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Frango na Amazônia

Enquanto a confusão no mercado de carne bovina continua, um novo imbróglio com os europeus pode estar a caminho. Ontem, o jornal inglês The Guardian publicou uma matéria dizendo que a avicultura brasileira estaria avançando sobre a Amazônia. O texto também questiona os métodos de produção intensiva do Brasil - o maior exportador mundial de aves - e menciona os riscos do frango nacional para a saúde pública. Não é a primeira vez que a avicultura brasileira é vítima do protecionismo da União Européia através da mídia. Já foram publicadas matérias dizendo, por exemplo, que nos frangos brasileiros há substâncias cancerígenas. O que está em jogo aqui é uma briga de pesos pesados. A Europa é o quarto maior produtor e terceiro maior exportador mundial de aves. França e Dinamarca competem diretamente com o produto brasileiro no Oriente Médio. No mercado doméstico, as aves do Brasil representam cerca de 10% do consumo europeu - e tende a crescer ainda mais dada a falta de competitividade da produção local. "Existe uma guerra de propaganda para convencer o consumidor europeu que o frango brasileiro é de péssima qualidade", diz Christian Lohbauer, presidente Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef). E não há muito o que ser feito. Em relação ao episódio do The Guardian, a Abef irá mandar uma carta para o jornal inglês rebatendo os argumentos e esclarecendo que a granja mais próxima da Floresta Amazônica está situada a 400 quilômetros.

Publicado em 07/02/2008 - 19:53


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Uma questão de preço

Desde que a União Européia suspendeu as importações da carne brasileira, os principais atores dessa novela reduziram o problema a seguinte questão: protecionismo europeus versus sanidade animal no Brasil. É claro que o protecionismo existe na Europa (e como). É claro também que o sistema de sanidade animal do Brasil vem se provando falho e ineficiente. Mas não seria só isso. O economista Fábio Silveira, da RC Consultores, aponta para uma outra direção. Por trás do jogo duro dos europeus, haveria uma tentativa de reduzir os preços com as importações da carne bovina. De acordo com Silveira, o estoque mundial de carne está mais alto do que o normal e garante a oferta do produto na Europa - mesmo sem a participação da carne brasileira. Essa não seria uma estratégia de longo prazo. Pode ser até um tiro no pé, caso haja um desabastecimento na Europa. Mas dá tempo para os europeus negociarem patamares mais baixos de preços com o Brasil, um de seus maiores fornecedores.

Uma estratégia semelhante adotou a China em 2004. Na época, os chineses devolveram pelo menos 20 navios abarrotados de soja do Brasil, alegando que nos carregamentos havia grãos contaminados. O que se provou depois era que os importadores chineses haviam comprado antecipadamente soja brasileira com a cotação nas alturas. E, na hora da entrega, os preços no mercado à vista estavam muito mais baixos. A solução dos chineses, então, foi devolver a mercadoria. Silveira, da RC Consultores, suspeita que o que motiva os europeus a barrar a carne brasileira são os aumentos que o produto vem sofrendo no mundo todo. Afinal, há novos mercados consumidores que precisam ser abastecidos. Nesse sentido, o Brasil teria de tomar uma decisão. 1) ou deixa de lado a União Européia e investe justamente nesses novos mercados consumidores (como Coréia e Rússia). 2) ou negocia com os europeus, aceita reduções de preços e continua a ser um grande fornecedor da Europa, que, no final das contas, é um mercado que remunera melhor que outros. Bom, a conferir os próximos capítulos dessa novela.


Publicado em 01/02/2008 - 22:35


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O tamanho do prejuízo

90 milhões de dólares. Este é o prejuízo que a pecuária brasileira terá apenas em fevereiro com o mercado europeu fechado à carne bovina brasileira. Uma nova missão de técnicos chega ao Brasil no dia 25 de fevereiro para vistoriar 300 fazendas que estejam dentro dos padrões sanitários da União Européia. São elas que poderão fornecer o produto para o mercado que representa 26% das exportações da carne brasileira. O Ministério da Agricultura, no entanto, encaminhou uma lista de 2600 propriedades rurais habilitadas a vender carne para o bloco. A pergunta que não quer calar no setor: qual será o critério dos europeus para escolher as fazendas premiadas?

Publicado em 30/01/2008 - 20:40


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Mais um balde de água fria

Era dada como certa a tão aguardada aprovação para produção comercial de duas variedades de milho transgênico no Brasil. Mas não foi desta vez. Na reunião que acabou de acontecer em Brasília no Conselho Nacional de Biossegurança, composto por 11 ministros, a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, e o ministro José Gomes Temporão, da Saúde, pediram o adiamento da decisão, alegando não terem recebido os relatórios finais da pasta da Agricultura sobre o assunto. A nova reunião foi marcada para o dia 12 de fevereiro e as duas variedades só serão aprovadas por maioria simples (6 dos 11 votos). Segundo fontes do setor, o pedido de adiamento faz parte da estratégia da ministra do Meio Ambiente, que sempre se opôs aos organismos geneticamente modificados no Brasil. Se no dia 12 de fevereiro a maioria votar contra, os milhos transgênicos no Brasil só serão autorizados por meio de uma Medida Provisória, assinada pelo presidente Lula.

A entrada do milho transgênico no Brasil tem sido um calvário. As variedades da Monsanto e da Bayer já receberam pareceres técnicos favoráveis da CTNBio no ano passado. Desde então, enfrentam sucessivas batalhas na Justiça contra órgãos e entidades ligadas ao meio ambiente. Enquanto a aprovação oficial não vem, os agricultores começam a plantar ilegalmente o grão no Centro-Oeste, repetindo assim a estratégia adotada no passado por produtores de soja no Rio Grande do Sul.


Publicado em 29/01/2008 - 19:14


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Saia justa

Os recentes dados sobre desmatamento no Brasil criaram uma situação constrangedora para o agronegócio. A maioria das lideranças da agricultura vinha sustentando que toda a expansão do setor ocorreria sobre pastagens degradadas, o que garantiria a preservação de áreas de florestas e reservas legais. Não é bem isso o que está acontecendo. De acordo com estimativas do Ministério do Meio Ambiente, foram derrubados 7 mil quilômetros quadrados de floresta na Amazônia apenas no segundo semestre de 2007. Boa parte desta área está concentrada no Mato Grosso e no Pará, tradicionais regiões produtoras de grãos e gado.  A notícia por si só é muito ruim (afinal, uma área gigantesca de floresta foi derrubada). O fato é que ela também derruba a credibilidade do agronegócio brasileiro que tenta construir uma imagem de sustentabilidade frente ao mundo. Para piorar, a notícia vem à tona justamente em um momento em que a Europa questiona a eficiência ambiental e social dos biocombustíveis. E não adianta o setor se defender com o argumento mais que batido do protecionismo dos países ricos. Ele existe sim. Mas o desmatamento também.

Publicado em 28/01/2008 - 10:50


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Fabiane Stefano é repórter de EXAME e escreve sobre o agronegócio

fstefano@abril.com.br





 
 
 
 

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