Ontem, publiquei aqui alguns highlights do censo agropecuário, divulgado pelo IBGE. Um leitor do blog cobrou comentários sobre a concentração de renda. Embora o estudo não trate especificamente da renda, acho importante olhar a questão da concentração de terras. O censo 2006 mostra que a estrutura fundiária permaneceu praticamente inalterada, em relação aos levantamentos de 1985 e 1995. Os estabelecimentos com mais de 1 000 hectares, que representam cerca de 1% do total das propriedades, ocupavam 43% da área total dedicada à agropecuária. Já os estabelecimentos com menos de 10 hectares (que equivalem a 47% do total de propriedades pesquisadas) detinham 2,7% da área total.
Para medir a concentração no campo, no entanto, o IBGE utilizou o índice de Gini, que mede desigualdade. Por esse parâmetro, a concentrou aumentou 1,9% em relação a 1995 - sendo que o maior crescimento foi verificado no estado de São Paulo. De acordo com o IBGE, a concentração ocorreu especialmente entre as propriedades médias - o que necessariamente não é uma coisa ruim. Nesse caso, terras que estavam sendo subutilizadas entram em produção - gerando riqueza e emprego. Melhor que terra parada e abandonada.