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Lições do passado

Cláudia Maria Bauzer Medeiros é uma das maiores especialistas em bancos de dados do Brasil. Professora do Instituto de Computação da Unicamp, Cláudia não entende nada de agricultura, mas está desenvolvendo um sistema que promete revolucionar o agronegócio. Batizado de E-Farms, o projeto financiado pela Microsoft e pela FAPESP tem dois objetivos: um é criar uma rede de comunicação em áreas rurais com pouca infra-estrutura. O segundo é desenvolver um sistema capaz de cruzar dados entre propriedades a partir de informações como clima, solo e produção. E é aí que está a novidade do projeto. A equipe da professora Cláudia está desenhando um software que vai gerenciar um grande banco de dados de imagens geradas por satélites. À medida que o banco for alimentado com imagens e informações de uma região, por exemplo, será possível observar o comportamento de padrões combinados. Imagine a seguinte a situação: faltou chuva em determinado ponto da safra. A partir das imagens e dados arquivados será possível saber o que acontecerá naquela propriedade ou como corrigir o problema antes da colheita, com base no que já aconteceu em outras fazendas da mesma área. "É olhar o passado para prever o futuro", diz a professora da Unicamp. Nessa fase piloto do projeto, a universidade fechou uma parceria com a Cooxupé, cooperativa de café que conta com 11 mil produtores em São Paulo e Minas Gerais. Uma vez que o sistema estiver operando serão os produtores e a cooperativa que abastecerão o software com informações, numa via de mão dupla.

Publicado em 21/11/2007 - 20:23


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Gás extra no álcool

A crise no gás natural está fazendo a alegria dos usineiros. A falta do GNV em postos do Rio de Janeiro e de São Paulo estimulou a venda de álcool para os carros triflex - aqueles que aceitam gasolina, gás e etanol. De acordo com a Ecoflex, trading que opera no mercado de biocombustíveis, o preço do álcool hidratado, que chegou a 650 reais o metro cúbico, está agora no patamar de 900 reais. A cotação estava tão baixa que o combustível chegou a ser comercializado abaixo do custo em locais como Minas Gerais, Goiás e Maranhão. O movimento de alta já era esperado com a chegada da entressafra, mas a redução do fornecimento de gás natural acelerou o aumento das cotações. E o consumidor pode esperar: o preço mais salgado vai chegar ligeiro nos postos de combustíveis.

Publicado em 13/11/2007 - 18:30


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A Cola-Cola das arábias

A Mecca-Cola, marca de refrigerantes que disputa mercados com as gigantes Coca e Pepsi no mundo árabe, quer fazer uma parceria com uma usina no Brasil. Grande consumidora de açúcar, a Mecca-Cola quer comprar diretamente dos brasileiros o que hoje ela negocia com os traders internacionais. Sediada em Dubai, a empresa comprou no ano passado 150 mil toneladas da commodity. Além do açúcar, o dono da Mecca-Cola, o tunisiano Taoufik Mathlouthi, quer expandir os negócios para a área de energia. "Vivo na terra do petróleo e agora quero investir no petróleo do futuro", diz ele, que pretende negociar etanol no Oriente Médio.

Mathlouthi veio ao Brasil para participar do Sugar Dinner, que aconteceu na semana passada em São Paulo, onde foi paparicado por usineiros e corretoras. É a terceira viagem do empresário ao país. No roteiro, Mathlouthi aproveitou para visitar quatro usinas no interior de São Paulo, entre elas a Colombo. Além da parceria com uma usina, Mathlouthi negocia uma joint-venture com uma empresa engarrafadora de refrigerantes no Rio de Janeiro - possivelmente, a Schincariol. A idéia é usar o Brasil como plataforma para exportações para a América Latina. Criada em 2002, a Mecca-Cola nasceu como uma forma de resistência à política externa americana. Parte dos lucros da empresa patrocina a causa palestina.

Em tempo: Mathlouthi é dono também da marca Mecca-Coffee, que comercializa cafés da Costa Rica e Etiópia no Oriente Médio. Ele também está de olho nos grãos brasileiros...


