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[ Post de sexta ] Uma explicação, por favor
Por Adriano Silva | 06/11/2009 - 19:22

Eu sei, eu sei, isso é totalmente [ Off Topic ], aqui não é lugar para ficar falando de futebol. Mas essa reta final do Brasileirão está sendo emocionante e reveladora. E, sim, às 19h desta sexta calorenta em São Paulo, talvez possamos abrir uma pequena exceção.

Ontem, na minha pelada, em que jogam comigo grandes craques, como Arnaldo Ribeiro e Rogério Andrade, da Placar, Maurício Ribeiro, da Runner's e Maurício Teixeira, do Ig, que são, além de tudo, luminares do jornalismo futebolístico brasileiro, verdadeiras sumidades dos gramados naturais e sintéticos, eu ofereci 50 reais a quem me explicasse o que aconteceu com o Inter nesse Brasileiro. Porque eu, honestamente, não consigo entender.

Eis o que eu bradava aos céus, diante dos companheiros de batalha campal e de churrascos redentórios: Como pode o time com a melhor campanha do primeiro turno fazer a pior do segundo? Como pode um time estar a dois ou três pontos do líder, depois de já ter estado a nove, e diante da terceira ou quarta chance de ganhar esse campeonato, perder em casa para um adversário que é sério candidato ao rebaixamento? Como pode um time tomar gol de bola parada depois dos 40 minutos? Como pode um time ceder o empate, jogando em casa, depois de abrir 2 a 0 sobre o adversário? Será que entre os jogadores ninguém fica com o radinho ligado, ninguém passa os olhos nos jornais, e grita para o grupo: "Ei, cambada, agora é a nossa hora, está para nós, vambora ganhar essa bagaça, cacete?" O que aconteceu esse ano não pode ser explicado pelos altos e baixos do campeonato mais disputado do mundo, nem pelas fases que todo time passa, nem pelas injustiças que toram o ludopédio um esporte tão fascinante. Será que as estrelas estão com os salários atrasados? Será que estão boicotando o técnico? Será que o grupo está rachado, cheio de maus elementos? Será que as vedetes estão fazendo corpo mole a mando de empresários cujas contas passam longe do que passa no coração da torcida? Mas que ganhos podem ter com isso? O que perder um campeonato vexatoriamente pode lhes acrescentar? Será que não percebem que quem está na berlinda, com a cara a bater, diante da torcida, nas ruas, nos shoppings, na imprensa, diante dos demais clubes no Brasil e fora dele, são eles mesmos?

Aí um amigo meu, palmeirense, que sabe que eu sou colorado, me perguntou, depois da minha longa exasperação: "Você está falando do Palmeiras?" E rimos juntos.

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[ Spam da semana ] Por que eu recebo isto?
Por Adriano Silva | 06/11/2009 - 18:53

Meu amigo ingênuo, minha amiga ingênua. Estão a fim de duplicar vossos desempenhos sexuais? Sei lá, sexta feira, findi chegando, quem sabe não é mesmo uma boa ideia?

O Vigor Force, devidamente registrado no Ministério da Saúde, notem que interessante, mistura Guaraná e Açaí para oferecer a você o que a vida tem de melhor: sexo de qualidade, galopante, animado.

Estou chegando aos 40 e costumo me deparar com sexo e sono em posições opostas. Hmmm. Uma transa ou uma soneca? Vamos encarar uma trepidante sessão de sexo ou vamos dormir abraçadinhos? Esta, quero crer, é uma das grandes dicotomias do homem e da mulher modernos que chegam às dez da noite sem ainda terem conseguido fechar o notebook e sabem que precisam acordar às 6h no outro dia para levar as crianças à escola.

Vigor Force promete resolver isso de uma vez por todas. E a resposta certa é... sexo, claro! Chega de impotência, de falta de apetite, de cansaço físico e fadiga mental. Até insegurança ele resolve!

Hay que tener.

