Você teria um porco como animal de estimação? Bom, os ingleses têm. No Reino Unido, a moda é ter micro porcos como pets. O jogador de futebol David Beckham ganhou dois desses porquinhos da mulher, Victoria. A edição de ontem do jornal inglês Guardian trazia uma reportagem sobre uma fazenda que cria esses animais, com o sugestivo nome de The Little Pig Farm.
Jane Croft, dona da fazenda, afirma que os porquinhos são inteligentes (conseguem aprender o nome) e podem ser treinados - assim como os cães. A versão micro do animal foi obtida atráves de cruzamentos dos menores exemplares de três raças de suínos, processo que levou dois anos para ser concluído. Quando adulto, o porco pet chega a ter uma altura de 40 centímetros (o da foto é um recém nascido) e pode viver até 18 anos. A recomendação é que eles sejam criados em duplas, em casas com grandes jardins. Cada porquinho custa cerca de 700 libras (ou 2 000 reais). Croft afirma que quem quiser comprar um micro porco precisa comprovar condições para "adotá-lo". Afinal, esses porquinhos não são brinquedos.
Ontem, um comercial de 30 segundos na TV aberta me chamou a atenção. Dizia assim: "Se você planta cana, mas não tem usina. Ou cria gado, mas não tem frigorífico. Se você planta laranja e não exporta suco. Ou colhe soja e não vende torta ou óleo. Você sabe a diferença entre ser ruralista e representante do agronegócio. O ruralista movimenta a economia verde do Brasil. Enquanto o agronegócio fica com os lucros e o reconhecimento do governo." O filme de 30 segundos foi produzido pelo PTB e entrou na cota de inserções nacionais do partido.
O que surpreende no vídeo é a visão estreita defendida pelo PTB. Quem produz - qualquer coisa - precisa vender para alguém. E quanto mais estruturada é uma cadeia produtiva, maiores ganhos são divididos para todos os participantes. É claro que em alguns segmentos as relações entre fornecedores e indústrias são extremamente tensas - é só lembrar como andam as negociações no setor de laranja. Mas, mesmo quando a situação está desgastada, nenhuma das partes pode abrir mão da outra.
Veja aqui o filme do PTB que está no youtube.
PS: Antes do vídeo que mencionei, há outros dois filmes ambos sobre o fator previdenciário.
Implantar um projeto de papel e celulose não é uma tarefa fácil. Além da complexidade natural para construir qualquer empreendimento agroindustrial, cultivar extensas áreas de eucalipto costuma gerar muita polêmica. A Suzano Papel e Celulose tem chamado as organizações não-governamentais do Maranhão e do Piauí - estados onde serão construídas duas fábricas da empresa - para conversar. A ideia é explicar para ONGs (tanto locais como nacionais) como serão os projetos, englobando desde o impacto econômico até as compensações ambientais e sociais.
O objetivo da Suzano é reduzir a desinformação e derrubar as resistências, principalmente entre os ambientalistas. Já foram quatro encontros que reuniram cerca de 40 ONGs - entre elas, a WWF e a Conservação Internacional. "A maior preocupação nessas regiões é em relação aos recursos hídricos. Existe o mito que o eucalipto seca as áreas onde é cultivado", diz João Comério, diretor florestal da Suzano.
Já faz algum tempo que as empresas (não só as do agronegócio) passaram a considerar como estratégicas suas relações com as ONGs e afins. Comprar briga como uma organização não-governamental é garantia de conflitos com as comunidades em que atuam ou exposição negativa na mídia. Mas a questão é: será que as ONGs acabam convencidas?
Amanhã, terça-feira, a Confederação Nacional da Agricultura promete divulgar dados consolidados sobre os assentamentos rurais provenientes da reforma agrária. Aqui estão alguns highligths da pesquisa realizada pelo Ibope:
- 48% dos assentados não produzem o suficiente para sobreviver;
- 75% não têm acesso aos programas de crédito do governo;
- 46% compraram suas terras ilegalmente de terceiros.
Os dados não surpreendem, mas confirmam as suspeitas dos economistas agrícolas. Isso porque faltam dados sobre o desempenho econômicos dos assentamentos. O ministério do Desenvolvimento Agrário tem pouquíssimas informações disponíveis. Os movimentos sociais também não querem saber de contabilizar a eficiência (ou ineficiência) dos assentamentos. É claro que dados geram cobranças - mas acima de tudo dão parâmetros para se fazer melhor. Isso já acontece nas propriedades do agronegócio. Também poderia ser assim nos 80 milhões de hectares dedicados à reforma agrária no país.
Chegou ao fim hoje uma das mais bizarras invasões do MST a uma fazenda no interior de São Paulo. Depois de 8 dias de ocupação e 1 milhão de reais de prejuízo, cerca de 250 famílias deixaram a fazenda do grupo Cutrale, em Borebi. O movimento destruiu nada menos que 12 000 pés de laranja, máquinas agrícolas e instalações. Há dois dias foram divulgadas as imagens de militantes do MST passando um trator sobre fileiras e mais fileiras do laranjal de 5 anos de idade e em plena produção. As imagens chocaram. O próprio ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, classificou o episódio de grotesco. A punição: botar em banho-maria a atualização dos índices de produtividade. A medida é uma das principais bandeiras do movimento para ampliar o espectro de propriedades passíveis de desapropriação. Ou seja, a invasão seguida de destruição foi um tiro no próprio pé do movimento.
Há anos, o MST adotou a estratégia de invadir propriedades famosas (lembram da invasão de uma fazenda de FHC em Buritis?) para pressionar o Incra na desapropriação de fazendas que estariam de fato na mira do movimento. Isso porque uma medida provisória de 2000 determina que as propriedades invadidas tornam-se impedidas de seguir para a reforma agrária (desde o início do governo Lula há tentativas de burlar a MP). Ou seja, a destruição dos 12 000 pés de laranja foi puro vandalismo, uma vez que essa fazenda não poderia ser desapropriada - além do que a propriedade em questão é altamente produtiva. Mais um capítulo lamentável na novela em torno do MST. E você, leitor: o que acha das invasões dos sem-terras?