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O Banco Central está certo ao elevar os juros?

 | 21.05.2008 | 11h17

Os economistas Kenneth Rogoff e Robert Hetzel têm opiniões divergentes sobre como tratar a questão da inflação

 

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Por Eduardo Pegurier

EXAME 

Kenneth Rogoff é professor da Universidade de Harvard e ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional. Foi também diretor do Harvard Center for International Development. É um especialista em finanças internacionais e macroeconomia. Robert Hetzel é pesquisador do Federal Reserve, o banco central americano, em Richmond, no estado da Virgínia. Obteve seu doutorado em economia na Universidade de Chicago e se especializou no estudo da atuação de bancos centrais no controle de inflação. Os dois responderam a perguntas da Exame sobre a crise da comida e do petróleo e a atuação dos BCs:

EXAME - O mundo está sofrendo com uma explosão de preços de petróleo e comida. Esse fenômeno aumenta a inflação brasileira. Como a causa do fenômeno é externa, o Banco Central deveria subir os juros ou deixar a inflação crescer dentro da margem de tolerância da meta?

Rogoff – Os bancos centrais de vários países estão percebendo que a inflação da comida e do petróleo é, em parte, conseqüência de uma longa temporada de juros baixos demais, principalmente nos países centrais como os Estados Unidos, a China e os países da União Européia. Acredito que os aumentos de comida e energia são a primeira manifestação de uma dinâmica inflacionária mais profunda. Os bancos centrais serão obrigados a praticar uma política monetária mais dura, com ou sem recessão nos Estados Unidos.

Hetzel - Com juros de curto prazo de 11,75% e uma previsão de inflação de 5%, o Brasil fica com uma taxa de juros real de 6,75%. É um patamar muito alto, especialmente considerando que o país tem acesso a financiamentos internacionais. Dessa forma, é difícil imaginar que a inflação fuja de controle. O Banco Central deveria deixar que o choque de preços causado pelo aumento de commodities, como comida e energia, gere um aumento temporário de inflação, desde que isso não ultrapasse limites que causem alarme.

EXAME - No Brasil, foi correto o Banco Central agir de forma abrupta e surpreender o mercado financeiro com um aumento da taxa de juros maior do que o esperado?

Rogoff – Sim, o Banco Central do Brasil está correto em antecipar o problema, ao invés de arriscar os enormes benefícios que o país conquistou ao controlar a inflação na década passada.

Hetzel - O banco central brasileiro só deve agir se perceber que está perdendo credibilidade. Para isso, deve ficar atento a taxa de câmbio e aos mercados de títulos para detectar impactos da taxa de inflação corrente nas expectativas futuras de subida dos preços. Afinal, qual é o benefício de construir credibilidade, se o BC não pode usá-la para evitar crises na economia real?

EXAME - Por que a taxa de juros real brasileira é tão alta?

Hetzel – Existem duas razões possíveis. A primeira é que os agentes econômicos esperam uma taxa de crescimento alta no futuro. Nesse caso, a explicação é que os indivíduos querem gastar hoje por conta dessa boa expectativa e, para contê-los, é preciso uma taxa alta. De outra maneira, a demanda agregada da economia cresceria mais rápido do que a capacidade de produção. A outra razão é o caso em que há um risco alto de calote da dívida do país, talvez causado por um rápido aumento de inflação. O Brasil é um país rico, mas que não tem tido um governo estável. Como isso mudou nos últimos anos, talvez o aumento de otimismo explique a necessidade de taxas de juros tão altas para conter a inflação. As respostas para essas questões nunca são claras de imediato. Mas o choque inflacionário derruba o padrão de vida das pessoas. Uma recessão só exacerbaria esse sofrimento.

 EXAME - Alguns críticos dizem que o Banco Central teve de aumentar a taxa de juros agora, porque, devido à pressão política por crescimento, derrubou-a rápido demais em 2007. Como distinguir se o aumento recente da inflação brasileira foi causado por um choque vindo do exterior ou por erro na administração da taxa de juros?   

Rogoff - Estamos observando que bancos centrais ao redor do mundo, independentemente da forma como atuam, estão se confrontando com a mesma dinâmica de inflação. Isso é um sinal muito forte de que a tendência de alta na inflação está sendo causada por um choque global. Por isso, será mais difícil para os bancos centrais controlarem a inflação sem derrubar o crescimento. Os próximos dois anos serão um teste importante para os regimes de meta de inflação, como o brasileiro. O sucesso recente de muitos deles ocorreu em um ambiente econômico muito benigno. No momento, com vários países sofrendo com a volta moderada da estagflação, a vida ficou mais difícil. Para contar com apoio a políticas de controle da inflação, os governos terão de explicar ao público que seus países estão enfrentando, devido à piora da economia mundial, um desafio muito mais difícil.

Publicado por euclides de oliveira pinto neto (21/05/2008 - 16:20)


Claro que está. Afinal, colonia só serve para isso... ser roubada, como foi feito nos ultimos 500 anos. Além da rapinagem praticada nas taxas de juros, agora as "autoridades americanas" do Banco Central brasileiro resolveram aumentar os lucros dos capitalistas canalhas internacionais; é preciso tirar o prejuizo das "sub-rates", ou papel pintado derivado, dos outros tipos de papel pintado.
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