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O filho que saiu de casa

Tive uma conversa exclusiva com Laercio Cosentino, da Totvs, e Miguel Abuhab , Jorge Steffens e Paulo Caputo, respectivamente presidente do conselho, executivo-chefe e conselheiro da Datasul, logo após a entrevista coletiva que eles concederam na manhã de hoje. Depois de posar para fotografias com uma bandeira branca, eles falaram um pouco mais sobre o negócio e sobre o futuro da nova Totvs, agora a potência solitária do software no Brasil.

A primeira informação interessante veio antes mesmo de nos acomodarmos na principal sala de reuniões da Totvs, em uma avenida arborizada na zona norte de São Paulo. Steffens me disse que o fato relevante sobre a união foi publicado no meio do dia na terça-feira porque houve suspeitas de vazamento da informação. Desde a tarde de segunda-feira, os papéis da Datasul apresentavam uma movimentação acima do normal, e na terça o valor da ação e o volume de transações subiram de forma repentina. A idéia era anunciar o negócio somente hoje, depois do fechamento do mercado, mas Totvs e Datasul tomaram a medida incomum de fazer o comunicado no meio do pregão de terça, com anuência da Comissão de Valores Mobiliários. Steffens acredita que as operações realizadas nas horas que antecederam a divulgação da notícia possam ser alvo de investigação.

Na conversa foi curta, mas muito interessante. Nem poderia ser diferente, afinal de contas estava diante dos mais bem-sucedidos empreendedores tecnológicos do país. Eles relembraram os primeiros momentos da indústria de software do país e falaram da importância de uma marca forte no exterior. Um dos pontos altos foi ver Abuhab, um notório centralizador, comentar a decisão de unir-se a seu maior rival. "É como ver um filho sair de casa." Eis os principais trechos da conversa.

A Datasul vai manter a sede em Joinville, o presidente, suas franquias de desenvolvimento e vendas e vai, inclusive, continuar competindo com a Totvs. Por que então unir as empresas?
Cosentino - Existem muitas sinergias que podem ser obtidas sem uma fusão completa das operações:no marketing, em centros de serviços compartilhados, nos esforços de internacionalização e em futuras aquisições. Vamos continuar com canais separados, porque temos uma base de clientes muito grande e muito diversa. São 21 000 clientes.

Abuhab - A intersecção entre nossas bases de clientes é pequena. O produto da RM Sistemas (empresa adquirida pela Totvs em 2006), por exemplo, atende as micro e pequenas empresas. A Microsiga olha mais para as pequenas e médias. E a Datasul fica com as maiores. Além disso, na Datasul temos produtos específicos para alguns setores, como manufatura, agronegócio, saúde e instituições financeiras. Eu diria que entre nós da Datasul ficamos de fora de 60% a 70% das concorrências de que a Microsiga participa.

Existem planos de integrar todos os produtos em uma única plataforma? Hoje todos têm bases tecnológicas diferentes, e embora a intenção da fusão não seja o corte de custos, os ganhos de escala com uma integração seriam grandes, não?
Cosentino - Houve alguns movimentos lá fora de empresas que se uniram e tentaram unir suas plataformas tecnológicas. Não deu certo. Eu me lembro que uma vez dei entrevista no México, da qual participaram jornalistas americanos, e apanhei muito por ser contra a idéia da integração total (risos).
Mas o fato é que a empresa que adota um ERP casa com o software. Temos 21 000 clientes. Fazer uma integração, ou seja, obrigá-los a trocar de software, não é uma decisão trivial. Agora, é claro que os desenvolvimentos futuros vão sempre ser feitos de maneira uinificada. E continuaremos desenvolvendo nossos sistemas legados separadamente.

Haverá mudanças no conselho de administração da Totvs?
Cosentino -
Vamos submeter o nome do Miguel Abuhab para o nosso conselho.

A Datasul comprou dez empresas desde a abertura de capital. Agora vocês têm de digerir essas aquisições e, ao mesmo tempo, ser digeridos pela Totvs. Qual é o tamanho do desafio?
Steffens -
Sem dúvida é um desafio enorme. Mas lembre-se que todas as empresas adquiridas eram complementares ao nosso negócio, tinham algum tipo de especialização em setores da economia. Sobre a integração, acredito que a chave seja a comunicação. Já enviamos e-mails para os funcionários e parceiros, vamos fazer vídeos para esclarecer as mudanças. E é fundamental estar presente na rede social, ou seja, nas conversas diretas entre os funcionários, para que a mensagem se espalhe. Nem sempre a melhor maneira de fazer comunicação é de cima para baixo.