Até segunda!

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Sobre a impermanência de todas as coisas
Por Adriano Silva | 05/11/2009 - 12:08
Eu estava aqui pensando no Nei Lisboa. Você provavelmente não o conhece. O que é uma lástima para ele e para você também. Nei é um dos compositores, poetas, cantores mais legais de Porto Alegre. Como tantos escritores, músicos e artistas gaúchos, acabou não estourando no resto do Brasil. O Rio Grande do Sul tem um mercado próprio relativamente forte e o artista consegue sobreviver intramuros, sem a necessidade de desbancar-se para São Paulo e Rio para acontecer. O sujeito vira referência local, por mais universal que seja sua obra, e vai ficando. 
 
Estava ouvindo dois clássicos do Nei, Telhados de Paris e Baladas, num playlist que criei no You Tube com o apelido de MPG (Música Popular Gaúcha, que é como a gente chamava lá no Sul a música regional urbana e não a música regional campeira, nativista. Mas, ei, tenho um playlist dessa lavra também!). E pensava em como estaria o Nei às barbas de 2010. Deve estar na casa dos 30 anos de carreira, dos 50 anos de vida. Será que consegue ainda viver da sua arte? A vida não é fácil para músicos com a morte do CD. Será que ainda consegue vender shows? Será que consegue ainda tocar na rádio? Será que ainda vive no Bonfim, num prédio tipicamente Redenção, inscrustado na Oswaldo Aranha, onde o entrevistei há quase 20 anos, quando eu ainda cursava Comunicação, ali perto?
 
Resolvi checar. Descobri que o Nei tem um site bem legal. Disponibiliza um aplicativo que dá acesso a todos os discos dele. E com uma ferramenta de Enquete divertidíssima. Descobri, na Agenda, que deve faz uns 4 shows por mês. Procurei o Nei no Twitter e não achei. Procurei o Nei no Facebook e achei. Meio escondidinho atrás de um avatar mesclando foto sua com a Mona Lisa, numa comunidade protegida, com 27 amigos. Fiquei feliz. Por vê-lo vivo. Adaptado ao novo ambiente. Que é o que, já ensinava Darwin, devem fazer todos aqueles que desejarem sobreviver. Com o mesmo wit, a mesma (auto)ironia de sempre. Fiquei feliz por entender que Nei ainda consegue sobreviver, sim, dignamente, da sua arte e do seu talento. E ainda sem a necessidade de ter que aparecer em programa dominical acéfalo de auditório para fazê-lo.
 
Meu olhar ao Nei era, no fundo, um olhar a mim mesmo. Que me reserva o futuro? Até quando conseguirei sobreviver com minha arte, com meu talento? Minhas competências tem prazo de validade? Pense em Suzy Rêgo, Carla Marins, Bia Seidl, para citar três atrizes que já habitaram o panteão da glória e que hoje simplesmente sumiram. Isso pode acontecer com qualquer um. Com profissionais, com empresas e negócios, com atletas e artistas, com parcerias estratégicas e parceiros comerciais. Tudo passa. All things must pass. Então desejo que você, caro leitor, fique vivo. E que fique bem. Como o Nei.
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Um presente que eu nunca esqueci
Por Adriano Silva | 02/11/2009 - 23:57
Hoje me lembrei do meu avô. Um italianão com jeito de bugre que nunca viu o mar e que nunca trabalhou para ninguém. Era eletricista com diploma do Instituto Universal Brasileiro - que ele emoldurou com gosto e pendurou na parede da sala até o fim da vida. Era o eletricista mais tradicional da pequena cidade de onde nunca arrastou pé. Me lembrei do meu avô ao chegar em casa agora à noite, depois de uma viagem de volta gostosa, macia, fechando um feriado maravilhoso. Sol, piscina, sono, comida, bebida, sorrisos, meus filhos por perto, felizes, minha mulher próxima, em finíssima sintonia, do jeito que eu... preciso. E paz de espírito para curtir tudo isso direito. Sem pressa, sem culpa, sem angústias, sem melancolia. Só boas sensações. Nenhuma emoção negativa zumbizando à volta.
 
