A Global Reporting Initiative, mais conhecida como GRI, publicou recentemente um documento intitulado "Declaração de Amsterdã sobre Transparência e Elaboração de Relatórios". O objetivo é chamar a atenção dos governos para a necessidade de introduzir políticas que obriguem as empresas - e também órgãos públicos, empresas estatais, fundos de pensão e agências públicas de investimento - a abordar publicamente temas ambientais, sociais e de governança. Como? Por meio de relatórios. Isso porque, no documento, fica clara a posição do conselho diretor do GRI de que a crise financeira poderia ter sido amenizada - se houvesse m sistema de transparência global e de obrigação de prestação de contas baseado na diligência devida e na elaboração de relatórios públicos sobre o desempenho em termos ambientais, sociais e de governança.
É curioso que o GRI peça que os governos obriguem as empresas a ser mais transparentes. Afinal, a entidade - que tem sede na Holanda e define diretrizes para a publicação de relatórios de sustentabilidade para empresas no mundo todo - sempre foi uma adepta convicta da idéia de que as companhias devem adotar boas práticas porque querem e devem ... e não porque alguém lá em cima mandou. O que explica essa mudança? "A profundidade da crise atual", afirma Rodolfo Gutilla, diretor de relações institucionais da Natura. O executivo foi responsável por trazer o GRI para o Brasil em 2001 e hoje faz parte do seu conselho de stakeholders. A propósito: o tal conselho, que é formado por cerca de 40 membros - entre profissionais das empresas, de ONGs e trabalhadores - se reunirá pela primeira vez na América Latina, em junho, e a reunião será no Brasil. E, nesse período, Ernest Ligteringen, presidente da entidade, gastará parte do seu tempo no país visitando políticos e formadores de opinião para passar à frente a mensagem.
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