um amigo me apresentou a uma amiga, daquelas recomendações do tipo &quot;vocês precisam se conhecer!&quot;, e eu me vi diante de um grupo de orações. Logo eu que nunca havia rezado. A oração sempre havia sido para mim um momento estranho, em que eu na verdade me via na presença de mim mesmo. Sozinho comigo, dentro de mim, falando comigo mesmo. Claro que isso é o que eu faço sempre, assim como você, ao pensar. Refletir não é nada mais do que isso: conversar com você mesmo. Só que a oração pressupõe que essa conversa seja com Deus. Ou com qualquer outra entidade que se encontra no Além, num plano sobrenatural. E eu sempre tive dificuldade de embarcar nessa história. Ao tentar, eu mesmo criticava a tentativa. Ficava me dizendo que a situação era ridícula. Ou, no mínimo, inócua. Mais ou menos como um ator que não acredita no personagem, que fica criticando o personagem, e assim não consegue atuar, não consegue dizer as falas de maneira convincente.</span></font></span></div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2"><span class="437284611-15062009"></span></font></span> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="234131400-13062009"><span class="437284611-15062009">Daquela feita, pela primeira vez na vida, decidi tentar de verdade. Decidi me abrir completamente, sem a postura de ficar fustigando a própria iniciativa. Fui todo de branco (uma regra) até a casa onde o grupo se encontra para rezar, para desejar coisas boas aos outros e a si mesmos. Um clima ótimo. De bondade, de generosidade, de doação, de comunhão. Não sei se todos ali eram de fato bons. Mas certamente, naquele momento, todos estavam tentando ser bons. O que já é muito. E eu ali, ainda me sentindo estrangeiro, como se não tivesse sido feito para operar naquela frequência, tentando me abrir de fato </span></span><span class="234131400-13062009">a uma nova experiência<span class="437284611-15062009">, a uma nova percepção (da vida, do mundo, talvez até de mim mesmo). Tentando evitar que </span>a razão<span class="437284611-15062009"> ficasse me</span> cutucando por dentro, <span class="437284611-15062009">enxovalhando aquele momento como um ritual cheio de superstições e incoerências lógicas</span>.</span></font></font></div><div><font size="2"><span class="234131400-13062009"></span></font> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="234131400-13062009"><span class="437284611-15062009">Havia pessoas muito doentes pedindo cura. Pais pedindo saúde e proteção para seus filhos. Havia gente rogando por emprego. Outras, por paz. No fundo, paz é o que todos buscavam ali. Inclusive eu. Paz para todo tipo de angústia, de sofrimento, de ansiedade.</span> <span class="437284611-15062009">E foi isso que eu senti muito fortemente depois de cada sessão semanal de oração: paz. Saía sempre melhor do que chegava. Com mais confiança, mais centrado, mais sereno: mais em paz. Comigo mesmo, inclusive. Ah, sim. A</span></span><span class="234131400-13062009"> fumaça <span class="437284611-15062009">dos incensos que todos acendiam na entrada, ao chegar, em determinado momento </span>entra<span class="437284611-15062009">va como um fluxo pelo alto, passando pela porta, e fazia todo um caminho sinuoso pelo recinto até chegar a um altar sincrético cheio de imagens santas de várias linhas religiosas. A fumaça fazia isso independente do vento que estivesse soprando. E fazia isso também quando simplesmente não estava ventando de lado algum. Segundo a turma, eram os espíritos, os guias da casa, chegando para trabalhar.</span></span></font></font></div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="234131400-13062009"><span class="437284611-15062009"></span></span></font></font> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="234131400-13062009"><span class="437284611-15062009">Eu vi aquilo. Não sei se tive ali a primeira experiência esotérica da minha vida. Também não sei explicar de outro jeito. E com você, já aconteceu alguma coisa parecida?</span></span></font></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Em busca da espiritualidade (abrindo as portas)]]></title>

<pubDate>Ter, 16 Jun 2009 12:59:51 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090616_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="546044611-15062009">A partir de determinado momento, o orgulho de não crer, de não ser crente, aquela empáfia antropocêntrica e iluminista de acreditar que a razão resolve tudo (o que significa, em grande medida, como já disse aqui, ter Fé na razão, o que é um paradoxo), começaram a se transformar num certo desagrado em não crer. A coisa começou com a percepção de que havia mais coisas ao meu redor do que eu podia compreender. Ou, ao menos, de que podia haver mais coisas, sim, além da minha capacidade de perceber. O mundo, este ou o outro, se é que outro mundo existe mesmo, tem grandes chances de ser uma coisa maior e mais complexa do que o meu poder cognitivo tem condições de abarcar. Não é em todo momento que eu penso, ou  pensava, assim. Mas o número de momentos em que esta dúvida se instalou começou a crecer.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="546044611-15062009"></span></font> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="546044611-15062009">Depois veio o desejo de experimentar uma revelação. De sofrer uma epifania. </span><span class="234131400-13062009">Passei<span class="546044611-15062009">, de algum modo,</span> a me sentir embotado, insensível, uma porta, sem um pingo de capacidade de ver ou sentir o Além <span class="546044611-15062009">desde</span><span class="546044611-15062009"> aquela minha posição materialista. E a partir daquela </span>minha velha<span class="546044611-15062009"> e boa</span> incapacidade de crer.<span class="546044611-15062009"> Será que é preciso crer, ter Fé, para captar de alguma forma o outro plano, se ele existir de fato? Se for assim, se for preciso crer para ver, de novo vem o meu cérebro cartesiano dizer que há autossugestão na parada. O fantástico, para qualquer cético, seria ver sem crer. Aí sim. Prova definitiva. Mas a Fé, se dependesse de provas, teria que trocar de nome, né?</span></span></font></font></div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="234131400-13062009"><span class="546044611-15062009"></span></span></font></font> </div><div><font face="Arial"><font size="+0"><font size="2"><span class="234131400-13062009"><span class="546044611-15062009">Abri como pude as portas da minha percepção ao registro daquilo que eu jamais pude enxergar ou comprovar. E percebi que, ocasionalmente, tenho medos do </span></span></font></font><span class="234131400-13062009"><font size="2">sobrenatural<span class="546044611-15062009"> capazes de q</span>uebra<span class="546044611-15062009">r q</span>ualquer certeza na ausência das presenças que nesses momentos <span class="546044611-15062009">parecem </span>se faze<span class="546044611-15062009">r</span> sentir.<span class="546044611-15062009"> Os números no visor do despertador que se repetem (retrato esse fenômeno no meu romance Homem Sem Nome), adivinhar a chegada ou o telefonema de alguém com segundos de antecedência. Algumas sensações amedrontadoras de presenças na casa vazia. Mudanças repentinas de humor que alguns diriam ser a troca de guarda entre os espíritos que nos rodeiam, atraídos pelas nossas energias - que alguns deles tentariam influenciar. Ambientes que jogam você para cima ou que lhe afundam no primeiro segundo em que você entra neles. </span></font></span></font></div><div><font face="Arial"><span class="234131400-13062009"><font size="2"><span class="546044611-15062009"></span></font></span></font> </div><div><font face="Arial"><span class="234131400-13062009"><font size="2"><span class="546044611-15062009">Medos límbicos, ancestrais, plenamente compreensíveis, próprios da evolução da espécie. Meras coincidências. Autossugestão repleta de superstições. Ou não. Ou então nada disso. E aquela noite em que eu não consegui dormir sozinho na casa do meu avô, no dia em que ele morreu, e que tanto me aborreceu pela falta de controle que eu tive sobre aquela sensação, e pelo fato de que a sensação não era boa numa casa que afinal sempre foi minha, talvez seja um evento para lá de concreto, ainda que não possa (ainda) ser medido e reproduzido em laboratório.</span></font></span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Em busca da espiritualidade (de ateu a agnóstico)]]></title>

<pubDate>Seg, 15 Jun 2009 16:21:58 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090615_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2">Quando criança, eu era ateu. Minha avó fez questão de me batizar. (Quase teve que me sequestrar para isso.) E é claro que culturalmente sempre pertenci, inescapavelmente, ao catolicismo e ao sincretismo que definem a média dos brasileiros. Mas meu discurso sempre foi: Deus não existe. Eu tinha um certo ceticismo congênito em relação a todas aquelas histórias que ouvia no colégio. Primeiro, uma escola de freiras palotinas. Depois, um colégio de irmãos maristas. Eu gostava das histórias como ficção. Mas era difícil acreditar que fossem verdade. Gostava daqueles cenários, daqueles símbolos, daquele clima de clausura e liturgia, de silêncios e sombras. Lembro de uma hortinha bucólica que uma irmã mais velha cultivava nos fundos no colégio. Aquilo me encantava. Lembro da imponência das pilastras e do pé direito da escola marista, que tinha um ar de Vaticano, e cujos corredores tinham um cheiro neutro, asséptico. Meu ceticismo era influenciado favoravelmente em casa, pelas conversas que eu ouvia e pelas leituras que estavam à minha disposição. Só mais tarde, na adolescência, meu discurso se sofisticou para: Deus não inventou os homens; os homens é que inventaram Deus. Pronto. Essa frase resolvia tudo.</font></span></div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2">Somente adulto, mais para o lado dos 30 do que para os 20, é que comecei a ver com um pouco menos de preconceito quem crê. Então eu já sabia que não conhecia todas as respostas, que estava longe de ser infalível. E comecei a admitir o benefício da dúvida. Numa série de campos em minha vida. E também no que se refere aos assuntos da Fé. A partir desse momento, deixei de me considerar ateu. Percebi que para afirmar a inexistência de Deus, assim, categoricamente, é preciso tanta Fé quanto para afirmar a Sua existência. Porque não temos dados objetivos, explícitos e inegáveis nem para afirmar uma coisa nem a outra. É preciso crer na presença Dele. E é preciso crer, com a mesma intensidade, na Sua ausência. E Fé é uma coisa que eu ainda não aprendi a ter. Então passei a me assinar agnóstico. Que é o sujeito que não sabe, que não tem certeza, que não pode dizer nem que sim nem que não.</font></span></div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="234131400-13062009"><font face="Arial" size="2">O agnosticismo pode ser visto como a mais inteligente das posturas. Ou então como a mais café-com-leite delas. Me pergunto se esse raciocínio de nem sim nem não, muito antes pelo contrário, que, no campo religioso, a meu ver, continua fazendo o maior sentido, ou o único sentido, ao menos para mim, não acaba por contaminar outros campos da vida com o seu mecanismo de pular para cima do muro e lá ficar. Será que dar o benefício da dúvida ao Sobrenatural não termina influenciando o pensamento do sujeito a dar o mesmo benefício a questões concretas em relação às quais a última coisa que pode haver é dúvida? </font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Desculpem. Não foi a minha intenção.]]></title>

<pubDate>Seg, 15 Jun 2009 16:20:28 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090615_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><p><font face="Arial" size="2">Amigos e amigas,</font></p><p><font face="Arial" size="2">Recebi algumas reclamações sobre o uso do termo &quot;autismo&quot; no post anterior. O emprego da palavra causou grande desconforto em algumas pessoas, especialmente em pais de crianças que <span class="039480719-15062009">tê</span>m esta condição.</font></p><p><font face="Arial" size="2">Gostaria de me desculpar pelo incômodo que eu possa ter inadvertidamente causado. Não foi minha intenção. O post sequer versava sobre o autismo. Utilizei a palavra em tom figurativo. Como analogia do que queria dizer: a crescente dificuldade de contato pessoal direto que as tecnologias de conexão podem eventualmente estar construindo entre nós. Não creio ter, portanto, em momento algum, jogado sobre o termo nenhuma outra conotação negativa. De todo modo, algumas pessoas não sentiram desta forma e eu gostaria de reafirmar junto a elas as minhas intenções, que, de fato, nada <span class="039480719-15062009">tinham ou </span>têm a ver com o terreno da discriminação, da exposição, do desrespeito ou da zombaria.</font></p><p><font face="Arial" size="2">(Um e-mail enviado diretamente à revista Exame, inclusive, me chama de cretino. O que, curiosamente, também é o uso em sentido figurado de uma condição médica.)</font></p><p><font face="Arial" size="2">Se posso finalizar dizendo mais uma frase, digo que talvez dessacralizar os temas seja sempre o melhor caminho. O tabu, quando se estabelece, quase nunca contribui ao debate, ao esclarecimento, à iluminação. Só para dizer que não gosto, como princípio, da idéia de que existam palavras e temas proibidos. Quanto mais se falar, sobre o que quer que seja, desde que o diálogo seja inteligente e de boa-fé, como o que eu tenho procurado sempre propor aqui no blog, melhor.</font></p></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Estamos virando autistas]]></title>

<pubDate>Qua, 10 Jun 2009 16:36:53 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090610_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009">Uma das faces mais legais da tecnologia nesse bravo mundo novo em que vivemos, em que cada novo dia traz uma nova revolução, é a conexão entre as pessoas. Eu posso falar em tempo real, por texto, por imagem e por voz, ou com tudo isso ao mesmo tempo, com qualquer outra pessoa do planeta que tenha um computador melhor do que um 386 e uma conexão que não seja de banda estreita. Estão aí os MSNs, Skypes e Justin TVs que não nos permitem viver mais naquela remotíssima pré-história, que acontecia até quinze anos atrás, em que escrevíamos aquelas jurássicas peças de comunicação entre seres humanos chamadas... cartas. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009">Para quem não lembra, carta era um objeto que tinha peso, que ocupava espaço e que custava dinheiro para enviar. E que demandava que você se deslocasse até uma agência ou uma caixa dos Correios, o que encarecia ainda mais a remessa e roubava um tempo do seu dia que hoje é simplesmente inimaginável. O destinário, claro, só ia receber aquela mensagem dias, semanas depois. A carta viajava de carro, ônibus, avião, navio, canoa, bicicleta e lombo de animais para chegar ao seu destino, consumindo vastos recursos ambientais. Havia também um exército de homens e mulheres encarregados de distribuir esses pedaços de papel mundo afora. Para arrematar, você tinha que escrever a carta à mão, proporcionando a si mesmo um calo na última falange do dedo médio, onde se costuma apoiar a caneta. Ou então numa máquina de escrever, sujando os dedos na fita cheia de tinta quando as teclas encavalavam. E tinha o <em>grand finale</em>: você tinha que lamber o envelope. A carta, além de notícias, promessas e votos, levava consigo também as suas bactérias e germes. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009"></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009">Esse mundo acabou. Hoje escrever cartas virou um hobby praticado por poucos. Quase uma atividade de charme, um gênero literário. Só que a tecnologia de conexão, que chegou para ficar e que foi feita para nos colocar mais próximos uns dos outros, acaba também, paradoxalmente, servindo para que nos distanciemos. De um lado, ninguém mais pode dizer a um primo que mora noutra cidade, como se costumava fazer: &quot;caramba, tem dez anos que a gente não se fala&quot;, só porque ele mora noutra cidade. Perdemos o direito de jogar a culpa pelo desinteresse no outro nas circunstâncias da vida e no imperativo geográfico. Hoje, se não fazemos contato, é porque não queremos e ponto. De outro lado, entretanto, muita gente conversa por e-mail com o colega que senta do outro lado do corredor. Tem caras na empresa com quem você troca e-mails todo dia, há anos, e nunca, jamais, encontrou pessoalmente. Nem teve interesse em transformar aquele endereço de e-mail numa pessoa de carne e osso. Uma clara preferência pelo metálico em relação ao orgânico, pela impessoalidade em detrimento da aproximação.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="125494200-10042009">Reparei nisso esses dias, quando me pareceu mais fácil enviar um sms do que dar um telefonema. Escrever com dois dedões num teclado de celular dá muito mais trabalho do que simplesmente ligar e conversar com a pessoa do outro lado. Mas ali me pareceu melhor, mais tranquilo, menos penoso não ter que dizer alô, como vai, explicar meu ponto, ouvir, perguntar, confirmar, combinar alguma coisa, me despedir. Preferi não ter que falar num determinado tom, nem ouvir o som da voz do outro. Então parei e me perguntei: &quot;Meu deus. A que ponto chegamos. O que isso significa?&quot; Me diga você. (E ótimo feriado!)</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Minha filha sem mim]]></title>

<pubDate>Ter, 09 Jun 2009 00:01:23 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090609_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009">Tomava um café na padaria. Sozinho. Com o notebook aberto à minha frente. Cedo, fazia frio. Eu respondia e-mails. E digladiava com a preguiça de abrir o Power Point para finalizar mais uma proposta. Das dezenas que têm se acumulado no meu &quot;pipeline&quot; (um jeito chique de dizer &quot;gaveta&quot; ou &quot;escaninho&quot;), desde o início do ano, à espera de aprovação dos clientes. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009">Em certas manhãs de sol, quando o ar ainda é fino em São Paulo, tudo é mais bonito. E poético. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009">Então entrou uma menina. Na verdade, uma mulher. Sentou numa mesa longe. Talvez ela tivesse quase a minha idade. Ou fosse até um pouco mais velha do que eu. Por algum motivo, enxerguei nela a minha filha, daqui a 40 anos. Imaginei a minha filha entrando numa padaria, para tomar um café da manhã. Não sei por que, projetei essa imagem naquela moça. Não sei por que, foi o que aquela moça me evocou com sua presença, seu cabelo, seu jeito de andar. Vi ali a minha filha, daqui a quatro ou cinco décadas, quando provavelmente não estarei mais por aqui, vivendo mais um dia da sua vida, com seu projetos, suas preocupações, seus sonhos, suas alegrias e suas tristezas. Minha filha sem mim.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009">Se você me permite a franqueza, e, talvez, a fraqueza, eu senti vontade de chorar. Uma emoção inesperada me sacolejou, ali, à frente do meu café com leite e do meu queijo quente. Então um dia eu não estaria mais ali para cuidar dela, para amá-la, para protegê-la, para incentivá-la. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009">Senti uma espécie de pena dela. Pelo desamparo que um dia imagino que vá lhe causar com a minha ausência. Perder um pai é coisa grande. E essa é uma experiência que eu lhe imporei, ainda que involuntariamente, um dia. Senti um fisgão de angústia antecipada por um dia não poder mais estar com ela, ao seu lado, olhando no fundo dos seus olhos, respirando o perfume dos seus cabelos e sentindo muito orgulho da sua beleza, da sua inteligência, dos seus tantos talentos e do seu vasto charme. Senti pena ao enxergá-la, naquele átimo, lá no futuro, sozinha no mundo, sem poder mais contar comigo. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="390221815-25052009">Mas, sobretudo, acho, senti pena de mim.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Apagando as próprias pegadas]]></title>

<pubDate>Dom, 07 Jun 2009 21:37:57 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090607_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="953111215-04062009">Ontem vi um anúncio de uma empresa vendendo seus supostos esforços e conquistas em compensar o seu &quot;footprint&quot; no planeta. &quot;Footprint&quot; quer dizer &quot;pegada&quot;, como você sabe. E esse é um jeito novo de medir o impacto de uma empresa no planeta. A meta, até onde entendo, é gerar ações de recuperação ambiental que equalizem os eventuais custos ecológicos que essa empresa tenha gerado ou gere com a sua presença e com a sua atividade.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953111215-04062009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953111215-04062009">Eu achei isso curioso. Essa visão, agora expressa de modo bonito com essa história de &quot;footprint&quot;, sempre foi uma preocupação minha, <em>avant le lettre</em>. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="953111215-04062009">Filho de uma mulher que formou sua cabeça nos anos 60, já nasci ecológico. Ou pobre. Ou, mais do que pobre, envolto naquela cultura de ojeriza a dinheiro típica da geração que odiou genuinamente o imperialismo americano e o capitalismo ocidental - e lutou contra eles. Por uma via ou pela outra, minha educação, e o modo como eu a digeri, resultou num cara contrito. Sempre busquei reduzir meu impacto ambiental em qualquer ambiente do qual tenha feito parte - do planeta ao banheiro da minha casa. Meu ideal, neurotizado ao nível da obsessão durante a adolescência e o começo da vida adulta, sempre foi não gastar nada, não comprometer recurso nenhum, não incorrer em nenhum custo. Como se eu pudesse tomar banho sem desgastar o sabonete, como se eu pudesse cozinhar sem usar o gás, como se eu pudesse comer o bolo e guardar o bolo ao mesmo tempo. A eficiência, por um bom tempo em minha vida, virou um exercício desgastante, e grandemente inócuo, de autodiminuição, de autonegação, a ponto de eu me retirar de determinados lugares e situações em determinados momentos para não impactá-los. O desperdício era o meu arquivilão. Só que minha noção de desperdício era bem torta: para mim, o uso lícito, o consumo normal, a utilização legítima também podiam ser facilmente vistos como desperdício. E eu me debatia.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953111215-04062009"><br />Continuo fechando a torneira enquanto faço a barba. Continuo detestando jogar comida fora. Continuo me permitindo pouco no campo do consumo - e me sentindo culpado ao comprar boa parte das coisas que compro. Mas, creio eu, levo essas manias em níveis mais maduros e saudáveis. Até porque já devo ter apagado várias vezes, e antecipadamente, meu &quot;footprint&quot; do planeta. Quantas vezes não deixei de comer o que queria para comer a minha exata parcela daquilo que tinha para comer naquele momento? Ou para comer o que era preciso comer naquele momento? Estou quite. Ou então pronto para retomar essa conversa em bases que causem menos impacto... em mim mesmo.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Aproveite bem o seu dia]]></title>

<pubDate>Qui, 04 Jun 2009 14:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090604_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="765252520-28042009">Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.  </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="765252520-28042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="765252520-28042009">Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="765252520-28042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="765252520-28042009">Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Nem jogue seu lixo no ambiente. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. Só existe o hoje.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Onde os fracos não têm vez]]></title>

<pubDate>Qua, 03 Jun 2009 17:43:38 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090603_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="203444712-03062009"><font face="Arial" size="2">Tem gente mais dura que você. Gente que agüenta mais porrada. Gente mais resiliente, mais estóica, mais determinada. E tem gente mais frágil que você. Gente que sente tudo de forma mais intensa e mais epidérmica, de modo mais profundo e mais sensível. Se você olhar para o lado, sempre vai haver pessoas mais aptas a segurar o tirão, a pressão, as intempéries. E sempre vai haver também pessoas com pavio e fôlego mais curtos, com menos resistência às asperezas e aos espinhos que a vida oferece. </font></span></div><div><span class="203444712-03062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="203444712-03062009"><font face="Arial" size="2">Normalmente, quando você pensa em desistir de uma situação dura - seja um casamento, um trabalho, um empreendimento, uma negociação - e olha para alguém de couro mais duro, ou que você apenas julga ser alguém de couro mais duro, você acaba pensando; &quot;esse cara não desistiria agora, não entregaria os pontos assim. Então eu também não vou afinar&quot;. E isso pode ser uma coisa boa, um estímulo a seguir andando. Ainda que aquele cara muitas vezes tenha a pele, para a sua surpresa, bem mais fina que a sua. Ainda que ele mesmo não tivesse estômago para a situação que você está vivendo e já tivesse pulado fora há muito tempo se estivesse em seu lugar.</font></span></div><div><span class="203444712-03062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="203444712-03062009"><font face="Arial" size="2">Da mesma forma, quando você olha para alguém ao lado que lhe parece ser mais virgem, mais júnior, menos calejado, ou então simplesmente menos espartano que você, alguém que se respeita mais e que não aprecia tanto o esporte de ficar testando a todo momento os próprios limites, você acaba pensando: &quot;esse cara já teria largado esse abacaxi, não estaria sofrendo tanto. Por que diabos eu ainda estou aqui ralando meu coco?&quot;</font> <font face="Arial" size="2">Esse raciocínio também pode ser bem útil para acender luzes amarelas, para evitar o <em>burn out</em>, o auto-flagelo. Ainda que aquele cara seja, muitas vezes, mais durão do que você imagina.</font></span></div><div><span class="203444712-03062009"></span> </div><div><span class="203444712-03062009"><font face="Arial" size="2">A grande questão, a ser respondida individualmente por cada um, é: até quando continuar correndo nesta direção significa visão e coragem</font> <font face="Arial" size="2">e a partir de que ponto trata-se apenas de burrice e auto-imolação.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quantas almas você tem?]]></title>

<pubDate>Ter, 02 Jun 2009 10:18:03 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090602_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2">Tem gente que é especialista. Que define desde o comecinho da carreira o que deseja fazer da vida e decide, sobretudo, o que não quer fazer. Essas pessoas enveredam por um caminho profissional bem definido e não se afastam dele por nada. Costumam pensar o seu talento como uma coisa única e, portanto, recusam tudo que não for precisamente aquilo que escolheram fazer. Dizem para os outros e para si mesmas que só sabem fazer aquilo, que não sabem fazer outra coisa, e avançam por aquela carreira, vida afora, sem olhar para trás.</font></span></div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2">E tem gente que é generalista. Que gosta de fazer uma coisa mas não descarta fazer outras. Essas pessoas investem num caminho profissional mas mantêm sempre um olho nas alternativas, nas realidades paralelas. Costumam pensar seu talento como uma coisa multifacetada e, portanto, não raro, decidem ir lá ver que outra vida poderiam ter se tomassem outros rumos, se tentassem a mão em outras áreas. Alguns podem até ver profissionais desse naipe como inconstantes, como gente que antes de avançar demais em um determinado caminho, troca de caminho e começa tudo de novo. Mas eles preferem se ver como talentos irrequietos, profissionalmente curiosos, ávidos por conhecer mais e viver coisas novas. E, assim, tratam de viver várias vidas numa só.</font></span></div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2">Eu acho que, no fundo, tenho alma de especialista. Sinto uma certa inveja de quem se embreta num só fazer sem medo algum de abrir mão do descortínio, de não contar com tantas rotas de fuga e saídas de incêndio caso aquela carreira deixe de oferecer boas oportunidades e simplesmente vá para o vinagre. No entanto, minha carreira tem sido bastante generalista. Devo ter também, em algum lugar (não precisa dizer onde), um bichinho que me faz sempre romper o horizonte, quebrar as paredes e colocar as minhas eventuais competências sempre em vários cestos ao invés de jogá-las integralmente num cesto só. Ainda não sei se isso mais me ajuda (tenho de fato construído algumas obras relevantes ao longo da carreira) ou mais me prejudica (será que eu poderia ser muito melhor em alguma coisa específica se eu tivesse me entregado a ela de corpo e alma há duas décadas?)</font></span></div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2">Enquanto não sei responder a isso, vou vivendo. Escapando do tédio do especialista - às vezes com nostalgia de uma carreira com um escopo menor. E vivendo as turbulências dos vários recomeços do generalista - às vezes com vontade de ter um pouquinho mais de mesmice e calmaria em minha rotina.</font></span></div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2"></font></span></div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2"></font></span></div><div><span class="203323011-02062009"><font face="Arial" size="2">E você?</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Bem-vindo à zona de desconforto]]></title>

<pubDate>Seg, 01 Jun 2009 13:19:32 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090601_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="984061714-01062009"><font face="Arial" size="2">Para crescer, é preciso sair da sua zona de conforto. Quem está muito confortável não está crescendo, está parado. Por outro lado, quem não está confortável não está feliz. Ou você já viu alguém alegre e contente por estar incomodado, pressionado, porque está sendo demandado ao limite da sua capacidade? Então para crescer é preciso estar infeliz. Esta parece ser a equação. Correta ou cheia de silogismo, não importa. Esta parece ser a grande contradição desses dias competitivos, em que parar para respirar e tomar um gole d'água significa ser miseravelmente ultrapassado por quem for mais resiliente. Eis a regra duríssima: só cresce quem está disposto a sofrer. Será é que mesmo assim? Será que tem que ser assim?</font></span></div><div><span class="984061714-01062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="984061714-01062009"><font face="Arial" size="2">Aí tem uma bifurcação. Você pode sair da zona de conforto na sua área de expertise. Ou seja: você vai atuar em alguma posição que ainda não domina mas vai continuar fazendo aquilo que gosta, o que conhece. Por outro lado, você pode sair da zona de conforto deixando para trás a sua área de expertise. Ou seja: você vai trocar não apenas de posição mas também de substância. Vai reinventar sua carreira, seu ofício, quem você é profissionalmente. Vai se aventurar em águas desconhecidas. Na maioria dos casos que conheço, só faz isso quem percebe que a sua área de expertise anterior já lhe desencantou, já não lhe interessa mais nem lhe faz mais feliz.</font></span></div><div><span class="984061714-01062009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="984061714-01062009"><font face="Arial" size="2">A quem for da primeira turma: sucesso com o chefe novo, com a cadeira nova, com os novos pares e subordinados. Agarre-se na sua expertise, e no prazer que ela lhe dá, e mande brasa. A quem for da segunda turma: coragem para combater o medo. Entusiasmo para fazer frente ao desânimo. Autoconfiança para que a dúvida não se instale e domine e paralise. Energia para ir adiante, para encarar as dores do parto e sobreviver a ele. Do outro lado, com um pouquinho de sorte, renascido, você será muito mais feliz do que era antigamente. Ou, no mínimo, se tiver que renascer ainda outra vez, e outra vez mais, e mais uma vez, você ao menos terá a certeza de que está se movendo, batalhando pela própria felicidade, de que é um homem (ou mulher) em busca de realização, de que é um homem (ou mulher) que decidiu não ficar parado numa situação desafavorável se encharcando com a própria bílis. E isto já é muito.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O sentir e o pensar]]></title>

<pubDate>Sex, 29 Mai 2009 14:33:18 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090529_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Eu admiro as pessoas que sorriem. Eu preciso sorrir mais. Sei disso desde os 18 anos. Portanto, há duas décadas sorrir mais, levar a vida com mais leveza, saborear mais alegrias é uma meta que faz parte do meu cardápio de votos de ano-novo. Tem certas coisas que a gente não nasce tendo, nem sabendo, e consegue construir. E outras que são mais difíceis de agregar. </p><p>Tem caras que são simplesmente simpáticos. Oferecem sempre um sorriso a seu interlocutor. Mesmo quando estão ouvindo algo que não querem ou quando precisam dizer algo que não gostariam, costumam ter no olho uma faísca mais acesa, um brilho mais positivo do que eu quando contente, do que eu num dia feliz. É isso. Minha cara normal tende a ser carrancuda. Passo por antipático. Ou sorumbático. Mesmo quando estou num momento feliz, cheio de simpatia para dar. Enfim: preciso sorrir mais. E a única coisa que posso dizer em minha defesa em relação a isso é que tenho uma cara só. E uma cara tão ingênua em sua transparência que espelha rigorosamente tudo que vai em meu coração naquele momento. Inclusive esta baita tendência à introspecção com a qual, já sei, vou morrer digladiando. </p><p>Eu admiro esse caras simpáticos. Acho que eles represam bem as suas sombras e tratam de dar aos outros sempre uma versão ensolarada de si mesmos. O que é, de alguma maneira, um respeito ao interlocutor. Mesmo que isso também possa representar tantas vezes um desrespeito a si mesmo. O melhor que eu consigo fazer é racionalizar. Pensar nas situações, banhá-las com litros de razão, de raciocínio, de análise. Isso funciona, em muitos casos, ao menos para mim. Um tentativa de compreender as emoções e assim dominá-las. E assim filtrar um pouco daquilo que corre pelo sangue e vaza pelos olhos. </p><p>Só que muitas vezes, tanto para quem sorri quanto para quem racionaliza, a emoção continua ali. Ela só foi mascarada, maquiada. Mas não foi resolivda. Não foi domada. Muitas vezes você deseja ignorar, esquecer, deixar para trás. Você até se convence de que aquilo não machucou, de que a dor é um capricho bobo, de que você é maior do que aquilo, de que o que problema todo é uma ilusão. Você está certo de que o perdão é a única saída inteligente e madura. E então você perdoa. Faz força para passar uma borracha em tudo. Só então você percebe, ou perceberá um dia, que não depende de você. Que a ferida ainda está lá, apesar de todos os seus esforços. E que ela arranha e dói. E que tem dias que ela infecciona. Só então você se dará conta que tem uma ferida aberta e que a existência dela é um fato que você não consegue suprimir da realidade somente deixando de olhar para ela e colocando um sorriso no rosto. </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O céu é o limite]]></title>

<pubDate>Qui, 28 Mai 2009 13:32:47 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090528_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2"></font></span></div><div><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2">Tem um detalhe da vida de empreendedor que eu não sabia. E não sabia porque é algo que não se diz por aí à larga. Ou que, se se diz, ao menos eu nunca tinha ouvido nem lido a respeito. (Quando a gente não sabe de alguma coisa, a tendência é imaginar que não nos contaram. Às vezes é a gente que não soube ouvir ou compreender.) Estou falando das... possibilidades infinitas de negócio. Para entrar nesse mundo que mais parece um universo você só precisa... ter um negócio. Ou estar livre para entrar em um, e depois em outro, e daqui a pouco em mais outro. Saindo ou permanecendo nas oportunidades anteriores na hora em que bem entender. </font></span></div><div><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2">Quem tem um emprego tem um bocado de coisas. Sobretudo, a sensação de estabilidade, de que há uma zona de conforto, de que as coisas estão de alguma forma garantidas. (Elas não estão. Mas essa é uma ilusão gostosa de ter e de nutrir. Torna o cotidiano de qualquer um mais leve. E talvez, no final, essa quimera seja a única coisa realmente bacana que uma grande corporação tem a oferecer nos dias que correm e nos dias que virão.) Mas divago. Meu ponto é que é preciso não ter um emprego para viver o mundo das possibilidades infinitas de crescimento e realização. Só quem não tem garantias pode viver com toda a intensidade esse descortínio sobre a própria carreira, sobre a própria renda, sobre o próprio dia-a-dia profissional. Esse é um mundo para quem abdica da estabilidade, da zona de conforto, da sensação (verdadeira ou falsa) de segurança. Eis o ponto: só pode ter tudo quem está disposto a </font></span><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2">correr o risco de não ter nada. Não é para qualquer um. Não é mesmo. Muitas vezes me pergunto se isso é para mim. </font></span></div><div><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="156543814-28052009"><font face="Arial" size="2">Esses dias almocei com um ex-colega que está nadando há mais tempo do que eu no torvelinho do empreendimento. E nos demos conta do quanto tudo isso é verdade. Tanto ele quanto eu nos confrontamos quase semanalmente com propostas de compra, venda, associação, joint-ventures, parcerias, expansão, novos produtos, novos serviços. As oportunidades surgem numa velocidade e num volume muito maiores do que quando éramos executivos à frente de negócios muitíssimos maiores do que aqueles que tocamos hoje. Parece que o mundo se abre para quem se abre a ele. Parece que é preciso se deslocar e pedir a bola para receber os melhores lançamentos. Óbvio. Ou não. E talvez eu apenas esteja num dia animado.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A perfídia é mais que um bolero]]></title>

<pubDate>Qua, 27 Mai 2009 09:24:51 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090527_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><p class="MsoNormal"><font color="#000000"><font face="times new roman,times,serif"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ela é a pessoa mais perversa com quem cruzei na vida. Uau. Que frase forte. Deixa eu pensar direito. Não posso entregar esse título assim, da boca para fora, correndo o risco de cometer uma injustiça com outros deletérios notáveis que conheci, de desrespeitar a obra de <span class="234101112-27052009">criatur</span>as que dedicaram a vida e a carreira a serem malévol<span class="234101112-27052009">a</span>s como uma madrasta da Disney - algumas delas, inclusive, você percebeu, ilustraram essa minissérie em três capítulos. Mas acho que dá para fazer essa afirmação, sim. Ela tinha gosto em ser do mal. Perversão é isso: divertir-se com a dor alheia.<span class="234101112-27052009"> E com a própria falta de compaixão e de escrúpulos.</span> <span class="234101112-27052009">É e</span>scarafunchar as feridas dos outros, tendo total consciência do que está acontecendo, do quanto a outra pessoa está sofrendo e do quanto você está se divertindo com isso.</span></font></font></p><p /></div><div><p class="MsoNormal"><font color="#000000"><font face="times new roman,times,serif"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ela era cruel e tinha um quase orgulho disso. Vivia para armar, para jogar cascas de banana, para atirar farpas. Falava pelas costas, conchavava. E também esganava moralmente, na presença da vítima, sempre que podia, de preferência diante de platéia. <span class="234101112-27052009">S</span>em o menor constrangimento.<span class="234101112-27052009"> Saboreando o momento e o fato de que tinha</span> poder suficiente para fazê-lo. <span class="234101112-27052009">Ela tinha grande s</span>atisfa<span class="234101112-27052009">ção</span> com o medo, com a humilhação, com o enxovalhamento, com a aniquilação do outro. Nunca cruzei com alguém que tivesse tanta naturalidade em exercer sua maldade. Com alguém que convivesse tão bem com a própria ausência de <span class="234101112-27052009">sentimentos bons, de solidariedade</span>.<span class="234101112-27052009"> Que gozasse tão escandalosamente ao passar a navalha no rosto das pessoas. </span>Ela nem sequer procurava disfarçar ou amenizar a sua tara por machucar. Praticava seu esporte predileto à luz do dia, como um exercício diário, necessário a sua boa respiração.<span class="234101112-27052009"> Dizem que esse o comportamento típico dos sociopatas. Se for verdade, me pergunto por que o mundo corporativo produz e dá guarida a tantos deles. Nenhum como ela, é claro. Podia ser uma doença. Mas, por outro lado, sua devoção, sua entrega, sua dedicação à arte de ferir<span class="234101112-27052009"> era quase um talento a ser admirado</span>.</span></span></font></font></p><p /></div><div><p class="MsoNormal"><font size="3"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><font color="#000000"><font face="times new roman,times,serif"></font></font></span></font></p><p /></div><div><p class="MsoNormal"><font color="#000000"><font face="times new roman,times,serif"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><em>Esta historinha em forma de perfil é, sim, uma azeitona posta sobre a empada da semana passada. E ao invés de demitir meu headhunter, outro scrap inspirado colocado na página de comentários do blog</em><span class="234101112-27052009"> <em>há poucos dias</em></span><em>, eu devia <span class="234101112-27052009">era</span> contratar um.</em><span class="234101112-27052009"> <em>Depois desse desastrado vôo profissional, perdi o direito de participar de qualquer processo de seleção sem a escolta de um headhunter, um advogado e um psicólogo. </em> </span></span></font></font></p><p /></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A grande eminência parda]]></title>

<pubDate>Dom, 24 Mai 2009 23:33:25 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090524_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009"><span class="953410301-25052009"><span class="718142714-19052009">O estilo da consorte do meu chefe era matriarcal no pior sentido do termo: quem lhe beijasse a mão seria tratado como um filho - incluindo colos privados e puxões de orelha públicos. Quem a tratasse com distanciamento profissional e objetividade seria tatuado por ela com um baita alvo na testa. Depois ela escolheria a arma para o abate. Seu arsenal não era pequeno. Nem seu exército de vassalos. Que disparariam suas setas com ela, ou por ela, sem pestanejar nem ponderar. Tudo para ficar em boa conta com ela. Diria mesmo que ela se dedicava a isso: proteger gente e estraçalhar gente. Chantagear gente para o seu lado e isolar gente no lado frio e escuro do mundo. Pessoas podiam trocar de posição no seu caderninho de preferências e antipatias à menor alteração do seu humor. O que estabelecia um certo clima de terror entre a equipe que trabalhava para ela e para seu marido. Todos se esfolavam para agradá-la. E ela, como uma pequena Cleópa</span></span></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009"><span class="953410301-25052009"><span class="718142714-19052009">tra, adorava ignorar caprichosamente as oferendas que lhe eram trazidas e ordenar novos sacrifícios. E ela, como uma pequena Salomé, se divertia recomendando condecorações e pedindo cabeças, aos sussurros, no ouvido do seu senhor.</span></span></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009"><span class="953410301-25052009"></span></span></font> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="718142714-19052009"><span class="953410301-25052009">No fundo, penso eu, o senhor ali era ela mesmo, em grande medida. A mulher mais macho alfa que eu já conheci. </span></span><span class="718142714-19052009">Seu trabalho era basicamente fazer o leva-e-traz entre a base da equipe e o <span class="953410301-25052009">boss</span><span class="953410301-25052009">. Meu chefe </span>gostava desse isola<span class="953410301-25052009">mento, de não ter que lidar com gente, com as pessoas e suas demandas</span>.<span class="953410301-25052009"> Ela o liberava um bocado do fardo de ter que liderar. Com a vantagem, para ele, de que estava passando adiante esse bastão com jeito de cetro para a sua mulher, com quem podia despachar na mesa do escritório ou em casa, na cozinha, na banheira, na cama do casal. Quando ela abria a boca, nunca ninguém tinha certeza de quem estava falando - se era ela ou se era o chefe, enviando algum recado. Por via das dúvidas, todos obedeciam. E ela usava e abusava com maestria dessa zona cinzenta. Fazia esse borrão crescer e prosperar como um empreendimento pessoal. Era a sua empresa dentro da empresa, especializada em tráfico de influência. Ela era boa nesse jogo. Uma grande eminência parda.</span></span></font></font></div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="718142714-19052009"><span class="953410301-25052009"></span></span></font></font> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="718142714-19052009"><span class="953410301-25052009">Isto a fazia, é claro, operar muito despegada daquilo que estava desenhado no organograma. Havia outros diretos do chefe, mas nenhum era tão direto quanto ela. (Os outros, inclusive, claro, a tratavam como chefe.) E havia eu, imagine você, na indigesta posição de ser seu chefe, de ser a ponte entre ela e seu... marido. Dá vontade de rir ao pensar nisso hoje. Ao constatar a absoluta impossibilidade, desde a concepção, de isso dar certo. De todos os lugares em que trabalhei, aquele foi onde encontrei o maior distanciamento entre as coisas escritas e as coisas reais, entre as coisas ditas e as coisas efetivamente feitas, entre a teoria e a prática. Aprendi que quanto maior for esta distância, pior é o ambiente de trabalho.</span></span></font></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Fui chefe da mulher do meu chefe]]></title>

<pubDate>Dom, 24 Mai 2009 22:45:47 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090524_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009"><div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009">Tem uma outra história bem trágica e engraçada. Quer dizer, acho engraçada hoje. Considerava apenas trágica enquanto ela era a história real que eu vivia. Caí num emprego cheio de sonhos e perspectivas até que, no primeiro dia, descobri um pequeno detalhe que não me havia sido dito em nenhum momento do processo de contratação: eu seria chefe da mulher do meu chefe. Sim, o sujeito tinha a esposa trabalhando em subordinação direta, como uma de suas gerentes. E eu havia entrado, no fluxograma, numa caixinha que ficava espremida, como uma bucha de canhão, desgraçadamente, entre o boss e sua amada. Era uma situação surreal. Por tudo que aquilo tinha de antiprofissional. E também pela omissão da empresa, que não me deu a chance, em tempo hábil, de dizer: &quot;obrigado, mas nessa cumbuca eu não meto a minha mão&quot;. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009">Talvez a empresa tivesse vergonha de casos como aquele, que de fato estava longe de ser o único. Pelo menos uma vergonha externa, de contar isso para fora. Ali dentro, era natural: se você tem poder, você não tem que obedecer regras, nem mesmo as do bom-senso, nem mesmo as normas corporativas mais básicas e universais. O RH, entre inoperante e conivente, como é comum acontecer em empresas familiares e personalistas, assistia a tudo fingindo não ver, não saber. A alma da empresa se expressava voluntariosamente pelas mãos do meu chefe e de outros que traziam suas camas, mesas e banhos para o escritório e como que decretavam: &quot;Às favas com esse papo de governança! Aqui mando eu.&quot;</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009">Ao final das contas, claro, eu, ingênuo e ao mesmo tempo megalômano, imaginei que conseguiria tirar aquilo tudo de letra. Embora desde o início eu risse internamente, com um certo autosarcasmo e com algum desassossego,  pensando: &quot;caramba, como eu vim parar aqui, como isso pode acontecer num lugar que não é um gabinete de Brasília ou o armazém da esquina?&quot;</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="718142714-19052009">A mulher do meu chefe já tinha sido batizada de Hillary na rádio-peão - e, sabedora da brincadeira, tinha adorado a comparação. Como é doce a vida de quem se acredita numa posição inatacável, de quem se considera numa posição acima do bem e do mal. Não é que a pessoa se torne humilde, diante de tanto poder. É que a sensação de onipotência faz com que até uma piada com tom pejorativo vire um elogio. O ego é um estômago de tubarão que precisa ser alimentado constantemente, mesmo que seja com lixo. Um ego inchado, com sensação de plenipotência, transforma em cumprimento e em incentivo até aquilo que no fundo é crítica e reprimenda. Assim obtém seu combustível, real ou ilusório, dado de bom grado ou obtido à força, para <span class="593234301-25052009">levar adiante</span> sua sanha de destruição alheia, de maceração de individualidades <span class="593234301-25052009">ao seu redor.</span> </span></font></div></div></span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[De como eu fiquei gago (epílogo)]]></title>

