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Duelo no mundo dos esportes
| 09.08.2005
Num mercado cada vez mais dependente de inovação, a união de Adidas e Reebok foi a saída para encarar a líder Nike
Por Angela Pimenta
EXAME Daqui para a frente, o jogador de futebol inglês David Beckham, que coleciona gols e suspiros femininos pelos quatro cantos do planeta, jogará no mesmo time do rapper americano conhecido por "50 Cent". Antes de se dedicar à música, "50 Cent" ganhava a vida como traficante de cocaína. Por 3,8 bilhões de dólares, a alemã Adidas, a segunda maior fabricante de roupas e acessórios esportivos do planeta e patrocinadora de Beckham, incorporou, no início de agosto, a americana Reebok, a terceira no ranking global e que tem "50 Cent" como garoto-propaganda. A nova empresa, que combina a tradicional imagem da Adidas com a aura de rebeldia da Reebok, deve partir para o ataque com muito mais gás contra a líder Nike. Sozinha, ela detém 36% do mercado americano de calçados esportivos -- o maior do mundo, estimado em 16,5 bilhões de dólares anuais -- ante 12,2% da Reebok e 8,9% da Adidas. "Juntos, vamos expandir nosso alcance geográfico, particularmente na América do Norte", disse Herbert Hainer, CEO da Adidas, ao anunciar o negócio. Mais exultante ficou o CEO e principal acionista da Reebok, Paul Fireman, que na transação teve sua conta bancária engordada em 650 milhões de dólares. "A Adidas é o parceiro ideal para a Reebok. O acordo favorece nossos acionistas e empregados, criando oportunidade para um futuro mais excitante." O que se espera, daqui para a frente, é uma batalha sem precedentes pela inovação, que deve transformar calçados e roupas em artigos de altíssima tecnologia. E aí está boa parte da lógica da união entre Adidas e Reebok -- assim como no mundo dos computadores, dos aparelhos eletrônicos e dos remédios, o mercado de artigos esportivos é cada vez mais dependente de altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Ao assumir a liderança do mercado com tanta folga, a Nike, ao fim e ao cabo, estava ameaçando a sobrevivência de suas maiores concorrentes. Além de acirrar a competição com a Nike, a transação é uma má notícia sobretudo para Puma e New Balance. "O processo de consolidação deve se acelerar, pressionando as empresas menores", diz Jean C. Stout, da Standard & Poor's.
| O tamanho de cada empresa |
| |
Nike
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Adidas/ Reebok
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| Vendas em 2004 |
13,7 bilhões de dólares
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11 bilhões de dólares
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| Participação no mercado global |
33%
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20%
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| Empregados |
23 000
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26 000
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Ao comprar a Reebok, a Adidas demonstrou estar ciente de sua debilidade. Célebre por investir em tecnologia e qualidade, a marca é reverenciada por atletas profissionais que prezam a performance acima de tudo. Mas, quando se trata de escolher um par de tênis que pode ser usado tanto na academia de ginástica quanto para tomar um chope, o sujeito comum prefere a Nike. "Comprando a Reebok, a Adidas quer solucionar um problema antigo, que é a sua incapacidade de se estabelecer como uma grife de moda, principalmente ante o público jovem", diz Marc Gobé, especialista em marcas esportivas. Adidas e Reebok vão operar separadamente. A Adidas manterá seu quartel-general na cidadezinha de Herzogenaurach, na Ba viera. A Reebok, que foi fundada na Inglaterra em 1958 e migrou para os Estados Unidos nos anos 80, continuará em Canton, Massachusetts. "A sinergia a ser obtida deverá vir de ganhos em escala na terceirização da manufatura, que é feita principalmente na Ásia, na obtenção de descontos com varejistas e no design e desenvolvimento de produtos", afirma Gobé. De acordo com Hainer, a nova Adidas-Reebok economizará cerca de 150 milhões de dólares por ano. O principal desafio da nova empresa é afinar sua produção, mantendo a identidade de suas marcas e evitando o lançamento de produtos redundantes. Trocando em miúdos, as três listinhas da Adidas continuarão a decorar as chuteiras e os uniformes envergados por um Beckham, enquanto o logotipo da Reebok será usado em produtos com o apelo mais rebelde.
A Adidas já anunciou que vai produzir um calçado para basquete dotado de um microchip na sola. Batizado de adidas_1, ele já tem sua versão para corrida no mercado. Segundo executivos da empresa, o calçado faz 5 milhões de operações matemáticas por segundo, ajustando-se ao pé do freguês como uma luva. O tênis vem equipado com uma pilha que dura 100 horas de exercício. Mas o preço é salgado: 250 dólares nos Estados Unidos. A Nike também tem investido pesadamente na customização e leveza de seus calçados. Um de seus últimos lançamentos é o Nike Free Trainer. Feito com solado flexível, é composto de várias fatias de uma fibra exclusiva que se molda ao pé, dando ao corredor a sensação de estar descalço.
| O valor da marca Nike é estimado em 10,1 BILHÕES DE DÓLARES ante
4 bilhões de dólares da Adidas |
| Fonte: consultoria Interbrand |
Líder mundial de mercado desde os anos 80, a Nike deve investir pelo menos 1 bilhão de dólares por ano no patrocínio de superatletas, ligas esportivas e na própria marca. Um de seus trunfos são as Niketown, megalojas plantadas nas principais cidades americanas e européias. Na esteira da Nike, recentemente a Adidas abriu uma megaloja no SoHo, o bairro mais fashion de Nova York. Mas é no patrocínio de jogadores que ambas geram mais notícias e vendas. Entre as estrelas da Nike estão o brasileiro Ronaldo, o golfista Tiger Woods e o astro do basquete americano Lebron James. Há alguns dias, a Adidas conseguiu cooptar o tenista mais bem pago no mundo, Andre Agassi, que nos últimos 17 anos foi patrocinado pela Nike. A Adidas também investiu 100 milhões de dólares em astros do basquete americano apenas em 2004. A marca alemã será a patrocinadora oficial das Olimpíadas de Pequim em 2008. Mas, antes de se enfrentarem na Ásia, a Adidas e a Nike já têm um duelo marcado para a próxima Copa do Mundo, em 2006, na Alemanha. A Adidas veste e patrocina a seleção da casa, e a Nike, a seleção canarinho.