Buscar

Olá, .

Sair

Para usar o Portal EXAME você precisa estar autenticado

Entrar
 
 

Avalie a reportagem:

 

  •    
  •    
  •    
  •    
  •    
Fraca
Boa
Excelente

Média dos usuários

Fraca
Boa
Excelente

A conta ficou negativa

 | 03.04.2008

Um dos pilares do bom momento da economia brasileira é a folga nas contas externas dos últimos anos. A volta do déficit em conta corrente pode reverter esse quadro?

 

Opção Brasil

Contêiner em Santos: aumento veloz da importação

Publicidade

Por José Roberto Caetano

EXAME 

A montanha de dólares acumulados na forma de reservas é um dos pilares do bom momento vivido pela economia brasileira. Já são mais de 200 bilhões de dólares nos cofres do Banco Central, dinheiro que tem servido como um poderoso amortecedor frente às oscilações da economia mundial. Até recentemente, qualquer soluço lá fora virava um problema nacional -- basta lembrar o que aconteceu com o país durante as muitas turbulências na década passada. Hoje se vê quase o oposto: a economia mundial passa por uma das mais rigorosas crises em muito tempo, enquanto o Brasil segue, até agora, firme. Por isso, tem causado crescente apreensão a mudança de sinal no balanço de pagamentos, a conta final das transações do país com o exterior. Com o superávit comercial em queda, o saldo da conta corrente externa entrou no vermelho, algo que não ocorria desde 2002. A mudança foi rápida: de 13 bilhões de dólares positivos em julho do ano passado, o saldo da conta corrente ficou negativo em 5 bilhões em fevereiro. O número chamou ainda mais a atenção após o próprio Banco Central estimar um buraco de 12 bilhões de dólares até o final deste ano.

A questão que importa não é o que vai acontecer em 2008. Afinal, o saldo negativo projetado terá pouco impacto sobre as reservas. "O quadro merece a atenção do governo, mas não achamos que seja um cenário dramático", afirma Arno Augustin, secretário do Tesouro do Ministério da Fazenda. "Alguns elementos positivos, como o ingresso esperado de 32 bilhões de dólares em investimento direto estrangeiro, serão mais do que suficientes para compensar a conta negativa no ano." O ponto central é saber se há algo mais de fundo ocorrendo na fórmula de política econômica que parece ter alçado o país a um novo patamar e que teve como um dos alicerces o superávit nas contas externas. "Se o déficit persistir, o risco é voltarmos ao ciclo de vulnerabilidade do passado recente", diz o economista Yoshiaki Nakano, da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.

AS CONTAS EXTERNAS VÃO SE MANTER no vermelho? No curto prazo, as apostas são que sim. O real tem se valorizado frente a um dólar globalmente enfraquecido, e ninguém prevê uma mudança significativa na cotação. Com a moeda mais forte, as importações brasileiras estão em franca aceleração. Em fevereiro, comparadas ao mesmo mês de 2007, as compras no exterior tiveram alta de 65%, enquanto as exportações evoluíram 26%. Até agora, o crescimento das importações vinha sendo visto mais por seu lado bom: suprir deficiências da capacidade de produção nacional para atender ao rápido aumento da demanda e, com isso, evitar pressões inflacionárias. "As nossas compras lá fora serviram para sustentar o crescimento da economia, com a entrada muito mais de máquinas e componentes do que de bens de consumo", diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe do banco Real. Mas está ficando claro que as importações vão continuar em alta por um bom tempo -- e as exportações tendem a não acompanhar o mesmo ritmo. Esse desequilíbrio levou o governo a anunciar um minipacote de medidas para fortalecer a competitividade dos produtos brasileiros no cenário global. A cobrança do imposto sobre operações financeiras foi cancelada no caso das operações de câmbio na exportação -- uma tentativa de compensar a valorização do real. Além disso, os exportadores agora podem manter 100% das receitas em dólares no exterior. Em outra frente, para tentar diminuir a entrada de dólares, o governo determinou a cobrança de 1,5% de IOF nas aplicações de investidores estrangeiros em fundos de renda fixa e títulos públicos brasileiros. Os efeitos práticos do pacote, porém, devem ser modestos.

Inversão de sinal
O superávit da balança comercial brasileira tende a cair...
  (em bilhões de dólares)
2002 13
2004 25
2006 34
2008 45
2003 46
2005 40
2007 28(1)
2009 22(1)
...e a conta corrente externa deve voltar a ser negativa neste ano, o que não acontecia desde 2002
2002 -7,6
2003 4,2
2004 11,7
2005 14
2006 13,6
2007 1,5
2008 -12(1)
2009 -13(1)
(1) Previsão
Fontes: Funcex/SecexMDIC, BC/MF/SPE e relatório Focus

O que acontecerá mais à frente vai depender dos preços internacionais de matérias-primas como minérios e soja, o sustentáculo do superávit comercial. O medo é que a crise americana acabe induzindo um esfriamento da demanda chinesa, o que teria efeito direto nas exportações brasileiras (veja reportagem na pág. 30). Nesse cenário, a conta externa deve ficar vermelha por mais tempo. Por ora, porém, as apostas ainda são que os preços dos produtos básicos exportados pelo Brasil continuem firmes, o que ameniza o tamanho do déficit externo. "Se as cotações continuarem altas, não há necessidade de acender a luz vermelha", diz Schwartsman. Olhando para a frente, de qualquer modo, a inclinação das contas externas para o lado negativo não é uma boa notícia num momento em que a turbulência internacional ainda pode se agravar. Países com superávit externo estão mais fortalecidos para enfrentar tempos eventualmente mais duros, conforme avalia o economista inglês John Williamson, criador do termo Consenso de Washington, que designa as medidas apontadas nos anos 90 para os países latino-americanos estabilizarem sua economia. "O Brasil está numa posição intermediária, menos vulnerável que a Turquia ou os países do Leste Europeu, que têm registrado grandes déficits em conta corrente", disse Williamson, em entrevista exclusiva ao Portal EXAME. "Mas parece mais vulnerável do que os países que, ao contrário, vêm conseguindo obter superávits, como é o caso da China e de outros asiáticos." Ou seja, para o Brasil, o quadro não é de emergência, mas vale pelo menos acender uma luz amarela.

Nome

Comentário
 
Bovespa: tempos difíceis
 

FINANÇAS

Bancos brasileiros entre os mais rentáveis do mundo

ENERGIA

Corretora indica ações de Cesp, Tractebel, Eletrobrás e AES

TELECOM Embratel acusa Oi de impedir concorrência

Links Patrocinados

 
 
 

Copyright © 2008, Editora Abril S.A. -
Todos os direitos reservados. All rights reserved.