<pubDate>Sex, 22 Mai 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090522_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="750434311-18052009">Minhas tentativas de penetrar naquele paredão de rocha, depois de 6 ou 8 meses na empresa, começaram a apresentar seus efeitos colaterais. E a fatura se mostrou bem salgada. Fiquei menos autoconfiante. Fiquei mais inseguro. É difícil você se enxergar nos olhos de todo mundo ao redor como alguma coisa que você não é e continuar acreditando que não é aquilo. <span class="937271603-12052009"><font face="Arial"><font size="2">Ninguém sobrevive por muito tempo se enxergando nos olhos dos outros como um intruso, um incompetente, alguém que não é bem-vindo, que não tem o direito de estar ali. </font></font></span>Uma hora você começa a acreditar que as afrontas que sofre, afinal, têm um lastro na realidade. E que o desaforo pode ter, sim, a sua razão de ser. Cheguei modesto, adotei a humildade como estratégia de chegada. Não enverguei o jaquetão com as medalhas no peito nem joguei os títulos e a heráldica sobre a mesa de ninguém. Como resultado, ao invés de angariar simpatias e portas se abrindo, angariei gente interessada em me montar o lombo. Ou, ao menos, em afundar nele seus punhais. Assim era aquele lugar: um ambiente de asperezas, de deus nos acuda, de salve-se quem puder, onde quem pode mais chora menos e onde não há qualquer possibilidade de solidariedade - ou você tem poder, e com ele todo o direito de humilhar quem quer que seja, ou você não tem poder, e seu job description prevê vestir as roupas de um sujeito oprimido e deprimido.</span></font></font></span></div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="750434311-18052009"></span></font></font></span> </div><div><font face="Arial"><span class="937271603-12052009"><font size="+0"><font size="2"><span class="750434311-18052009">A perda da autoestima é um problema que só piora com o tempo. Trata-se de um círculo vicioso: quando menos segurança você sente, quanto menos apoio você tem, nos outros e também dentro de você mesmo, mais medíocre fica a sua performance. Isso, claro, faz com que você fique ainda mais inseguro e erre ainda mais. </span></font></font></span><span class="937271603-12052009"><font size="+0"><font size="2"><span class="750434311-18052009">Você esquece toda a trajetória anterior, todas as conquistas prévias, o modo como as pessoas nos outros lugares por onde você passou costumavam olhar para você. Conquistar aquele novo ambiente inóspito se torna uma meta. E quando ela é inexequível, seu dia-a-dia se transforma numa rotina de angústias. Eis o que penso hoje: ao primeiro sinal de que as suas </span>defesas<span class="750434311-18052009"> morais e emocionais estão sendo</span> vencidas<span class="750434311-18052009">, caia fora. Não faz sentido. Mesmo. Não é obrigação sua reverter a hostilidade de lugares hostis. Não é sua missão de vida levar o mérito a lugares onde o que vale é o conchavo. Nem sempre é inteligente resistir, nem sempre é uma derrota desistir.</span></font></font></span></font></div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="937271603-12052009"><span class="750434311-18052009"><font face="Arial" size="2">Eu, que sou um cara razoavelmente articulado, comecei a deixar de completar as frases. Afasia. Sentenças pela metade, tímidas, sem consistência, mal construídas. Eu, que sou um cara com algum carisma na hora de subir ao palco e abrir a boca, eu, que já tinha palestrado várias vezes para centenas e realizado grandes apresentações para dezenas, me via ali totalmente sem graça, sem appeal, encolhido, incapaz de sustentar um ponto. Estava realmente arqueado, com a espinha próxima de quebrar. Não, não fiquei gago. Mas se gagueira é o mais absoluto sentimento de falta de confiança na hora de dizer alguma coisa, ou de ausência de autoridade para emitir uma opinião, então estive muito perto da gagueira, sim. Fiquei tempo demais. Devia ter saído antes.</font></span></span></div><div><span class="937271603-12052009"><span class="750434311-18052009"><font face="Arial" size="2"></font></span></span> </div><div><span class="937271603-12052009"><span class="750434311-18052009"><font face="Arial" size="2"><em>Tomei esta semana inteira para contar uma história. Porque a considero relevante, suficientemente encorpada e, sobretudo, &quot;utilizável&quot; por você. Me diga se esse modelo de série semanal, monotemática, lhe parece que faz sentido e se gostaria que eu voltasse a lançar mão dele de vez em quando. Ótimo findi.</em></font></span></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[De como eu fiquei gago (caindo na real)]]></title>

<pubDate>Qui, 21 Mai 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090521_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="375281212-18052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><span class="375281212-18052009"><div><span class="718142714-19052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009">Só mais tarde compreendi melhor o relacionamento pouco à vontade do meu chefe direto com o chefão. Meu chefe era intocável. Como acontece com quase todo mundo com quase 30 anos de empresa. E com inegáveis serviços prestados, além de desconfortos entubados, absurdos testemunhados, silêncios garantidos, pactos estabelecidos. Ao mesmo tempo, a empresa considerava que ele já não estava desempenhando com a mesma taxa de sucesso de outros tempos à frente de suas funções. O chefão tomava pressão de cima, porque o negócio que meu chefe geria era muito importante para a empresa. E isso azedava um bocado o leite entre os dois. Inclusive porque a retirada do meu chefe do seu posto não era uma possibilidade: isso seria admitir abertamente uma crise naquele produto. E aquela era uma empresa que se considerava imune a crises.</span></font></font></span></div><div><span class="718142714-19052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009"></span></font></font></span> </div><div><span class="718142714-19052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009">Foi mais ou menos nesse cenário de dentes cerrados, de mãos amarradas, de taquicardias soterradas e de um milhão de coisas não-ditas que eu cheguei.</span></font></font></span></div><div><span class="718142714-19052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009"></span></font></font></span> </div><div><span class="718142714-19052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009">Só mais tarde compreendi a cultura de meias-frases da empresa, que o chefão elevava ao estado-da-arte. Nunca me deparei com uma habilidade tão grande para modular declarações, para dizer somente aquilo que é necessário ou interessante revelar a cada interlocutor e a cada situação em específico, para tirar o corpo fora sem parecer um desertor, para ferrar alguém sem deixar as digitais impressas, para dizer &quot;sim&quot; sem se comprometer e para dizer &quot;não&quot; sem assumir a autoria da negação. É um estilo muito diferente do meu, que eu não jamais reunirei competência suficiente para reproduzir. Mas posso afirmar que tive aulas práticas com um mestre em política corporativa. Será que presidentes de empresa são necessariamente feitos disso?</span></font></font></span></div><div><span class="718142714-19052009"><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009"></span></font></font></span> </div><div><span class="718142714-19052009"><font size="+0"><span class="375281212-18052009"></span><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009">Só mais tarde compreendi que meu chefe havia desejado outro profissional em meu lugar. Um par meu, há muitos anos seu único direto de verdade, seu filho predileto. Um sujeito de quem eu inclusive me aproximei pedindo conselhos de como perdurar ali dentro. Ao que eu saiba, ele nunca me empurrou do precipício. Mas também nunca ofereceu uma mão amiga, nem contribuiu com qualquer dica para que a queda não acontecesse. A partir de determinado momento, fechou-se num silêncio sorridente diante da chacina.</span></font></font></font></span></div><div><span class="718142714-19052009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="375281212-18052009"></span></font></font></font></span> </div><div><font face="Arial" size="2">Só mais tarde percebi que perdi um emprego porque não obtive apoio nem para cima, nem para os lados, nem para baixo. Não consegui estabelecer nenhum tipo de sustentação, fiquei solto, frágil, como uma pinhata. E nem me preocupei com isso como deveria. Achei que a situação se resolveria por outras vias, que não a meramente política, onde normalmente não vou bem e em relação a qual nutro a maior resistência em evoluir, a maior preguiça de aprender. Só mais tarde percebi, e isso me disseram, que perdi o emprego também porque resguardei minha família e meu tempo com ela. Folgar nas folgas é um crime num ambiente workaholic. (Meu chefe trabalhava rigorosamente 7 dias por semana. E tirava férias, forçadas, a cada cinco anos.) Preservar a família é uma ofensa quando todo mundo em volta, voluntariamente ou não, ignorou a sua ao longo da vida.</font></div><div><font face="Arial" size="2"></font> </div><div><span class="375281212-18052009"><font face="Arial" size="2">É. Não tinha mesmo como dar certo.</font></span></div></span>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[De como eu fiquei gago (a sacanagem)]]></title>

<pubDate>Qua, 20 Mai 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090520_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"><span class="750314211-18052009">Não há vácuo no poder. Os espaços estão sempre ocupados. Então é do interesse do grupo estabelecido (especialmente naquele caso, com profissionais há mais de 20 anos sentados no mesmo lugar fazendo a mesma coisa) excluir a novidade, que é sempre vista como ameaça. Para os meus diretos a pergunta era: por que falar com o novo Cardeal se eu posso continuar falando direto com o Papa? Para todos os outros: por que mexer em time que está empatando, por que sair da zona de conforto? Eu era ali o elemento estranho que minimizou as disputas internas e uniu o time em torno de um objetivo comum: expurgá-lo.</span></font></span></div><div><span class="937271603-12052009"><span class="750314211-18052009"><br /><font face="Arial" size="2">Se você está achando t<span class="031065813-19052009">udo isso</span> surreal, uma invenção da minha cabeça, deixe eu lhe dar um exemplo prático: com dois ou três meses ali, meu chefe me chamou e disse que precisávamos rever o time, porque ele estava insatisfeito com aquele plantel de talentos. Me pediu uma análise das pessoas, com a minha visão fresca. Eu a fiz, ressalvando o meu pouco tempo de contato com os profissionais. Apresentei a ele, numa terça, o estudo que havia encomendado. Antes do final daquela mesma semana, todo o time já conhecia o teor, os detalhes das minhas considerações e recomendações. Resultado? Eu fiquei com o tridente de alguém que tinha chegado para virar tudo de cabeça para baixo, para colocar todo mundo em perigo. E meu chefe ficou com a auréola do chefe antigo que estava segurando a minha onda e, consequentemente, como o mantenedor benfazejo da ordem instituída.</font></span></span></div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"><span class="750314211-18052009"></span></font></span> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="937271603-12052009"><span class="750314211-18052009">Só vim a saber, muito depois, que cinco ou seis pessoas haviam tentado ocupar a minha cadeira nos últimos dez anos, sem sucesso. Que o sujeito tinha uma relação anal-retentiva com o trabalho. E uma incapacidade feroz de comunicar ao time a sua visão, o seu projeto. Portanto, era um mau líder, um gestor ruim. </span></span><span class="937271603-12052009"><span class="750314211-18052009">Talvez eu devesse ter ido ao chefão, que havia me contratado, logo nas primeiras dificuldades. Tive a ilusão de que conseguiria reverter sozinho a situação. Tomei para mim a responsabilidade de conquistar meu chefe. E talvez já divisasse de algum modo o estilo lavar-de-mãos do chefão, que ele de fato revelou mais tarde. Era como se tivesse me dado a oportunidade de descer ao inferno e como se sair de lá fosse um óbvia obrigação pessoal minha. </span></span><span class="937271603-12052009"><span class="750314211-18052009">Talvez se eu tivesse confrontado<span class="031065813-19052009"> meu chefe direto</span>, diante de alguma daquelas barbaridades, um outro tipo de solução pudesse ter acontecido. (A minha saída antecipada, sem tanto sofrimento, provavelmente.) Mas sou um executivo ingênuo, como você sabe. E fiquei para viver aquela lição amarga do início ao fim.</span></span></font></font></div></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[De como eu fiquei gago (a fritura)]]></title>

<pubDate>Ter, 19 Mai 2009 11:03:26 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090519_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2">Meu chefe<span class="750314211-18052009"> me isolou em minha baia. Fazia que sim com a cabeça a todas às minhas perguntas, sugestões e pedidos mas no fundo não permitia que nada acontecesse ao meu redor, que ninguém se aproximasse de verdade de mim. Meu campo de ação era nenhum. E foi ficando menor com o tempo. A sua estratégia foi de simplesmente não me deixar chegar. Durante todo o tempo em que trabalhamos juntos eu não consegui colocar o pé no chão. Estava flutuando, sem lastro, sem apoio algum.</span></font></span></div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"><span class="750314211-18052009"></span></font></span> </div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"><span class="750314211-18052009">Para cima, ele </span><span class="750314211-18052009">minava a minha imagem junto ao chefão. Não levava as coisas boas que eu insistia em tentar instituir, apesar do boicote, e se dedicava a sublinhar os eventuais deslizes, as bobagens, os desacertos. Coisas que entrariam tranquilamente na conta &quot;aprendizagem&quot; de alguém que está chegando a um lugar novo se transformavam em fracasso e inaptidão no relatório que ele levava ao chefão. Para baixo, a sua tática foi a de continuar despachando diretamente com aqueles que seriam os meus diretos, como se eu simplesmente não estivesse ali, como se o meu layer não existisse. Eu era o seu segundo. E ele mantinha intocada uma linha direta para baixo. Esses profissionais ficavam numa posição constrangedora: tinham que se reportar a mim mas a ordem, claríssima, embora jamais explicitada, era de que não o fizessem e continuassem despachando diretamente com ele.</span></font></span></div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"><span class="750314211-18052009"></span></font></span> </div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"><span class="750314211-18052009">Em relação à base do time, descobri que não há pior sinal para um chefe (no caso, eu) do que ser desautorizado publicamente pelo seu próprio chefe. Mesmo que de modo velado. Os sinais que ele dava a todos na equipe eram inequívocos, ainda que sempre tácitos: esse cara não tem a minha confiança, nem a minha delegação e se depender de mim não vai durar muito. Não demorou nada para que essa posição de isolamento e desconexão se transformasse num pelourinho. Não há esporte mais divertido no escritório do que tirar alguém para Cristo. Especialmente se for o novo chefe, com autorização superior para o achincalhe.</span></font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[De como eu fiquei gago (a gênese)]]></title>

<pubDate>Seg, 18 Mai 2009 09:30:12 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090518_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2">Aconteceu comigo: fui contratado pelo chefe do meu chefe. No que depender de mim, nunca mais permitirei que isso aconteça em minha carreira. Uma contratação só pode dar certo quando ela parte de quem vai ser o seu chefe direto, quando ela é um desejo genuíno do sujeito para quem você vai se reportar. Quando o chefão lhe procura, a sua primeira reação é se imaginar numa situação especial, privilegiada, afinal, é o pai-de-todos que está interessado em você. A julgar pela minha experiência, no entanto, há várias grandes, imensas, profundas arapucas escondidas aí.</font></span></div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2">Depois de negociar com o chefão, fui convidado a conhecer aquele que seria o meu chefe direto. Tivemos uma série de almoços para lá de agradáveis. E eu imaginei que tudo estava bem. Não estava. Só muito mais tarde percebi que a cultura daquela empresa era militar, de uma verticalização das decisões muito forte. E meu chefe direto, em especial, era um sujeito muito sensível àquela hierarquia semi-ditatorial. (Não por acaso, estava na empresa há mais de 25 anos.) Então ele acatou a sugestão do seu chefe sem pestanejar. Em lugares assim, regidos pelo medo, qualquer insight que o chefe tem no elevador é a idéia mais brilhante de todos os tempos. Moto-contínuo, também sem pestanejar, ele decidiu que eu era uma ameaça. Mais jovem, com outra formação e com a missão oficial de trazer idéias novas, meu chefe me tomou, sei lá, como alguém que estava ali para roubar a sua cadeira - de maneira combinada com o chefão ou não. (Ele deve ter sofrido muito com isso.) Me tomou, no mínimo, como um recado indigesto de que precisava mudar, evoluir, fazer diferente. Em suma: me viu, desde o primeiro momento, como o invasor a ser batido. Riscou um xis na minha testa antes mesmo de eu assumir meu posto. Tudo na maciota, no sapatinho, na grande hipocrisia dos sorrisos construídos com ódio.</font></span></div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="937271603-12052009"><font face="Arial" size="2">Já pensei várias vezes se eu deveria ter chegado ali com mais ímpeto. Se a minha estratégia de chegar pianinho acabou passando uma idéia de pouca solidez e de fragilidade. Já pensei várias vezes que, ao contrário, apesar da modéstia de que me revesti naquela chegada, talvez eu tivesse que lamber solas de sapato para sobreviver. Ou nem mesmo assim. Hoje penso que não importa o que tivesse feito ou deixado de fazer: meu destino já estava selado desde o início. Minha contratação havia tido um problema de origem, insolúvel. Não adiantaram todas as minhas tentativas de aproximação, para ganhar confiança, para liberar meu chefe do dia-a-dia, para que ele assumisse uma posição mais condoreira. Quis que minha presença permitisse a ele trabalhar menos. Não deu certo. Quis me posicionar como seu pupilo, para que imprimisse em mim as marcas do seu DNA, para que me enxergasse como parte da família, do time. Também não deu certo. Nada daria. Eu era um sapo que ele havia engolido. E que estava só esperando o tempo da digestão para ser devidamente expelido. </font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Amor ao menino que me odeia]]></title>

<pubDate>Sex, 15 Mai 2009 10:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090515_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="343212012-14052009">Ontem falei do menino que encontrei num sinal fechado em São Paulo, fazendo malabarismos à frente dos carros. Eu o olhava nos olhos. Tive uma sensação de paternidade naquele momento. Me senti agredido pela indignidade daquela situação como se aquele menino fosse o meu filho. Me senti mal por ele e por mim. Muitas vezes o absurdo fica invisível aos nossos olhos, nos tornamos insensíveis a ele porque ele acontece demais, repetidas vezes, todo dia. Às vezes, no entanto, por qualquer motivo, o absurdo se materializa à nossa frente. Eu estar dentro de um carro confortável e aquela criança estar ali, descalça, pisando o asfalto fervente, sem saber de onde viria a sua próxima refeição, desamparada de tudo no mundo, era um absurdo. Eu simplesmente seguir vivendo a minha vida como se não soubesse daquilo, como se aquilo não acontecesse no meu bairro, na minha rua, é um absurdo ainda maior.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343212012-14052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343212012-14052009">À medida que o menino se aproximou, eu abri a janela. Ele tinha 8 anos, ou algo assim, e já tinha um vinco na testa, uma marca de expressão construída pela desconfiança, pela violência, pela aspereza, como só tem quem já apanhou um bocado na vida. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="343212012-14052009">Falamos ao mesmo tempo. Ele me perguntou com sua vozinha se eu tinha um trocado. Eu lhe perguntei se ele estava na escola. As frases saíram juntas. Eu repeti a pergunta. Ele balançou a cabeça negativamente. E me perguntou de novo sobre a gorjeta. Eu disse que não tinha. Adoto sempre esta política, de não dar dinheiro para crianças na rua, seguindo o raciocínio de que isso estimula o trabalho infantil, a própria evasão escolar, e de que isso colabora com a exploração econômica daquela criança pelos adultos que a controlam. Me pergunto, às vezes, se isso não é um pouco como o discurso do embargo à Cuba: em nome de não estimular uma ditadura, você faz um povo inteiro passar fome. Mas continuo, por ora, optando por essa política de não oferecer dinheiro às crianças de rua. De sempre falar com elas e lhe dizer: &quot;Vá para a escola. É muito importante. Não desista. É o único jeito de você sair daqui&quot;.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343212012-14052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343212012-14052009">Foi isso que eu disse para aquele menino antes que ele, com sua vozinha fina, fraca, me dissesse, franzino, franzindo ainda mais o cenho: &quot;Vai tomar no cu, filho da puta.&quot; Seu impulso ali era de me agredir. Vi o ódio em seus olhos claros. Fechei a janela, o sinal abriu e eu fui embora.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="343212012-14052009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"></font> </div><div><span class="343212012-14052009"><font face="Arial" size="2"><em>Em tempo: eu leio <strong>todos</strong> os comentários. Entro várias vezes ao dia no blog para acompanhar o feedback, as discussões, a repercussão. Vale sempre afirmar isso (já o fiz antes e voltarei a fazê-lo periodicamente) para que não restem dúvidas. Obrigado, portanto, a todo mundo que, com seus scraps, me ajudam a escrever o blog e a mantê-lo vivo, ativo e relevante. Raras vezes escrevi na área de comentários porque acho que ela não me pertence.</em></font></span></div><div><span class="343212012-14052009"><font face="Arial" size="2"></font></span><em> </em></div><div><span class="343212012-14052009"><font face="Arial" size="2"><em>Aproveito para agradecer a todos os que se dispõem a acessar o blog todo dia - meu compromisso com você é esse: um post novo todo dia. E também àqueles que assinam o serviço de RSS do Executivo Ingênuo. Peço humildemente para que ajudem a divulgar o blog. O caminho mais simples é enviar para a sua lista de amigos aqueles posts que você considerar que merecem essa regalia. É isso aí. Bom findi e até segunda</em>.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Aquele menino é problema meu]]></title>

<pubDate>Qui, 14 Mai 2009 12:08:56 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090514_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2">De uma reunião para outra, em minha peregrinação diária entre clientes e parceiros, ontem parei o carro num cruzamento qualquer da Manhattan brasileira, que pode ser definida pelas Av. Paulista, Av. Rebouças, Marginal Pinheiros, Av. Bandeirantes e Av. 23 de Maio. Se a cidade de São Paulo concentra, infelizmente, 30% da riqueza nacional, essa espécie de pentágono deve responder por metade disso. São menos de dez bairros que devem faturar em torno de 15% de todos os valores que circulam no Brasil. (Disse &quot;infelizmente&quot; porque concentração é sinal de atraso e de menor pujança e competitividade para o país.)</font></span></div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2">Esperava pelo sinal verde quando um menino entrou à frente do meu carro com o habitual número de equilíbrio com bolinhas de tênis. Podem ser laranjas, cajás, pedras, malabares. O elemento varia, o espetáculo é sempre o mesmo. Um espetáculo pobre, triste, humilhante, constrangedor. O menino era bonito. Devia ter uns 8 anos. Descontado aí o subdesenvolvimento físico, teria no mais 10. E já tinha um olhar frio, cético, de quem não acredita que nada vá dar certo nunca, de quem não vê alternativa de melhora e já desistiu de si mesmo, de quem se adapta àquela situação amplamente desfavorável e em contrapartida fermenta dentro de si, em relação àquilo tudo, um ódio de proporções épicas.</font></span></div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2">Aquele menino podia ser meu filho. Entre alguns índios, e em civilizações mais primitivas, as crianças da tribo ou da aldeia eram um pouco filhos de todos. Todos os adultos eram seus pais. A sociedade era matriarcal e simplesmente não havia um dar de ombros dos mais velhos em relação aos mais novos. Quando envelheciam, aqueles indivíduos se tornavam um pouco os bisavós de todo mundo. Também não havia, portanto, um dar de ombros dos jovens em relação aos idosos. Um belo dia alguém acumulou mais riquezas do que o seu vizinho, percebeu que ia morrer e que não levaria nada daquilo consigo e surgiu a família nuclear, patriarcal, destinada ao estabelecimento de linhagens que concorrem entre si - não raro à bala, à faca ou a tapa - pelo acúmulo de patrimônio e pela passagem de bens de uma geração a outra.</font></span></div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2">Um dos resultados disso é que hoje posso curtir de perto os genes que estou passando adiante: eles moram comigo, são só meus, assistimos filmes juntos no DVD, vamos à lanchonete fazer bagunça, andamos de bicicleta, conversamos sobre todas as perguntas que eles fazem e que eu não sei responder, enfim, temos uma relação íntima. (Ontem mesmo uma parte barriguda dessa carga genética minha, que ainda não completou 4 anos, me ligou e me deu um lindo esporro porque, afinal, já eram quase 20h, já estava quase na hora de ele ir para cama e eu ainda não tinha conseguido sair do escritório. &quot;Vem aqui agora!&quot; É evidente que eu fui. Na hora. Sou bem mandado.)</font></span></div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="906153011-14052009"><font face="Arial" size="2">O outro resultado disso é que nos acostumamos a não sentir nenhuma conexão, nenhuma responsabilidade, nem mesmo uma reles empatia ou simpatia pelos meninos que se macaqueiam com fome à frente dos nossos carros. Não sentimos nada pelas meninas que se vendem aos tipos mais torpes, ainda na infância profunda, por uma nota de 5 reais. De alguma maneira, precisamos compreender que esse problema é nosso. Se não há mais condições culturais de pensarmos como família essas crianças brasileiras que são vilipendiadas no nosso quintal, diante de nossas portas da frente, sobre a grama dos nossos jardins, ao menos temos que tratar de nos preocupar com elas com nação. Se não como pais, ao menos como país. Enquanto elas não tiverem esperança, não haverá esperança para nós. Enquanto nos pensarmos como &quot;nós&quot; em contraposição a &quot;elas&quot;, estaremos criando, com indiferença e cinismo, nossos próprios algozes: ferozes, raivosos, agressivos e com carradas de razão.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Carta ao meu amigo]]></title>

<pubDate>Qua, 13 Mai 2009 13:18:56 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090513_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="171041703-12052009">Você está certíssimo em adotar uma postura mais serena e mais pragmática em relação ao seu trabalho. Conheço bem o ambiente em que você labuta. Você demonstrou sua insatisfação, usou seus créditos e sua reputação para amparar as suas críticas, buscou colaborar para que as coisas por ali melhorassem para todo mundo. Não surtiu efeito. E nós dois sabemos que nada vai mudar enquanto aquela engrenagem e aquela cultura estiverem instaladas ali. Então você tinha duas opções. Ou você produzia a última expressão da sua discordância, saindo dali, buscando fazer outra coisa da vida. Ou você revia seus pontos e suas reações, achando um jeito de conviver de modo minimamente saudável com aquele ambiente.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171041703-12052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171041703-12052009">O ideal é mesmo trabalhar num lugar em que você se sente bem, que lhe traz satisfação e um sentimento bom de pertencimento, de comunhão de idéias e ideais. Bom mesmo é trabalhar para alguém que você admira, com quem você concorda, a quem você apoia com entusiasmo, sem dramas de consciência. Nem sempre dá para ser 100% assim. Claro que quando é 0% não há alternativa que não picar a mula e ir dedilhar a sua viola noutro arraial. Quando se fica em algum ponto no meio do caminho, como você, o importante é focar nos pontos de contato, ressaltar a agenda positiva e tocar a vida do modo mais construtivo possível. O fundamental aí é não deixar que a metade vazia do copo obnubile todo o resto e jogue rajadas diárias de energia negativa sobre você e sua relação com o mundo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171041703-12052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="171041703-12052009">Saiba, sobretudo, que você não tem sido escanteado porque seu estilo não combina com a nova hegemonia do lugar. Você não está isolado porque os velhos companheiros já não são os mesmos nem porque seu talento envelheceu e o que você tem a oferecer não interessa mais. Você não está no acostamento apenas por</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="171041703-12052009">que existe preconceito contra você, seus jeitos, sua aparência -- embora isso, é provável, exista. V</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="171041703-12052009">ocê, meu amigo, está sendo escanteado fundamentalmente porque é um bom caráter num lugar onde caráter vale pouco. Não há pior ofensa, para quem cultua a tortuosidade, do que a retidão alheia. Pior para eles. </span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você trabalharia para uma mulher?]]></title>

<pubDate>Ter, 12 Mai 2009 15:22:13 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090512_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"> <span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="531472917-12052009">Tem homem que prefere ter como chefe uma mulher. E outros que não admitem essa possibilidade. (Há organizações inteiras cuja cultura exclui a chance de haver mulheres na alta gerência. Em pleno anno domini de 2009!) Tem mulher que detesta ter outra mulher como chefe. Como é comum em questões de gênero no país, os maiores preconceitos que já presenciei contra as mulheres advêm das próprias mulheres. Das donas de casa que foram às ruas apoiar ostensivamente Doca Street depois de ele ter assassinado Angela Diniz às moças que sempre imaginam que as barbeiragens são realizadas por outras mulheres ao volante. (Pois é. Não são só os homens que xingam a Dona Maria no trânsito. Muito ao contrário. Ainda que na maioria das vezes o culpado seja um barbado. Ainda que o seguro automotivo seja mais barato quando o condutor é uma mulher exatamente porque elas se envolvem em menos acidentes.)</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="531472917-12052009"></span><span class="531472917-12052009">No mundo do trabalho, a </span>visão <span class="SpellE">sexista</span> pressupõe <span class="531472917-12052009">que as mulheres sejam </span>um tipo<span class="531472917-12052009"> diferente de executivo, de </span>chefe<span class="531472917-12052009">, de subordinado, de funcionário só pelo fato de serem </span>mulher<span class="531472917-12052009">es</span>.<span class="531472917-12052009"> Às vezes esse viés é po</span></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">sitiv<span class="531472917-12052009">o e enaltece as qualidades femininas à frente dos negócios. Às vezes esse viés é negativo e derruba de antemão todas as possibilidades das mulheres no jogo corporativo. Como se o gênero feminino inteiro tivesse jeitos e peculariedades que fossem só dele, que não fossem compartilhados por mais ninguém nem nesse planeta nem nos demais, e que não fossem exatamente recomendáveis para posições de responsabilidade e decisão. A meu ver, ambas as visões são discriminatórias. E altamente imprecisas.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="531472917-12052009">Há </span>ótimas executivas.<span class="531472917-12052009"> E grandes chefes mulheres.</span><span class="531472917-12052009"> E há ex</span></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">ecutivas que são <span class="SpellE">gerentões</span> dos anos 80<span class="531472917-12052009">, no pior sentido da expressão. Que são chefes brutais, que maceram os talentos e desestimulam o mundo à sua volta. Há executivas sensíveis, delicadas, habilidosas, femininas. E há tratores, caminhões pouco inteligentes e pouco charmosos, carregados com toneladas de insegurança. Há o toque maternal, as vantagens competitivas de quem nasceu com útero e mamas. E há mulheres masculinizadas pelo piores parâmetros que os homens têm a oferecer, com mais sede de sangue do que um general huno, mais perversas e insidiosas e corrosivas do que qualquer par de cuecas jamais poderá ser.</span></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre vencedores e perdedores]]></title>

<pubDate>Seg, 11 Mai 2009 17:25:09 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090511_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2">Nos meus momentos de maior insegurança financeira, real ou imaginária, ao longo desses meses de crise, eu olhava para os outros pais na escola dos meus filhos, ao deixá-los na porta da sala de aula cedíssimo pela manhã, e me sentia um provedor incompetente. Eu olhava para os carros que dirigiam, para as roupas que vestiam, para a tranquilidade e a confiança com que caminhavam em direção ao seu dia-a-dia, ao seu trabalho, e me julgava inferior. Não porque meu carro fosse pior do que o deles. Nem porque me sentisse oprimido por qualquer outro sinal exterior de riqueza. Já me incomodei por ter muito menos do que os outros - um pouco na infância, muito na adolescência. Mas há muito estou acima do padrão que considero digno, então nunca mais me senti mal por não ter um elefante para montar quando passa alguém montado num elefante ao meu lado. </font></span></div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2">O que me incomodava ali era o fato de eu não estar tranquilo. De eu não estar confiante. De eu estar me digladiando com uma sensação de instabilidade, real ou imaginária, no meu dia-a-dia e no meu trabalho. O contraste que me arranhava ali era a minha capacidade supostamente menor de sustentar aquilo tudo. O carro. As roupas. O caminhar altivo e sossegado pelo presente, em direção ao futuro. Eu não sabia até quando poderia garantir o padrão de vida que dava aos meus filhos. E, portanto, não sabia até quando poderia oferecer aos dois pequenos a presença naquela escola. Ou em qualquer outra boa escola. Não invejava a vida nem a condição dos outros pais. Nem seus sapatos lustrosos nem o perfume caro que iam deixando para trás no corredor. Eu apenas me sentia menos capaz, menos seguro, menos sólido. E filhos desejam e merecem ter pais sólidos, seguros e capazes.</font></span></div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2">Até que num bufê infantil, num sábado desses, entre salgadinhos e refrigerantes, um daqueles pais me contou a sua história. Muito mais cheia de altos e baixos do que a minha. Com mais instabilidades, intempéries e incertezas. Falamos longamente sobre carreira, sobre vida executiva, sobre empreendimento, sobre ambiente de negócios, sobre o mercado de trabalho, sobre a crise financeira, sobre oportunidades, retomada e volta por cima. Ele tinha perdido a empresa há três anos. Havia ganho um bom dinheiro durante muitos anos. Depois, perdeu competitividade e clientes e o negócio. E a vida seguiu. Há dois meses havia perdido o emprego - reflexo direto da crise. E a vida continuava seguindo seu curso. Perguntei se perdia o sono à noite às vezes e ele sorriu.</font></span></div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2">Aquele sujeito se humanizou de um jeito vertiginoso à minha frente. Me fez ver, com a sua história, e com a relativa leveza com que lidava com todos aqueles eventos de sobe e desce em sua vida profissional, que eu estava alimentando toda manhã uma tristeza infundada (real, mas infundada), baseada em baixa autoestima. Um cenário torto que não tinha absolutamente nada de verdadeiro ou produtivo. Curiosamente, não o considerei menos competente como provedor. (O meu chicote só serve para mim, não para os outros.) Ao contrário, admirei a sua coragem, o seu ímpeto, a sua trajetória. (Essa régua positiva, na mão contrária, só vale para os outros, não vale para mim.) </font></span></div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="500252500-11052009"><font face="Arial" size="2">Ou então simplesmente fiquei alividado pelo fato de o sujeito não ser tão vencedor quanto eu projetara. Ou então apenas fiquei quase feliz por saber que ele não estava tão por cima - o que em contraste não me deixava tão por baixo. Se isso for verdade, por menos verdade que haja aí, trata-se de uma vergonha. Uma baita vergonha para mim. Uma tremenda vergonha.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Este é você?]]></title>

<pubDate>Sex, 08 Mai 2009 10:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090508_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="234173403-08052009"></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="234173403-08052009">Segue </span></font><span class="234173403-08052009"><font face="Arial" size="2">uma descrição de personalidade. Veja se tem alguma coisa a ver com você:</font></span></div><div><span class="234173403-08052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="234173403-08052009"><font face="Arial" size="2">&quot;Você precisa do apreço e da admiração dos outros e tende a ser crítico consigo. Embora tenha algumas falhas de personalidade, geralmente consegue compensá-las. Você tem uma habilidade considerável que ainda não empregou em seu próprio proveito. Disciplinado e controlado por fora, tende a ser preocupado e inseguro por dentro. Às vezes, tem grandes dúvidas quanto a ter tomado a decisão correta ou feito o que devia. Você prefere um pouco de mudança e variedade e fica insatisfeito quando é enclausurado por restrições e limitações. Você tem orgulho de pensar de modo independente e não aceita as afirmativas alheias sem provas satisfatórias. Mas você já descobriu que não é prudente ser excessivamente franco, revelando-se aos outros. Em alguns momentos você é extrovertido, afável e sociável, enquanto em outros é introvertido, cauteloso e reservado. Algumas de suas aspirações tendem a ser muito pouco realistas.&quot;</font></span></div><div><span class="234173403-08052009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="234173403-08052009"><span class="234173403-08052009"><font face="Arial" size="2">Se você se enxergou em quase todas as frases da descrição acima, saiba que não é o único. O texto que você acabou de ler foi utilizado num teste de psicologia comportamental, no final dos anos 40, pelo pesquisador Bertram Forrer. Nada menos do 87% das pessoas pesquisadas se identificaram imediata e completamente com a descrição proposta. O ponto é que o texto composto pelo professor Forrer é um acumulado de frases retiradas de livros baratos de astrologia da época. Esta é mais uma pérola educativa do livro Esquisitologia, do psicólogo inglês Richard Wiseman, que conclui: &quot;Basta fornecer às pessoas um descrição muito genérica de sua personalidade e o cérebro delas as leveará a acreditar que aquilo é revelador.&quot; </font></span></span></div><div><span class="234173403-08052009"><span class="234173403-08052009"><font face="Arial" size="2"></font></span></span> </div><div><span class="234173403-08052009"><span class="234173403-08052009"><font face="Arial" size="2">Esta tendência dos nossos neurônios a se deixarem impressionar por afirmações vagas e por coincidências manipuladas explica um monte de coisas. Do sucesso do populismo à ascenção social daquelas pessoas que costumam dizer somente o que o interlocutor quer ouvir, dos charlatães de qualquer área aos cultos religiosos histriônicos e teatralizados, da cartomante que cola cartaz no poste ao deputado que rouba, rouba, rouba e continua se reelegendo. </font></span></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[É bom ser paulistano]]></title>

<pubDate>Qui, 07 Mai 2009 10:20:32 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090507_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="123330723-30042009">São Paulo é a única cidade cosmopolita do Brasil. Ponto. O resto do país é província. Me refiro a São Paulo, a capital, que é a única cidade do mundo que existe entre nós.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="123330723-30042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="123330723-30042009">Tanto quanto Nova York, São Paulo acolhe de braços abertos gente de todo lugar. Por isso o lugar de origem importa pouco aqui: cada um tem o seu e beleza, vida que segue. Assim como ser novaiorquino não signfica ter nascido em Nova York mas sim viver e trabalhar na cidade, ser paulistano é muito menos nascer em São Paulo do que fazer a vida aqui, produzir riqueza e contribuir com o desenvolvimento da metrópole. Nenhuma outra cidade brasileira é assim. Raras cidades do mundo são assim. Parabéns, São Paulo. E obrigado. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="123330723-30042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="123330723-30042009">Eu sou gaúcho. E já vi muito paulista ser chamado, até mesmo com certo tom pejorativo, de &quot;Paulista&quot;, ao se mudar para o Rio Grande. Para demarcar a condição não-nativa do sujeito. E de algum modo diminui-lo por isso. Eu nunca fui chamado de &quot;Gaúcho&quot; em São Paulo. Porque simplesmente não interessa onde você nasceu ou de onde você veio aqui em São Paulo. Esta não é uma característica relevante na cidade. No Rio de Janeiro, se você não frequentou a praia do sujeito, não estudou na mesma escola dele, não namorou a irmã dele, você é um completo estrangeiro. Fala outra língua, tem outros modos e simplesmente não interessa aos cariocas. Mesmo a simpatia mineira em receber bem, com café, pão de queijo e doce de leite, sempre passa para demarcação do território e do DNA do estrangeiro: Minas recebe bem porque aprecia ser hospitaleira com o forasteiro. Mas que fique muito claro quem está recebendo e quem está visitando, quem é da terra e quem veio de fora, quem é do meio e que é o corpo estranho.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="123330723-30042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="123330723-30042009">Nada define tanto a província quanto este sentimento gregário de aldeia. Que, diga-se, está a um passo da intolerância, do isolamento, da hostilidade, da desinteligência. Nada mais cosmopolita do que a ausência desse sentimento de quintal, de cerca dividindo o nosso gramado dos vastos campos bonitos que se espaham mundo afora. São Paulo tem esse espírito sem fronteiras. Nenhuma cidade brasileira acolhe tão bem o recém-chegado. Estou aqui há 11 anos e posso afirmar isso com segurança. Você já é paulistano no segundo dia na cidade. E São Paulo abraça de um jeito interessante. Não sendo simpático com quem chega. (A cidade nem é simpática, no sentido de ser conveniente ou bonita. Ela não é.) Mas sendo simpático ao transformar o sujeito em paulistano, com todas as vantagens e agruras dessa condição, sem exigências de pedigree nem de período comprobatório.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[E se você nasceu com o talento errado?]]></title>

<pubDate>Qua, 06 Mai 2009 18:53:04 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090506_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="093350114-05052009">Já pensou nisso? Juro que é absolutamente possível de acontecer. O sujeito ser supertalentoso fazendo algo que detesta. Como uma menina com grande aptidão para resolver equações que odeia a matemática. Ou como um tremendo vendedor que olha no espelho e se enxerga um poeta. Claro que a cada nova apresentação de vendas, por mais bem sucedida que ela seja, por melhor que sejam a performance do sujeito à frente do Power Point e os resultados que ele gera, lhe dói no peito a insatisfação pelo abissal desencontro entre as visões que o mundo tem ele e que ele tem de si mesmo. Ele quer vender um talento. O mercado quer comprar uma outra competência sua. Ele sabe que a sua oferta é o que lhe faria feliz. No entanto, ele também sabe que precisa responder positivamente às demandas que lhe são colocadas. Ainda que elas não lhe tragam satisfação. Porque também é preciso sobreviver. (Ou será que ser feliz é preciso, viver não é preciso?)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="093350114-05052009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="093350114-05052009">Isso existe. E é dura a vida de quem é bom fazendo uma coisa que não gosta. Você vai evoluindo na carreira errada. E quanto mais angaria sucesso, mais se afasta daquilo que realmente gostaria de fazer. Às vezes, o sujeito também é talentoso naquela atividade que lhe traria realização. Às vezes, nem isso. Às vezes o paradoxo é mais cruel: a satisfação do sujeito mora numa atividade para a qual a aptidão dele é muito baixa. Outras vezes você simplesmente dá </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="093350114-05052009">certo e as pessoas lhe reconhecem, lhe aplaudem e lhe requisitam por algo que você faz muito bem - só que é uma atividade que você gostaria de ver pelas costas. Aí você briga com o próprio sucesso. O que significa brigar com você mesmo. E aí você sobe aos céus insatisfeito. E recebe os louros de alma azeda e cara amarrada. Porque você tem a terrível certeza de que terá que conviver com uma contradição lancinante pelo resto da sua vida: o que lhe dá dinheiro não lhe traz felicidade.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você odeia o seu trabalho?]]></title>