Acho que meu avô sempre teve orgulho de mim. Nunca me disse isso com palavras, porque não era o seu estilo. Ou talvez tenha me dito isso umas poucas vezes. E eu, em respeito a ele, ou simplesmente sem saber como reagir diante daquele elogio direto, como que fingi não ouvir, deixei passar. Acho que meu avô me via voando numa altitude que jamais poderia supor para um neto a partir das suas próprias referências, de um homem com quatro anos de estudo formal, que havia sido peão, agricultor, dono de armazém de campanha num rincão remoto. Seja como for, ele era um torcedor incondicional. E acho que me era grato também. Talvez por eu não lhe trazer problemas. Por permitir a ele não ter de se preocupar comigo.
 
Meu avô tinha 40 anos em 1965. Então ele viveu a segunda metade da sua vida vendo seu mundo, que era regido por sólidas regras com séculos de hegemonia, se desintegrando à sua frente. Ele e seus contemporâneos tomaram ruptura em cima de ruptura das gerações subsequentes, em várias áreas fundamentais da vida. Do sexo à tecnologia, dos modelos familiares aos códigos de vestuário. Não deve ter sido fácil descer essa ladeira sem fim, vendo o que era certo virar incorreção e o que era absurdo se transformar em coisa corriqueira. Ainda assim, acho que meu avô navegou por essas águas turvas com boa dose de dignidade. E um dia ele me deu um presente de aniversário que eu nunca esqueci. Era o comecinho da década de 90, eu estava na faculdade de Comunicação e começava um pequeno negócio com um casal de colegas. Atuávamos como um estúdio de criação, fazendo um pouco de tudo, e trabalhávamos muito com video. Então, olhando aquilo à distância, mesmo sem compreender direito o nosso negócio, e ainda assim com grande fé no futuro daquele projeto, ele me presenteou com um video cassete. Eu não tinha um video cassete. Um video cassete, há coisa de 20 anos, acredite, custava bastante dinheiro. Meu avô me levou até a loja e me fez sair de lá com o melhor aparelho. Logo ele que, para si mesmo, sempre optava pelo item mais barato, deixava ali boa parte dos seus rendimentos. Raspava parte importante, imagino eu, das suas reservas.
 
Acho que nunca lhe agradeci suficientemente pela confiança, pelo investimento, pelo enorme gesto de carinho. O faço agora, nesses últimos minutos deste dia 2 de novembro. Obrigado, vô.
 
[ A foto é do Forte Dom Pedro II, em Caçapava do Sul, território do meu avô, arquétipo da minha infância ]
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[ Errata ] Alicerce é com cê
Por Adriano Silva | 01/11/2009 - 20:24

Amigos, açei..., digo, assei..., quer dizer, aceitem as minhas desculpas.

O erro é craç..., ou melhor, crasso.

Procurei abrigo para meu equívoco na etimologia, na grafia de palavras correlatas como "alicerçar" e não pude encontrar um único "s" por lá capaz de minimizar a minha mancada.

Então só me resta pedir desculpas mesmo. Baita desatenção, polvilhada com ignorância.

E eu que já estava meio deprimido com a derrota em casa do Inter e com o adeus colorado ao Brasileirão deste ano, fico com mais um motivo para me entregar a uma barra de Crunch como compensação emocional às amarguras deste final de domingo.

Em horas assim é que ter descoberto uma banda como The Lodger faz sentido. Música alegre, feliz, despretensiosa, ensolarada, para cima. Vou lá me carregar na tomada deles e já volto.

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Adriano Silva
Jornalista e publisher do Gizmodo Brasil. Ele escreve sobre perplexidades, descobertas e insights que acontecem todo dia no mundo do trabalho -- e fora dele também.
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