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Aluga-se a Amazon

 | 15.11.2007

Com um inovador negócio de serviços tecnológicos e lucros crescentes, a gigante do varejo online volta a chamar a atenção

 

Murdo Macleod/Polaris

Jeff Bezos, fundador da Amazon: o negócio dele não é simplesmente movimentar caixas, e sim inovar

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Por Sérgio Teixeira Jr.

EXAME 

Na mais recente divulgação de resultados, a varejista online Amazon mostrou que continua crescendo com uma velocidade invejável. As vendas no trimestre que terminou em setembro aumentaram 41% em relação ao ano anterior e atingiram 3,26 bilhões de dólares, e os lucros saltaram de 19 milhões para 80 milhões. Os investidores responderam com entusiasmo: as ações da empresa passaram dos 100 dólares pela primeira vez desde 1999, auge da euforia da internet. A Amazon não acabou com o comércio tradicional, como muitos quiseram acreditar, mas esses números mostram que a idéia de vender pela internet estava mais que acertada. Mas entender a Amazon como apenas um negócio de varejo é cometer um erro, ou no mínimo uma injustiça: a verdadeira vocação da empresa é a inovação. Foi a Amazon que criou o sistema de avaliações dos próprios clientes, listas de sugestões e recomendações automáticas, só para mencionar três novidades hoje copiadas pela imensa maioria das lojas virtuais. Foram também os pesados investimentos em tecnologia -- 200 milhões de dólares nos últimos 12 meses -- que permitiram que a empresa conseguisse vender nada menos que 2,5 milhões de exemplares do último livro da série Harry Potter. Pois agora está tomando forma na companhia um novo negócio, baseado jus tamente nessa infra-estrutura e no conhecimento acumulados nos últimos 12 anos: o aluguel da Amazon.

A empresa, que nasceu em julho de 1995 como uma loja eletrônica de livros, está se posicionando, também, como uma grande provedora de serviços tecnológicos. Se os concorrentes no início eram somente livrarias, como a rede Barnes and Noble, agora o novo competidor tem nomes como HP e IBM, duas das maiores vendedoras de serviços tecnológicos. Tome como exemplo o S3, sigla para Simple Storage Service. A Amazon vende espaço de armazenamento de arquivos em seus data centers. Pode ser desde uma coleção de fotos de um indivíduo que queira ter uma cópia de segurança até todos os dados de uma empresa de médio porte. O cliente paga apenas pelo espaço em disco que utilizar. Nos últimos seis meses, o número de arquivos guardados pelo S3 dobrou e hoje já passa de 10 bilhões de dólares.

Muito além do varejo
Conheça alguns dos serviços tecnológicos prestados pela Amazon
Armazenamento
O serviço S3 guarda informações nos discos da empresa. O cliente paga apenas aquilo que consumir
Computação
Com o EC2, a gigante vende capacidade de processamento extra de servidores, sob demanda
Mercado de trabalho
O serviço Mechanical Turk aproxima empresas que procuram pessoas para executar tarefas simples e pontuais
Mensagens eletrônicas
Tráfego de mensagens e informações entre computadores com garantia de entrega e segurança

OUTRA NOVA LINHA DE NEGOCIOS da empresa oferece processamento de dados sob demanda, que atende pelo nome de EC2, sigla em inglês para Nuvem Computacional Elástica. Empresas que não podem fazer grandes investimentos em máquinas podem simplesmente alugar os computadores do maior varejista online do mundo -- e, de novo, pagam apenas pelo consumo, como se faz com uma conta de eletricidade. Até mesmo o centro de distribuição e os sistemas de gerenciamento com os clientes podem ser alugados. Os clientes -- que a companhia chama, sintomaticamente, de "desenvolvedores" -- já chegam perto de 300 000. O que eles querem? A qualidade reconhecida do serviço da Amazon. "Oferecemos aos nossos clientes a mesma infra-estrutura tecnológica usada pela Amazon.com", disse a EXAME Adam Selipsky, vice-presidente responsável pela área de serviços. "No fundo, somos uma empresa de tecnologia."

Os resultados do negócio de tecnologia não são divulgados, mas é claro que ele ainda é uma parte pequena dos 14,2 bilhões de dólares que a Amazon deve faturar neste ano. A questão que mais preocupa quem acompanha a empresa, porém, é outra: os investimentos para manter uma infra-estrutura com essa qualidade são altíssimos e corroem as já apertadas margens de lucro, que hoje são de aproximadamente 4%. É por isso que, dias depois do salto da ação para a casa dos 100 dólares, houve uma correção imediata, e o preço se estabilizou perto dos 80 dólares. Há também o temor de que as atenções, sempre voltadas para o comércio, se dispersem com a importância crescente dos serviços, um mercado disputado por especialistas em tecnologia e que exige constantes e custosas atualizações do parque tecnológico.

Mas, para Jeff Bezos, fundador e presidente da companhia, não há motivos para preocupação. "Sempre que entramos num negócio novo, ele é considerado uma distração", disse Bezos numa entrevista recente à revista Harvard Business Review. "Foi assim com as novas linhas de produtos, com a expansão internacional, com a venda de produtos de terceiros. Estamos ouvindo isso agora com nossos serviços tecnológicos. Não há nada errado com esse questionamento. Mas acredito que as sementes que plantamos demoram entre cinco e sete anos para ter um impacto significativo em nossos negócios." Muitos apostaram que a Amazon jamais daria lucro -- estavam errados. Será que Bezos, famoso por suas ruidosas gargalhadas, vai rir por último mais uma vez?

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