
A América Latina terá a maior taxa de crescimento de tráfego de internet do mundo até o ano de 2012, atingindo 32 exabytes de mensais ou o equivalente ao volume de informações armazenadas em 8 bilhões de DVDs. Isso representa um crescimento de 61% sobre os níveis atuais.
A previsão é do estudo Visual Networking Index (VNI) , que a Cisco apresentou hoje durante a Futurecom. A América Latina ficará à frente de Europa Oriental e Ásia. A maior parte do tráfego IP virá de dados, mas o consumo de vídeo e IPTV deverá crescer expressivamente, em torno de 68% ao longo dos próximos quatro anos.
O tráfego global dobrará a cada ano no período e chegará a 522 exabytes em 2012, ou 130 bilhões de DVDs, em 2012. Vídeo online será um dos principais responsáveis por esse tráfego. Ao longo dos próximos anos, será 400 vezes maior do que foi o tráfego dos Estados Unidos no ano 2000.
Vídeo sob demanda, IPTV e compartilhamento de vídeo peer to peer representarão cerca de 90% do consumo até 2012. Isso significa que, para suportar tamanha explosão de consumo, as operadoras que fornecem acesso precisarão reforçar a infra-estrutura. Sob pena de o usuário ter um declínio na qualidade da navegação.
A necessidade ou o desejo dos usuários de conexão à internet em qualquer hora e em qualquer lugar farão com que a banda larga móvel seja a principal forma de acesso à rede em quatro anos. Isso é o que prevê Caetano Notari, diretor de consultoria da Ericsson, que apresentou um painel nesta terça-feira na Futurecom.
Segundo o executivo, até o fim desse ano, 1,2 milhão de pessoas utilizarão banda larga móvel no país. O número crescerá expressivamente ao longo dos próximos quatro anos fazendo com que em 2012, de 50% a 80% dos novos usuários de internet sejam adeptos da web móvel. As receitas de voz das operadoras cairão significativamente ate lá, em torno de 6% por ano. Sinal de que elas precisarão se diferenciar de alguma forma para conseguir.
Ao mesmo tempo, infra-estrutura será uma questão chave para essas operadoras, que precisarão suportar um volume crescente de tráfego de dados. Segundo o executivo, hoje o consumo médio mensal dos usuários em dados está em torno de 1,5 GB por mês.
Começaram hoje os painéis, apresentações e palestras da Futurecom 2008, a principal feira de telecom do país. Um dos primeiros anúncios foi a parceria entre Intel, Asus e Parks para a fabricação de equipamentos de conexão WiMax no Brasil.
A Parks, fabricante brasileira de equipamentos de telecomunicações que tem como negócio principal os modems, absorverá tecnologia da taiwanesa Asus para produzir os CPEs em explicação simplificada, modems que permitem a conexão à rede de banda larga sem fio. A produção acontecerá na fábrica da Parks em Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, e os equipamentos começam a ser comercializados a partir do primeiro trimestre do ano que vem.
Segundo Mauro de Araújo, diretor comercial da Parks, o tamanho desse mercado é estimado em 200 000 CPEs no próximo ano. A fábrica da Parks tem capacidade produção de 30 000 equipamentos por mês. A Parks já havia feito investimentos da ordem de 1,5 milhão de dólares no ano passado para preparar a base para a fabricação dos CPEs, mas em virtude dos passos lentos nos quais caminharam o mercado no ano passado em termos regulatórios a produção não decolou.
Hoje existem cinco operadoras que já oferecem serviços de WiMax: Embratel, Neovia, Sinus, Brasil Telecom e WKVE. Essas operadoras deverão comprar os equipamentos da Parks e depois fornecer aos clientes junto com o serviço. O principal mercado para esse primeiro momento do WiMax, segundo os executivos, estará focado nas pequenas e médias empresas, que poderão utilizar o CPE para conectar à rede de banda larga sem fio.
