Implantar um projeto de papel e celulose não é uma tarefa fácil. Além da complexidade natural para construir qualquer empreendimento agroindustrial, cultivar extensas áreas de eucalipto costuma gerar muita polêmica. A Suzano Papel e Celulose tem chamado as organizações não-governamentais do Maranhão e do Piauí - estados onde serão construídas duas fábricas da empresa - para conversar. A ideia é explicar para ONGs (tanto locais como nacionais) como serão os projetos, englobando desde o impacto econômico até as compensações ambientais e sociais.
O objetivo da Suzano é reduzir a desinformação e derrubar as resistências, principalmente entre os ambientalistas. Já foram quatro encontros que reuniram cerca de 40 ONGs - entre elas, a WWF e a Conservação Internacional. "A maior preocupação nessas regiões é em relação aos recursos hídricos. Existe o mito que o eucalipto seca as áreas onde é cultivado", diz João Comério, diretor florestal da Suzano.
Já faz algum tempo que as empresas (não só as do agronegócio) passaram a considerar como estratégicas suas relações com as ONGs e afins. Comprar briga como uma organização não-governamental é garantia de conflitos com as comunidades em que atuam ou exposição negativa na mídia. Mas a questão é: será que as ONGs acabam convencidas?