<pubDate>Ter, 05 Mai 2009 11:01:03 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090505_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009">Não dá para fazer o que você não gosta por muito tempo. Acordar todo dia infeliz com a sua atividade diária não é situação que possa se sustentar para além do curto prazo. Tem gente que nem considera entrar nessa. Simplesmente não admite a hipótese de trabalhar com algo que lhe desagrade. Eu admiro essas pessoas - porque elas estão, acima de tudo, se respeitando. Ocorre que tem muita gente que convive com o martírio a ponto de imaginar que o mundo do trabalho é assim mesmo, que não há outra alternativa profissional que não seja sofrer.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009">Há talentos que são melhor remunerados pelo mercado e competências que rendem menos dinheiro ao seu dono. Isso varia com o tempo e com variações na oferta e na demanda. Nada é definitivo. Mas é possível que você venha a se encontrar um dia nessa posição: fazer o que eu gosto ganhando menos, recebendo pouco, ou fazer o que eu não gosto para ganhar mais. Minha tese é que d</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009">á para optar pela segunda alternativa por um tempo, até atingir um objetivo. Ralar um ano para economizar e passar um ano morando fora. Ralar mais cinco anos para se aposentar em melhores condições. Ralar para garantir a pós-graduação de um filho. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009">Mas não dá para emburacar nisso para o longo prazo. Não é saudável. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009">Por mais grana que role. Trata-se de um projeto de vida inexequível. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="529212223-30042009">A cuca não segura. Estão aí as crises de humor, de depressão, de irritabilidade, os problemas de relacionamento (muitas vezes do sujeito com ele mesmo) que não permitem que a gente se engane a respeito. E o corpo também não segura. Estão aí os infartos, não raro precoces, que não nos deixam mentir.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Cuide bem dos seus três dinheiros]]></title>

<pubDate>Dom, 03 Mai 2009 22:23:12 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090503_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="484005818-29042009">Semana passada tive um agradável almoço com um amigo brasileiro que nasceu na Argentina. Deixa eu explicar. Ele é argentino. Nasceu em La Plata, torce pelo Boca (&quot;Boca es un sentimiento&quot;, ele me ensinou a belíssima frase que identifica a torcida Xeneize, a melhor do mundo), tem sotaque castelhano e tudo. Mas trabalha e vive há tanto tempo no Brasil que já virou brazuca. Não é mais um argentino que mora aqui, meramente. É mais um brasileiro que nasceu lá. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484005818-29042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484005818-29042009">Meu amigo está a cada dia mais parecido com o Jim Carey. Eu nunca tinha reparado nisso. Mas eles têm os mesmos ares, a mesma risada, o mesmo brilho lúdico no olho. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="484005818-29042009">Falávamos sobre o mercado, a vida, a carreira. Sobre a ex-empresa que nos abrigou ao longo de muitos anos. Ele, como eu, um ex-executivo tentando sobreviver sem patrão, dividiu comigo a lição que recebera de um consultor com muitos mais anos de vida sem crachá. Na verdade, duas lições. A primeira, resume-se numa frase. Seu amigo lhe dissera que um consultor está sempre devendo. Ou porque não conseguiu trabalho suficiente e está com dificuldade para pagar as contas. Ou porque arranjou muito trabalho e está com dificuldade para entregar o que vendeu. Achei uma síntese precisa da vida não apenas do consultor, mas do autônomo, do profissional liberal, do empreendedor, de quem se coloca de modo independente no mercado, vendendo diretamente seu talento e suas competências aos clientes, sem o intermédio de uma grande corporação.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484005818-29042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="484005818-29042009">A segunda lição do velho consultor: tenha sempre três contas bancárias - a dos sonhos, a do empresário e a do hedonista. O dinheiro dos sonhos é aquele que você não mexe, não negocia e não empresta. É o dinheiro da faculdade do filho, da doença da mulher, da sua aposentadoria. O dinheiro do empresário é aquele que você gira. Gasta com a empresa, investe, pega daqui, joga acolá, paga fornecedores, usa para comprar um notebook ou para consertar a impressora. E o dinheiro do hedonista é aquele que você usa para você. Para o prazer, para viver bem a vida. Se você quiser assistir à final da Copa na África do Sul, e houver dinheiro nessa conta, vá. Essa grana serve para isso mesmo. Para você gerar momentos de felicidade para si mesmo e para a sua família. Achei uma receita muito apropriada para equilibrar as finanças e distinguir os vários dinheiros que passam pelos bolsos de um empreendedor (e, por que não?, de um assalariado também) e que adoram se misturar confusamente, gerando caos administrativo e rombos temperados com os salgadíssimos juros do cheque especial.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Não se deixe paralisar]]></title>

<pubDate>Qui, 30 Abr 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090430_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="296143811-29042009">O ano está duro. Ou, ao menos, parado. Seguramente está imprevisível. Quando as empresas retomarão de verdade os investimentos? Agora em maio, depois desse abril cheio de feriados que servem, entre outras coisas, como desculpas para postergar ações? No segundo semestre, depois das férias de julho? </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296143811-29042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296143811-29042009">Ninguém sabe. Mas o ponto é que não temos mais apenas notícias ruins espocando via RSS. As más notícias continuam acontecendo. Mas, há pelo menos dois meses, lemos, vemos e ouvimos também notícias boas. Eu quero crer que os ventos já são outros. As vendas da indústria em março, por exemplo, foram quase 10% maiores do que as de março de 2008, que foi um ano estupendo para quase todo mundo. Daqui a pouco a indústria e o comércio vão reduzir os estoques e a produção começará a subir também. A Bovespa, você sabe, já está no patamar dos 45 000 pontos. Com mais um par de dias de entusiasmo, chegaremos ao nível dos 50 000 pontos. Que não serão os eufóricos 70 000 pontos que atingimos pré-crise mas também estarão bem longe dos depressivos 35 000 pontos aos quais caímos no fim do ano passado.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296143811-29042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296143811-29042009">Em meio a tudo isso, é preciso se manter em movimento. Tenha você um negócio ou um emprego. Não páre. Tenha idéias, invente, repense, escreva e apresente projetos, proponha melhorias, investimentos, projete o crescimento. Tanto o seu quanto o do negócio em que você está. Crie saídas. Em momentos de marasmo, a pior coisa que pode acontecer é você se deixar paralisar. Está difícil? Trabalhe mais. Trabalhe melhor. O que não dá é para parar o carro. Porque o risco do motor esfriar, da bateria engasgar e de você não conseguir dar a partida de novo é grande. Sobretudo, ir para o acostamento é permitir ultrapassagens.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296143811-29042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="296143811-29042009">No meu caso, ao menos, funciona assim. Eu preciso reagir. Isso me faz sentir melhor. Reduz a ansiedade. Sou de encarar o problema, agarrá-lo pelo colarinho. O que me mata é olhar o monstro com as mãos atadas. Prefiro mil vezes me engalfinhar com ele e morrer do que viver com medo, observando-o à distância, de esgueira. O pior para mim é a inação, é não poder agir. Então, jogo aí um níquel de aconselhamento para você: aja.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Qual é o negócio da sua empresa?]]></title>

<pubDate>Qua, 29 Abr 2009 08:37:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090429_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="937531211-29042009">Até uma certa idade e/ou um certo ponto na carreira, a gente vive a ilusão de que o negócio da empresa não é ganhar dinheiro. Acreditamos que ganhar dinheiro é uma atividade necessária, claro, fundamental até, mas que não é a meta essencial, a única missão, a atividade fim de todas as empresas. Apartamos nossa atividade diária desta obrigação da empresa. Não nos sentimos conectados nem comprometidos, na maior parte das vezes, com esse desiderato de toda empresa. Imaginamos que o faturamento é uma preocupação da turma de vendas. Cuja verdadeira preocupação é ganhar uma boa comissão no fim do mês para instalar um TV de plasma da sala. E que a rentabilidade é uma preocupação da turma do financeiro, cuja real preocupação é o desempenho do time do coração no campeonato em curso. Ambos, faturamento e rentabilidade, é o que a maioria de nós acredita no início da carreira, são consequências distantes e indiretas do nosso trabalho no departamento de marketing ou na engenharia ou no RH. Não pecebemos que, ao contrário, faturamento e rentabilidade são pré-requisitos para que o nosso trabalho exista.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937531211-29042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937531211-29042009">Só mais tarde nos damos conta de que o primeiro e único negócio de uma empresa é permanecer no negócio. É sobreviver. E, portanto, faturar, faturar, faturar. Operando com custos menores do que o seu faturamento e remunerando assim o capital investido pelo patrão. Uma empresa, qualquer empresa, é isso, antes de ser qualquer outra coisa. Todo empreendimento, independente do seu tamanho e do seu tempo de vida, vive, existe, respira, dorme, acorda e come para ganhar dinheiro. É uma visão crua e acurada da vida como ela é. Bem pouco romântica, é verdade. Especialmente para quem está lá na sua baia, ganhando seu salariozinho, e se imaginando apartado da função de vender, de faturar, de gerar receita. À medida, no entanto, que você vai crescendo na carreira e que suas responsabilidades vão se aproximando cada vez mais do bottom-line, a verdade sobre a finalidade primeira e última de qualquer empresa fica clara a ponto de ofuscar.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="937531211-29042009"><br />E quando você vira empresário, então, essa verdade se apresenta como um tapa. Como uma sequência diária de tabefes. Plaft. Plaft. Plaft.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Pior do que notícia ruim é esperar por ela]]></title>

<pubDate>Ter, 28 Abr 2009 10:34:40 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090428_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="015120213-28042009"><font face="Arial" size="2">Ontem recebi uma má notícia no âmbito dos negócios. Não foi uma notícia péssima. Mas foi uma notícia ruim. Fruto desses tempos de contenção, de cortes de verbas, de apreensão em relação ao futuro. Eu não sei como está para você. Mas para mim, e para a maioria das pessoas com quem estou conversando, o ano de 2009 - do qual já vivemos um terço! - está assim: muito trabalho e pouco faturamento, muita conversa e pouca ação, uma pilha de propostas, projetos e orçamentos (quase todos solicitados) e raríssimos negócios fechados. Das duas, uma: ou o ano começa de verdade agora em maio, e essas idéias e investimentos programados sairão finalmente da represa num jato caudaloso, aquecendo de novo a economia, ou viveremos esse perrengue de planejar muito e concretizar pouco até o final do ano. E aí haverá muitas baixas pelo caminho. Um bocado de pessoas físicas e pessoas jurídicas não sobreviverão. Eu espero mesmo que isso não aconteça. E aqui estou, sim, legislando em causa própria.</font></span></div><div><span class="015120213-28042009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="015120213-28042009"><font face="Arial" size="2">Mas o que queria contar aqui é que senti, ontem, uma sensação estranhamente agradável ao ver definida aquela situação. Ainda que o encaminhamento dela não fosse bom, muito longe disso, ter a situação encaminhada gerou em mim um sentimento muito melhor do que no momento anterior, de indefinição. Quer dizer: a ansiedade é pior do que a notícia ruim. Esperar por um desfecho, e sofrer no vazio, na inconcretude de uma possibilidade de tragédia, é muito mais doído do que encarar a situação concreta. O sofrimento da antecipação não tem tamanho. Ou melhor: adquire o tamanho da nossa ansiedade. Que quase nunca é pequena. Que quase sempre descamba para a hipérbole e o paroxismo. Lidar com a coisa como ela é, mesmo quando o quadro não é bom, é uma batalha muito mais objetiva, clara e, portanto, mais sob controle. </font></span></div><div><span class="015120213-28042009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="015120213-28042009"><font face="Arial" size="2">É a sede de controle que nos faz sofrer. E, em meio ao desespero, são as migalhas de controle que nos fazem sentir melhor.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A esquisitologia nossa de cada dia]]></title>

<pubDate>Seg, 27 Abr 2009 09:35:49 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090427_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009">Acabei de ler &quot;<a href="http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/2516240">1968 - O Ano que Não Terminou</a>&quot;, de Zuenir Ventura (dele, gostei mais do mais recente &quot;<a href="http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/info.cgi?livro=13670033">Minhas Histórias dos Outros</a>&quot;) e &quot;<a href="http://www.fernandomorais.com.br/">O Mago</a>&quot;, a biografia de Paulo Coelho, mais uma grande peça literária de não-ficção de Fernando Morais. Agora estou lendo &quot;<a href="http://geracaobooks.locaweb.com.br/loja/product_details.php?id=30">Amadora</a>&quot;, de Ana Ferreira (achei que ia gostar mais), e me divertindo com &quot;<a href="http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=5494">Esquisitologia</a>&quot;, do psicólogo compormental inglês Richard Wiseman. A certo ponto, ele cita o trabalho de Hans Eysenck, outro psicólogo, célebre autor do Inventário da Personalidade. Eysenck propõe que a personalidade humana é definida por duas dimensões: a extroversão e o neuroticismo. Escreve Wiseman:</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009">&quot;A extroversão diz respeito ao nível de energia com que as pessoas abordam a vida. No alto da escala estão os 'extrovertidos'. Eles tendem a ser impulsivos, otimistas e felizes; têm prazer na companhia alheia, buscam gratificação instantânea, contam com um amplo círculo de amigos e conhecidos e são mais propensos a trair os parceiros. No outro extremo da escala estão os 'introvertidos', que são mais ponderados, controlados e reservados. A vida social dos introvertidos gira em torno de um número relativamente pequeno de amigos muito íntimos; eles preferem ler um bom livro a sair para uma noitada.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009">&quot;A segunda dimensão, o neuroticismo, relaciona-se com o grau de estabilidade emocional do indivíduo. Os que alcançam uma alta pontuação têm tendência à preocupação, apresentam auto-estima reduzida, perseguem metas ou alvos pouco realistas e com frequência sentem hostilidade e inveja. Por outro lado, os indivíduos com baixa pontuação são muito mais calmos, relaxados e flexíveis diante do fracasso. São hábeis em usar o humor para reduzir a ansiedade e às vezes até progridem com o estresse.&quot;</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009">A extroversão e o neuroticismo seriam as duas réguas básicas para medir o comportamento humano. Penso eu que elas poderiam ser desenhadas como as retas X e Y num gráfico de quadrantes. Claro que o ser humano é quase sempre mais complexo e fugidio em sua psicologia do que essas tentativas da ciência de objetivar tudo. Mas eu achei as descrições que transcrevi acima para lá de interessantes. Acho que o extrovertidos e os introvertidos se reconhecerão ali. Assim como os neuróticos e os desencanados. E também todas as demais pessoas que são ora uma coisa, ora coisa. E que pendem em alguns momentos mais para um lado e, depois, mais para o outro.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="000541702-27042009">Eu já me identifiquei. E você que acompanha este blog onde me dispo diariamente, já deve ter me identificado também. A questão agora é: que espaço você ocupa nesta escala?</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O gênio da maçã]]></title>

<pubDate>Sex, 24 Abr 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090424_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="671252302-19042009"><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><span class="671252302-19042009">A Veja me encomendou a resenha de um best-seller sobre Steve Jobs. Saiu na edição de Páscoa. </span></font><font face="Times New Roman" size="3"><span class="671252302-19042009">Colo abaixo, caso você tenha perdido. </span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><span class="671252302-19042009">Caso você tenha lido na revista, convido-o à releitura. A versão que segue é a integral, original, sem cortes. </span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><span class="671252302-19042009"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><span class="671252302-19042009"></span></font><font face="Times New Roman" size="3"></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><strong><a href="http://veja.abril.com.br/150409/p_106.shtml">A cabeça da maçã</a></strong></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Dá para admirar um empresário maníaco, cruel, que grita com as pessoas e faz com elas trabalhem até 90 horas por semana? Bom, então você não admira Steve Jobs, fundador da Apple, gênio da inovação, responsável por revoluções na indústria da tecnologia que mudaram o mundo para sempre e se tornaram lendárias: do mouse e da interface gráfica com ícones clicáveis, que tornou o computador acessível a crianças de 3 anos, até o iPod e o iPhone. Quer pensar melhor?</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="3"><font face="Times New Roman"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21426791/cabeca+de+steve+jobs,+a">A Cabeça de Steve Jobs</a></i> (Agir), de Leander Kahney, editor da <i style="mso-bidi-font-style: normal">Wired.com</i>, que cobre a Apple há mais de 12 anos, apresenta ao leitor o retrato contraditório de Jobs. Trata-se de um líder messiânico e ao mesmo tempo despojado. Que inspira idéias e medo. E que enxerga o interlocutor sempre como um gênio ou um idiota. &quot;A Apple é a soma das virtudes e dos defeitos de Steve&quot;, escreve Kahney, que mostra que os defeitos de Jobs são tão importantes para o sucesso da empresa quanto suas virtudes.</font></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">O livro foi escrito em novembro de 2007. Como muito bit rolou por baixo da ponte neste ano e meio, há alguma defasagem. O sucesso do iPhone, por exemplo, ainda é tratado como uma suposição. Mas isso não tira o interesse da leitura. Há um capítulo inteiro dedicado à criação do iPod, o maior sucesso da história da Apple, com detalhes saborosos como a escolha do nome do tocador e o fato de ele só existir graças a uma junção de tecnologias que empresas como Toshiba e Sony não sabiam bem como utilizar sozinhas.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Kahney entrevistou mais de 20 executivos que trabalharam diretamente com Jobs. E oferece uma boa visão interna da &quot;empresa mais revolucionária do mundo&quot;. A Apple é uma persona, muito antes de ser uma corporação. Ela é mais do que uma empresa, é uma entidade cheia de carisma e de magia. Exagero? Pense nas campanhas publicitárias, supervisionadas pessoalmente por Jobs, que costumam se tornar eventos culturais e marcar época.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">É possível dizer que enquanto Bill Gates construiu uma empresa, Steve Jobs construiu uma mitologia. Enquanto a Microsoft dominou o mercado corporativo, das estações de trabalho, de modo racional, a Apple se dedicou ao indivíduo, focando em entretenimento e design, via apelo emocional. Com o iMac, por exemplo, no final dos anos 90, a Apple lançou a moda dos plásticos transparentes em cores cítricas, depois utilizados em milhares de outros produtos em vários ramos. Antes disso, nos anos 70, a empresa já havia inventado o padrão bege (Jobs se inspirou em processadores de alimentos), largamente adotado pela indústria de computadores até hoje. Vai ser influente assim lá no Vale do Silício!</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">No célebre <a href="http://www.dallascap.com/pdfs/MarketingMyopia.pdf">artigo</a> que escreveu para a <i style="mso-bidi-font-style: normal">Harvard Business Review</i> em 1960, o pensador dos negócios Theodore Levitt disse, sobre John Ford: &quot;Nós o celebramos pela razão errada. Sua real genialidade não era em produção, mas em marketing. Nós pensamos que Ford foi capaz de cortar seu preço de venda e vender milhões de carros de 500 dólares porque sua invenção, a linha de montagem, tinha reduzido os custos. Na verdade, ele inventou a linha de montagem porque concluiu que a 500 dólares ele venderia milhões de carros.&quot; O mesmíssimo raciocínio pode ser aplicado a Steve Jobs: ele não é um gênio da tecnologia, mas do marketing.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Jobs gosta de afirmar o contrário, em blagues anticonsumidor: &quot;as pessoas não sabem o que querem até que você mostre a elas&quot;. Mas poucos executivos na história tiveram tanta sensibilidade para antecipar desejos e necessidades. Jobs enxerga o mundo com os olhos do cliente. Ele testa tudo com esta perspectiva: a experiência do consumidor. Fora que Jobs é, em si, uma marca. Repare na malha preta com gola rulê, no jeans desbotado, no tênis New Balance cinza. Ele epitomizou o geek (o nerd descolado) e atua como um logotipo ambulante.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">O livro afirma que Jobs é um dos melhores &quot;escolhedores de produtos&quot; da história. Ele teria o raro dom de conectar os delírios gerados nos laboratórios de pesquisa ao mundo concreto dos consumidores. &quot;Você não inventa produtos. Você os descobre. Eles sempre estiveram lá. Só que ninguém estava enxergando&quot;, diz Jobs.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">&quot;Criatividade é conectar as coisas&quot;, diz Jobs, recusando a idéia de que se trate de um evento mágico. &quot;Não existe um método para a inovação na Apple&quot;, afirma Jobs. A empresa gosta de acreditar que a inovação acontece ali dentro como um processo orgânico. A Apple funciona como a soma de várias pequenas empresas iniciantes, e não como uma corporação com mais de <span class="671252302-19042009">3</span>0 000 funcionários. Jobs se ocupa de defender a criatividade da ameaça da burocracia. Ele não tem o menor pudor de lançar novos produtos que venham a matar os que já existem. Mas combate a inovação aleatória, porque &quot;ela cria soluções para problemas que não existem&quot;. Talvez a verdade seja que a luz na Apple emana quase que exclusivamente de Jobs. A questão, crucial para a sobrevivência da empresa, será como manter viva a chama da inovação quando Jobs se for.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">O que move Jobs não é a competição nem o dinheiro. O que ele deseja é mudar o mundo, fazer história. Jobs trabalha movido à paixão. &quot;Ele tem um entusiasmo contagiante. É uma força da natureza&quot;, escreve Kahney. Jobs é também muito exigente. Só contrata os melhores. E sabe extrair o melhor de cada um. Não raro, de forma traumática. Ele impõe o seu senso de urgência à organização.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Segundo Kahney, Jobs é também um intimidador profissional. Mas não um tirano, meramente. &quot;Ele atua como um pai muito difícil de agradar. As pessoas têm medo dele e buscam a sua atenção e a sua aprovação. Ninguém quer decepcioná-lo&quot;, escreve. Um funcionário deixava sempre um tênis escondido debaixo da mesa, para trocar pelo sapato caso o chefe aparecesse. É isso mesmo: usar sapato pega mal na Apple.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Jobs adora disputas intelectuais. Ele é conhecido por testar o interlocutor: se está bem informado, se sabe defender seus pontos. Na Apple, as pessoas se perguntam: &quot;Você já foi Stevado hoje?&quot; Significa tomar uma lavada de Jobs, ser atropelado por ele no corredor, no elevador, na sala do café.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Jobs é também um perfeccionista patológico. Busca sempre a excelência. Chegou a mandar redesenhar uma placa-mãe porque a achava feia <span class="671252302-19042009">-</span> peça com a qual quase nenhum usuário tem contato. Também achava que o plugue do iPod não fazia um barulho de clique bacana. E só sossegou quando seus engenheiros entregaram um som de clique bonito. De outra feita, fez seus programadores gastarem 6 meses ajustando um detalhe tão pequeno quanto a barra de rolagem do sistema operacional. Ele é obsessivo com os detalhes que considera importantes <span class="671252302-19042009">-</span> mesmo fora da empresa. Passou duas semanas repassando na mesa de jantar os valores da sua família antes de decidir que máquina de lavar deveriam comprar.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Steve Jobs também erra. O Mac Cube, lançado em 2000, por exemplo, uma aposta pessoal sua, naufragou. Ter investido primeiro em vídeo, com o iMovies, e não em música, com o ecossistema iPod/iTunes, que só viria bem depois, quase fez a Apple perder o melhor negócio da empresa. E em uma de suas últimas declarações antes do afastamento por saúde, no começo deste ano, Jobs afirmou que não pretende lançar um concorrente ao Kindle, o e-book da Amazon, &quot;porque as pessoas não lêem mais&quot;. Neste quesito, sinceramente, torço para que ele esteja errado.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"></font></p> <p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><u><font size="3"><font face="Times New Roman">As obsessões de Steve</font></font></u></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><strong>Simplicidade</strong></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Tudo tem que ser claro e fácil de entender e de usar. Menos é mais. Este conceito perpassa tudo na Apple, das funcionalidades dos produtos, ao design das embalagens e à própria organização da empresa. Para Jobs, simplicidade equivale à inteligência e complexidade, à confusão mental.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><strong>Foco</strong></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Ele ataca um problema de cada vez e vai até o fim. Enxerga o que interessa e ignora o resto. &quot;Foco significa dizer não&quot;, diz.</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><strong>Controle</strong></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Os sistemas da Apple são fechados e ele integrou a empresa verticalmente para ter controle total do processo e do produto. Mas sabe delegar. Concentra-se no que faz bem - desenvolvimento de produtos, apresentações ao mercado, negociação de acordos - e delega o que não faz bem <span class="671252302-19042009">- </span>como administração de finanças e gestão da operação</font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><strong>Autoconfiança</strong></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3">Ele tem a firmeza de dizer &quot;sim&quot; quanto todo mundo está dizendo &quot;não&quot;. Tem a coragem seguir os próprios instintos. Quando reassumiu a Apple, no fim dos anos 90, contrariou o senso comum e reduziu o faturamento de 12 bilhões de dólares à metade, numa arriscada manobra para recuperar a rentabilidade da empresa. Deu certo</font></p></span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A regra de ouro da indispensabilidade]]></title>

<pubDate>Qui, 23 Abr 2009 09:15:06 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090423_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009">Quem sou eu para falar qualquer coisa a respeito de se dar bem no mundo do empreendimento. Estou nadando nessas águas há pouco mais de seis meses e ainda tenho muitíssimo a aprender. Mas uma coisa já me parece que posso dizer com voz empostada e pulmões a pleno: só quem for indispensável sobrevive. É preciso fazer muita falta aos outros para existir no mercado. Tenha um produto ou serviço que possa ser preterido e ele certamente será, mais cedo ou mais tarde. A regra das pessoas é dizer não para os newcomers. E não sim. A regra é os players estabelecidos tentarem manter o status quo, o equilíbrio existente no jogo. Então há sempre certa hostilidade a quem chega com chuteira nova e aquele baita desejo de entrar em campo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009">O gesto mais doído para qualquer ser humano é colocar a mão no bolso. O sujeito só o faz quando realmente não tem outra alternativa. O apelo da oferta que você faz ao mercado pode ser a utilidade prática. Pode ser o glamour e o status. Pode ser o escambau. Mas, seja como for, sua oferta tem que ser irresistível. Enquanto as pessoas puderem resistir a dar dinheiro a você em troca de alguma coisa, qualquer coisa, elas o farão. Então ou você é um category killer, ou você tem na mão uma força de sedução contra a qual não se pode lutar, ou você não tem nada e seu negócio é natimorto.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009">A regra clássica do mercado de serviços é: o sujeito demora uma eternidade para dar a resposta para um orçamento que você passou e depois, quando dá sinal de vida, quer tudo para ontem. A razão disso, para mim, é clara: as </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009">pessoas postergam ao máximo o &quot;sim&quot;, tentam até o último segundo dizer &quot;não&quot;. Somente quando não podem mais evitar a compra do serviço, quando não podem mais continuar vivendo sem contrair aquele custo, é que dobram a perninha e tascam um &quot;OK&quot; na proposta que você lhes fez. E aí o prazo é sempre o mais apertado possível para você entregar aquilo que propôs lá atrás. Pense num eletricista. Você faz de tudo para não ter um dentro da sua casa. Somente quando você já lanhou as duas mãos, derrubou a força da casa e quase morreu eletrocutado é que você entrega os pontos e decide chamar um profissional. A contragosto. Pense num médico. A maioria das pessoas só paga uma consulta quando já está entrevada. É assim que funciona. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009"></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009">Eis a minha dica, portanto, para quem quer ter um negócio: você precisa ser necessário, essencial, fundamental, sine qua non. Se o sujeito puder viver sem você, se puder deixar de tirar dinheiro do caixa dele para colocar no seu, ele o fará. Clientes, no final das contas, só existirão se você lhes der um cheque-mate com a sua oferta, seja ela qual for.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="593382013-08042009">Ah, detalhe. Isto tudo vale para quem tem um emprego também. A mesmíssima regra de ouro da indispensabilidade.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu sou uma pessoa 1.0]]></title>

<pubDate>Qua, 22 Abr 2009 13:56:13 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090422_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009">Eu estou no Linked In. Mas ainda não sei direito para que serve. Construí o meu profile, coloquei lá as informações profissionais mais relevantes a meu próprio respeito. E volta e meia aceito convites para me filiar à rede de conexões de uma ou outra pessoa. Quase nunca envio convites. Não porque seja antissocial. Mas porque fico meio assim de convidar alguém para alguma coisa que eu não sei bem que finalidade tem. Eis o meu ponto em relação ao Linked In: o que eu faço com isso? Esses dias fiquei sabendo que headhunters usam o Linked In para caçar candidatos. E eu mesmo já encontrei a pista de uma ex-colega (que agora é country manager de uma multinacional no Equador!) no site. Mas... é só isso?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009"></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009">Também já tive um profile no Orkut. Lá atrás, em 2002, acho, quando o site estourou no Brasil. Demos uma capa na Superinteressante a respeito. Fiquei uma semana lá dentro e me suicidei. Eliminar um profile, ao menos naquela época, não era uma tarefa simples. A mesma lógica de cancelar um cartão de crédito ou uma assinatura de TV a cabo, percebe? Certas coisas não mudam nunca, não interessa se você está no mundo dos tijolos ou do bytes. Esses dias alguém me disse que o Orkut tem milhões de profiles mudos e inertes. Pouca gente realmente acessa e posta coisas lá dentro. É a chamada morte por inanição, do sujeito que deixa para trás seu pefil sem sequer se dar o trabalho de dar-lhe o devido tiro na nuca como eu fiz. Por que eu saí do Orkut? Basicamente porque escolhi administrar direito os meus e-mails. E não daria para administrar as demandas do Orkut ao mesmo tempo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009">No Twitter, vivo mais ou menos a mesma situação. Criei um perfil lá há tipo um ano. Nunca tuitei. Sem fazer força, devo ter quase 20 seguidores. Aos quais peço milhares de desculpas pela ausência, pelo silêncio, pelo tremendo cano. Simplemente não dá para agregar à minha vida hoje mais essa tarefa de contar para todo mundo a todo momento o que eu estou fazendo. Mas de todos os meus pecados digitais, especialmente como publisher da versão brasileira do maior site de tecnologia, inovação e tendência do mundo, talvez o pior, o mais incompreensível e o mais indesculpável seja a m</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009">inha inapetência pelo MSN. Lá atrás, há uns 10 anos, brincava no ICQ. Era divertido. Mas consumia um tempo do cão. Tempo que não tenho mais, hoje, para me jogar no MSN. Talvez a ferramenta, na verdade, me fizesse economizar tempo. Mas não posso arriscar.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009">Por ora, declaro minha gratidão ao Skype, por meio do qual meus filhos pequenos puderam conversar - e ver - a mãe diariamente em recente viagem que ela fez. Uso bastante o You Tube. Para ouvir música, veja só, enquanto trabalho e para ver dois filmes antiquíssimos da Disney que meus pequenos adoram e que não existem em DVD. E me resigno com o fato de que e</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="312021413-08042009">-mail, que é uma ferramenta que eu adoro, já virou coisa de velho, de gente 1.0.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quem são seus detratores?]]></title>

<pubDate>Sex, 17 Abr 2009 13:24:44 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090417_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="968571418-16042009">Funciona assim: se uma pessoa de quem eu gosto muito gosta muito de outra pessoa, as chances de eu virar um admirador dessa outra pessoa são grandes. Assim como se alguém de quem eu quero distância gosta muito de um outro alguém, é natural que eu tenda a achar que esse outro alguém também não vale a pena.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968571418-16042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968571418-16042009">É um exercício tremendamente interessante você prestar atenção àquelas pessoas que gostam de você no mundo do trabalho. E não só nele. Mas vamos lá. Quais são os seus aliados na empresa? Quem lembra com saudade de você nos lugares por onde você passou? O que essas pessoas têm em comum, além de simpatizarem com você? Ao enxergar as características comuns a essas pessoas, você provavelmente estará enxergando as suas próprias características. Trata-se de um espelho bastante fidedigno. Seus fãs dizem muito a seu respeito. Se essas pessoas são todas imbecis, é possível que você seja um imbecil também. Ou, ao menos, alguém que adora, ainda que inconscientemente, andar com imbecis para, no contraste, se sentir melhor, engrandecido, dono do mundo. Se seus admiradores não tiverem um pingo de caráter, é possível que você também seja bem fraco nessa área. Se forem pessoas talentosas, é possível que você pertença ao clube do talento. E assim por diante.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968571418-16042009"></span></font> </div><div><font face="Arial"><font size="2"><span class="156503503-16042009">Da mesma foram, analise seus desafetos. Qu<span class="968571418-16042009">em lhe detesta? Quem foge do contato com você? Se forem, na média, pessoas legais, bacanas, éticas, opa, páre e repense tudo. Pode ser que você esteja passando uma imagem de ser um tremendo fdp. Então decida que se é isso mesmo que você quer ser na vida. E aí acelere ou dê um cavalo de pau em sua trajetória. Agora, se a maioria absoluta dos seus detratores forem pessoas sem escrúpulos, insidiosas, malévolas, daquelas que causam um desequilíbrio na Força com o seu culto ao Dark Side, sinta-se feliz, realizado, e comemore muito nesse fim-de-semana, e nos próximos, o fato de você ter inimigos que dizem tanto ao seu favor mesmo vociferando palavras no sentido contrário e adversários que a cada gesto de agressão que realizam só fazem aproximá-lo ainda mais das pessoas que contam.</span></span></font></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A mania de querer agradar a todo mundo]]></title>

<pubDate>Qui, 16 Abr 2009 15:20:11 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090416_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009">Um clichê: unanimidade não existe. Outro clichê: toda unanimidade é burra. (Thanks, mestre. Para quem não sabe, a frase é de Nelson Rodrigues. Leia Nelson Rodrigues. Não me refiro à dramaturgia. Mas aos textos que ele publicou na imprensa, pérolas confessionais, que de alguma forma eu tento emular aqui e que estão entre as melhores páginas da literatura brasileira. Mas divago. Voltemos.) O fato é que você nunca conseguirá agradar a todo mundo. E ter essa preocupação é o caminho mais curto para a frustração e para o sofrimento. É como secar gelo. (Opa, outro clichê.) Enfim, trata-se de um esforço inútil.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009">Claro que você não pode usar essa percepção como um argumento íntimo para mostrar uma banana para todo mundo e viver a vida com a tecla FDS apertada no automática. É sempre bom saber olhar a si mesmo com os olhos dos outros, de vez em quando. Fazer o balanço periódico da sua visão das coisas com a visão que os outros têm delas. O que não dá é para eleger como objetivo supremo de vida ser amado por todo mundo. Primeiro, já disse, porque é impossível. Depois, e mais grave, porque isso é colocar a sua autoestima na mão dos outros. E não há risco maior. Tem gente, os predadores emocionais, que não são poucos, que faz miséria se perceber que você lhes abriu essa porta.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009">Eu tenho historicamente essa mania de querer agradar. É um dos meus desvãos, dos quais eu tenho consciência, e que vão me dar o trabalho de uma vida inteira para pavimentar. Então nunca </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009">convivi bem com a desaprovação alheia, com a secura e aridez dos interlocutores. Tomei muito tempo para perceber que a grande maioria dessas reações não estava sob o meu controle. E caía como um marrequinho na armadilha daquelas pessoas que usam a chantagem emocional como uma ferramenta de controle. Hoje tento fazer um triagem mais equilibrada dos feedbacks que recebo. Jamais serei aquele cara que não dá a mínima para o que os outros vão pensar, vão dizer, para como as outras pessoas vão me enxergar. Faço, quase sempre, questão de oferecer às criaturas que travam contato comigo a melhor experiência possível.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="156503503-16042009">E eis o que tenho a declarar: é uma sensação muito boa depender menos da aprovação dos outros para ser feliz.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Saia para jantar hoje!]]></title>

<pubDate>Qua, 15 Abr 2009 17:03:13 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090415_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-ansi-language: EN-US"><span class="562364522-07042009"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-ansi-language: EN-US"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="015493911-06042009">Esses dias eu estava almoçando e me proibindo um Häagen Dazs de sobremesa. A conta do restaurante ia ficar mais cara. Era um almoço qualquer em dia de semana, refeição feita para ser rápida e funcional, sem prazeres extras nem gastos supérfluos. Eram calorias a mais, nada desprezíveis e duríssimas de perder depois, para um sujeito na minha idade. E era um prazer solitário, daqueles que caras como eu adoram se negar. Então eu estava me proibindo a realização desse desejo. Sairia dali culpado se comesse aquele Häagen Dazs. Você tem dessas doideiras também? Eu tenho. E como reflito sobre elas, e batalho contra elas, acrescento um sentimento adicional à história: me sentiria mal se me desse o direito àquele desfrute mas me sentiria mal também se não reagisse em relação àquela autocensura boba que eu sabia ser boba e que eu estava me impondo.</span></span></span></span></span></p><p class="MsoNormal"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-ansi-language: EN-US"><span class="562364522-07042009"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-ansi-language: EN-US"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="015493911-06042009">Então percebi que <span class="562364522-07042009">aquele poderia ser meu último Häagen Dazs. Eu tinha um milhão de chances de nunca mais ter a chance de saborear um Häagen Dazs. Lembrei do verso perfeito do John Lennon, na música que fez para o seu filho Sean: &quot;</span></span></span></span></span></span><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-ansi-language: EN-US">Life is what happens to you while you are busy making other plans<span class="562364522-07042009">&quot;. Em seguida me dei conta, estupefato, do sujeito estóico, monástico, espartano que muitos de nós carregam dentro de si. Um tremendo inimigo íntimo. Que precisa ser combatido. Esse sujeito detesta que você sinta prazer, que você tenha satisfação, que você goze a vida, que você desfrute o dia. Então eu rigorosamente me mandei tomar no c* e pedi o Häagen Dazs. E ainda por cima de doce de leite. Me permiti. Porque a vida acontece agora, enquanto você está com a cabeça ocupada fazendo contas, cultivando preocupações, projetando o futuro ou remoendo o passado.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-ansi-language: EN-US"><span class="562364522-07042009">Eis o que aprendi, pela milésima vez: s</span>eize the day!<span class="562364522-07042009"> Carpe diem, meu! Vou ter que aprender outras mil, provavelmente, até a ficha cair. Mas não desisto.</span></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Sempre às segundas]]></title>

<pubDate>Seg, 13 Abr 2009 16:19:17 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090413_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="687310414-13042009">Há certas segundas-feiras em que dá uma preguiça de tudo. Você acorda de manhã, está friozinho, não tem sol lá fora, e o primeiro pensamento é &quot;ah, não...&quot; Deixa eu ficar aqui embaixo, encolhido. Deixa eu não ter que sair para enfrentar a barra do dia, para matar tantos leões, para ter de batalhar tanto por &quot;sins&quot;, tendo que ouvir tantos &quot;nãos&quot;. Aí você vê o mundo lá fora se mexendo e percebe que não é possível ficar parado. Que já passou o tempo de torcer para ficar doente e não ter de ir para a escola. Não há espaço para a fadiga. Nem para a fuga. Sua professora não é mais o único interlocutor a ser conquistado. Sua mãe não lhe oferece mais toda a guarida e a proteção de que você precisa na vida. Sua mulher já levantou e está vestindo as crianças para você levá-las ao colégio. Em seguida ela vai colocar uma roupa bacana (que mulher elegante, meu deus do céu, você é um homem de muita sorte) e sair para lutar a sua própria luta. Então você sai da cama, lava o rosto, faz a barba e escova os dentes olhando-se nos olhos, à frente do espelho. O dia engata a primeira marcha. Você pega no tranco. E não raro até acelera, dirige diretinho, faz curvas com rapidez e destreza, arrisca com sucesso uma ou duas ultrapassagens. Mas nem mesmo batendo o recorde da pista você é capaz de esquecer aquela modorra pegajosa, perigosa, que tomou conta de você de manhãzinha. Ela é um vulto que o persegue, como que querendo lhe dizer algo, como que sussurrando uma mensagem fundamental que você faz de tudo para não ouvir e não entender.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="687310414-13042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="687310414-13042009">Nesses dias, confesso, só um bom risoto me redime.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Será que meu bisavô era ansioso?]]></title>

<pubDate>Seg, 13 Abr 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090413_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009">Não é novidade para você que a vida anda muito veloz e trepidante. Está cheia de novas necessidades e demandas que se desdobram em outras tantas num ritmo diário e frenético. Provavelmente a maioria desses desejos e preocupações é falsa e dispensável. Mas como é difícil viver à margem dessas coisas todas que, afinal, definem a época em que vivemos. Que nos definem como indivíduos, em grande medida. Não é fácil abdicar de elementos que compõem o jeito de viver da nossa geração. Então parece mesmo que a velocidade com que as contas aumentam de estatura e de variedade é crescentemente superior à nossa capacidade de gerar recursos condizentes. Aí pisamos lá no fundo e nos dedicamos a queimar óleo pela eternidade, tentando ficar no azul, buscando equilibrar tudo sobre os ombros. Seria lindo que tudo fosse diferente. Que vivêssemos com mais calma e contemplação. Mas como existir e sobreviver numa era com valores de outra?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009">Hoje eu me peguei imaginando a vida do meu bisavô. Um homem que não conheci. (Eu confundo um pouco meus dois bisavôs maternos. Existem uma ou duas fotos de cada um. Então os trato no singular, meio como se fossem uma pessoa só, amalgamados três gerações antes de mim. Um deles se chamava Mathias Hermenegildo. Um nome másculo, épico, quase irreal. O outro se chamava Antônio. Um nome cândido, pacato. Dos meus bisavôs paternos sei muito pouco. Eles são um vácuo no meu imaginário, infelizmente.) </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009"></span></font><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009">Meu bisavô, uma mistura desses quatro homens, viveu no interior e era um homem cuja cabeça pertenceu à primeira metade do século 20. Imagino a vida dele muito mais simples do que a minha. Mais lenta: ele tinha mais tempo para tudo. E fazia as coisas mais devagar, sem tanto atropelo. Mais calma: ele não tinha tantas alternativas, tantas hipóteses, tantas escolhas a fazer, e vivia de um jeito mais reto, mais sob controle. Tenho certeza de que ele, com 10 ou 12 filhos, tinha menos noites de insônia e menos desconfianças em relação à sua condição de provedor do que eu, com dois. Para ele, ter filhos significava outra coisa. E o mundo lá fora era um vulto muito menor e mais controlável. Suas responsabilidades eram bem definidas e não havia muita dúvida de que ele daria conta de tudo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009">Como será que ele via o futuro? Será que o que </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009">chamava de vida normal é o que vemos hoje como tédio e inanição? Ou será que a paz de espírito que tanto procuramos ao final desta primeira década do século 21, e que tantas vezes perdemos ao longo desses dias que correm, é exatamente aquele ideal idílico vivido pelo meu avô, de uma vida mais mansa, mais previsível, com menos ambições, com menos decisões a tomar? Será que as ansiedades naquela época eram outras? O sujeito não tinha medo de perder o emprego porque tinha um pedaço de terra e vivia daquilo. O sujeito não tinha medo da violência urbana porque o Brasil era um país rural e não havia nem um traço da insegurança pública que enfrentamos hoje. Mas talvez a sanha controladora e angustiada da alma humana achasse outros modos de se manifestar em 1940.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="409333016-09042009">Penso com carinho em meu bisavô. E com uma pitada de saudade dele, da sua vida, dos seus modos e jeitos, de um tempo que eu não vivi, de um modus vivendi que eu não presenciei. (Talvez sinta esse simulacro de saudade exatamente por isso.) Não é mais possível, para mim, mesmo fugindo para o mato, viver a vida daquele jeito. O mundo mudou. Nos impõe sua aceleração de tudo de forma inapelável. Então só me resta puxar o freio de mão. E enfiar o pé na tábua ao mesmo tempo.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Alguém já lhe deixou falando sozinho?]]></title>