Cosentino -
E temos credibilidade. Isso é muito importante. Já provamos no passado que somos capazes de absorver novas empresas. Já aprendemos muito com experiências passadas. E, até agora, ninguém desabonou a fusão.

A consolidação, aqui no Brasil, está concluída. O que esperar de crescimento internacional?
Cosentino -
Gosto de dizer que temos de estar na rua, depois na cidade, depois no Estado, depois na região, depois no país... Não adianta crescer e cair, crescer e cair.

Onde estão as oportunidades?
Cosentino -
Sem dúvida a América Latina tem um enorme potencial, assim como Portugal e Espanha. As empresas de software de gestão brasileiras sempre se beneficiaram do fator Brasil: os estrangeiros sempre penaram muito para se adaptar à legislação daqui.

Vocês não vão enfrentar a mesma barreira de entrada para entrar nos outros mercados?
Cosentino -
Quem faz software para Brasil, Argentina e México consegue entrar em qualquer país do mundo (risos). Eu me lembro que quando o euro entrou em circulação as empresas estrangeiras diziam que seria uma adaptação muito complicada. Nós aqui já passamos por tantas moedas, OTNs, planos econômicos...

Abuhab - O que protegeu a indústria brasileira foi a inflação. Quando uma GM da vida queria instalar seus software aqui, não dava conta do número de zeros (risos). Eles não iriam fazer mudanças nos sistemas mundiais só para acomodar o Brasil, e isso permitiu o desenvolvimento da indústria nacional. Também me lembro que a Baan (holandesa, hoje parte da americana Infor), a primeira internacional a chegar ao país, no começo dos anos 1990, tinha um contrato exclusivo com a PriceWaterhouseCoopers (hoje parte da IBM). Só que isso significava contratos de serviços caríssimos, e também ajudou a nos fortalecer.

Cosentino - Outra coisa importante: nós já nascemos junto com a era da microinformática, no começo dos anos 1980. Muitas empresas de fora trabalhavam com grandes computadores, mas eles eram caríssimos aqui no Brasil. Nós começamos junto com o resto do mundo, e isso também foi decisivo.

A reação inicial à notícia foi de surpresa. Mas houve também a sensação de que era um movimento inevitável. Cedo ou tarde Datasul e Totvs se uniriam. Vocês concordam?
Cosentino -
Bem, você já me perguntou isso da última vez em que nos encontramos (risos).

Sem dúvida. Aliás, já tinha feito essa pergunta algumas vezes para todos que estão nesta mesa...
Cosentino -
Veja, o Brasil está passando por transformações enormes. Temos grandes multinacionais de aviação (Embraer), de mineração (Vale), de cosméticos (Natura)... Era natural que isso acontecesse também no software.

Steffens - Quando você olha só para o cenário brasileiro, talvez a notícia seja surpreendente. Mas em âmbito global, não há surpresa nenhuma.

Abuhab - Eu gosto de uma frase de Ozires Silva (fundador da Embraer). Ele dizia que de nada adianta você ter uma indústria. Sem ter a marca, nada está resolvido.

Steffens - É o problema que as empresas chinesas têm hoje.

Abuhab - Exato. E acredito que a Totvs possa ser uma marca brasileira de software.

Voltando à internacionalização, então. O caminho é partir para os mercados emergentes?
Cosentino -
Ao contrário dos grandes mercados, a história do software está começando a ser escrita nos países emergentes.

Abuhab - A Índia não tem marcas. Tem grandes empresas de prestação de serviços, mas não tem marca.

Caputo - E um país não pode basear seu crescimento em mão-de-obra barata.

Cosentino - Exato. Esse modelo só funciona enquanto as pessoas ganham mal. Quando elas passam a crescer, o modelo fica inviável.

Steffens - Isso, aliás, já está acontecendo na Índia.

Miguel, o senhor sempre foi muito envolvido com a Datasul, mesmo depois que deixou a presidência executiva. Como foi a decisão de vender?
Abuhab -
Temos de vencer barreiras emocionais. Temos de pensar no que é melhor para a empresa, para os colaboradores, para os clientes, enfim, para todos os stakeholders. Como uma companhia de capital aberto, havia sempre a possibilidade de o preço da ação cair e termos de capitular. Ou poderia haver um derramamento de sangue muito grande no caso de uma oferta hostil. Uma empresa interessada em adquirir apenas nossa carteira de clientes seria muito ruim. Perderíamos pessoas, os clientes iriam sofrer.
A cidade de Joinville também iria sofrer. Nós construímos a classe média da cidade, que era eminentemente industrial. (A Datasul emprega cerca de 1 200 pessoas na cidade). E poderíamos nos unir a uma empresa que nos permitisse oferecer estabilidade, para o nosso pessoal, para os clientes e para a cidade, mantendo a empresa líder e cada vez mais forte. Tínhamos de fazer uma escolha, deixando de lado a emoção. Eu diria que eu me sinto como o pai que vê o filho que sai de casa, em busca de sua própria felicidade.

