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A inovação virá das pequenas

John Doerr, um dos primeiros a investir no Google, agora aposta em renováveis
Foto: Dino Vournas/Reuters
 
 | 24.01.2008

Revista EXAME - 

Não há nenhum exagero em chamar John Doerr de midas do Vale do Silício. Sócio do fundo de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers desde 1980, Doerr foi um dos investidores iniciais em empresas como Sun Microsystems, Amazon e Google. Juntas, essas três companhias valem hoje quase 230 bilhões de dólares. De dois anos para cá, Doerr voltou suas atenções para a energia renovável. Tem em seu portfólio empresas de painéis solares, de etanol de celulose e, mais recentemente, a Fisker, fabricante de um carro híbrido. Ele falou a EXAME de Menlo Park, o coração do capital de risco nos Estados Unidos.

Por que há tanto interesse do capital de risco do Vale do Silício -- sempre ligado à tecnologia da informação -- em energia renovável?
Essa é uma boa pergunta, e eu vou reformulá-la. Por que agora? A primeira razão está nas forças do mercado, no preço verificado nas bombas hoje. Há uma nova demanda global, principalmente na Índia e na China. Existem também as pressões e os alertas para a questão climática. Estamos atingindo vários marcos históricos na nanotecnologia e na biotecnologia. Outra razão é o poder de processamento dos computadores. A capacidade que temos num PC hoje era algo inimaginável cinco anos atrás. Juntos, esses fatores permitem inovações incríveis. Nos permite, por exemplo, fazer uma reengenharia do metabolismo de micróbios e insetos para que eles possam ingerir açúcar e gerar biodiesel.

O senhor acredita que as montadoras estejam passando por uma das maiores transformações em sua história?
Sim. Temos visto que a inovação na indústria automotiva americana tem sacudido o setor pelas bases. A indústria está mudando muito lentamente, mas está. Acho que teremos nos próximos anos mais novidades do que eu já vi na indústria automotiva durante a minha vida toda.

As inovações virão de fora das grandes companhias, como ocorre na indústria de TI?
Sim. Temos visto isso há tempos na indústria. Você conhece o trabalho de Margaret Mead (antropóloga americana)? Ela diz: "Nunca subestime a habilidade de um pequeno grupo de pessoas. Elas podem mudar o mundo". Essa é a única certeza. Eu digo: nunca subestime a habilidade de empreendedores de transformar ou criar uma nova indústria.

Num discurso recente, o senhor afirmou que tudo o que estamos fazendo pode não ser suficiente para conter o aquecimento global. Por quê?
Por causa da escala que as coisas estão ganhando. Tudo o que estamos fazendo agora pode não ser suficiente para parar as tendências irreversíveis e catastróficas da mudança no clima. Ninguém sabe ao certo, mas a ciência mostra que precisamos cortar as emissões de gases em pelo menos metade. Algumas pessoas dizem até que essa redução tem de ser mais dramática, chegando apenas a 10% das nossas emissões atuais para estabilizar a concentração de dióxido de carbono na atmosfera em cerca de 500 partes por milhão. Mas as pessoas não gostam de números e medidas. Temos de ser mais inteligentes do que isso. É uma combinação entre inovação, tecnologia e políticas. Estou esperançoso e trabalhando muito com os empresários. Estou esperançoso, mas não otimista.

 
 
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