<pubDate>Qui, 09 Abr 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090409_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="718555112-08042009"><font face="Arial" size="2">Tem uma mania que está se consolidando entre nós: deixar de responder e-mails. Você envia uma mensagem para alguém e esse alguém simplesmente não se dá o trabalho de lhe responder. Não diz nem que sim nem que não. E você não sabe se o sujeito recebeu, se leu e deletou, se deletou sem ler, se leu e entendeu o que estava escrito, se achou legal ou se detestou. Isto é de uma deselegância sem fim. Equivale a deixar o interlocutor falando sozinho. Não responder a um e-mail enviado individualmente a você, assinado por alguém, é a mesma coisa que uma pessoa lhe dizer &quot;Bom dia!&quot;, ou lhe fazer uma pergunta, e você ignorá-la solenemente, com se ela não existisse ou não importasse.</font></span></div><div><span class="718555112-08042009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="718555112-08042009"><font face="Arial" size="2">Não há desculpas para isso. Quantidade de e-mails? Todos temos que lidar com isso. E não toma mais de 20 segundos escrever duas ou três linhas dando algum tipo de resposta para o interlocutor. Mesmo que seja um &quot;não&quot;, um &quot;falamos daqui a 6 meses&quot;, um &quot;é favor não me escrever nunca mais&quot;. Preferência pelo uso do MSN ou do Skype, ao invés do e-mail? Bem, avise o seu interlocutor que você considera o correio eletrônico uma tecnologia ultrapassada. Caixas lotadas de spam? Delete os spans. Mas trate corretamente gente de carne e osso como você, que tem dúvidas, interesses e expectativas - inclusive de conseguir entabular um diálogo com outro ser humano, por mais curto que seja. A tecnologia existe para tornar os contatos entre as pessoas mais eficientes e mais aprazíveis. Não pode justificar a grossura e a insensibilidade.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Aprecie a paisagem]]></title>

<pubDate>Ter, 07 Abr 2009 19:51:31 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090407_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="015493911-06042009">Os ansiosos focam tudo na meta. São estóicos. Porque se esfalfelam durante o caminho, colocando toda a recompensa pessoal pelo sacrifício na linha de chegada. Mal cumprem o objetivo autoimposto e já se propõem um outro desafio. De preferência mais espinhudo, mais inexequível. Ou seja: já começam a sofrer de novo. Assim, focam nas lacunas, enxergam sempre o que ainda falta alcançar. Não percebem ou não admitem, jamais, o tanto de caminho já percorrido. Não vêem nem contabilizam os desafios já vencidos. Não apreciam a frase, muitas vezes bonita, que vão escrevendo pela vida, afogueados para cravar o ponto final como se só ele importasse. Vivem pela falta e não pelo processo. Isto tudo é muito maluco. Porque sempre haverá falta. Sempre haverá lacuna. Espaços vazios a serem conquistados só somem da vida da gente quando a vida da gente termina. Então enxergar o mundo através dessa lente equivale a mudar-se para o inferno.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="015493911-06042009">Eis um tremendo antídoto para a ansiedade: esqueça a linha de chegada, foque no caminho que você está trilhando. Esqueça a meta, viva a grandeza da trajetória, extraia prazer e compensações do seu dia-a-dia. De que vale passar a vida toda sofrendo, agastado, bombardeado por suco gástrico e bile, ao sempre chutar a felicidade e a satisfação para o dia seguinte, para a semana que vem, para o próximo trimestre? Viva o dia de hoje. <em>Seize the day</em>. Aproveite a jornada. <em>Enjoy the ride</em>. Se não por todos os motivos, simplesmente porque é aqui que a vida acontece.</span></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Faça aquilo que você gosta]]></title>

<pubDate>Seg, 06 Abr 2009 10:40:56 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090406_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="125434111-06042009">É o seguinte: s</span>ó é possível ser feliz fazendo aquilo que você gosta<span class="125434111-06042009">. Não tome isso como um clichê ao qual recorri nesta manhã de garoa fria e fina aqui em São Paulo. Tome isto como uma constatação de vida que eu, como tenho tentado fazer aqui desde dezembro, quando o blog começou, quero dividir com você da maneira mais ingênua possível.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ninguém segura por muito tempo a barra da infelicidade diária fazendo uma atividade que não lhe dá prazer<span class="125434111-06042009">. Você pode fazer algo que não gosta por algum tempo, visando o atingimento de uma meta específica. Ou seja: você pode trabalhar atrás do balcão atendendo o público diretamente no negócio que está tentando tirar do chão para você e sua família. Mas se você detestar esta tarefa, terá de passá-la para alguém em algum momento. Você pode aceitar um emprego que não tem nada a ver com você para colocar comida em cima da mesa de casa até encontrar outro trabalho. Mas é bom que o encontre rápido. Ou você, em pouco tempo, estará perdendo muito mais do que ganhando. E não só o seu tempo mas sua própria alegria de viver. Você pode até dar uma palestra ou outra tendo horror a falar em público - mas não conseguirá ser um bom professor. Nem, muito menos, um professor feliz. Você pode até abraçar a função de vendas por um período, a pedido do chefe ou como estratégia de crescimento dentro da empresa, mas se a sua vocação for técnica, você não vai durar por muito tempo.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="125434111-06042009">Ou melhor, você até pode durar. Tem gente que dura uma eternidade fazendo o que não gosta. Tem gente que se flagela a carreira toda, se angustia a vida inteira, acordando infeliz todo dia, amargurado por fazer o que faz, por ser quem é. Essas pessoas fazem isso em nome do dinheiro. Ou da permanência num emprego. Ou da insegurança de passar a bola indesejada, mas necessária, adiante. E vão levando. Destróem seu humor, sua auto-estima, sua sensibilidade, sua capacidade de amar, de serem bons pais, bons maridos, boas mulheres.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="125434111-06042009">Eis o risco terrível desta toada de se atirar com desmesura a uma faina que corrói, que desagrada, que nos rouba o paladar e aquela estranha e fabulosa energia chamada felicidade.</span></span></p><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span class="125434111-06042009">Eu, em verdade, vos digo: não vale a pena.</span></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A hora certa de investir]]></title>

<pubDate>Sex, 03 Abr 2009 13:04:50 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090403_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="906343417-02042009">O sujeito tinha pouco mais de 55 anos quando almoçamos pela última vez. Era um restaurante de pratos simples e bem servidos. Daqueles em que há sempre um pouco de farofa no fundo do prato e grãos de arroz salpicados pelo tampo da mesa quando você acaba de comer. Ele tinha feito uma carreira estupenda desde o comecinho dos anos 80. Basicamente, fez parte de um negócio muito pujante naquela década, ajudou a construir um produto e uma marca cujo sucesso mudou os parâmetros da indústria. Ali, aprendeu tudo sobre a atividade. Nos anos 90, com outra marca, à frente de um negócio pela primeira vez, aplicou tudo que aprendeu. E deu muito certo. Arrebentou. Começava a criar a sua lenda pessoal. (É sempre bacana quando você prova aos outros e a si mesmo que sabe fazer sozinho, que é bom não porque trabalhou com determinada pessoa ou fez parte de determinado time mas, simplesmente, porque você é bom mesmo. Tipo Zico na Udinese, Maradona no Nápoli, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dave_Grohl">Dave Grohl</a> no <a href="http://www.foofighters.com/">Foo Fighters</a>.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906343417-02042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906343417-02042009">Com os anos 2000, ele foi alçado a cuidar de um grupo de negócios, com várias marcas abaixo de si. Continuou na sua balada agressiva e talentosa. E acertou no centro do alvo de novo. Formou gente, inventou novos modelos de negócio, criou produtos, estendeu marcas, aumentou faturamento e rentabilidade. Como acontece, infelizmente, em algumas companhias, sua performance gerou tanta admiração quanto ódio. Ele era projetado tanto como herói a ser cultuado quanto como elemento incômodo a ser expurgado. Ao cabo, a cultura que ele representava acabou perdendo a competição pela hegemonia na empresa. E ele acabou saindo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906343417-02042009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906343417-02042009">Estávamos terminando nossos sorvetes (viva o paladar infantil!) quando ele disse uma frase que me marcou. Ele falava de continuar. Ir frente. Foi mais ou menos assim: &quot;...investir enquanto eu ainda tenho vigor&quot;. Nos seus olhos, eu enxergava a energia de quem ainda vê ainda muitos anos produtivos pela frente. Ele não se importava de recomeçar. De correr novos riscos. (Ainda que, talvez, de uma maneira mais serena, mais madura, mais conscienciosa.) Seu frescor mental me contaminou. Eu também me enxerguei com vigor suficiente para investir, para me jogar, para rolar a bola com brilho no olho por muito anos ainda.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A hora certa de desistir]]></title>

<pubDate>Qui, 02 Abr 2009 14:30:36 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090402_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009">Às vezes, puxar o plugue da tomada é a melhor coisa que você pode fazer. Seja num casamento, seja num emprego. Seja num empreendimento, seja na tentativa de conquistar alguma coisa ou alguém - uma cidade nova, um novo ambiente de trabalho, um novo chefe. Há momentos para investir, para agüentar o tranco e ir adiante. Há grande valor nisso, na bravura, na persistência. E há momentos para desinvestir, para olhar a situação de cima e com serenidade e inteligência decidir se vale a pena continuar ou não. Também há muito valor nisso. Na capacidade de sair das aventuras na hora de certa, antes que elas terminem mal.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009">A desistência nem sempre significa derrota. Várias vezes ela pode representar grande vitória pessoal. É preciso ter coragem para colocar o ponto final numa frase que você considera que já está longa demais ou que está ficando crescentemente mal escrita, a cada nova palavra que vai sendo colocada ali. Isto pede uma coragem tão grande, muitas vezes até maior, do que aquela necessária para começar a frase, para começar a deitar palavras numa tela em branco. Portanto, nem sempre passar a régua no que está rolando é sinônimo de covardia. Cair fora pode ser um ato de respeito a você mesmo. E, portanto, de sabedoria.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009">A sensação de encerrar uma experiência que não está mais lhe satisfazendo é bastante libertadora - difícil traduzir &quot;liberating&quot;, do inglês. É uma lufada de frescor, de energia boa. Uma sensação de liberdade e de poder, de agarrar de novo o volante da sua vida e a prerrogativa de decidir para onde seguir. Ainda apelando um pouco para o inglês, há marcada </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009">diferença entre o &quot;quitter&quot; e o &quot;loser&quot;, dois arquétipos da cultura de competição americana. </span></font><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009">Enquanto, por lá, o &quot;winner&quot;, o cara popular, o self-made man, pode tudo, conquistou o pedaço e olha tudo de cima da sua torre (de onde pode também cair a qualquer momento e se esborrachar legal), o &quot;quitter&quot; é o cara que recusa seguir na toada, que breca o carro, entrega as chaves e diz: &quot;não quero mais&quot;.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009">Os americanos têm ainda o &quot;loser&quot;, figura que ninguém quer ser, motivo de piada e escárnio. É o cara que se dá mal, que termina em último (ou mesmo em segundo...). É o cara que tenta e não consegue, que perde ao invés de obter, que em vez de crescer termina reduzido. Uma tremenda bobabem e uma rematada injustiça, a meu ver. Cair é serventia desta casa chamada vida. E qualquer um que cai pode se levantar no minuto seguinte. (Exceto se acreditar nesse jeito americano de ver as coisas e vestir o chapéu do cara que nasceu para não dar certo. Esse cara não existe. Todo mundo pode e vai dar certo em alguma coisa. Se não deu ainda é porque não achou a coisa certa para fazer.) </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="843272913-16032009">Mesmo olhando com a lente dos gringos, e admitindo a visão adolescente que eles têm dessa coisa, o &quot;loser&quot; deveria ser incensado. Afinal, ele precisa existir para que o &quot;winner&quot; aconteça. O palhaço deveria ser o cara mais bem pago porque o circo não existiria sem ele. </span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Todo mundo quer ser funcionário público?]]></title>

<pubDate>Qua, 01 Abr 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090401_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="500022218-31032009">O post de ontem, &quot;Como avaliar uma proposta de emprego?&quot;, teve alguns comentários que soaram como novidade para mim. Especialmente o da Maria, que de alguma maneira estimulou os outros. (Eu tentei lhe escrever, Maria. Mas meu e-mail voltou.) Ela fez um desabafo se dizendo mortificada com a sua condição de funcionária pública: tem estabilidade, um bom salário e um baita vazio no peito. E foi seguida por outras vozes que execravam a função pública, a tal condição de barnabé. Ninguém bateu no peito e disse: &quot;Como é bom ter passado num concurso público, ganhar triênios e quinquênios e sair do escritório todo dia às 18h&quot;.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="500022218-31032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="500022218-31032009">Eu lembrei de um papo que tive com alguns amigos empreendedores logo que me lancei a esta rotina trepidante de tirar uma empresa do chão. Um deles me disse que tinha uma teoria. Que todo mundo, do executivo mais bem-sucedido ao trainee mais jovem e promissor, se pudesse, seria funcionário do Banco do Brasil. Sua tese era de que qualquer um trocaria o glamour da carreira em grandes corporações, as possibilidades de ganho em altos cargos, a emoção de um dia-a-dia cheio de metas para bater e negócios a fechar por uma calma, tépida, modorrenta cadeira numa repartição pública qualquer. Segundo ele, o sonho oculto de todos nós era trocar toda a possibilidade de voar alto e de fazer história pela segurança de um emprego vitalício, do qual você só sai se morrer ou roubar. (E olhe lá. Tem gente que continua recebendo mesmo depois de morta e continua empregada mesmo fraudando o erário com pá e carrinho de mão.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="500022218-31032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="500022218-31032009">Eu tendi a acreditar nele. Especialmente porque dentro de mim, naquele momento, o sentimento de insegurança econômica era grande e eu ansiava por um pouco de estabilidade, de garantias. Queria trocar aquela angústia toda de não saber o dia de amanhã por uma condição que me permitisse acordar mais leve pelas manhãs e dormir mais tranquilo à noite. O sentimento médio expresso nos comentários de ontem me fez repensar isso. Talvez o brasileiro não deseje mais trabalhar para o governo com a mesma sofreguidão. Talvez comece a rechaçar esta idéia. Isto parece saudável para o país. Especialmente se esta mudança de aspirações não estiver restrita aos leitores de Exame.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Como avaliar uma proposta de emprego?]]></title>

<pubDate>Ter, 31 Mar 2009 10:17:18 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090331_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2">Uma amiga headhunter, que eu já citei aqui no blog, dona de entusiasmados e penetrantes olhos azuis, me ensinou uma vez como raciocinar ao receber uma proposta de emprego. Diante de uma nova oportunidade, como decidir se você vai ou se você fica? Como reduzir as chances de se arrepender da sua escolha, qualquer que seja ela? O que ela me disse eu guardei para mim como as três regras de ouro na hora de trocar (ou não) de emprego.</font></span></div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2"><strong>1. QUEM</strong></font></span></div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2">Segundo ela, a primeira e mais importante questão a ser analisada é com quem você vai trabalhar. Quem será o seu chefe? Esse sujeito tem o poder de tornar sua vida um paraíso ou um inferno. Então analise bem como ele funciona, qual é o seu estilo, quais são os seus valores. Que tipo de relação você tem ou terá condições de desenvolver com ele? Analise também as pessoas com quem você vai trabalhar. Qual é a cultura daquela organização? Você será feliz naquele ambiente? Aquilo ali é feito para você?</font></span></div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2"><strong>2. O QUÊ</strong></font></span></div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2">Se você obtiver uma resposta positiva em relação à primeira questão, faça a segunda análise: qual é o projeto para o qual você está sendo chamado? Qual é a substância do trabalho que estão oferecendo a você? O que você vai fazer lá lhe fará feliz? Como isso se compara em relação ao que você faz hoje? Como será o seu dia-a-dia? O desafio lhe fará pular feliz da cama todo dia de manhã?</font></span></div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2"><strong>3. QUANTO</strong></font></span></div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2">Se, e somente se, a conversa sobreviver a essas duas primeiras questões, passe para a análise da terceira: quanto você vai ganhar? Qual a recompensa que lhe está sendo oferecida? O salário, os bônus, os benefícios, são atrativos? Valem o risco de saltar de árvore?</font></span></div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="062275117-27032009"><font face="Arial" size="2">Eu quero dizer a você, de peito aberto, que todas as vezes que eu desobedeci esta sequência e me deixei iludir pelo canto da sereia, seja a da grana, a do glamour ou a da novidade, me dei muito mal. Portanto sugiro fortemente que você anote a ferro e fogo essa regrinha simples. Ela é extremamente útil e pode lhe livrar de muitos escorregões e arrependimentos.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Onde você quer trabalhar?]]></title>

<pubDate>Seg, 30 Mar 2009 10:46:31 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090330_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="484255717-27032009"><font face="Arial" size="2">Há empresas que tem uma cultura baseada no relacionamento. E há empresas que tem uma cultura baseada nos resultados. Claro que nas empresas que priorizam o relacionamento o bottom-line também é importante. Claro que nas empresas que priorizam os resultados o networking também é levado em conta. Mas o que as separa de modo cabal é o estilo que estas escolhas dão à empresa, ao clima interno, ao tipo de gente que conseguem atrair, formar e reter.</font></span></div><div><span class="484255717-27032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="484255717-27032009"><font face="Arial" size="2">Nas culturas de relacionamento, você precisa fazer conexões com todo mundo, precisa ser gostado, precisa ter a confiança absoluta do seu chefe, precisa ser cordato ainda que preferisse discordar, precisa obedecer ainda que preferisse questionar, precisa virar um yesman para não desagradar ninguém. Nesses ambientes, é preciso ser político. Fazer alianças, conchavar, nunca dizer o que está pensando de verdade e nunca dizer nada frontalmente. Em empresas que operam por essa lógica, as árvores estão cheias de cágados. Como você sabe, cágados não sobem em árvores. Antes que você fique intrigado, e às vezes indignado, com o fato de aquele quelônio estar num galho tão alto, num lugar completamente fora das possibilidades concretas daquele animal, lembre de que alguém colocou o cágado lá em cima. E é para ficar lá exatamente porque ele é um cágado.</font></span></div><div><span class="484255717-27032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="484255717-27032009"><font face="Arial" size="2">Nas culturas de resultado, você precisa inovar, fazer acontecer, trazer o número, bater a meta. Precisa expressar as suas divergências para que elas não sejam soterradas, inchem debaixo do tapete, e atrapalhem a sua performance e a do time - o que acaba sendo ruim para todo mundo. Uma amiga me conta que o presidente da Inbev, Carlos Brito, faz uma exigência muito clara a todos os seus colaboradores: &quot;Não tenha dor de estômago.&quot; Significa não guardar nada, para não virar bílis. Significa explicitar as discordâncias, resolvê-las abertamente, e seguir vivendo e produzindo. Em ambientes assim, conversas laterais, amarrações silenciosas e pactos secretos não pegam muito bem. O negócio é ser transparente e exigir transparência, disseminar e consumir informação abertamente, e ganhar dinheiro.</font></span></div><div><span class="484255717-27032009"></span> </div><div><span class="484255717-27032009"><font face="Arial" size="2">Onde você prefere trabalhar?</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu não quero ser promovido!]]></title>

<pubDate>Qui, 26 Mar 2009 13:39:28 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090326_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><font face="georgia,times new roman,times,serif">Tem alguma coisa errada quando o funcionário não deseja ser promovido. Quando o subordinado olha para o chefe e não lhe admira a vida que leva nem a posição que tem. Tenho visto isso acontecer em algumas empresas grandes, daquelas que há poucos anos todo mundo queria entrar, ninguém queria sair e nas quais galgar a escada corporativa interna parecia um desejo óbvio compartilhado por todos. É preocupante para essas empresas que não seja mais assim. Significa que seus ambientes de trabalho e que as oportunidades que elas oferecem não representam mais garantia de atração e retenção dos melhores talentos.</font></span></p><p /><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><font face="georgia,times new roman,times,serif">Um amigo me diz que prefere ter uma redução de salário para ficar no seu cargo atual do que ser promovido ao próximo estágio da carreira. Mais do que apenas não almejar ganhar mais, ele estaria disposto a entregar parte do salário para não sair do lugar. Ele tem uma função técnica e está no topo da carreira que a empresa oferece para profissionais com este perfil. A partir do ponto em que está, ele teria pular para o lado da gestão e da venda, e ter uma visão marcadamente financeira do negócio, e engolir um monte de sapos e planilhas e reports, e ver sua vida transformada numa chatice sem fim, ou num martírio lastimoso, e nada disso lhe interessa. Nada disso foi o que lhe trouxe para a profissão quando ele a escolheu para si. Então ele, como vários de seus pares, adotou como estratégia se esconder no seu canto, curtindo a maior das desambições. Nem é preciso dizer o quanto essa postura, disseminada pela corporação, faz com que a seta da empresa aponte para trás ao invés de para a frente, para dentro ao invés de para fora.</font></span></p><p /><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><font face="georgia,times new roman,times,serif">É curioso como a tal carreira Y tem desabado <personname w:st="on" productid="em várias empresas. Especialmente" />em várias empresas. Especialmente</personname /> em momentos difíceis, em empresas ameaçadas e em indústrias em crise. A perna do Y que permitia uma carreira técnica mais longa desaparece. Todo mundo tem que virar vendedor. Todo mundo tem que virar controller. Todo mundo tem que ou trazer receita ou cortar custo. E diretamente, na unha, da mão para a boca. É como se numa indústria farmacêutica não houvesse mais espaço para os engenheiros químicos criarem novas fórmulas e princípios ativos. (Todos estariam imbuídos de gerar negócios por meio da comunidade médica e das redes de farmácias.) Ou como se num banco não houvesse mais espaço para economistas criarem novos produtos financeiros e estudarem os cenários econômicos. (Todos estariam dentro das agências tentando fazer mais negócios com os clientes desavisados que entram pela porta.)</font></span></p><p /><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><font face="georgia,times new roman,times,serif">Quando todo mundo fica focado no trimestre, quem olha para o cenário de três, cinco anos adiante? Quando todo mundo tem que cuidar do bottom-line, quem sonha, quem inventa, quem inova? Quando ninguém mais quer subir dentro da empresa porque as posições mais altas se tornaram intragáveis, como garantir que a empresa vá ser gerida pelos melhores - e não apenas por quem sobrou?  </font></span></p><p /></p><p><font face="georgia,times new roman,times,serif" size="2"></font></p></p><p><font face="georgia,times new roman,times,serif" size="2"></font></p></p><p><font face="georgia,times new roman,times,serif" size="2"></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu te amo, Dona Idê]]></title>

<pubDate>Qua, 25 Mar 2009 12:47:45 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090325_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Hoje minha avó faria 84 anos. Ela morreu com 68, cedo demais, em setembro de 1993, me deixando com um buraco no peito que eu jamais vou conseguir fechar. Acho que nem quero.</p><p>Eu apenas aprendi a viver com a sua falta. Mas ainda sinto o vazio brutal da sua ausência em vários momentos. Queria que ela tivesse conhecido seus bisnetos. Acho que ela iria gostar muito. E eles, dela. A bisa Idê.</p><p>Queria provar de novo sua comida, o cheiro do seu cabelo cinza encaracolado, o toque pesado e macio da sua mão gorda. Abraçá-la por trás, em frente ao fogão, como eu costumava fazer. E vê-la, pelo vidro de trás do carro, acenando e chorando, defronte à casa, enquanto o táxi me levava embora dali, do seu reino encantado de ruas de terra e de pão feito em casa.</p><p>Rosebud.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma palavra sobre os dekasseguis]]></title>

<pubDate>Qua, 25 Mar 2009 12:38:46 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090325_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009">O maior japonês do mundo. Era assim que o pessoal me chamava assim que voltei ao Brasil (para trabalhar na Exame): o maior japonês do mundo. Tenho 1,94m, havia passado três anos direto no Japão e, como rezava outra piada que faziam comigo, eu não havia aprendido direito a língua japonesa mas, em compensação, havia esquecido o português. Acho que voltei meio nipônico mesmo, com essa coisa de não querer ocupar muito espaço nos ambientes em que me encontro e de ouvir muito mais do que falar. Era o ano de 1998, eu tinha 27 anos e recomeçava a vida no Brasil, em São Paulo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009">Hoje, ouvindo tantas notícias sobre a volta para casa de milhares de dekasseguis (fala-se em 40 000 brasileiros voltando, dos mais de 200 000 que costumavam trabalhar por lá), fico lembrando no que vi, em como era a vida dos expatriados quando vivi por lá. (Naquele início e naquele meio da década de 90, o Japão já vivia a estagnação econômica que se seguiu ao estouro da bolha especulativa que tomou conta do país na virada dos 80 para os 90.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009">A primeira providência que tomei ao me instalar na aprazível Kyoto e começar a frequentar as aulas de japonês na Universidade, com outros alunos estrangeiros, foi organizar uma pelada. Que cresceu, virou time com uniforme próprio e direito à churrascada (com carne importada da Austrália via courrier) todo mês. Os Indios acabaram atraindo gente boa de todo lado - tenho amigos em todos os continentes e aprendi a diferença entre Bangladesh e Sri Lanka, entre Malásia e Tailândia, entre Canadá e Estados Unidos.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009">Foi assim eu conheci dekasseguis como Julio, um peruano simpaticíssimo, com cara, jeito e porte do Maradona na fase hospital, só que com saúde para emprestar a juros bem baixos. Julio trabalhava nos encanamentos da cidade. Era um peão, trabalhava embaixo da terra, enfiando a mão onde nenhum japonês se dispunha a meter a sua. E por isso, dependendo da empreitada e do número de horas que se dispusesse a ralar, ganhava de 350 000 a 500 000 ienes por mês. Ou, arredondando, mais ou menos entre 3 500 e 5 000 dólares. Um dinheiro que ele jamais faria no Peru. E que a maioria dos nossos patrícios dificilmente faria por aqui.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009">É possível que nas fábricas, emprego clássico dos dekasseguis brasileiros, o ganho fosse um pouco menor. Mas havia, em compensação, outros benefícios, como dormitório e refeitório da empresa, ajuda na educação dos filhos etc. No final, imagino que, naquela época, cada trabalhador pudesse economizar alguma coisa como 2 000 ou 3 000 dólares por mês. O que significaria um bônus de 25 mil a 40 mil dólares por ano. Uma bela poupança para quem conseguisse passar 5 ou 10 anos por lá.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009">Será mesmo que tudo isso desabou assim, de uma hora para outra? Alguém do Japão aí na escuta pode nos dar update?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="625235312-12032009"></span></font> </div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quer virar empresário?]]></title>

<pubDate>Ter, 24 Mar 2009 16:11:57 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090324_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009">Esses dias eu estava conversando com um amigo. Um empresário rodado, experiente, sedutor, que já viu quase tudo e que deu muito certo fazendo o que faz. Eu comentava com ele, a partir de minha condição de novato na arte do empreendimento, das diferenças entre a vida de executivo e a vida sendo dono do próprio nariz. Há quem tenha sido sempre empreendedor. Tem gente que simplesmente nasceu assim. Ou começou a carreira assim e não sabe nem tem interesse de saber como é a vida na condição de empregado. E há quem, como eu, tenha construído uma longa e frutífera carreira como executivo. E, depois de certo tempo, se viu na condição de não ter mais holerite, nem bônus, nem férias, nem benefícios.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009">Eu lhe disse que às vezes sentia saudade da vida com crachá. Ele me olhou, tomou um gole de vinho branco (era um dia quente, estávamos começando uns sashimis e ele simplesmente pediu um ótimo vinho branco resfriado. Eu, que sou da turma dos tintos, aderi e gostei) e disse, firmando o olho dentro da minha retina: &quot;</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009">Empreender não é deixar de ter um crachá. M</span></font><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009">as passar a ter vários crachás&quot;. Há certas definições que são mais do que meras palavras. Que realmente tem o poder de redimensionar tudo, de desembaralhar as cartas e colocá-las em toda uma outra sequência, mais clara, mais coerente, mais significativa.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009">Eu aprendi muito naquele almoço, com essa colocação simples e matadora que ele fez. Empreender é ter clientes. Então você não tem mais um chefe ou um patrão - você tem um punhado. (Com a vantagem de que você pode escolher não tê-los.) Da mesma forma, empreender não é trabalhar para uma só empresa - mas para várias. E carregar vários crachás no bolso, ao invés de um.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="968223620-23032009">(Thanks, JCTM!)</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ser bom é coisa grande]]></title>

<pubDate>Seg, 23 Mar 2009 10:46:39 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090323_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="062022800-19032009">É sempre legal fazer a coisa certa. Só que às vezes a gente precisa forçar um pouco a própria barra para ser correto. Para não rir de uma piada de mau gosto que soa realmente engraçada. Para ser gentil com alguém insuportável. Para parar, carregado de sacolas e apetrechos, e juntar o lixo que caiu no chão, no shopping ou na rua. Para dedicar tempo e atenção num dia especialmente tumultuado a um amigo que quer falar. Ser bom significa dar um pouco de si para os outros, seja para um indivíduo em específico ou como contribuição à harmonia coletiva. E ser bom produz uma sensação muito bacana. Como só sabe quem faz a sua parte e ainda vai além, entrega um pouquinho mais. Como jamais saberá quem é egoísta ou perverso, mal-intencionado ou mau-caráter, ou tudo isso junto. </span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="062022800-19032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="062022800-19032009">Quem aprecia esse esporte, de buscar ser justo, de buscar fazer o bem (ou ao menos o que é certo), acreditando que entregar ao mundo esse tipo de aporte significa contribuir de forma prática e concreta para um mundo melhor, sabe que a coisa toda brilha mais intensamente quando você percebe que está fazendo a coisa certa sem precisar fazer a menor força. Quando você percebe que a correção é a sua reação natural diante daquela situação. E que você não precisa forçar nenhuma barra interna para agir certo. Nenhuma postura pensada e refletida sobre como reagir corretamente naquele momento é requerida. A reação simplesmente vem. E você se orgulha dela.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="062022800-19032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="062022800-19032009">Lembro do primeiro beijo entre dois homens que eu vi na vida. Num ambiente de teatro, num campus universitário, no começo dos anos 90. Sempre pensei que aquilo iria me chocar barbaramente. E eu assisti àquilo com grande naturalidade. Ainda que a intenção daqueles garotos fosse grandemente chocar a audiência, eu não fiquei chocado. E me senti bem por isso. É como se meus gestos garantissem coerência às minhas idéias. Ou como se meus princípios estivessem sendo testados na prática - e sobrevivessem.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="062022800-19032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="062022800-19032009">A vida corporativa oferece todo dia esse tipo de teste de princípios. E oferece um milhão de prêmios para quem se trair, para quem rasgar a própria carta de intenções diante da vida em troca de um punhado de amendoins. Torço para que você tome as decisões corretas. E para que elas lhe sejam o mais naturais possíveis.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O discurso de Steve]]></title>

<pubDate>Sex, 20 Mar 2009 12:01:36 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090320_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><span class="171405701-19032009">Você já deve ter visto, comentado, enviado para os amigos ou recebido deles. Eu vi pela primeira vez em 2007. Desde então este é para mim um dos hits mais memoráveis do You Tube. E, para variar, mais uma marca indelével que Steve Jobs, o fundador e CEO da Apple, deixa na cultura do nosso tempo.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><span class="171405701-19032009"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman"><font size="3"><span class="171405701-19032009">Trata-se do </span>discurso que ele fez <span class="171405701-19032009">na Universidade de</span> Stanford<span class="171405701-19032009">,</span> em 2005<span class="171405701-19032009">. São pouco mais de 13 minutos brilhantes. Um show de inspiração, força (e, por que não?, poesia) e concisão. Mais ou menos as marcas que Steve tem tentado (e conseguido) imprimir aos produtos da Apple desde que voltou à companhia, para salvá-la da derrocada, no final dos anos 90. Há várias versões do speech de Jobs na internet. Estes <a href="http://www.youtube.com/watch?v=yplX3pYWlPo">dois links</a> apresentam o discurso em <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ksoo-G_YB2o">duas partes</a>, legendadas</span></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><span class="171405701-19032009"> em português.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman" size="3"><span class="171405701-19032009"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman"><font size="3"><span class="171405701-19032009">Steve sobe ao púlpito vestindo uma toga sobre a malha preta de gola rulê, o jeans desbotado e o tênis New Balance cinza - suas marcas registradas. </span>Ele conta<span class="171405701-19032009"> três histórias aos</span> <span class="171405701-19032009">alunos de Stanford. Primeiro, u</span>ma história de perda<span class="171405701-19032009"> e rejeição</span><span class="171405701-19032009">. D</span>e como ter sido abandonado no nascimento por seus pais biológicos o levou à faculdade<span class="171405701-19032009">. E de c</span>omo ter desistido da faculdade <span class="171405701-19032009">e corrido atrás dos seus interesses mais genuínos e da sua curiosidade </span>abriu caminho para a sua intuição e <span class="171405701-19032009">para a sua </span>c<span class="171405701-19032009">riativi</span>dade, que geraram tanta coisa<span class="171405701-19032009">. Depois, </span>uma história de fracasso<span class="171405701-19032009"> e de queda</span><span class="171405701-19032009">. De </span>como ter sido demitido da Apple<span class="171405701-19032009">, a empresa que ele mesmo fundara e tornara legendária, em meados dos anos 80,</span> lhe permitiu começar de novo e fazer a Pixar,<span class="171405701-19032009"> que revolucionou o cinema de animação com <em><a href="http://disney.go.com/disneyvideos/animatedfilms/toystory/home.html">Toy Story</a></em>, entre outras pérolas. E, por fim, </span>uma história de<span class="171405701-19032009"> doença e de</span> morte, de como ter descoberto um câncer de pâncreas o ajudou a perceber que cada novo dia pode ser o último e de como isso lhe ajudou a tomar melhores decisões. &quot;A grande invenção da vida é a morte<span class="171405701-19032009">&quot;, afirma ele</span>.</font></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman"><font size="3"></font></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Times New Roman"><font size="3"><span class="171405701-19032009">Ao final, Steve é enfático: &quot;</span>Não percam tempo vivendo vidas que não são as suas. Sigam seu coração<span class="171405701-19032009">&quot;. Uma ode à auto-confiança, ao impulso empreendedor, à energia que nos faz sonhar e que nos leva a realizar o sonhos. E repete duas vezes, ao encerrar o discurso histórico: <em>&quot;Keep hungry. Keep foolish&quot;</em>. Alguma coisa como: &quot;Não se acomodem jamais. </span><span class="171405701-19032009">E n</span>ão se levem tão a sério.&quot;<span class="171405701-19032009"> <em>Thanks, Steve. All the best.</em></span></font></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Tomei um bolo]]></title>

<pubDate>Qui, 19 Mar 2009 11:06:14 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090319_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009">Cheguei para o compromisso e me apresentei à recepcionista. Sentei na poltrona e esperei ser chamado. Já modulando uma cara simpática, um sorriso amistoso, que é, afinal, o que todos deveríamos sempre oferecer ao interlocutor, independente de quem seja. A mocinha me anunciou pelo telefone. Esperou um pouco. E em seguida me disse que o sujeito que ia me receber tinha marcado outra reunião para o mesmo horário, não tinha lembrado de desmarcar comigo, e que não havia mais ninguém da equipe dele que pudesse me receber naquele momento. Perguntei se ele viria pessoalmente falar comigo. Ela disse que não. Perguntei se alguém viria conversar comigo, remarcar ou, quem sabe, simplesmente se desculpar. Ela disse que não. Aí eu percebi que seria assim: tinha tomado um bolo e seria tratado daquele jeito mesmo - enxotado dali com um recado dado pela recepcionista.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009">Espero que você não conheça a sensação que esse tipo de evento causa. Mas acho que você pode imaginar como me senti. A primeira reação é de ódio. Dá vontade de romper relações, de ligar para o cara e xingá-lo, de escrever um e-mail áspero e definitivo. Você fica maquinando uma série de reações àquela tremenda falta de respeito. Você fica revendo o leque de alternativas como quem escolhe armas num arsenal. Quem sabe tratá-lo com abissal indiferença para todo sempre, transformá-lo num ser invisível? Quem sabe tirar satisfações pessoalmente? Quem sabe escrever com a ponta da chave na lataria do carro dele: &quot;Isto não se faz&quot;? Depois você vai desopilando, deixando a raiva passar, percebendo que ruminar maus sentimentos dentro de você só faz mal é a você mesmo.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009">Então, já no carro, liguei o som e fui serenando. Tentava evitar pensamentos do tipo: o que faz esse cara pensar que o tempo dele é mais valioso do que o meu? Que os outros compromissos dele são absurdamente mais relevantes do que o que estabeleceu comigo? O que o faz pensar que eu, ou qualquer outra pessoa, possa ser tratada com tamanho descaso? O desrespeito, numa situação dessas, é quase físico. É quase como se o cara tivesse passado a mão na minha bunda e não estivesse nem aí, continuasse rindo com os amigos. Que grosseria indesculpável romper o trato unilateralmente, roubando duas horas do meu dia e nem sequer se dando ao trabalho de conversar comigo olho no olho, como um homem. Que brutal, indigesta, terrível falta de consideração.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009">À medida que eu dirigia, ia deixando a tarde entrar. E era uma tarde bonita, ensolarada. Não estava disposto a desculpar o sujeito, mas comecei a considerar que aquilo poderia ter sido apenas confusão mental, caos de organização pessoal e profissional dele. Talvez não houvesse nada pessoal no incidente. Afinal, ele tem um pouco esse perfil de gente que está no Twitter, no MSN, no LinkedIn, no Skype, ultraconectado em todos esses lugares que eu não tenho tempo de estar -- até porque perco tempo atravessando a cidade para reuniões que não acontecerão -- e que, apesar de tudo isso, não consegue sequer organizar a própria agenda, seja a do Outlook, do Google, do celular ou aquela que funciona com velhos Post-Its pregados no monitor. De que adianta toda tecnologia do mundo se você não dá conta nem dela nem das coisas mais simples, como cultivar relacionamentos humanos?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="906453100-19032009">Então fez-se a luz. Esqueci completamente do sujeito quando lembrei de passar na casa da minha sogra, que não ficava longe, onde meus filhos estavam. Aproveitei para brincar com eles quase uma hora, até zarpar para o próximo compromisso. Foi delicioso. Uma janela de felicidade no meio do dia. Depois, experimentei também a sensação bacana de que as demais tarefas do ficam, em perspectiva, muito mais aprazíveis depois de um evento desagradável. Como você está com um amargo na boca, tudo parece mais doce. Desde que não decrete um azedume amplo, geral e irrestrito. Eu não decretei. E valeu a pena.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[No que somos melhores que os outros]]></title>

<pubDate>Qua, 18 Mar 2009 09:48:44 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090318_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">Esta discussão sobre o Brasil diante dos outros países, sobre ser brasileiro aqui e lá fora, pintou esta semana e rendeu. Eis, abaixo, algumas virtudes nacionais que a gente não reconhece direito. (E que, no meu caso, só percebi mesmo ao morar um tempo consistente noutro país.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"><strong>Conciliação</strong></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">É verdade que, no Brasil, muitas vezes, deveríamos ter menos receio de divergir, de explicitar opiniões contrárias. O debate está longe de ser uma preferência nacional. Se recusássemos mais a dissimulação dos conflitos em nome de encararmos com mais ênfase discussões francas e objetivas entre diferentes pontos de vista, certamente teríamos menos desinteligências em nossas discordâncias. Certamente nossos embates seriam menos pessoais e mais objetivos. (E, portanto, mais produtivos.) Nos perderíamos da calma com menos frequência se com mais calma percebêssemos que o enfrentamento de idéias é um teatro de sedução e de convencimento, onde você deseja conquistar o adversário, e não um teatro de guerra, onde você quer aniquilar o oponente. Enfim: às vezes dá mesmo a impressão de que como não aprendemos a discutir, como não cultivamos a arte do debate, quando as diferenças aparecem elas nos levam muito rapidamente para o sangue no olho e a faca na bota.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">Por outro lado, e é aqui que eu quero chegar, esta característica nacional de contemporizar, de evitar o confronto, de driblar a rinha, garante que não sejamos, no limite, um povo belicista, destes que escolhem sempre o caminho da porrada, dos tiros e dos tanques para resolver tudo. E isto é sensacional. Eu me orgulho de não pertencer a uma nação imperialista. Me orgulho de termos gastos militares relativamente pequenos. Isto quer dizer que a nossa vocação passa pelo caminho do diálogo, da diplomacia, da troca com os outros países.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">(Esta tese ficaria perfeita se não tivéssemos este nível de violência urbana, se não houvesse tantos crimes passionais em nosso convívio, se não fôssemos um dos líderes mundiais em chacinas e linchamentos.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"><strong>Ecumenismo religioso</strong></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">Sim, bata no peito e diga: o Brasil é maravilhoso neste aspecto. Nenhum outro país do mundo é tão flexível e tolerante no que se refere à opção religiosa. E isto não está no nível do discurso, mas no da prática, o que é ainda mais valoroso. É sensacional ver um judeu comendo esfiha no Arábia, em São Paulo, com uma fita do Senhor do Bonfim no pulso, um patuá pendurado no pescoço junto à estrela de Davi, sabendo exatamente qual é o seu orixá predileto e o seu astro ascendente, com um livro de Allan Kardec sobre a mesa e outro do Dalai Lama dentro da mochila. Este sincretismo escrachado só acontece por aqui. E é espetacular que seja assim.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"><strong>Informalidade</strong></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">É fácil fazer amigos no Brasil. Como em nenhum outro lugar do mundo. Somos cordiais - para o bem e para o mal. (O que pode explicar um pouco a truculência de reações que também ocorre entre nós. Somos cardosos, somos cardíacos, escorregamos rapidamente do amor incondicional para o ódio insuperável.) O sujeito mal lhe conhece e já convida você para jantar em casa. Apresenta mulher e filhos e mostra fotos do casamento e o video do parto das crianças! Basta uma cerveja compartilhada para virar amigo de infância de alguém que você simplesmente não sabia quem era há dez minutos. Outros povos acham que nós tocamos demais uns nos outros, que demonstramos carinho em público de uma forma quase ofensiva, que falamos muito alto e de modo muito expansivo, e que usamos de uma intimidade com o interlocutor muito antes de ela existir de fato. Eu acho que tudo isso é muito mais virtude do que qualquer outra coisa.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"><strong>Humildade nacional</strong></span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">Tanto quanto as outras características listadas aqui, esta também tem dois lados e pode ser entendida quase como um defeito. Afinal, muitas vezes cuspimos na própria cara, temos vergonha do país, da nossa cultura, da civilização que estamos construindo. Apesar desses excessos de baixa autoestima, é muito bom que não sejamos arrogantes na hora de nos pensarmos brasileiros. É muito bom que não nos achemos, que não nos consideremos o centro do mundo, os predestinados, os messias do planeta. Sabemos dos nossos limites, dos nossos percalços, das questões que precisamos resolver. E é com essa perspectiva que temos caminhado, de uns 15 anos para cá, na instituição de um orgulho nacional mais equilibrado, de uma posição de liderança concienciosa na região e no mundo, de uma presença mais relevante e mais respeitada ao redor do planeta para nossos valores e nossos cidadãos.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890594512-17032009">Isto tudo faz do Brasil, de modo geral, um país muito simpático. Contra o qual quase nenhuma outra nação tem algo realmente sério a opor. E isso é um ativo nacional espetacular para os tempos que estão por vir, pode crer.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Vá dar uma rolê pelo mundo!]]></title>

