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Grau de investimento deve elevar aplicações estrangeiras em educação

 | 12.05.2008 | 19h56

Para Celso Grisi, diretor da FIA e professor da USP, setor será um dos que mais atrairão recursos de outros países nos próximos meses

 

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Por Francine De Lorenzo

EXAME 

Com o grau de investimento, escolas e universidades brasileiras devem entrar na mira dos investidores estrangeiros. O setor, na opinião de Celso Grisi, diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e professor da Universidade de São Paulo (USP), será em breve um dos mais assediados por fundos de private equity e empresas internacionais, graças ao seu forte potencial de expansão – afinal, o país conta com mais de 180.000 habitantes – e à ausência de barreiras que impeçam a participação de capital de outros países nas instituições. “Não dá para pensar em desenvolvimento sem educação. Até operador de trator vai precisar estudar para aprender a lidar com as novas tecnologias e continuar trabalhando”, diz Grisi.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já é possível verificar alguma movimentação. Entre os dias 30 de abril, quando foi concedido o grau de investimento para o Brasil, e a última sexta-feira (9/5), as ações do setor subiram em média 6,4%, enquanto o Ibovespa teve valorização de 2,6%. Nesta segunda-feira (12/5), o GP Investimentos, maior fundo de private equity do Brasil e que conta com capital estrangeiro, anunciou um investimento de 259 milhões de reais na Estácio, provocando uma disparada de 36% nas ações da instituição. A filosofia do GP é investir em empresas com forte potencial de valorização, incrementar os negócios e deixar a companhia embolsando um bom lucro. Na construtora Gafisa, por exemplo, o fundo investiu 78 milhões de dólares, que ao término de uma década se transformaram em 500 milhões de dólares.

Essa estratégia associada à educação, entretanto, é tema de debates acalorados nos meios acadêmicos. Para Grisi, os recursos privados, incluindo os estrangeiros, são fundamentais para o desenvolvimento de educação de qualidade no país, mas o professor ressalta que um possível efeito colateral é o choque cultural. “Corremos o risco de ver o Monteiro Lobato ser substituído pelo Mickey”, diz. Evitar isso, na visão de Grisi, seria a função do Estado, que se responsabilizaria também pela regulação do setor e pela fiscalização da qualidade dos cursos, impedindo a chamada “fábrica de diplomas”.

Crédito

É certo que bolsas de estudos e financiamentos estudantis são importantes para permitir o acesso da população de menor poder aquisitivo à educação universitária. Mas, para o professor da USP, é necessário muito mais que isso para se formar bons profissionais. “Quantos dos milhões de alunos que se formam todos os anos têm realmente condições de exercer a profissão? Será que esse crédito está atendendo às necessidades dos alunos ou ao interesse das universidades privadas?”, questiona Grisi. Para ele, o ideal seria financiar não só o curso, mas também o custo de vida do aluno durante o período de faculdade, permitindo a ele se dedicar exclusivamente aos estudos.  

Hoje, o governo oferece dois programas de subsídios aos estudantes. O ProUni concede bolsas de estudos parciais e integrais para cursos de graduação e seqüenciais de formação específica. Nos próximos quatro anos, segundo o Ministério da Educação, serão oferecidas 400.000 bolsas de estudos. Já o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) cobre até 50% das mensalidades cobradas pelas instituições de ensino. Pelo crédito, o estudante paga juros de 3,5% a 9% ao ano e, após a conclusão da faculdade, tem uma vez e meia o período de utilização do financiamento para amortizar a dívida.

 

 
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