Sérgio Teixeira Jr.

Publicado em 24/07/2008 - 19:01


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Jobs, Britney e Amy Winehouse

O burburinho começou no dia 9 de junho, quando Steve Jobs subiu ao palco muito mais magro do que de costume. O mago do marketing estaria doente de novo, quatro anos depois de vencer uma forma rara e não-letal de câncer pancreático?
 
Houve um comentário aqui e outro ali, mas o assunto foi esquecido com o entusiasmo pelo iPhone 3G. Só que o rumor voltou com força total na segunda-feira, quando o jornal New York Post afirmou que pessoas próximas ao fundador da Apple andavam expressando preocupação com sua aparência. Como nunca foi tão fácil espalhar uma notícia por aí, em poucas horas a informação estava reproduzida em milhares de blogs e sites de notícias.

Segunda-feira também foi o dia do anúncio de resultados trimestrais da Apple (muito bons, diga-se), e no meio da conferência telefônica realizada com analistas a pergunta inevitavelmente apareceu. A resposta foi lacônica: a saúde de Jobs é "um assunto particular". Pronto. Os apressados concluíram que a recusa em dar detalhes só podia ser uma confirmação de algum problema.

É razoável esperar que uma personalidade tão excêntrica como Jobs atraia atenção, seja pelo seu sucesso nos negócios, por sua crueldade com os subordinados, pela obsessão em manter em segredo o que se passa na Apple, pela sua bizarra preferência por blusas pretas e calças jeans. Jobs talvez seja o executivo que mais entende o poder da imagem, tanto a sua própria como a dos seus produtos. E quem decide trilhar o caminho das celebridades (e não tenha dúvidas de que neste caso trata-se de uma escolha, não uma conseqüência indesejada do sucesso) tem de estar disposto a pagar o preço.

Mas o ponto que mais me intriga é outro. Segundo uma reportagem de ontem do Wall Street Journal, gestores de grandes fundos andam mostrando fotos de Jobs a médicos, tentando entender o que se passa com o CEO da Apple. São provavelmente os mesmos que em 2004 contrataram investigadores particulares para rastrear o périplo dele por hospitais e consultórios médicos -- e que consideram fazer o mesmo de novo.

Confesso que fiquei um pouco chocado ao saber até que ponto os gestores de fundos são capazes de chegar. O presidente de uma empresa pública tem de prestar contas aos seus sócios, sem dúvida. Não bastam as afirmações oficiais de que ele está bem (elas foram vazadas propositalmente ao New York Times e à BusinessWeek, hoje)? Será que é preciso mesmo partir para a bisbilhotagem?

Entendo a curiosidade mórbida em torno do comportamento autodestrutivo de Britney Spears e Amy Winehouse. É mais difícil compreender as especulações que cercam a saúde de Jobs, afinal de contas elas partem de gente que só está preocupada com o resultado da sua carteira de ações. Mas, no fundo, os motivos que movem paparazzi e veículos sensacionalistas são os mesmos. E Steve Jobs é um ícone pop. Para o bem e para o mal.


Sérgio Teixeira Jr.

Publicado em 23/07/2008 - 12:25


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O imperador do software

O título acima é o mesmo de uma reportagem que escrevi pouco mais de dois anos atrás, quanto a Totvs, de Laercio Cosentino, comprou a RM Sistemas e consolidou sua posição de maior empresa de software do país. Mesmo tendo acompanhado de forma regular a trajetória de Cosentino nos últimos dez anos, me incluo entre os que surpreenderam com a ousadia do anúncio de hoje.

Com a compra da Datasul, anunciada hoje, Cosentino garantiu de vez o título de maior empreendedor tecnológico do país. Fundou sua primeira empresa aos 22 anos; agora, aos 47, vai comandar um negócio que faturou quase 750 milhões de reais no ano passado, competindo de igual para igual com gigantes multinacionais como SAP e Oracle e provando que, sim, é possível criar uma empresa de software em um país periférico como o Brasil.