<pubDate>Ter, 17 Mar 2009 09:42:45 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090317_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="953565312-12032009">Se você tem menos de 30 anos, não tem filhos e anda refletindo muito sobre a sua situação profissional, me permita lhe sugerir: vá passar uns dois ou três anos no exterior. Você não perderá nada com isso. Ao contrário: você ganhará muito. Isso vale também para quem tem mais de 30, claro. Aproveite que você não tem uma mãe doente e viúva que depende de você para sobreviver (na maioria dos casos, é o contrário: o marmanjo ou a meninona é que vive às custas dela, morando na casa da coroa, como um adolescente tardio) e faça as malas. Claro que as experiências ocorrem de maneira diferente de pessoa para pessoa. Mas se eu posso lhe dizer alguma coisa sobre a minha trajetória (alguns usuários aqui do blog tem me pedido esse tipo de relato), eu afirmaria isto: a melhor coisa que eu fiz pela minha vida antes dos 30 foi ter saído do Brasil, ter ido morar e estudar três anos no Japão. Se a viagem não fosse de estudos, teria valido quase que do mesmo jeito. Se o destino não fosse o Japão, mas a Irlanda ou a Itália ou o estado de Iowa, idem.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953565312-12032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953565312-12032009">Ao sair do país, você sai da sua zona de conforto. (Ou, ao menos, da casa dos pais, o que já é ótimo.) Ou da sua zona de desconforto, se por acaso a batalha diária por aqui não estiver dando provas de que está valendo a pena. Ao sair do país, você amplia sua capacidade de sobrevivência, seus recursos competitivos, seu leque de opções diante de um problema. E também seus conhecimentos e sua sensibilidade, ao ser apresentado a uma nova língua e a uma cultura diferente da sua. Não é fácil. Às vezes é muito difícil. Mas sempre vale a pena. A cabeça abre, ganha nova dimensão. Você cresce sempre. Nunca ouvi falar de alguém que passou uma temporada fora do país e voltou pior ou menor do que era. As histórias são todas de acréscimo, de expansão, de crescimento pessoal e profissional.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953565312-12032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="953565312-12032009">Ao sair do Brasil, você também enxergará melhor a si mesmo e ao próprio país. O que significa ser brasileiro? Como os outros povos nos veem? Há muitas virtudes que você incensa na brasilidade e que se mostrarão vícios constrangedores. E há vários aspectos que você critica no Brasil e que, lá fora, ganham outra perspectiva e passam a ser vistos como características nacionais das quais devemos nos orgulhar. É fato que o momento não é o melhor dos últimos tempos para dar uma rolê pelo mundo, para viver, trabalhar ou estudar num outro país. Mas, acredite, quem faz o momento, em grande medida, somos nós mesmos. (Uma amiga vendeu o carro e foi para a Espanha com orçamento para viver um ano e tentar a sorte por lá. A três meses de expirar o prazo que se impusera para alguma coisa acontecer, conseguiu um emprego na área dela, marketing, na principal emissora de TV do país.) E, depois, o segundo semestre vem aí trazendo seguramente um cenário econômico de recuperação, com mais estabilidade. Tempo para você arrumar o passaporte, fechar a casa e picar a mula.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A sua cara lá fora]]></title>

<pubDate>Seg, 16 Mar 2009 10:26:39 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090316_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="890514112-16032009">Esses dias assisti a <a href="http://www.estomagoofilme.com.br/">Estômago</a>, filme baseado no conto &quot;Presos pelo estômago&quot;, que compõe o livro &quot;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=818590&sid=91925124311316368675607518&k5=229D57D9&uid=">Pólvora, Gorgonzola e Alecrim</a>&quot;, do meu amigo Lusa Silvestre, e reparei no seguinte: a cara de um país é dada por suas instituições, muito mais do que por seus espaços privados. O rosto de um país é definido por suas prisões, suas escolas, seus hospitais. E não pelas mansões fortificadas nem pelos castelos de contos-de-fada obscuros de parlamentares mais obscuros ainda. A imagem de um país é refém do seu transporte público, do estado de suas praças e ruas, da qualidade dos seus rios e do seu ar, dos cenários que oferece a quem se aventure pelas suas cidades. Condomínios de luxo e coberturas não alteram a paisagem. Parafraseando ao contrário os Titãs (Paulo Miklos, inclusive, participa de Estômago), eu digo que &quot;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=o0khrmFJcaQ">Riqueza é riqueza em qualquer canto/Misérias são diferentes.</a>&quot; Tudo isso para concluir que o Brasil mostrado em Estômago é o Brasil real, por mais que a gente gostasse de acreditar no contrário.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890514112-16032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890514112-16032009">Há quem diga que o cinema brasileiro adora miséria, se especializou em pobreza, tem obsessão pela tragédia. Pode ser que seja um pouco verdade. E há quem se preocupe com a imagem que esta vertente criativa do cinema nacional leva do país ao exterior. Cada vez que um <a href="http://www.centraldobrasil.com.br/front.htm">Central do Brasil</a>, um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_de_Deus_(filme)">Cidade de Deus</a>, um <a href="http://www.tropadeeliteofilme.com.br/">Tropa de Elite</a> estoura lá fora, a classe média brasileira vive um misto de orgulho, por uma obra nossa fazer sucesso e arrancar elogios mundo afora, mostrando a todos que sabemos fazer cinema de primeira linha, e de vergonha, porque essas películas expõem um Brasil sujo, feio e caótico. Então esta classe média, a qual pertenço, fica cobrando: vem cá, não existe um outro país para mostrarmos? Será que esta é a única realidade que nos interessa mostrar aos outros? Por que sempre vestimos nossa pior roupa para irmos a uma festa, por que preferimos sempre mostrar a crueza das nossas estranhas - olhaí o Estômago! - a mostrar o rosto, talvez edulcorado com um pozinho aqui e um creminho ali?</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890514112-16032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="890514112-16032009">Bom, filmes bem-sucedidos como <a href="http://www.interfilmes.com/filme_12767_Bossa.Nova-(Bossa.Nova).html">Bossa Nova</a> e <a href="http://www.seeufossevoce.com.br/">Se Eu Fosse Você</a> - que já produziu uma sequência - mostram que aos pouco vamos aprendendo também a fazer obras leves, ensolaradas, de entretenimento. Mas o ponto que quero fazer aqui é que, enquanto nossos espaços públicos forem do jeito que são, nosso cinema, nossa literatura, nossa música têm todo o direito de retratar o Brasil como um lugar encardido, feio e perigoso sem poderem ser chamadas de estraga-prazeres, mas, simplesmente, de realistas.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O que tira você da cama?]]></title>

<pubDate>Sex, 13 Mar 2009 11:23:16 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090313_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Essa é uma daquelas perguntas bobas que quando a gente se faz de verdade são bem difíceis de responder. Por que ela toca, matreiramente, em questões centrais: o que lhe motiva? O que lhe dá prazer? Você trabalha por que, para quê? O que traz alegria ao seu dia-a-dia? Onde você quer chegar? O que você deseja construir? O que, afinal, você está fazendo com a sua vida?<p /></span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p /></span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ontem um amigo me disse que o Ronaldo Fenômeno tem estimados 250 milhões de dólares na conta bancária. O que dá uns 600 milhões de reais. Além disso, e de ter ganho quase todos os louros que alguém poderia almejar na sua profissão, ele tem dois joelhos estourados, 32 anos, uma bela barriga a perder, vários maus hábitos a mudar e uma baita pressão de todo mundo, nessa sua volta aos gramados, por tudo que ele já conquistou e por tudo que ele representa. Nós nos perguntamos então: por que ele está voltando, encarando todos esses desafios e esses sacrifícios? Afinal, o que tira o Ronaldinho da cama todo dia e o leva a enfrentar o trânsito da Marginal do Tietê até o CT do Corinthians, em São Paulo, para ralar ao lado de Jorge Henrique e de Dentinho, ao invés de ficar brincando com os filhos <personname productid="em Angra dos Reis" w:st="on">em Angra dos Reis</personname>? De onde vem o seu entusiasmo para viajar horas enlatado num ônibus e disputar um derby contra o Mirassol ou o Oeste?</span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Talvez ele esteja mirando na Copa do Mundo de 2010. Talvez ele queira encerrar a carreira na alta, deixando uma imagem melhor do que a que vinha construindo ultimamente - com contusões, escândalos, pouca produtividade, excesso de peso. Talvez ele simplesmente precise jogar futebol, como você precisa de comida para existir. Talvez ele tenha se desafiado a dar a volta por cima mais uma vez, a não se deixar vencer pela exaustão do seu corpo. Talvez ele seja viciado no assédio da imprensa, dos fãs, na paparicação dos repórteres e apresentadores de TV, em ter um estádio inteiro gritando seu nome e enlouquecendo depois de um gol dele. Talvez ele queira simplesmente mostrar a si mesmo e a todo mundo que ainda pode, que ainda não é um &quot;ex&quot;, que tem um carreira a desenvolver.<p /></span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p /></span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Não sei se Ronaldo tem esse tipo de clareza quanto a sua decisão.  Não sei sequer se se faz esse tipo de questionamento e se se preocupa em encontrar boas respostas para isso. Mas você e eu podemos fazer essa pergunta a nós mesmos. O que tira você da cama todo dia? Será muito esclarecedor se você conseguir chegar a bom termo nessa auscultação interna -você vai enxergar com mais clareza a si mesmo. Você se veste e toma café e sai de casa pela manhã para ganhar dinheiro, meramente? São só as suas contas e o sustento da sua família que o movem? São os projetos que você está tocando que o apaixonam? É o ambiente da empresa, as pessoas do trabalho? É o tipo de trabalho que você desenvolve - você adora o que faz? É a sensação boa de estar conectado, de fazer parte da engrenagem, de ter algo em comum - um emprego - com todos os outros? É a garantia de não precisar ficar muito tempo em casa, tendo que conviver com sua mulher ou seu marido e com as crianças?</span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Pensa aí. Depois me conta.<p /></span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você trabalha demais]]></title>

<pubDate>Qui, 12 Mar 2009 10:15:26 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090312_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><span class="687272300-11032009"></span><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009">Esses dias estava almoçando um temaki com um amigo e a gente estava falando das diferenças de estilo de vida e de trabalho no Brasil e nos Estados Unidos. (Temaki, você sabe, se popularizou em boa parte do Brasil sob a alcunha de &quot;cone&quot;: arroz, enrolado em alga, coberto com guarnições como peixe ou verdura. Oferece uma refeição leve, relativamente barata e saudável. Recomendo.) Mas, bem, o fato é que estávamos num desses dias de quase 40 graus à sombra comendo um temaki, tomando um chá verde gelado e contabilizando o quanto trabalhamos duro no Brasil. Ou, ao menos, em São Paulo, esta cidade construída ao redor do trabalho, em que se vive para trabalhar, em que trabalho é quase o passatempo ou a religião das pessoas. Entre ir ao cinema e trabalhar, o sujeito prefere trabalhar. Entre fazer nada e trabalhar, o sujeito prefere trabalhar.</span></font></font></font></span></div><div><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009"></span></font></font></font></span> </div><div><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009">Enquanto por aqui é comum o sujeito trabalhar 10, 12 horas por dia, e não raro ainda dar algum tipo de expediente no fim-de-semana, nos Estados Unidos o cara entra às 9h no escritório e sai às 17h. Ou seja, ele pode tranquilamente acordar às 7h, fazer um esporte, tomar café com calma, levar o filho à escola. Depois, tem aquela sensação bacana de sair do trabalho enquanto ainda é dia, podendo ficar bom tempo com a família, ou trabalhando em projetos pessoais, ou simplesmente descansando e vendo a barriga crescer em frente à TV, assistindo a chatíssimas partidas de baseball com um lata de cerveja na mão. Na Alemanha não é diferente. Na Austrália também. Na Espanha, o pessoal sai para o fim-de-semana no começo da tarde de sexta!</span></font></font></font></span></div><div><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009"></span></font></font></font></span> </div><div><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009">A verdade é que, ao contrário do que gostaríamos de acreditar, a vida nesses lugares é, na média, muito melhor do que a nossa. Começando pelo volume de trabalho exigido para ter uma existência digna, passando pelas condições materiais em geral, pelo poder aquisitivo, pelos baixos índices de violência urbana, pela relativa segurança econômica gerada pelos sistemas de amparo social do Estado, pelos sistemas e instituições que costumam funcionar bem melhor do que os nossos. No que se refere especificamente ao mundo corporativo, é notável que n<span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009">aqueles países a economia não dependa da aniquilação da vida pessoal de quem trabalha, ao contrário do que parece ser a regra por aqui. (Canso de ouvir relatos de executivos expatriados que sentem o trabalho em outros países quase como um período na colônia de férias, na comparação com o tamanho da faina que costumavam encarar no Brasil.)</span></font></font></font></span><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009"></span></font></font></font></span></span></font></font></font></span></div><div><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009"></span></font></font></font></span> </div><div><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009"></span></font></font></font></span><span class="578301318-05032009"><font size="+0"><font face="Arial"><font size="2"><span class="687272300-11032009">Atenção: considero que o pior vício do brasileiro é ficar cuspindo na própria cara e desdenhando de si mesmo e do país. Não é isso que pretendo fazer aqui. Quero apenas dizer que sempre que ouço alguém afirmando que o Brasil é o melhor país do mundo e que só nos falta um pouco mais de paz, um pouco menos de miséria e um ambiente mais propício aos negócios para nos convertermos no paraíso na Terra, eu dou um passo atrás. Não entro nesta onda. De fato, temos dezenas de virtudes que faltam a uma série de outros países, inclusive desenvolvidos. Mas a vida do brasileiro, a começar pela profissional, mesmo para o remediado, e até mesmo para o abastado, ainda carrega uma série de fatores desfavoráveis, que são estruturais, e, portanto, bem difíceis de resolver. </span></font></font></font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Crise? Que crise?]]></title>

<pubDate>Ter, 10 Mar 2009 21:42:15 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090310_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2">Estudei no Japão de 1995 a 1998. Três anos em Kyoto, a capital do Japão de 794 a 1868. Um par de anos depois de me graduar na UFRGS, eu chegava à KyoDai, a poderosa Universidade de Kyoto, em cujo Campus você podia topar com alguns Prêmios Nobel. (É sempre interessante admirar um químico mundialmente famoso chupando um lamen com sofreguidão, como se nada mais no mundo importasse naquele momento.) Eu fazia um MBA com major em marketing internacional. Para quem vinha de um faculdade de Comunicação, estudar Administração numa faculdade de Economia, e em japonês, era um belo desafio.</font></span></div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2">O Japão vivia a estagnação que se seguiu ao estouro da bolha especulativa por lá, na virada dos 80 para os 90. Uma situação que basicamente persiste até hoje: o cidadão japonês médio tem uma poupança bastante significativa e usa pouco desses recursos estocados para consumir, o que trava a economia. Mesmo com juros reais negativos, crédito abundante e moeda forte, o consumidor japonês há anos não bota a mão no bolso de verdade. Bem, ao menos é isso que eu sempre li nas análises mais respeitáveis sobre a economia japonesa. Mas não é o que eu via por lá.</font></span></div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2">O volume de compras, ofertas, liquidações, sacolas de lojas de departamento chiques cheias, bolsas e casaquinhos e echarpes de grifes famosas balançando pelas calçadas atrás da oportunidade de possuir ainda mais produtos fashion, supérfluos e irresistíveis, enfim, o nível de locupletação pessoal dos consumidores que você encontra em Ginza, Tóquio, ou em Sanjo-Kawaramachi, Kyoto, é uma coisa totalmente diferente daquilo a que você e eu, brasileiros, estamos acostumados. O consumo num país como o Japão pertence a uma escala totalmente diferente da nossa. Os restaurantes estão sempre cheios, os táxis estão sempre ocupados, as lojas e os cafés e o comércio em geral gira de um jeito que não permite ao observador de um país em desenvolvimento perceber qualquer indício de que as coisas não vão bem.</font></span></div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2">Mais: os preços por lá não se ressentem com a suposta recessão. Ao contrário: itens de luxo vão muito bem. Como comprar um imóvel no Japão é uma missão quase impossível - imagine o preço do metro quadrado num país em que o espaço é disputado a golpes de caratê -, os jovens acabam gastando dinheiro grosso, que seria destinado à casa própria, com bobagens descartáveis. Quem sabe a apar</font></span><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2">ente impenetrabilidade do mercado imobiliário japonês não seja o grande estimulante do apetite insaciável dos japoneses por gadgets, gimmicks e outras traquitanas, eletrônicas ou não?</font></span></div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="578301318-05032009"><font face="Arial" size="2">Isto tudo sempre me chamou muito a atenção. E continua me impressionando. O Japão, na baixa, mal das pernas, com ministro das finanças enchendo a lata em público e sendo demitido, oferece aos seus cidadãos, no dia-a-dia, que é onde a vida real acontece, uma fartura e uma satisfação material muito maiores do que o Brasil bombando, com economia aquecida, ciclo de crescimento, otimismo generalizado e Lula com inacreditáveis 84% de aprovação popular.</font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu creio em Jedis]]></title>

<pubDate>Seg, 09 Mar 2009 23:22:25 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090309_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009">Esses dias assisti a um executivo, diante do board da empresa para a qual trabalha, ao ser convidado para assumir uma nova posição, dizer que estava muito entusiasmado com o desafio e com a confiança dispensada a ele, mas já ia avisando que não acreditava em salvadores da pátria, que estava convencido de que não existem heróis, que os patrões e chefes segurassem um pouco as suas ansiedades e calibrassem as suas expectativas porque os resultados viriam, mas viriam aos poucos, em crescimento orgânico. Não viriam pela ruptura do milagre.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009">E eu pensei: ele está sendo inteligente, ao manobrar para que a lua-de-mel não acabe amanhã de manhã e para que a cobrança não vá lá para cima, em vôo vertical de rojão. (Rojões costumam estourar.) Ele está demonstrando maturidade ao deixar claro seu entusiasmo mas ao mesmo tempo não alimentar fantasias equivocadas em relação ao que pode entregar - e em que prazo pode entregar. Mas, sobretudo, pensei na hora: caramba, eu acredito em heróis.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009">Tenho essa convicção romântica - esse é o blog do executivo ingênuo, nunca esqueça disso - de que o talento individual faz toda a diferença. Que a competência do cavaleiro solitário remove montanhas. Que o sangue sagrado do empreendedor decidido a fazer o negócio virar faz milagres. Que o suor, o denodo, o brilho e o comprometimento do grande executivo, do empresário visionário, transformam água em vinho. Sempre acreditei na existência e no poder dos salvadores da pátria no mundo corporativo. Basta um indivíduo no lugar certo para enxergar o que ninguém mais vê, para implementar o que ninguém mais tem coragem de fazer, para conduzir o exército na direção certa. Isso pode soar messiânico, eu sei. Mas aí é que está: quando se trata de negócios, eu acredito no poder de realização do messias.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009">É isso. Confesso. Eu creio em Jedis. Alfred Sloan, quando construiu a GM - e grande parte da administração moderna de empresas, como ainda a conhecemos, lá na década de 30, desbancando a pioneira Ford, foi um Jedi. Andy Grove à frente da Intel, Goizuetta à frente da Coca-Cola, Steve Jobs (mais de uma vez) à frente da Apple. Ghosn à frente da Renault e da Nissan. Jack Welch à frente da GE. A dupla Walter Clark e Boni à frente da TV Globo. Todos eles foram Jedis. Veni, vidi, vici.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009">Claro que ninguém faz nada sozinho, que ninguém é perfeito. Mas sem esses caras, nada teria acontecido. Eles foram absolutamente decisivos. Acredito tanto em super-heróis, admiro-os tanto na visão fantasiosa ou não que construí a seu respeito, que minha pauta pessoal sempre foi tentar ser um deles. Meu projeto secreto na carreira, minha agenda diária, meu compromisso íntimo comigo mesmo profissionalmente sempre foi abraçar o caminho do Samurai, e seu código de honra e de abnegação, como se eu pudesse um dia me tornar um deles.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009">Fazer sempre o bem. Ou ao menos o que é correto. Entregar excelência. Ou pelo menos satisfação. Não desapontar a confiança e a admiração de ninguém. Deixar tudo melhor ao sair do que era quando entrei. Agir de modo sustentável. Ou seja: tomar apenas atitudes e iniciativas que todos também pudessem tomar sem implodir o sistema. Cultivar o respeito, a empatia e a compaixão. Ou seja: fazer aos outros somente aquilo que eles também pudessem fazer a mim sem que eu achasse ruim. Buscar a solução e não o problema, perseguir a paz e a harmonia e não o conflito e a desavença. Preferir a coragem ao medo e o sorriso ao cenho franzido. Ficar feliz pelos outros, pelas conquistas alheias. Não fazer nada que eu não possa contar na mesa do jantar aos meus filhos. Ou que eu não pudesse declarar e defender na televisão.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="265174502-09032009">Se nada disso me trouxer superpoderes, ao menos tenho a certeza de que não me trará mal - nem a mim, nem aos outros.</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Como as pessoas vêem você?]]></title>

<pubDate>Dom, 08 Mar 2009 23:25:33 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090308_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><font face="Arial" size="2"><span class="203521318-05032009">Tem gente que é agradável, tem carisma, deixa todo mundo à sua volta naturalmente à vontade. É fácil de ver. São aquelas pessoas que conquistam sem querer, viram líderes mesmo que não queiram. São aquelas pessoas populares, que não têm oposição, que são unanimidades. São pessoas que têm seguidores, admiradores fiéis. Quando falam, agradam sem fazer força, cativam a atenção da audiência, você simplesmente não consegue tirar os olhos delas. E, você não percebe, mas geralmente acompanha as palavras do sujeito - ou da sujeita - com um sorriso nos lábios. Você gosta dele ou dela sem saber direito por que. Mas gosta, vira fã. Quem é desta estirpe tem uma capacidade imensa de ser gostado, de causar simpatia, de angariar cumplicidade, de ter gente torcendo e operando a favor.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="203521318-05032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="203521318-05032009">E tem gente que, ao contrário, é naturalmente desagradável, chata, sem luz. São as pessoas que irritam à revelia da sua própria vontade, deixam todo mundo à sua volta naturalmente incomodado. Elas afastam sem querer, funcionam como aquele adversário comum que une todo o grupo contra si. Costumam desestabilizar os ambientes em que se encontram, sem fazer muita força para isso. De verdade, não precisam fazer nada. A sua capacidade de serem desgostadas, de gerarem oposição, é notável. São pessoas que, quando crianças, nunca eram convidadas para passar a tarde na casa de alguém da turma. E que na adolescência viravam aquela figura de quem ninguém quer proximidade. São pessoas que têm detratores fiéis. Que, quando falam, causam repulsa no interlocutor. Nunca angariam a atenção e o respeito dos grupos a que pertencem. A maioria das outras pessoas simplesmente não consegue fixar os olhos nesse tipo de gente - uma força refratária faz com que o eye contact seja penoso, que a conversa seja abreviada, que os convites não surjam quanto têm que partir do interlocutor e que não sejam aceitos quando partem de quem carrega essa sina. Você não percebe, mas se retorce na cadeira e balança a perna com histeria e aperta os dedos e coça a cabeça de modo rude quando precisa ouvir o speech de um sujeito, ou de uma sujeita, assim. Você simplesmente não gosta dele, ou dela, e nem sabe direito por que ele ou lhe incomoda tanto.</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="203521318-05032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="203521318-05032009">Eu já ouvi, a meu respeito, um bocado de feedbacks falando de antipatia nata, de ares arrogantes, de tom que desagrada. Esses dias, numa reunião, percebi que o presidente da empresa que eu estava visitando me ouvia com as duas mãos sobre o rosto, com os dedos trançados de um jeito bizarro. Ele me olhava com um olho só, por uma fresta entre o anular e o mindinho. Uau, pensei, isto sim é capacidade de incomodar com a simples presença! A versão que é mais simpática a mim mesmo me faria acreditar que ele, um pavão, não estava suportando minha apresentação, que eu estava tocando de uma maneira bem competente, num dia particularmente inspirado, convincente, de performance com brilho. A versão menos generosa me faria acreditar simplesmente que eu tenho um problema sério de postura e aparência e de primeira imagem para resolver: uma grande capacidade involuntária de deixar as pessoas pouco à vontade na minha presença. (Uma característica tão arraigada que eu talvez jamais venha a conseguir resolver.)</span></font></div><div><font face="Arial" size="2"><span class="203521318-05032009"></span></font> </div><div><font face="Arial" size="2"><span class="203521318-05032009">Felizmente também já ouvi a meu respeito que sou um interlocutor que oferece ao outro uma sensação bacana de cumplicidade, como se estivesse preparado para ouvir qualquer coisa e aceitar e acolher e não julgar, e que isso deixaria as pessoas relaxadas na minha presença, porque minha oferta seria sempre de solidariedade, confiança e compreensão. Entre uma versão e outra, sigo na trilha de mim mesmo, tentando decifrar nas retinas alheias um pouco daquilo que eu sou fato. E com você, como acontece?</span></font></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você só precisa do ar que respira]]></title>

<pubDate>Sex, 06 Mar 2009 10:09:51 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090306_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<div><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2">Anteontem fui ao show do <a href="http://simplyred.com/">Simply Red</a>, aqui em São Paulo, uma banda de que sempre gostei e que sempre quis assistir. (Os caras emplacaram dois hits naquela lista das <a href="http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081231_listar_dia.shtml">melhores músicas lentas de todos os tempos</a> que publiquei aqui no blog no começo de janeiro, quando você estava ouvindo axé na praia.) Ainda lembro quando o Simply Red era mais uma banda inglesa emergente. Era o final dos anos 80 quando o Simply Red começou a estourar nos Estados Unidos e, consequentemente, no mundo. À frente, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mick_Hucknall">Mick Hucknall</a> com aquele cabelo ruivo, de corte engraçado, dando uma impressão meio indie, meio rebel, meio bizarre, meio latin lover de cara sardenta.</font></span></div><div><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2">Mas divago. Não é nada disso que queria dizer. O que me estalou no show, enquanto eu balançava na pista de lá para cá ao sabor do groove sexual do Simply Red, é que a vida pode ser bem mais simples e mais feliz. A gente é que complica as coisas inutilmente e adora ficar se polvilhando com pequenas tristezas e infelicidades. Na música &quot;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=iqbrNwF8LJg">Money's too tight to mention</a>&quot;, o primeiro hit da banda, de 1985, Mick Hucknall avisou que ela tinha sido composta no primeiro &quot;credit crunch&quot;. (De que ele se lembra, é claro.) É sempre bacana ver como os anglo-saxões falam de problemas de grana, que palavras a turma do Hemisfério Norte usa para descrever fracassos financeiros. Eu presto atenção a isso, gosto de comparar valores e culturas e reações. Será que eles choram em inglês, lá naquela civilização pálida e fria, do mesmo jeito que a gente chora em português do Brasil, aqui, nesta nossa civilização parda, debaixo deste bruta sol que anda fazendo? Ao ouvi-lo citar a crise, pensei: caramba, não tem para onde fugir. Não dá mais nem para virar dekassegui no Japão ou buscar o Sonho Americano em Miami ou Nova York. Os caras lá em cima estão pior do que a gente! Nem o Mick Hucknall consegue esquecer a crise. E mesmo ele deve ter perdido bom dinheiro nesse derretimento de poupanças e investimentos.</font></span></div><div><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2">Então ele começou cantar a belíssima &quot;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ll7VHzFJ4cc">The air that I breathe</a>&quot;. E o sol se fez. Aí ele me deu uma aula de foco. De como olhar fixo somente para aquilo que realmente interessa na vida, não se deixando enganar por falsas necessidades e falsos problemas. A música diz simplesmente que um sujeito só precisa de um grande amor e de oxigênio para ser feliz, para viver bem a vida, com alegria e sentimento de realização. Aquilo me encheu de paz - um item que anda escasso por esses dias. </font></span></div><div><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2"></font></span> </div><div><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2">L</font></span><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2">embrei de quando achava lindos aqueles versos do Cazuza: &quot;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=DGh0FLLqy48">Ser teu pão, ser tua comida/Todo amor que houver nessa vida/E algum trocado pra dar garantia</a>&quot;. Eu era jovem. E aquilo era uma postura geracional. Eu não vivia para ganhar dinheiro. Nem tinha dinheiro. E só queria amar, ser amado e ser feliz. Achava escroto pensar de outro jeito. Achava paupérrimo essa sanha pequeno-burguesa (era assim que eu dizia na época) de enxergar tudo pela lente monetária, das posses, do poder aquisitivo. Meu foco não era consumir confortavelmente e ainda gerar recursos extras para poupar, estocar, para minha velhice ou para o começo de vida dos meus filhos. Meu foco era curtir a vida, sorrir. </font></span><span class="293244211-05032009"><font face="Arial" size="2">Até que me perguntei: como pude ficar tão diferente daquele garoto que pensava essas coisas bacanas e que vivia por esses princípios tão mais doces, sábios e contentes? Desde quando me tornei esse cara que só pensa em ter dinheiro para pagar contas, em defender o patrimônio construído, em garantir a estabilidade financeira da família, como se essa fosse a única coisa que se espera de mim? </font></span></div>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[É preciso crer para ver]]></title>

<pubDate>Qua, 04 Mar 2009 10:41:19 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090304_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">Esses dias me chamaram de São Tomé. Numa referência à minha suposta falta de fé. Eu refleti um pouco sobre isso. Sou mesmo um homem de pouca fé? Talvez você já tenhado pensado sobre isso, a seu próprio respeito, em algum momento. No meu caso, sou filho de uma intelectual dos anos 60. Então era muito natural, na minha casa, o ateísmo. Ter a convicção - que, mais tarde eu vim a perceber, também é quase uma fé - de que deus, com &quot;d&quot; minúsculo mesmo, é uma criação dos homens, e não o contrário. <p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">Ter Fé, você sabe, é acreditar em alguma coisa cuja existência não tem a menor chance de ser provada. Ter Fé é achar que provas não são necessárias, de que a capacidade de comprovação não é pré-requisito para a convicção. Então é bastante provável que eu seja mesmo um homem de pouca fé. E que isso tenha sido uma decisão deliberada minha, fruto da forma como eu aprendi a ver o mundo. Acreditar naquilo que não é possível comprovar, naquilo que depende da validação da minha mera crença para existir (ainda que apenas como certeza dentro de mim), sempre me soou quase uma fraqueza de raciocínio, quase uma debilidade intelectual. Ah, a arrogância dos ateus... A Fé cega pode ser bastante intolerante. E a ausência absoluta de Fé também.<p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">No entanto, algumas experiências na vida foram me mostrando que há mais nuances debaixo desse céu azul do que gostaria de crer a nossa vã racionalidade. Nunca tive uma experiência mística, continuo bem distante do esoterismo e sou muito mais um crítico do que um simpatizante em relação às religiões estabelecidas. Mas hoje me defino mais como um sujeito agnóstico - alguém que admite a sua incapacidade de resolver certas questões, de dar respostas definitivas a elas, e acaba garantindo o benefício da dúvida à questões como vida após a morte, existência de espíritos, divina providência.<p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">No mundo dos negócios, no entanto, ter Fé, acreditar no futuro, ter convicção numa idéia, num projeto, é um fator absolutamente decisivo. Aí não se trata apenas de enxergar antes alguma coisa que não existe, e que pode simplesmente jamais vir a existir, e de acreditar naquela visão como se ela fosse concreta ou a própria garantia da concretização. Aí se trata da substância que separa os grandes empreendedores e os grande executivos, aqueles visionários que mudam para sempre, e para melhor, o mundo dos negócios, daqueles que apenas fazem número. Aí se trata de perceber que o otimismo é sempre melhor do que o pessimismo, de que acreditar piamente é melhor do que duvidar como uma pedra ou uma porta ou uma mula, de que é muito melhor estar iludido por uma idéia falsa de sucesso do que estar iludido por uma idéia falsa de fracasso, de que ser Polyanna é melhor do que ser o Corvo de Poe.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">Crer para ver. Crer para ver. Crer para ver.<p /></span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Explodir ou engolir?]]></title>

<pubDate>Ter, 03 Mar 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090303_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Há quem não leve desaforo para casa. O cara fala tudo que lhe vem à cabeça, na hora em que acha que deve. E a porradaria costuma sair pela boca do jeito que ela sobe das entranhas, sem cortes, em versão integral. Trata-se do sujeito cabeça quente. Não raro, ele se dá mal. Mais cedo ou mais tarde, seus espinhos são cortados por alguém. Ou por todos, em conjunto, de maneira velada ou explícita.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Mas há também quem se dê bem com esse comportamento. É que ser irascível pode muitas vezes funcionar como uma arma: todo mundo sabe que o sujeito é bravo e acaba não dizendo para ele as coisas que ele não gostaria de ouvir. Afinal, boa parte das pessoas não quer confronto, não gosta do desgaste. Então essa postura não-me-toque acaba poupando o sujeito de um bocado de contrariedades na medida em que gera uma auto-censura prévia nos interlocutores. <p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eu sempre considerei que se alterar é uma admissão de incompetência. Para mim, perder o controle significa admitir que a situação adversa venceu. Que as palavras já não bastam, que o raciocínio se esgotou, que a própria capacidade do sujeito de convencer o outro e de contornar uma determinada situação se extinguiu. Para um sujeito controlador, como eu, perder o controle gera muito desconforto. Então acabo resolvendo isso de modo bem esquisito: prefiro engolir, mastigar, digerir o sapo a sair esbofeteando o batráquio. No fundo, portanto, a serenidade que eu tento manter diante dos momentos inóspitos é nada mais do que uma grande soberba. O que, como você sabe, é um pecado capital.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">É assim: não me altero porque sou magnânimo. Penso sempre: &quot;sou maior do que isso&quot;. Não importa o tamanho da bronca, a gravidade da situação, o agravo gerado pelo meu interlocutor. Nunca jogo a toalha nem dou o braço a torcer para a rinha. Nunca me perco da calma. Sempre acho que tenho condições de resolver. Ou seja: não admito que haja adversário que me vença a tal ponto de eu precisar levantar a voz ou esmurrar a mesa. E isso, que poderia ser uma virtude, acaba se mostrando um vício.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Se você é parecido comigo, eis o que precisamos perceber: se explodir sempre é um problema, implodir sempre também é uma solução para lá de malparada. Não somos latas de lixo. Não somos feitos para acumular todo tipo de porcaria e aparentar, com fleuma, que aquilo nem está acontecendo, incomodando, doendo. Tem horas que é preciso aumentar o tom de voz, sim. Trancar a porta e dizer: &quot;aqui você não entra&quot;.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eis o ponto. O sujeito que não se altera nunca, o eterno cabeça-fria, talvez seja o melhor cara do mundo. (Ao menos na sua auto-imagem.) Mas talvez também seja a vítima auto-imune de uma histeria interna crônica, silenciosa, muito mais doida e prejudicial do que a histeria histriônica, ridícula, risível e atabalhoada de quem perde as estribeiras a toda hora.<p /></span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Negócio próprio ou um bom emprego?]]></title>

<pubDate>Seg, 02 Mar 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090302_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">É engraçado. Quem tem um emprego olha para quem está empreendendo com a maior admiração. O executivo costuma achar que o empresário é que é esperto, corajoso, que o empresário é que está se dando bem. Eis a lógica do empregado: quem é dono do próprio nariz está construindo um patrimônio para si mesmo e para os seus - e não para os outros - com o suor da sua testa. Quem empreende deu um chega para lá nos seus medos, se lançou aos céus com seu sonho e sua visão, e foi vender o resultado do seu talento e das suas competências diretamente ao mercado. Se der certo, não há limites para os ganhos que pode ter. Se quiser fazer outra coisa, ainda pode vender o seu negócio e, portanto, sair dele com uma boa quantia de dinheiro.</span></font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Do outro lado da mesa, em boa parte dos casos, também há um olhar de desejosa admiração. Tiremos desse raciocínio aqueles empresários que estão à frente de negócios muito grandes, muito estabelecidos, muito sólidos. (Embora essa crise financeira esteja nos lembrando de modo bem ríspido que não há negócios imunes aos solavancos do mercado. E que qualquer tipo de empresa pode, sim, morrer.) Esses empresários vivem num mundo diferente do mundo do empreendimento. Já não são empreendedores - são acionistas, CEOs, presidentes do Conselho. Eles operam a partir de um deck de transatlântico que não balança do mesmo jeito que os barquinhos no dia-a-dia turbulento das marés. Eles trabalham apertando botões - não estão ao mesmo tempo nos remos, ajeitando a vela e consultando a bússola, como quem está a bordo de uma start-up.</span></font> </p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Bem, tiremos desse raciocínio também os empreendedores natos. Aqueles sujeitos que jamais serão empregados porque adoram o risco, a sensação de não-pertencimento, a soltura, a instabilidade, as mil possibilidades, o sonho aberto e selvagem da atividade quase mágica de tirar um negócio do chão.</span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Entre uns e outros, sobram empresários que lutam diariamente pela sobrevivência dos seus negócios. São empresas pequenas e médias, a grande maioria das empresas em qualquer lugar do mundo, que já existem, tem funcionários, faturamento, custos, clientes e fornecedores. Esses empreendedores, nos dias em que o mundo lhes pesa sobre os ombros, não raro olham com alguma inveja para quem tem um emprego. Costumam achar que a vida de quem tem um bom emprego é menos trepidante, com mais qualidade, mais tempo livre, menos preocupações. </span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eis a lógica do empresário cansado de guerra: o executivo sai da empresa e consegue desligar. Quando sai de férias a empresa continua rodando, tem uma estrutura por trás e abaixo dele que suporta e potencializa o seu trabalho. E o impacto do seu talento e da sua competência não é tão direto nos resultados quanto o é no mundo do empreendimento: o executivo pode errar que a empresa continua viva; o empresário, se errar, mata seu negócio. </span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Nos meus dias de desesperança como empreendedor, sinto esta pequena inveja de quem está empregado. Nos meus dias felizes, fico imaginando que não há mesmo sentimento igual a inventar um negócio e ver ele dar certo.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p /><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Qual foi a última vez que você chorou?]]></title>

<pubDate>Sex, 27 Fev 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090227_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eu choro muito raramente. Devia chorar mais. Sei disso. Muito mais. Porque eu sinto aqui dentro muito mais do que aquilo que me permito deixar sair para o ambiente. O que sinto está sempre na minha cara, explícito para quem quiser ver. Não consigo disfarçar - e isso já me valeu muita antipatia e já me colocou em posição de fragilidade diante de muita gente. Mas o ponto aqui é: se você sentiu, irmão, expresse. O que for, seja para o bem ou para o mal. O lugar disso que você está sentindo não é aí dentro, escondido, trancafiado, soterrado. O lugar disso é no mundo. Mesmo que você não consiga entender e muito menos explicar o que está se passando dentro de você. Você não precisa compreender as coisas para que elas existam e mexam com você. Você não precisa expressar somente aquilo que estiver plenamente analisado, sublimado, dominado. Especialmente quando essas coisas aparecem na forma de sentimentos, saiba que elas costumam dar uma bela banana para as nossas tentativas de racionalização. Ah, sim. Eu devia sorrir mais também. &quot;Respeito muito minhas lágrimas, mas muito mais minhas risadas.&quot; Um verso sensacional. (Diga daí: posso citar Caetano?) Mas isso já é assunto para outro post.</span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"> </span></font><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O ponto é que chorei esses dias. Depois de muito tempo. Inesperadamente. Na mesa da cozinha, tomando aquele café gostoso e lento que vem depois de uma sobremesa farta que vem depois de um jantar sossegado em noite de feriado. À minha frente, minha mulher. Minha companheira, minha sócia, minha cúmplice. A mulher da minha vida. Chorei de tanto amor que sinto pelos meus filhos. E por ela, é claro. A minha felicidade, naquela hora, simplesmente não coube e eu tive que deixá-la sair. Me permiti. Chorei também de saudade do meu avô e da minha avó, que não chegaram a conhecer seus bisnetos. E que teriam tantas alegrias a trocar com eles. E comigo. Será que eles estão me vendo envelhecer, de algum lugar?</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Chorei de saudade da minha infância pobre, da minha bicicleta lilás de segunda mão, singrando as ruas de terra do arrabalde. Chorei de saudade - e de dó - do meu amiguinho gordo que só tinha um chinelo de dedos gasto para usar e cujas refeições passavam quase sempre por uma caneca de café preto e um naco de pão feito em casa, sem nada por cima. Chorei de dó de mim mesmo, acho. Daquele menino curioso, que sempre se sentiu um estranho, um desajeitado, que sonhava com a vitória e convivia com a idéia de que era um perdedor. Chorei com medo de um dia não poder mais oferecer aos meus filhos uma infância melhor, uma comida melhor, uma roupa melhor do que aquilo que eu tive. E que me suscita - não me entenda mal - saudade, apreço e gratidão.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Bom, eu avisei que nem sempre a gente entende bem o que rola aqui dentro...</span></font></p><p /></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A geração dos funcionários indolentes]]></title>

<pubDate>Qui, 26 Fev 2009 10:25:30 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090226_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[Uma professora uma vez contou em sala de aula que sua geração sofria uma estranha síndrome: tinha sido oprimida pelos pais e, agora, era oprimida pelos filhos. (Isso não tinha nada a ver com a disciplina que ela lecionava. Ainda assim, foi um dos insights mais bacanas que tive na faculdade. Tanto que lembro disso até hoje.) Ela dizia que, quando criança, tinha que esperar os adultos comerem para depois almoçar. E várias vezes almoçava com as outras crianças na cozinha, numa condição meio subalterna. E que, adulta, dava sempre a prioridade para seus filhos. Comia depois deles, o que sobrava, se desse tempo, se ainda tivesse apetite. Disse também que apanhava de seus pais com naturalidade e freqüência enojantes. E que jamais batera em seus filhos - que eram, paradoxalmente, muitas vezes, tiranos com ela, coisa que ela nunca fora com seus pais.<p /><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Esses dias me dei conta de que a minha geração, se não vive essa contradição em casa, corre grande risco de vivê-la no trabalho. Funciona assim: começamos nossa carreira no começo dos anos 90, ou no fim dos anos 80, ainda na rabeira daquele Brasil fechado e cartorializado que nem existe mais, em grande medida, felizmente. Nossos primeiros chefes, portanto, eram dinossauros de quatro costados. Fomos, não raras vezes, humilhados por eles - que enxergavam naqueles moleques que tinham um 386 em casa uma ameaça ao mundo dos telex e dos telegramas que eles dominavam. A primeira visão que tivemos do mundo corporativo, portanto, não era bonita: o ambiente era verticalizado, hierarquizado ao extremo, sem espaço para o feedback, muito menos para o empreendedorismo interno, cheio de silos e feudos, muito mais focado na costura miúda política do que nos resultados, enfim, um lugar onde uma das missões primordiais da senioridade estabelecida era triturar o talento emergente.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Hoje, aqueles garotos estão com 40 anos e viraram chefes. Viram a economia brasileira se abrir e se modernizar, viram a competição se tornar sofisticada e o mercado se tornar complexo, fizeram MBAs no exterior, leram Porter, Prahalad, Collins e Drucker. Em conseqüência disso, se enxergam como chefes melhores do que aqueles chefes que tiveram há 20 anos. O resultado, no entanto, nem sempre é uma reação positiva de seus colaboradores. Costumam sofrer um bocado na mão dos talentos que lideram. A geração que está chegando hoje ao mercado é desafiadora por natureza. E faz questão de exercer cada milímetro do direito a voz e voto e discordância e questionamento que conquistaram e que, ao mesmo tempo, lhes é garantido por um chefe que se quer horizontal e acessível. Ou seja: nós, os novos líderes, apanhamos dos chefes lá atrás e hoje suamos com nossos subordinados. Não admitimos usar a coação como método de gestão. Vamos sempre pela via do convencimento. Que é, muita vezes, você sabe, uma via crúcis.</span></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Feliz 2009 para você!]]></title>

