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Combustível limpo para aviões
Por Ana Luiza Herzog | 19/11/2009 - 13:48

A Embraer e a GE anunciaram ontem que assinaram um acordo para avaliar os aspectos técnicos e de sustentabilidade de um combustível renovável para jatos a ser produzido pela Amyris - empresa americana que tem operação no Brasil. A Amyrise usa biologia sintética para desenvolver produtos renováveis para a indústria química e de transportes com o objetivo de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Se a iniciativa render os frutos esperados, no início de 2012 o tal querosene limpo - que terá como base a cana-de-açúcar - poderá ser usado num vôo de demonstração de um E-Jet da Embraer da Azul Linhas Aéreas que usa motores da GE.

A notícia é boa. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), hoje o setor de aviação responde por 1,6% do total de emissões do planeta. Se nada for feito, porém a tendência é que esse número cresça.

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A volta da luz no fim do túnel
Por Ana Luiza Herzog | 18/11/2009 - 12:14
Depois de jogar um banho de água fria na reunião do clima de Copenhague, Barack Obama e Hu Jintao, presidente da China, voltaram atrás ontem e disseram que vão fazer pressão para que um acordo entre os países seja costurado em dezembro. "Nosso objetivo lá, em apoio ao que o primeiro ministro da Dinamarca Lars Lokke está tentando alcançar, não é um acordo parcial ou uma declaração política, mas um acordo que cubra todos os pontos das negociações e que tenha efeito operacional imediato", disse Obama, depois de uma conversa com Jintao, em Pequim. A declaração de Obama foi um alívio? Médio. Ninguém está entendendo direito esse ir e vir do presidente americano. Primeiro declara que não há tempo hábil para um acordo, depois volta atrás ... os negociadores estão confusos. Outra questão é que ninguém está entendendo direito que diabos de acordo é esse que o primeiro ministro da Dinamarca está querendo emplacar. Haveria metas de redução para os países? A ser implementadas a partir de quando? E quanto ao dinheiro necessário para fazer as nações emergentes e pobres se adaptarem à economia de baixo carbono? Bem, de qualquer maneira, até que Obama prove o contrário, o clima hoje é de que alguma decisão relevante para o futuro do planeta poderá vir a sair, sim, de Copenhague.
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Obama não quer se comprometer - e China embarca
Por Ana Luiza Herzog | 16/11/2009 - 13:43
Não houve muito tempo para celebrar o fato de Lula finalmente ter anunciado na sexta-feira a meta de desvio da curva de emissões de gases causadores de efeito estufa do Brasil. Ontem, o presidente americano Barack Obama jogou um balde de água fria enorme nas expectativas em relação à reunião climática de Copenhague, na Dinamarca. Na Ásia, onde estava participando do Fórum de Cooperação Econômica Ásia Pacífico, que reuniu mais de 21 países, ele declarou que "não devemos transformar o 'perfeito' em inimigo do bom" e confirmou a expectativa de que os Estados Unidos não vão se comprometer em dezembro com nenhum acordo claro e objetivo. Isso porque Obama decidiu que não vai se comprometer internacionalmente com nada antes de aprovar a legislação climática no senado americano. E como essa aprovação está enroladíssima, o presidente quer adiar para a Cop-16, que será realizada daqui a um ano, no México, a decisão de solucionar o maior problema já enfrentado pela humanidade. Obama falou e a China concordou - o país também não acha que haverá tempo hábil para costurar um acordo em Copenhague. Conclusão: os dois maiores emissores do planeta vão sabotar o maior e mais importante acordo diplomático de todos os tempos. É lamentável. Sobretudo porque se esperava muito de Obama. É fato que ele não nega o problema do aquecimento global, como seu antecessor George W. Bush, mas quer empurrá-lo com a barriga, e mais uma vez o mundo está refém dos Estados Unidos
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Meta de redução? Calma lá ...
Por Ana Luiza Herzog | 13/11/2009 - 20:52

O governo anunciou hoje a tão esperada meta de redução de emissões que levará mês que vem para a reunião de Copenhague, na Dinamarca, certo? Mais ou menos. O que o governo federal anunciou, na verdade - a despeito do que dizem as manchetes feitas para atrair a sua atenção leitor -, é que a "curva de emissões" do país será desviada em até 38,9% até 2020. O raciocínio é o seguinte: se continuarmos crescendo e executando qualquer atividade econômica como executamos hoje pelos próximos anos - seja pecuária, suinocultura ou agricultura -, a tendência é que emitiríamos x de carbono. O que o governo anunciou é que faremos um esforço para emitir até 38,9% a menos desse x, ou seja, vamos puxar a tendência para baixo. Isso é legal? Sim. Alguns países emergentes já anunciaram que farão isso e espera-se que outros sigam o exemplo antes da reunião. Obama deve visitar a China nos próximos dias, e há uma expectativa que o país asiático anuncie nessa ocasião em quanto está disposto a desviar sua curva. O mundo aguarda apreensivo. Importante dizer que o compromisso brasileiro é voluntário, ou seja, o país não vai assinar um documento lá fora se comprometendo com o cumprimento desses números.

Chequei rapidamente com algumas fontes o que elas acharam do anúncio e vou compartilhar o que ouvi com vocês. Lembrando: a notícia foi divulgada há poucas horas e essas pessoas tinham acabado de saber do fato ou foram informadas sobre ele por meu intermédio.

