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Quem precisa da Europa agora?

Se depender do governo brasileiro, o embargo europeu à carne do Brasil vai durar muito tempo. Fontes do setor agropecuário dizem que o Ministério da Agricultura estaria fazendo corpo mole nas negociações com os órgãos europeus que lidam com o assunto. Não seria de interesse do governo brasileiro acelerar a reabertura do mercado europeu em um momento que falta gado para o abate. Isso porque restabelecer agora o fornecimento à União Européia só iria pressionar ainda mais o mercado doméstico. Hoje, o preço da arroba do boi em São Paulo está no patamar dos 90 reais e pode subir mais até o fim do ano. Os especialistas em inflação dizem que a carne bovina deve ser o item alimentício que mais deve pesar nos índices de preços ao consumidor no segundo semestre no país. Diante disso, não faria sentido ficar implorando acesso para carne brasileira nos países do bloco europeu.

Só há espaço para o pouco caso do governo brasileiro porque a demanda por alimentos no mundo é alta e a oferta, baixa. No caso da carne, Brasil, Estados Unidos e Austrália tiveram reduções de matéria-prima. A Argentina tem restrições para a exportação. É de se esperar, portanto, que a própria União Européia alivie as regras que limitam as vendas externas do Brasil. Se isso acontecer, será mais uma prova que toda a crise do embargo tinha mais a ver com o jogo do mercado internacional do que com a sanidade animal. Essa, aliás, continua na mesma - bem mal.


Publicado em 06/06/2008 - 21:03


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Cemil quer um sócio


A cooperativa mineira de laticínios Cemil contratou a consultoria Deloitte para estimar o valor dos ativos físicos e da marca de leite de mesmo nome. A iniciativa é uma reação à nova onda de aquisições no setor lácteo. Ninguém quer ser surpreendido por uma proposta e acabar vendendo barato o que vale muito mais. João Bosco Ferreira, presidente da cooperativa, disse que com o valor em mãos a cooperativa poderá sair em busca de um sócio. "Como não vamos abrir o capital em bolsa, precisamos capitalizar a cooperativa para crescer", explicou.

Hoje, o setor de laticínios está em pleno processo de consolidação o que deverá reduzir drasticamente o número de empresas no mercado. E quem não crescer corre o risco de ser engolido pelo concorrente. Hoje a Cemil engloba 4 cooperativas que juntas processam 600 mil litros de leite por dia. Se um novo sócio vier, Ferreira pretende tirar do papel o plano de construir uma fábrica de leite em pó no Nordeste. E quem sabe se tornar uma das grandes que devem sobrar nesse processo de consolidação dos laticínios brasileiros. Na próxima semana, a Deloitte deverá entregar o relatório com a avaliação do patrimônio da Cemil. Alguém se interessa em ser sócio da cooperativa mineira?


Publicado em 03/06/2008 - 17:35


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A crise dos alimentos e a carne brasileira

O ministro da Agricultura Reinhold Stephanes anunciou na segunda-feira (26) que a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) suspendeu o embargo de dez estados brasileiros que estavam proibidos de exportar carne. A liberação da OIE não muda em nada a vida dos frigoríficos que exportam para a União Européia, que continua importando carne de fazendas brasileiras selecionadas. A decisão do órgão tem mais a ver com o momento de altíssima demanda mundial de alimentos do que com o reconhecimento de mudanças no sistema de sanidade animal do Brasil. Nos últimos dois anos, a disparada nos preços das commodities agrícolas tem encarecido o custo de produção dos países que utilizem grãos - especialmente soja e milho - para alimentar os animais.


No Brasil, a maioria absoluta do gado é engordada no pasto. Nesse sentido, a carne brasileira pode conter uma parte do efeito inflacionário embutido no produto de países com pecuária que utiliza ração de grãos. E, sendo assim, a liberação da OIE auxilia nações que estão sofrendo com os aumentos dos preços da comida. A questão é, quando os mercados internacionais voltarem à normalidade, os governos estrangeiros vão continuar a tolerar os problemas de sanidade do Brasil? Isso porque - para ser otimista - pouca coisa mudou na sanidade animal do país nesses últimos meses. A sorte do Brasil é que ainda vai demorar um tempo para os preços internacionais arrefecerem. Portanto, temos uma demanda garantida por um tempo. Mas será que agora o Brasil vai fazer a tão prometida lição de casa? Vamos manter as esperanças.


Publicado em 26/05/2008 - 22:49


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Hillary contra o Friboi

O senso comum diz que democratas costumam ser mais protecionistas do que republicanos. Certo? A senadora Hillary Clinton, na disputa pela vaga democrata à Casa Branca, acabou de reforçar esse estigma. Na semana passada, a candidata afirmou no estado de Dakota do Sul que era contra a aquisição da Smithfield Foods pela brasileira JBS-Friboi. E disse que, se fosse presidente, aproveitaria as brechas da legislação agrícola para vetar a venda para a empresa brasileira, que depois de comprar a Swift nos Estados Unidos, se transformou na maior exportadora de carne do mundo. Hillary é contra a consolidação porque os Estados Unidos estão perdendo espaço no mercado global de carnes. Desde 2003, as exportações de carne dos EUA despencaram. O ex-ministro da Agricultura Marcus Vinícius Pratini de Moraes, agora presidente do comitê de estratégia global do Friboi, diz: "Pelo jeito, estamos incomodando bastante".


Publicado em 21/05/2008 - 15:41


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Muda tudo e não muda nada

As relações entre a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e o setor rural nunca foram amistosas. Marina sempre se opôs aos transgênicos, à soja na Amazônia e à expansão do etanol. Era de se esperar que sua saída fosse comemorada pelos diferentes segmentos do agronegócio brasileiro. Embora ninguém esteja lamentando o pedido de demissão de Marina Silva, poucos no setor agro acreditam em grandes mudanças na política ambiental brasileira com a chegada de Carlos Minc, ex-secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Primeiro, não seria de bom tom o Brasil afrouxar suas leis ambientais justamente num momento em que a sustentabilidade do etanol nacional é questionada no exterior. Segundo, boa parte das decisões que importam (seja para o agronegócio ou qualquer outro setor produtivo) está nas mãos de técnicos de diferentes escalões e dos mais diversos órgãos governamentais. Portanto, as dificuldades na obtenção de uma licença ambiental devem continuar as mesmas. A questão é saber se Minc entra com disposição para dialogar com o agronegócio - ou continuará a tratar o setor como inimigo. Se apenas isso ocorrer, já será um grande avanço.


Publicado em 14/05/2008 - 16:11


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Fabiane Stefano é repórter de EXAME e escreve sobre o agronegócio

fstefano@abril.com.br





 
 
 
 

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