A trajetória de Cosentino é única em diversos aspectos. Ele adotou normas de governança corporativa muito antes de chegar à bolsa, e em 1999 associou-se a um fundo internacional de private equity, quando esse tipo de associação tornar-se ainda era relativamente rara (o fundo Advent vendeu sua participação em 2005). Além do faro para os negócios, Cosentino tem um paladar apurado: é sócio de um dos melhores restaurantes de São Paulo, o badalado La Brasserie Erick Jacquin.

Mas é a visão o sentido mais importante de Cosentino. Como ocorreu no exterior, a consolidação agressiva da indústria de software de gestão (leia o post abaixo) era inevitável por aqui também. Em três lances, ele arrematou os principais concorrentes (Logocenter, RM Sistemas e, agora, Datasul) e criou a primeira grande potência de software do país.

É verdade, na indústria do ERP, ser brasileiro represente uma rara -- ou talvez a única -- vantagem para quem produz software. Enquanto alemães e americanos tentavam entender a loucura da legislação tributária local, as empresas daqui aproveitavam para crescer. Também ajuda ter décadas de experiência na montagem de canais de distribuição e no contato com os empresários brasileiros, especialmente os das pequenas e médias companhias, que se sentem intimidados por siglas como SAP e IBM.

Mas o fato é que Cosentino não apenas sobreviveu à chegada dos estrangeiros -- ele até hoje é uma pedra no sapato dos grandes nomes do software mundial. Num relatório recente, a consultoria Boston Consulting Group incluiu a Totvs entre as 50 empresas de países emergentes que mais resistência ofereciam aos "invasores" do mundo desenvolvido.

E o que guarda o futuro próximo para Cosentino? Em primeiro lugar, uma longa e possivelmente complicada digestão da Datasul. Integrações de empresas de tecnologia não costumam ser indolores -- por mais que, no passado, ele tenha minimizado o problema da fusão diante das oportunidades de crescimento. Talvez seja a hora de esperar que Cosentino marche para fora do país. Força e determinação o imperador já mostrou que tem.

PS: Não deixe de ler o inspirador depoimento que Cosentino deu à EXAME PME em 2006.


Sérgio Teixeira Jr.

Publicado em 22/07/2008 - 20:09


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Totvs com síndrome de Oracle?

A notícia da negociação de compra da Datasul pela Totvs anunciada hoje chacoalhou o mercado. Pelo porte, pelo momento e especialmente pela negociação tratar da união de duas concorrentes tão diretas no mercado. Provavelmente quem acompanha o mercado de TI tem uma sensação de 'déjà vu' com o que se passou com Oracle e PeopleSoft, em dezembro de 2004.

Guardadas as devidas proporções -- a PeopleSoft foi arrematada por 10,3 bilhões de dólares e a Datasul não passará muito de 700 milhões de reais --, os perfis de Totvs e Oracle são mesmo parecidas. Quando arrematou a PeopleSoft, a Oracle buscava crescer em participação de mercado e também em sua base de clientes para brigar de frente com a alemã SAP. Além disso, a Oracle recorreu a outras várias aquisições para conquistar mercado, como Siebel, Hyperion, entre outras.

A Totvs, assim como a Oracle, também busca se fortalecer para abrir ainda mais distância das gigantes concorrentes internacionais em ERP. O primeiro passo foi dado com a aquisição da RM Sistemas em 2006, por 206 milhões de reais. A incorporação da Datasul é o segundo indício de que a Totvs pode estar seguindo as pegadas da Oracle, de compra de participação de mercado e também de carteira de clientes.

Hoje a Totvs ocupa a liderança de ERP no Brasil, com 24% de participação, e busca uma certa folga para atuar no mercado, já que tem a SAP brigando cabeça-a-cabeça (com 23%). Se fagocitar a Datasul, conseguirá abrir 16 pontos de vantagem no mercado brasileiro sobre a segunda colocada, tornando-se a potência isolada do software de gestão.
Os dois casos, porém, guardam uma diferença significativa. Enquanto a incorporação da PeopleSoft era alardeada aos quatro ventos pelo nada discreto Larry Ellison, fundador da Oracle, o bote da Totvs sobre a Datasul foi sorrateiro. Embora nos bastidores sempre se falava nisso, essa possibilidade nunca foi levada tão a sério. Especialmente pela Totvs nunca ter sido explícita sobre eventual interesse na rival. Se tinha interesse, acalentava o plano em silêncio...

