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MST: o tiro no próprio pé
Por Fabiane Stefano | 07/10/2009 - 19:50

Chegou ao fim hoje uma das mais bizarras invasões do MST a uma fazenda no interior de São Paulo. Depois de 8 dias de ocupação e 1 milhão de reais de prejuízo, cerca de 250 famílias deixaram a fazenda do grupo Cutrale, em Borebi. O movimento destruiu nada menos que 12 000 pés de laranja, máquinas agrícolas e instalações. Há dois dias foram divulgadas as imagens de militantes do MST passando um trator sobre fileiras e mais fileiras do laranjal de 5 anos de idade e em plena produção. As imagens chocaram. O próprio ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, classificou o episódio de grotesco. A punição: botar em banho-maria a atualização dos índices de produtividade. A medida é uma das principais bandeiras do movimento para ampliar o espectro de propriedades passíveis de desapropriação. Ou seja, a invasão seguida de destruição foi um tiro no próprio pé do movimento.

Há anos, o MST adotou a estratégia de invadir propriedades famosas (lembram da invasão de uma fazenda de FHC em Buritis?) para pressionar o Incra na desapropriação de fazendas que estariam de fato na mira do movimento. Isso porque uma medida provisória de 2000 determina que as propriedades invadidas tornam-se impedidas de seguir para a reforma agrária (desde o início do governo Lula há tentativas de burlar a MP). Ou seja, a destruição dos 12 000 pés de laranja foi puro vandalismo, uma vez que essa fazenda não poderia ser desapropriada - além do que a propriedade em questão é altamente produtiva. Mais um capítulo lamentável na novela em torno do MST. E você, leitor: o que acha das invasões dos sem-terras?

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Menor e mais produtivo - 2
Por Fabiane Stefano | 01/10/2009 - 23:47

Ontem, publiquei aqui alguns highlights do censo agropecuário, divulgado pelo IBGE. Um leitor do blog cobrou comentários sobre a concentração de renda. Embora o estudo não trate especificamente da renda, acho importante olhar a questão da concentração de terras. O censo 2006 mostra que a estrutura fundiária permaneceu praticamente inalterada, em relação aos levantamentos de 1985 e 1995. Os estabelecimentos com mais de 1 000 hectares, que representam cerca de 1% do total das propriedades, ocupavam 43% da área total dedicada à agropecuária. Já os estabelecimentos com menos de 10 hectares (que equivalem a 47% do total de propriedades pesquisadas) detinham 2,7% da área total.

Para medir a concentração no campo, no entanto, o IBGE utilizou o índice de Gini, que mede desigualdade. Por esse parâmetro, a concentrou aumentou 1,9% em relação a 1995 - sendo que o maior crescimento foi verificado no estado de São Paulo. De acordo com o IBGE, a concentração ocorreu especialmente entre as propriedades médias - o que necessariamente não é uma coisa ruim. Nesse caso, terras que estavam sendo subutilizadas entram em produção - gerando riqueza e emprego. Melhor que terra parada e abandonada.

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Menor e mais produtivo
Por Fabiane Stefano | 30/09/2009 - 23:53

 Depois de três anos, finalmente, o censo agropecuário foi divulgado. O levantamento produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística traz um retrato mais acurado das mudanças que o agronegócio nacional sofreu de 1996 a 2006. Nele, está o incrível avanço da soja no país, com um crescimento de 88% na produção - sendo que quase metade da safra foi de transgênicos em 2006. O rebanho nacional também cresceu 12% em relação ao último censo, registrando um total de 171,6 milhões de cabeças.

 

Um dado que chama a atenção é a redução de área para a agropecuária brasileira. Os 5,2 milhões de estabelecimentos rurais perderam uma área de 23,6 milhões de hectares, passando a ocupar quase 330 milhões de hectares - o que equivale a 36,75% do território nacional. Segundo o IBGE, uma das possíveis razões que explica essa diminuição foi o aumento das áreas de conservação de ambiental e de reservas indígenas, que juntas ganharam cerca de 60 milhões de hectares no período de 1996 a 2006.