<pubDate>Qua, 25 Fev 2009 10:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090225_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">E aí, passou bem o Carnaval?</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eu passei. Consegui desligar. Fugi de São Paulo com mulher e filhos. E me dediquei a eles. Eles ocupam 100% do meu coração, da minha cabeça. E quanto mais tempo eu tenho de passar fisicamente longe deles, mais a sua presença cresce como imagem e vontade e desejo dentro de mim. Mas é sempre bom poder estar 100% perto deles. De verdade, de corpo e alma. Podendo tocar, beijar, abraçar, sentir os cheirinhos, saborear os sorrisos, pegar no colo, dar bronca, entabular longas e cada vez mais interessantes conversações.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Espero que você tenha conseguido se dedicar às coisas e pessoas de quem você gosta também. Que tenha podido se dedicar a você. O ano de 2009 no Brasil começa na próxima segunda-feira. Aí nós começaremos a ver quem vai investir, quem vai contratar, quem vai fazer lançamentos, quem vai tocar a vida e o negócio para frente - e quem vai ficar só olhando, apostando em só se mexer quando a manada sair em tropel para um determinado lado. E correndo o risco de ser atropelado por ela ou de ficar para trás. Janeiro e fevereiro, você sabe bem, foram meses estranhíssimos no mundo dos negócios. Muito planejamento, muita revisão, muitos orçamentos - e pouca ação. Agora é hora de colocar Elvis para tocar bem alto na vitrola - &quot;<a href="http://vagalume.uol.com.br/elvis-presley/a-little-less-conversation.html">a little less conversation and a little more action</a>&quot; - e ver quem tem rock and roll no sangue.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eu desejo que você tenha descansado bem, curtido muito, e que esteja renovado para encarar 2009. Desejo a você o melhor ano possível. Com muito trabalho, muitas realizações, muitos frutos brotando daquilo tudo que você plantou. Permita-me, portanto, repetir aqui os votos que deixei aqui lá no início de janeiro: feliz ano-novo!</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu não deveria escrever sobre isso]]></title>

<pubDate>Sex, 20 Fev 2009 12:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090220_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[



<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Eu não deveria postar sobre esse assunto. Dois amigos tiveram perdas terríveis nesta virada de ano. Então eu deveria silenciar, em respeito. Um perdeu uma filha de 18 anos. Inexplicavelmente. O outro perdeu uma filha de 16 anos. Inexplicavelmente. As duas meninas eram filhas únicas. (Todo filho é único.) Meus amigos não as perderam para a violência, para uma doença, para um momento de irresponsabilidade ou de falta de lucidez. Eles sequer as perderam para um acidente ou para uma negligência. O fortuito no caso de suas perdas atuou de maneira ainda mais terrível. E colocou diante de todos nós - amigos, familiares, conhecidos, seres humanos em geral - uma situação ainda mais inexplicável. As meninas simplesmente, num determinado momento, fecharam os olhos e deixaram de viver.</span></font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></font> </p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Eu não deveria postar sobre esse assunto. Eles não tiveram um elemento para culpar por suas perdas. Nem um desconhecido, nem eles mesmos, nem o azar, nem as próprias meninas. Eles poderiam, portanto, com toda a justiça, se revoltar contra tudo, contra todos, contra o que enxergamos e contra o que não enxergamos. No entanto, ambos tiveram uma reação espetacular. Serena. Cálida. Superior. Como se aquele calvário estivesse sendo uma lição, um engrandecimento, uma iluminação. Como se a relação com as suas filhas tivesse evoluído para um outro nível. Eu olho para eles com admiração. Tento aprender um pouco com a experiência terrível por que estão passando. E com o jeito admirável como estão conseguindo lidar com tudo isso.</span></font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></font> </p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Eu não deveria postar sobre esse assunto. Demorei um bocado a entrar em contato com os dois. Nessas horas, minha tendência sempre é pensar que o sujeito quer ficar sozinho. Que, como não tenho nada digno para dizer, o melhor é ficar quieto. A sensação de impotência, de que não posso fazer nada para reverter a situação, me imobiliza. Sempre acho que vou atrapalhar, que vou incomodar, que vou interferir de modo inútil e dispensável. Que expressar meu estarrecimento não vai ajudar em nada a um sujeito que já está estarrecido. Talvez vá ser só uma válvula de escape minha para cima de alguém que já está para lá de sobrecarregado.</span></font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Mas eu sei que estou errado. Nessas horas, o contato, a solidariedade, a proximidade, o apoio e as demonstrações de carinho, de cumplicidade, de afeto e, por que não?, de amor, são terrivelmente importantes. A pior coisa, numa hora dessas, é imaginar-se sozinho - quando você definitivamente não está. E estender uma mão, oferecer um ombro, são gestos que ajudam o sujeito a entender que não está só no seu martírio.</span></font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;" class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Por isso estou postando sobre esse assunto. Meus amigos sofreram a pior dor que um ser humano pode experimentar, segundo já se disse por aí, e seguem caminhando. Com uma dignidade, uma altivez, uma grandeza difícil de descrever. E mais difícil ainda de reproduzir. Assim eles derrotam, em nome de todos nós, um sofrimento que, se se abatesse sobre mim, e aqui imagino o inimaginável, talvez me paralisasse, talvez não fosse passar nunca, talvez acabasse comigo de uma só vez. Posto isto tudo aqui para eu mesmo possa enxergar melhor. E para que você tenha conhecimento de que há gente especial nesse mundo.</span></font></p><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Esta estranha vontade de chorar]]></title>

<pubDate>Qui, 19 Fev 2009 12:59:54 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090219_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Tem uma fala do Brad Pitt em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0240772/">Ocean's Eleven</a>, que é sensacional. Alguém pergunta se ele é suicida. E ele diz, devorando um coquetel de camarão (se bem me lembro): &quot;Only in the mornings&quot;.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Bem, quem nunca acordou com uma dor no peito, uma falta de vontade de tudo, um cansaço prévio da batalha, uma bruta fadiga ao pensar em tudo que ainda está por vir, que ainda precisa ser decidido, brigado, conquistado, perdido, sofrido, trabalhado? Dá uma vontade danada de não sair da cama. De ficar no sofá assistindo televisão - onde tudo se resolve a contento no final, onde os dramas nunca são de verdade e nunca são os nossos. Dá uma vontade de se aposentar, de ficar velho logo, de não ter mais tantos desafios, tantas responsabilidades, tantas metas a realizar.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Tudo isso é bem maluco. Quando a gente olha para esse cenário de tristeza num dia de euforia (e eles também existem, felizmente) ele parece incompreensível, patético até Porque todas essas hipóteses apontam de certo modo para uma desistência da vida, para um desejo meio torto e obscuro de dar W.O. em todas as partidas e possibilidades que ainda estão por vir. Como se existir fosse um fardo. Como se pouco ou nada de bom fosse acontecer e o futuro fosse uma cadeia pesadíssima de dissabores e chateações.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Na maioria das vezes, ao menos no meu caso, o melhor remédio é forçar a barra, romper imediatamente com esse olhar sorumbático que se abate sobre o mundo, sobre a vida, sobre você mesmo. O caminho aí é agir um pouco na linha daquela reação contrafóbica: o sujeito sente medo e aí mesmo é que arremete contra o objeto do seu pavor. Acho essa a melhor das reações. Senão a única possível para os dias nublados: rasgar as nuvens negras com as próprias mãos e assim deixar a luz do sol entrar. Ela está sempre lá. A gente é que às vezes deixa de enxergar.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p></p><p> </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você é generoso consigo mesmo?]]></title>

<pubDate>Qua, 18 Fev 2009 19:34:10 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090218_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Responda com sinceridade:<p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><strong>Quando você sente sono, você dorme?<p /></strong></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ou você fica achando que está perdendo um tempo precioso ao dormir, tempo que poderia ser investido numa atividade produtiva? Você fica achando que você não merece aquele descanso, e que dormir é um ato escapista e que, portanto, você está sendo covarde ao tentar fugir da realidade, e que dormir é um ato egoísta porque você está reservando aquele tempo só para você e ignorando o mundo ao redor, e que você está sendo antipático porque está negligenciando os outros, recusando o contato com amigos e família em troca de uma soneca, e que você está sendo preguiçoso, e que dormir, no fundo, no final das contas, é uma bela de uma falta de caráter?</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><strong>Você come o que tem vontade?<p /></strong></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ou você fica fazendo contas de calorias e se sentindo culpado de antemão, só por ter pensado em se lambuzar com alguma coisa de que realmente gosta? Você escolhe o que vai comer pela sua predileção, pelo frescor dos alimentos, ou, na mão contrária, pelos alimentos que vão estragar primeiro, ignorando seu desejo em nome da administração dos restos em sua geladeira, lutando contra os prazos de validade na sua despensa como se fosse o responsável único de uma luta mundial contra o desperdício, como se gerar sobras não aproveitadas e ter que eventualmente jogar comida fora fosse um crime hediondo? Qual foi a última vez que você comeu dois, três brigadeiros junto com o cafezinho simplesmente porque estava a fim, sem grilos, sem peso na consciência? Qual foi a última vez que aceitou o terceiro, o quarto pedaço de uma pizza deliciosa?</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><strong>Você recusa convites indesejáveis?<br /></strong>Ou você se deixa pautar pelos outros, pelos compromissos que arrumam para você, pelos convites que lhe fazem? Qual a sua capacidade de dizer não para os outros e sim para você, sem dramas, sem crise? Sua agenda lhe pertence? A quem pertence? E o seu tempo, é seu? E em você, quem manda?</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Se você achou esse post distante da sua realidade, a ponto de parecer esquisito e meio hermético, parabéns. Você é seu amigo do peito, você não deixa estranhos entrarem com facilidade na sala da sua casa e sentarem com as botas sujas sobre a sua poltrona de estimação. Mas se você se identificou, ainda que um pouquinho, bem-vindo ao clube dos indivíduos que são cruéis consigo mesmos, que não se perdoam, que não se dão refresco, que trazem a si mesmo na mais curta das rédeas.</span></font><p /></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Como um samurai]]></title>

<pubDate>Ter, 17 Fev 2009 08:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090217_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&quot;Eu sempre vivi a vida corporativa como um samurai: encarava todo novo dia como se ele pudesse ser o último&quot;. A frase é muito boa. E a idéia que a recheia também. Meu velho chefe me disse isso depois de vários chopes, num boteco com a mesa simples salpicada de restos de petiscos e respingos de condimentos. Talvez houvesse até uma bagana inusitada de cigarro amassada no cinzeiro. O que é estranho, porque nenhum de nós fumava. Um cigarro pedido emprestado, de mesa em mesa, à moda dos mendigos. Só pode ser. Meu velho chefe era um bom frasista. E costumava colocar em prática boa parte dos conceitos que enfeixava em frases fortes, imagéticas. Não raras vezes, também, é fato, operava exatamente a antítese do que dizia. Quero crer que isso fazia parte do seu charme.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eu refleti um bocado sobre aquela imagem. Sobre a ausência de Musashis no mundo corporativo. Sobre a ausência de um Musashi decidido dentro de mim. É tão fácil se agarrar ao emprego como se ele fosse a única alternativa possível. Como ele fosse o único emprego do mundo, como se não houvesse vida fora daquela empresa. É tão comum se agarrar ao crachá como se ele fosse o oxigênio, a água, a comida. Como se não houve outras possibilidades fora do curso atual de nossas vidas. Tendemos, sei lá por que, a absolutizar as coisas. E as coisas são todas relativas. Há centenas de versões possíveis para uma carreira feliz e bem-sucedida. Há dezenas de rumos e destinos sedutores piscando o olho para a gente a todo momento. Estatisticamente, o mais provável é que você <em>não</em> esteja vivendo a melhor versão de si mesmo. Deveríamos estar vivendo o desespero de não termos tempo de experimentar as outras versões de nós mesmos. Deveria nos angustiar o fato de que a vida passa rápido demais para que possamos voar todos os vôos possíveis para nós. No entanto, nosso desespero é outro. É o contrário disso. É o medo de mexer uma palha, de piscar, de levantar para pegar água e outro tomar aquela cadeira esbodegada - como se aquela cadeira esbodegada fosse tudo, mas tudo o mesmo, que podemos almejar.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Viver a vida como um samurai. Lindo. Especialmente a vida profissional. Estar preparado para morrer, com dignidade, pelo código de honra, a cada novo dia que começa. Porque a verdadeira morte é seguir dentro da empresa tendo perdido o respeito por si mesmo, sem poder se olhar mais no espelho sem asco. Porque nada é mais vívido do que tomar consciência de que você não é aquele cartão de visitas, nem aquele terno comprado em 6 prestações, nem aquelas tarefas bestas que lhe deram e que lhe cobram como se fossem as coisas mais fundamentais do mundo. Não são.</span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Milhas pra que te quero!]]></title>

<pubDate>Seg, 16 Fev 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090216_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Escrevi aqui sobre a alegria de ter menos milhas acumuladas no meu cartão de fidelidade da empresa aérea. E o tema ecoou na página de comentários do blog. (Que eu leio diariamente, garanto que com mais avidez do que os leitores buscam os textos que escrevo.) A vida de aeroporto é um drama que afeta um bocado de gente. Quanto a mim, a única perda relevante em não poder mais contar com os pontos todos decorrentes de voar tanto a trabalho, é, paradoxalmente, não poder ir com tanta facilidade visitar meus pais com a família toda. Voar anda muito caro no Brasil, né? Torço por um novo choque competitivo que torne os preços mais acessíveis. Já vivemos melhores dias, com mais opções. Mas não é sobre isso que quero escrever. Quero falar sobre a vontade de ter mais chances de rever meus pais com meus filhos.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Trata-se de um momento sempre mágico, poderoso - o encontro cálido entre netos e avós. Abraços de três gerações, beijos cruzados, olhares cúmplices randômicos. Todo-mundo-junto-reunido. O jeito particular como eles se amam. O amor de meus filhos por meus pais, e o amor de meus pais pelos pequenos, como que renova os meus próprios sentimentos pelos meus velhos. Especialmente para filhos como eu, que decidiram morar longe das raízes, esses momentos de reencontro têm sido cada vez mais necessários. Um dia, renunciei a tudo isso. Previamente. Como se estivesse dizendo: &quot;olha, eu sou do mundo, vou atrás da minha história, escrever a minha lenda, viver a minha vida, até um dia, tchau&quot;. Agora meus pais têm ficado, a cada dia que passa, mais fundamentais. Tenho sentido muita falta de tê-los por perto. Teoricamente, num momento da minha vida em que eles já não são tão necessários (objetivamente), eles têm se tornado essenciais (subjetivamente). A maturidade tem me tornado mais, sei lá, sensível. E a condição de pai tem me feito, quero crer, um filho melhor.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O pai de uma amiga, esses dias, me perguntou: &quot;Você ficaria seis meses sem ver os seus filhos?&quot; Estávamos num bufê infantil. Eu olhei para os baixinhos e lhe respondi com firmeza: &quot;De jeito nenhum. Nada compensaria esse tempo perdido&quot;. Ele me sorriu e disse de volta: &quot;Saiba que seus pais sentem a mesma coisa em relação a você&quot;. Ele tem a idade dos meus pais, aproximadamente. Suponho que saiba, portanto, o que está falando. Tentava me fazer ver, com os meus próprios olhos de pai, a situação como estaria supostamente sendo percebida, e sentida, pelos meus pais. E me assegurava que a falta que um pai sente do seu filho não muda com o tempo, com a idade, com os ventos da economia mundial, com a posição do seu time na tabela do campeonato, enfim, com nada.</span></font><p /></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Fui rebaixado. Viva!]]></title>

<pubDate>Sex, 13 Fev 2009 13:19:12 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090213_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: _MailAutoSig"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">Ontem </span></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">recebi um carta muito simpática, quase terna, da empresa aérea, me dizendo que fui rebaixado na hierarquia no plano de milhagem. Uma pérola do marketing direto. O sujeito me cumprimentava, me elogiava, me encorajava, tudo isso em papel cartão chique, com embalagem bacana, na maior relação one-to-one. A empresa me entregava, com pompa e circunstância, meus novos cartões, em cor diferente, como se aquela cor não fosse a dos clientes que, cá entre nós, já não são tão bons. Eu esperava que eles me ameaçassem, me chacoalhassem pelos ombros, me fizessem ver como eu sou imbecil por estar diminuindo o relacionamento com a empresa. Mas não, com grande deferência, ele me entregavam meus cartões de segunda linha num clima de entrega de prêmio.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">Aí eu me dei conta de como era feliz por estar sendo um cliente pior para a companhia aérea. Por ser um viajante menos freqüente. Comecei a lembrar da época em que encarei a barra de morar em São Paulo e trabalhar no Rio. Vivia na Ponte Aérea. Foi quando acumulei os pontos que me levaram aos píncaros do universo das milhagens. Sempre gostei, e ainda gosto, de andar de avião. Acho a experiência toda bacana - dos gestos e penteados das aeromoças ao copo de refrigerante preso na mesinha a sua frente. Mas era muito ruim tomar 6 ou 8 vôos por semana. Era muito ruim comer necessariamente fora de casa porque você não tem um casa na cidade. Era muito ruim a imposição de ter que experimentar toda noite a impessoalidade nem sempre asséptica dos hotéis.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-no-proof: yes">Sobretudo, era muito ruim ficar longe da família. Lembro de uma vez que peguei um avião na sexta à noite, o último da escala, só para poder acordar com meus filhos na manhã de sábado. Já ao meio-dia tive que voltar ao Rio. (Para piorar as coisas, eu trabalhava nos fins-de-semana. Para piorar as coisas, o Brasil vivia o apagão aéreo.) Esse era o tamanho do meu desespero, da saudade, da minha sensação de orfandade em relação a meus filhos - pois é, pais podem, sim, se sentir órfãos dos seus filhos. Hoje eu não aceitaria viver uma situação assim. (Bem, aquela situação carioca eu não aceitaria viver de novo por uma série de motivos.) Mas na vida é preciso eleger valores inegociáveis, aqueles que fundam você como pessoa. Isto posto, eis uma decisão tomada: sou um cara caseiro, uma cara aconchego, uma cara família. Ponto.</span></p></p></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Que tal ser um pouco irresponsável?]]></title>

<pubDate>Qui, 12 Fev 2009 15:00:22 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090212_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ser responsável é ótimo. Ser irresponsável é uma droga. Trabalhar com gente ponta firme é muito bom. Trabalhar com gente em quem não se pode confiar é muito ruim. Mas a pior irresponsabilidade não é aquela cometida contra o trabalho, contra a produtividade, contra a sua reputação de hardworker e homem/mulher de negócios eficiente. A pior mancada, quando não se é ponta firme, não se dá contra seu cliente na demora da entrega de um projeto ou contra seu chefe num relatório feito às pressas ou contra seus colegas no atraso para o começo de uma reunião ou contra seus fornecedores na demora para tomar uma decisão simples.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">A pior irresponsabilidade é aquela que você comete contra si mesmo, quando você se equivoca na hora de equilibrar a sua vida no escritório com a sua vida fora dele. Quando você não se resguarda em situações em que só pode contar com você mesmo para não se dar mal. Quando você hesita e amarela naqueles momentos cruciais em que a coisa certa a fazer é respeitar a si mesmo, é preservar seu tempo, sua privacidade, sua vida pessoal.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O dia nunca vai ter mais horas do que ele tem hoje. Então que tal começar a fazer a sua agenda caber nele? O contrário, sinto muito, não será possível. Por mais que você acredite irracionalmente que sim. Desista. Aquele e-mail que você precisa enviar hoje pode ser enviado amanhã pela manhã. Salvo raros casos, o negócio não será perdido. O sujeito do outro lado também está assoberbado e talvez até lhe agradeça intimamente o fato de você não se mover tão rapidamente. O mundo não vai acabar por causa disso. E as coisas que você faz depois das 20h, acredite, simplesmente não deveriam estar sendo feitas. É provável que seus pares e interlocutores já tenha ido descansar - coisa que você deveria estar fazendo.<p /></span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Como anda a sua autoestima?]]></title>

<pubDate>Qua, 11 Fev 2009 16:10:07 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090211_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Não há armadilha maior do que se dedicar a agradar os outros. Tem muita gente assim. Eu sei bem como é. Talvez você saiba também. A gente tira a capacidade de ser feliz do nosso próprio colo e a coloca no colo dos outros. E então fica à mercê da opinião alheia para ter um sorriso, para se sentir bem, para gozar da alegria de estar vivo. Alguém não lhe cumprimenta direito de manhã e o seu mundo já começa a cair. Ninguém lhe convida para o almoço e você já se sente isolado. A ausência de elogio é sempre tomada como reprimenda, a neutralidade do interlocutor é sempre entendida como aspereza. Isto, no fundo, está claro, é um problema de auto-estima. Que leva à insegurança. E que faz com que o sujeito eleja, ainda que inconscientemente, como meta de vida, ser amado pelos outros. Eis o grande risco. Tirar a sua felicidade e a sua realização do seu controle. A aprovação alheia vira o maior valor entre todos. E você vira um joguete na mão de um monte de gente que sabe usar isso contra você com grande maestria.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Isto tudo, como não poderia deixar de ser, funciona para o sujeito como um ferrolho, e tem um efeito terrivelmente paralisante. Porque muitas vezes, para fazer diferença, é preciso quebrar uma ou duas vidraças. É preciso correr o risco de desagradar, de ser impertinente, de questionar o equilíbrio estabelecido em nome de inventar o novo. Muitas vezes, para sair da média mediana e medíocre, para botar os cornos afora e acima da manada (pode citar Caetano?), é preciso encarar um par de caras feias. E não é todo mundo mesmo que lida bem com isso.</span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O contrário desse sentimento refém dos outros é viver com o dedo na tecla FDS e mandar todo mundo, a todo momento, tomar um belo suco de caju. É ir adiante, atrás de uma visão, de uma paixão, de um projeto, e não querer nem saber. Os grandes rompedores, na história do mundo dos negócios, os grandes visionários, os caras que realmente alteram a realidade e mudam o mundo para melhor, colocaram todo o seu foco e todas as suas energias nesse ponto: fé em suas idéias, fé em sua própria capacidade, e indiferença (ou, simplesmente, uma banana) a quem não comungar de nenhuma dessas duas crenças. Esses indivíduos, é claro, costumam ser odiados por seus pares e contemporâneos. Só adquirem o reconhecimento a partir da geração seguinte, quando não ameaçam mais ninguém. (Tem coragem?)<p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p /></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p>* * * </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p /></span></font> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p /></span></font><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Quero agradecer de modo muito especial todos os comentários e sugestões que recebi, aqui no blog e no meu e-mail, por conta do post &quot;Saudade dos meus filhos&quot;. Obrigado.<p /></span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Os amores e os ódios que a gente atrai]]></title>

<pubDate>Ter, 10 Fev 2009 14:07:37 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090210_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Não sei se acontece com você. Comigo acontece muito. Tem gente que você conquista sem fazer força, sem perceber. Gente de quem ganhamos a admiração, a simpatia, a cumplicidade para sempre. Gente que entra e que fica. Aí é só questão de você cultivar, retribuir, tratar bem - e vocês serão amigos de infância pelo resto da vida. E tem gente que você perde de maneira ainda mais definitiva e de modo ainda mais fortuito. Gente que desde o começo, sem motivo algum, passa a desgostar de você com um rancor insuperável, como se enxergasse em você um passivo de anos de ódio, de desentendimentos, de ofensas imperdoáveis. Não estou sugerindo que não temos influência no modo como somos vistos, sentidos e avaliados pelas pessoas com quem cruzamos na vida. Não estou dizendo que não há o que possamos fazer para sermos mais amados ou mais odiados. A maior parte das coisas que nos acontecem é de responsabilidade exclusivamente nossa.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Mas digo, com algum espanto, que a faísca que acontece entre duas pessoas é muitas vezes incontrolável tanto para uma das partes quanto para a outra. Seu interlocutor pode lhe digerir, pode ruminá-lo, sentindo um tempero que você jamais usou em sua receita - e isso pode ter muito mais a ver com o estado das papilas gustativas dele do que com a sua capacidade de ser mais doce ou mais amargo. A resposta fácil a esse paradoxo é considerar que o problema é sempre do outro que não lhe compreendeu. Ou que é um invejoso, que lhe deseja sempre o pior para que, em contraste, possa se sentir bem. (E como os há!) Ou que é um perverso, que lhe deseja o pior porque simplesmente sente grande prazer com o sofrimento alheio. (E como os há!)</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">Talvez o único jeito de se posicionar em relação a isso seja fazer o seu melhor diante dos outros sem esperar contrapartida - e sem sofrer quando ela não vem.</span> ]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Saudade dos meus filhos]]></title>

<pubDate>Seg, 09 Fev 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090209_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Esses dias, sem querer, fiz o cálculo. E fiquei estarrecido. A conta é surreal. Em dias de semana, sou o encarregado de levar meus filhos à escola. Então ficamos juntos mais ou menos das 7h, quando saio da cama, até às 8h, quando os deixo na porta de suas respectivas salas de aula. Minha mulher acorda um pouco mais cedo para acorda-los (ninguém jamais foi acordado de maneira tão doce na história da humanidade), vesti-los, pentea-los, travar com eles as primeiras discussões do dia. Geralmente tomamos café - um suco, no meu caso, e quase meio litro de leite no caso deles - assistindo ou a Branca de Neve ou a Cinderella ou a Pinóquio ou a Dumbo ou a Bernardo e Bianca. Conheço esses filmes quadro a quadro.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ao fim do dia, consigo ficar com eles mais meia horinha. Chego em casa por volta das 20h e acompanho os últimos trabalhos deles - banho, pijama, secador de cabelo, mamadeira, escova de dentes - antes de irem para cama, por volta das 20h30. (Durante esta meia hora, acampados em cima da nossa cama de casal, é religioso: assistimos juntos ao final do Barney, um dinossauro cor-de-rosa, e à boa parte do Mister Maker, uma espécie de Daniel Azulay americano, no Discovery Kids.) A exceção fica por conta dos dois dias em que jogo bola (eu jogo bem demais, estou entre um zagueiro clássico e um volante cerebral). Vou direto do trabalho para o futiba e acabo não os vendo. Nesses dias, o que consigo fazer é dar um boa-noite carinhoso, com um monte de beijos, na hora em que chego em casa, quando eles já estão no terceiro sono. Cochicho umas coisas bacanas no ouvidinho deles. Espero que de algum modo eles registrem.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Somando tudo isso, fico 5h por semana com eles pela manhã e mais 1h30 às noites. Ou seja: de segunda a sexta, convivo 6h30 com meus filhos. É muito pouco. É um absurdo. Espero que esse tempo, para lá de exíguo, possa de algum modo ser considerado como o tal do &quot;quality time&quot;. Sei lá. Queria mesmo é ter mais tempo para deixar que eles vissem o quanto os amo. Se você tiver uma boa sugestão de como realizar isso, não hesite em me dividir comigo.</span><p /></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Duas idéias sobre comunicação]]></title>

<pubDate>Sex, 06 Fev 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090206_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Tenho recebido uns comentários muito especiais aqui no blog. É o tal do feedback, que funciona como combustível para quem dá a obra a tapa. E que também direciona a produção na medida em que cria um parâmetro do que interessa mais e do que interessa menos a quem está aí do outro lado da tela. A mensagem do Antonio, por exemplo, em resposta aos post &quot;Balada dos 38 anos&quot;, é tocante. Confira lá. Há também quem me escreva por e-mail. Eu acho isso tudo muito legal. Significa que o blog tem encontrado leitores, que eu tenho atraído meus iguais (e meus diferentes também), gente interessada em ler o que eu escrevo, em trocar idéias e sensações comigo, concordando ou discordando, amando ou detestando. A comunicação, quando se dá, é um negócio poderoso. É meio mágica essa coisa de afetar alguém que você não conhece a partir de algo que lhe afeta intimamente. Esse é o grande prazer que move quem escreve (ou quem se expressa de outro modo qualquer): a capacidade de tocar, de provocar, de conectar, de demover, de se solidarizar.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Muitas vezes quem está do lado de cá atira no que vê e atinge o que não vê. Muitas vezes o sujeito lê alguma coisa que você simplesmente não escreveu. Muitas vezes também, infelizmente, quem produz conteúdo não tem bem a consciência desse processo, ou não tem muito respeito por ele, e usa mal a ferramenta que tem nas mãos. Seja por ignorância ou por má fé, é comum que o escriba, o artista, desperdice o que poderia ser um grande relacionamento com seu público com insinceridades e imposturas. Ou com vulgaridades e tosquices. Ou mesmo com soberba e arrogância.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Falando em comunicação, uma notícia desta semana me chamou muito a atenção. &quot;Imprimir e entregar o jornal durante um ano custa ao New York Times mais ou menos o dobro do que custaria enviar a cada um de seus assinantes um novo Amazon Kindle&quot;, que é um aparelho no qual o sujeito pode ler numa tela especial, portátil, a edição fac-símile do jornal físico. Essa conta é assombrosa. O melhor jornal do mundo gastaria menos da metade do que gasta hoje para distribuir seu conteúdo se abrisse mão de derrubar árvores e pintar papel em rotativas de centenas de toneladas e milhões de dólares. E não estamos falando em internet. Mas de um aparelhinho que é filho dileto da revolução do e-paper, e que promete quebrar o incômodo de ler textos mais longos na tela do computador. Some-se a isso os novos hábitos de uma nova geração que não tem o hábito de folhear o jornal, que não reconhece mais o jornal como um objeto que faz parte do seu dia-a-dia e que não gosta de sujar os dedos de preto para se informar, e temos um cenário muito claro do que vai acontecer em menos de 10 anos a contar de hoje.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Pode contar: vêm aí os e-books, os e-newspapers, as e-magazines...</span></p><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Cadê a crise dos 40?]]></title>

<pubDate>Qui, 05 Fev 2009 09:46:06 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090205_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ainda sobre essa questão da idade. Eu não estou sentindo a famosa crise dos 40. Ao menos acho que não. Se você tem acompanhado o blog, tem percebido que o que eu tento fazer é vir aqui de público, abrir o peito e dividir em tempo real meus sentimentos mais genuínos ligados à vida profissional - e também à vida pessoal. (No fundo as duas são uma coisa só. Na medida em que você também é um só.) Tenho trazido esses sentimentos todos para cá, ainda que muitas vezes não os compreenda bem e muito menos os domine. Mas não acho que nenhuma dessas angústias, que são comuns a todos nós, tenha origem numa crise de meia-idade. Embora não possa afirmar isso com certeza.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Acho que esses sentimentos que eu tenho retratado aqui têm a ver mais com a zona de desconforto em que meti voluntariamente de uns tempos para cá e onde, como era de se esperar, estou crescendo a fórceps, aprendendo barbaramente, tudo isso às custas de boa dose de sofrimento. Acho que eles têm a ver também com esse ambiente pessimista, deprimido e desolado que estamos vivendo na economia. Não dá nem para fugir do Brasil e ir ensinar futebol (eu jogo para caramba!) na Islândia - porque a Islândia faliu. Enfim, não acho que tenham a ver com o fato de eu estar chegando à metade da vida.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Tudo isso para dizer que uma headhunter amiga minha, cujas frases eu anoto, me disse que o problema não é estar à beira de completar 40 anos mas não poder mais completar 40 anos. Ela riu com seus olhos azuis argutos que já viram um monte de coisas nas últimas quatro décadas em que se dedica a botar e tirar presidentes e diretores nas empresas. E eu achei graça de ela considerar a casa dos 40 como uma idade pregressa cheia de energia e viço, que oferecia ainda mil possibilidades e alternativas. Quando a crise chegar, se chegar, vou procurar me lembrar disso.<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A balada dos 38 anos]]></title>

<pubDate>Qua, 04 Fev 2009 01:05:43 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090204_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Arial">Recebo, no dia em que completei 38 anos, uma mensagem muito legal do meu pai. Ele faz uma retrospectiva da sua própria vida, inspirado pela idade que eu acabo de completar. Fazer 38 anos é um negócio impressionante. Eu lembro ainda claramente quando achava que ter 21 era o máximo da adulteza e da autonomia de um ser humano. Mas acho que é ainda mais impressionante perceber que seu filho está completando 38 anos. Meu pai diz assim: &quot;aos 8 anos de idade fui para a escola para ser alfabetizado. Aos 18, fui para o quartel, para o exército brasileiro, onde aprendi muito. (...) Aos 28 anos de idade eu já era pai e estava voltando aos bancos escolares, para terminar o primeiro grau e fazer o segundo. Aos 38 anos estava na Universidade Federal e fazendo o curso de Direito, e separado da minha primeira mulher. Aos 48 anos estava formado e começando uma carreira na advocacia privada, e separado pela segunda vez. Aos 58 anos de idade fizemos aquela festa bonita e inesquecível. Daqui a pouco, já faço 68, e assim a vida vai continuando&quot;.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Arial">A trajetória do meu pai é espetacular. Ele é um daqueles caras de quem se diz que venceu na vida. Mudou com as próprias mãos um destino bem raso que estava posto diante dele. E a sua mensagem me tocou - porque senti que o estava tocando também, de alguma maneira. E tocar e ser tocado por quem a gente gosta, especialmente quando é tantas vezes difícil dizer isso, demonstrar isso, deixar isso claro, é uma coisa muito boa. Olho para mim. E tento repetir o exercício com que ele me presenteou. Aos 8 anos fui morar com meu pai, que havia acabado de se separar da minha mãe. Troquei de casa, de amigos, de turno na escola. Aos 18 anos estava no segundo ano da faculdade, numa cidade nova, ainda estranha, no meio de um monte de gente esquisita que eu queria conquistar, cuja estima e aceitação eu desejava obter com ardor. Aos 28, de volta ao Brasil, depois de um período de estudos fora, troquei de carreira, tive a coragem de correr atrás de uma vocação, de respeitar o meu desejo, de seguir o caminho que a minha libido me indicava como norte. Agora, aos 38, virei empreendedor. Vendo meu talento e minhas competências diretamente ao mercado, sem intermediários. Não tem ninguém cuidando de mim, não há rede de proteção, sinto a barra e a solidão do empresário que carrega um start-up sobre os ombros. (E começo lentamente a pegar gosto pela coisa.) Aos 48, espero estar vivo. E feliz. Mais leve, mais safo, mais seletivo. Jogando minha bola, cultivando o charme das têmporas grisalhas, com mais tempo para fazer as coisas que realmente me dão prazer. Meus filhos estarão com 13 anos. Espero que a nossa relação continue amorosa, íntima, intensa e comprometida. (Que a gente passe juntos pela adolescência deles sem muitas rusgas...) Minha mulher estará linda na sua madureza. Mal posso esperar para pegá-la de jeito ali adiante. E aos 58, bem, desejo ter meu pai por perto. Para continuar me enviando e-mails que salvam o dia, que aquecem a semana, que potencializam o mês. Quem sabe perto o suficiente para transformar os e-mails em papos gostosos acompanhados por bons vinhos. Não é pedir muito.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Arial">(Obrigado, pai. Um beijão bem grande para você.)<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A regra número 1]]></title>

<pubDate>Seg, 02 Fev 2009 22:23:31 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090202_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Você anda trabalhando demais? Tem levado tarefas para casa, para o banho, para a cama? Você tem a sensação de que não consegue mais se desconectar e que se o fizer o mundo à sua volta vai parar - por sua culpa?<span style="mso-spacerun: yes">  </span>Então eu tenho uma regrinha simples para lhe sugerir: tranque sua agenda da noite de sexta até a manhã de segunda. [ ;-) ] De modo inegociável. Bloqueie sua agenda emocional no fim-de-semana, com exclusividade, para o seu maior compromisso: tempo de qualidade para você mesmo, seus filhos, sua mulher, sua família, sua vida privada. Esteja inteiro com eles, de corpo e alma, presente como se aqueles fossem os últimos dias da sua vida. (Nunca se sabe.) E se alguém lhe questionar - tipo você mesmo... - responda na lata que essa é a melhor coisa que você pode fazer, inclusive considerando suas responsabilidades corporativas. Porque quem não respira não consegue existir, quem não dá um tempo não pode ser criativo nem focado, quem não se alimenta não tem forças para caminhar, quem não relaxa não consegue superar o torpor do estresse constante.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Operar essa barreira sanitária entre o mundo do trabalho, as angústias e pressões do dia-a-dia, as encrencas e os compromissos do escritório, e a vida fora de lá, é uma arte que todos nós precisamos praticar. Tem gente que nunca sai da empresa - não importa onde esteja fisicamente. Isso é um vício a ser lamentado, não é virtude a ser festejada. Trata-se de uma escolha e não de uma imposição do destino. </span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Em outras palavras: trate desde já, urgentemente, de ter uma vida dupla. De viver e construir um âmbito pessoal impenetrável, cultivado por alegrias particularíssimas. Nada pior do que uma vida monolítica, definida por uma mente trancafiada em planilhas, reuniões e relatórios. É preciso tirar a gravata uma hora, conhecer o momento de pendurar o tailleur. De quebra, ao respeitar a semana útil de 5 dias, você estará respeitando não apenas a si próprio mas as todas as outras pessoas que sua tomada de decisão libertará em cadeia. Cada pessoa que blinda o seu sábado e o seu domingo, e não checa e-mails nem mantém follow-ups por telefone nem faz serão no escritório (nem mesmo no de casa), acaba propiciando que pelo menos outra dúzia de pessoas considerem mais fortemente blindar o seu fim-de-semana também. Com aquela idéia bonita e benfazeja de que sábado é dia de curtir e que domingo é dia de descansar - e que todos os pepinos que você precisa resolver podem esperar tranqüilamente pela segunda-feira.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Uma corrente do bem, um círculo virtuoso altamente desejável. Comece agora.</span></p><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Um dia feliz]]></title>

<pubDate>Sex, 30 Jan 2009 20:51:16 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090130_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ontem foi meu aniversário e tirei o dia de folga. Por isso eu não escrevi no blog, onde tenho um encontro diário marcado com você. Desculpe a ausência, portanto. É que eu me dei um presente. O melhor presente que eu podia me dar: tempo para ficar com meus filhos, com minha mulher, com minha família. Tempo para mim. Para o que é essencial em minha vida. Foi assim: acordei antes das 7h e levei as crianças para a escola, sem pressa de sair correndo. Pude acompanhar o primeiro dia do segundo ano letivo da vida deles. Tive tempo de levar meu filho ao banheiro da escola e ajudá-lo a fazer o xixi matinal. Ele já faz sozinho, mas esse é um ritual nosso, só nosso, de despedida e de intimidade, de amor e de cumplicidade, ao deixá-lo no colégio toda manhã. Tive tempo de acompanhar minha filhota, decidida e independente, enveredar sala de aula adentro esquecendo marotamente de me dar um beijo de tchau. </span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Saí dali e fui tomar café na padaria com minha mulher. Falamos de nós, do ano que passou, deste ano que está começando. Falamos de mim, dela e de nossos filhos e de nossos pais. Dos nossos grilos e das nossas alegrias, dos nossos medos e nossas satisfações. Perdemos a hora entre goles de café com leite e nacos de queijo quente. Ao meio-dia, pegamos as crianças e fomos com minha mãe almoçar num restaurante que os americanos definem como family restarant. Comi costeleta de porco - uma extravagância que vem com um molho barbecue bem gostoso. Me dei o direito. Depois fomos brincar com as crianças por aí. Gastamos a tarde dando risada, olhando fundo e de verdade nos olhos uns dos outros, gostando de estar ali e deixando o outro saber disso com toda a intensidade daquele sentimento.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">À tardinha, voltamos para casa. Tive tempo ainda de dormir um pouco com meu filho. Ele sobre mim, encaixado. É claro que eu não dormi: fiquei curtindo sua respiração, fazendo cafuné, fazendo carinho em suas costas como quem diz: &quot;dorme tranqüilo, querido, vou estar sempre aqui por você&quot;. <span style="mso-spacerun: yes"> </span>Depois dei o jantar a eles, sentindo o perfume dos cabelos suadinhos da minha filha serelepe. E com toda a calma do mundo ainda saboreei o gran finale de um dia perfeito: um banho de banheira com os dois. Sem hora para acabar. Com muita espuma e estripulia.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">No seu aniversário, faça como eu: arranje uma gripe fortíssima, não vá trabalhar e seja muito feliz.<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Os momentos de dizer não]]></title>

<pubDate>Qua, 28 Jan 2009 16:11:58 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090128_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ah, o coração da gente... Diz tanta coisa que a gente não ouve, sente tanta coisa que a gente reprime. E segue nos definindo de uma maneira certeira e profunda, apesar dos vastos e insondáveis mistérios que carrega. Tem dois momentos na vida que costumam trazer à tona essas coisas que o coração da gente guarda e que a gente só decide perceber em momentos cruciais. O primeiro deles é o casamento. Funciona assim: o sujeito é noivo há dez anos. Namora a menina desde que se lembra. Os dois são sweethearts, apaixonadíssimos, vivem se amassando pelos cantos. Viajam juntos, vão ao cinema juntos, não se desgrudam por nada. Todos vêem ali um casal ideal, as pessoas suspiram quando eles passam. Aí tem um dia que marcam a data do casamento. Ou decidem morar juntos. E a relação vai para o brejo. Em três meses, não estão mais juntos.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O segundo desses momentos é a decisão de ter filhos. O casal funciona maravilhosamente. A casa vive uma atmosfera de harmonia permanente. Às vezes, a dupla tem até um bicho de estimação que costuma ser o animal mais feliz do mundo. Ele lava a louça, ela tem uma carreira e ganha uma grana legal, os dois vão ao supermercado de madrugada e às vezes passam um fim-de-semana inteiro em cima da cama, assistindo a toda a filmografia de Fellini disponível na locadora. Até que um dia bate a premência de ter filhos. Ou pela idade dela, que detona uma pane no seu relógio biológico por volta dos 35 anos, à medida que ela vai sentindo seus óvulos ficando velhos. Ou por uma idéia fixa dele, que começa a se ver como pai e a gostar muito dessa perspectiva. E a relação vai para o brejo. Em três meses, ele se muda com um par de malas para um flat.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Isso é comum demais. Você já viu acontecer várias vezes. Momentos em que a necessidade de renovar o contrato e ir para o próximo estágio faz com que a gente reveja tudo e decida não seguir adiante. E nem mesmo ficar onde está. São momentos em que, ao enxergar o futuro, a gente acaba vendo que o próprio presente não está mais tão legal quanto a gente imaginava ou queria. Ah, sim. É claro que esse tipo de coisa acontece na carreira também.<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Hoje eu vi uma cena de ternura explícita]]></title>