Se a síndrome compradora de Oracle pegou mesmo na Totvs, vale saber se os efeitos colaterais também serão semelhantes entre ambas, especialmente sobre as dores da integração. Absorver a PeopleSoft não foi nada fácil para a Oracle, não só pelas dimensões da empresa, mas também por aspectos culturais fortes – a maioria dos funcionários demorou para conseguir encarar o antigo rival como atual aliado. É bem possível que isso também aconteça por aqui.

Com a efetivação da transação, sobram poucos fornecedores brasileiros de ERP independentes: Benner, Sênior Solutions, entre outros raros. E como acontece no Carnaval -- mal termina um desfile e a escola de samba já começa a pensar no próximo samba enredo --, não será difícil começar uma nova bolsa de apostas sobre as aquisições seguintes. Alguém arrisca algum palpite?

Camila Fusco

Publicado em 22/07/2008 - 17:17


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Novos destinos para o iPhone 3G

Durante a apresentação de seus resultados trimestrais nessa segunda-feira, a Apple afirmou que pretende lançar o iPhone 3G em mais 20 países em agosto. A dúvida que fica é se o Brasil será um dos contemplados nessa leva, ainda mais porque, segundo informações extra-oficiais, o pedido de homologação ainda não entrou na Anatel -- o que leva a crer que esse prazo está mais do que apertado para o cobiçado smartphone entrar no Brasil.

Outro ponto a ser considerado é a grande demanda que a empresa deve ter por aqui. Como se vê, ela não está dando conta de abastecer suas lojas nem nos Estados Unidos e gerou uma fila de espera. Quem dirá no Brasil, onde os fãs de tecnologia esperam ávidos pelo aparelho... -- a propósito, a Apple disse que não há nada de errado com a produção do iPhone 3G e que apenas a demanda surpreendeu, o que dá confiança para inaugurar os novos mercados em 22 de agosto.

Também durante a apresentação dos resultados, a Apple informou que teve um salto expressivo nas vendas do iPhone: de 270 000 no terceiro trimestre do ano passado para 717 000. A Apple encerrou seu terceiro trimestre fiscal, em junho, com crescimento de quase 37% no faturamento, atingindo 7,46 bilhões de dólares. O lucro foi de 1,07 bilhão de dólares, elevação de 30,8% no período. Sobre as vendas regionais, a Apple disse que a região da América Latina cresceu mais de 50% ao ano.

No período, a Apple vendeu quase 2,5 milhões de computadores Macintosh, crescimento de 43%. A venda de iPods subiu 12%, a 11 milhões de unidades. Em nota à imprensa, o CEO da Apple, Steve Jobs, afirmou que que esse foi o melhor mês de junho da história da empresa tanto em faturamento quanto em lucro.

No entanto, as expectativas de vendas para o quarto trimestre, que terminará em setembro, ficaram abaixo das expectativas dos analistas. A Apple estima 7,8 bilhões de dólares, contra 8,32 bilhões previstos por Wall Street. A explicação se deve a três fatores: 1-) impacto de uma promoção de volta às aulas; 2-) transição futura de produtos (???) que a Apple disse que não pode revelar agora; 3-) Bônus obtido no terceiro trimestre.

Sem planos de sair

As perguntas sobre a saúde do fundador da Apple, Steve Jobs, foram inevitáveis na conferência, mas, como sempre, a empresa foi discreta ao comentar. Um porta-voz limitou-se a dizer que Jobs 'ama a Apple, atua como presidente para satisfação do conselho e não tem planos de sair. A saúde dele é uma questão particular'.

Mas por mais particular que seja o assunto, a questão foi levantada por grande parte dos órgãos de imprensa internacional e até mesmo por alguns analistas, especialmente depois de CEO aparecer visivelmente magro e mais abatido do que o normal no lançamento do iPhone 3G, na primeira quinzena de junho.

Jobs teve câncer no pâncreas há alguns anos e, ao que parece, a doença não foi totalmente extirpada. O Apple Insider publicou, dias depois, informações extra-oficiais dizendo que o CEO tem recebido um tratamento especial -- em que é retirada a parte doente do pâncreas e são feitas religações com o intestino delgado e estômago. Ainda segundo o site, o tratamento tem vários efeitos colaterais, inclusive a tendência de perda de massa.


Camila Fusco

Publicado em 21/07/2008 - 19:42


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Sérgio Teixeira Jr.
Sérgio Teixeira Jr., editor de Exame e responsável pelo Portal Exame, escreve sobre as novidades no mundo da tecnologia.

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Camila Fusco

Camila Fusco é repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME

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Denise Dweck é repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME

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