Na parceria, a Intel foi a intermediária entre a Asus e a Parks. A identificação da Asus como melhor parceiro para fabricação aconteceu em um processo que levou 120 dias. Segundo Américo Tomé, gerente de novas tecnologias da Intel para a América Latina, o objetivo da Intel é alavancar a banda larga no Brasil com preços competitivos.
A alta do dólar deverá encarecer os computadores entre 15% e 20%, segundo os analistas, já que mais de 80% dos componentes dos PCs são cotados na moeda estrangeira. Enquanto o repasse de preços ao consumidor não é feito, porém, alguns varejistas estão tentando encorajar os consumidores a antecipar as decisões de compra dos equipamentos de informática e, com isso, garantir que as vendas para o Natal não serão tão comprometidas.
É o caso da Ricardo Eletro, rede com 250 lojas no Brasil e faturamento de 1,7 bilhão de reais em 2007. Em anúncios publicitários nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro Oeste, a rede explica a situação do câmbio valorizado e atrai os consumidores para fazer as compras antecipadas de Natal, antes do aumento. Uma das promoções foi feita na TV carioca um dia após o Dia das Crianças e, em letras garrafais e uma narração vibrante - que quase me fez levantar do sofá e ir para a loja, já que estava no Rio -, convocou consumidor às compras. A estratégia parece ter dado certo e em um único dia, a rede aumentou em 30% suas vendas de equipamentos eletroeletrônicos.
Mensalmente, a rede vende de 10 000 a 12 000 computadores. A previsão para os meses de novembro e dezembro é de crescimento de 50% nesse volume. Sim, mesmo com o dólar valorizado, a rede acredita que esse crescimento será possível. A não revisão dos números, porém, teve a ver com uma nova estratégia adotada. ´Conseguimos negociar com fornecedores um pequeno reajuste para os equipamentos e vamos apostar no volume para trabalhar sem aumento, ao menos nas próximas semanas´, disse Ricardo Nunes, presidente da rede, a EXAME.
Segundo ele, negociar com os fornecedores, porém, não tem sido tarefa fácil, não só para computadores, como para monitores, impressoras e multifuncionais. Na segunda semana do mês, diz Nunes, praticamente nenhum distribuidor queria fazer negócio com o dólar beirando a casa dos 2,40 reais. Com a melhora relativa nos mercados financeiros nos dias que se seguiram aos pacotes e medidas internacionais para conter a crise, os ânimos da indústria acalmaram parcialmente, e os contratos voltaram a ser fechados - mas será que a situação de calmaria vai persistir? Nunes acredita que mesmo com as ondas negativas nos mercados mundiais, parte das vendas de Natal está garantida. O que não está em vista, porém, são os bons ventos que pairaram durante boa parte desse ano na indústria de PCs - ou seja, gerados pelo dólar a 1,60.
O Grupo CCE não está em uma de suas melhores fases. Desde o mês de agosto, a empresa já cortou cerca de 2 000 funcionários. Só na divisão de informática foram 1 200 pessoas, segundo uma fonte interna da empresa. Os cortes são especialmente assustadores quando é levado em consideração o volume total de funcionários. Segundo a apresentação institucional, hoje a empresa tem cerca de 5 800 funcionários diretos. Isso signfica que cerca de 34% da força de trabalho já foi eliminada. Procurei a empresa no início dessa semana, mas por lá ninguém fala sobre o assunto. Conversei também com Sidney Malaquias, secretário de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus - onde o grupo tem um parque industrial - e ele me disse que as demissões começaram antes da crise e que a empresa está se ´readequando´ ao mercado. Na prática, a CCE teve problemas com sua linha de desktops e chegou a descontinuá-la, o que gerou boa parte das demissões na divisão de informática. A área de televisores também está decepcionando, segundo a fonte. Se as demissões começaram antes da crise, como diz o Sindicato, com a desaceleração prevista para o varejo com as restrições de crédito e a alta do dólar, dificilmente a situação deverá melhorar ao longo dos próximos meses. Resta, então a pergunta que fiz no título desse post...



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