<pubDate>Ter, 27 Jan 2009 12:46:05 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090127_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eu estava para variar preocupado com o futuro. É um sentimento recorrente entre empreendedores de primeira viagem, acho eu. Especialmente entre os que se acostumaram, ao longo dos anos, com a ilusão de conforto e segurança da vida corporativa. Ser empresário é, antes que tudo, um estado de espírito. Exige toda uma musculatura interna específica. É uma condição que costuma fustigar o novato com a grande angústia das questões sem resposta. Minha empresa irá sobreviver até quando? Vou conseguir, no próximo trimestre, faturamento suficiente para cobrir os custos da operação? Vou conseguir entregar ao cliente aquilo que eu vendi? Vou ter que demitir aquele cara que eu acabei de contratar? Vou achar grana para manter meu padrão de vida, para pagar o colégio das crianças e o almoço de domingo no restaurante? Sobretudo: vou ter paz de espírito para passar por tudo isso sem perder a estima das pessoas que eu mais amo e que ando negligenciando, mesmo sem querer, com essa cara sempre amarrada por mil preocupações - algumas concretas e outras francamente infundadas?<p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Estava eu absorto nesse tipo de pensamento, de sentimento que tira o sol do céu e que faz apertar a respiração, achando que as alternativas eram poucas, que o cerco estava se fechando, que a vida com crachá é uma megera e que a vida sem crachá é uma prima dela piorada, ainda mais malévola, quando olhei ao longe e vi, através de uma porta de vidro cinzento, o rapaz que estaciona os carros no prédio de escritórios em que trabalho. Fui tocado pelo seu sorriso leve - eu, o homem-peso. Por sua serenidade em singrar a tarde, vivendo a sua vida, em direção ao futuro - eu, o homem-intranqüilo. Lá vinha o rapaz trazendo a sua filhinha com delicadeza pela mão. Orgulhoso, conduzia a menina, de uns 5 ou 6 anos, pelo hall de entrada do prédio. Entre motoboys esperando para pegar uma encomenda e homens de gravata procurando documentos em bolsos e pastas. <p /></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></font></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O rapaz apresentava sua princesinha às moças da recepção. Mostrava os dentes com um contentamento tão puro, com uma franqueza desconcertante. Uma felicidade tão simples, tão óbvia. Uma alegria tão genuína, tão autêntica, ao alcance de qualquer um que não se perca, seja pelas pressões da vida profissional, seja pelos fantasmas que também há fora dela, daquelas coisas que são essenciais, daquilo que realmente importa na vida. Aquele rapaz que eu tantas vezes, com pena de mim, tinha olhado com comiseração maior ainda, pela sua condição que eu julgava enxergar, me dava ali, sem querer, sem saber, no meio da tarde, uma tremenda lição.<p /></span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Mexicano cruza fronteira e salva jornal nos Estados Unidos]]></title>

<pubDate>Seg, 26 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090126_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">A notícia saiu na semana passada. Carlos Slim, um mexicano bigodudo, acaba de socorrer o New York Times, o melhor jornal do mundo, com um cheque de 250 milhões de dólares. OK, exceto pelo bigode, Carlos Slim não é exatamente um mexicano típico, ao menos não como aqueles que os americanos costumam pintar em seus filmes e em nosso imaginário. Slim tem quase 70 anos de idade e quase 70 bilhões de dólares de patrimônio. No Brasil, ele controla a operadora de celulares Claro e tem participação na provedora de TV a cabo Net e na empresa de telefonia Embratel.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Mas não deixa de ser irônico que a salvação de um jornal que é sobretudo um ícone da intelligentzia branca do Hemisfério Norte saia de um bolso mexicano, latinoamericano, conterrâneo de Chaves (o humorista da TV, não confundir com o humorista da Venezuela), de pele morena e cabelo preto, acostumado a comer feijão e a ver seu país e sua cultura serem considerados ridículos, ainda que simpáticos, em seu subdesenvolvimento (igualzinho a nós brasileiros), pelo mundo anglo-saxão.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Quando os japoneses compraram o Rockfeller Center e a Columbia Pictures no final dos anos 80, entre outros ícones da pujança gringa, bem, eles já eram os japoneses. Já eram a terceira ou quarta maior economia do planeta naquele momento. O mundo já os respeitava. Agora estamos falando de um hermano que habla español. Interessante.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O que não é interessante, ao menos para mim, que sou um homem de mídia, é a crise estrutural que cada vez mais joga sua sombra para cima da indústria de mídia como a conhecíamos. Jornais, revistas, canais de televisão, agências de publicidade, rádios. Os grandes paradigmas e os modelos clássicos de negócio que nos trouxeram até aqui já dão mostras de que não continuarão funcionando por muito tempo. E os novos paradigmas e os novos modelos de negócios ainda não foram criados. Ou ao menos não oferecem ainda condições para que o players tradicionais façam a migração para o novo mundo e continuem operando com a mesma estatura que tinham no mundo velho.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O New York Times está colocando à venda uma série de ativos, do seu prédio à participação em times de futebol americano, para tentar pagar as contas, fechar a sua equação financeira. Não é fácil quanto as receitas não param de minguar. Réquiem ao New York Times. E a todos nós que estamos no meio do furacão, tentando entender que futuro haverá para quem vive de produzir e vender conteúdo.</span></p></p></p></p></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Pare de só enxergar tragédias]]></title>

<pubDate>Sex, 23 Jan 2009 12:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090123_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Um jovem leitor me escreve dizendo que está muito preocupado com sua própria situação. Preocupado, não esqueçamos, significa ocupar-se de um problema antes que ele aconteça. Trata-se, portanto, precisamente, de uma pré-ocupação. Seu estágio está no fim e ele pressente (o que significa sentir antecipadamente, pré-sentir) que talvez não seja renovado por conta da crise, do pessimismo, dos custos que as empresas estão enxugando (e os contratos temporários, como o dele, costumam mesmo ser os primeiros a ser cortados). A ansiedade do meu novo amigo ganha uma bela ajuda: sua mulher está grávida e o bebê nasce um mês antes do final do contrato. Uma situação que de fato dá pano a muita insegurança.</span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Escrevi para ele dizendo, em primeiro lugar, que ele não poderia desconsiderar as chances de não ser demitido. E até, ao contrário, de ser efetivado. O ansioso, eu sei bem disso, costuma cometer esse crime contra si mesmo: na impossibilidade de acreditar que as coisas vão dar certo, ele passa a acreditar piamente que elas vão dar errado. Na falta de elementos para ser otimista, ele decide ser pessimista - baseado na mesmíssima falta de elementos. Escrevi também a ele que, na possibilidade de ser realmente mandado embora, as chances de esse evento trazer coisas ruins não poderia de novo obnubilar as chances de na verdade trazer coisas boas. Eis um ponto fundamental que todo ansioso que preza costuma esquecer ou ignorar: a incerteza tanto pode trazer surpresas negativas quanto surpresas agradabilíssimas. O incerto é isso: pode até incomodar por não oferecer nada à vista, por ser escuro. Mas exatamente por isso, por ser imponderável, intangível, não pode ser acusado de conduzir necessariamente a uma desgraça. Se nada está garantido, se nada foi estabelecido, então cenários espetaculares também tem muita chance de serem construídos. </span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ao final, reli meu e-mail e pensei: falar é fácil. E racionalizar é simples. Difícil é fazer. Difícil é domar o sentimento que nos arrebata lá no fundo.</span></p><p /></p><p> </p></p><p> </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quando a percepção destrói a realidade]]></title>

<pubDate>Qui, 22 Jan 2009 19:38:11 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090122_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ainda sobre ansiedade, um tema que galvanizou muita gente aqui no blog. Uma das coisas mais malucas entre os ansiosos é que pouco importa se o cenário lá fora é bom ou ruim, se a vida melhorou ou piorou. À medida que a ansiedade antecipatória vai crescendo e tomando conta do sujeito, ele vai deixando de levar consideração os fatos, de enxergar aquilo que realmente está acontecendo ao seu redor. Resolve-se a causa da ansiedade de hoje e o sujeito acha outras fontes para a ansiedade de amanhã. </span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O sujeito fica ansioso porque está insatisfeito com o emprego e seu dia-a-dia está muito infeliz. Sai da empresa e fica ansioso porque está desempregado, não sabe se conseguirá se recolocar. Arranja um novo emprego e fica ansioso porque não sabe se dará conta do novo desafio. Ou então: a mulher não engravida e o sujeito fica ansioso por não saber se um dia conseguirá ser pai. A mulher engravida e ele fica ansioso com a gestação, que é sempre um risco, depois com o parto, que tem mil perigos. A criança nasce e ele fica ansioso pelo futuro dela, num mundo como o nosso.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><br />Esse é um ponto crucial para quem sofre de ansiedade: o problema não está lá fora, está dentro da gente. As coisas nunca são o que elas são, elas são sempre como a gente as enxerga. Uma leitora me escreve perguntando: você é ansioso? E eu respondo aqui, à frente do palco: sou. Mas quem não é?</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Se você me permite, tenho ainda duas ou três coisas a dividir sobre o tema. Se você não agüenta mais o assunto, e já está ansioso para que eu vire o disco, me deixe um comentário dizendo isso.</p><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você sabe estabelecer prioridades?]]></title>

<pubDate>Qua, 21 Jan 2009 11:20:08 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090121_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Tem dois tipos de gente: quem vai direto ao ponto e quem começa sempre pelas beiradas. Quem é objetivo e se dedica a enfrentar o que realmente importa versus quem tende a trocar viciosamente, a todo momento, o que é essencial pelo que é só espuma, pelo que não faz diferença alguma. Quem só vai na boa e só age na hora certa em contraposição a quem adora vir resolvendo todos os problemas do mundo, sempre dos cafundós em direção à capital, muitas vezes sem jamais chegar a ela, se enredando invariavelmente em questões secundárias - as chamadas falsas prioridades.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O sujeito objetivo nutre grande respeito pelo seu tempo. Ao abrir a sua caixa de e-mail abarrotada, ele começa pelas mensagens mais prementes. Já o sujeito controlador prefere primeiro limpar o junk mail para só depois se dedicar ao que é relevante. Com isso, claro, gasta um tempo precioso demais com porcarias e inutilidades e posterga aquilo que de fato importa. Mas ele tem que controlar tudo. Nada pode ficar alheio ao seu olhar e à sua fiscalização mental. Esse é o cara que primeiro retorna os telefonemas menos importantes para depois &quot;ter a cabeça limpa&quot; para fazer as ligações fundamentais. Conhece alguém isso? Encontrou com ele ou ela no espelho hoje de manhã?</span></p><p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Outro mau hábito de quem é dispersivo e não consegue operar por prioridades é a sanha de querer resolver tudo. Nada pode ser desprezado. Todas as coisas têm pesos iguais. Todas as frentes têm que ser tocadas ao mesmo tempo, com doação equânime de atenção e energia. É o sujeito que, no limite, na sua mania perfeccionista, considera que arrumar direito os lápis no pote é uma tarefa tão importante quanto entregar na data aquele projeto encomendado pelo diretor da área. Por trás desse comportamento que coloca o profissional na verdade agindo de trás para frente, numa inversão brutal da sua escala de importâncias, está a ansiedade. Ela, é claro. Sempre ela. </span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O sujeito não consegue se dedicar a nada especificamente, não consegue focar em coisa nenhuma, porque todas as outras demandas, independente do seu tamanho, que ele, ansioso, simplesmente deixa de enxergar, ficam piscando diante dos seus olhos, pedindo atenção.</span></p><p /></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ansiedade é pior que câncer]]></title>

<pubDate>Ter, 20 Jan 2009 16:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090120_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">É ridículo, é estúpido, é cruel. Mas é verdade. A ansiedade é um processo doentio crônico que pode fazer o sujeito sofrer mais do que uma doença física crítica. Explico: o ansioso não sofre com a realidade, mas com a expectativa. O ansioso costuma se lastimar menos com uma situação real, ainda que terrível, do que com a antecipação desta situação, que é quando, aí sim, ele sofre terrivelmente. O ansioso chega a preferir a falência do seu empreendimento, uma situação concreta para ele enfrentar, do que uma possibilidade de sucesso, de onde advém toda a sua angústia, a sua insônia, a sua gastura. Ainda que, é claro, logo após o breve relaxamento da situação consumada, o ansioso vá em seguida achar outras fontes de ansiedade para roer as unhas e produzir suco gástrico. <p /></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">No exemplo acima, o ansioso terá dois problemas: além da nova curva de ansiedade, haverá ainda a própria situação concreta do fracasso. Num momento de lucidez ele poderá se dar conta: melhor sofrer por ansiedade numa situação de sucesso... Mesmo que o ansioso jamais reconheça o quanto conquistou e busque sempre enxergar as tragédias possíveis, tudo que pode não dar certo, a metade vazia do copo, as decepções e rejeições que ele tem certeza que vão acontecer em seu caminho. Ou o melhor mesmo seria dizer: esqueça o sucesso como uma meta e pense nele como um processo. Estamos sempre em movimento e o êxito não é senão continuar caminhando com alegria, esperança e serenidade em direção a ele. O sucesso não é um patamar fixo a ser alcançado - mas um fluxo, um movimento diário, em que a única coisa garantida é a necessidade de continuar em movimento, andando, um passo de cada vez, um tombo num dia, uma vitória no outro.<p /></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Nada faz o ansioso sofrer tanto quanto a expectativa. Inclusive e especialmente a expectativa que recai sobre ele. Seja a que vem dos outros. Seja a que brota dele mesmo - aquela que ele imagina que os outros nutrem e que adora incorporar ferozmente à sua rotina. Dê muita responsabilidade a um ansioso crônico e você terá fabricado um depressivo. Deposite grandes expectativas num ansioso limítrofe e você terá criado um suicida em potencial. Peraí... ansiosos são depressivos? Se uns sofrem por querer antecipar tudo e por acelerar até o limite e outros pela letargia diante da vida e pelo desgosto diante das coisas, eles não são diametralmente opostos? Saiba que não.<p /></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Aprendi esses dias: o ansioso é um cara adrenalinérgico (nome oficial de quem vive se bombarbeando com insegurança e adrenalina), que uma hora desaba com tanto hormônio. Funciona como uma espécie de botão off do corpo e da alma devastados. Aí o sujeito cai em depressão. Nessa perspectiva, a depressão não seria a tristeza absoluta, vinda do espaço sideral como um castigo cósmico aos muito melancólicos, mas como uma resposta do organismo a estados de alerta e de tensão elevadíssimos sustentados por um tempo longo demais.<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ansiedade antecipatória, este bicho cabeludo]]></title>

<pubDate>Seg, 19 Jan 2009 19:06:09 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090119_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Uma psicóloga excelente em tratar de ansiedade, talvez a maior especialista do tema no país (se quiser o contato dela, me envie um e-mail), me disse esses dias que quase todos os males psicológicos têm na base a ansiedade. Ela chama o mal pelo nome completo: ansiedade antecipatória. Algozes como depressão e crise do pânico nada mais são, segundo ela, faces diferentes desse mau hábito da mente de olhar para o futuro e para a vida ao redor com a sanha de controlá-los, de imunizá-los, de ordená-los, de castrá-los. Ela se ampara em Deleuze, Guattari, Foucault, Nietzsche, Spinoza e um ou outro grego para afirmar isso.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">A ansiedade antecipatória aflige dez entre dez pessoas, impactando-as com níveis diferentes de sofrimento psíquico. Vai desde quem dorme mal por conta de um compromisso no dia seguinte até quem desiste em definitivo da vida por sentir que não é mais possível suportar o grau de incertezas que ela impõe. Há alguns exercícios bacanas que ela ensina para quem quer olhar esse bicho cabeludo nos olhos e enfrentá-lo. Exercícios que passam por mudanças no funcionamento do indivíduo no seu dia-a-dia. Bom saber que há cura... Ela busca sempre a mudança de hábitos do sujeito. Por isso não gosta nadinha da psicanálise, que fica sempre tentando entender as raízes do problema e não ajuda muito o sujeito que sofre a mudar de verdade e deixar de sofrer.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Um dos conceitos básicos com que ela trabalha é focar no processo e não na falta. Trata-se de não jogar a satisfação somente na conclusão da tarefa, ou as alegrias apenas no atingimento da meta, mas compreender que não há ponto final em nada que vivemos; que tudo é fluxo. Uma coisa conecta na outra, um evento se entrelaça ao próximo, pessoas e problemas e soluções estão sempre gerando intersecções que se formam e que desaparecem no momento seguinte à medida que vamos vivendo. Então, só é possível ser feliz se percebermos esse movimento ininterrupto e decidirmos obter prazer no próprio processo, no fluxo em si. Ainda que muitas vezes ele pareça - e seja - um redemoinho.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O ansioso foca sempre na falta. Sempre faz a conta do que ainda não está ganho e garantido. E essa conta é sempre negativa. Nada está ganho e nada está garantido. Daí o negativismo do ansioso, que só consegue ir adiante fazendo essa conta - e se desesperando diante das variáveis incontroláveis, dos riscos inevitáveis, das incertezas que sempre serão maiores do que as certezas. Porque estamos vivos e a vida é isso: &quot;caminhante, não existe caminho. O caminho se faz ao caminhar&quot;.</span></p></p></p></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Coragem, coragem, coragem]]></title>

<pubDate>Sex, 16 Jan 2009 10:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090116_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Uma amiga nova, que fiz esses dias, naqueles trepidantes dias que encerraram o ano de 2008, me disse que na vida é preciso ter sempre um porto seguro. Ela é uma empreendedora agressiva, muitas vezes suicida, pelos riscos que assume, pelas cartadas enormes que dá no selvagem mundo dos negócios, este ambiente que não costuma perdoar equívocos. E me disse que o contrapeso dos vôos em que se lança é a certeza de que pode contar com um porto seguro. No caso dela, é a casa dos pais. Na visão dela, se tudo der errado, se perder absolutamente tudo (e ela já esteve mais de uma vez bem perto disso; de certa maneira ela convive com essa perspectiva no seu dia-a-dia) ela sempre terá um teto e um prato de comida na casa dos seus pais. E isso é tudo de quanto ela precisa para começar de novo.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Eu achei isso lindo. E altamente inspirador. Quantas vezes não nos preocupamos com as condições que teremos de continuar pagando uma boa educação para os filhos no ano que vem, no semestre que vem, no mês que vem? Quantas vezes não nos murchamos diante da perspectiva de não gerarmos receitas correspondentes aos nossos gastos - e ao padrão de vida que desejamos dar a nossas famílias, a nós mesmos? Quantas vezes não enxergamos a amanhã com negativismo, duvidando de nós mesmos e das possibilidades que estão ao nosso redor? Pois essa receita que minha nova amiga me deu involuntariamente pode funcionar, voluntariamente, como um antídoto contra esse pessimismo. E contra o medo e a paralisia que ele pode implicar às nossas vidas. Basta ter um porto seguro. E um teto e uma refeição para começar tudo de novo, em caso de fracasso.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Então mãos à obra. É preciso nunca esquecer que a vida é curta demais para não se jogar.</span></p><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O problema é seu]]></title>

<pubDate>Qui, 15 Jan 2009 10:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090115_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Só há um jeito de atender bem o seu cliente: tratar o problema dele como se fosse seu. Ou melhor: ser mais realista que o rei, e encarar o problema do seu cliente com mais sofreguidão do que ele próprio. Isto é atendimento. O cara que não esquece de você mesmo quando você mesmo já se esqueceu dele ou do problema em si. É sentir-se realmente relevante para quem lhe presta serviço, como se ele não fosse dormir pensando no seu caso enquanto você mesmo ronca sobre o travesseiro.<p /></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Atender bem o cliente, com padrão de excelência, é isso: antecipar tudo que pode dar errado, agir na falha antes que ela aconteça. Isto custa os dentes, é claro. Mas é o grande ativo em qualquer relacionamento comercial duradouro. Quem paga tem que sentir que é prioridade absoluta para quem presta o serviço ou entrega o produto - inclusive para continuar satisfeito e continuar pagando. Ou então mais do que satisfeito: encantado. O cliente satisfeito, eu aprendi no meu MBA lá na gloriosa Kyoto University há quase 15 anos, é o cara que recebe tudo que encomendou. O cliente encantado é o que recebe além. Pouca gente faz isso. Porque é difícil, porque, sublinho, operar assim arranca pedaços. Melhor para quem faz.<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O que os seus olhos dizem de você?]]></title>

<pubDate>Qua, 14 Jan 2009 10:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090114_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Dá para disfarçar quem você é de várias maneiras. Num corte de cabelo mais conservador para quem já apanhou demais por ser ousado (e desistiu da ousadia), nas roupas mais caras de quem está ganhando mais dinheiro na vida mas não se sofisticou e mentalmente continua um jeca, um ser do arrabalde; no tom de voz arrogante de quem na verdade morre de insegurança.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Mas tem um lugar em que não dá para disfarçar aquilo que você é lá dentro: seus olhos. Ninguém consegue maquiar um olhar. (Com a exceção dos grandes atores, claro. E aqui não me refiro apenas àqueles que fazem carreira em Hollywood ou em Jacarepaguá. Há oscarizáveis no mundo corporativo também. E como.) Mas de modo geral, a média das pessoas, gente como eu e você, se entrega pelos olhos. Tem caras com mais de 2 metros de altura que são no fundo meninos entocados num canto escuro da sua própria alma. E os olhos contam isso. Tem mulheres lindíssimas que se enxergam feíssimas no espelho. E os olhos contam isso. Tem guardadores de carros e vigias de obras com olhar imperial, carismático, dono do mundo.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">É interessante demais ler o olhar das pessoas. Se você tiver a coragem de encará-las e manter o eye contact, é claro. Porque, afinal, elas estão olhando para dentro de você.</span></p><p /></p><p> </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você se droga?]]></title>

<pubDate>Ter, 13 Jan 2009 16:48:46 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090113_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ah, os humores... tem dia que a gente levanta da cama com uma dor indefinível no peito. Angústia. Medo. Cansaço. Vontade de desistir. De se aposentar - com um bom salário, é claro. (Como chegar lá é que são elas...) A gente olha para a frente, tem tanto desafio, tanta responsabilidade, tanta coisa por fazer, que dá vontade de dar um tempo. Trocar de país. Ou de carreira. Ou de vida. Isso é comum entre os executivos e entre os empresários. Que costumam colocar o mundo sobre os próprios ombro. (E quando não o fazem têm sempre quem o faça por eles.) Mas é um traço inerente ao ser humano. Sonhar é bom. Mas traz ansiedade. Realizar é ótimo. Mas traz estafa, fadiga. Paúra de não conseguir. Paúra de conseguir e ver que está tudo dando certo na coisa errada, de um modo que não era bem aquele com o qual você sonhava.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Um dia um amigo me perguntou: você não toma nada? Quase num sussurro, como num segredinho compartilhado entre milhares, mas jamais admitido em voz alta. Eu lhe disse que não. Minha barra, que às vezes fica bem pesada, talvez até mais do que a sua, caro leitor, acredite, eu seguro sozinho. Como posso. Nem que seja tropeçando e perdendo peças. Mas sendo eu mesmo. Com minhas virtudes e meus defeitos, com minhas euforias e meus fantasmas.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">E digo a você, aqui, como sugestão, se é que eu posso: não. Não às pílulas para dormir e para acordar. Não aos relaxantes e estimulantes. Não às substâncias que prometem a felicidade instantânea e que dali a pouco estão cobrando seu caríssimo preço: você deixa de defecar e de parar de defecar sem elas. Você deixa de sentir fome ou de sentir saciedade sem elas. Você deixa de sorrir sem elas. Você vira um escravo.</span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Já tem tanto carrasco lá fora, ao nosso redor. Por que colocar mais um dentro de você?</span></p><p /><p /><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Quem disse que executivo não sabe dançar?]]></title>

<pubDate>Seg, 12 Jan 2009 16:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090112_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Agradeço as várias dicas de melas-cuecas que não incluí em minha lista no fim-de-ano. O Roberto Neves me escreveu por e-mail colocando toda uma lista nova. Publico porque ele teve o trabalho, porque a lista é boa e porque o assunto rendeu.</p><p>Já que a gente dança, ou está arriscado a dançar, dia sim, dia não, que a trilha valha a pena!</p><p /><p>1. Lover Why - Century</p><p /><p>2. Killing Me Softly - Alicia Keys</p><p /><p>3. Fantasy - Earth Wind &amp; Fire </p><p /><p>4. I Say A Little Prayer - Dionne Warwick</p><p /><p>5. The Turtles - So Happy Together (essa é 10!)</p><p /><p>6. Earth Wind and Fire - September</p><p /><p>7. Take My Breath Away . Berlin</p><p /><p>8. Together In Electric Dreams - Giorgio Moroder</p><p /><p>9. Love is Love - Culture Club</p><p /><p>10. Victims - Culture Club</p><p /><p>11. Words - Boyzone </p><p /><p>12. Linger - The Cramberries</p><p /><p>13. Time After Time - Cindy</p><p /><p>14. Bryan Adams - Everything I Do, I Do it for You</p><p /><p>15. Bryan Adams - Here I Am</p><p /><p>16. Duran Duran - Ordinary World</p><p /><p>17. Elton John - Don´t Let the Sun Go Down On Me</p><p /><p>18. Elton John - Rocket Man</p><p /><p>19. If youre not here - Menudo (essa é de doer)</p><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ao melhor chefe que eu já tive (3)]]></title>

<pubDate>Seg, 12 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090112_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Se você quiser um bando de gente receosa, que não se reconhece como time, sem tesão pelo que fazem ou pelo lugar em que trabalham, que enxergam em você um chefe que representa permanente <span style="mso-spacerun: yes"> </span>ameaça, empunhando um muro e um murro, siga <personname w:st="on" productid="em frente. Fale" />em frente. Fale</personname /> mais do que ouça, não deixe ninguém discordar. Deixe claro que elas só podem falar aquilo que você deseja ouvir. </p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Mas se você quiser um time flamante, de pessoas apaixonadas pelo que fazem e pelo lugar em que trabalham, doidas para assumir mais riscos e crescer junto com o negócio, que enxergam em você um líder, um mentor, um exemplo, então pare e reflita um pouquinho. Baixe a guarda, ouça mais, exponha-se ao diálogo honesto, chame o time para opinar, traga-os mais para perto de você. Acredite: isso não vai enfraquecê-lo. Muito ao contrário.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Imagino que esta sua postura agressiva seja pura defesa. Gerenciar talentos, pessoas criativas, que não cabem dentro do quadradinho, é mesmo um fardo. Mas um fardo inevitável para os grandes executivos. E você, não tenho a menor dúvida, é um deles.&quot;</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ao melhor chefe que eu já tive (2)]]></title>

<pubDate>Sex, 09 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090109_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Você tem essa tendência de aniquilar tudo aquilo que não lhe for espelho. Como conseqüência, não há meio-termo possível quando uma convicção sua, por menor que seja, está em jogo. É uma queda-de-braço infindável e insolúvel: ou seu interlocutor está com você ou está contra você. Um oito-ou-oitenta que só se resolve de um jeito: com a repressão - ou a auto-repressão - de seu interlocutor. Eu nem sempre estarei com você. Mas nunca estive - e jamais estarei, enquanto trabalharmos juntos - contra você. Esta nuança não está disponível entre a gente e eu sinto falta dela.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left"><p> </p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Eis o que eu sinto mais falta: diálogo. Conversa genuína, desierarquizada, na qual seja possível falar com sinceridade e na qual ambos os lados consigam ouvir de modo sereno e racional. Repito: a responsabilidade por tudo isso é metade minha. Se você forçou a barra, eu também cedi. Ambos temos egos complexos. E para evitar desgaste com você, acabei retrocedendo, me maquiando em vários momentos, deixando de ser eu mesmo. Só que é um projeto inexeqüível jogar bola com a obrigação de tirar sempre a perna das divididas. Por outro lado, pergunto: você precisa entrar sempre rachando? Que tal disputar a bola sem o risco de quebrar a perna do outro (especialmente quando eu não sou um adversário, mas um jogador do mesmo time)? </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left"><p> </p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Muita gente a sua volta tem se calado, deixado de dar importantes contribuições ao negócio que você gere. São pessoas que vão com o tempo perdendo o entusiasmo, o brilho no olho, com medo de tomar porrada, de levar tapa na cara. Esse é o ambiente que você quer construir? </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left"><p> </p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Se você quiser um bando de gente receosa, que não se reconhece como time, sem tesão pelo que fazem ou pelo lugar em que trabalham, que enxergam em você um chefe em permanente <span style="mso-spacerun: yes"> </span>ameaça, um muro e um murro, siga <personname w:st="on" productid="em frente. Fale">em frente. Fale</personname> mais do que ouça, não deixe ninguém discordar. Deixe claro que elas só podem falar aquilo que você deseja ouvir.&quot;</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ao melhor chefe que eu já tive]]></title>

<pubDate>Qui, 08 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090108_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">Escrevi esta carta para você há 10 anos. Nunca lhe enviei. Receba essas palavras retrospectivas como um carinho, como um elogio por sua trajetória. E como um agradecimento por tudo o que você me ensinou.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Várias vezes me sinto intimidado por atitudes suas, por seu estilo para lá de decidido. Claro, sou tão responsável por esse sentimento constrangido quanto você. A gente tende sempre a jogar a responsabilidade pelas coisas de que não gosta no outro lado da mesa. É difícil reconhecer que a gente também contribui para que elas aconteçam.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Meu grande risco ao trabalhar com você sempre foi virar um yes man, um cara que só diz amém. Aquele tipo colaborador pusilânime que suprime a própria consciência para ter menos atritos com o chefe, para gerar menos confrontos com a cultura estabelecida, e assim viver com mais tranqüilidade. Só que comprar a condição de estar em boa conta com você com a moeda do meu silêncio medroso, ou da minha aquiescência contrariada, me faz mal. Vai contra tudo o que aprendi e acredito.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 23.8pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: left; tab-stops: 2.0cm 15.0cm" align="left">&quot;Acho que a divergência não pode significar uma declaração de guerra. Nem deve implicar retaliação bélica. Não numa relação profissional madura e produtiva. Às vezes vejo você retirando dos seus interlocutores o espaço para discordância. Como se a sustentação de uma opinião dissonante precisasse sempre desembocar em aspereza e animosidade. Em nossa relação específica, especialmente nos momentos mais decisivos, você raramente tem permitido a diferença, a diversidade de visões. Isso empobrece tudo. Fica você numa posição autocrática - que não lhe faz jus - e fica seu interlocutor, no caso eu, empurrado a uma posição subalterna, acovardada. E é claro que nenhuma pessoa que valha a pena gosta de se ver vestindo esse casaco.&quot;</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Feliz Ano-Novo, meu amor (3)]]></title>

<pubDate>Qua, 07 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090107_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Avançamos de mãos dadas pelo desafiador caminho de cultivar, ano após ano, o desejo em meio à saciedade, o mistério em meio ao conhecimento mútuo, o interesse e a magia depois de tanto terreno conquistado e trocas realizadas. Sempre com olhar cúmplice. Mesmo quando não temos as respostas, mesmo quando nos espantamos com as coisas como elas são e com a mil dificuldades e armadilhas que há estrada afora. Nunca soltamos a mão um do outro.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Com você sou mais tranqüilo, me entendo melhor, gosto mais de mim. Com sua presença, minha vida ganhou equilíbrio e graça. Aprendo isso toda vez que você não está perto. Tudo sai do lugar quando você está longe. Não há sossego. Tudo é urgência e desencaixe e falta. O mundo se descompensa sob o peso da sua ausência. </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p>Que a serenidade da nossa relação nunca se transforme em mornura. Que a tepidez da vida ao seu lado sempre permita picos de temperatura. Que a gente sempre tenha a paciência necessária para compreender o outro, especialmente nos momentos menos brilhantes de cada um. E que nunca nos falte a generosidade que todo amor precisa para florescer, para sobreviver até o dia seguinte, até o mês que vem, até o próximo ano, até que a morte nos separe.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Feliz Ano-Novo, meu amor (2)]]></title>

<pubDate>Ter, 06 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090106_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Talvez tenha sido seu jeitinho de levar a vida. Talvez tenha sido a maneira como a gente pôs as nossas diferenças para trabalhar a nosso favor, como forças de atração. Quando tudo me parece pesado, você me alivia o fardo com a leveza de uma palavra que vê tudo de modo mais ensolarado e positivo. Quando é sobre seus ombros que o mundo e a vida pesam, sou eu que tento lhe mostrar que o pior revés sempre será minúsculo perto do que somos, do que já construímos juntos. Ou talvez tenham sido seus gestos, suas mãos, sua pele, seu cheiro, seu toque, seu calor, seu riso fácil, seus segredos, suas vergonhas, seus medos, os modos queridíssimos de dizer que você inventa.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Você fez dois filhos em mim. Você me mostrou, com seu jeitinho oblíquo, parcimonioso, feminino, que estava na hora de produzirmos a obra mais bonita e complexa de nossas vidas. Uma obra aberta, que nos sucederá no tempo. Eu lhe agradeço demais por isso.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">A gente vai aprendendo, junto, o que é viver junto. O que é ser pai, mãe, amigo, amiga, filho, filha, irmão, irmã, confidente, esposo, esposa. E o que é ser tudo isso um para o outro sem deixar nunca de ser o essencial: namorado e namorada. O sexo é diferente depois de 10 anos de casado. Sinto falta do fogaréu dos primeiros dez dias, dos primeiros dez meses. Mas, tudo somado e subtraído, acho mais gostoso hoje. Menos excessos, piruetas, dispersão de energia. Mais atenção aos detalhes, mais proximidade, mais profundidade.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Feliz Ano-Novo, meu amor]]></title>

<pubDate>Seg, 05 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090105_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Hoje eu vou escrever para você. Só para você. E a primeira coisa que quero lhe dizer é: muito obrigado. Por tudo.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Você me ensinou tanta coisa. Clichê? Pois com você os clichês fazem sentido. Esta carta conterá inevitavelmente muitos clichês. Eles estarão aqui por serem todos verdadeiros. E por representarem, sem medo do paradoxo, a expressão mais autêntica e particular do que eu sinto por você. Então os assumo. Um buquê de clichês para você! Que eles cantem, como se fossem poemas inéditos, a paixão avassaladora que emergiu ninguém sabe de onde, se estabelecendo entre nós como se tivesse existido sempre, desde tempos imemoriais. Que eles digam de um jeito novo e radiante o quanto eu sou seu.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Você entrou na minha vida decidida a fincar a sua bandeira. Que bandeira bonita. E que perfumes exala quando tremula. (Ou quando trêmula.) Você chegou decidida a tomar conta de mim. Tanto no sentido de agarrar o que queria, quanto no de cuidar do que já era seu. Nunca tive medo da falta de liberdade e dos prejuízos à minha independência que o meu vício por você eventualmente poderia acarretar. Sempre assumi de modo faceiro que não poderia mais ser completo nem inteiro sem você. Tenho sido muito feliz desde então. Desde que dormimos juntos pela primeira vez e nunca mais conseguimos dormir separados. Desde que você assumiu o controle do meu banheiro, da minha geladeira, do meu guarda-roupa. Desde que você mudou de casa e eu me esgueirei lá para dentro entre as bagagens que ajudei a carregar.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[As 30 e tantas melhores músicas lentas de todos os tempos (2)]]></title>

<pubDate>Sex, 02 Jan 2009 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20090102_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">E aqui, as outras 18 mela-cuecas mais espetaculares já compostas:</span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore"></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">1.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">If you dont know me by now  Simply Red</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="mso-list: Ignore">2.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>You needed me  Anne Murray</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">3.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">I´d rather leave while I´m in love  Rita Coolidge</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">4.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">Rock &amp; roll lullaby  B.J. Thomas</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">5.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"> I dont wanna miss a thing  Aerosmith</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="mso-list: Ignore">6.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Unchained melody  Righteous Brothers</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">7.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>I loved you  Freddy Cole</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">8.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Feeling old feelings  Dionne Warwick</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">9.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Woman  John Lennon</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore"></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">10.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">With you I´m born again  Billy Preston &amp; Syreeta</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">11.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US">Making love (out of nothing at all)  <place w:st="on" /><city w:st="on" />Chicago</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="COLOR: black"><span style="mso-list: Ignore">12.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span style="COLOR: black">If  Bread</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="COLOR: black"></span><span style="COLOR: black"><span style="mso-list: Ignore">13.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span style="COLOR: black">Still the One  Shanya Twain</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="COLOR: black"></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">14.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US">Forever By Your Side  The Manhattans</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">15.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US">Against All Odds  Phil Collins</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">16.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US">Reunited  Peaches and Herb</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">17.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US">Sorry  Tracy Chapman</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="COLOR: black; mso-ansi-language: EN-US"></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">18. Hold me Til the Morning Comes  Peter Cetera &amp; Paul Anka</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">Concorda?</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">Discorda de alguma faixa?</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">A ordem lhe desagradou?</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">Esqueci de alguma pérola inesquecível?<br />Fale agora ou cale-se para sempre.</span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[As 30 e tantas melhores músicas lentas de todos os tempos]]></title>

<pubDate>Qua, 31 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081231_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">1.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">Hard to say Im sorry  <place w:st="on" /><city w:st="on" />Chicago</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="mso-list: Ignore">2.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Without you  Nilsson</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">3.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">All out of love  Air Supply</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="mso-list: Ignore">4.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Ships  Barry Manilow</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">5.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Classic  Adrian Gurvitz</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">6.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Empty garden  Elton John</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore"></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">7.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">You make me feel (brand new)  The Stylistics</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="mso-list: Ignore">8.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>For your babies  Simply Red</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">9.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">      </span></span>Little Jeannie  Elton John</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">10.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span>Were all alone  Rita Coolidge</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">11.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span>Youre the inspiration  Chicago</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">12.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span>Lost without your love  Bread</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">13.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span>Mandy  Barry Manilow</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore"></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span style="mso-list: Ignore">14.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span>Carry - Europe</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore"></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">15.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">Total eclipse of the heart  Bonnie Taylor</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="mso-list: Ignore">16.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span>Love hurts - Nazareth</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore"></span></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"><span style="mso-list: Ignore">17.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span></span><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US">Weve got tonight  Kenny Rogers &amp; Sheena Easton</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"><span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"></span><span style="mso-list: Ignore">18.<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">  </span></span>More than words  Extreme</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt"> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt" align="left">Ouça essas já!</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt" align="left">Chama a nega na chincha (ou o nego, sei lá) e comece a comemorar desde já as coisas boas da vida que 2009 trará para todos nós.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt" align="left">Quando me recuperar da champanhe, completo a lista.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-INDENT: -18pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 18.0pt" align="left">Feliz ano-novo!</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você sente saudade? (5)]]></title>

<pubDate>Ter, 30 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081230_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Minha nostalgia vem da perplexidade diante da velocidade dessas perdas. Da extrema fugacidade do tempo. E da visão de mim mesmo como uma existência que está se esvaindo rápido demais. Minha melancolia parte do fato de que estou passando de modo inestancável pela vida. Minha geração, minhas referências, meus amigos, minha família, meus ídolos -- tudo que me forma está cruzando de modo incontrolável pelo tempo. E tudo vai desaparecer no final -- que fica logo ali depois da esquina -- sem deixar vestígio. Eu e todas as coisas que me importam vamos virar ausência. Vazio. Nada.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Minha saudade é uma reação desesperada a esse fluxo inexorável em direção ao esquecimento. À medida que a gente avança na vida, vai deixando um rastro de emoções para trás. São as marcas que deixamos pelo caminho  e que o tempo se ocupa de apagar sem demora. Há situações fundamentais, que definiram quem eu sou hoje, que já não têm condições de acontecer, de se repetir. O apego ao passado é também o desejo de continuar vivo, de estender a vida, de não deixá-la correr tão impunemente para o fim. É um jeito de dizer: pára, dá meia-volta, eu quero descer, ficar um pouco mais, voltar atrás, viver de novo.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Minha nostalgia é uma tentativa de imortalizar as grandes passagens da vida num culto de amor elíptico, movido pelo desejo irracional de reviver incontáveis vezes aqueles momentos incrustados na memória. A saudade é uma tentativa de brecar esse movimento irrefreável que nos une a todos. E que, paradoxalmente, nos afasta. Estamos todos na mesma marcha inapelável. Passamos uns pelos outros num piscar de olhos. No momento seguinte, já somos outros. E aquele contato, aquela troca, está condenado a jamais acontecer de novo. Estamos numa estrada com mil cruzamentos  e sem nenhum acostamento. Não é possível parar. A idéia de trancafiar nossos amores numa curva do caminho, de modo a garantir a sua eternização, só cabe como ilusão dentro do coração da gente.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Esse é o desespero, para os nostálgicos. Cada recordação querida surge, gera uma faísca, dura um átimo e vai embora para sempre. E cada uma dessas perdas nos lembra de que é exatamente isso o que está acontecendo conosco. E a angústia que você sente diante dessas lembranças será tão particular que você não conseguirá dividi-la com ninguém. A saudade será sempre uma dor confinada dentro de você. Um sofrimento pessoal e intransferível. Que a gente carrega como sina.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você sente saudade? (4)]]></title>

<pubDate>Seg, 29 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081229_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Minha saudade é também o desejo, igualmente irrealizável, de voltar a ser aquele menino que via o mundo com doçura e cor, ao lado do irmão, em cima do colo da avó, de mãos dadas com o pai. Saudade não é só a falta dos outros. É a falta da gente mesmo, do que fomos, dos grandes momentos por que passamos. É o vazio deixado por um tempo que não existe mais, quando várias portas que se fecharam com o passar dos anos ainda estavam abertas para a gente.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Minha saudade também tem um pouco de covardia. Porque o amor ao passado é o amor a um tempo dominado, conhecido. Enquanto o presente implica riscos, desafios e exige esforço, e o futuro é um espaço disforme com tudo por construir, o passado é um refúgio sereno e controlado. Especialmente porque a memória costuma edulcorar tudo. Mesmo as lembranças que não são tão boas ganham, com o tempo, um belo incremento de sabor e harmonia. O que os nostálgicos cultuam são geralmente visões idealizadas do que passou.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Minha saudade é vertigem, é mudança. É perceber que não é possível congelar nenhum momento no tempo. Tudo está passando. Eu, você, nossos pais, nossos filhos. Tudo está em trânsito acelerado. Saudade é tentar trancafiar perto da gente aquilo que amamos, é tentar interromper os fluxos para eternizar numa fotografia aquilo que nos faz falta. Saudade é essa tremenda vontade de estar junto, de ficar junto, de ficar mais, de parar o tempo para que a gente não precise se separar nunca.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você sente saudade? (3)]]></title>

<pubDate>Sex, 26 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081226_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Admiro as pessoas que esquecem. Que não se apegam às coisas, pessoas e épocas com que cruzam pela vida. Elas não sentem saudade. Vivem o presente. E não compreendem a nostalgia. Às vezes eu gostaria de esquecer com mais facilidade. De amar menos o passado, de carregar com mais leveza tudo que vivi.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Minha saudade é diáspora. São os amigos fundamentais que você teve um dia, que você amou tanto, e que hoje nem sabe por onde andam, o que fazem, quem são. E que você nunca mais verá. Saudade é esse sentimento cortante de perda, de desagregação, de desconexão, de amputação das coisas que lhe são mais caras.</p><p /><p><span style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">Saudade é o irmão que você amava e que se foi para nunca mais voltar. É a memória do seu pai ficando a cada dia mais distante, mais difusa, menos real. Saudade é o desejo de poder abraçar de novo a sua avó, e lhe dar um beijo e sentir outra vez a maciez dos seus cabelos. Saudade é a dor sem chance de solução de todas essas impossibilidades.</span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você sente saudade? (2)]]></title>

<pubDate>Qua, 24 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081224_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">A dor da saudade é um evento físico. Um sofrimento pontiagudo que arrocha o peito, fecha a garganta, impõe uma bruta vontade de chorar sozinho. A saudade traz em si um escárnio: não há remédio para ela. E lamentar não adianta: não é possível voltar no tempo. A saudade é um desejo que, quanto mais fundo, mais impossível é de realizar. É um jeito que o tempo tem de nos dizer que ele é uma via de mão única e que as perdas que ele decreta são irreversíveis.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Às vezes sinto nostalgia do que estou vivendo hoje. Projeto a saudade que vou sentir amanhã do que está acontecendo agora. E já começo a sofrer. A minha capacidade melancólica chega a esse ponto. Ao menos, ela me impele a tentar viver ao máximo o presente. Porque a pior saudade é a daquelas coisas que você não viveu. A pior nostalgia é a daquelas coisas que você não fez. Aí o sentimento de impotência cresce, a sensação de que não é possível voltar fica mais insuportável. Ainda assim, já passou pela minha cabeça a seguinte questão: não será melhor viver menos intensamente, como estratégia para ter menos coisas do que sentir saudade no futuro? </p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Mas a saudade não é exatamente um desejo de voltar. A nostalgia não é a contrapartida de uma sensação de que a vida era melhor antes. A saudade, portanto, não é uma tentativa de instaurar o passado em detrimento do presente. A nostalgia é, antes, um jeito de tentar se agarrar em alguma coisa que suavize a queda livre.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você sente saudade?]]></title>