Publicado em 01/11/2007 - 12:20


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Fome de turfa

O apetite dos fundos estrangeiros pelo agronegócio brasileiro parece não ter limites. Não são apenas as usinas de cana-de-açúcar que chamam a atenção dos investidores de fora do país. Essa turma de endinheirados está à procura de empreendimentos em infra-estrutura, serviços e tecnologia para o setor agro. Recentemente, conversei com o consultor em agronegócios Marcos Françóia que me contou sobre o interesse de um fundo estrangeiro em investir um dinheirão em um negócio com turfa. Turfa? Não seria trufa de chocolate, pensei. Não. Descobri que a turfa é um composto vegetal, rico em ácidos orgânicos. Na natureza, a turfa é uma espécie de solo fossilizado que, em última instância, se transformaria em petróleo daqui a 10 milhões de anos. Na agricultura, o composto orgânico é usado como condicionador de solo, produto que aumenta a eficiência da aplicação de fertilizantes e defensivos. Conseqüentemente, ele gera uma economia de cerca de 15% com insumos agrícolas, além de vantagens ambientais como a ausência de resíduos no solo. Ainda pouco conhecido no Brasil (na Europa é bem mais comum), o produto tem despertado a cobiça dos investidores por dois motivos: as altas margens de lucros das empresas que processam a turfa e as grandes reservas brasileiras do composto, que ficam principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Já há investidores, por exemplo, interessados em comprar terras que tenham turfa no subsolo. Parece promissor ...


Publicado em 23/10/2007 - 20:04


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A euforia versus a realidade

Não faz muito tempo, os brasileiros tinham uma certa vergonha da sua história agrícola. Afinal, o campo era sinônimo de atraso, da falta de tecnologia e de produtividade. Era o retrato exacerbado da concentração de renda. E todo fazendeiro era um coronel tacanho que explorava a terra e aqueles que trabalhavam nela. De uns tempos para cá, o que se vê é justamente o contrário: a apologia ao agronegócio. O setor se transformou na salvação da balança comercial, representando mais de 95% do saldo das vendas externas do Brasil. A febre dos biocombustíveis, que tem trazido uma avalanche de dinheiro para o setor sucroalcooleiro, também tem contribuído para colocar o agronegócio sob os holofotes da prosperidade. Notem que todas as semanas surge um usineiro emergente que vai faturar uma bolada com o etanol. Mas existe uma euforia que não combina com a realidade. Os dados fresquinhos que a Confederação Nacional da Agricultura divulgou hoje mostram isso. A previsão é que o agronegócio brasileiro fature 567 bilhões de reais em 2007 - 5% a mais do que em 2006. O problema é que o agronegócio vai bem e o produtor vai mal, como diz o economista da CNA Ricardo Cotta. Boa parte da renda dos produtores está sendo corroída pelo aumento de custos com defensivos, fertilizantes e logística. Mas na ótica dos números, tudo vai de vento em popa.

É bom lembrar também que o setor está imerso em problemas sociais, ambientais, financeiros, de gestão. A boa notícia é que existe uma nova geração de empreendedores (e isso não tem nada a ver com a idade deles) que está tentando tornar o agronegócio cada mais negócio. Gente ligada em tecnologia, finanças e administração que está juntando as vantagens do campo brasileiro com processos mais eficientes de produção. A idéia de Mundo Agro é contar um pouco sobre essas experiências bem-sucedidas e falar democraticamente de diferentes segmentos do agronegócio brasileiro. E não apenas de cana, soja e carnes - o trio que concentra boa parte das atenções da mídia. Ok, haverá muitos comentários sobre esses setores também. Mas muita coisa está acontecendo por aí em diferentes regiões do Brasil que também merece a nossa atenção.


Publicado em 18/10/2007 - 20:16


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Fabiane Stefano é repórter de EXAME e escreve sobre o agronegócio

fstefano@abril.com.br





 
 
 
 

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