De acordo com levantamento da VOCÊ S/A, sete setores vão ferver em 2007: imobiliário; montadoras e autopeças; varejo; tecnologia; publicidade; petróleo, siderurgia e energia; e eletroeletrônico. Nem todos estão na nossa lista de vagas. É que essas áreas foram pinçadas por consultores de carreira que estão vendo uma movimentação incomum. Três exemplos: 1) a construtora Camargo Corrêa estreou na bolsa em janeiro deste ano; 2) a Even, também do setor de construção, se prepara para abrir capital. Ambas precisarão de mais gente competente em seus organogramas para mostrar poder de fogo e arrebanhar novos acionistas; 3) depois de um ano meio morno, os publicitários voltam a se animar com a troca de contas entre as agências (a Multibrás saiu da Talent e foi para a DM9 e o Guaraná Antarctica deixou a Duda Mendonça e teria uma nova agência até o final de fevereiro).
Na hora de buscar uma movimentação de carreira não tenha preconceito. Investigue todos os setores. Varejo, por exemplo, é visto por muitos executivos como uma carreira menor, que não dá status nem visibilidade. Bobagem. As grandes redes de super e hipermercados são as empresas que mais vão contratar neste ano: 16 030 pessoas. Muitas dessas vagas, é claro, vão para a base da pirâmide, para repositores, caixas e pessoal da limpeza. Mas vai ter lugar também para a média e a alta gerência. "Muitas empresas estão criando projetos. Elas não podem perder tempo ou errar uma manobra. Por isso, as contratações têm de ser certeiras", diz Patrícia Epperlein, sócia e diretora-geral da Mariaca, consultoria especializada em contratação de executivos, de São Paulo.
Se até agora você estava focado em um único segmento, não tenha medo de se arriscar em uma área em que nunca atuou, principalmente se sua especialização está em marketing, recursos humanos ou no setor administrativo. Estes são departamentos menos restritivos do que áreas técnicas. O RH, por exemplo, comporta psicólogos, sociólogos e administradores de empresas, ou qualquer outro profissional que tenha feito alguma especialização nesta área. A carreira de Eliana Giannoccaro, de 50 anos, ilustra bem a possibilidade de expandir o campo de atuação. Eliana é presidente da parte comercial da empresa italiana de autopeças RGZ Magneti Marelli Cofap, no Brasil, e da filial da empresa na Argentina.
Formada em Direito, sociologia e jornalismo, Eliana passou pelas áreas de comunicação, marketing e comercial. Subiu como um foguete graças à sua rapidez para encontrar soluções, à sua agilidade em conduzir reuniões e ao seu poder de persuasão. Hoje, cuida de um faturamento de 120 milhões de dólares. "Não basta mais conhecer os produtos e saber técnicas de vendas. É preciso ser uma pessoa antenada, que tenha vida dentro e fora da empresa, que leia muito, vá ao cinema, saiba conduzir uma conversa. É isso o que eu procuro em um executivo, o que os acionistas da empresa esperam de mim e o que o mercado pede aos candidatos", diz Eliana.
Para fazer um movimento certo, é preciso ficar de olho no que está acontecendo no mercado. Uma empresa que vai indo muito bem acaba puxando para cima as outras companhias que fazem parte da mesma cadeia. Até mesmo as concorrentes terão de se mexer se não quiserem perder terreno. "O executivo que quer mudar de emprego deve saber quem são os fornecedores de uma empresa líder e entrar em contato com eles", afirma a headhunter Jacqueline Resch, do Rio de Janeiro.
Fácil entender esse plano de ação com duas áreas em alta: petróleo e siderurgia. O alvoroço em torno do primeiro está no fato de que, dez anos depois da abertura do mercado, o Brasil acaba de registrar a primeira produção feita por uma empresa privada, a norte-americana Devon, que deve começar suas operações no campo de Polvo, na Bacia de Campos, Rio de Janeiro, em julho. É um empurrão e tanto para que outras multinacionais continuem investindo no país. E aqui vale ficar atendo à indústria petroquímica, a empresas como Ale/Sat, Chevron, Dow, Dupont e White Martins (de acordo com nosso levantamento, juntas, estas empresas vão gerar 469 vagas).
No campo da siderurgia, fusões, aquisições e investimentos pesados pululam. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) perdeu a disputa pela anglo-holandesa Corus, mas colocou 1,5 bilhão de dólares para aumentar a produção da mineradora Casa da Pedra, em Congonhas, Minas Gerais. Portanto, é hora de arregaçar as mangas, conversar com as pessoas certas e arrumar o currículo, sem ter medo de ampliar seu leque de atuação. Certamente vai ficar mais fácil encontrar um novo emprego.
FIQUE DE OLHO
Conheça os setores em alta, segundo os consultores de carreira
| SETORES EM ALTA | MOTIVO | EMPRESAS QUE DEVEM CONTRATAR EM 2007* | NÚMERO DE VAGAS OFERECIDAS* |
| Imobiliário (construtoras e incorporadoras) | Crescimento do setor de casas populares, abertura de capital das grandes empresas e disponibilidade de capital estrangeiro | Gafisa, Even, Lopes e Camargo Corrêa | Não divulgam |
| Varejo | Facilidade de crédito e o crescimento do varejo eletrônico agitam o setor | Carrefour, Pão de Açúcar, Wal-Mart | 16 030 |
| Tecnologia | As empresas estão na expectativa de crescer por causa do aumento da demanda | IBM, HP | 3 000 |
| Publicidade | Dança das cadeiras entre agências e entre agências e clientes | Não divulgam | Não divulgam |
| Petróleo, siderurgia e energia | São setores em ebulição, com a atuação de novas empresas e fusões | Ale/Sat, Ampla Cerj, CBA, Chesf, Comgás, CSN, Dow, DuPont, Eletrobrás, RGE, White Martins | 2 299 |
| Eletroeletrônico | Crédito facilitado está mexendo com a cadeia | Lojas Insinuante, Magazine Luiza | 1 400 |
| Automotivo (montadoras e autopeças) | Mercado está mais animado, trocando executivos para tentar impulsionar as vendas | Mitsubishi, General Motors, Bosch, Renault, Volvo | 643 |
| *De acordo com pesquisa da VOCÊ S/A / Fontes: empresas e consultores de carreira | |||