<pubDate>Ter, 23 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081223_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Sou nostálgico desde que me lembro. Tenho esse hábito de cultuar o passado há muito tempo. Com nove anos chorei de saudade do ano em que tinha sete. Foi minha primeira crise de nostalgia. Percebo agora, e somente agora, enquanto escrevo, que o objeto daquela saudade precoce coincide com o último ano em que meus pais viveram sob o mesmo teto. Não lembro daquela saudade ter sido especificamente de ver meus pais juntos ou de enxergar a gente como uma família tradicional. Mas vai saber.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Desde aquela época é assim: tudo o que passa me dói muito. Uma dor funda, cálida, quase gostosa de sentir. Minha saudade não emerge apenas dos momentos bons. Qualquer passagem que tenha marcado minha trajetória, e que viva em mim como lembrança, tem o potencial de gerar um sofrimento nostálgico.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Há coisas como uma música, um cheiro, um filme, um paladar que podem me arrastar para bem longe. Ou então coisas que não existem mais, exceto como registro afetivo: a memória de uma pessoa que se foi, a lembrança de alguma coisa que eu tive, de um jeito de ver o mundo que foi meu um dia, do frescor perdido de um amigo que envelheceu. Sofro por não ter mais esses momentos, por eles terem passado. Sofro por não poder mais vivê-los, por tê-los deixado para trás, por ter me perdido deles no tempo.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Qualquer engenheiro é melhor que você (2)]]></title>

<pubDate>Seg, 22 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081222_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Imagine um jornalista sendo contratado para ser VP de RH de uma indústria metalúrgica. Soa estranho, não? (Ainda mais com a quantidade de chefes brutais que as redações sabem produzir!). Imagine um contador sendo promovido a diretor de marketing de uma empresa aérea. (Ainda que não haja outra área tão casa da Mãe Joana quanto o marketing, que qualquer um se considera preparado para exercer.) Enfim: imagine um bacharel em Letras assumindo uma gerência financeira, um médico atuando como supervisor comercial, um agrônomo se recolocando como gerente-geral de uma rede de varejo.</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Se tudo isso soa meio desencaixado, por que não temos a mesma sensação quando um engenheiro mecânico é o gerente financeiro ou um engenheiro elétrico é o supervisor comercial? O principal argumento dos adoradores de engenheiros é que a engenharia forma o raciocínio lógico do sujeito. Quer dizer então que todo mundo que não é engenheiro tem um raciocínio ilógico? Será mesmo que digladiar com a matemática é o único jeito de formar um pensamento ordenado? E se isso for mesmo verdade, então matemáticos e físicos não seriam ainda mais apropriados? Por outro lado: será que a filosofia não estimula em nada o raciocínio? E a alta literatura, não ensina a pensar? E as artes em geral, será que também não formam discernimento, hierarquia, senso crítico e estético criatividade? Será que nada disso traz incremento para uma carreira corporativa, será que nada disso faz sentido no mundo dos negócios?</p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Viva os engenheiros, é claro. Mas viva todos os outros também!</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Qualquer engenheiro é melhor que você]]></title>

<pubDate>Sex, 19 Dez 2008 09:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081219_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" /><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">No mundo corporativo, nenhum profissional é mais valorizado do que o engenheiro. O mercado deixa isso muito claro: nem mesmo os administradores de empresas parecem reunir condições de administrar uma empresa melhor do que os engenheiros. Um diploma de engenharia empresta peso e solidez ao currículo de qualquer um. Trata-se de um pedigree altamente reconhecido por headhunters e diretores de RH nas mais variadas companhias dos mais diversos ramos.</p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Nada tenho contra os engenheiros. Nem aqueles que atuam como engenheiros, dentro dos limites clássicos da engenharia, nem aqueles que constroem suas carreiras <personname productid="em outras &#65505;reas. Sou" w:st="on" />em outras áreas. Sou</personname />, por princípio, adversário da idéia de cartorializar o mercado de trabalho e exigir carteirinha de sindicato ou associação profissional para exercer essa ou aquela profissão. Acredito no livre circular dos melhores talentos na disputa pelas melhores oportunidades. Acho que ninguém melhor do que o empregador para decidir quem deve ou não contratar. E creio que a liberdade de mercado passa por dar às empresas o direito irrestrito de atrair os colaboradores que julgarem mais apropriados para atender às suas necessidades e às dos seus clientes. </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Ainda assim, me chama muito a atenção essa predileção irracional do mercado pelos engenheiros. As empresas consideram os engenheiros aptos a assumir posições tão distintas quanto VP de RH, diretor de marketing, gerente financeiro ou supervisor comercial. Se o candidato é um engenheiro, o recrutador se enche de confiança e respira aliviado. Como se eles pudessem fazer de tudo, melhor do que os especialistas em cada área, pelo simples fato de terem tido aulas de Cálculo. Ou será que existe um elixir mágico, adicionado às caixas d'água das faculdades de engenharia, capaz de transformar aqueles profissionais nos candidatos mais preparados em qualquer processo de seleção, independente do cargo <personname productid="em quest&#65507;o? Como" w:st="on" />em questão? Como</personname /> podem os engenheiros se apresentarem, sem qualquer constrangimento, e com a aquiescência do interlocutor, como os consultores ideais para os mais diferentes desafios de negócios, nos mais distintos setores da economia?</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A inveja é mesmo uma meleca]]></title>

<pubDate>Qui, 18 Dez 2008 14:29:22 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081218_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">A pior das facetas da insegurança é a capacidade que ela empresta a algumas pessoas de se tornarem más. Não há reação mais comum - e mais vil - à própria insegurança do que agredir e sabotar outras pessoas que possam de algum modo aparecer como uma ameaça no curioso radar do inseguro. (Dependendo do caso, do grau de patologia do sujeito, essa reação acaba sendo dirigida basicamente a todo mundo.) Há quem nutra a perversão com leite e biscoitinhos, como se ela fosse um gato persa. Ou seja: há quem se divirta sendo mau. E não são poucas as pessoas que se dedicam com sofreguidão a esse esporte de obter prazer impingindo sofrimento aos outros. No caso do inseguro, ele não obtém satisfação em jogar os outros para baixo. Não é esse o mecanismo que explica o seu funcionamento. Trata-se apenas do seu equivocado instinto de sobrevivência operando de forma mais equivocada ainda. (Nada que o desculpe, claro.)</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Você conhece pessoas assim. Eu também. Cada vez mais elas se revelam para mim. De algumas, eu não esperava nada. Outras me decepcionam terrivelmente. (Está lá no nome do blog: eu sou um cara ingênuo.) Quando alguém lhe trata diferente porque você subiu ou desceu na ladeira profissional, você se questiona se toda aquela relação bacana pregressa realmente existia. Quando o sujeito passa a ser mais rude e áspero com você só porque acha que agora pode, você se pergunta se antes ele o alisava só por interesse ou subserviência. Quando o sujeito hostiliza você pelas costas, e torce contra, e joga nos bastidores pela sua derrocada, sem que você não tenha lhe feito absolutamente nada, sem que você lhe tenha dado qualquer motivo para agir assim, pode ter certeza de que ele - ou ela! - está enxergando em você um adversário em potencial, alguém que pode lhe tirar o lugar, o poder, a visibilidade, o quer que seja que ele considere uma perda inaceitável. E lá vem pedrada. Geralmente daquelas covardes, que lhe pegam por trás, sem que você possa ver com clareza de onde veio. E lá vem reação desmesurada a uma ação que você sequer empreendeu. Isto ainda mexe comigo, sempre que ocorre. Ainda me causa estupefação.</span></p><p></p><p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Isto eu posso dizer a meu favor, sem medo de errar, e com boa dose de orgulho: minhas inseguranças, que não são as menores do mundo, nunca me fizeram, não me fazem e nunca me farão lastimar alguém que não tem nada a ver com o pato. (No caso, eu.)</span></p></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O pessimismo é uma doença]]></title>

<pubDate>Qua, 17 Dez 2008 17:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081217_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">A grande maioria das nossas apostas tem 50% de chances de dar certo e, óbvio, 50% de chances de dar errado. Ou não. Nada disso. Refaço já esse raciocínio: a grande maioria das apostas que fazemos na vida tem bem mais de 50% de chances de dar certo. Fosse o contrário, não teríamos apostado. Se fazemos e refazemos contas, se traçamos e checamos planos, se avaliamos e debugamos variáveis, e se o projeto parece bom depois de tudo isso, é claro que ele tem tudo para ser exitoso. (Desde, é claro, que você tenha mais de dois neurônios e não tenha rascunhado a coisa toda bêbado numa cama de hotel em Las Vegas.) O notável é que na maioria das vezes esse favoritismo não se reflete em bons sentimentos na hora de levar a aposta adiante. É comum focarmos muito mais nas chances de a coisa dar errado, ainda que essas chances sejam relativamente pequenas, do que nas chances de a coisa dar certo, ainda que os sinais de sucessos pisquem freneticamente ao redor. Ao menos comigo é assim.<p /></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p> </p></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Sou um pessimista nato. Tenho uma tendência de prestar a atenção sempre às imperfeições do acabamento e não ao aspecto macro da obra erigida. Perco muita energia olhando sempre para o que falta, não para o que já foi feito. E com todas as coisas que podem não virar a contento, ainda que elas sejam pouco relevantes perto de todas as metas que vão sendo cumpridas. Isso é um vício. E um vício que eu, de certa forma, cultuo. Funciona como uma crença de que esse comportamento paranóico, fóbico, maníaco (caramba, como eu sou cruel comigo mesmo!) é, no fundo, uma garantia das vantagens competitivas que eu gostaria de ter: capacidade de entregar sempre além do contratado, de ter uma taxa de erros baixa, de exorcizar com réstias de eficiência os fantasmas do underdelivery e da underperformance. Mas a que preço? (E, cá entre nós: que bobagem e que ilusão... A vida, naquilo que realmente interessa, não é feita de nada disso.)<p /></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><p /> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Como resultado, sofro quando poderia estar em paz. Me angustio quando poderia estar contente. Tenho que administrar minha autoestima quando poderia estar mais orgulhoso de mim mesmo. Deixo de enxergar o cenário ao redor, na sua inteireza, para perceber apenas aquilo que ele tem de menos brilhante. Ou nem isso. Deixo de olhar para o que está pronto e comemorar a sua construção, para registrar apenas o que pode ser que talvez venha de alguma maneira impedir a construção e o aprontamento do que ainda está por vir.<p /></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A importância de nadar na direção oposta]]></title>

<pubDate>Qua, 17 Dez 2008 10:59:14 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081217_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>É preciso acreditar quando o horizonte está encoberto, quando o céu está escuro, quando a desesperança toma conta de todo mundo. É preciso acreditar quando ninguém mais acredita, quando as forças da inércia pregam empresas e pessoas no chão.</p><p>Ao mesmo tempo, é preciso exercitar o ceticismo quando tudo é sol, quando o céu não tem uma só nuvem a poluir o seu imenso azul, quando a euforia deixa todo mundo com olhos trincados e riso solto. É preciso desconfiar um pouquinho quando o clima é de oba-oba e quando todo mundo alavanca tudo que pode achando que o mundo é feito apenas de vitórias e que os ganhos são garantidos.</p><p>Mas que o uso do bom-senso e do receio que salva vidas seja sempre apenas responsável, uma ferramenta de inteligência - que não seja nunca paralisante. E que o uso do otimismo não seja nunca polianagem nem fé cega que ignora o desfiladeiro.</p><p>Ah, sim. Só acreditar não adianta. E só desconfiar não adianta também. É preciso trabalhar muito.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Coitadinhos não existem]]></title>

<pubDate>Ter, 16 Dez 2008 17:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081216_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O coroa era pândego. Seu olho azul brilhava um ardil fino e cortante quando me convidava a rir sobre alguma coisa. E ele convidava o interlocutor a achar graça das coisas a todo momento. O velho ria de tudo. De modo sarcástico e inteligentíssimo. Era um cínico no melhor sentido da palavra  um sujeito com poucas crenças, fé nenhuma, escaldado por anos de janela observando o comportamento humano, e uma capacidade tremenda de rir de si mesmo e dos outros e da nossa grande tragédia, ou tragicomédia, diária. Um dia me saiu com essa: &quot;nunca conheci um supertalento que tenha sido injustiçado ao longo da carreira, um megaprofissional soterrado por um mercado malvado que lhe virou as costas&quot;. Ele queria dizer com isso que quem descarrila, quem não dá certo, quem vive à margem, de algum modo fez por merecer estar naquela posição desconfortável. Segundo ele, você pode sofrer uma injustiça aqui, tomar uma rasteira ali. Mas se isso é um padrão em sua carreira, se isso se transforma num corolário de desculpas para você não ter chegado tão longe quanto queria, o mais provável é que a responsabilidade pelo fracasso seja sua e não dos outros. O mercado, na visão do meu velho professor, não desperdiça gente boa. Por mais que elas sejam cheias de arestas. Gente boa mesmo sempre tem lugar.<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Que tamanho você tem?]]></title>

<pubDate>Ter, 16 Dez 2008 10:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081216_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p>Um chefe que eu tive e que me ensinou muito uma vez me disse que uma das principais fontes de sofrimento para um executivo reside na distância entre o valor que os outros nos dão e o valor que nós nos atribuímos. Ou seja: a angústia tanto é maior quanto mais larga for a diferença entre o que pensam de nós e o que nós achamos de nós mesmos.</p><p>Ele se referia basicamente a profissionais que desejam sempre uma posição e um status muito superiores àquilo que têm reais condições de sustentar, de entregar. Fonte certa de frustração. Ou porque jamais alcançaremos a esfera desejada, como um volante que jamais chegará a jogar com a 10. Ou por chegarmos até o patamar sonhado e então não darmos conta do recado. Meu chefe falava do perigo do ego, das dores que ele acarreta, especialmente quando há esse descompasso entre a realidade do sujeito e uma auto-análise mal realizada por ele.</p><p>Mas penso aqui que o contrário também é verdadeiro: quando nos jogamos para baixo enquanto todos nos vêem voando lá em cima, quando nos apequenamos quando a expectativa que há a nosso respeito é de gestos amplos e passos imensos, quando agimos como meninos quando o que se espera de nós são gestos de homens. Também aí há descompasso. E uma boa dose de sofrimento e desajuste. (Volto a falar disso em seguida.)</p><p>Minha crença é que somos aquilo que quisermos ser. E sonhar com algo que não somos ainda é uma poderosa mola propulsora que nos conduz à frente, que nos leva de fato a nos tornarmos profissionais melhores, mais apurados, mais capazes. Mas a gente também é um pouco como as pessoas nos vêem. Aquilo que você por ventura enxergar nos olhos das pessoas quando elas olham para você não é mera impressão nem coisa a ser descartada. Trata-se de um veredito real. Importante de ser levado em consideração. E mais do que isso: aquele retrato captura alguém muito parecido com aquilo que você é de verdade.</p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[O estresse nosso de cada dia]]></title>

<pubDate>Seg, 15 Dez 2008 19:17:29 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081215_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">A vida é dura. E anda especialmente dura. Porque é fim de ano, as tarefas se acumulam, a pressa de mergulhar logo nas coletivas torna a rotina do escritório um pouquinho mais insuportável do que a média. Também porque ninguém mais tem qualquer lenha para queimar a esta altura do campeonato. (Exceto, talvez, aqueles que tiraram férias em outubro ou novembro. Mas não tenho certeza.) E também porque o clima de susto e pessimismo que envolve o mercado nesse momento aponta para um esfriamento inevitável de ânimos, projetos e investimentos ao menos para o início do ano que vem. Então o sujeito quer muito parar e dar uma descansada de 2008. Esquecer de tudo. Ao mesmo tempo, está bem preocupado com 2009. É provável que, infelizmente, não vá conseguir desligar. Enfim: vai ser um fim de ano bem esquisito. Um misto de alívio e tensão.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Então por que tornar as coisas ainda mais salobras? Um amigo me conta que atende um cara que é assim. Onde puder botar uma pilha, armar um barraco, criar um problema, é lá que ele mete a pata de elefante. Se puder enviar um e-mail mais ríspido, levantar a voz ao telefone, copiar um monte de gente na correspondência eletrônica malcriada (como quem chama platéia para uma briga na saída do colégio), é ali que ele descarrega suas más energias. Um sujeito desses é uma fonte constante de estresse para todo mundo: quem trabalha com ele, quem é seu fornecedor, para quem tem de conviver com ele. No final, é um ser que sofre. Que vai estar sempre sozinho e mal amado. Mas, pelo tanto que espalha de sofrimento e insatisfação ao seu redor, ser infeliz é apenas uma obrigação sua.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="mso-tab-count: 1">                    </span></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">O bacana é que a escolha é dele. E é nossa. Dá para mudar. Você quer causar ojeriza ou admiração? Você quer atrair ou repelir pessoas? Nos momentos de crise, você pode ser visto como uma tábua de equilíbrio e de simpatia em meio ao fandango. Mas também pode ficar marcado como aquele sujeito que não agüentou a barra e surtou, espalhando chocolate para todo lado. A contribuição que você dará ao mundo é, sempre, uma escolha sua.</span></p></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Demissão no fim de dezembro (2)]]></title>

<pubDate>Sex, 12 Dez 2008 17:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081212_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[Quem sempre teve um emprego, e quem sempre vivenciou uma carreira ascendente, ou dentro da mesma empresa, ou sendo disputado por algumas delas, saltitando escada acima na vida profissional como um atleta de parkour, acaba desenvolvendo uma idéia falsa de segurança. Acaba criando e ficando dependente de uma noção de conforto que é ilusória. Um bom amigo que fiz esses dias, executivo experiente, disse bem: quando a fumaça está sempre ali, ano após ano, depois de muitos anos, você acaba acreditando que o estado dela é sólido e que ela vai durar para sempre. A frase não foi exatamente essa mas é isso que ele quis dizer: ter um emprego numa grande empresa, ter carro e celular da empresa, bons benefícios e bônus no final do ano, ser elogio e até mesmo ter uma performance superior não é garantia de absolutamente nada.<br /><br /></b />Basta uma demissão, seja um pé na bunda que a empresa lhe dá ou um pé na bunda que você dá na empresa, para que aquela ilusão de dissipe. E de maneira abrupta. O emprego pertence à companhia, não pertence a você. Aquele cargo não é seu: ele apenas está com você. A corporação pode reclamá-lo de volta a hora que bem entender. Ou então a empresa em que você é um astro, uma celebridade, um ídolo, é comprada por outra, em cuja cultura você não se encaixa, e você dança. Ou então seu chefe ou o chefe dele (ou os dois) é demitido e todo mundo que pertencia àquela linha genética acaba tendo que sair mais cedo ou mais tarde, porque o novo boss tem outras idéias e gosta de outro tipo de gente. Ou então é você que vê expirar aquele projeto, que vê findar o seu ciclo produtivo dentro daquela organização. Enfim, há mil motivos para que a sua tranqüilidade vá para o espaço de uma hora para outra. Eu não sabia disso. Ou, como quase todo mundo, sabia mas não enxergava, não queria enxergar, com essa clareza.<br /><br />No fundo, a grande aprendizagem que emerge disso tudo é que não há nada seguro nesta vida. Nada está garantido. A luta é diária. Os riscos não cessam de brotar. (Opa, pode citar verso do Caetano?) Ainda mais nesses tempos bicudos que se avizinham. Eu tomei um tombo só na carreira. E foi o que bastou para que eu percebesse que segurança e conforto no mundo do trabalho são abstrações. Não existem de verdade. Nem dentro de uma grande corporação, como executivo (qualquer sexta-feira nublada um idiota qualquer ou um FDP agraciado com poder pode lhe chamar na sua sala refrigerada e lhe passar uma injustíssima rasteira. E também não há segurança alguma para quem está solto no mundo, como empresário, sem crachá, sem benefícios, sem grana certa entrando todo dia 30.<br /><br />Ainda estou me recuperando desta percepção dura da realidade como ela é: nada está ganho, nada está certo, a gente tem que achar disposição todo dia para construir uma obra, um presente, um futuro, seja em carreira solo ou trabalhando para alguém. Mãos à obra.]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Demissão no fim de dezembro]]></title>

<pubDate>Sex, 12 Dez 2008 11:41:27 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081212_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Um amigo me escreve dizendo que acaba de pedir demissão. Sai junto com as férias coletivas de fim-de-ano para não mais voltar. Todo mundo pimpão com um panetone ou um peru dado pelo patrão debaixo do braço e ele, em meio à massa, sorrindo mais sincero do que todos os outros, saindo com os seus badulaques de escritório dentro de uma caixa de papelão. Todo mundo feliz por ainda estar empregado em meio a essa crise de medo que cresce como espuma em volta da gente e ele feliz por não ter mais aquele emprego, por não estar mais ligado àquela empresa, por não precisar mais viver aquele dia-a-dia. Tinha mais de 20 anos naquela companhia. </span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Pergunto a ele, tateando, como tudo aconteceu. Na verdade, minha vontade é perguntar: &quot;por quê?&quot;. Mas não quero dar a impressão de que estou espantado com a sua coragem de remar tão corajosamente contra a maré. Ele me diz que duas coisas o levaram a tomar essa decisão: &quot;eu tinha um emprego desejado por muitos, ganhava um bom salário mas não estava feliz&quot;. E &quot;eu sabia que poderia realizar muito mais do que estava produzindo ali&quot;. Então comecei a sentir uma admiração enorme por ele e por seu gesto. Ele não estava eufórico. Sabia dos riscos que estava assumindo. Mas estava contente por conseguir assumi-los, por não ter se deixado paralisar pela paúra ou pela inércia numa posição que não o satisfazia mais. Ode a todos aqueles que têm estofo e tino para se mover sempre em direção à felicidade. Ode aos que têm consciência de que a vida é muita curta para a desperdiçarmos em situações que sabemos estarem muito longe de serem as ideais. Ainda que quem caminhe possa sempre tomar um tombo, ainda que toda nova jornada tenha sempre a sua dose de incerteza, a pior queda é não sair do lugar, o pior revés é a segurança deletéria de quem se sabe infeliz e subaproveitado e não faz nada para mudar a situação. </span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ao final ele me diz: &quot;Tô na pista&quot;. Bem-vindo, irmão. Estamos todos.</span> </p><p /><p> </p><p /><p> </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A crise dos 40]]></title>

<pubDate>Qui, 11 Dez 2008 16:29:03 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081211_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Deu ontem em todo lugar: Keanu Reeves, o astro de Matrix, revelou que fez tratamento psicológico para superar o fato de que agora tem 40 anos. Sei lá, vai ver que o cara já não está se sentindo tão Neo assim. Eu estou precisamente a dois anos de romper esta marca. Ainda não me bateu nenhum vento funesto por conta disso. Não sei se Keanu vai ter tempo de ler este post, entre uma garota e outra, e com os shows da sua banda Dogstar, mas gostaria de dividir com ele um pouco do jeito como eu enxergo minha própria progressão nessa estrada que vai dar em nada. Saber que não se está sozinho é sempre reconfortante. (Ah, sim. Citei ali atrás um belo verso do Gil, de &quot;Se Eu Quiser Falar Com Deus&quot;. Que também foi composto, num exemplo de paralelismo artístico, pelo Talking Heads: &quot;We´re on a road to nowhere&quot;. Mas, bem, divago.) </span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Completar 40 é mais ou menos chegar à metade da vida. Pelo menos, imagino eu, da vida útil, aquela em que você ainda consegue ter uma ereção, jogar uma pelada de vez em quando e tomar sopa sem babar no pulôver. E isso é de fato um pouco assustador. Há pouco tempo eu era uma jovem promessa na casa dos 20. Depois um rising star na casa dos 30. Agora estou a 25 meses de virar quarentão. Este ano em que vivi meus 37 anos começou para mim em Copacabana, com meus filhos no colo, assustados com o foguetório. Era executivo de uma grande empresa que tinha me tirado um ano antes da zona de conforto, de uma trajetória sólida em São Paulo e me levado para um desafio bacana no Rio. Quarenta dias depois daquele reveillon eu já estava fora. Ficar menos de dois anos no emprego geralmente significa um belo fail, tanto para o profissional que topou o salto quanto para a empresa que o convidou a saltar. Essa é uma história interessante e educativa que eu pretendo contar um dia aqui no blog. Ascensão e queda de um sonho. Ou: como eu não vi onde estava me metendo. Enfim. Me despedi do Rio até o comecinho de março, o que incluiu um desfile no Carnaval, minha estréia na Sapucaí, pela grande Beija-Flor, que acabou ficando com o caneco.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">De volta a São Paulo, fiz o que todo executivo faz quando não está trabalhando: procurei trabalho. E trabalho na forma como eu o conhecia: emprego. Conversa aqui, conversa ali, proposta se construindo num lado, nem tanto de outro, aquele namoro todo, conversas com headhunters e com candidatos a chefe, quando de repente toca o telefone e do outro lado aparece um convite para empreender. Trazer ao Brasil o segundo site mais influente do mundo, segundo o ranking do Technorati. Abrir uma empresa, aprender a viver sem crachá, ter funcionários que dependem de você. Eu estava em busca de um projeto legal, para engatar um novo ciclo de realizações, e um projeto sensacional se apresentou a mim. Só que fora de uma grande empresa. Num ambiente e numa situação que eu jamais havia experimentado. Sem ninguém para tomar conta de mim. Sem crachá e sem holerite. Então, caro Mr. Reeves, é assim que termino 2008, às vésperas de completar 38 verões: empresário. Empresário de um negócio de internet. Publisher. E um publisher digital. Uau. Que frio na barriga.</span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Não sei o que me reserva 2009. Dizem que os ventos não serão tão bons. Muito menos 2010, quando estarei com 39. Se tudo correr bem, estarei entrando com o pé direito na idade madura. No ápice da vida adulta. Se nada der certo, vou ligar para você, Keanu, e pedir o telefone do seu analista. E dinheiro emprestado para a consulta.</span></p><p /><p /><p />]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Ocupe-se. E então deixe de se preocupar]]></title>

<pubDate>Qui, 11 Dez 2008 10:50:03 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081211_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ah, os budistas... vem deles a sabedoria de buscar ter a mente sempre serena e centrada no presente. Sem deixá-la trancafiada no passado e sem também teletransportá-la ao futuro. Isso me pega frontalmente porque dois dos meus hábitos mentais mais perversos são sentir saudade (viver no passado) e ficar ansioso em relação ao que está por vir (viver no futuro). Como eu sofro com isso. A imensa dor das coisas que não voltam mais (se não me engano, esta bela frase é do Rubem Braga), de um lado, e o desgaste de antecipar eventos que talvez nem venham a acontecer, de outro. Consegui esses parir um texto que define bem a análise que faço da nostalgia, de como ela funciona em minha vida e em minha mente, daquilo que imagino que ela represente para mim - e para outros tantos seres melancólicos - em termos psicanalíticos. Vou publicá-lo aqui no blog, prometo. Já o vício da ansiedade antecipatória é simples de reconhecer como um comportamento malfazejo. E um troço complicadíssimo de resolver. Ao menos para mim. Racionalmente, compreendo perfeitamente que esse funcionamento não faz sentido. Na prática, no dia-a-dia, no entanto, é uma luta não se deixar abusar e machucar por ele.</span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Preocupar-se é ocupar-se de uma coisa previamente. Quando se trata de um problema, isto significa sofrer duas vezes. Uma antes de o imbróglio existir de fato e outra depois que ele se apresenta de modo concreto. Poucas vezes antecipar-se ao problema impede que ele aconteça. Nesses casos, a preocupação consegue fazer um certo sentido. E, quando acontece, ainda que raramente, isto serve como combustível para que decretemos: &quot;preciso me preocupar mais com as coisas para que ela não dêem errado&quot;. Tatuamos na testa a frase do Andy Grove, ex-CEO da Intel, que foi retirado da vida corporativa por um câncer no final dos anos 90: &quot;Só os paranóicos sobrevivem&quot;. E dá-lhe double-checks em cima de double-checks, follow-ups trevisados, agendas cheias de to-do lists, de tarefas a delegar. Só que, na maioria das vezes, a antecipação não é producente. A única coisa que ela produz de verdade são quantidades industriais de suco gástrico. Quando o problema que antecipamos não acontece de fato, ou acontece modificado, com cores e formas que não aquelas com as quais nos ocupamos antes da hora, a antecipação expõe com toda clareza a sua face inócua. Porque você sofreu de véspera com algo que sequer veio a acontecer.</span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span></p><p /><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Bom mesmo seria viver o presente. Enfocar o momento. Um dia atrás do outro. No máximo, contemplar a semana. Resolver as coisas uma a uma. Com a atenção e a tranqüilidade de quem faz uma coisa de cada vez. Remover os obstáculos quando eles existem de fato. Somente quando houvesse a certeza de que não são criações de nossas mentes frenéticas. Na hora de comer, comer. Na hora de dormir, dormir. Na hora de brincar com os filhos, estar com eles 200%. Na hora de trabalhar, dedicar-se com afinco e denodo. Na hora de namorar sua mulher, mostrar a ela que não há mais ninguém no mundo naquele momento.</span></p><p /><p> </p><p /><p> </p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Você sofre de BIP?]]></title>

<pubDate>Qua, 10 Dez 2008 17:00:00 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081210_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[A BIP é uma síndrome que se traduz assim: a Busca Incansável do Problema. Ouvi isso há uns dez anos, de José Roberto Guzzo, o jornalista que pegou a Veja vendendo pouco mais de 100 mil exemplares, em meados dos anos 70, e deixou a revista com circulação superior a 1 milhão pouco mais de uma década depois. Não sei se é criação dele ou se ele apenas citou alguém. Não importa. O conceito é perfeito para definir aquelas pessoas que decretam a si mesmas que jamais terão sossego na vida. Tem muita gente assim. Gente que não consegue relaxar nunca. As coisas simplesmente não podem estar razoavelmente certas no dia-a-dia do sujeito. Se ele ou ela estão em paz com o mundo, é porque alguma coisa está errada. Talvez alguma coisa muito errada que não esteja sendo percebida no momento e que vá gerar estragos de proporções catastróficas ali na frente. Aí o sujeito levanta da poltrona e já sai de olho esbugalhado em busca de um problema.<br><br>Talvez isso tenha a ver um pouco com a famigerada culpa cristã. Funciona assim: se você não está se sentindo infeliz, trate de encontrar alguma fonte de infelicidade para justificar seu pranto. Porque é preciso prantear, sempre, a todo momento. Só que jogar a responsabilidade do que acontece com a gente na nossa velha culpa cristã é mais ou menos como culpar nossos pais pelos nossos problemas. É fácil e é inútil. Não resolve nada. Por mais que haja alguma justificativa aqui e ali para essa postura, ela não ataca o problema e nem mira onde ele e a sua respectiva solução realmente estão: dentro em você. Trabalhei com uma moça que era exata e irritantemente assim: trazia 20 abacaxis por dia e os derrubava por sobre a minha mesa. Eu descascava o lote pacientemente com ele. E no dia seguinte ela trazia mais 20 espinhos. Ela ainda hoje é o exemplo mais bem acabado de BIP que eu já encontrei. Uma junkie viciada em perrengues e dificuldades. Os problemas, é claro, eram todos alheios a ela. Ela era só a vítima. Ou então o seu teatro nem era assim tão sincero, nem refletia tanto angústias genuínas, e servia mais para que ela pudesse deixar de trabalhar, obstaculizando a sua agenda com mil empecilhos, tanto reais quanto fictícios. Um pouco como fazem nossos augustos lá em Brasília quando decidem ferrar a vida de seus colegas e do país.]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Abaixo a arrogância!]]></title>

<pubDate>Qua, 10 Dez 2008 13:35:34 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081210_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ontem um menino talentoso que trabalha com publicidade online e que acaba de trocar de agência (é impressionante como essa turma troca de emprego: num mesmo ano podem trabalhar em quatro ou cinco lugares diferentes) me disse que está agora atendendo a um cliente grande, empresa global, marca glamourosa e trend-setter. Eu lhe perguntei como estava a vida, imaginando que estivesse ótima. O mercado de mídia online, e de internet em geral, é uma onda colossal que já começa a chegar na arrebentação. E aí rola um fenômeno engraçado: os surfistas tradicionais, acostumados a galgar os vagalhões do mundo offline, não sabem surfar direito essas ondas novas. E os surfistas novos, que já nasceram com as pranchas adaptadas a esses novos tempos, são de modo geral muito jovens, inexperientes e avessos a alguns princípios básicos do mundo dos negócios, que estabelecem, digamos, a boa governança das relações entre clientes e fornecedores em qualquer mercado. Então, gente de internet que é realmente talentosa e entende do riscado acaba sendo disputada a tapa por agências, anunciantes e veículos. É o caso desse menino.<p /></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Ele me disse que a vida não estava tão boa quanto esperava. Que o cliente era arrogante. E que isso prejudicava tudo, matava o relacionamento na raiz. Aí se abriu à minha frente uma tela de 60 polegadas imaginária e eu comecei a ver um filme. Executivos e executivas, jovens ou maduros, que se embutem de inacreditável soberba ao gerenciarem determinada marca, seja ela tradicional, líder de mercado ou uma love brand. Como se eles fossem o próprio produto, com selo de aprovação na testa e código de barras no traseiro. Como se exigissem que a adoração que as pessoas têm pela marca tivesse que ser forçosamente oferecida a eles também, como reverência. Como se fossem uma espécie de personificação opressiva da empresa. Ou como se fossem os donos dela. É comum, aliás, que a empáfia de subordinados não se reflita nos patrões. É aquele diretor que se reveste de uma solenidade que o próprio contolador não tem. Ou aquela secretária que usa e abusa do poder e do cargo do seu chefe de um modo que nem o seu chefe faz.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span> </p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">No fundo, isso tudo tem a ver com insegurança. Bill Gates só foi ao longo de sua vida corporativa aquela flor de tranqüilidade porque se conhece, está bastante seguro a respeito de suas próprias competências e capacidades, e sabe que não tem que provar para ninguém. A humildade, em contraposição à arrogância, é a um só tempo um quesito básico de maturidade e uma das maiores virtudes para qualquer executivo. Só conseguimos deixar os outros em paz quando estamos em paz com nossos piores cobradores, detratores e adversários: nós mesmos.</span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A inimiga de todas as horas (2)]]></title>

<pubDate>Ter, 09 Dez 2008 19:52:09 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081209_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Um ponto central da ansiedade, para quem é ansioso como eu, é essa sanha de controlar as coisas. O sujeito controlador é um ansioso crítico e um ansioso crônico. Deveria ser levado a escolas primárias e mostrado como exemplo às crianças do que não fazer. (Eis-me aqui um candidato!) O controlador quer pôr ordem no mundo, nas coisas, nas pessoas. Uma ordem estática, perfeita, que não existe na natureza e nem em lugar algum. Mas que fica queimando na cabeça e no estômago do sujeito como se a sua existência fosse condição fundamental de felicidade. O ansioso é o sujeito que quer ter tudo sob controle. Nenhum risco, nenhum imprevisto, nada que não esteja absolutamente dominado. Trata-se de uma mania de deixar todos os livros perfeitamente organizados na estante antes de dormir. De não conseguir pegar no sono enquanto os títulos não estiverem todos arrumados em ordem decrescente de sobrenome de autores. Nada contra. Exceto pelo fato de que esse é um projeto impossível. Suicida. E inútil. A vida é feita de centenas de prateleiras que estão sempre em movimento. Elas surgem e desaparecem a todo momento à nossa frente. Tão importante quanto ter algum controle sobre os vários escaninhos da nossa vida, de modo a poder lidar minimamente com eles, é aprender a lidar com as surpresas, com as não-garantias, com as ausências de certeza, com o tremendo desconforto de saber que não temos a rigor controle sobre nada, com o quinhão de caos que nos orbita todos os dias.</span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"></span><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p> </p></span></p><p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">No final, escrevi tudo isso, claro, você já percebeu, porque digladio diariamente com a ansiedade. Então é provável que a gente ainda venha a falar um bocado disso por aqui. É um dos fantasmas que mais me machuca. Há outros. Você vai se divertir com as catarses coletivas que vamos proporcionar juntos aqui, antes, durante e depois do expediente. Só que também é verdade que discorri sobre a loba porque ela está por trás de um troço que eu aprendi a detestar recentemente: aqueles e-mails que vêm com pedidos de confirmação automática. É o cúmulo do controle. O sujeito precisa saber se o outro realmente abriu seu e-mail. E a hora exata em que o fez. E aí deve ficar olhando para o relógio e pensando: Por que não responde logo? Algumas dessas confirmações são bem engraçadas. Dizem assim: Fulano de tal abriu sua mensagem na hora tal. Mas não significa que ele tenha lido, compreendido ou concordado com o seu conteúdo. Ao ler isso, imagino que o controlador tenha que controlar, na verdade, o ímpeto de se atirar pela janela. Eu ainda não cheguei a esse ponto. Não envio pedidos de confirmação e assim contribuo não apenas com um volume menor de informações inúteis rolando na rede mas também com a minha própria saúde física e mental.<p /></span></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[A inimiga de todas as horas]]></title>

<pubDate>Ter, 09 Dez 2008 16:20:54 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081209_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">A ansiedade é uma companheira inevitável. Sei lá se é mesmo um fenômeno só destes dias eletroeletrônicos  ou digitais  que a gente vive ou se sempre foi assim. Minha aposta é que a ansiedade é um traço humano. Uma resposta natural ao fato cruel de que a vida da gente é curta e passa rápido demais. Sempre foi assim e sempre será. Homenzinhos como você e eu correndo contra o tempo, em direção ao fim. Então não importa se a vida ao redor é mais lenta, como era no século 18, ou se é frenética, como tem sido da década de 1990 para cá. O problema é o dínamo anti-morte, contrafóbico, que a gente carrega aqui dentro, alojado no peito, e que nos joga à frente, em louca cavalgada.</span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">A resposta típica do século 21 a esta insuportável certeza de que não vamos existir por muito mais tempo é acelerar. O sujeito anda a 180 km/h, fundindo seu motor, e ainda assim tem crises de consciência por estar andando pouco, assolado pelo constante sentimento de culpa de estar fazendo sempre menos do que aquilo que imagina que seria o seu dever. A ansiedade é um negócio tão brabo que detona o sujeito tanto pela velocidade, quando ele começa a se desintegrar em pleno vôo, quanto pela apatia, quanto o sujeito está aparentemente tranqüilo, sem nenhum incêndio para apagar, sem nenhuma grande responsabilidade a cumprir, e sente sorrateiramente o coração descarrilar do seu ritmo. Pois é. Tudo o que a gente quer é parar. E quando pára, não agüenta a estagnação, o sentimento de que está ficando para trás enquanto o mundo continua girando, histérico, para o alto e avante.</span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><p /></span></font></p><p class="MsoNormal"><font face="Arial" size="2"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">Quando estacionar, descansar, jogar conversa fora, reduzir a marcha, curtir a paisagem, perder tempo com pequenos e grandes prazeres, dar a si mesmo e a tudo ao redor o tempo devido, fazer nada se tornam práticas insuportáveis, saiba que isso é apenas a ansiedade operando outra vez sua mágica funesta.<p /></span></font></p>]]></description>

</item>
<item>
<title><![CDATA[Talvez você se lembre]]></title>

<pubDate>Seg, 08 Dez 2008 17:42:09 -0300</pubDate>
<link>http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/20081208_listar_dia.shtml</link>
<description><![CDATA[É muito bom estar de volta. Exame será sempre para mim a porta de entrada para o jornalismo e para a indústria da mídia. Talvez você se lembre. Era o ano de 1995 e eu fazia MBA na Universidade de Kyoto, no Japão. Numa visita acadêmica à planta de Aichi, da Toyota, em Nagoya, conheci a linha de montagem onde o sistema Just In Time foi inventado. Aquilo foi como conhecer o laboratório onde a fórmula da Coca-Cola foi criada ou a garagem original de Steve Jobs. Contei a história num artigo, que a Exame publicou em janeiro de 1996. A partir daí, até o final do meu período de estudos no Japão, em fevereiro de 1998, foram quase 50 artigos e ensaios estampados na melhor e mais influente revista de negócios do país. Talvez você tenha lido algum. Aí fui contratado. Em abril de 1998 subi pela primeira vez o elevador do prédio da Abril para assumir o posto de diretor de marketing do Grupo Exame, que na época enfeixava a Info e a Vip. (Acredite: a Vip nasceu da Exame!) Eu já era esse híbrido de editor e de homem de negócios que me define até hoje. Meu primeiro trabalho foi lançar a Você S.A. Meu último trabalho foi lançar a Revista da Web!, lembra dela? Entre uma coisa e outra, criei as seções Painel Executivo e Educação Executiva, que estão na Exame até hoje, e decidi que queria virar jornalista em tempo integral.<br /><br />Em meados de 1999, passei o bastão do marketing adiante e virei editor-sênior da Exame. Trabalhei um ano totalmente focado em produzir e editar bom conteúdo. Depois fui ser diretor de redação da Superinteressante - mas essa é uma outra história . A Exame naquela virada de milênio era uma usina de inteligência editorial e agressividade comercial. Nas reuniões de pauta, tínhamos José Roberto Guzzo, diretor-superintendende do Grupo, numa das cabeceiras, e Paulo Nogueira, diretor editorial, na outra. Os dois melhores jornalistas de suas respectivas gerações, a meu ver. Aquele foi meu MBA em jornalismo: foco, clareza, ousadia, estilo, a grande arte de separar o que importa do que é só espuma, de enxergar a relevância onde ninguém vê nada e de descartar gritarias que são perfeitamente vazias de sentido e lógica. Entre as duas pontas da mesa, um brilhante time de jovens jornalistas: Claudia Vassallo, hoje diretora de redação da Exame, que era a principal repórter da revista, mais Helio Gurovitz, David Cohen, André Lahoz, Alfredo Ogawa, entre outros. O brilho acontecia fora do núcleo editorial também. Jairo Mendes Leal, hoje presidente executivo da Abril, era diretor administrativo-financeiro do Grupo. Na publicidade tinha o impagável Claudinho Ferreira. E, inventando a área de projetos especiais na Abril, o grande Alexandre Caldini.<br /><br />Agora estou de volta. Para blogar na Exame. O editor destas plagas digitais, Serginho Teixeira, me deixou bem livre. Minha missão é trazer para cá reflexões, insights, questões, provocações sobre essa vida que nos cabe viver como executivos, como empreendedores, como profissionais que fazem o capitalismo brasileiro versão 2009/2010. Somos uma turma que trabalha 12 horas por dia, perde mais quatro no trânsito, atua num mercado competitivo, em constante ebulição. Estamos no segundo casamento (no mínimo), temos dois celulares (no mínimo), vivemos culpados por ficar pouco tempo com os filhos, tentamos fazer academia para não criar barriga nem infartar cedo demais. <br /><br />Para mim, estar aqui é um ciclo belíssimo que recomeça. É uma honra que me enche de orgulho e de responsabilidade. Tenho muita coisa para contar. E gostaria de ouvir de você também. A gente se fala. ]]></description>

</item>
  
				 
				 
</channel>
</rss>