 

No ano de 2006, o valor da produção dos estabelecimentos rurais foi de 147 bilhões de reais. Três setores do agronegócio nacional concentram quase 40% do valor da produção: soja, cana e pecuária bovina. Esta última é a principal atividade rural brasileira, identificada em mais de 30% das propriedades.

 

Ao mesmo tempo em que o censo mostra avanços importantes, ele também traz dados alarmantes. Cerca de 80% dos produtores agropecuários eram analfabetos ou não concluíram o ensino médio. Mais da metade das propriedades que utilizam agrotóxicos não recebeu orientação técnica para isso. Apenas 17% das propriedades tiveram acesso a algum tipo de financiamento. É o lado B de um dos setores mais importantes da economia brasileira.

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Internacionalização: só com dinheiro próprio
Por Fabiane Stefano | 28/09/2009 - 20:12

A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) divulgou hoje um trabalho que analisa a atuação das empresas do agronegócio nos investimentos diretos das companhias brasileiras no exterior. O trabalho focou em duas frentes: investimentos e acesso a mercados.

 

De acordo com o trabalho da Sobeet, mais da metade das empresas do agronegócio financia o processo de internacionalização com recursos próprios. Outras 38% se valem do mercado dívidas no exterior. Apenas 13% dessas companhias utilizam recursos do BNDES para expandir suas operações fora do Brasil.

 

No campo das dificuldades, a principal barreira para a internacionalização é a falta de acesso a canais de distribuição nos mercados internacionais. Também fazem parte da lista de dificuldades os entraves protecionistas, a elevada carga tributária e a falta de conhecimento dos mercados potenciais.

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Etanol de beterraba no Brasil
Por Fabiane Stefano | 23/09/2009 - 23:50

 Cosan, Dedini e Syngenta estão envolvidas num projeto inusitado: a produção de açúcar e etanol de beterraba.  Comum na Europa, o cultivo da beterraba açucareira não existe no Brasil (a hortaliça que se planta no país é menor e tem teor mais baixo de sacarose). O projeto nasceu a partir da constatação de que as usinas brasileiras operam apenas durante dois terços do ano. Nos quatro meses restantes, quando ocorre a entressafra da cana, a usina fica parada - em geral, em manutenção. A ideia das três empresas é desenvolver uma cultura capaz de produzir açúcar e álcool justamente no intervelo da cana.

A Syngenta trouxe para o Brasil 23 variedades da planta. Apenas duas se adaptaram ao clima tropical e foram testadas em campo. Em 2008, a primeira colheita de beterraba açucareira somou 500 toneladas - o que permitiu que uma das usinas da Cosan no interior de São Paulo rodasse com a planta por três horas. No final do ano, cerca de 1 000 toneladas farão parte de um novo teste.  Além de ocupar as usinas por mais tempo, a beterraba açúcareira é um tipo de cultura voltada para pequenas propriedades, o que seria uma alternativa de inclusão de pequenos agricultores no setor sucroalcooleiro.

 

Há mais de uma década a Syngenta pesquisa a versão tropicalizada da planta em diferentes regiões do planeta. Em 2008, o projeto recebeu um prêmio da Nações Unidas por incentivar a agricultura sustentável na área de bioenergia. A multinacional suíça já testou variedades da beterraba tropicalizada na Índia e na Colômbia. Nos experimentos brasileiros, enquanto a Syngenta se dedica à seleção das variedades, a Dedini adapta equipamentos à planta e a Cosan testa o processo produtivo.

O projeto é curioso sobretudo porque a produção do açúcar de beterraba na Europa só existe porque é bancada por generosos subsídios governamentais. Aqui, a ideia é que a beterraba seja também uma alternativa de rotação dos canaviais - em geral, soja e amendoim assumem esse papel. Será que no país da cana existe espaço para a beterraba açucareira?

 

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Fabiane Stefano
Repórter de EXAME e escreve sobre o agronegócio.
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