O projeto de suinocultura sustentável da Sadia - que hoje é subsidiária integral da Brasil Foods - recebeu hoje a aprovação das Nações Unidas para receber créditos de carbono pela modalidade "programática". Na prática, isso significa que mais de 1 000 suinocultores integrados da empresa poderão gerar - e vender - créditos de carbono ( até então, para ter direito a créditos, a empresa precisa protocolar cada um dos suinocultores isoladamente o que tornava o processo extremamente complexo e oneroso).
A geração de créditos se dá a partir da conversão, com o uso de biodigestores, do gás metano, presente nos dejetos dos porcos, em dióxido de carbono. E por que isso vale créditos? Porque o metano é um gás causador do efeito estufa ainda mais poderoso que o CO2. O programa 3S foi um dos primeiros projetos de crédito de carbono desenvolvidos no Brasil e já rendeu muitas dores de cabeça à empresa. Espera-se que agora a coisa ande ... mesmo ( os funcionários envolvidos no programa estavam esperando não é de hoje a aprovação dessa metodologia)
Foi anunciada há pouco a nova carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&F Bovespa - que reúne ações de empresas que tem comprometimento com práticas de sustentabilidade e governança corporativa. A boa notícia é que a carteira cresceu e está com 34 companhias, que representam 15 setores e somam 730 bilhões de reais em valor de mercado. A última tinha apenas 28.
As oito companhias que ingressam agora e não estavam na carteira anterior são: Copel, Even, Itausa, Indústrias Romi, Redecard, Sul America, Usiminas e Vivo.
Permaneceram no ISE as seguintes companhias: AES Tiete, Cesp, Eletropaulo, Itau Unibanco, Suzano Papel, Bradesco, Coelce, Embraer, Light S/A, Telemar Brasil, CPFL Energia, Energias BR, Natura, Tim, Braskem, Dasa, Fibria, Tractebel, Duratex, Gerdau, Sabesp, BRF Foods, Cemig, Eletrobras e Gerdau .
Duas não conseguiram se manter no índice: Odontoprev e Celesc.
Na semana passada, mais precisamente no sábado, dia 14, aconteceu aqui em São Paulo a primeira versão brasileira do TED. Para quem não conhece, o TED é o seguinte: uma conferência que reúne pessoas com idéias interessantes para que elas deem palestras curtinhas, com duração de cinco, dez minutos. Nos Estados Unidos, onde foi criado ainda na década de 90, o TED acontece anualmente na Califórnia e é um evento super badalado. O mais interessante nele é a diversidade de pessoas que participam e os temas por elas abordados. Ou seja, no TED você vai ter desde um Bill Gates falando da sua fundação e de como ela está combatendo doenças tropicais na África a um exímio especialista em comportamento canino do qual você nunca ouviu falar dando dicas para adestrar cachorros.
Toda essa introdução para dizer que, na versão brasileira, um dos palestrantes foi Fábio Barbosa, presidente do grupo Santander Brasil (ex-ABN Amro Real). O Santander foi um dos apoiadores do evento - e isso deve ter contado, é claro, para que Barbosa fosse um dos convidados a falar -, mas não acho que tenha sido só isso não. Barbosa fala em público com freqüência, e fala bem ( ele também é presidente da Febraban). Nada do que ele disse na sua palestra, porém, foi novidade pra mim, que o acompanho há algum tempo. O executivo falou que é possível fazer negócios e ganhar dinheiro sem transgredir, sem ser desonesto, sem prejudicar o meio ambiente, a sociedade. E que uma empresa só consegue fazer isso, porém, se todos os seus funcionários estiverem dispostos. Por isso, Barbosa afirma que adianta pouco criticarmos o governo e cometermos diariamente pequenos delitos, infrações. *Falou exatos cinco minutos e foi ovacionado de pé pela platéia.
Para refrescar a memória de vocês, até ser comprado pelo Santander, no final de 2007, o ABNAmro Real - presidido por Barbosa - era um dos grandes expoentes em sustentabilidade no país. Pensava-se em banco, em desenvolvimento sustentável, em responsabilidade social, em meio ambiente ou qualquer outra coisa do gênero e, pimba, lá vinha na cabeça o Real. E os outros bancos, como o Itaú, o Bradesco? Os dois tinham ações sociais consistentes na área educacional há anos, mas o Real ganhou os holofotes porque levou o conceito de sustentabilidade para a sua estratégia de negócios.
O banco treinou centenas de gerentes Brasil afora para avaliar riscos sociais e ambientais na hora de conceder crédito, tirou da sua carteira de clientes empresas cujos negócios ele considerava escusos, passou a oferecer microcrédito produtivo a pequenos empreendedores das classes C e D, definiu que os seus produtos financeiros - como um cheque especial-, deveriam ser oferecidos aos clientes com mais transparência, e por aí vai. O banco fez coisa demais, e soube propagandear bem essas ações. Os concorrentes chiaram, mas se viram obrigados a correr atrás, também fazendo coisas e também fazendo marketing para mostrar que não estavam parados (quem não se lembra da longa propaganda do Bradesco sobre o Banco do Planeta?) Durante todo esse período, Barbosa esteve à frente e se transformou no melhor garoto-propagada do Real - fora e dentro da empresa. Tive a oportunidade de ouvi-lo em vários eventos e de participar de treinamentos internos nos quais os funcionários vibravam ao ouvi-lo falar. Pois bem, o Real virou Santander, Barbosa foi escolhido para estar à frente da operação no início de 2008 e, em sua negociação à época com banco espanhol, EXAME publicou que o executivo teria sido inflexível quanto a um ponto: queria ter autonomia para levar para o Santander alguns princípios que norteavam o jeito de fazer negócios do ABN, entre os quais a cultura de sustentabilidade. No evento do TED Barbosa mostrou que continua sendo um ótimo pregador em prol da sustentabilidade. Só lamento que hoje eu saiba muito pouco sobre o que ele anda fazendo ou conseguindo fazer no Santander. Os exemplos de boas práticas que ele mencionou na palestra eu já conhecia, eram antigos, e pertenciam ao Real.
* Segundo um leitor também presente no evento, Fábio Barbosa não falou por cinco minutos, mas por 15. Informação corrigida!
A Embraer e a GE anunciaram ontem que assinaram um acordo para avaliar os aspectos técnicos e de sustentabilidade de um combustível renovável para jatos a ser produzido pela Amyris - empresa americana que tem operação no Brasil. A Amyrise usa biologia sintética para desenvolver produtos renováveis para a indústria química e de transportes com o objetivo de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Se a iniciativa render os frutos esperados, no início de 2012 o tal querosene limpo - que terá como base a cana-de-açúcar - poderá ser usado num vôo de demonstração de um E-Jet da Embraer da Azul Linhas Aéreas que usa motores da GE.
A notícia é boa. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), hoje o setor de aviação responde por 1,6% do total de emissões do planeta. Se nada for feito, porém a tendência é que esse número cresça.