Revista EXAME -
O futuro dos alimentos transgênicos no Brasil começou para valer no dia 24 de março deste ano, quando foi aprovada a Lei de Biossegurança. A nova legislação deve destravar a burocracia nos processos de aprovação da pesquisa, do plantio e da venda dos chamados organismos geneticamente modificados (OGMs). Por permitir a redução dos custos de produção, a tecnologia dos transgênicos é estratégica para que o Brasil mantenha sua competitividade no mercado mundial de commodities agrícolas. A falta de regras claras em relação a esses produtos afastava os investimentos e deixou o país muito atrás de seus principais concorrentes, como os Estados Unidos e a Argentina -- que, juntos, foram responsáveis por quase 80% da área cultivada com transgênicos no mundo em 2004. O Brasil ficou com 6% do total.
Na próxima safra, as sementes transgênicas devem ocupar 87% da área de soja dos Estados Unidos, 79% da de algodão e 52% da de milho. Na China, 65% das lavouras de algodão são transgênicas.
No Brasil, a aprovação da Lei de Biossegurança deve dar aos agricultores a possibilidade de escolher entre o plantio de sementes transgênicas ou convencionais. No momento, as únicas variedades transgênicas liberadas para o plantio no país são a soja Roundup Ready (RR) e o algodão Bollgard BT, da Monsanto. Outras sete variedades de milho, duas de algodão, uma de arroz e uma de soja estão na fila de espera da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a quem cabe analisar tecnicamente os pedidos de plantio de transgênicos. "Há cinco anos tentamos montar ensaios na área de resistência a insetos. Como não havia definição das regras e se questionava a validade da CTNBio como órgão regulador de biotecnologia, os outros órgãos regulatórios acabavam colocando barreiras às pesquisas", diz Ricardo Miranda, diretor de desenvolvimento de produtos da Monsanto. Sinônimo de transgenia no mundo, a multinacional americana está investindo 10 milhões de dólares em pesquisa no Brasil. Prepara um pacote de lançamentos para os próximos anos: dois tipos de milho (um resistente ao herbicida glifosato e outro à lagarta) e pelo menos quatro tipos de soja (resistentes a seca, lagarta e ferrugem asiática e com a adição de ômega 3). Algumas dessas novas variedades poderão ser vendidas a partir de 2006.
Outra empresa que está acelerando a pesquisa no Brasil é a alemã Bayer CropScience. Até o final de 2005, pretende aplicar 2 milhões de dólares em pesquisas de sementes adequadas às condições brasileiras. Dois processos estão em andamento na CTNBio: o algodão e o arroz, resistentes a herbicidas. "Esperamos conseguir todas as licenças para os ensaios em até quatro meses", diz Alex Merege, diretor da Bayer CropScience. "Antes levávamos cerca de três anos." Se a Lei de Biossegurança realmente reduzir a burocracia, a Embrapa também deverá avançar nos testes de alimentos resistentes a vírus. Os genes já foram implantados com sucesso no feijão, na batata e no mamão. "Ficamos mais livres para pesquisar, com a certeza de que estamos trabalhando dentro da lei", afirma Filipe Teixeira, coordenador de propriedade intelectual da Embrapa.
| O avanço dos transgênicos | |
| A área plantada no Brasil deve dobrar na próxima safra (em milhões de hectares) | |
| Brasil(1) | |
| 2003/ 04 |
3
|
| 2004/ 05 |
5
|
| 2005/ 06(2) |
11
|
| Mundo | |
| 2003/ 04 |
67,7
|
| 2004/ 05 |
81
|
| 2005/ 06(2) |
100
|
| (1) Considera apenas a soja RR, aprovada pelo governo brasileiro
(2) Previsão. Fontes: Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa) e Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec) |
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| Quem está na frente | |
| Em 2004, as plantas transgênicas ocuparam cerca de 81 milhões de hectares em 17 países. Veja quem são os maiores produtores: | |
| Estados Unidos |
59%
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| Argentina |
20%
|
| Canadá |
6%
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| Brasil |
6%
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| China |
6%
|
| Outros |
4%
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| Fonte: Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa) | |