Mais água no suco
Uma grande mudança no perfil do mercado de suco de laranja começa a se desenhar. De acordo com um estudo exclusivo do banco holandês Rabobank, as vendas do suco não-concentrado crescem cada vez mais em relação ao consumo da versão concentrada. Enquanto o mercado mundial de não-concentrado aumentou 4,2% entre 2000 e 2006, as vendas do suco concentrado avançaram 3%. Parece pouco, mas isso pode representar uma grande mudança para o Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, com vendas externas de 1,4 milhão de toneladas em 2007. Hoje, boa parte do suco de laranja vendido no mundo é originário da bebida concentrada, que depois que chega ao seu destino final é diluída para a venda no varejo.
O que se nota agora é que os consumidores dos países de maior poder aquisitivo (sobretudo Europa) preferem o suco não-concentrado, que custa mais caro e é percebido como uma opção mais saudável. Isso deverá representarmais custos na logística da operação das quatro grandes empresas do setor no Brasil - Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Dreyfus. Afinal, no suco não-concentrado, há seis vezes mais água do que na versão concentrada. Logo, é preciso mais navios para transportar o produto, mais armazéns para estocá-lo e por aí vai. É claro isso não sai de graça: o preço do produto não-concentrado é 40% maior do que o tradicional. Por enquanto, o espaço do suco concentrado está garantido nos países emergentes, que se tornaram a grande fronteira de expansão do mercado de suco laranja. Mas muito investimento terá que ser feito para atender o novo desejo do consumidor estrangeiro.
Publicado em 13/12/2007 - 19:35
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Foi sem ter sido
Há duas semanas, o Ministério da Agricultura anunciou com toda a pompa e circunstância o fim do embargo russo à carne bovina e suína do Brasil. O ministro Reinhold Stephanes chegou a dizer que o preço da carne poderia subir no mercado doméstico. Pois bem, não foi nada disso. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína, o embargo continua de pé e que o mal-entendido teria nascido dentro da própria pasta da Agricultura. A versão mais provável é que funcionários do ministério se entusiasmaram demais com um email da autoridade sanitária russa e não entenderam que o fim do embargo está condicionado à visita de veterinários daquele país ao Brasil - o que supostamente acontece em janeiro. Ou seja, tudo continua na mesma. Em 2005, quando focos de aftosa surgiram no Mato Grosso do Sul, a Rússia fechou as portas para a entrada de carne bovina e suína do Brasil. Desde então, os russos até abriram exceções para os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás. Mas boa parte do país ainda continua embargada.
Publicado em 11/12/2007 - 18:27
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Etanol nos Estados Unidos - 2
O mercado financeiro americano também adoraria ver uma redução nas tarifas de importação que encarecem o etanol do Brasil. Hoje, três bolsas comercializam contratos futuros de etanol nos Estados Unidos - Nymex, Cbot e Ice. O papel não decolou em nenhuma delas. De acordo com um executivo da Ice, o que está impedindo que esses contratos deslanchem é o fato de que o etanol ainda não se tornou uma commodity global. O Brasil utiliza boa parte do que produz. Os Estados Unidos também. Sem um forte fluxo de importação e exportação do produto no mundo, nada deve mudar. No Brasil, a BM&F negocia o contrato futuro de etanol desde maio de 2007. Por aqui, o contrato também ainda engatinha.
Publicado em 05/12/2007 - 20:16
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Etanol nos Estados Unidos - 1
Empresas na costa leste dos Estados Unidos estão pressionando o governo americano a reduzir as tarifas que praticamente inviabilizam a importação de etanol brasileiro. Para elas, a facilidade logística é desperdiçada pela taxa de 54 centavos de dólar por galão. Quem não está gostando nada da movimentação são as empresas ligadas ao setor de grãos no Meio-Oeste americano. É para garantir o mercado cativo dessas companhias que o governo Bush gasta bilhões de dólares por ano.
Publicado em 04/12/2007 - 20:14
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Etanol na América Central
Na próxima semana, Brasil e Estados Unidos anunciam em Miami os primeiros estudos de viabilidade para a produção em larga escala de cana-de-açúcar na América Central. A idéia gestada no Departamento de Estado Americano é expandir a fronteira do etanol em países como República Dominicana, Haiti e El Salvador, lugares onde o cultivo comercial de cana é viável.
Os Estados Unidos entram com o suporte financeiro do projeto e o Brasil, com o técnico. Isso incluiria ajuda na construção de usinas nesses países. E, num primeiro momento, todo etanol produzido na América Central seria adicionado à gasolina para consumo local.
O projeto diminuiria a dependência desses países ao petróleo - hoje com o barril próximo aos 100 dólares. Tudo muito lindo, não? Pois é assim que o Departamento de Estado Americano quer vender a idéia.
Estive ontem no órgão e funcionários ligados ao setor de energia estão super animados com o projeto. É fácil de entender o porquê. Primeiro, não agrada nada aos americanos a idéia do Brasil liderar a expansão do etanol no mundo. E, segundo, empresas americanas processam álcool na América Central e exportam para os Estados Unidos livres de taxas. Ao Brasil, resta o nobre papel de ajudar a tornar o etanol uma commodity global. Bonito mesmo...
Publicado em 28/11/2007 - 12:56
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