Eduardo Viola, professor de relações internacionais da UNB que acompanha de perto as negociações de clima entre os países:

"É bom lembrar que é um desvio de curva, não se trata de uma redução absoluta. Ao mesmo tempo, é inegável que representa, sim, uma evolução no governo e vai ter um impacto positivo no exterior. Significa que Lula assumiu uma posição intermediária entre o Ministério do Meio Ambiente - que defende não só os números como a obrigatoriedade do seu cumprimento - e os demais ministérios que renegam totalmente as idéias de Minc, como o Ministério das Relações Exteriores, Ministério de Ciência e Tecnologia e outros ... mas quero ter mais tempo para analisar os números."

Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil:

"É um desvio de curva, e é bom que isso fique claro. Além disso, os números não são ambiciosos. O setor privado já está defendendo o desmatamento zero até 2020, mas o governo continua insistindo uma redução de 80%. De qualquer maneira a gente reconhece que houve um avanço. Se há dois anos você falasse em qualquer coisa parecida com isso corria o risco de perder o passaporte. Hoje já temos um ministro defendendo uma meta obrigatória. Agora é transformar isso em uma política para garantir que esses números vão sair do papel, porque anunciar é fácil. O Lula precisaria ter coragem para ligar para o Obama e dizer: eu tenho metas voluntárias, mas quero ser monitorado, cobrado. E você? O que vai fazer? Uma atitude como essa constrangeria os Estados Unidos, a Europa ... e os incitaria a agir"

Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos:

"Essa  meta é uma barbada, mole de cumprir. Deveríamos assumi-la como obrigatória, mas há um medo da diplomacia brasileira de que poderemos ficar em desvantagem se outros países anunciarem números menores. De qualquer maneira achei positivo. Não adianta, porém, só fazer isso. O Brasil precisa brigar para que o REDD* seja aprovado, porque isso precisa ser a nossa recompensa. Ou seja, temos de ser remunerados pela nossa floresta em pé e pelos serviços ambientais que ela oferece ao mundo"


* Redd (do inglês Reducing Emissions from Deforestation and Degradation), um incentivo financeiro para a redução de emissão por desmatamento e degradação. Na prática, significa receber dinheiro de países desenvolvidos, por meio de um mercado de créditos de carbono da floresta, para garantir que as árvores ficarão em pé.

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Sustentabilidade - se está na estratégia da empresa, está blindada contra a crise
Por Ana Luiza Herzog | 17/04/2009 - 19:32

Promovemos um debate muito interessante aqui na sede da Editora Abril, na terça-feira. O objetivo era discutir um tema que muita gente anda discutindo e que já abordei em alguns posts: com a crise financeira, a estratégia de sustentabilidade das empresas está indo para o brejo? Para buscar uma resposta, convidamos três pessoas de peso: Alessandro Carlucci, presidente da Natura, Marcos Bicudo, presidente da Amanco, e Marco Fujihara, diretor do Instituto Totum e da consultoria Key Associados. Carllucci e Bicudo estão à frente de empresas que são consideradas modelo pelo Guia EXAME de Sustentabilidade. Fujihara é um consultor que já há alguns bons anos monitora, com um olhar cético, o que as companhias fazem ou dizem fazer em prol do desenvolvimento sustentável. E qual foi a conclusão do debate? A óbvia (pelo menos pra mim): se o que a empresa tem é mesmo uma estratégia de sustentabilidade, ou seja, se o conceito está realmente incorporado ao negócio... a crise NÃO MUDA NADA! E tudo continua como antes. Se o que a empresa tem, porém, é uma estratégia para usar o termo sustentabilidade a favor de sua campanha de marketing... aí sim a coisa muda de figura!

Vamos pegar o exemplo da Amanco, que fabrica tubos e conexões hidráulicas. A empresa desenvolve há alguns anos um projeto bem interessante que se chama Doutores da Construção, que busca dar conhecimento de hidráulica para encanadores e pedreiros. E como a Amanco faz isso? Com a ajuda de uma rede de lojas de material de construção que vendem seus produtos Brasil afora. A loja entra com uma salinha que possa comportar uns 20 profissionais e uma TV. A Amanco, com as aulas - que são transmitidas ao vivo de um estúdio. Empresa e varejista racham os custos da formação e o mercado de construção civil ganha um profissional mais qualificado (coisa que não abunda no setor). Mas é só isso? Claro que não. Doutores da Construção poderia ser só o nome simpático para mais um projeto social se a Amanco também não estivesse vislumbrando que, com a capacitação, vai ganhar um profissional fiel à sua marca - e o varejista, um cliente fiel à loja. Espertinha a Amanco, né? Sim, e ainda bem. Doutores da Construção  é um projeto social associado ao negócio da empresa e, por essa razão, não corre o risco de acabar por falta de recursos, ainda que o mar não esteja para peixe.

A história se repete na Natura, que, segundo palavras do próprio Carlucci, usa a sustentabilidade - e os desafios que ela coloca para as empresas - como motor para a inovação. E a linha Ekos de cosméticos espelha isso. Ou seja, a empresa compra, de comunidades tradicionais, castanha, piprioca e outros ativos da biodiversidade brasileira para seus cosméticos. E faz isso para ajudar essas comunidades a ganhar algum dinheiro? Sim, mas o Ekos não é um projeto de geração de renda - apenas. É negócio, e negócio que rende muito à empresa. Por essa razão, deve ter vida longa, e continuar gerando renda para essas comunidades.

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Ana Luiza Herzog
Repórter de EXAME, escreve sobre sustentabilidade.
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